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domingo, 16 de fevereiro de 2014

DEIXANDO O PASSADO NO PASSADO, E EVITAR O REPETIR TODO DIA...


É muito bonito a gente dizer: "tem que deixar o passado no passado!". E é importantíssimo fazer isso, desde que de maneira saudável e na prática!

Deixar o passado no passado é curar as feridas. É se esforçar, todo dia, para entender que o hoje não precisa dessa repetição.

É entender que o que foi feito, foi feito. Fingir que não foi nunca é deixar o passado no passado, é disfarçá-lo no presente.

O ENTENDIMENTO requer CONSCIÊNCIA e esta requer ruptura com padrão de pensamento pesado e restritivo.

Uma das coisas do entendimento é o fator "escolha". E escolher requer CONSCIÊNCIA... Ou seja, precisamos "estar na" e "ser a" ação. É fazer o novo. É fazer diferente. Continuar fazendo igual é se manter na repetição do passado, no presente, todo dia!

Algumas vezes, nesse processo de escolhas, no que diz respeito às nossas relações, deixar o passado no passado exige entender e aceitar as pessoas como são e entender que o que fizeram - quando o outro faz algo... acontece de nós sermos o outro, também e de nós termos feito algo... mas, isso esbarra num complexo entendimento de cada um assumir suas ações - já foi feito e pronto, está lá atrás. No dia a dia é que podemos mudar e agir de maneira melhor e saudável. Porém, se a outra pessoa não adentra ao processo de mudança e libertação do tempo que se foi, é importante que eu deixe para trás e bem resolvido esse passado, mas não posso continuar a conviver com esse "outro", já que continua a agir e fazer as mesmas coisas, do mesmo jeito. Se escolho um ambiente saudável, preciso eu fazer meu ambiente saudável. 

Existem situações que para deixar o passado no passado, é preciso que as duas partes o façam. Por isso que uso minha DS - distância saudável, porque eu posso e devo me esforçar e sim, é um esforço, um exercício... somos muito ego e vaidade, ainda, e podemos pensar que deixamos o passado lá atrás e disfarçamos nos afastando e fingindo que ele não existe, apenas por não tocar nele. Isso nem é deixar o passado no passado, nem o afastamento sem consciência é DS... Não houve CONSCIÊNCIA, apenas fuga.

Mas, em casos de optarmos pela DS, é, inclusive, pela dificuldade de ter que estar sempre se desgastando e usando energia diária para tentar fazer com que a outra parte entenda. Se há disposição da outra parte, vale a pena lutar junto, porque há VONTADE de mudar. Se não há, se existe a cegueira das próprias ações, eu penso que seja melhor, a depender da rotina pessoal, fazer reservas de força e energia para o dia a dia e manter uma bela distância saudável para todas as partes. Já vivemos sob tanta pressão... que precisamos limpar o ambiente e deixá-lo arejado, para podermos respirar.

É preciso deixar o que se foi; olhar o que foi feito e como foi feito; ponderar se poderia ter sido feito diferente e se abrir: "eu posso fazer diferente! Eu posso fazer um diferente MELHOR! Eu posso ser melhor! Eu quero ser melhor!". E, simplesmente, calar a voz da perseguição que fica latejando e repetindo pensamentos repetitivos e restritivos, cerceando a liberdade!

Para me libertar, liberto-me! 

Para sarar, só cuidando da ferida aberta. Ninguém cura a ferida machucando todo dia, cura?

Pat Lins

sábado, 23 de fevereiro de 2013

MISSÕES ÍNTIMAS E PESSOAIS


Todos nós, seja da religião ou ausência dela que for, sabe, bem lá no fundinho de nós mesmos... através de uma voz que grita muda em nosso âmago... que todo mundo está aqui por algum bom motivo.

Se nós bem soubéssemos disso, em nível de consciência, aceitando e buscando ser quem somos, haveria menos orgulho e menos vaidade... Apenas entenderíamos que "É" quem somos e o que sabemos e devemos fazer. Pronto. Nos falta essa clareza da aceitação e do discernimento... Só assim entenderíamos o senso de dever, sem ser pela obrigação de fazer, mas pelo sentido de se ser quem se é e isso, por si só, basta.

