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domingo, 2 de novembro de 2014

RADICAL - LIVRE

Os leões poupam energia para a ação mais assertiva e precisa! Eles esperam a hora certa, respeitando que precisam de reserva de força para agir. Eles observam o comportamento da presa. Cercam e prendem com organização e planejamento. Assim, agem na hora certa, reduzindo as margens de erro. Não dá tempo para ficar errando...

Fico observando como nós empregamos essa palavra: RADICAL.

O tempo passa, passa, passa. Daí, um dia, você decide agir. Depois de tanto tempo passado e "perdido", uma ação é o mínimo que se faz para mudar e sair do ciclo vicioso. Vai doer, mas vai fazer! Nessa hora, no momento da ação, aqueles que inflexíveis vão dizer: "você está sendo muito radical! Não pode ser assim, de uma hora para outra...". Hora para outra? Tempo passando, passando, passando... passado! E o agora, tudo sempre igual - e isso não é ruim... mas o "tudo igual" como repetição de ações paralisantes são, sim, preocupantes!

Radical, para mim, é manter-se no vício. Radical em linguistica, refere-se, às vezes, à RAIZ. Assim, se fechar num ciclo vicioso é uma atitude radical de fincar-se naquela situação, sem evolução. Bom, o significado mais comum de radical é "pessoa que NÃO muda de opinião", assim, quando a gente decide agir e mudar uma situação, a gente não é radical, é ser ator, aquele que age.

Assim, algumas decisões "radicais", não são tão radicais assim... são transformadoras! E radical passa a ser aquele que permanecesse parado se justificando, em vez de ir falando e fazendo.

Quando somos obrigados - no melhor sentido da palavra "obrigação" - a enxergar quem somos e como estamos, vai doer, mas ou você se mantém radicalmente no seu ciclo, ou sai forçosamente dele. E os "radicais" são temerosos. Medo de escolher! Escolha é a cura para a repetição radical das mesmas atitudes.

Sei lá... não fui muito radical e não consegui dizer tudo o que queria, mas vejo meu tempo passar, tento administrar a ação da ansiedade com foco onde quero chegar - um passo de cada vez - e no que devo fazer - uma coisa de cada vez. Hoje, sou cautelosa, porém, olho de frente. Sinto a dor, sinto o impacto, mas me permito ver e pensar no como agir. O que não dá mais é para ficar preso a um paradigma. No meu tempo, isso não dá mais tempo! Também não quer dizer sair correndo, perdendo o fôlego... é preciso reunir forças para agir e isso só vem com reflexão e reflexão quer dizer ponderar... Coisa que o radical cego não faz... 

Sejamos ativos, mas com orientação. Ativo só por se mexer em qualquer direção é ser paralisado por ignorar a si; se debaterá e afastará as pessoas do seu convívio; olhará e verá que só ficam aos seu lado os visitantes, por um curto espaço de tempo. Se isso te agrada, viva assim, não é errado! Não existe erro em se aceitar como é e assumir que quer ser assim. Eu reconheço em mim algumas dores que ainda não dou conta de tocar. Mas, reconheço e assumo que elas existem. Eu sei. O saber nos tira da ignorância e nos clama a escolha. Entende?! Mas, se incomoda perceber que só tem visitas rotativas e não uma relação firme e segura, bom olhar de frente e se observar! Se conhecer ainda é o melhor caminho para curar.

A liberdade cura e a cura, liberta!

Livres da ignorância podemos nos curar; curados, somos livres para crescer e transformar!

O tempo passa, mas o Tempo é eterno. Como eu quero viver meu tempo?

Pat Lins - (a)temporal

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A VIDA É VERBO - TEMPO DE SER E ESTAR AQUI E AGORA!


Pessoas especiais, quando, por conta desses motivos da vida, de cada um ir para um canto, não deixam de ser especiais em nossas vidas. Um dia, a gente entende que a necessidade da presença física é coisa da nossa mente limitada. Consequentemente, nos apegamos, nos sentimos presos e aprisionamos. 

Daí, a vida chega e diz: "êpa, né assim não, meu bem! Né assim que a banda toca não" e dá a nota e dá o tom e a gente, que "sabe de nada", resiste em apenas escutar a música e deixar o corpo embalar no ritmo, no fluxo, no caminho! Pessoas especiais, sempre são especiais em nossas vidas, estejam onde estiverem!

Aos poucos, esvaziando, vamos nos tornar - não como passe de mágica e extremamente - diferentes, no sentido de melhores, à medida que aceitamos o tempo presente, o AQUI E AGORA! 

Perdeu a paciência ontem - bom, lembrando que ninguém perde aquilo que não tem... né? -, vai ficar preso à crítica e ao medo de seguir em frente, se aprisionando e se punindo pelo que fez? LIBERTE-SE, JÁ! Reconheço que fiz. Reconheço que me incomodou. Reconheço que não me contive, porque não é para se conter, é para fluir e fluir é verdade; verdade é consciência! Seguir a consciência é fluir, é dançar a dança da Vida, na cadência do Tempo de ser e estar, conforme a Natureza do Ser! Ninguém tem o direito, nem o dever, de condenar ou ser condenado sem ter a liberdade de, hoje, agora, escolher fazer o novo, fazer melhor ou melhorando.

A vida é gerúndio, vai acontecendo, enquanto estamos aprendendo e vivendo. O Tempo é gerúndio, vai guiando e passando, permanecendo e renovando. A Natureza é gerúndio, está sempre plantando, germinando, nascendo, transformando!

A Vida é Tempo infinito! No infinito contínuo que é o AGORA!

EU SOU VIDA! EU SOU LIBERDADE! EU SOU LIVRE DOS PENSAMENTOS, CRENÇAS E VALORES RESTRITIVOS E PARALISANTES! EU SOU!

Eu Sou Pat Lins!

sábado, 18 de maio de 2013

VAZIO: CHEIO DO NECESSÁRIO



Em alguns momentos dedicar-se a uma pausa, a um vazio quer dizer encher-se... preencher-se de coisas úteis e necessárias!

Chega de fuga e de rodar, correndo e afobado, atrás do próprio rabo, como cão se coçando!

Ergamos-nos e entremos numa nova fase: de crescimento real!

É ler e aplicar! É saber e fazer! É desconhecer e ir buscar! É confiar mais no Tempo de ser e deixar chegar - isso não quer dizer apatia ou inércia, do mesmo jeito que agilidade não é pressa ou correria.

Na vida é assim: existem leis que desconhecemos, mas sabemos como seguí-las... só não fazemos.

E vamos conquistar nossa felicidade real e essencial. 

Para tudo e para todos os instantes e fases da nossa vida existem tempos de parar e tempo de seguir e de prosseguir. Tempo de arar. Tempo de semear. Tempo de regar. Tempo de colher. Tempo de recomeçar tudo de novo! Tal qual a agricultura nos ensina: sempre deixar uma parte da terra em repouso e fazer rodízio, de maneira que cada espaço tenha seu tempo de se restaurar e revigorar. Cultivemos-nos a nós mesmos - redundância mais linda!

PS - isso não impedirá que existam momento de desgaste, cansaço, desânimo... tudo se trata de uma questão de consciência. Acordemos!

Pat Lins.


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sábado, 2 de fevereiro de 2013

MOMENTOS BONS SÃO OS QUE SÃO BONS

Existem momentos na vida que puxam mais pela reflexão profunda. Em outros, apenas fazer bobagens... Em outros, amenidades. Ninguém aguenta ser reflexão profunda o tempo inteiro... para tudo o equilíbrio. Mesmo assim, é possível refletir constantemente e tentar ser consciente em cada situação, em cada acontecimento.

Recentemente, venho vivendo momentos que exigem demais dessa parte reflexiva mais profunda, alguns pontos mais duros, outros, apenas acontecendo. Em todos, aprendizado. Não é brincadeira, nem para tirar onda de evoluída - coisa que estoun longe - mas, evoluindo. É vivenciando que temos a capacidade de sentir dentro, bem dentro de nós, como agíamos e como agimos. Assim, entendemos o que vem a ser deixar o passado no passado sem amnésia! Também não afirmo que reflito e aprendo da melhor maneira ou como querem que eu aja, apenas ajo como consigo e como dou conta, me esforçando para compreender mais e absorver - sem peso, sem culpa - o máximo do qe vem de bom, sem deixar de viver e sentir que tem o lado "ruim". 

Tenho acompanhado e vivido momentos de angústia, dor e injustiça humana. Tenho questionado os desígnios de Deus, principalmente o que Ele espera de nós, humanos e falhos desde a criação. Não me furto o direito de questionar, porque está na capacidade humana da reflexão e questionamento honesto é a base inicial para alguma transformação significativa. E nesses últmos momentos, dos últimos quase 7 anos, nesse processo contínuo, tenho entendido na pele e no sangue, que tudo tem um motivo, uma razão, que acontece e que tudo tem seu lado positivo sim! Nem que seja avaliar como estamos lidando com o novo ou com o mesmo fato - afinal, muita gente nem se dá conta, falam em fechar as portas ao passado sem resolver as pendências e esse passado torna-se um presente assustador e a pessao nem entende que continua agindo do mesmo jeito e querendo solução... Todos nós fazemos isso ou sempre ou de vez em quando... poucos somos capazes de querer enxergar o REAL -  nas atuais circunstâncias. 

Escuto pessoas que se julgam maduras e equilibradas desmoronarem e cairem em contradição com a posição "evoluída" quando exige-se uma prática daquela teoria toda. Eu me vejo nos dois lados: dos que falam e dos que são escutados. Admito: não sou evoluída, mas me esforço para crescer em pequenas proporções iniciais, aos poucos e um passo de cada vez. Entendo que erro, que acerto. Entendo que teremos que abrir mão de umas coisas, de não estar com algumas pessoas - uma DS = distância saudável -, por um tempo, e que isso não é maldade é limitação.

Comecei a levar mais a sério o "não julgar", nem condenar. Mesmo ainda fazendo. Só que cada vez que consigo identificar que estou julgando, condenando sinto algo estranho em mim... não faz mais sentido. Também, não sou zen e tranquila, ainda sobrecarrego meu estômago - agindo do mesmo jeito e esperando solução... - e, agora, ele - meu estômago - começou a reclamar e dizer: "hora de enxergar, se libertar e me libertar dessa maneira de agir, concorda?". A gente fala tanto nos mistérios da vida e quando eles começam a se desvelar, a gente se nega a enxergar, escutar e ver os sinais, que sim, é a maneira da vida falar... Também, nem tudo é sinal... Mas, alguns são claros e diretos. Meu estômago está sendo claro e direto.

