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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Ser feliz é apenas ser!


Ser feliz, mesmo enquanto o outro não se permite, não é afronte, nem descaso, é seguir em frente. Cada um é responsável pelo próprio caminho, como o segue, como o faz, como se pernite ser!

Querer que o outro se mantenha infeliz ao meu lado ou vice versa é sadismo, é leviandade, é infelicidade.

Não sou feliz sobre a infelicidade do outro! Sou feliz porque batalho todos os dias para superar meus desafios!

A cada um cabe, em si, se permitir e acreditar que merece e é plenamente capaz de ser feliz!

Eu acredito que todos e cada um de nós consegue, mais do que querer, simplesmente querer, é se esforçar para, simplesmente, ser ou se fazer, enquanto caminha.

Ser feliz não é só sorrir ou gargalhar e ter boas piadas para contar. É um estado de espírito capaz de, mesmo em momentos de tristeza ou desânimo, te reanimar e trazer a esperança pela fé, pela certeza de que tudo passa e pode melhorar.

Ser feliz é um estado de paz e integração com o amor próprio. Ser feliz é consciência de que você existe e dentro de ti existe uma força muito maior do que aparenta e, sim, você, eu, ele, ela, el@, elx, todos nós merecemos!

Ser feliz é simplesmente ser e ponto, ainda que no externo as condições não sejam favoráveis, eu esteja aflita e cansada, existe uma força maior que me motiva e me inspira a, simplesmente, continuar e acreditar! Eu Sou Feliz!

#sejavoceafelicidadequetantobusca

Pat Lins.

domingo, 20 de janeiro de 2019

A Vida é um dia após o outro, todo dia!



Arcano XI: Força*

A Vida tem me ensinado muitas coisas, inclusive, como administrar bem meu orgulho para fazer o que preciso de maneira mais consciente e saudável - bem verdade que às vezes nem tão saudável assim, né...

Retomadas são importantes; recomeços, necessários; valorizar quem está ao nosso lado, botando pra cima, sem desmerecer ou desqualificar a turma do jogo oposto...

Ter que ser, ou me esforçar mmuuiitttooo, para ser compreensível, compassiva, algumas vezes, até contrariando minha natureza e ser passiva, para evitar um estrago maior - simmm, é importante ser estrategista e fria, e esse tem sido meu maior e melhor desafio.

Ao menos, tem dado certo, vou me organizando e priorizando o que deve ser prioridade. O dia a dia se incumbe de apresentar problema e revelar soluções, nem que seja um "fazer nada" e dar tempo ao Tempo.

Tenho aprendido a ser inteligente, com o cuidado de me manter focada em meus valores e isso é bom, prova que eu os tenho.

E sigo, lembrando a cada um, a cada "eu" além de mim, que vale a pena ser limpo. Nem todos vão te valorizar, mas, e daí, essas pessoas não são minhas referências, então, o problema delas está com elas.

A mim cabe me fortalecer em mim e aceitar que, tudo o que passamos, passa! Passei por muita coisa e, eu que me achava pronta, me vi ter que recomeçar de novo!

Sabe o que é o mais legal? Ssiimmm, eu topo recomeçar e tenho certeza que isso é importante para mim! E, sim, um passo de cada vez, um dia após o outro. Um orgulho ferido aqui, não vou matar ninguém, mas reúno forças para mudar o que me incomoda.

E, sim, consigo fazer e materializar essa mudança, de cabeça erguida, com marcas e cicatrizes que fazem de mim alguém melhor do que eu mesma.

Como já falei e repito: se cada um for o melhor de si, o Mundo todo melhora. Quer fazer desse mundo um lugar melhor? Seja, primeiro, esse melhor.

Paciência não é apenas uma virtude, é uma necessidade e prova prática de inteligência emocional. Como não a tenho, pratico o esforço...

#ficaadica

Pat Lins

*Palavras que definem a Força: coragem, domínio emocional, força visceral, superação, ímpeto, ação, domínio, segurança e realização.

No Tarot, a Força é representada por uma mulher que usa as mãos para abrir a boca de um leão. A ideia da força física está associada a carta quando olhamos para ela mas, na verdade a este Arcano expressa os aspectos de superação e da utilização outros tipos de potências, inclusive aquelas conectadas ao amor-próprio que supera o amor por outros.

Aparentemente, antes de abrir a boca do leão com as mãos, percebe-se que essa mulher está imobilizando e dominando o impulso do animal.

sábado, 16 de março de 2013

TEMPO DO AQUI E AGORA: AGORA É O QUE É


Mais um desabrochar,
ainda que com a dor como mestre... ela nem é tão ruim quanto parece,
apenas necessária pela nossa condição humana e
limitada de ver e entender e aceitar e continuar e deixar passar...
de encarar o que é!

Pat Lins.

Juntando nossas partes, montamos um todo de pequenas partes fragilizadas. Um apoiando o outro e estabelecendo um equilíbrio improvisado, até a dor do desmame ir, pois ainda está em seu tempo de ser. 

Em paralelo, ela - essa dor - vai-se indo e a dor que fica - pelo irreversível - é chamada pela razão do fato e do lógico para ocupar um lugar próprio, que caminha junto, calada e compreensiva e dá-se, aos poucos, lugar para o aqui e agora, para o novo tempo que se instala, que se ergue, que É!

E assim caminhamos. Ainda não encaramos porque a rotina ainda não fora retomada. Todos precisavam de um refresco... todos vivenciamos e a acompanhamos a saga de dor de minha tia... todos nós sofremos com ela. O alívio dela foi nosso alívio em não vê-la ter que passar por aquilo. Uma morte, um descanso para sofrimentos que poderia ter se arrastado por anos e anos... mas Deus teve compaixão e não permitiu que essa filha passasse por isso. Triste doença - câncer - que aplaca não apenas o doente, mas todos no perímetro ao redor. O conforto de saber que ela não está presa a uma cama, vegetando nos foi dado. Isso nos fez entender o quão importante é a medicina e seus avanços, mas o quão acima disso estão os desígnios de um destino que não nos cabe conhecer previamente. Coisas da vida e da vida-morte-vida que eu prefiro acreditar e que, apesar de questionar muito, começo a aceitar o que em mim já pedia para ser aceito, sem tanto lutar.

Hoje, tive o primeiro sonho com ela, e estávamos todos querendo comprar um celular para o filho dela. Ela estava entre nós e não estava... O telefone deveria ser um desejo meu de estabelecer contato... Talvez desnecessário... Só peço a Deus que esteja em paz e tenha sido bem recebida pelos Seus anjos!

A família e os amigos ainda sentem/sentimos o baque, a ruptura rápida, prevista - sem hora marcada, mas sabia-se que era a evolução de uma doença sem cura e destrutiva - do que vimos com os nossos olhos, ali, lado a lado e como é dualisticamente dolorido e reconfortante ver o deixar de ser. Ali, diante de nós, nos despediamos e sentiamos que chegava o momento... e quando chegou, não estávamos nem um tiquinho preparados, mesmo sabendo... onde prova que por mais racional que sejamos, somos muito mais emocionais e o equilíbrio desses pólos é que nos permite encontrar forças sem negar a dor, sendo fortes mesmo fragilizados.

Como será segunda? Quem sabe é Deus! Uma partida no meio da semana, um enterro na quinta... uma sexta de descanso, um sábado de primeiro momento sem ela... e amanhã, e a segunda, quando teremos que retomar a rotina? E o filho dela - meu primo - quando dormir e acordar em casa sem ela... e minha tia caçula, que vivia com ela, que era a irmã, amiga, parceira, companheira de todas as horas? Juntamos nossos caquinhos e nos erguemos num novo EU de cada um, e num novo NÓS como família, para dar conta de tudo que ainda está por vir... Meu primo é especial, vai precisar de tratamento... Deus nos dê a capacidade de dar conta daquilo que só uma mãe consegue fazer, que é fazer tudo por ele - com erros e acertos como qualquer mãe que se preze... 

Deus, te pedimos que amenizasse o sofrimento dela, que não a arrastasse naquele quadro... - não tem prisão pior para um inocente do que ficar preso em um corpo morto e vivo, agonizando e sofrendo por  dias, semanas, meses, anos e anos... - e o Senhor nos escutou, a olhou e a levou. Agora, Pai, pedimos que nos capacite a dar continuidade ao nosso caminho. Que nosso presente seja de força, sem as boas lembranças de um passado que se impõe e segue o seu fluxo de ser e existir e que em mais um contato com dor extrema, consigamos superar o desafio de julgar, de culpar, de encontrar onde foi a falha para aceitar o que aconteceu. Que consigamos romper com emoções densas e estabeleçamos, a cada dia mais, um contato com o que há de melhor em cada um de nós para escutarmos melhor o que tens a nos dizer com Sua infinita sabedoria, através daquela Natureza criada para nos prover e nos ensinar... nos alimentar, inclusive de entendimento pela aceitação do que é e pronto!

Obrigada a todos que seguem este blog, que, nos últimos meses ficou um pouco triste, mas com reflexões que nos deixam mais próximos do que vem a ser felicidade, que é ir se desapegando de pesos que não devemos carregar e arrastar vida a fora e vida a dentro, que é o sofrimento. Que aprendamos a deixar passar com consciência e entendimento de que a dor fica, para sempre, amenizada porque será através de boas lembranças boas!

Luto no luto para lutar pela continuidade sem luto, lutando diariamente contra o breu de mim mesma, humana que sou!

Pat Lins - mesmo aqui e agora de dor e luto, aqui e agora plantando e construindo felicidade, através do amor que liberta e refrigera a alma! A gente tem mania de pensar que perdeu algo que ainda nem achou... A gente não perde quando se ganha, a gente só precisa entender que ganhou a alegria de ver um sofrimento acabar para uma pessoa que amamos... um dia isso estará mais firme em nós - e um dia eu internalizo, isso, também...



domingo, 16 de dezembro de 2012

O MEDO DO MEDO


O maior do medo do medo é deixar de existir. Se entendermos que nada temos a perder e enfrentarmos ele some! Aliás, pode até não sumir, mas, assumir que o temos e que, mesmo assim, não o queremos, também o afasta.

O maior medo do medo que temos é entendermos que, de fato, nada temos a temer...

Cada um tem o seu. É olhar e dar tchau! O medo fareja o medo a distância... 

O legal é que depois de enfrentarmos, ainda que ele esteja em nós, ele vai ficando pequenininho... até sumir, quando atingirmos o grau de maturidade e consciência de nós mesmos e do que precisamos cuidar em nós. 