Pat Lins.

sábado, 1 de setembro de 2012

O TEMPO PASSOU... TUDO MUDOU!

Têm coisas que a gente não precisa pensar em mudar, porque o tempo já passou e já mudou. A gente precisa ver, entender, aceitar e saber lidar.

O caminho que seguimos, o rumo que tomamos, segue nos levando. O tempo vai passando. A mudança segue junto.

Não tem como recuperar o tempo que passou. Não tem como seguir de onde parou, porque não houve parada, houve caminhos que seguiram em direções diferentes. Não foi desencontro, foi cada um seguindo o seu ponto. Não houve erro, houve seguir. Há consequências e com isso, precisamos lidar de maneira equilibrada, franca e honesta.

O que andamos e o tempo que passou não devem nos fazer sofrer. O não sofrer não quer dizer não ver o que se viveu. Foi vivido. É preciso saber identificar o que foi "erro", para redimir. Ainda que cicatrizado, fica a marquinha do real, do que houve. O que muda é daqui para frente. Não como queremos, voltando no tempo para dar um novo rumo. Sim, como podemos e sim, como o outro pode. Seguimos e vamos indo. 

O importante é criar novas oportunidades e ver onde estamos para entender como chegamos até aqui e avaliarmos se é assim que queremos seguir. Nem sempre o caminho de um é o de dois. Mas, em alguns casos, os caminhos de dois pode ser um. Se cada um tomou seu rumo, fizeram as escolhas, o tempo legitimou e firmou. Foi o que foi construído - ou, destruído. Se há ruínas, é possível mudar o caminho, mas aquele mesmo, só com muita amor para reconstruir. Se não fizer sentido, não faz sentido refazer, é seguir e construir algo absolutamente novo, sem desmerecer a importância do que passou. Nossa felicidade está onde estivermos. Ela nos segue, ela nos quer! Ver que ela - a felicidade - está conosco é que faz a diferença real.

Não adianta se tornar racional demais ou emocional demais - nem o frio, nem o quente, o morno, o caminho do meio é o equilíbrio. 

O não julgar é não julgar. O respeitar é respeitar. O aceitar é aceitar. E viver é isso, saber o que fazemos, saber o que queremos e ponderar o que de fato queremos e fazer acontecer - sempre respeitando o que queremos, caso envolva o querer de outra pessoa. O que eu quero pode ter como barreira o querer do outro. Querer que o outro queira e seja o que queremos é ilusão e ilusão não é real. O não real é perigoso. Há perigo nas esquinas das nossas visões. Aquilo que não gostamos de ver precisa ser visto, precisa ser entendido e precisa ser aceito para ser mudado ou assimilado.

Não adianta falar em ser e fazer se não se é, nem se faz. Não adianta se magoar com a reação do outro se a ação foi nossa. Se eu falo e escuto de volta, eu pedi para ouvir. Fico "pirada" com pessoas que falam e esperam que você cale e dizem: "é o meu jeito de pensar..." e o meu, de pensar em cima do que você pensa e dialogar, não conta? Diálogo é isso: dois falarem, dois ouvirem, dois entenderem uma coisa só.

Numa relação, se dois falam de vez, ninguém se escuta e um grita para se fazer entender, tem algo não saudável aí. São dois falando duas coisas, ouvindo muitas coisas e entendendo nada de um para o outro. 