Diante de  momentos de dores e perdas, somos capazes de nos deparar com nosso apego, nosso materialismo, com nosso aprisionamento ao TER e de como somos frágeis, ainda que não derramemos uma lágrima. Isso vem porque vem... não quero ficar racionalizando tudo a todo tempo. Aceitar a realidade é ver e entender que veio e pronto. Só que temos que fazer algo. Aí vem a prova de fogo: como lidamos, como nos abrimos para resolver - no caso de um problema; como entendemos que não precisa ser encarado como um problema...? Como lidamos com nós mesmos diante de determinadas situações? Como não cobrar do outro sua presença em nossas vidas? Como estar presente, mesmo à distância? Como estar presente sem impor esse presença, como castigo? Como entender que vínculo é algo legal e prazeroso, não imposto ou cobrado?

Tanta coisa para nos olharmos e nos abrirmos um pouquinho mais, além dos recursos teóricos que nos compomos. Eu penso assim: o que vem de fora, nos "ajuda a", não é a solução pronta. Uma palavra amiga, uma sessão de terapia, uma boa palestra motivacional, um bom livro, um colo, uma aula de yoga, um momento de meditação... tudo isso e muito mais só faz sentido no real se entendermos que são combustíveis extra, capazes de nos dar aquele gás novo. A questão está em: nos damos conta disso ou apenas alimentamos o lado superficial e teórico? Como nos permitimos tirar proveito real no real dessas ajudas? Como avaliamos nossa transformação? Começa, para mim, de uma maneira simples: se ainda cobro, ainda ajo igual querendo diferente. 

Nos momentos de dores extremas, que envolvem doenças, mortes ou afins, somos postos à prova, mesmo. Não para alguém nos avaliar, apenas nós somos capazes de nos avaliar. 

Um exemplo que me desencadeou todo esse pensamento - que não se esgota aqui - foi o fato da minha tia paterna e dinda estar com câncer. Existe doença mais temida do que essa? E quando vem numa pessoa que deicidiu criar forças para recomeçar? Mais de 20 anos sem trabalhar; o marido havia "arranjado outra"; filho com problemas especiais; "perdeu" mãe, pai...; não consegue emagrecer por conta própria... Seu sonho era reduzir o tamanho das mamas, por conta de fortes dores na coluna. Acabou perdendo a mama numa mastectomia. Imagine isso tudo logo depois de ter voltado a trabalhar - ela conseguiu ser atendende de call center à noite, das 18h até 0h, de domingo a domingo, com folgas em regime de escala - e começar a recomeçar, dando o primeiro passo? Fez todo o tratamento. Não vou adentrar muito nessa questão, já expus em outros posts, que recebeu verba do Governo Federal para comprar o medicamento de alto custo que a ajudaria nessa batalha com mais eficácia e menos dor; esbarrou na burocracia e despreparo do mundo real dos órgãos públicos. Hoje, após quase 6 meses que deveria ter começado com a medicação, conseguiu apenas uma dose - deveria estar tomando uma a cada 21 dias, por um ano - em dezembro e nada mais além de desculpas... Hoje, tumores no fígado e no cérebro... Não sei dentro dela, mas com isso, comecei a entender que cada um luta como consegue. A gente vê de fora e diz: "Ah, se fosse eu, já teria feito isso, isso e isso...". A acomodação e a vontade de ficar dentro de casa é um alerta de que ela não está bem emocionalmente. Mesmo assim, ela dá os jeitos dela, vai à secretaria de saúde e à DPU - Defensoria Pública da União - toda semana. Não tem forças para se apegar e seguir uma fé religiosa, mas faz orações... De fora, todos nós ainda mais juntos. O que vem de bom: ver o quanto nossos amigos estão conosco; ver quantas pessoas boas existem nesse mundo e dispostas a ajudar... ver que não deixamos chegar a esse ponto para estarmos juntos. Mesmo assim, ainda escutamos: "Quantos anos ela tem?" e respondemos: "52". Muitas vezes, as pessoas se espantam - natural, porque sempre vamos tentar aceitar que na velhice a doença é mais esperada...: "Nova, ainda!". E outros julgam: "Tão nova e com essa doença?". E as crianças que já nascem assim? Temos essa mania tacanha de ser assim: temporizar tudo. O tempo dela é esse e temos algo a aprender com isso. E aí? Por isso que começo dizendo: precisamos aprender a refletir nos momentos de reflexão. Refletir é um processo de libertação. Se a gente para para pensar, pode criar idéia fixa e isso não é reflexão...

Pois é, nos últimos momentos, nos últimos acontecimentos, tenho vivido de maneira prática e real muita coisa que demanda reflexão e atitude. Não me culpo pelas provas que não sei lidar com isenção de raiva, como o fato de a SESAB não saber o que fazer e ter prejudicado o tratamento da minha tia, mesmo com verba liberada pela União e comprovada pela emissão de um impresso entregue por funcionários de lá que está tudo certinho e regularizado na verba enviada, inclusive a cidade. Pirei de raiva. Meu estomago reagiu. Ponderei,após aceitar o aviso/reclamação, e entendi que está além de mim, que existem coisas que podemos fazer e que dependem de nós e outras que não dependem. Lutamos ainda com o que está ao nosso alcance e contamos com a fé e o tempo... 

Momentos bons são os que vivemos e aceitamos a realidade. Nós estamos juntos, não apenas por conta da doença, mas pelo vínculo. Não estamos sós! Nossos amigos estão conosco sempre! Se alguém reaparece agora, que seja bem vindo, pois hoje é sempre o tempo de começar. Só não há necessidade de culpa ou peso, afinal, damos a nossa vida o rumo que conseguimos e, num hoje - no tempo certo - acordamos e vivemos o hoje de maneira nova. Cada hoje que vivemos é um presente! Se vem com sentimento de pressa ou de resgatar o tempo perdido, há sintomas de culpa e prisão de idéias tacanhas... Se é para viver o hoje, o passado precisa estar bem resolvido dentro de cada um de nós, só assim o hoje é presente!

Vivamos hoje, como hoje é. Sejamos melhores a cada hoje, a cada momento. Aqui e agora é possível se fazer muito. O principal é começar - sem cobrança, aceleração ou tortura...! Resolvamos em nós aquilo que sempre volta - ou nunca vai - e, aí sim, abrimos a porta para um dia após o outro.

A gente tem a vida inteira para aprender, leve o tempo que levar. E ainda vamos partir com muitas lições não resolvidas, nem conhecidas...

Pat Lins.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

ÁGUAS PASSADAS, SÓ SÃO PASSADAS DEPOIS QUE PASSAM...


Engraçado que muita gente adora dizer: "isso são águas passadas". Só podem ser passadas depois que passam, porque enquanto não passam, são águas presentes.

Dar um tempo e distanciar o espaço ajuda permitir forçosamente que essas águas, de fato, passem.

Para quem não é sábio - ainda - e não tem força emocional para dar conta de tanta coisa, o ideal é não confrontar. Estabelecer uma DS - distância saudável - pode colaborar e muito, desde que tenha a clara intensão - ou definição - do que quer e se entenda que DS não se trata de afastamento eterno. Pode-se haver uma ruptura, caso os elos sejam frágeis. A DS é um tempo e estabelecimento de distância para se recuperar as forças, para poder respirar e se regenerar. 

Nada disso vai mudar o outro. Nem é essa a intensão. A idéia é SE transformar. E, nesse processo, dar-se esse tempo livre de sugadores, loucos insalubres e etc. Bom é saber se nós também não somos um desses loucos... Mão na consciência. A do outro muitas vezes é notória. E a nossa? Arrogância, ansiedade, presunção, falta de humildade, vaidade, orgulho, raiva, ódio... isso tudo em excesso é muita sobra...

Águas passadas, só são passadas depois que passam. Senão, são ondas ou tsunamis presentes. E enquanto dura é só destruição. Depois que passa, sim, avaliamos os prejuízos e as possibilidades para reerguer ou construir um novo. Assim eu penso. Assim eu vivo. Assim eu ajo.

Pat Lins.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

"A ORIGEM DOS GUARDIÕES" - FILME


Gente, que filme lindo! Que mensagem profunda levemente passada sobre a importância de se assumir responsabilidades na vida, sobre a importância dos sonhos e sobre a importância de encarar o medo como única maneira de vencê-lo.

Os personagens são representações perfeitas das qualidades que almejamos e, ainda assim, cometem seus erros.

Uma parte - dentre diversas - que me chamou atenção é quando Jack Frost percebe que os "guardiões" que fazem tanto pelas crianças, mal têm "tempo" para lidar e estar com elas, como nós adultos. O interessante é que todos eles já foram "humanos" e "crianças humanas". E, numa determinada cena, todos ficam sem saber o que fazer diante de uma criança, Jack fala: "É só uma criança. Ninguém aqui sabe como lidar com uma criança? O que vocês fazem diariamente?" e Papai Noel responde: "Eu passo o ano inteiro preparando presentes para elas...". E fica no ar o "e ninguém tem tempo para acompanhar uma criança ou ver o que fazem e gostam...". Isso me lembrou a nós, mães e pais. A gente cresce e esquece que foi criança e, pior, a gente esquece de entender que para a criança tudo é só diversão e brincadeira e, dentro desse mundo lúdico é que vamos estabelecendo o limite diário de viver e honrar com os compromissos. Pior, passamos nosso tempo a reclamar da falta de tempo e nos dedicamos ao trabalho e estresse como detentores da maior parte do nosso tempo. E comprometemos os tempo com nossos filhos...  O Jack Frost se mantém com a mente e as atitudes infantis, egocêntrico, brincalhão, irresponsável... só quer se divertir. Durante a aventura ele vai  crescendo. Nessa cena, ele mostra que equilíbrio é saber se divertir na vida sem deixar de honrar nossos compromissos de "guardiões" de alguma criança.

Eu tenho uma amiga que me diz que limite faz parte da vida. Nós não temos que impor a uma criança, nós temos é que saber o que fazer, fazer e isso, por si só já estabelece o limite. Depois aprofundo mais sobre esse pensamento super bacana de uma pessoa admirável, que é Morgana Gazel.

Voltando ao filme, cada personagem vem como uma mensagem forte. Sandman - o guardião dos sonhos -, junto com a Fada do Dente - guardiã das lembranças -, remetem à importância de se entender que as lembranças - contidas nos dentes de leite, marco da passagem da nossa primeira infância para as mudanças que ficarão enraizadas - nos ajudam a crescer e que os sonhos nos levam ao futuro. Papai Noel nos faz entender a importância da fé, de se ver o bem em tudo e acreditar, acreditar e acreditar no melhor, sem limitar a imaginação. O Coelhão é fabuloso! Com aquele jeitão rude, mostra o lado de que até os destemidos temem algo. Ele teme o ar, o voar. Para ele tem que ser pé no chão. Ele fala de esperança. 