Bom, eu penso que seja impossível conseguirmos identificar e superar TODOS os nossos medos, mas, um medo a menos é uma força a mais. Uma força a mais é um degrau acima! Cada degrau que subimos nos eleva a nós mesmos! Mais fortes, conseguimos ver melhor e viver melhor! Mais livres!

Pat Lins.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

D. VIRGÍNIA - "VIVER COM FÉ".


"Viver a Vida"

Gente, coisa boa é ter oportunidade de "conhecer" histórias reais de uma vida diferente e, por isso mesmo, de pura superação! Sempre me encantei com essas histórias reais. Sempre me senti tocada por cada pessoa magnífica que passou e passa em minha vida. Todo mundo tem um algo a superar.

Mas, "conhecer", ainda que pela TV, D Virgínia, que nasceu numa época onde ter deficiência é pena de morte, provou a si e a todos que existe algo muito MAIOR do que cada um de nós em isolado. Melhor do que escrever, e tentar descrever o que senti, é assistir, ouvir e sentir Dona Virgínia. Ela fala, pura e simplesmente, de uma coisa que me seduz, envolve, me guia, me "tudo de bom"... que é a Vida no dia a dia.

Independente da fé religiosa - para mim, existe uma definição improvisada de FÉ RELIGIOSA, aquela que orienta para alguma religião em específico e FÉ, para mim, é algo que não se explica, mas, se tem e independe de em quê ou quem se acredite, sabe-se e sente-se que existe algo MAIOR, uma força de amor e bondade muito maior e sem explicação científica, acadêmica ou matemática - interessantíssima a maneira como essa senhora vê Deus:

"Minha mãe dizia que DEUS estava dentro de mim. Então, um dia eu li a palavra DEUS e vi que EU estava bem no meio Dele. Depois, olhei o D e o S e entendi: D de dentro e S de si = dentro de si. DEUS está dentro de cada um de nós!" 
D. Virgínia.

O programa foi o "Viver com fé", apresentado pela Cissa Guimarães, uma pessoa ímpar e que mostrou a força da sua fé na vida, mesmo com muita dor, após a perda de um filho de maneira cruel. Para quem quiser assistir ao vídeo e ter essa oportunidade de "conhecer" mais uma pessoa especial, clique no link abaixo, para assistir a participação dela no programa da Cissa Guimarães - "Viver com Fé":



sábado, 8 de setembro de 2012

"A MORTE DO CISNE" - QUEBRANDO PARADIGMAS

Se tem uma coisa que todo mundo sabe é que o preconceito é algo nada bom! Assistindo ao vídeo abaixo, podemos ver o quanto nos deixamos levar pelas aparências, pela superficialidade e o quanto deixamos de acreditar no que vemos, por não aparentar que valha a pena. 

O potencial está acima de tudo isso. Está na relação de cada um consigo, com base na humildade de saber que está fazendo o seu melhor, naquele momento e na determinação de quem sabe que está fazendo aquilo que gosta, sabe e quer fazer!


Durante o vídeo a gente pode tirar várias lições. As que tirei para mim e registro aqui:

- Primeira observação: O corpo de júri já começa desdenhando do nome. Jurado é algo que por si só já impõe temor, desperta ansiedade de quem vai ser julgado e etc. Deveriam ser imparciais, mas já começam "detonando" o rapaz pelo nome: "John Lennon? Eu conheço alguém com esse nome - hahahaha..." ou "John, amigo do Paul, do Ringo...?". E o jovem rapaz, lá, parado - não estático de medo, mas, parado esperando a hora dele, com a maior calma e naturalidade. Reflexo da segurança de quem estava ali com uma VISÃO muito maior do que ser julgado pelos outros, que é o OBJETIVO de ser reconhecido pelo que sabe fazer e realizar o SONHO: "eu quero sim, ser artista e vim aqui propriamente por isso, para mostrar o que eu sei. A dança na minha vida significa muita coisa. Meu sonho dentro da dança é viajar pelo mundo... É ser conhecido!". Ele tem um sonho e se apresentar ali é apenas uma parte do caminho.

- Segunda observação: o preconceito. Muitas pessoas, quando estão num patamar de "juíz" não sabem lidar com o poder e a responsabilidade que ter o poder trás. Diante da condição de julgador, há de se ter extrema cautela, tato e maturidade para não interferir e nem emitir julgamento de valor - algo pessoal. Nesse caso, de pronto, quando perguntam o que ele vai apresentar, e ele fala, começam os dedos apontando e duvidando de que algo bom sairia dali: "Você veio aqui dançar?... Assim? Qual que é a idéia?". E ele se mantém: "Vim aqui dançar. Assim!". Simples assim, como é simples a postura de quem sabe de sua capacidade, acredita nela e  faz. E ele se mantém calmo, mesmo depois de ter que escutar: "espero que sua interpretação seja muito boa, porque o seu figurino, eu achei... nada a ver...". Um júri que tem como critério um julgamento de valor é imparcial? É justo? É neutro? Imagina o impacto na vida de quem é julgado por uma bomba detonando cada parte sua?

- Terceira observação: julgamento de valor. Avaliando pela aparência, duvidam do conhecimento que está na parte onde o julgamento prévio não vê e demonstram a incapacidade de poder ver além... toda a limitação, toda o engessamento de ficar preso a um paradigma. "Você conhece a versão original da 'morte do cisne'?", pergunta outro jurado. Ao que ele responde que sim e o jurado mantém a dúvida, desconsidera a resposta do jovem e meio que diz o que é "a morte do cisne" para ver se o rapaz "se enxerga". "Você sabe que é um cisne se debatendo até a morte e é feita por uma bailarina toda de branco, nas pontas dos pés... A versão original é essa!". A versão que ele se dispõe a apresentar é uma adaptação ao estilo de dança dele, ou seja, é saber como é o original e dizer: "isso eu não sei, mas, posso fazer assim, que terá a sua própria beleza". E isso me remete a pessoas que julgam o potencial do outro por si e "garantem" que não há nada a ser desenvolvido, porque aquela pessoa não "se encaixa" no perfil, sem, sequer, ter dado a OPORTUNIDADE  de permitir que a pessoa demonstre o que sabe e o que é CAPAZ de trazer, ainda que de uma maneira diferente. Recentemente passei por uma experiência desse tipo - relato no blog "Mães na Prática", depois relato aqui - onde a coordenação pedagógica da escola se limitou ao comportamento diferente e agitado do meu filho, mesmo diante de sugestões da psicóloga dele e da professora do nível mais avançado afirmarem que ele tem potencial para mais e ela dizia que "ele não tem potencial a ser desenvolvido...", portanto, nada fez. Quando a Diretora volta da licença maternidade, começa a colocar em prática atividades diferenciadas para trazê-lo ao grupo gradativamente e não impositivamente, lidando com a característica individual para chegar ao coletivo, em três dias ele rendeu o que não rendeu no primeiro semestre todo. Milagre? Não! Capacidade de não julgar e observar, ver, tentar e agir! Eu, do meu lado, também julguei essa coordenadora como incompetente, pelo que ela deixou aparecer dela, o pouco dela que ela deixou aparecer. Mas, ela deve ter lá seu potencial a ser desenvolvido. Julgar e condenar, sem tentar ou estar aberto para ver além é um perigo para quem está desprotegido. No caso do vídeo, o rapaz estava protegido por sua natureza calma, a segurança de saber o que queria fazer e a meta de alcançar seu sonho. No caso do meu filho, não... se não fosse a professora do grupo mais avançado "enxergar" Pedro, ele estaria repetindo o grupo atual e estaria estagnado, porque a pessoa responsável foi incapaz de se esforçar e escutar as opiniões da psicóloga dele e da professora do grupo avançado. Não era ter que ver qualquer coisa, mas, ver que algo mais precisava ser feito e que as diferenças exigem um olhar diferente! 

- Quarta observação: a verdade está aí para quem quiser olhar e ver. Ninguém precisa convencer ninguém da verdade, ela É! Como eles tinham que permitir - eu, julgando aqui... duvido que se tivessem opção eles permitissem ver... quanto agem assim, fechando as portas antes de abrir? - eles foram pegos de surpresa! Surpreenderam-se, assim como a professora do meu filho se surpreendeu com o desenvolvimento dele em poucos dias e como os colegas dele dão esse feedback em relação ao comportamento dele, também. Ainda assim, no vídeo, eles mantêm a chama da dúvida: "de quem é essa coreografia?". O rapaz, agora, elogiado, cultuado... por milagre, passou a ser um "ícone" de algo a ser admirado, responde, sem a menor afetação, com a maior humildade que só os sábios têm e responde: "é minha". Simples assim!

- Quinta observação: não importa quem está julgando. Nós precisamos ter consciência de quem somos e o que queremos fazer. Antes de tudo, o que queremos atingir: qual o nosso sonho? Esse é o ponto de partida, senão, para qualquer lugar que se vá, não fará diferença, porque nem se sabe onde quer chegar. Isso requer muito de auto-avaliação, de auto-busca, de quebra de paradigma constante. Não me refiro a revolta, nem a insistir em algo que não é para ser... Já vi casos de mães que precisavam deixar a criança repetir o ano e brigarem com a escola... muito mais por não saberem lidar do que por ter algo que via e ia lutar por aquilo. Não ajudaram as crianças, estimulando o desenvolvimento, apenas deram um jeito de a criança se amparar no superficial. Não houve vitória, houve um agravante. Como se desenvolve essa criança hoje? E amanhã, sozinha, quem a ajudará? Quem fará por ela aquilo que não pode fazer e ninguém ensina?  Uma coisa é lutar pelo desenvolvimento, outra, é ter orgulho ferido, vergonha e vaidade. Eu me refiro ao trabalho contínuo de entender, ver, aceitar, investigar, questionar e sempre, sempre, tentar algo novo e diferente, com um OBJETIVO. Senão, não terá o que alcançar. Foi como uma pessoa me disse: "não dá para ensinar uma pessoa a nadar numa pista de corrida.". É acreditar e se dedicar a algo, não apenas negar e reagir negativamente.

Sejamos mais! Façamos mais! Façamos sempre o melhor que há em nós, não melhor do que o outro. Ninguém veio a esse mundo competir para ver quem chega primeiro ao céu, veio? 