Eu convivo com algumas pessoas que são assim: falam que é importante escutar, mas, não escutam nada. Elas vivem um mundo particular e particularmente perigoso, por se tratar de distúrbio grave e nunca tratado, por nunca ter sido aceito. Esse mundo tem uma linguagem própria e quando você vai falar, vem de pronto uma resposta "nada a ver", como se a pessoa já estivesse numa cena dentro de seu mundo e, de repente, passa aqui no mundo real e emite o pensamento, como se fosse continuação da conversa... Um exemplo: estávamos falando dos buracos nas ruas da cidade e como o carro fica comprometido com esses impactos. O carro dessa pessoa está com a chapa de proteção de um treco embaixo que está chacoalhando, porque de tanto buraco na cidade, a peça vai folgando. Eu falo: "com tanta buraqueira, não tem como a chapa ficar quieta, coitada. Por isso que ela toda hora folga...". A pessoa reage aos gritos: "É por causa do buraco! É por isso que folga!". Eu, pensando estar eu surtando, falo: "e o que foi que eu disse?". A pessoa: "disse que..." e não disse mais nada. Na verdade, ele não estava escutando o que eu falava. Estava em seu "fantástico mundo particular" e, dando uma volta por aqui, voltou ao mundo real e falou qualquer coisa em sua defesa, como se houvesse um ataque. Isso não é fácil, mas, é o caminho de cada um, é o mundo de cada um... E cada um escolhe se quer interagir com aquele mundo ou não. Nisso se baseia a minha DS - distância saudável - onde, como não sabemos lidar, afinal, nós também somos falhos, com o mundo alheio, melhor não interagir. Melhor DS. É saudável para ambos os lados. A pessoa não vai entender... nem tente explicar mais... Agora, a DS não é vingança e nem para arrogância. Tem gente que é intolerante e não respeita o jeito dos outros, quer impor a vontade e quando não consegue, não tenta se fazer claro, e se afasta. DS não é se afastar, simplesmente, fingindo não ver a situação. DS requer humildade para reconhecer a própria limitação no não saber lidar com as diferenças e, para o bem das partes, manter essa distância. Isso é DS. Tem gente que diz: "usei a DS...". Discutir faz parte de qualquer relação pessoal. Não é isso. Não é fugir da discussão, não é evitar o diálogo. É ver de verdade que já se tentou - de verdade e com humildade - administrar a situação e não se saba mais como. Tem gente que coloca uma cosia na cabeça e coloca o outro como quem não entende - e é possível que não tenha entendido mesmo - e não vê que eu mesma não estou me fazendo ser entendida, "eu quero impor e que você aceite o que eu vejo de você e pronto". Isso é arrogância, orgulho... A DS não é orgulhosa, nem arrogante, nem presunçosa. Ela entra onde a gente entende que a gente não tem condições de estar ali e assume que não sabe como lidar, porque entende que a gente tem limitação, também. DS não é sabedoria... é por não se ter essa elevação pessoal e esse grau de elevação que a sabedoria exige, que uso a DS. A DS é um paleativo emergencial entre falhas, não é solução. Porque todos nós somos falho!

Assim, o tempo passa e mudanças passam, mudanças chegam, mudanças podem surgir... A gente faz o nosso caminho, colhe o que planta, mesmo assim, tem sempre um algo novo a plantar e outro a colher. Será a mesma colheita? Não. Isso é ruim? Não. Se um casamento termina, por incompatibilidade de gênios, a injustiça está em não reconhecer as qualidades do outro, mas, o que pesa mais: as qualidades ou os defeitos? Isso é a incompatibilidade de gênios - ambos com algo pessoal a ajustar. Ambos com caminhos a desvendar. Ambos com necessidade de se cuidar. Se isso não fortalece o elo, o vínculo enfraquece, sinal de que esse movimento deve ser separado. Se há um sentido juntos, continua. A incompatibilidade não é condição de separação mas de se saber lidar. Se sabe lidar, lide e daí mesmo, da vontade, surge a motivação e dentro de si o estímulo, porque aquilo não é uma obstrução, mas, um obstáculo a ser superado juntos e com o amor que une o casal - ou qualquer relação. Se não há sentido, força ou conhecimento para lidar com a situação, DS. Ou, separação, mesmo. O não saber lidar com as diferenças é sinal de que cada um precisa se tratar. Isso não quer dizer que tenha que empurrar com a barriga.

O tempo, assim, passa! O tempo, assim, passou e mudou muita coisa. O que fica a gente avalia: quer continuar ou quer parar? Ninguém precisa ser infeliz junto. Se a felicidade foi detectada com consciência e clareza é cada um seguir seu caminho, que não há mais um caminho a dois. que siga o caminho. 