Jack Frost passa o filme a se questionar e nos levar a questão da descoberta e do quanto é importante sabermos quem fomos e como agimos para entrarmos no caminho de descobrirmos QUEM SOMOS. Como ele não tem lembranças, vive impulsiva e irresponsavelmente o presente, sem noção do que vem a ser responsabilidade pelos atos e suas consequências. Ele me lembra a cada um de nós, no processo de busca e ignorância e que, em determinados momentos da vida, somos chamados à responsabilidade.  Assim é esse ser encantador que nem sabe o que está buscando e não entende porque se sente tão só e ninguém o enxerga. 

Todos temos um bom motivo para estarmos aqui, vivos e vivendo. A importância de entendermos e conhecermos o nosso cerne, a parte mais íntima do nosso ser. Papai Noel adverte isso, quando mostra suas diversas facetas/personas numa diálogo/questionamento com Jack, para entender o que ele tem de especial para ser um "guardião". É preciso olhar para trás, olhar para nossa origem. Eu chamo isso de olhar a nossa essência, escutar a voz da alma, a voz interior. 

Muita coisa eu "viajei" no filme. Vi que o medo só entra através das nossas sombras. Ele domina porque tememos, inclusive, o medo de aceitarmos quem somos. Nem posso abrir muito o que percebi, senão, conto o filme. Deixa ele sair de cartaz que conto minhas viagens legais como mãe e como pessoa, antes de tudo. Mas, o poder do sonho foi fabuloso! E lembrar que alimentar a fé, a esperança, as boas lembranças da infância pode salvar o mundo das sombras que tentam imperar. Se houver uma "luzinha" em meio ao breu, uma única pessoa que acredite, essa pessoa pode levar luz aos demais. Isso me remeteu a Jesus. O filme não faz apologia religiosa, e chamam o que chamamos de Deus de "Homem da Lua", pois ele brilha em meio à escuridão - isso eu que entendi assim. Muito bacana porque mostra Papai Noel como um ex-humano que aceitou a sua "condição" - oriunda em seu cerne - de seguir servindo ao próximo com aquilo que tem em si de mais nobre: a força de sempre acreditar; o poder da fé inabalável! - Ops! Se é FÉ, deve ser inabalável... o que abala não é fé. Legal que mostra a importância de aceitarmos nossas "condições", nossas "missões" de Vida para, enfim, sermos felizes, mesmo diante da morte - o que aconteceu com cada um deles, até se tornarem "guardiões imortais". 

O filme fala de escolhas, de liberdade, de enfrentamento do medo como única maneira de vencermos, da importância de uma infância bem vivida, de tempo, de esperança, de fé, de lembranças e, acima de tudo, de sonhos! Ah, acima de tudo isso está o verdadeiro poder do AMOR. Todos os guardiões amam o que fazem. É como se só quando entendemos nossas missões de vida poderemos ser felizes e livres e essa liberdade é o AMOR a quem somos e ao próximo! É a CONSCIÊNCIA. 

Por isso que Sandman é o meu favorito! Ele me lembra um sábio: inteligente; poucas palavras - aliás, ele não fala, mas, se comunica muito bem, mostrando que comunicação é saber o que dizer e expressar; é forte, mas não quer ser conhecido por força bruta e sim por força moral e doçura natural de quem já viveu muito e já não tem mais as amarras da vaidade; destemido, sem ser arrogante. Ele é "na dele". Como todo sábio, suas mensagens são claras para quem tem capacidade de entender, por isso o mundo dos sonhos, porque ele nos fala de e para uma dimensão nossa que não temos "domínio": o inconsciente. Este é que tem mais consciência de quem somos do que supomos sermos... Ele sabe lutar, mas, só usa dessa luta física quando estritamente necessária. É a questão do discernimento que os sábios têm, porque sua natureza é pacífica. Ele desmistifica esse estigma de que todo "bonzinho" é "bobo" ou ingênuo - no sentido pejorativo de quem se deixa enganar. Ele nos mostra que os sonhos nunca morrem, ainda que os pesadelos dominem, é o campo dos sonhos, basta transformar aquele sonho ruim em bom. 

Ah, fiquei encantada com o filme. Cada mensagem me parecia tão clara que quase escutava as falas não faladas. 

O medo tem medo, também. Isso eu comecei a perceber recentemente, após  maternidade. O medo teme ter que se encarar e ver que ele não existe e não precisa existir. O medo teme sumir. Se não tememos, ele não existe. 

Pedro aplaudia muito as cenas onde o medo perdia espaço. Parece que ele se identificou muito com o Jack Frost. Imagino que seja essa busca de toda criança em ser aceita como é. Com o caminhar, Frost entende que limite é importante e amadurece com a ajuda da Fadinha do Dente e do Papai Noel. Ele descobre que mais vale a pena lutar por um amigo do que poupar a própria vida. O filme, ao meu ver, fala da nossa luta diária, da nossa vida, dos nossos dilemas, das nossas dificuldades e desafios... fala de batalhas, de perdas e de ganhos. Fala do viver!

Ah, esse filme é recomendadíssimo e sem efeitos colaterais ou problemas com superdosagens. Vou ver de novo. E quando sair o DVD, adquirir. Esse é o tipo de filme lúdico que fala com a alma. 

Um filme infantil para adulto ver! 

Pat Lins

sábado, 28 de julho de 2012

CARÊNCIAS DANOSAS


A maioria de - para não afirmar categoricamente que TODOS - nós tem algum tipo de carência. Alguns de nós consegue identificar e administrar... outros, nunca sequer se deram conta e, possivelmente nunca se darão... outros sabem, preferem esquivar... outros, fingem tratar e fingem que sabem lidar... enfim, ser carente é algo natural e inerente ao ser humano. Temos carências a serem supridas, temos sempre algo em nós a trabalhar, a melhorar, a desvendar.

Para mim, o grande problema não está na carência em si, mas, nos danos que a falta de consciência do carente pode causar. As necessidades de auto afirmação parecem pragas. A pessoa não se contenta em querer "mudar" a sua realidade - que, para mim, se ela quer se auto afirmar é porque ainda não se encontrou ou está num caminho que não deveria estar e está perdida... - e necessita que os outros também mudem na mesma direção. Vou dar um exemplo bem chulo: conheço uma pessoa que tem prisão de ventre. Ela quer que todo mundo tenha... Assim, ela chega e diz "você tem que comer ameixa, porque solta mesmo..." ou "descobri que se eu não comer mamão todo dia, minhas fezes saem duras e ressecadas... quando como, saem macias, macias...". Veja, que papo... E isso ocorre em qualquer lugar. Eu não me incomodo em falar "merda", "cocô", e etc. Mas, eu sei que tem gente que se remexe todo só em escutar essas palavras como se não as fizesse... Mas, enfim, em respeito aos outros, devemos saber onde e quando podemos abordar esse assunto. A não ser que parta de uma pessoa carente e que queira te convencer a ter prisão de ventre, também. Essa pessoa falará em qualquer lugar. O mais interessante é que o papo não começa com: "você tem prisão de ventre?", pelo menos, para justificar as receitas. Não adianta dizer: "Ah, tá! Mas, eu não tenho prisão de ventre, não...". A pessoa passa por cima e continua: "Mas, olhe, coma...". Como tenho me esforçado para desenvolver a bendita e dificílima paciência e uma boa base para ela é a compreensão, compreendi que a pessoa precisa se aceitar. Entretanto, para isso, eu não preciso ter prisão de ventre... concorda? Assim, a deixo falar e vou me esquivando. Não adianta falar que eu não sofro do mesmo mal, ela quer receitar para si e me usa - bem como a outras vítimas - para ver se entra na própria cabecinha.

Compreender não quer dizer se submeter. São coisas distintas. Com respeito a pessoa que é mais velha do que eu, estabeleço minha DS - distância saudável. E não me criem uma imagem de boazinha, não... isso é um esforço enorme, que faço. O oposto da prisão de ventre - a diarréia, mesmo - me vem em forma de pensamentos para serem colocados para fora e ver se a pessoa se toca. Uma vez, dei vazão a abri o verbo... Adiantou? Nada... Ela ainda achou que eu estava saber lidar com a minha prisão de ventre e não estava admitindo... Ou seja, entender que a DS se faz necessária é porque bater de frente - ou de lado, ou de fundo... - não surte efeito. Tem gente que a mente é mais fechada do que fechado hermeticamente. Não entra nada. Infelizmente, só é fechado de fora para dentro, porque de dentro para fora jorra...

Isso me fez ver - não a prisão de ventre, mas, a pessoa e outras pessoas - que existem carências altamente danosas. Esses seres dotados dessa enfermidade de carência que depende de infernizar a vida do outro para se sentir alimentado - vulgo "vampiro", manipulador... dissimulado... - podem nos causar grandes danos. Tipo "água mole em pedra dura...". Por isso que caio fora. A DS - Distância Saudável - salva as duas partes, porque se essa pessoa ficar batendo numa represa, nossa, vai morrer afogada.

Como minha carência de entender as coisas não é saciada, afinal, essas pessoas carentes danosas em específico, nada dão de informação coerente - elas, sinceramente, não fazem muito sentido... - e, assim, impossível entender o que as norteia, porque nem Norte elas têm... vivem reagindo e por instinto, como animais selvagens. Mas, elas não também não me compreendem, o que me tranquiliza: estamos quites!

Como eu não sei o remédio para esse tipo de carência altamente perigosa - e, pior, a medida que o tempo passa, a doença mais se instala e mais crônica e aguda e profunda e pior, muito pior, fica... a loucura se estabelece e, aí, minha flor, sai debaixo, porque só vem bomba... e merda... - eu estabeleço uma distância saudável para ambas as partes. O detalhe é a gente saber se a gente faz parte das vítimas ou dos causadores... É! Isso é sério: o diagnóstico. Para lidar de uma maneira menos tensa para mim, durante os encontros inevitáveis - sim, eles acontecem - eu desenvolvi duas técnicas, que são determinadas pelo meu estado de espírito e minhas carências, no momento, que são a TÉCNICA DO FICAR CALADA E NADA SEI, NADA FALO, NADA ESCUTO (quem dera minha audição me obedecesse... minha carência de tentar entender me força a escutar tudinho...) e emitir apenas pareceres do tipo "não tem idéia formada sobre o assunto... talvez seja..." ou, simplesmente, uso a TÉCNICA DO ESPELHO  e repito o que fazem: "você já viu que..." e enfio informações até cansarem - o que é rápido... essas pessoas não gostam de escutar, aliás, nem sabem; não desenvolveram essa competência, não - ou, nasceram sem, o que é minha forte suspeita e me ajuda a ter um mínimo de compaixão. Quando ajo como agem, meu Deus, caem fora de mim. Mas, para isso eu tenho que estar iluminada e com muito bom humor, para não ser irônica. Sinceramente, essa não é minha intenção. Nesse aspecto eu assumo meu lado boazinha. Sim, ele existe em mim, também. 