Portanto, plantemos boas sementes! Reguemos, porque elas não se regam só. Cuidemos do jardim, porque o mais belo jardim e a terra mais fértil, também tem erva daninha... A vitória não é um ato isolado, são momentos onde conseguimos ver sentido em nossa existência. Aí, sim, quebramos os paradigmas que nos impõem a viver numa sociedade normótica e doentia.

Pat Lins.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

NÓS QUEREMOS SABER DEMAIS O QUE NÃO É DA NOSSA CONTA

As pessoas querem saber demais o que não é da conta delas. Se sentem na "obrigação" de pedir satisfação sobre a vida alheia, em vez de cuidar da própria.

Eu não entendo o que leva as pessoas a julgarem tanto por suas cabecinhas vazias, pessoas que se esforçam a crescer e que têm a honestidade de assumirem suas falhas e a vontade de corrigí-las. Entendem esse ato de redenção - que não é tão fácil e rápido, mas, parte de um processo de trabalho, esforço e ritmo - como fraqueza, sem ver que ali existe uma força emergente. Essas pessoas querem sair da lama, as que se acham fortes, por fingirem e empurrarem com a barriga são as fracas, porque não sabem usar a própria força para algo melhor e ainda gastam parte dessa força na língua e nos pensamentos pequenos, medíocres e vazios de pessoas sem rumo.

Eu, humildemente, faço minhas as palavras do Mário Quintana:

"Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!"

É difícil, a batalha é árdua. Por vezes preciso recuar um, dois ou três passos, para voltar firme e andar muito mais a frente e subir, subir, subir. Esse é meu ideal. Não ficar mais alta do que ninguém, mas, subir os degraus da minha vida, rumo ao meu encontro comigo e com minha essência. Isso faz com que me chamem de "metida", "estranha" e etc, mas, paciência, aos poucos venho entendendo que as pessoas se magoam porque assim se fazem, em meu caminho não tenho a intenção de magoar ninguém, nem poder para isso, meu caminho é minha vida e não há como magoar alguém num caminho que não é dela... talvez, essa pessoa que esteja no caminho errado... deveria voltar para o seu próprio caminho, em vez de adentrar no caminho do outro.

Minha fraqueza é o que me fortalece. Ali, onda há falha em mim é que vou. Ali, está o próximo passo dessa minha jornada, em cada ferida curada e superada. Dor não é sinal de vitalidade, mas, de enfermidade. Se é para seguir, fazer-se forte cuidando de cada passo.

Pat Lins.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

SE CAIU, LEVANTA


O grande problema da gente é que quando caímos, lá ficamos e achamos que merecemos tanto a queda que precisamos ficar ali para aprender algo... O que precisamos aprender é que cair faz parte... seguir, também!

Ser feliz começa a todo instante.

Detesto ficar marcada por alguma derrapada. Me questiono: será que só veem a queda? Ninguém é capaz de ver meu esforço para levantar e me redimir? Ninguém é capaz de levantar a mão para ajudar, sem esperar nada em troca?

Só porque tive alguns problemas, não quer dizer que eu viva só esses problemas. Alguns foram superados; novos chegaram; outrros estão indo... E assim vou vivendo: caindo e levantando, como qualquer pessoa que assume que está vivo e que quer ser uma pessoa melhor a cada dia. Melhor do que si próprio.

Só porque hoje estou sem paciência e perco o controle, não quer dizer que vivo descontrolada... Só porque A vida é uma luta e, enquanto muita gente finge constância no temperamento, eu assumo meus rompantes e os deixo ir, para me apaziguar de verdade.


Só porque caí não quer dizer que não posso levantar e ser feliz. Tem gente que me encontra e fala: "Você está ótima! Que bom!" E sei que é porque torce por mim e viu tudo que passei. Em contrapartida, alguns não entendem como é que alguém passa por tudo que passei e hoje está sorrindo e em busca da felicidade e age como se eu fosse apenas a pessoa que teve DPP... Será que é tão difícil ver uma pessoa como o todo, antes, durante, depois e agora? Sem criar expectativa, apenas aceitando que a pessoa não é só uma fase que está passando - passando! Nenhuma fase é eterna, ela é passageira! Hoje, estou gripada, mas, não sou a gripe... Dá para entender?

Como gostamos de marcar as pessoas pelo que ela viveu de ruim. Impressionante! Isso mostra o quanto nos fechamos para as coisas boas e vivemos emrgulhados no abismo do que é ruim. Olha a qualidade daquilo que busca para sua vida. O quê costuma ler? O quê costuma assistir? O quê costuma pensar? Como costuma agir?  Essas coisas que a gente deve questionar e mudar, quando obeservarmos a quantidade de coisas ruins que acumulamos no dia a dia e depois não entendemos porque tanta coisa ruim acontece. Um exemplo? Os telejornais. Os assistimos e acreditamos que estamos nos informando... Fora os programas locais aqui em Salvador que ainda são tidos como "mostram a nossa realidade..." Será?! Programas sem qualidade! 

O que queremos mesmo para as nossas vidas? Selecionemos o que vale a pena. Não me sinto nem um pouco "por fora" por não assistir essas tenebrosidades e, em meio as rodas de bate-papos, quando alguém fala: "Você viu aquilo em 'bocão'?" e eu respondo, com naturalidade: "não!" e a pessoa arregala o olho e diz: "você não assiste tv, não, é? Não se informa, não? A gente precisa ver essas coisas, porque é o que acontece em nosso dia a dia..." Eu apenas digo: "Se para você isso é 'se informar' e se faz parte do seu dia a dia, paciência. Eu não assisto e nem recomendo. Não me sinto desinformada, porque esse não é o tipo de informação que me acrescente nada de bom, portanto, não faz parte do meu dia a dia!"

Muita gente teme "ser diferente", "fazer diferente" e romper com essa onda de coisa imprestável que manipula e engessa as mentes e a nossa capacidade de questionar e melhorar. Por isso que é difícil compreender quando alguém cai e levanta. Essas pessoas limitadas acham que isso é piada, que a pessoa está fingindo e querendo "se mostrar" superior. Desconsiderando todo esforço que é para alguém sair do breu, da escuridão de uma queda. Ir em busca da luz é permitir que os olhos se reacostumem com a luz do sol para não cegar ou enlouquecer. São os anos na "caverna", do nosso querido e eterno Platão, onde nos acostuamos com nossas sombras e esquecemos que só a luz da verdade pode nos libertar. Mas, não é fácil: romper com a realidade do condicionamento ao escuro; romper com os desdéns de quem não quer sair dali e viver a verdade; acreditar e seguir, sabendo que para se sair é um passo de cada vez; ajudar alguém a seguir no caminho dessa luz... 

Bom, na falta do que falar e do medo de mudar, as pessoas taxam as outras de alienadas, loucas ou influenciáveis... Mas, quem fica, aterrado na ignorância, na mesmice da idiotice e do vazio, na normose diária do superficial acha que não, que eles é que são "os tais"! Afinal, estão sempre informados e antenados no que está acontecendo. E com a própria vida, o que faz? Muita gente não sabe o que quer dizer: superação. Talvez por temer sentir a dor de romper e desapegar com o que não acrescenta nada. Superar é saber que tem algo te segurando e puxando para baixo e dizer: "Não! Eu quero sair daqui!" E sair! Mesmo que saia se arrastando, sem forças para empreender nova caminhada de imediato, mas, sempre aparece alguém para ajudar. Ninguém precisa seguir sozinho. E é fácil ver se alguém vem nos ajudar ou nos empurrar para baixo. Não se fala em liberdade podando. Se há respeito. Se há clareza. Se há diálogo, não briga. Muita coisa dá para ver.A vida é isso: seguir, seguir, seguir!

Eu caio e levanto! Leve o tempo que levar, vou levantando, vou seguindo, vou andando, vou saindo de mãos dadas com alguém que acredite e busque a luz da verdade, sempre.

Ainda dentro da caverna, mas, caminhando para o lado da saída. Medo, só de ficar parada e perdida nesse breu. É possível mudar, sim, basta acreditar que ser feliz começa agora: acreditando, vendo, sentindo, seguindo!

Mania tacanha de pensarmos que tudo é impossível, só porque é difícil! Se caiu, levanta! Mania de viver apegado à queda! Deixa o que passou como lição do que não deve ser feito de novo. Corrige e se redime. Corrigindo, não há apego ao erro, há superação. Crescer requer esforço e muito. Não quero receber mérito ou ser avaliada por terceiros sobre minha "melhora", apenas quero me manter no caminho do crescimento e crescer. O verbo é "ser" e pronto. Estar, estamos na fase passageira - leve o tempo que levar - da transição. Dizem que todo mundo evoluirá, que isso é certo. Bom, não sigo meu caminho para ser melhor do que ninguém. Sigo para ser melhor do que minhas dificuldades e meus obstáculos! É isso que é difícil de aceitarem em mim. Alguns questionam: "você que se trabalha tanto, se avalia tanto, ainda comete erros?" Lógico! Todo ser humano erra! Qual o problema? O problema é permanecer no erro! Se caiu, levanta e olha bem para o que te derrubou para saber lidar com isso de uma próxima vez!

Sair da caverna não é fácil, mas, impossível, também não! Se não começar, como sair?

Pat Lins.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

E AGORA, O QUE PASSOU É PASSADO

Enquanto uma situação não termina, um ciclo não é fechado, ainda é presente - ainda que passando, como tudo na vida. Mas, quando encerra, passa-se. É passado. 


Preciso desabafar sobre esse passado recentíssimo de perder meu segundo filho, quando seu coração parou de bater, ainda em meu ventre, por volta de 9 semanas de gestação. 

Levei duas semanas para ter certeza e confirmar o óbito fetal. Assim, tomei minha decisão - explico isso em DECISÕES EM MOMENTOS DIFÍCEIS, no "Mães na Prática" - e fui ao hospital, fazer a tal "curetagem".