Separação é solução quando é solução. Se a solução é separar para cada um ser feliz, que seja. Para mim, tenta-se tudo, porque vivemos tantas fases e tanta cosia interfere e confunde que é necessário limpar o ambiente para se saber. Uma dor que julgamos ter sido causada pelo outro, pode ser, perfeitamente, uma dor nossa de uma expectativa nossa e que jogamos no outro. Um dia se descobre que o problema estava ali e, por muito tempo, a raiva imperou, e raiva é sempre injusta. Por mais que tentemos justificar as nossas raivas, ela, por si só, é um sentimento inferior, está atrelada às nossas características mais fechadas e mais orgulhosas e vaidosas... portanto, nunca estará pautada na justiça. Justo é compreender, ainda que o outro tenha feito a maior merda, que estamos com raiva e entender essa raiva, deixá-la passar e saber como agir. A paz sim, a harmonia, o equilíbrio isso é justo. Não condena, apenas avalia, compreende e entende, decidindo como agir com ponderação - e ponderar é equilíbrio entre emocional e racional.

Assim, enquanto descubro isso, o tempo passa. Troco com pessoas que tomam as minhas dores e eu me sinto na obrigação de não reconsiderar porque os outros de fora vão me julgar... e vejam o quanto erramos por medo, receio e por puro ego ferido. O que de nobre temos para nos dar leveza? Sejamos, antes, para fazer! Sendo já se faz. Já se é.

Assim, outro tempo passa. E me pergunto: o que é tempo? E o que é Tempo? E me vem a resposta: Vida! E vida, passa. A gente nasce para passar, mesmo. Passar dessa para "melhor", né assim? E como passar dessa para melhor se nem aceitamos que Vida passa com o Tempo e que isso é um processo da Natureza? O que fica? O que fizemos de melhor, quem fomos e o que deixamos no ar? Como passar se tememos e não aceitamos essa passagem como algo natural? - e não me refiro aqui a passagem como reencarnação, ir para caixinha de Deus, ou, se tornar uma estrela no céu... não estou condicionando a qualquer crença religiosa, mas, considerando que toda religião sabe que a Morte de uma Vida é  a única certeza que se tem e o que vem depois dela... Ainda assim, todas concordam com um tempo infinito vinculado ao Divino Ser Criador, que cada um dá seu nome, eu chamo de Deus e Ele nunca se mostrou chateado comigo por chamá-lo assim... ou, por não entender o que Ele me diz... mas, vamos para a frente.

Se a gente não aceita o natural, como normal e quer que o normal seja o anormal e antinatural, vamos viver uma Vida mais difícil e ver a felicidade omo utopia, assim como a linha do horizonte onde cada passo que damos em sua direção, ele se distancia na mesma proporção. Assim, como a Natureza, o Tempo faz parte desse corpo Divino e Deus, para mim é Vida+Natureza+Tempo, Ele se manifesta em nossas vidas assim, passando, porque o Tempo, ainda que eterno é dinâmico sem fim, mas, para esse nosso tempo Ele é algo temeroso, finito e passageiro... A gente criou o tempo cronológico e teme a nossa própria criação, é mole? E corre, para fazer dessa cronologia algo próximo ao Tempo real... isso é loucura e se afasta de Deus e, com isso, se afasta da Vida e da Natureza. destruímos o caminho para nossa essência e, assim, do caminho para a nossa Felicidade. E Felicidade passa o tempo inteiro ao nosso lado, cutucando e pedindo atenção... só que a gente só olha o relógio no pulso ou no celular. Só acha que está atrasado quando alguém liga e diz: "cadê você?". E eu me pergunto: "cadê você, Patricia?". E eu me pergunto: "onde estou eu?". E eu me pergunto: "quem sou eu?". Com o Tempo vou saber responder, porque vou me encontrar. É nesse caminho que sigo, indo e voltando, mudando de lugar e de caminhar. Tem outro caminho? Deve ter... mas, é assim que eu faço o meu. Vida sempre coloca algo para aprendermos ainda que tomemos o rumo errado e, nesse aprendizado, a gente aprende a ter discernimento, entendimento e consciência. Assim, Tempo vem naturalmente ajudar e conseguimos entender que o caminho não é aquele e mostra aonde devemos ir. Quantos de nós abre mão das rusgas, do orgulho, da postura superior e arrogante para seguir o caminho da humildade - que não é a subserviência -, o da compreensão - que não é se fazer de capacho - e o do entendimento - que é a clareza e não o achismo vigorante, para se prontificar a seguir o caminho "certo"? 