Enfim, hoje eu tive mais uma prova de que essas pessoas são cegas, surda... só não são mudas... E têm a pior das cegueiras que é a de NÃO QUERER se ver.

Esse é o preço que pagamos e fazemos os outros pagarem, quando não nos conhecemos. Nós perdemos a noção do limite de acesso e saímos invadindo os espaços alheios... Ou, tentamos invadir insistentemente esses espaços, principalmente, quando há resistência. Parece que melhora o sabor...

Vamos nos fazer melhores de verdade. Não é só falar bonitinho que faz e acontece, que frequenta isso, pratica aquilo... tem que ser, mesmo. Só se é sendo, não tem jeito. Por mais que doa, vamos usar o "remove-dor" - como no livro "O Colecionador de Segredos" - e permitir que suas pequenas doses nos fortaleçam. O "remove-dor" remove nossos medos e nossas preocupações e nos permite beber boas doses de VIDA. Os carentes danosos esquecem de viver de verdade e vivem de fantasia... Vivem no mundo da própria fantasia e têm imensa dificuldade de aceitar a realidade, por isso não ouvem nem a própria voz. Eu penso que se se escutassem, no mínimo, se questionariam...


Olha, gente, a gente tem jeito, sim. Vamos nos permitir! Para encontrar a harmonia, cada um de nós precisa se harmonizar consigo e com o que há de melhor em si.

Pat Lins.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

4 ANOS DO BLOG!!!! QUAL É O SEU SONHO?


Gente, estou muito feliz! 4 AAAANNNNOOOSSSS! Este cantinho está completando 4 anos!

Cada ano ele teve um foco. Em geral, relacionado ao que passava e precisava me organizar. 

O primeiro ano foi cheio de dor. Muito sofrimento, angústia... medos intermináveis. Culpas e culpados. Daí, aquilo já estava me cansando... começava a não fazer mais sentido aquele lugar de vítima. Começava a querer reagir. O segundo e terceiro anos foram essa fase de sacudir geral. Do ano passado para cá, o quarto ano, comecei  a me libertar de muita coisa. E assim, mês a mês fui escrevendo e parando e refletindo e agindo e seguindo e vivendo. Hoje, contabilizando. Contabilizei que nossas vidas não são curtas ou longas, são nossas vidas e se não a aproveitarmos, se não a vivermos a cada dia, ela passa sem que a gente perceba, se veja, se sinta. E aí, vamos embora, junto com o Tempo. 

Aos poucos, fui me voltando para "QUEM SOU EU?" e fui me voltando para mim. E o ano passado foi de muito questionamento, levantamento de pensamentos/reflexões.

Este ano, após ter mexido em "QUEM EU SOU?", emerge "QUAL O MEU SONHO?". Quais as minhas metas? E, decido fazer um MBA em Psicologia Organizacional. Um desejo antigo e, hoje, vi, na prática, que a distância entre querer e conseguir é FAZER. Não teve jeito... só agindo. Só indo. Fui. Estou. Lá, me deparo com novas pessoas, novos mundos, novas histórias... tudo novidade. Gente muito bacana. Algumas aulas parecem falar comigo e de mim... É como se tudo que escrevo e questiono aqui, fosse parar em sala de aula. Sempre acreditei que tudo passa do pessoal para o profissional. Não existe profissional sem um ser humano por trás. O saber lidar com isso faz diferença. 

Foi numa dessas aulas que nos foi perguntado: "QUAL SEU SONHO?". E, lá estava eu, refletindo. Quebra de modelos mentais, atitudes e comunicação. Entendi que estou realizando um sonho que tracei na adolescência. Estou percebendo que quando a gente se abre para o processo natural da Vida, o Tempo toma as rédeas e organiza as coisas como têm que ser. É meio assim: se a gente permitir, de tudo a Natureza da conta. O processo natural da vida é VIVER os SONHOS. Alguns sonhos fazem parte da utopia, do nosso mundo de fantasia, mesmo. Outros, são metas que traçamos e esquecemos. Nossos sonhos de infância, pelo que posso perceber, estão muito ligados à nossa essência, portanto, nos direcionam à nossa vocação. Através de nossas características pessoais, quando crianças, sabemos o que "devemos ser quando crescer": SER HUMANO. Mesmo assim, sabemos onde esse ser humano deve trabalhar. Criança sabe e encara o trabalho como algo que dignifica o homem. Bonito, isso, né não?! Daí, hoje, vejo fazendo parte do caminho que sonhei. Preciso ainda (re)acreditar que esse sonho não se tratava de um sonho a ser sonhado e sim de uma meta a ser vivida. Aliás, falo "sonho" porque todos convergem em UM. Cada caminho que adentro faz parte do caminho que vai me levar ao caminho que quero e devo seguir. Por isso que perdi a pressa e a culpa. Hoje, sigo em paz. Me agito em alguns momentos e me apaziguo. Preciso fazer algumas coisas no caminho - o que também faz parte. E preciso, nesse tempo, ir me alimentando de FORÇA e CORAGEM, para desenvolver DISCIPLINA e DETERMINAÇÃO. Na adolescência, tracei um plano: vou estudar Comunicação, por dar mais "status" e, depois, estudo psicologia, que "era" meu maior sonho. Quando criança, sonhava em ser professora e escritora. 

Durante minha vida adulta, a única cosia que fazia era estudar e trabalhar com Comunicação. Nunca me "fez a cabeça". Sei que tenho um talento muito grande para essa área. Tenho um bom feeling e expertise. Viajo, mas, me centro num bom conceito que está onde ninguém vê: no sonho do cliente. Eu gosto da sensação de captar o que o cliente quer passar e não o que ele está dizendo que quer fazer. Alio as duas coisas. Mas, não passava disso: satisfação pessoal por fazer sempre um trabalho de muito bom para cima. Gosto de fazer o que é preciso. Se é para fazer, façamos. Infelizmente, nem todo mundo entende e muitos acabavam encarando como "concorrência", como se eu almejasse cargos mais altos, ou, os cargos dessas pessoas. Nada disso: era o meu trabalho. Eu entendo trabalho como isso: o que precisa e deve ser feito e fazer. Simples assim! 

Depois que meu filho nasceu, não conseguia nem me comunicar comigo mesma... Foi a hora de sacudir e fazer aquilo que faz sentido. Repetia diversas vezes - que os digam alguns amigos mais próximos que me ajudaram muito - "minha vida não tem sentido". E me olhavam estarrecidos: "você tem um filho lindo, um marido que é louco por você. Pai e mãe que estão sempre ao seu lado e te amam tanto. Amigos e família que nunca te deixam...". Mesmo assim, estava tudo muito bagunçado em mim. Ninguém entendia - muito menos eu... o que não me dava condições de me comunicar com clareza e eficácia - que em mim, tudo estava requerendo apenas uma reorganização vital. Eu estava numa fase de cruzamento de caminho. Tipo uma encruzilhada. Para onde ir agora? Entrei e saí de tantos caminhos. Fugi de tanta coisa. Hora de me encontrar! Foi esse o acordo que fiz com a Vida assim que nasci. Vida até que me deixou seguir, mas, quando quis realizar aquilo que estava lá no fundo dos meus sonhos - ser mãe - e que não admitia, chegou a hora de parir. Pari um filho e a mim mesma. Muitas vezes me sentia grávida de algo... de palavras que não saíam, de atitudes que não agia... de pensamentos que não pensava... de sentir o que não sentia. Desenvolvi um mega medo de ser eu mesma. Já havia me acomodado a ser quem eu havia me feito... Mudar de caminho me custaria muito esforço. Não tinha forças. Mas, a Vida e o Tempo chamaram Natureza como reforço e eis que aquilo que evitava que engravidasse - o anticoncepcional - começou a me trazer problemas... precisei parar de tomá-lo. Parei em dezembro e em janeiro engravidei. Detalhe: casei em novembro. Era uma mensagem: "acaba este ano a fuga, mocinha". Em janeiro, engravidei. Engraçado foi que eu estava achando que estava com problemas no estômago... depois de quase dois meses, a endócrino - fui até para a endócrino, acreditando que estava com disfunção hormonal - me pediu um BETA HCG. Coisa simples... Ela me disse: "faça, só por garantia". Porque eu dizia: "mas eu não estou grávida. Dizem que a gente sente uma coisa diferente...". Bom, e o que eu estava sentindo era "algo diferente": enjôos, mal estar... Tudo isso pode ser um sintoma muito geralzaão, mas, estava muito forte... Fiz o tal BETA. Chorava e ria mais do que outra coisa. Fui sozinha. Ninguém sabia. Mandei mensagem para o meu marido: "querido papai, não sei se sou menino ou menina, mas, já estou na barriga da mamãe...". Meu Deus, nem bem ele recebeu a mensagem, recebo a ligação e escuto os gritos: "uhu!uhu!uhu!". Isso tudo eu ainda estava no laboratório... não tinha pernas para andar. Tremia igual a... como é que o povo fala? Ai, meu Deus... tremia igual a... vara de bambu (é isso?). Mandei outra para minha mãe - que estava viajando - "vovó, não sei se sou menino ou menina, mas, já estou a caminho...". Pronto! Me liga minha mãe, segundos depois: "buábuábuá" e nem conseguia falar de tanta emoção! Ambiente ultra favorável! Pedro estava a caminho e em meio a muito amor! Me senti realizando um sonho que morria de medo de realizar. 

Pois é, quando Tempo e Vida chamaram Natureza, ela agiu. Eu precisava nascer de novo. Precisava parir e me parir. E foi o que aconteceu. Pari um sonho e abri meu caminho. Cheguei na tal encruzilhada. Teria que fazer escolhas sérias e reais. Teria que escolher: cair e voltar ou levantar, encarar, assumir, fortalecer, seguir e crescer fortalecendo. Bom... Bom... Bom... No início, como nada fazia sentido - imagine aquele prédio onde foi construído tudo certinho, mas, ninguém fazia a manutenção e os reparos necessários e, para piorar, ainda tiram uma coluna... Uma coluninha de nada... Pronto! Desaba! - assim, como estava sem sentido, em meio aos entulhos dos meus erros e fugas, a mim restava correr e enlouquecer - era o mais fácil e convidativo a fazer... - ou, parar, dar um tempo, deixar passar, diluir toda a amargura... se alimentar do que importa e seguir de onde parei. Voltei a ser criança, com um agravante: tinha uma criança que dependia de mim. Precisei lidar com o tempo de uma outra maneira... Em meio ao desespero e da falta de rumo, sentei e chorei.