Estou horrorizada com o atendimento da emergência do Jorge Valente. O detalhe: Fui atendida por volta de 9:30 de ontem – dia 19 -  me deram a medicação para dilatar o colo do útero às 10:10 a.m. Nesse meio tempo, um rapaz da recepção chamou minha prima  e disse que o hospital estava cheio e eu precisava ser transferida. Segundos depois, a enfermeira entrou em meu leito e perguntou porquê eu havia pedido transferência. Informei que não pedi, apenas autorizei diante da orientação da recepção deles de que não haveria disponibilidade de continuar o procedimento lá, pois o hospital estava muito cheio. Isso já era perto das 11h. Ela não voltou mais lá. Sequer dava orientação. Ao ser perguntada se eu precisava trocar de roupa, apenas me disse: "pergunte na recepção". Próximo a meio dia, já estava sentindo as contrações. Elas me disseram que não poderiam fazer nada, porque "eu" havia pedido para ser transferida e não cabia mais a elas darem atendimento. Uma única se prontificou e me disse que não poderiam dar mais medicamento, inclusive, porque o colo do útero precisava contrair, mas, que não era para eu começar a sentir dor, já que o procedimento da curetagem entra um sedativo logo após 3 horas da inrodução do citoteque - que no hospital tem outro nome. Eu já estava beirando as tres horas e sentia fortes dores, como um trabalho de parto, sem bebê para sair, haja vista que carregava um embrião sem vida. Nada de ambulância. Por volta das 14:30, as dores e contrações eram violentas e perdi o controle, com tanta dor e comecei a gritar - um vexame - e foi quando a ambulância imediatamente apareceu. Nenhuma enfermeira ou auxiliar veio junto, nem para abrir a porta para a maca sair. Foi preciso pedir ajuda a uma acompanhante de outro paciente, junto com minha acompanhante, para abrir a bendita porta. Na ambulância, eu perguntei ao maqueiro porque não me levaram para o centro cirúrgico e ele me disse: "mas, como, se a senhora pediu transferência para não fazer com a gente?" Gritando de dor e de raiva, disse que foi a "porcaria" da recepção que nos orientou a optar pela transferência por falta de vaga no Jorge Valente. Ele então, passou a ser mais solidário. Ficamos sabendo que a ambulância estava a minha disposição desde às 11h e que a demora foi a burocracia. Imagine, mais de 4 horas de burocracia, sabendo que foi começado o procedimento para uma curetagem... Já não me bastava a dor de saber que havia perdido um filho(a), ainda precisei passar por tudo isso? 

Chegando ao Hospital Sagrada Família – tem uma unidade dentro do Hospital Salvador, na Federação e faz jus ao nome -, aí sim, fui bem atendida. A enfermeira e a médica me perguntaram o porquê d´eu ter demorado tanto, sabendo do tempo para os procedimentos... Eu já não suportava mais ser cobrada por algo que fui vítma e disse que eu estava esperando lá, deitada no leito, sentindo as dores e sem ter acesso a qualquer informação. Elas me perguntaram o horário da introdução do tal citoteque e falei 10:10h. Me levaram na mesma hora para o centro cirúrgico, antes mesmo de finalizar o processo burocrático, porque já eram quase 15h e elas compreendiam que a dor que sentia era desumana. Numa dor de parto, o próprio bebê ajuda para sair e, num aborto? 

Oxe, em compensação, já no centro obstétrico, me sedaram e, adeus dor. De repente, eu nem sabia mais onde estava... só me via entrando pelas tirinhas do teto. Voava. Ria... kkkkkkkkkkkkkkk Olha, fiquei “doidona”. Sem noção de tempo, espaço ou qualquer coisa, ia voltando, aos poucos. Escutava as risadas e não identificava minha voz. Me peguei respondendo perguntas básica como meu nome, idade e, até tipo sanguíneo. O que me perguntavam eu respondia, certinho. Mas, sempre dando risadas sem noção. Me recordo de uma cosia ou outra. Tipo: “Dra, a senhora está aqui, comigo? Como a senhora entrou aqui?”  - estava em meio a imagens psicodélicas e acreditava que ela havia entrado naquele mundo, que nem eu sabia onde era... E, quando conseguia abrir os olhos, via as toucas da equipe e via bem de perto o anestesista se acabando de rir. Eles me diziam que eu era hilária e que os fiz dar muitas risadas com minhas histórias... Sabe Deus o que saiu de minha boca. Parecia que tinha um buraco na testa que, o que eu pensasse, saía – kkkkkkkk. Eu falei assim: “noossssaaa! Agora entendo o que um drogado passa...” E me perguntaram: “e você usa drogas?” Eu disse: “eu? Kkkkkkkk eu não. Acho que já nasci drogada”. E tome-lhe risada. Só depois soube que fiquei uns 40 minutos delirando. Eles me disseram que se desse tempo desceriam para me contar as coisas que falei. Imagine? Teve um momento que me escutei dizer: “minha perna? Esta esticada? Eu não estava naquela posição horrorosa? – as pernas ficam elevadas e amarram meus pés no alto. E agora? Eu quero espirrar...” Me responderam: “pode espirrar”. E aí, foi onda: “E como é que eu espirro? Kkkkkkkkk Não sei espirrar”. Mas, foi uma galhofada. A médica me disse que eu estava muito tensa e depois de tanta dor – cheguei a desmaiar na ambulância, segundo minha prima – a sedação tem um efeito mais forte e delirante. Ela me disse que meu útero era muito difícil para curetar e perguntou a razão de minha cesariana - com relação ao meu prinmeiro filho, cuja gravidez foi normal. Expliquei que foi o colo do útero mesmo, pois levou quase 48 h com Peu encaixado e eu não sentia nada, e o colo do útero não afinava. Ela disse que deveria ter sido isso... provavelmente, nunca consiga ter um parto normal com o útero bem fechado daquele jeito - praticamente, uma fortaleza para o bebê. Ela me disse que pelo que viu, não sabe como suportei tanta dor.

Pois é, aquela história, que não é história, é fato: só é aquilo que veio para ser, senão, não é. Afinal, o que tem que ser, será. O que não, não.Mesmo com um úterofortaleza e o embrião bem encaixado, a natureza sábia como é, fez o coração dele parar de bater, afinal, ainda não era a hora.

O importante é que deu tudo certo. Sinto umas cólicas incômodas, mas, nada grave.E, agora, agradecer a Deus; pedir que meu embriãozinho chegue aos céus e que, na hora dele vir, estou aqui.

Não foi fácil, prazeroso ou legal passar por tanta coisa, para variar, em tão pouco tempo. Descobri que estava grávida. Fiquei feliz da vida. Todo mundo curtindo. Planos - natural, né? Enjôos fortíssimos. Desanimo, sem gás para nada, apenas para dizer: "vai passar e, já, já, o bebê estará aqui fora..." E, de repente, num exame de rotina, não se detecta batimentos cardíacos. Tudo mudou de cenário. A mesma coisa passou a ser outra coisa, oposta, triste e desgastante. Encarei os fatos. Estou bem. Mas, precisei passar por umas coisinhas chatas para, mais uma vez, testar quem sou eu.

Por outro lado, venho recebendo muito carinho. Preciso agradecer a médica do Hospital Sagrada Família, não me lembro o nome, mas, me recordo do rosto, da voz e da postura firme, profissional e humana. Agradecer a toda equipe, que esteve lá e me ajudou, muito, no dia 19 de maio de 2011 - dia em que virei mais uma página de minha vida. Agradeço a meu querido médico, Dr. Giordano Matos, que é excepcional, bem como suas atendentes. Agradecer a minha mãe, meu pai, minha família todaaaaa, meu marido, meus amigos. Nessas horas, o que deve importar é saber tirar proveito do que acontece de bom. Não é fácil, mas, se esforçando, dá. Isso não me impede de ver a crise no sistema de saúde, educação, segurança e etc do nosso país. Mas, isso fica para outro post. A ambição desmedida está destruindo a vida e, quem destrói nem se dá conta. Se cada atitude fosse isolada e só atingisse a quem pratica, mas, antes, outras pessoas inocentes, "pagam o pato". 

Estou bem, de verdade. Agora, é deixar passar a raiva do Hospital Jorge Valente e de toda loucura que impera lá. Deus me livre!

Mais uma vez, eu vi que  A DOR SÓ DÓI ENQUANTO ESTÁ DOENDO, DEPOIS... PASSA! Ela precisa passar! Tudo passa! O tempo, passa. Só a vida segue. E nós podemos DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO!!! Sempre começando por nós mesmos!

Beijos,

Pat Lins.


quarta-feira, 11 de maio de 2011

SELEÇÃO NATURAL

Toda mulher sabe que o primeiro trimestre da gravidez é um dos mais delicados e, também conhecido como período de SELEÇÃO NATURAL.

Na primeira gravidez, enjoava muito - menos do que esta... porque, nesta, tive refluxo - e fui parar no hospital, porque, na hora que agachei, para vomitar, saiu um pouco de sangue. Nossa, um susto. Foi só uma gotinha, mas, corri. Ao chegar na emergência, estava quase na hora da troca de plantão - da tarde para a noite - e a médica - minha xará-, me recebeu e informou que o aparelho de US - Ultrassonografia - estava quebrado. Conversou comigo e me "garantiu" que era um aborto e que era comum, visto que estava dentro do primeiro trimestre e que eu me acalmasse, porque tratava-se de uma seleção natural, etc. Sorte que ela não me deu nenhum medicamento, além do para enjôo. Pois, quando trocou o plantão, o médico que assumiu veio me ver e perguntou baseado em que eu acreditava ter abortado. Expliquei o parecer da colega dele e ele fez um exame de toque, me dizendo em seguida: "Só posso garantir com a US, mas, pelo que senti aqui, seu útero está fechado..." A suposição dele era que, como fica sangue de menstruação grudado no colo do útero, pode ter saído esse sangue, que fica na região externa, no momento do esforço para vomitar. Pois bem, me pediu para ficar lá, em observação, para evitar qualquer coisa. Dia seguinte, consertado o bendito aparelho, fizeram minha ultra. A primeira coisa que ouvi foi um batimento acelerado e uma bolinha linda, lá dentro e bem fixada em meu útero. Era Peu, vivinho da Silva e sem nada que demandasse risco. A hipótese do médico era a que mais se aproximava do que pode ter acontecido. Um susto, apenas. A gravidez foi normalíssima. Assim, eu fui apresentada a SELEÇÃO NATURAL e a uma coisa contrária a ela, que são médicos que não respeitam a seleção natural de cada um, em seguir sua verdadeira vocação e fazem medicina apenas porque estudaram bastante e passaram no vestibular, se formaram e se tornaram profissional de medicina, o que, para mim, é algo muito diferente de ser médico. SER médico, para mim, é um DOM. Nem todo mundo que se forma em medicina É médico. E, a depender da área que opte por trabalhar, além do dom, tem que ter JEITO... A imprudência da primeira médica poderia ter custado a vida de um embrião saudável e do meu filho.