Quantos de nós é relutante em aceitar que também é responsável por caminhar por onde não era para ir e diz que foi levado, jogando no outro a culpa pela própria fraqueza, do tipo: "é porque você não sabe como é difícil conviver com fulano... mas, é minha cruz, né? Meu carma..."? Tudo a gente negativa. Não penso que ninguém tenha que viver a maldição de se colocar aprisionado a alguém que não te faz bem... Isso existe? Existe! Mas, e aí, vamos viver assim? É algo em mim, que não sabe lidar com o outro? É algo no outro que não "bate" comigo? De qualquer maneira, tem algo em mim que precisa ser tratado, nem que seja a capacidade de compreender e respeitar que o outro é quem ele é... Ah, compreender não quer dizer se submeter! A compreensão não é "má" e um castigo... Ela é um sentimento nobre e uma capacidade elevada de saber que não há motivo para raivas, mas, para esclarecimentos, inclusive o esclarecimento pessoal de que não sabemos respeitar nem a nós, nem ao outro... ou, de entender que mesmo compreendendo, não dá!

E assim, o tempo continua passando... e a gente, o que vai fazendo? Construindo, edificando, identificando os sinais de Vida de que, mesmo no caminho errado, ela nos ensina algo e nos mostra o caminho de volta - isso é generosidade e a Vida é bastante generosa, mas, Tempo, passa...? Ou, destruindo, ruminando, regurgitando...? 

Sejamos árvores com raízes fortes e capazes de se multiplicar em cada pólen que voa livre vida a fora, cheio de vida dentro.E tudo isso com muita paz, não "ligando o fo**-se" que vamos resolver. Sem revolta. A revolta é sinal de raiva, ainda... de algo não dissolvido. Dissolver em si não vai mudar o outro, mas, faz com que a gente se preserve de deixa de se martirizar por algo que não nos cabe modificar...

Pat Lins.

domingo, 11 de dezembro de 2011

MUITA GENTE NÃO ENTENDE, MAS, EU É QUE TENHO QUE ENTENDER!

Muita gente não entende nossas escolhas. E muita gente boa, viu? Na verdade, quando falo nossas escolhas, falo diretamente das minhas, mas, me vejo como parte de um time - o time dos seres humanos em evolução... (risos) - e falo pelos que pensam como eu, mas, sou eu pensando por mim e a partir de mim.

Bom, escrevendo para meu outro blog MÃES NA PRÁTICA, me veio uma linha de raciocínio paralela e que não cabia lá, sim, aqui. 

Tem gente que não entende nossas escolhas e sempre vão achar que não deveríamos ir por determinado caminho porque pode ser por carência e podemos nos ferrar. Porque o melhor caminho é aquele onde devemos ficar parados, esperando que caia do céu uma gota de algo que nos carregará imediatamente para onde devemos ir, sem esforço pessoal algum. Para outros, o melhor caminho é aquele que só serve se for cheio de espinho e dureza porque a moleza enfraquece o homem. Para outros existe o caminho do meio, mas, este requer muito mais força do que pensamos, e, muitos preferem para onde deu para chegar e criam um lugar para criar ou até ter forças para prosseguir ou por falta de forças, se manter ali. O fato é que vivemos em busca, mesmo sem nos darmos conta.

Eu me abro para muitas coisas, mas, me fecho nessas aberturas, também. Daí, vejo que não estamos isentos, invulnerávies, nem cônscios constantemente. Tudo se trata de um esforço. Bom, isso eu não li num livro, nem aprendi na escola, nem foi porque alguém me disse, isso, é o que penso e vivo.