Ali, em meio aos escombros, vi que abalou a vida de muita gente. Não vou entrar muito nesse detalhe porque foi/é muita coisa. E preciso chegar no "sonho". Aliás, já comecei, viu? Quando criança, eu sonhava em ter um filho lindo, inteligente e incomum... Não queria um filho igual a todo mundo! Pois é, veio Peu! Sonho sonhado. Sonho realizado! Como lidar com o incomum? Peu não é doente. O problema dele nem é problema, é ele: inteligência e cognição acima da média. Resultado: agitação em pessoa. Quem disse que realizar um sonho não tem trabalho? Tudo na vida é teste, prova... Pedro é meu maior sonho realizado. Um pedaço de mim fora de mim. Ele veio para me ensinar o que eu preciso entender: saber lidar com os outros como eles são. Tarefa pesadíssima para quem estava sem rumo. Tarefa pesadíssima por envolver as carências que afloraram das diversas pessoas ao redor e que faziam questão de me lembrar que "tinham muito cuidado comigo, porque eu estava doente" e tudo que fizeram foi me deixar mais doente e se adoentarem mais... Isso me fez ver que a maioria das pessoas é doente, é carente e requer cuidados simples de si para consigo mesmo. Mas, a doente era eu, porque estava com DPP e precisei de psiquiatra e psicólogo. Graças a Deus eu tive bons profissionais ao meu lado. Sem dinheiro, conseguimos tirar não foi leite de pedra, não, foi champagne do ar. Deus sabe o que passei e o que essas pessoas me fizeram passar. E o que essas pessoas passam em suas vidas até hoje. Enquanto eu optei - finalmente, chegou o dia em que tomei uma decisão! Fiz minha escolha! - por sair do buraco e entendi que estava na caverna escura - bem parecida, aliás, a mesma, que Platão descreve... - essas pessoas preferem acreditar que estão fazendo algo de bom... Eu fui em busca de consciência, de assumir que passava por uma fase difícil e queria entender, sem me fazer mais de vítima. Aprendo até hoje e tenho certeza de que vou aprender algo até o dia da minha morte. Depois daí, sabe Deus! Me questionava: "Deus, eu pedi que o Senhor me colocasse em meu caminho e é isso que o Senhor me dá?????". Era dureza! Era a realização de um sonho e o começo de uma nova era em minha vida. Mas, eu não encarava bem assim. Foi quando pus em prática, de novo, sem perceber, outro sonho. Chamava de escritoterapia. Comecei a escrever aqui. Pensei: se a leitura - bem como a repetição dessa leitura - de um conto de fadas pode nos ajudar a lidar com nossas emoções, imagina eu me lendo? Dei início a uma exposição que me assustava, mas, encarei e superei esse medo de "expor minhas idéias" a mim e aos diversos mundos que fossem ler. Não me paralisei. Comecei a escrever o "a dor só dói enquanto está doendo, depois passa!". Foi o primeiro nome deste blog. A escritoterapia é a realização - em parte - de outro sonho e a colocação em prática de uma vocação - há quem diga que é um talento... -, de um potencial que trago comigo desde criança, que é escrever. Eu me pari quando escrevi o primeiro texto neste cantinho. Por isso, aqui não é apenas um blog, é um cantinho virtual de e para reflexão. Hoje, entendo que é para quebra de certos modelos mentais que me aprisionaram durante alguns muitos anos.

Pois é, comecei a partir do que a minha criança sonhou: ser mãe e escritora - ainda não sou, mas, se um dia acreditar... quem sabe.

Hoje, pude ver uma linha, como se fosse um mapa - é um mapa! o mapa da minha trajetória - me mostrando que parei de onde queria tanto ter começado na fase adulta, mas, havia uma dívida minha com minha ordem "natural" de ser eu. Na fase final da adolescência foi que tracei a meta de estudar Comunicação, trabalhar, fazer nome no mercado... - oh, nem tudo sai como a gente pensa, se a gente não fizer, né? - e, depois, estudar psicologia e mudar o mundo! Bom, eu precisei foi mudar o meu mundo e entendi que só posso mudar ele mesmo! Fiz tanta coisa na área de Comunicação. Muito trabalho bacana. Trabalhos grandes, pequenos... chatos, legais... parcerias boas e péssimas. Entre mortos e feridos, salvei a minha pele. Não me sentia ali, mas, sabia que tudo que aprendi e vivi ainda me seria muito útil. E é! Uso em minha vida. Uso tudo que aprendi em cada nova função. Havia outro sonho de infância que fui "obrigada" pelos caminhos da vida a enfrentar: fui ser professora! A primeira experiência foi mais ou menos. Impossível agradar a todos e mais impossível ainda quando se quer despertar inteligência em vez de enxertar meus conhecimentos como verdade única. Os alunos não entenderam... falha de Comunicação minha ou falta de boa vontade deles? Uns gostaram, outros não. Estimular o hábito de leitura e de pesquisa é algo pesado para a massa. E massa, me parace, não gosta de usar a massa cinzenta... Deixei para lá. Voltei para Comunicação. Saí. Um grande amigo me trouxe outra oportunidade para lecionar. Tem uma professora dentro de mim que não quer ensinar o B - A = BÁSICO. Para mim, tem que ter brilho nos olhos, vontade de investigar se o que eu falo procede, se alguém pensa diferente... Poxa, dessa vez, tive sorte! Fui ensinar jovens. Antes, eram adultos. Cheios de "contaminação" do dia a dia. Como alguns me disseram: "professora, a senhora acha mesmo que a gente está aqui para aprender nada? A gente quer só o canudo...". Coisa boa para se escutar, né? Dessa vez, não. Eles não tinham ranço. Eles tinham o fogo da juventude e a inquietude de querer descobrir. Eles sabem que vivem em meu coração! Dei aula para aqueles jovens que não gostavam de Sociologia, porque achavam que era só teoria e coisa chata. Deixo que eles respondam sobre o que aprenderam.

Nesse "mapa da vida" que esse trio - Vida, Tempo e Natureza - me deram, estou vendo muito mais do que meus olhinhos conseguiram ver. Estou vendo que não houve essa de tempo perdido. Tem tempo a seguir. Tempo enquanto há tempo. Tempo para viver enquanto se está vivo. Uma pessoa me disse que queria acertar com os netos o que errou com os filhos. Eu apenas disse: "com os netos, os pais deles é que têm essa função, obrigação e compromisso. Com seus filhos é que você tem que se acertar. Se está aqui viva e eles, também, vai fundo.". Erro é a maneira de acertar que a gente tem quando tenta. O erro é quando a gente não consegue porque deixou de ver alguma coisa para acertar. O erro mostra esse ponto. A gente tem que parar de lamentar o que passou e fazer daqui para frente. Por isso, depois de 4 anos, o "a dor só dói enquanto está doendo" passou a se chamar "AQUI E AGORA". Porque só nesse tempo é tempo de melhorar ou corrigir algo.

Pois bem, com o mapa a minha frente, pedi ajuda ao trio e disse: Deus, que eu faça o que preciso e vim para fazer!

E foi numa aula de MBA - coisa totalmente voltada para o profissional - que vi que a pessoa realmente está a frente de tudo. Se o pessoal não aprender, o profissional será apenas uma capinha. Tem muito bom profissional que peca em relações sociais e pessoais. Trabalha bem, mas, a que custo para os outros, hein? Voltando, para não me desviar mais, nessa aula, a professora disse: "...devemos colocar os sonhos à nossa frente, onde podemos vê-lo e pudermos enxergar as oportunidades. Se ele ficar lá atrás, a gente nunca vai conseguir ver a oportunidade, porque não estamos vendo o que queremos...".

Me matricular nesse MBA foi entrar em mais um caminho para a realização do sonho. Talvez eu não queira ser psicóloga clínica, mas, eu tenho um sonho de trabalhar a eficácia de uma boa comunicação no ambiente de trabalho e de lembrar que todos os profissionais são seres humanos e como podemos lidar com isso de maneira equilibrada entre razão e emoção. Uma amiga me disse certa vez: "se há clareza, não há motivos para pedir desculpas". E isso me conduz em minhas relações. Na verdade, sempre conduziu. Sempre gostei de deixar minha postura bem clara. Uns gostavam, outros não. Eu não sabia lidar com os que não gostavam... Hoje, vejo que esse é meu maior sonho: dar ferramentas para que as pessoas entendam que sempre é tempo de acertar. "Se há vida, há esperança", né assim o ditado? Esse caminho que adentrei no dia que saí da encruzilhada tem seu peso, tem muita dificuldade, porque tenho que lidar com meus dilemas, com meus medos, com o sair da preguiça de ir além, com o fato de ter que encarar e acreditar que sou capaz... com o fato de que nem todo mundo me apóia e nem sabe como me apoiar... com a descrença que o mercado de trabalho nos joga... enfim, não é só um caminho de flores. É um caminho de construção. Caminho de (re)descoberta. Caminho de (auto)conhecimento. Parte do meu caminho. Parte do caminho que me conduz para o Caminho que quero e devo trilhar. Estou no caminho de fortalecer e limpar. Despertando minha vontade. Aprendendo novas lições. Quebrando com o gesso paralisante. Dando um passo de cada vez. Respirando. Seguindo. Indo.

Esse é meu maior dos maiores sonhos: sempre seguir! a Vida é dinâmica. Chegar lá é todo dia! É ver o que conseguimos mudar em situações pequenas e como isso acontece nas grandes.

O meu maior sonho é me realizar. É saber o que me realiza! Não quero ser escrava de que para me realizar eu tenha que lançar um livro. Mas, se descobri forças em mim e acreditar que sou capaz, por que não? É assim que estou vivendo. Sem a pressa e o medo do mundo acabar amanhã. Se estou fugindo da minha maior meta, paciência, nem tudo eu sou capaz de controlar em mim. Não me incomoda mais isso. Não quero fazer nada que não esteja preparada. E não acredito que cumprir a meta da alma possa ser possível sem preparo de vida, sem ego fortalecido. Se eu conseguir, maravilha! Senão, fica para a próxima. Pobre de mim? Quem sabe? O que eu sei, com relação à minha vida é que vou tentar. Uma coisa de cada vez. Será que nossos sonhos não merecem a chance de serem testados? Quem vai saber de mim mais do que eu? De fora, os outros têm a impressão, têm a sensação... veem em mim algo, um potencial, um algo que mostro e que não identifico... Quando recebo esse feedback do externo, o que faço, reflito, questiono. Deixo rolar em mim. Aos poucos, algo vai despertando. Existem coisas em nossos caminhos que não precisam comprovar tudo, apenas acontecem naturalmente. Mas, para Natureza agir e tudo acontecer naturalmente, deve-se haver uma semente lançada numa terra preparada. Depois, a determinação e a disciplina de regar á medida que se espera germinar e brotar. Os frutos só podem ser colhidos se plantados. Estou arando a terra para depois fazer a roça!