Daí, voltei a condição de espera: espera do parto; de ver e pegar meu pequeno; de vê-lo crescer...

Hoje, vivo outra espera, a espera do sangue descer. Quando eu era menina - em minha época, 11, 12 anos era menina, ainda - eu era louca para menstruar. Vivia a espera do sangue descer. Aquele sangue mudaria minha vida, dentro de minha crença. Eu me tornaria: mocinha. Um passo para ser mulher. Romperia uma barreira e ascenderia: estava crescendo. Engraçado é que, depois que a gente menstrua, mês após mês, acha um incômodo, né? Mas, quando não vem, a gente se preocupa... risos. Ou, quando estamos querendo ter um filho, a espera dele não descer é que se instala. Pois é, os sinais em nossas vidas são tudo, já percebeu? Marcos em cada fase de nossa história. O movimento natural do nosso corpo, por mais que se tenha avanços tecnológicos, é ele quem determina as verdadeiras mudanças e transformações. Esse movimento natural que determina em que fase estamos e para a qual vamos... Por isso que, hoje, vivo um misto de cada fase dessas fases, com um agravante: a espera da perda. Nas fases anteriores, vivi a espera da mudanças alegres. As boas expectativas, dos sonhos e planos. Na fase atual, estava bem e tranquila: o embrião estava bem encaixado e crescendo. Cresceu até a 8a semana e seu coração parou de bater. 

Sábado passado, eu não tive sangramento, muito menos algo que me levasse a estar preocupada. Fui fazer uma ultra, já que, a primeira, fiz com menos de 5 semanas e não dava para escutar o coração. Minha médica pediu para que eu repetisse, para a época certa, já que, após a 7a semana é que se é possível escutar. Pois, fui fazer. Mas, o coração não batia. Ele estava bem desenvolvido. Parecia um bonequinho com cabeça, tronco e o que começavam a ser os membros. Vi tudinho e estava fácil de ver, porque estava bastante nítido. Mas, sem batimento. A hipótese é que o coração havia parado há uma semana. Fui, novamente apresentada a teoria da seleção natural, onde a natureza se incumbe de interromper uma gestação de uma criança com algum problema. Mas, o que me deixa intrigada é que:

1 - o embrião cresceu bastante e normal, da 5a para a 7/8a semana - apesar dele(a) estar com tamanho de 9 semanas;
2 - ele(a) estava bem encaixado, líquido normal...;
3 - uma semana antes, eu havia parado na emergência... por conta do refluxo. A médica da emergência, uma senhora com ar de deboche, me fez ficar de pouco mais de12:00h até quase 17h, tomando apenas remédio para enjôo e soro, sem escutar minha queixa real, que era do sufocamento pela acidez que subia do meu estômago, queimando tudo e com a sensação de que estava voltando tudo. Era como se nada descesse, apenas subisse... Só que eu já havia vomitado desde o dia anterior e o que saía era algo muito ruim, com um sabor amargo e ácido. Era abrir a boca e saía. Muito nojento. Ela veio me ver - isso num hospital bom e de nome forte, viu? - e perguntou como eu estava. Eu disse: "péssima! O negócio ácido e que queima ainda está forte e estou com a sensação de que vou sufocar." Ela, com riso debochado, me disse: "Patricia, Patricia, tenha paciência mulher. Gravidez é assim mesmo." Eu, sarcástica e desesperada, apenas disse: "Eu sei, já estive grávida antes e sei que passa. Acontece que estou me sentindo muito mal e esse líquido nojento não pára de subir me queimando e isso está me sugando as forças." Ela sorriu e saiu. Prescreveu alguma coisa e saiu. Ela prescreveu "ANTAK". Veja. eu cheguei lá por volta de 12:10h, fui atendida logo depois e só após as 17h ela foi me ver... Foi quando me passou esse remédio para o estômago, que me aliviou em menos de 15minutos. Acalmou tanto que senti fome. Me foi liberada uma refeição - pense, eu estava sentada o dia inteiro numa cadeira, na emergência - leve: sopa, inhame e suco. Nossa, comi como se fosse um banquete, naquela cadeira desconfortável e sem ter onde apoiar. Detalhe: não sou fã de sopa... Mas, tomei como se fosse a coisa mais gostosa da vida. Uma semana depois, fiz a ultra e disse que o coração do bebê parou... O que pensar?

Fui ler a bula do antak e a maioria fala que não é indicado na gravidez, principalmente, dentro do primeiro trimestre. Ele interefer nos batimentos cardíacos de quem o toma - um dos efeitos colaterais - e é capaz de passar pela placenta e, inclusive, passa na amamentação. Portanto, não recomendado a gestantes e mães amamentando... O pior: a acidez só passou naquele dia, na segunda, estava de novo... Só bebi água e voltava do mesmo jeito. Foi complicado. Eu sofria e estava desgastada, mas, repetia: vai passar! E me apegava a expectativa de que passaria e depois seria tudo melhor. Pensava no bebê. Alisava a barriga e dizia: "fica aí, viu? Mamãe tá reclamando do enjôo e dessa acidez insuportável, mas, tenho que aguentar!". 

Fiquei confusa e com uma pulga atrás da orelha: SELEÇÃO NATURAL ou FALHA MÉDICA?

Não sei se tem como comprovar... o fato é que, hoje, estou a espera do sangue descer. Não para entrar numa fase de boa mudança, mas, para uma fase de encerramento. Enquanto ele está aqui, ainda em meu ventre, tenho a sensação de que o coração vai bater... Como não sinto cólica, nem tenho perda de sangue ou sangramento, fico presa a uma falsa esperança. A realidade é que estou vivendo a espera da perda concreta. 

Estamos sempre a espera de algo... Por isso, que, apesar dessa espera, estou vivendo o aqui e agora, dando continuidade aos afazeres diários, com algumas restrições e sei que as coisas só acontecem quando têm e como têm que acontecer. Estou tendo que viver na prática o que me proponho: ter fé. Uma coisa é acreditar que Deus existe e que existe um propósito para cada coisa. Mas, a fé de que Ele sabe o que faz e ser grato é mais complicado. Então, falo: "Deus, apesar de não entender seus desígnios, sei que eles são reais. Não posso lutar contra os fatos. Mas, também, não poso agradecer de coração... Te peço perdão pela minha ignorância e peço que me capacite a entender. Um dia entendo e, nesse dia, posso te agradecer com consciência..." Sei lá, Deus é Deus e Ele deve entender meu lado humano, afinal, eu sou humana.

Bom, queria só compartilhar essa fase ruim e chata, pela qual passo. Mais uma fase ruim e delicada. Mais uma que vai passar, com certeza, porque eu quero deixar passar e estou deixando. Mas, mesmo dentro dessa fase ruim, muita coisa boa: Pedro tem me dado todo o apoio. Não falei claramente para ele, vou pedir ajuda a psicóloga. Mas, ele estava na sala da ultra, quando a médica falou que não havia batimento cardíaco e saiu. Depois, quando chegou em casa, ele se jogou na cama dele e ficou triste, abraçado ao travesseiro de anjinho dele. Perguntei se ele queria conversar com a mamãe e ele disse que não. Pedi meu beijo, que ele não havia me dado. Ele se recusou e me disse: "meu irmãozinho não está mais em sua barriga...". No dia seguinte, me abraçou e beijou muito, mas, no rosto, no braço, na perna... menos na barriga, como vinha fazendo nos últimos meses. Na segunda-feira passada - dia 09/05 - repeti a ultra e nada. Mas, antes de sair, ele estava pronto para ir a escola, me abraçou e disse: "minha princesa, eu te amo muito! Você vai para sua médica agora, é? Leve seu pijama, viu?" 

Fora Peu, meus pais, irmãos, minha sobrinha, meus tios e tias, meus primos, meus amigos - os que já estão sabendo... estou avisando aos poucos - e até meus alunos, todos estão me dando tanto apoio e carinho que não dá para se manter triste. Fora que eu sinto assim: dói, mas, opto por não sofrer, muito menos, eternizar a dor, deixo-a passar. Vejo como as pessoas estavam felizes com essa gravidez e como estão tristes, como se fosse com cada um. É bom saber que se é querida e amada. É bom saber que existem muito mais pessos que torcem por mim, do que as que me invejam e me enchem o saco. Muito bom saber que não estou sozinha! Não fujo do meu momento, mas, ele fica muito menos pesado por ser partilhado com a torcida das pessoas. Encaro de frente a realidade e não dá para sofrer pela verdade. Outra coisa, não me culpo... Sem essa de achar que falhei em alguma coisa. Com certeza, trata-se de uma cosia que não depende de mim. Se alguma amiga-mãe está passando por isso - a não ser que tome algo consciente - trate de jogar a culpa para as cucuias. Existe uma pressão de que "a mulher não soube segurar a criança...". Cai fora! Fora as besteiras que ouvi: lógico, os chatos de plantão não mudam, nem nessas horas. Uma jovem, no consultório de minha médica, veio logo falando: "tava fazendo estripulia, não foi não? Agora, vai emagrecer, dar umas caminhadas..." Ou seja, querendo me culpar ou, me fazer sentir culpada. Eu sei o que me fez engordar e o motivo da dificuldade de perder peso. Sei que minha saúde é muito boa, mesmo estando acima do peso, está tudo em ordem. Minha pressão é 9x6, por vida. E, mesmo que não fosse, não seria questão de culpa.  Então, tapem mesmo os ouvidos e deixem esse povinho falar. Porque, por mais que me suba uma raiva enorme, esse povinho nunca vai mudar... e me poupe, povinho é gentinha medíocre, com mente tacanha e pequena... isso merece crédito? Alguém que é incapaz de pensar, refeletir e ter bom senso? Se eu vou saber a causa ou não, é uma coisa. O fato é o que tenho: um embrião já sem vida que será expelido, naturalmente, a qualquer momento. Se é algo prazeroso? Lógico que não. Mas, é o que é e não preciso enfeitar nada, apenas precisei aceitar. Aceitar ajuda a curar a dor.

Aí, sim, agradeço a Deus por esse presente diário de ser amada e amar!

Boa sorte para todas as mães! Muita paz para todas nós! Eu continuo seguindo, respeitando o tempo das coisas. Respeitando meu momento e deixando que ela passe, naturalmente.

Saudações maternais,

Pat Lins.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"AGRADEÇO POR NÃO TER ACONTECIDO O PIOR..."

Você já percebeu o quanto agradecemos pelo "pior" não ter acontecido? Não podemos simplesmente agradecer por algo ter dado certo?