Voltando, Patricia! Lá ia eu entrar por outro assunto que não vou abordar agora, porque faz parte de minha "guarda erguida" para algumas pessoas e que preciso me fazer entender que elas não podem me atingir, porque essa não é a intensão e nem podem ter a capacidade para tanto: de minha vida, cuido eu. Mas, como pessoa, faz parte das minhas fraquezas. Voltando...

Sim, tem muita gente que não entende nossas escolhas. Se pautam nas próprias, se colocam - eu me vejo nos dois lados, nos que cobram e nos que são cobrados... quem disse que também não sou hipócrita...? - acima e discursam o discurso dos tolos que se acham sábios e cheios de moral. Todos nós somos assim. Nenhum escapa. Temos essas sombrinhas - ou kuravinhas, ou defeitos, falhinhas... - do lado sombrio de nós mesmos. Se optamos ter filhos, sabemos - ao menos, algumas mulheres se esforçam para saber, o que não as impede de viver os dilemas e as próprias situações de ajustes, desajustes e reajustes constantes - que nossa vida mudará. Muito diferente de quando optamos por um caminho profissional, se casamos ou vivemos solteiros... essa opção é a mais séria e mais linda, também, quando a fazemos e vivemos assim. Mas, trata-se de uma escolha e uma escolha que envolve uma entrega e dedicação que me fará chegar, agora, onde quero.  Cada mãe-mulher agirá dentro de sua complexidade - não leia isso como algo pejorativo ou negativo, mas como algo factual: todo ser humano é complexo porque vive interferências diversas e conlfitantes que o molda e remolda. Bom, temos várias escolhas e caminhos, mas, também não vou adentrar nesse outro campo. Ao menos, não agora. - e se não admitir que vive imersa numa complexidade continuará imersa nela, mesmo que sem saber. É como a radioatividade - não comparando com os efeitos danosos, apesar de considerá-los, também, mas, no aspecto do que não pe visto - que mesmo que não vejamos, está agindo. Aliás, muitas coisas agem sobre nós e nem sabemos, porque insistimos em ver apenas as ilusões de óticas que criamos...

Ops! Voltando: a partir de nossas escolhas, seguimos novos caminhos, rumos e metas. Eu estabeleci as minhas e só eu sei quais são, daí, não falo delas para ninguém, porque exitem coisas pessoais que devem permanecer nesse âmbito. Porém, existe um fator que me guia: minha busca pelo aprendizado na escola da vida de maneira prática. Ao contrário daqueles que na teoria sabem de tudo e na prática são ótimos teóricos, que mudam argumentos como quem nunca pronunciou o anterior, eu experimento o que penso que vale a pena e tomo novas decisões, tudo isso em paralelo ao ser mãe. Não tenha dúvida, a responsabilidade de ser mãe vem na frente, mas, logo em seguida da necessidade de se saber quem se é, senão, a mãe afunda no vazio. Tudo parte de quem sou. Meu filho não em dirá isso nem deve ter a penosa missão de me fazer ver. Porém, a relação com ele me lembra a todo instante minha escolha e tenho que administrar nossas vidas. Afinal, ele é uma criança e precisa de minha presença e dos meus "nãos", dos limites. Isso não me faz perfeita e nem me impede de errar. Não me culpo mais. Há dois anos atrás tenha certeza, tudo me culpava, hoje, meu discurso tem mais consciência e verdade prática. Ontem, pensava e temia meus pensamentos, porque ninguém entendia. Guardeio-os para mim e vou vivendo, dentro de meu espaço de complexidade, interseção, individualidade, coletividade...e, da maneira como consigo administrar, elaboro e sigo minha escala de prioridades. Meu filho não é o responsável pela minhas escolhas, eu as fiz. Que isso fique bem claro para mim! E para quem quiser. Se meu tempo não dá para fazer farra, não é por ele, é porque não faz mais parte da minha rotina escolhida e pronto. Muitas mulheres mesmo após ser mãe, mantém esse ritmo. Eu é que não vejo mais graça em boteco e shows cheios de gente. Coisa minha. Movimento meu. Antes de meu filho nascer já estava low profile. E daí? Tenho minhas fugas, algumass estou encarando nessa nova fase. Não dá para vivermos tudo de vez e ainda temos tanto mais para descobrir, além do que já sabemos - incluindo o que fazemos questão de nos esconder.