Pois é, nos últimos quase 6 anos, 4 estão aqui, mês a mês, traçando meu mapa. Me dando dados para monitoração. Alguns sonhos eu coloquei como meta. Só preciso me preparar para aceitar. E não exito em buscar ajuda. Graças a Deus, tenho tido muitas! Só eu entendo o que quero me dizer com cada pensamento. Cada um entende o que quiser, por relacionar com a própria vida. Isso que é bacana. As palavras, depois de escritas, deixam de ser minhas e passam a ser uma parte de mim, com vida própria, assim como meu filho. As palavras escritas e publicadas deixam de ser apenas minhas. Os pensamentos são nossos! Nossas trocas!

Não é só sonhar, é olhar o sonho e saber se ele vai ser uma meta ou uma fantasia.

Parabéns para nós, sonhadores de metas! E para os sonhadores de fantasias, também. Triste é quem nem sonha.

Pat Lins.

quinta-feira, 1 de março de 2012

PEDI PACIÊNCIA E DEUS ME DEU A OPORTUNIDADE DE PRATICÁ-LA....

Deus, me dá paciência! O que devo fazer? 

Minha diarista testa minha paciência... parece novela. Como é de confiança e faz o trabalho direito, mantenho. Sei que ela está quitando uma dívida com o que recebe aqui em casa e mantenho. Mas, a criatura é difícil... quer deixar Peu fazer tudo e acha que a mãe - eu - deve fazer isso, porque eu tenho que preparar ele para o mundo lá fora, devo deixar ele fazer o que quiser. Me ensinou o seguinte: "quando ele chegar da escola, a senhora deixa ele. Segura a mão dele e vai brincar. Se ele não quiser tomar banho, comer, se quiser brincar, deixe, porque é no mundo lá fora que ele vai aprender. Por isso, a senhora tem que ter pulso forte, deixar ele fazer tudo. Se ele bagunçar, deixa. A senhora quer que ele aprenda a arrumar, é? Oxe! Que nada! Homem é assim mesmo...". Toda vez que chamo a tenção dele, ela vai falar com ele depois. Detalhe, quando eu vou arrumar as coisas da casa e guardo as coisas de Iuri - roupa suja que - agora é - às vezes ele deixa pendurada na cadeira, roupa suja no banheiro... ela diz: "deixa, D. Patricia, homem é assim e não muda! A senhora tem que deixar, pro casamento ser feliz, pra ele não se irritar. Eu já falei pra minha outra patroa, pra ela não irritar o marido, se ele quer guardar bagunça, deixa. Pra quê irritar os maridos?..." Gente, é mole? Ela é a única a pensar assim? Creio que não. Engraçado é que ela apanhava tanto do marido dela que, ao fazer queixa ao pastor e avisar que ia separar, ele - o pastor - reuniu os outros e bateram tanto na cabeça dela que ela foi parar desmaiada no hospital, porque eles acharam que ela estava louca em não respeitar o marido - o marido que a espancava. Pensei: quantas pessos ignorantes de pai e mãe, como se fala, vive isso? Ela disse que não sabe ler, nem escrever, mas, me diz tudo que está escrito na Bíblia... Certa vez eu perguntei: "qual o livro?" e ela não sabia dizer. O que ela diz é: "isso está na Bíblia" e "isso" é qualquer coisa. Me disse que queria aprender, mas, até que isso não faz tanta diferença, porque ela é uma pessoa de luz, iluminada e isso a ajuda. O problema é que isso faz com que o inimigo se levante onde quer que ela vá. Quando dou alguma coisa para ela, me pergunta: "a senhora está preparada? Se me ajudar, ele vem contra a senhora...". Eu disse para ela que se ela continuasse só chamando o coisa ruim ela ia sair de minha casa, porque eu quero quem chame por cosia boa. Ela tropeça e diz: "pensou que ia me derrubar, eu sou mais forte!" e fala com o inimigo durante o dia todo... É delicado. Para piorar, ela fala baixinho com Peu, ensinando ele a como me enrolar: "dê um beijinho em sua mãe, para enrolar o coração dela...". Fora que ela perde um tempão brincando com ele... Esperto, ele fica chamando-a toda hora e ela para para "obedecê-lo". Eu tenho que escolher as palvaras e pedir para que ela volte ao trabalho. É complicado. Pedro riscou a televisão dele e ela se colocou na frente dele, como se eu fosse bater nele, e me disse que ia me dizer o que ele fez - porque ele mesmo foi me chamar para ver o que havia feito - se eu prometesse não reclamar com ele. Eu disse que não prometeria isso e se ele fez alguma bobagem, eu iria reclamar, sim. Ela saiu emburrada e me disse: "ele riscou a televisão, mas, é coisa de criança" e eu disse: "é coisa de mãe educar um filho e por isso, vou ter uma conversa com ele, apenas eu e ele". Pedi licença e conversei com ele. Expliquei que a TV era dele e que ele deveria ter cuidado, porque se ele quebrasse, ele ficaria sem e eu não o deixaria assistir em outra. Ele me deu um grito e eu o coloquei para refletir, sem TV e sentado na cama, pensando no que fez e entendendo que ele era o pequeno e eu a grande. Foi quando a peguei chorando na sala, achando que era porque ela "iluminada" que isso acontece "as pessoas iluminadas como eu são assim, a gente incomoda. O inimigo vem e usa a senhora para brigar com seu filho, por minha causa...". Expliquei para ela que ele riscar a TV e eu colocá-lo de castigo faz parte da rotina de mãe e filho e não tinha nada a ver com ela. Ela não se conteve e desabou a chorar.

Meu Deus, eu peço paciência e o Senhor me dá a oportunidade de praticá-la, né? 

Isso é preocupante, por outro lado. A grande massa da nossa "sociedade" é composta de gente "ignorante" e de gente que se aproveita dessa ignorância. O pior da ignorância é desconhecer-se como tal. Isso alimenta a arrogância e essa combinação não dá certo: ignorância com arrogância... Agora entendo que não podemos mudar o mundo, apenas a nós mesmos. Vi que só me resta manter minhas convicções e viver minha vida. O resto, paciência. Não dá nem para conversar com ela, porque ela me diz: "D. Patricia, dona não sei quem já me disse isso, mas, não adianta, eu sei que estou no caminho certo. Tenho minha fé! Eu sei que a senhora quer meu bem, mas, escute, a paz da casa depende da mulher. Deixa o homem quieto!". Bom, não entendi nada, porque eu falava com ela sobre outra coisa... sobre o fato dela ter brigado e enchido de desaforo a vizinha - a indiquei para fazer faxina na casa da vizinha - só porque a vizinha ia acordar o filho para ela fazer a limpeza do quarto e ela foi em cima de minha vizinha, dizendo que ela deixasse o filho dormir, que era para deixar o jovem fazer o que quisesse. Até o rapazinho ficou assustado com a maneira como ela reagiu com a mãe e pediu que não deixasse mais ela fazer a faxina em casa. Sinceramente, ainda estou pensando em como agir. Exercito a bendita paciência e imponho meu limite, afinal,  ela tem dois pontos a seu favor: trabalha certo e é de confiança; ou, cedo à conveniência e dispenso? Fora que Peu gosta dela e ela dá muita atenção para ele. Isso me faz ver que eu devo ser firme na educação que dou a ele e pronto. Ela pode tentar deixá-lo fazer o que quiser, mas, ele entende que quem "manda" sou eu.

Pois é... É isso que dá se abrir, vêm pequenos testes de todos os lados. Bom, vai chegar ao ponto onde eu terei que fazer a escolha e farei, com consciência, não no ímpeto de raiva e orgulho. Estabeleço o limite e pronto. Cada dia um exercício novo. Imagine, fiquei um tempão sem ter a menor condição de pagar uma diarista, agora que consigo pagar para que venha uma vez na semana, é assim... Isso é relação interpessoal com hierarquia, né? Isso é exercitar a compreensão, a paciência, a convicção. E me pergunto: até onde devo me permitir ser paciente? Qual o limite para tudo isso? Eu sei que ela é uma pessoa com essa característica. Ninguém é perfeito. E aí, devo ser como todo mundo, que só considera o ponto negativo? Se não fosse de confiança e não desenvolvesse bem sua função, já nem estaria aqui. Mas, é invasiva e fanática por uma religião perigosa... É isso que falo da vida: devemos agir com consciência e ponderação. O quê devo ponderar?

Paciência!

Pat Lins.

domingo, 13 de novembro de 2011

A VIDA COM SENTIDO, ALIADA AO TEMPO E O VENTO

Existem pessoas que levam a vida inteira dedicadas a grandes construções. Assim fazem com plenitude, porque sabem e escutam a voz d´alma. Diante de um vento forte que derrube tudo, não lamentam o que foi destruído; não sofrem. Se sacodem, tiram a poeira dos escombros e começam tudo de novo, com o mesmo afinco - ou, até maior - e com dedicação. Depois de passada ventania eles agem, recalculando o que precisa ser feito e contabilizando o que farão. Sabem que para tudo há uma possibilidade de começar. Ao redor, cada um dando o melhor de si e recebendo o melhor do outro. Nem precisam pedir apoio, já sabem que têm e que dão.