Por exemplo: fui assaltada no ônibus, voltando do trabalho - eu e todos os passageiros. Todos nós pedíamos a Deus proteção, para que algo PIOR não acontecesse. Pior que existe coisa pior, sim. Alguém poderia sair fisicamente machucado. Mas, os "profissionais" do crime, hoje, são mais "competentes", eles não têm a intensão de matar, em princípio, como um dele falou calma e mansamente: é só fazer o que eles mandam e não esconder nada que ninguém se machuca. E, dentro dessa organização criminal, coeficiente de eficiência é um "roubo" na paz. Também, a exemplo do que vem de cima, de quem nos governa, que nos roubam sorrindo... Pois sim, finalizada a parte do terror - o ápice da cena - hora de agradecer por estar vivo. Hora de agradecer pelo que não aconteceu. Hora de pedir forças, para aguentar escutar toda espécie de consolo. Engraçado, é ter que escutar: "ao menos, não aconteceu nada". Defina "nada". Como não aconteceu nada? Fomos assaltados! Isso, por si só, já é uma coisa. Mais ou menos "certo" está quem diz: "nada de pior". Porque escutar que "nada grave" aconteceu é ofensa. O terror que vivemos; a angústia; a descarga de medo; a raiva... tanta emoção ruim explodindo - na verdade, implodindo, porque não nos era permitido extravasar - de uma só vez. Como ser equilibrado e superior, apenas sentindo coisas boas? Eu fui buscar, à base de muito esforço, pensar em coisas boas e manter a fé de que aquilo tudo iria passar, mas, até então, tudo aquilo era o presente - inacreditável, mas, presente. ESFORÇO. Para sermos felizes, muito ESFORÇO.

Ah, nessas horas, também, ouve-se de um tudo. me disseram assim: "mas, também, o que é que você queria? Andando com celular num ônibus?"... Onde está o "erro"? Em estar com celular, ou, no bandido? Certo, é real: bandidos existem. Me diga, quem não tinha um celular ali? A origem do assalto não foi o meu celular. Foi a "necessidade" de um grupo de marginais - ou, "profissionais", como eles se intitulam - de levar aquilo que não lhes pertence e, sabendo-se da realidade atual, todo mundo tem um celular. Eles fizeram minha colega abrir a bolsa e pediram o dela. Enfiaram a mão na calça de outra mulher, que estava em pé, e pegaram o celular que ela "escondia", dentro da calça... Eles queriam roubar. Não fui eu, nem os outros passageiros que estávamos com uma seta sinalizando: "me assalte". Eles queriam assaltar e pronto. Eles roubaram dinheiro, celular e alianças. E aí, estava errada, também, por estar usando a minha? Nessas horas, que precisamos de apoio, ainda encontramos "juízes", viu?! Mas, apesar de me irritar profundamente com esses ataques, já entendi, da pior maneira, que o ser humano é cruel! Nós somos cruéis. Nas piores crises de minha vida, me deparei com apoios e julgamentos. O que aprendi a fazer? Me apoiar nos apoios, porque, no limite das forças, ainda ter que lidar com os comentários infelizes dessa galera que "sempre tem razão", provavelmente, porque nunca erram... é demais, viu?! E aí, a gente que é vítma, passa a ser agressor, porque não é tpda hora que minha língua consegue se segurar e rebater esses ataques dos "amigos". Para piorar, eu saio como "estressada" ou "sem humor", por não aceitar seus "apoios". Será que cada um de nós não pode se esforçar para ser um pouquinho melhor e parar de dar "pitacos" nas horas impróprias? Depois de ter vivido o inferno que vivi, escutar dizer: "também, você estava com celular queria o quê?"... Queria, com o sem celular, ter seguido meus planos, como todos ali, de entrar num ônibus e ir para casa. Seria demais? Tem algo de extraordinário aí? E quando uma pessoa é "abordada" dentro dos seu carro, ou, dentro de sua casa, era por quê? "Também, dentro de um carro, queria o quê?" ou "Também, dentro de sua própria casa, queria o quê?". Gente, falta bom senso, hein?! Comentários e comentários. Imagino o após ter escutado isso o quanto não rendeu o "também, você estava com celular queria o quê?". Uma necessidade de se culpar alguém. A culpa é de tanta coisa... da falta de emprego, de qualidade de vida, da fome, da miséria... Sem considerar da essência humana... Enfim, é tão difícil tecermos comentários - até a maneira de pensar - menos grotescas e cruéis? Será que podemos ser mais solidários e com bom senso? Ninguém pede para ser assaltado. Eu não estava com um celular caro; muito menos, vacilando... Eu estava num ônibus, voltando para casa, com meus pertences básicos, onde, o celular estava incluso. Levo apenas o RG e dinheiro da passagem e almoço. O que mais precisamos deixar de levar concosco? Eu agradeço de verdade aos que me deram apoio, porque os que vieram com esses comentários, só posso agradecer por não ter acontecido coisa pior... Sei lá, seguindo a linha da falta de raciocínio, poderiam me dizer: "também, você saiu de casa...". Às vezes, quem quer nos dar apoio, precisa de mais apoio de que nós.


Precisamos agradecer, cada vez que após um ESFORÇO, alcançamos o êxito de ter nos permitido deixar passar. Eu deixei passar. Só que algo fica latejando e aquilo de pior que não aconteceu, não era a única coisa rium, na história. O que aconteceu, também foi ruim. O medo se instala. Mas, preciso lutar e me ESFORÇAR para superar mais uma dificuldade. Depois, agradecer, por ter superado. E se eu optasse por sucumbir ao desânimo? Estaria errada? Nos é furtado, até o direito de dizer: estou cansada com tanta dificuldade?! Bom, como sempre me falo: é uma questão de escolha. Eu continuo LUTANDO e me ESFORÇANDO para superar e encarar o medo. Preciso continuar trabalhando. Como não ficar desconfiada de tudo e de todos, na rua? Alguém me diz? Não me refiro ao esforço para superar isso. Enfrentando o medo e continuando a vida, já está incluso no pacote. Creio que seja absolutamente natural se sentir ameaçado. Eu, agora, não falo que escutei falar que as estradas estão perigosas, agora, eu sei! E não tem nada de bonitinho nisso. Não me levaram apenas o material, tiraram um pouco de minha paz de espírito, algo que já vem me custando esforço acima de minhas forças manter. O que eles levaram de material, se recupera, sem dor, alguma. Mas, o que eles levaram/deixaram no psicológico requer carinho e atenção. Não subestime a imagem e toda simbologia que vem junto de uma arma em sua direção. Essa parte do que não é visto ser retirado, parece que não existe, mas, é justamente o que vai fazer diferença. Assumir que saí machucada psicologicamente pode parecer meio óbvio, mas, ninguém aceita o que vem junto. De uma hora para outra, sinto tremores no corpo e preciso parar o que estiver fazendo, respirar fundo e elaborar: "o que está por trás desse nervoso?" , "já passou, Pat. Calma, já passou." ou "agora estou segura e protegida.". Alguém tem noção do que é isso? ESFORÇO. Dois amigos - dentre todos que ligaram preocupados e agradeço, de coração, o carinho - estavam "preocupados", porque imaginavam, que eu fosse deixar isso me dominar. E SE EU DEIXASSE? A gente precisa ser mais solidário de verdade! Onde que eu vou ligar para alguém e dizer um absurdo desses? Lógico que sei de pessoas que foram assaltadas e "superaram". Lógico! Tem gente que diz que superou, sabendo o desconforto que fica lá dentro. Atropela esse desconforto e diz ter "superado". Para mim, não é assim. A gente precisa ser mais honesto e permitir que passe, admitindo que existe algo fora do lugar. Provavelmente, para esses dois amigos, eu tenha "surpreendido", porque, mesmo com toda dor e todo desconforto, estou de pé. Claro, é minha vida e preciso lutar por ela! Só eu sei o quanto me custa e o quanto me incomoda escutar um "agradeça por algo pior não ter acontecido". Eu agradeço, porque algo pior não aconteceu, claro e lógico. Mas, queria agradecer mesmo, por nunca ter vivido aquilo. Bom, encarar a realidade é encarar que já aconteceu e pronto. Agora, pedir forças para continuar superando as lembranças, que volta e meia aparecem, mesmo que eu não tenha consciência de chamar essas imagens.

Ser equilibrado não é falar que é, é ser! Muita gente que me "consolou", cada um de acordo com seus conteúdos e/ou limitações, já vem com um julgamento e uma expectativa de como Patricia vai encarar. Eu vejo a fragilidade explícita de cada uma dessas pessoas. Suas dores e sonhos não vividos. Suas "superações" e suas "supostas" "superações" - que não passam de máscaras para si próprios, pois, por fora, "eu não me deixo mais abater por isso" e, por dentro, estão em busca de "tapa buracos" para suportar a dor do vazio de não ter aquilo que queriam e como queriam... Vai do esforço de cada um e do grau de honestidade consigo. É engraçado ver quem e como são as pessoas. Nos momentos de crise é que de fato conhecemos, né?! Como sei que eles são assim e que têm mais a oferecer do que o que expressam, dá para continuar convivendo. Penso que tanta gente está perdendo a dose e nem se dá conta. Nem por isso, deixam de ser legais. Essa é a diferença de como eu vejo e interajo com os outros: eu os vejo como são e me esforço para aceitá-los, como são. Isso não quer dizer que concorde ou discorde com suas atitudes, mas, que, mesmo sabendo que são como são, sei que são mais do que aquilo. Lógico que também julgo e crio expectativas. Mas, chega um momento, onde preciso me perguntar: "isso sou eu que quero ver assim, ou, é assim mesmo?"; "não está legal porque não está como eu quero?"... E, poir aí vai. É dureza, sim, ter que racionalizar o tempo inteiro. Mas, é assim que estabeleço meus critérios de quem eu quero ou não ao meu lado, convivendo comigo.

Tudo é ESFORÇO, desde que se seja admitido, antes, que não tem forças e não acredita naquilo, mas, há uma ponta de incômodo que pede que se faça algo para melhorar... Então: ESFORÇO.

Não quero mérito pelo meu ESFORÇO. Quero é ter momentos de paz por mais tempo. Nos últimos quatro anos, luto como quem está em guerra para não me tornar uma pessoa comum, como essas que a gente idolatra, sem perceber que são "zero" de coerência e pessoas vazias, sem objetivos maiores, além de ganhar dinheiro. Se bem que... Ai, como eu quero agradecer pelo dia que não precisar mais fazer contas para pagar as contas e, ainda assim, sobrar dinheiro para: colocar numa poupança, viajar, curtir...