Existem pessoas que começam a construir por mirarem-se no exemplo daqueles construtores plenos e conscientes do que fazem; pedem informação, orientação e buscam encontrar o sentido da sua construção para saber o que construir, como construir e com a ajuda de quem. Essas pessoas, quando começam, sentem dificuldades; sentem o peso; olham o céu, porque, se chover, terão que parar, e sofrem por antecipação por medo da chuva que nem caiu, porque, se pararem, ainda perdem o que já tiveram um trabalho imenso para levantar e isso não é justo... - assim pensam, assim reagem. Quando começam e a ventania chega, caem junto com o que construíram. Sofrem, choram, se punem e culpam os céus por tamanha injustiça. Em algum momento, voltam a olhar os construtores plenos. Não entendem a razão de estarem naturalmente a postos e dispostos, começando, enquanto eles nem conseguiram se recuperar. Alguns sentem-se ofendidos e vão embora, deixando o canteiro da própria obra e unindo-se aos que nada constroem. Outros, levam um tempo letárgicos, sem saber o que pensar, o que fazer... Outros, aceitam a realidade, pedem um gole de água da fonte dos contrutores plenos e aproveita para pedir mais orientação. Esses, mesmo com tanto a construir, sempre têm tempo para ajudar a quem precisa e quer ser ajudado. Para eles, o tempo é uma ilusão que, para nós, lamentadores de plantão parece um afronte, uma piada... a gente acha que eles são superiores. Eles, sabem que estão num patamar mais alto, mas, sabem que sempre têm algo a aprender e ensinar. Assim, os lamentadores pela perda começam a mudar seu foco e com a ajuda certa, reajustam e focam no (re)começo e arregaçam as mangas. Construindo e buscando forças para não desistir. Guiados e conduzidos pelo ideal de que constroem a própria vida. Isso não os impede de sentir a força cruel do tempo desconhecido. Ao caírem, perderem parte das forças, pedem ajuda, bebem a água da fonte, se deitam um pouco e voltam a construir. Não sabem quando terminarão, mas, continuam a construir, com a meta de concluir ao menos um cômodo de cada vez, uma pedra de cada vez. Eles aprenderam a seguir algo por algo e sabem que não estão sozinhos, porque aqueles que já se dispuseram a começar e passaram por isso dão provas vivas de que é possível e de que fraquejar não é falta de força, mas, a força querendo se manifestar. Quem não entende isso, não suporta a própria força e a responsabilidade que ela traz e cai. O peso de sua dor foi maior e aí, a fraqueza se instala e se mantém. Para essas pessoas, a responsabilidade é um peso muito grande que não querem viver. Para os que entedem que essa força é vital e que o esforço é necessário, se apoiam, porque sabem que levantar de vez pode derrubar, afinal, a força está emergindo, a mudança está começando. Essa fase inicial requer cautela, tempo para maturar. Quando olham para o lado, sabem que não estão sós. Basta pedir que uma mão se ergue. Sabem que não podem e nem precisam fazer nada sozinhos. Estes são os aprendizes de construção, que têm como mestres os construtores plenos.


Existem pessoas que nada constroem, a não ser uma casa de palha. Esses, nem conseguem ver os construtores plenos, porque, para eles, aqueles são o inatingível; eles são as lendas, os mitos... ilusões. Essas pessoas só vêm os construtores que se esforçam e se miram nas lendas e estes são os seus alvos. Nada constroem, nada querem, por não saberem sequer o que querem, quem são ou para onde vão. Acreditam que vão onde a primeira onda levar. Pois, ali, sim, é o lugar. Onde todo mundo está. Se intitualm autênticos por terem a "força" de irem para lá, quando na verdade, são levados, sem o menor esforço. Essas pessoas que nada constroem ainda, por vezes - algumas muitas, outras poucas - se incomodam com os construtores e do nada decidem atrapalhar, roubando parte do material; ocupando o tempo deles com presença e perguntas sem sentido e se sentem ofendidos diante de um: "se você quiser fazer parte, é só pegar aquela pedra ali e começar a empilhar". Reclamam e bradam: "vai querer me fazer de escravo? Eu tenho minha vida livre, vou ficar perdendo meu tempo aqui, construindo, construindo, construindo? Eu posso ficar onde quiser.". Ainda insatisfeitos, quando a ventania derruba a construção daqueles aprendizes de construção, se regozijam e disponibilizam uma boa parte do seu tão "precioso" tempo para tentar dissuadir os aprendizes daquela construção "sem sentido" e "idiota" que volta e meia cai uma parte e eles precisam começar tudo de novo. Eles não vêm que a construção só começa de onde parou, porque, onde já tinha base sólida e paredes bem erguidas, as colunas nem se abalam. Os aprendizes, então, entendem o que os mestres falam sobre a ilusão do tempo e cedem parte do seu para ter uma conversa com os que nada constroem e dizem, com a pureza de quem entendeu uma lição valiosa: "vejam o quanto já construí. Nada fiz sozinho. O vento sempre vem, sempre passa. Ele é amigo do Mestre Tempo que, de tempo em tempo, nos lembra do que precisamos saber. Acontece que nós não temos a menor capacidade de entendê-lo e ele, então, precisa nos mostrar. Daí, manda Vento passar. O que ficar em pé, é resultado de nossa construção bem feita e bem solidificada. O que cai, foi mal feito, precisa ser fortalecido. E assim, se faz o sentido da minha obra. No dia que uma parte cai, me acomodo em outra, recupero minhas forças e retomo meu rumo. Veja lá, os grandes construtores, felizes, plenos e côncios de seus papéis.". Insatisfeito, o que nada constrói lança: "Ha! Aqueles lá vivem constriundo e nunca terminam! É nesse exemplo que se mira? Chegar a lugar algum?". Em resposta, não tão singela, mas num esforço íngreme de compreender a ignorância dessas pessoas, respirou fundo, ordenou seus pensamentos e disse: "eles constroem para nós. Veja lá, bem longe, onde nossas vistas nem alcançam, aquele vasto infinito. Ali é a morada deles. Eles, aqui só estão para ajudar aqueles que querem seguir o próprio rumo. Nada nos pede, a não, ser dedicação, esforço  e vontade. Eles são livres. Nos ensinam o caminho da liberdade pelas Leis naturais da vida. Eles são tão amigos do Tempo que acabam fazendo parte dele. Vento só vem para que eles ajudem quem precisa no tempo e no lugar certo.". "Utopia!" Gritam os que nada constroem, porque, à medida que um para, tantos outros vêm sem saber o porquê e se aglomeram em grande multidões, unidos por estrondos e urros quase animalescos, de palavras pesadas e atitudes insanas de desordem e violência, sem a menor razão, sem o menor sentido. Aliás, para eles sentido é "a liberdade de não ter que se preocupar com nada". Isso é escravidão, e eles nem sabem, ainda. Agridem os aprendizes e ainda se unem para derrubar o que fora levantado, como quem quer provar e privar o outro de sua própria galgada. Conseguem derrubar algumas pequenas partes, porque eles só alcançam as partes expostas e abertas que Vento acabou de derrubar. Eles só pegam o que já está no chão, não têm poder, força ou autorização da Vida para mexer no que já está erguido. Pois, nesse instante, eis que os grandes construtores escutam um pedido de socorro e seguem em direção a horda. Quase ninguém precebe suas presenças, apenas os que de coração puro pediram ajuda e assumiram sua falta de força para sair dali. Saem de mãos dadas e andando pela multidão que nada vê, porque já nem sabem com quem se desentender. Brigam com quem está ao lado, sem saber porquê, mas brigam, afinal, todos estão brigando e, para eles, ser "autêntico" é fazer o que todo mundo faz, senão, é diferente. E a bagunça prossegue vida a dentro. Tempo passa e eles nem se dão conta. Daí, Vento vem e Vida fala: "hora de tudo isso terminar. Por que tanta algazarra? Por que tanta violência?" e ninguém ouve. Alguns, cansados, escutam uma voz bem longe, uma voz agradável de Vida, mas, estão tão cansados de onde vivem e não querem mudar para não ser diferente, já que ali é o centro normal urbano de autenticidade e futuro - detalhe é que ali não se sabe nem conjugar um verbo, quem dirá, entender em que tempo está... - e adormecem em meio a balbúrdia. Vida fala suavemente, mas, ninguém a escuta. Pede apoio ao irmão Tempo para passar de novo e quantas vezes precisar, até que Vento derrube tudo que não preste. E assim vivem os que nada constroem, a mercê da boa vontade do Tempo e do Vento, como única maneira de um dia escutarem Vida, que espera pacientemente, o dia em que cada um se tornar aprendiz de construção e, um dia, construtores plenos e, nesse dia, ela se fará mais deslumbrante porque estará unida a Sentido, que é o que falta na vida de toda essa massa, chamada "gente".

E assim, há quem construa e um novo lar firme e sólido a nos esperar, construído por grandes construtores, para nos acomodar enquanto construimos o nosso próprio lar.

Pat Lins.

sábado, 12 de novembro de 2011

CRESCER É UM ESFORÇO FEITO DE FERRO E SANGUE

Certa vez escutei uma frase que não entendi bem, até que hoje, a ficha caiu:

"UM REI NÃO NASCE, É FEITO DE FERRO E SANGUE. PARA SER REI, VOCÊ TERÁ QUE APRENDER A MAGOAR AS PESSOAS QUE AMA."
(Rei Philip II da Macedônia - trecho de "Alexandre - O Grande"

E isso me remeteu a um trecho do livro do Talal Husseini - Paz Guerreira - quando seu personagem principal é indicado para a sucessão do trono e seu amigo e mestre lhe diz: 

 
"(...) Serás justo e injusto. Muitas vezes, a justiça soará como injustiça para os ouvidos ignorantes. Amarás e odiarás. Só um Rei, ou um Príncipe, pode abarcar os extremos do sentimento dentro de uma só alma. Compreenderás e não serás compreendido. Tal como um bom médico que para salvar a vida do doente não deverá ouvir seus queixumes, deverás cruzar a linha da sensatez por um bem maior. A solidão será tua maior companheira e só será suportada se encontrares em ti fibra do silêncio. No pináculo da solidão e do silêncio se encontra o poder, ponto de comunhão de todos os reis de todos os tempos. (...) Abre mão de sua própria vida para encontrar a vida própria do conjunto..."

E, antes disso, o havia alertado:

"(...) a paz só surge na terra quando há sabedoria. Mas no mundo em que vivia não reinavam os sábios. Então, seria necessário lutar pela sabedoria, lutar para alcançar a paz. E a maior luta deveria ser travada dentro de cada um, para vencer a ignorância, permitindo o surgimento da sabedoria. Não havia como se inspirar pela paz sem antes passar por essa guerra interior."
 
Essa é a diferença de lermos bons livros, nos auxilia no momento que as fichas querem cair, que queremos alcançar um grau de consciência. O que a gente não faz, normalmente, é ver que nós somos um misto de todos os personagens de um livro, porque como ser humano temos características comuns, mas, como indivíduo, fazemos escolhas e temos metas diferentes, porém, iguais na questão de sabermos qual é e como cumprí-las, afinal, todos temos limitações, os obstáculos - internos e externos. Não entendemos quando falam "Reis" e levamos ao pé da letra. Soa estranho, mas, nós, somos reis de nossas vidas. REIS. Não se trata de apologia ao machismo, mas, de se saber qual a característica para ser um Rei, que não é o sangue "nobre" e "real" por descendência, mas, de se fazer líder honrado e digno de si mesmo. Enquanto ficamos presos às deturparções e rumos sem rumos que as palavras e nossas ações tomaram, o jogo da vida segue e a gente vai levando xeque-mate. Acima de tudo, precsiamos entender e aceitar que, na vida prática, os reis e rainhas têm papéis estabelecidos de acordo com suas características naturais - homens e mulheres são diferentes - o que não quer dizer que a maneira como o machismo conduziu seja a maneira correta, ali, no momento em que o machismo se fez erguer e manipular, o poder foi corrompido. Assim como o feminismo também não é a solução, mas, o equlíbrio das forças naturais. Esse é o ponto que poucas pessoas se dão o trabalho de olhar e focar. Reis e rainhas são, antes de tudo, cavalheiros e damas e isso, só se sabendo o que quer dizer para se entender o que vem a ser ser. 

Pois bem, voltando ao que me fez escrever aqui, para que eu me entenda, ser rei de nossas vidas quer dizer que algumas pessoas vão se incomodar, outras vão se magoar, outras vão ajudar, outras vão torcer a favor e outras contra. Imagine, se em se tratando de uma vida esse círculo de injustiça, ambição, manipulação e falso poder já querem imperar e dominar territórios alheios, imagine isso com relação a Terra? Mas, o foco, hoje, é nosso Eu e nosso Eu-Rei ou superior. Nosso EU que é quem nós somos em essência. E, querer alcançá-lo é dominar nosso euzinho animal, sem consciência de si e de suas responsabilidades, autômato e denso. Quem vai querer travar essa batalha consigo? Isso vai envolver a "morte" da convivência e de aceitar que cobranças infundadas e alheias sejam mais fortes do que a consciência de quem se é - ou, quer ser - e do que tem que fazer para manter o próprio trono do império Indivíduo que Sou. Daí, noções mínimas do que vem a ser ser nobre, digno, honrado, corajoso, forte, justo, bom, belo... se faz imperativa. A batalha é árdua, mas, não é uma guerra sanguinária, sem causa, com desordeiros, trata-se de uma guerra pela paz; trata-se de se lutar pela paz guerreira, onde, dominar a si é o mais importante e isso fará com que fora, não desejemos dominar o que não nos cabe. Assim, só assim, poderemos reestabalecer o respeito pelo outro, há muito perdido, deturpado e esquecido. Assim, entenderemos que vários impérios e grandes civilizações podem existir, sem pobreza, dor ou martírio, porque ninguém estará cobiçando o que não lhe cabe. Cada um saberá até onde pode ir e aonde quer chegar, sem precisar matar ou morrer. Quando soubermos governar a nós mesmos e tivermos consciência do tamanho vasto do nosso território interior, veremos que administrá-lo vai requerer nobreza e isso vem da alma, porque nossa alma é nobre e é para esse mundo divino que devemos voltar. Dever é consciência do que precisa ser feito e fazer, não porque alguém obriga, mas, porque se sabe que precisa ser feito e como deve ser feito. Reforçando: completamente diferente da manipulação que vivemos hoje em dia nessa horda de antivalores. Viver os verdadeiros valores, as grande e verdadeiras virtudes.

Ser rei de nossas vidas é isso: se fazer com ferro, para se defender dos ataques daqueles que ainda não se voltaram para descobrir ser reino interior e, portanto, sendo assim, único reino que precisamos cuidar e conquistar. Os reinos alheios são para convivermos, trocarmos experiências, somarmos força no bem, no belo e no justo. Não devemos invadir o reino de ninguém, e, nem permitir que invadam o nosso. Daí, vem a mágoa. Os reinos barbarizados alheios não entendem, nem aceitam essa máxima e querem invadir o nosso porque o deles está todo destruído. O fato d´eu querer reconstruir meu reino interno desperta a cobiça dos que não querem reunir forças para reconstruir o próprio e ainda querem destruir o dos outros, ou seja: se todos os reinos estiverem destruídos, o dessas pessoas não será alvo de intriga, por estar detruído também... É essa normose apática que vivemos e nos permitimos viver. Engraçado que todo mundo tem a mesma capacidade de ser feliz, é só querer começar a lutar com metas e ideais estabelecidos e pautados no bem. A mágoa cai em quem não se dá esse trabalho de se recosntruir e recuperar a nobreza da alma. Todo mundo tem essa alma nobre, agora, deixá-la imperar é abrir mão da tirania diária que nos permitimos viver.

Nos façamos, pois, reis de nossas vidas. Infelizmente, nossas escolhas vão incomodar, mas, quem não tem que se incomodar somos nós. Travar a batalha vai nos exigir: saber e ter metas firmes; estar em alerta para ataques externos e saber que ele acontecem a todo instante e vêm de diversas direções; ter domínio sobre nossas condutas, sobre nossa personalidade; saber que a luta está só começando e que não queremos matar ninguém, nem invadir territóros alheios, só queremos reestabelecer nossa ordem interna e reinar em nosso mundo, em harmonia e respeito com os outros - COEXISTINDO. 

Pois é, cansa, dói, mas, é preciso. "Navegar é preciso" e assim como precisamos navegar em nós mesmos e conhecermos nossos mundos internos, há a precisão de que vamos nos encontrar. 

 Pois  é, hoje a ficha caiu e fiquei feliz. O ferro das lanças estão erguidos, pois, afinal, existe tentativa de invasão num terreno instável, em reconstrução; o sangue é o que nos lembra a condição humama e imperfeita, mas, que sente a necessidade de ser mais e voar mais alto e livre. Essa liberdade é assumir e seguir o caminho da nossa meta de vida. Essa é a liberdade, seguir um ideal, um rumo que tem como base três pilares: o bom, o belo e o justo. Assim como a Natureza. Ela é sábia, perfeita e tem ordens estabelecidas para se manter a harmonia e a continuidade. Basta olharmos  e vermos, com olhos abertos, puros e vivos. Coexistir com tudo em harmonia, em paz, em respeito ao espaço de cada um se sabendo que a beleza e a justiça se manifestam onde estão reunidos, unidos e em equilíbrio, ou seja, ninguém vive ou sobrevive sozinho. Mas, não há como viver em harmonia se em vez de sabermos qual o nosso espaço, queremos invadir o dos outros. PAZ, meus amigos! E sejamos Reis de nossas vidas, não tiranos cruéis e sem sentido como essas grandes tiranos que roubam as terras alheias e nem sabem qual a própria. Ambição desmedida, usura, cobiça, inveja, orgulho... isso é base para a tirania. Força, humildade, justiça, coragem, nobreza, honra são base para um império, um reino harmônico.

Pat Lins.


domingo, 28 de agosto de 2011

A VERDADEIRA AMIZADE SUPORTA UMA VERDADE!

Eu não entendo porquê quando a gente se desentende de alguma maneira com alguém - normalmente, acreditamos que só a pessoa causou a situação e nós somos vítmas inocentes... - a gente acumula e alimenta a cada dia e a cada situação mínima uma raiva que, como uma bola de neve, só aumenta e perdemos o foco do real. 

Será que perdoar é tão mais difícil do que acumular dor e ver sempre um inimigo a espreita?Isso me incomoda. 

Às vezes, por dentro de um contexto qualquer, dentro de alguma explosão - que nem sempre e causada pela pessoa que detona a bomba - a gente descarrega tudo ali, naquela pessoa. Ou, somos os detonadores e descarregam na gente. Isso é a todo instante. 

Uma amiga me disse, certa vez, em meio a uma conversa daquela quentes, emocionantes, onde a sinceridade é imperativa - eu sempre me permito vivenciar isso com meus amigos: deles para mim e vice-versa - ela me perguntou: "Pat, eu aprofundei essa conversa de propósito, para que pudéssemos firmar ainda mais nossos laços através da verdade. É bom conversarmos, sempre é muito bom! Normalmente, nossas conversas são bem humoradas, mas, hoje, precisava esclarecer alguns pontos e, para minha surpresa, divergimos muito na maneira de pensar. Isso é maravilhoso, porque por mais que conheçamos uma pessoa, nunca conhecemos totalmente, nem a nós mesmos... O melhor de tudo é que você é a única amiga que sustenta uma discussão como deve ser, para se chegar a um consenso, mesmo que por impulso humanos a gente eleve a voz. É por isso que me sinto sempre à vontade com você. Não temos melindres e por isso nossa amizade é firme. (...) Toda amizade precisa suportar uma verdade..." E essa lição ficou. Nunca havia observado que uma amizade verdadeira passa por entraves, sim, mas, suporta uma verdade, nem que seja a verdade do outro. Isso é maturidade. 

Em amizades mais fracas, perdi algumas, por, hoje vejo, bobagens: fofocas, situações de estresse... Tanta coisa interfere em tudo a todo instante. Será que vale perder um amigo de verdade por UMA situação pontual? 

Assim como qualquer relação, resolver e ver o que salva com honestidade e maturidade é tão difícil, assim? Não sou perfeita, também já perdi alguns amigos e relacionamentos... Tudo é aprendizado. 

Hoje, só discuto com amigos. Porque discussão não é briga, nem para ser polêmica, é troca com objetivo de se esclarecer, não convencer. Se os pontos de vista ficarem claros, a mensagem foi transmitida eficientemente. Senão, refazer. Não perco mais meu tempo batendo boca ou guardando raiva de mais ninguém... Inclusive as raivas já instaladas estão sendo devidamente acarinhadas para se dissiparem.

A gente cresce a todo instante. E essa de decepção é para quem não tem muito o que fazer e tem tempo para perder com coisa pequena. Maturidade requer esforço de compreender, aceitar e respeitar. Depois, seguir em frente. E seguir em frente é seguir em frente, não andar para trás, atrelado a um passado que já foi e fechado para a construção do novo.

A decepção é algo muito mais pessoal e subjetivo. O outro é quem ele é. Durante muito tempo eu jogava a culpa das brigas com meu marido nele: "ele é uma criança", "um imaturo!", etc. Crescer dentro da relação foi minha escolha e tem dado certo. Pensei em separar e essa mesma amiga me diss: "evite tomar decisões em meio à crise." E foi um dos melhores conselhos que tive. A gente cresce muito quando se esforça para crescer e superar os desafios que a vida nos dá.

Então, que todos saibamos crescer dentro das crises, porque, se não for assim, a crise não passa! Saibamos suportar verdades, mesmo que para nós não encaixe e não faça sentido, mas, se fez para a pessoa, deixa. "As pessoas podem pensar o que quiserem da gente. A gente é que não pode se identificar com isso." Mas, aproveitemos para nos avaliar: "eu posso não ser assim, mas, por que fulano viu isso em mim?". Sem neurose ou mania de perseguição. Crescer começa agora! Por que o verbo é ser, o lugar é aqui e o tempo, agora! Vamos deixar portas e janelas abertas para recomeços! Não é preciso manter uma relação, se não existe mais a tal da química... talvez, não fosse para ser, mas, ao menos, tenhamos maturidade para evitar malestar e olhares de esquiva... Vamos afastar o germe que separa, afastemos as durezas da alma. É tão bom ser cordial honestamente. É tão bom ser livre... Não se iluda, esses entraves são verdaeiras prisões... Só e somente só o esclarecimento irá libertar. Assim, até o afastamento acontece naturalmente. E, como tudo que é natural, sem dor, sem sofrimento e sem angústia.

Beijoosss,

Pat Lins.

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