Será que só existe coisa boa, depois de uma coisa ruim? Pelos consolos que venho escutando, o que fica é a "conformidade". Eu não quero ser conformada! Eu quero viver coisas melhores. Eu quero admitir que não estou gostando e me ESFORÇAR para encontrar, dentro de mim, sentido na situação e, diante disso, sim, despertar o desejo de ser melhor, mesmo, se o caminho for uma intempérie. É assim, vou tomar o assalto como exemplo de novo, por ser um fato forte e significativo, mais recente: durante a "abordagem", fiquei tensa, lógico. Já citei todas as emoções confusas e conturbadas que explodiram, implodindo, ao mesmo tempo. Pois, bem, mesmo me meio àquele "inferno" - que parecia não ter fim -, eu sabia que eu não tinha opção, a não ser, ficar quieta - externamente. Mas, e por dentro? Só quem poderia saber como estava por dentro, era eu, certo? Só eu sabia o quanto aquela descarga densa, pesada e condensada poderia me prejudicar, certo? Eu tive essa consciência, assim mesmo, naquele momento. A mim, cabia cuidar de mim. A mim cabia escolher como reagir, internamente. Mesmo me esforçando para pensar e acreditar que tudo aquilo iria terminar. Mesmo respirando fundo, para manter um minimo de calma interna - porque, externamente, estávamos todos "calmos", em nossa inércia... Prova do quanto definimos tudo errado. Pior, eu tento definir as emoções, mesmo sabendo que são indefiníveis, elas são para serem sentidas - havia uma descarga forte de negatividade - oriunda de um fato real e "negativo", vamos chamar assim. Pois, meu esforço sincero e honesto comigo era aceitar a realidade - por mais surreal que aparentasse - e acreditar que o desfecho poderia ser sem acidentes físicos. Sim, eu já considerava que aquilo, por si só, era algo ruim. Ao descer do ônibus, só queria deixar passar. e me esforço até hoje, para me lembrar que passou. Essa foi a diferença, eu estive ali. Eu estava ali o tempo inteiro. As reações precisavam ser "controladas". Eu tentava administrar a expectativa e a ansiedade. Era muita demanda para eu elaborar de vez e com tanta pressão e tensão. Meu esforço é em não negar a realidade, mas, mesmo discordando dela e como ela se apresenta, encontrar um caminho que me permita acreditar em ver algo "positivo". Meu maior esforço está em equilibrar as forças opostas, pelo meu próprio bem. Isso não quer dizer que alcance êxito assim, logo de cara. Isso quer dizer que me esforço em ter consciência, para, assim, buscar um meio de transformar. Essa sou eu, como me conheço. Se, externamente, não aparento, é porque ainda falta muito a ser transformado.

Agora, receber os "apoios" que recebi como "cuidado para não entrar numa nóia", de fato... Eu ainda preciso ter forças, além das forças, para entrar no esforço de compreender essas investidas... Mas, como tudo na vida é um ESFORÇO, né?! Compreender, não compreendo, não... Mas, estou me esforçando.

Agradeço a Deus por cada dia, mesmo com todos os obstáculos - eu não finjo que eles existem... meu esforço em lidar com mais naturalidade com eles - optar por como passar pelas intempéries da melhor e mais honesta maneira! Uma situação pesada, por si só já é ruim, se eu me entregar e aumentar o que já não é bom, pioro! Eu opto, a cada dia, me tornar alguém melhor. Mas, para isso, é preciso trer tempo a sós... coisa que não tenho. Minha realidade é, mesmo em meio às dificuldades, desejar e me empenhar em "crescer", custe o que custar. A vida segue. Mas, não quero seguir conformada. Quero seguir acreditando que eu posso fazer diferença, em minha vida! Faço alguns esforços pequenos que me ajudam, e muito: não assisto esses programas sensacionalistas - só existem porque têm audiência e, só têm audiência, porque há quem acredite que aquilo é a "pura verdade"...; não temo em desejar mais da vida, nem o seu melhor; agradeço por estar viva e poder mudar a maneira como sinto e interajo com a realidade. Eu só posso mudar a mim! Isso me ajuda a assumir minha responsabilidade pelo que acontece no âmbito social. O social é reflexo de vários individuais ou é o social que determina o individual? Então, se cada um de nós, se entregar ao melhor que há em si, aceitando o que há de pior e se esforçando para levar luz, através da consciência, de que todos nós temos um lado sombrio, podemos mudar o externo. E, se o externo for mudado, através de pequenas atitudes internas e individuais, naturalmente, o externo que volta para dentro será algo mais positivo e, sendo assim, criamos um círculo virtuoso. A gente não é forte, de verdade, pelo que aparenta... é muito fácil aparentar... A gente é forte por aquilo que temos firmes dentro de nós; pelos bons valores que colocamos em prática; por atitudes coerentes... Nada de dizer que é bom, amigo e compreensivo se já ergue a mão para levantar quem está caído com palavras e pensamentos de condenação e julgamento. A gente pode ser melhor e agaradecer por dar o que há de melhor dentro de cada um de nós. Ser forte é reconhecer-se pequeno e frágil, mas, disposto a se esforçar para ser melhor. Para tudo, respeito ao tempo. Ao seu tempo. Cada um tem um tempo, um ritmo... Como diz Einstein, "o tempo é relativo". Vamos romper com essa visão única e cartesiana de que tempo é algo mensurável, apenas por anos, dias, mês, semana, horas, minutos, segundos e suas frações... Tempo é algo que a gente não sabe explicar, muito menos, controlar. Podemos, sim, administrar nossa realidade nesse espaço de tempo.

Beijos, revoltados, porém, num esforço tremendo para ser melhor e fazer minha parte em

DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO,

Pat Lins.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

DE REPENTE, ONTEM CHEGOU E VIROU: ONTEM

Pois é, coisas boas acontecem o tempo todo, mesmo quando vêm juntinhas com intempéries. Paciência... se é assim, que seja, até que deixe de ser.

De repente, o ontem virou ontem e o passado, assumiu seu lugar.

Daqui para frente, o presente é que conta. Tempo é tempo. Devagar e sempre. Um passo de cada vez. Pequenas vitórias têm o sabor certo de superação.

Senhor, pode abrir os caminhos! Obrigada!

Hora de despertar!!!

Pat Lins.

sábado, 3 de julho de 2010

A VIDA CONTINUA...

Vi essa mensagem lindíssima, no orkut de minha prima Leti - minha alma gêmea - e colquei aqui, porque diz muito do que minh´alma grita. Não sei de quem é... joguei no "pai dos burros" da web - Google - e só encontrava o texto, sem crédito... então, segue o que queria dizer, sem ter saído de minha "boca"/dedos/mente:


"Chorar não resolve..



falar pouco é uma virtude..


aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo


e o que não mata com certeza fortalece.


Às vezes mudar é preciso


e nem tudo vai ser como você quer..


a vida continua.


Pra qualquer escolha se segue alguma conseqüência


vontades efêmeras não valem à pena...


quem faz uma vez não faz duas necessariamente


mas quem faz dez, com certeza faz onze!!


Essa história de que é melhor acordar arrependido


do que dormir com vontade é mentira!


Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível...quase.


Nem todo mundo é tão legal assim, e de perto ninguém é normal.


Quem te merece não te faz chorar..


quem gosta cuida..


o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente!!


Não é preciso perder para aprender a dar valor


e os amigos ainda se contam nos dedos.


Aos poucos você percebe o que vale a pena


o que se deve guardar pro resto da vida..


e o que nunca deveria ter entrado nela.


Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado.


O tempo, ah o tempo, esse sim sempre vai ser o melhor remédio,


mesmo quando seus resultados não são imediatos


ele é quem faz com que tudo se encaixe do jeito que deve ser".
                                                                       (desconhecido)

...e a vida continua...

Pat Lins.



sexta-feira, 8 de agosto de 2008

SEJAMOS CRIANÇAS, ADULTOS CONTENTES!!!

Alguém já se deu conta de que a infância é nossa fase de referência? É nela que descobrimos o mundo, aprendemos a andar, a falar, a sentir...

E alguém já se deu conta de que vivemos fugindo dela? Como se quanto mais distante daquela fase, mais "maduros",mais "adultos" seremos... muitos, querem é fugir da má fase que viveram, por terem sido mal tratados; por não terem tido a liberdade de ser criança; por ter tido que ser adulto antes do tempo; por ter sido obrigado pelos pais a ser adulto "intelectualizado" desde a infância, para obter destaque entre as outras crianças e "garantir" um futuro...

Freud tem/tinha (ele é tão contemporâneo, que nunca sei como conjugar o verbo no tempo certo...) toda razão quando diz que muitos de nossos problemas vêm de nossa infância. Claro, que a responsabilidade de nossas vidas é nossa, então, não adianta viver a vida toda brigando com aquele passado triste.

Eu tive uma infância maravilhosa,mas, as pessoas me "super valorizavam" muito. Não por maldade, mas por admiração, pela criança brilhante que eu era: bonita; inteligente (vulgo: CDF - risos); bem articulada; sabia dançar; sabia declamar poemas; resolver problemas de matemática (mas, isso só na infância, reneguei os cálculos durante o final do ginásio e segundo grau e apenas estudava para passar...risos); sabia subir num palco e apresentar um evento; sabia escrever belos textos;era amiga dos professores; era amiga dos alunos de quase todas as séries; era popular; era simples...; enfim, eu era uma criança sempre alegre, sorridente, feliz e inteligente. Falo sem receio de parecer "imodesta", mas é porque eu era assim mesmo. Eu achava aquilo normal. Não me sentia destaque, apenas era. Sabe, para mim, era assim e pronto. Não era um personagem, era eu. Eu era assim.

Valorizava uma amizade mais do que tudo, tanto que no "Jardim II" (nem sei como é hoje. Acho q hoje a exigência é tão grande para com as crianças, que elas, daqui a algum tempo, terão que fazer vestibular para entrar no maternalzinho...) fui adiantada para a Alfabetização,por já saber ler e escrever... não me senti à vontade, me senti pressionada. Me lembro, como hoje, que não me adaptei. Já conhecia a professora e alguns colegas, do dia-a-dia,mas, nem isso me satisfez. Lembro que meus pais tiveram o cuidado de me consultar se eu queria ir mesmo e que me apoiariam se quisesse voltar. Já tinha o apoio deles desde sempre! Isso sempre me fora fantástico! Mas, achava que era assim com todos os meus coleguinhas. Senti falta de minha turma. Senti falta de ser Jardim II. Não queria ser adiantada, queria ser normal. Claro que não racionalizei dessa maneira, só pedi para voltar para minha turma. Queria, na verdade, era viver um ritmo certo, sem pressa.

Adorava teatro. Toda apresentação de escola, fazia uma peça. Tinha um grupinho de teatro no prédio em que morava. Eu,meus irmãos e vizinhos éramos atores, diretores, produtores e divulgadores. Era muito legal.

Tomava banho de chuva; andava de bicicleta;ia para festas; namorei quando achei que devia; tinha hora para "descer" (como nos referíamos ao ato de sair de casa e encontrar os amigos na rua) e "subir" (voltar para casa...risos). Era uma "liberdade vigiada", como falava minha mãe. Podíamos fazer muito, mas, dentro de um limite. Era importante saber que éramos crianças, nossos pais era responsáveis por cada um de nós. Era tudo muito legal. Claro que deixei de viver coisas que queria ter vivido, com aquela frase (que toda criança o-de-i-a): "você ainda é criança para entender. Quando for adulto, vai me dar razão..." - risos. Tinham coisas que realmente era por insegurança, outras, por zelo, outras por senso de responsabilidade mesmo, enfim, vivi muita coisa boa. Veraneava à beira mar; férias de junho, viagem para o interior... já fui Rainha do Milho por duas vezes consecutivas; era uma criança normal. Meus pais não nos sufocavam com obrigações, nem nos deixavam soltos... havia um equilíbrio muito natural. Era tudo muito bom!

Achava que tudo era normal e lindo para todos. Até que uma colega, em plena 4ª série primária, veio me perguntar porque eu era tão feliz? Os pais delas estavam se separando, porque a mãe descobriu que o pai tinha outra... veio com tanta raiva para cima de mim, que vi que, dentre os meus colegas,poucos tinham pais casados... mas,isso não era estranho para mim, achava que eles eram felizes assim, né?! Meus pais não se separaram,porque vivem bem. Quem convive com eles vê que se amam. Não é coisa rara,mas, também não é coisa tão comum... só, não entendo até hoje,porque isso incomodou minha colega? Eu não me gabava por meus pais estarem juntos. Eu era/sou feliz por serem pessoas de verdade; que vivem uma relação que não é perfeita,mas que é linda! Não existe perfeição. Meus pais se amam e vivem bem e pronto. Por que isso teve que doer em alguém há pouco mais de 20 anos atrás? As pessoas se doem com a alegria dos outros porque têm tempo para isso. Em vez de construir sua própria alegria, perde tempo invejando aquilo que queria estar vivendo...

Algo meio ligado a SUPER EXPECTATIVA, SUPER HERÓIS, SUPER FRUSTRAÇÕES... Não acho ofensa meus pais viverem bem. Acho ofensa, ver tanta gente que não vive, fingindo viver para dar satisfação a uma sociedade tão hipócrita. Alguém já parou para se questionar quem vem a ser a tão mencionada: SOCIEDADE????? Acho que se um casal descobre, após constatar de verdade, que não dá certo (não é se desesperar na primeira dificuldade e partir para o divórcio. É ver que realmente há uma incompatibilidade que vem entristecendo em vez de alegrar; que vem destruindo cada um, em vez de edificar...) é melhor pedir a tal "separação" oficial,porque, separação de fato, já existe! Para quê viver sofrendo? Claro que existem casos e casos; cada um sabe o que é melhor para si!

Então, não vim ao mundo para ofender, nem ser ofendido. Respondi a minha colega, de maneira singela (naquela época, era sincera sem dar "patadas" - risos), que isso era entre meus pais, eu não tinha nada a ver com a relação deles. Que meu pai era sempre tão presente em casa,só saia com minha mãe...resumo, que ele não dava margem para desconfiança. Quando falei que a gente não tinha nem do que desconfiar, foi que ela alterou: "é assim mesmo! Depois,quando descobre...". Rapaz, me lembro como hoje, daquele dia. Encurralada num vértice da sala,onde não havia para onde correr. Na hora do intervalo, sem ninguém por perto. Foi coisa de gente doida e doída mesmo. Falei, meio que com raiva: "não tenho o que desconfiar de meu pai. Se algum dia isso acontecer, e que Deus me livre, minha mãe vê o que faz!". Empurrei ela e saí. Mas, fiquei com aquilo martelando em minha cabeça e comecei a observar meu pai. Em silêncio...Veja, como as situações podem ser criadas? Já viu? Ela quis (e por um instante conseguiu) enfiar "minhoca em minha cabeça". A convivência com meus pais sempre foi tão aberta, e tão verdadeira, que decidi não falar,para não criar algo que não existia. Não tinha o que observar em meu pai. Ele estava sempre conosco. Sempre saía com minha mãe. Sorriam sempre. Discutiam muito pouco, e poucas vezes discutiam. Era mais coisa de estar se arrumando para sair, minha mãe estar pronta e meu pai, sempre atrasado... Eles sempre souberam conversar. Achava o máximo isso. A gente (e e meus irmãos) aprendeu, desde cedo, a sempre falar a verdade. A gente apanhava, ficava de castigo, mas,não mentia. Somos assim até hoje. Isso nos fez crescer assim, pessoas honestas e francas. Temos muitos e muitos defeitos,lógico. Mas, qualidades enormes! Somos todos do time do bem! Falo com orgulho, porque, para mim, isso é natural e norma. Para mim, todo mundo é assim, basta se permitir.

Mas, esse jeito "super valorizado" que cresci, de certa forma, me tirou um pouco o foco da realidade. Não percebia que despertava muita inveja e ciúme. Comecei a perceber, aos poucos. E comecei a me sentir uma pessoa que não era desse mundo. Todo mundo fingia, todo mundo queria ser algo que não era e vivia à sombra do que nunca foram... Muitos, passavam a acreditar que eram o que queriam ter sido e viviam daquele jeito: personagem de si próprios...

Criei um personagem também: uma pessoa sem grandes problemas (havia limitação financeira. Meus pais nunca foram ricos,nem tiveram vida fácil. Mas, tivemos tudo o que eles puderam nos dar. Não cresci com roupas de marca, mas, cresci vestida. Sempre tinha uma peça da moda...eles fizeram e fazem muito pela gente. Crescemos em meio a uma troca. Meus pais davam o que podiam e éramos felizes! Tive muito: escola particular, faculdade, especialização, curso de inglês - que não concluí porque achava que aprendia rápido e poderia aprender sozinha...); sempre de bem com a vida; sincera; de confiança; disposta; dinâmica; "pau para toda obra"; amiga... gente, esse meu personagem sou EU!!! risos. Mas, também desenvolvi um orgulho velado (de viver num ambiente favorável a mim, passei a acreditar que sempre seria assim: bem tratada, bem recebida, bem vista) e isso me impedia de me permitir errar... desenvolvi uma auto-cobrança de sempre estar certa. Sabe meu personagem? Era eu mesma,mas bem exagerado... eu não sou perfeita, mas, queria achar que era!

Quando me sentia triste, não expressava logo. Quando me deparava com algo que não sabia resolver, me cobrava uma solução. Precisava acertar! Precisava fazer com que ninguém se decepcionasse comigo.

Não tinha riqueza como meta de vida. Queria sucesso profissional e estabilidade financeira, fruto do meu esforço. Minha ambição era ter o suficiente sempre para poder viver com conforto; ter um plano de saúde descente e que me ajudasse na velhice; ter um carro, um apartamento; condições de manter os dois; ter condições de socorrer um amigo ou parente,num momento de necessidade; ter tempo para viver a vida com meus amigos e família;ter condições de um dia ter um filho e propiciá-lo esse mesmo conforto... Para mim,uma tarde no Shopping,comendo pizza de R$ 10,00 com minha mãe (quando a grana tá curta) não tem preço. Poder ter os domingos em família, "queimando uma carne", também não tem preço. Só quem tem a oportunidade de viver coisas tão simples e ricas, sabem o valor que essas reuniões têm. Um telefonema para um amigo; uma mensagem de e-mail, só para dizer: OI!, também é maravilhoso! Por que tanta gente deixa isso morrer? O TEMPO? A VIDA? Por que tanta gente não sabe nem o que é isso?

Pois é, a vida não tem preço.

Nossos personagens é que "precificam" tudo e todos os momentos.

Quando tive a DPP, vi que esses momentos foram minha base. Vi que meu personagem pedia socorro. Não tive traumas de infância. Fui criança, quando deveria ser; adolescente, quando deveria ser; adulta, na hora certa. Quem disse que o adulto é que tem as respostas certas? A criança que tem! Foi na minha infância que descobri que tinha força. Foi reaprendendo a andar que cresci! Foi/é tratando meu personagem perfeito e exigente que me (re)descobri. É sabendo que a criança que fomos, ainda somos, ainda É! A infância que vivemos,boa ou não, é que nos impulsiona ou aprisiona. É lá que encontramos todas as respostas. É sendo franco e aberto ao mundo, sem medo, sem rodeios, como uma criança que seremos adultos seguros, vivos e viventes!

Todo castelo de areia deveria ser real. Real, não só na realeza,mas na beleza de poder existir para todos!!!

Toda criança, merece ser um adulto decente; todo adulto, merece ter tido uma infância decente; todo ser humano,merece uma vida decente!!!

Pode deixar a criança desenhar um traço torto, amanhã,ela pode acertar!!!

Por que é tão difícil viver o presente? Por que cobrar tanto as crianças por um futuro que elas viverão de qualquer maneira? Por que sufocar essas crianças,para ter um "bom" futuro financeiro e fadá-las a viver como adultos que queriam voltar a ser criança,para começar tudo de novo? Por que a gente esquece que ser Pessoa, vem antes de tudo, até de ser Profissional? Por que tanta frustração? Tanta maldade desmedida? Tanta revolta? Tanto fingimento? Por que tanta dor?

Na roda viva da vida, viver um hoje feliz,pode ser um belo dia de saudade amanhã, ou um amanhã com mais força!!!

Salvem (literalmente) as crianças! Sejamos adultos, crianças contentes! Sejamos, enfim, GENTE!!!

Patricia Lins

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