E daí? Se eu não quiser vadiar, nem tomar todas num bar, o que é que tem? E daí se não quero fazer deste espaço algo comercial? E daí se tenho talento para a primeira profissão que escolhi e hoje não quero mais? E daí se fiz novas escolhas, com outra cabeça, outra visão, outras experiências? E daí se não quero falar de certas coisa e só ouvir, porque acho muito pitoresco escutar a vida dos outros como os outros as descrevem? E daí se falo mal de algumas pessoas? E daí se falo pelos cotovelos por defesa - ou ataque, para me defender - quando estou diante de algumas pessoas que não quero dar espaço para tentar invadir meu espaço e falo e contradigo tudo que me dizem só para afugentar a pessoa? E daí se na maioria das coisas que acabei de escrever eu sei que estou errada, porque sei que estou e quero fazer diferente, pois meu lado luz assim me ensina e revela - todo mundo tem esse lado - e meu lado sombra quer a treva, o orgulho, a vaidade de manter a posição de quem "sabe de tudo"? E daí que se eu sei o quê devo fazer, a melhor opção é fazer. Dá um trabalho da zorra, mesmo assim, com todo esforço, ainda derrapo. E daí? Ora, levanto e sigo. A mudança no caminho da "luz", vamos assim colocar, é melhor do que ficar caída e afundando na sombra do passado e do pensamento: "ah, mas, fulano não vai saber que eu mudei isso em mim...". Primeiro, se mudou, não só fulano vai saber como eu em primeiro lugar e todos ao meu redor; segundo, fulano pode ter sua importência, mas, a maior importância é se redimir das próprias falhas. Como? Ao identificá-la, agir para mudar. Essa de falar e não fazer não cola.

Eu gosto muito de fazer cursos, mas, os encaro como uma maneira de troca de experiência. Uma pessoa que conheço vive falando em intuição, sem saber distinguir o que vem a ser intuição e desejo. Perdia um tempo danado atacando-a através de contra-argumentos e exemplos que conheço de que o que ela falava era contraditório. Esta semana, me vi fazendo isso de novo e me achei uma chata. Vi que eu estava agindo com ela como ela age comigo: cheia de razão do vazio. Puxa! Parei e pensei: "não precisa ser assim, mas, assim eu fiz..." Me veio aquela idéia de querer mostrar para ela que ela pode pensar e agir como quiser, porque o problema é dela. Puxa! Parei e pensei de novo: "sim, e daí?". Comecei a mudar em mim e explorei os pensamentos que me vinham. Esgoteio-os arduamente. Me esgotei, também e caí no sono. Custou e está custando, mas, as fichas estão caindo. Quando a ficha cai é muito legal! É massa! Sai da teoria e vai para a prática, sem peso ou rancor, sem qualquer reserva de força para manter a "guarda em alta". Não tem do que se defender, é entender que a pessoa é assim, que ela vai calar e fingir que escuta o que eu falo, não pode nobreza, mas, por natureza de fuga e de não gostar muito de esgotar idéias conflitantes. Esse tipo de mergulho nas idéias e caminho para esclarecimento só levo até o fim com quem confio e vejo que está na mesma vibe de elucidar, de esclarecer... não de impor. Com essa pessoa a relação é tensa, porque ela é tensa e teme a si; vive na teoria e quando uso do mesmo tipo de argumento que ela se faz, apenas para estabelecer uma ponte através da linguagem, vejo que ela não aceita e me alfineta com frases feitas e de impacto. Daí, vi que o buraco é muito mais embaixo: ela não sabe o que está fazendo. Pronto, naquele momento minha ficha caiu e 'baixei minha guarda". Não para ser atacada, mas, porque consegui ver de que não se tratava de uma luta, mas, de uma pessoa que não se dá o esforço da batalha interior. Se limita a superficialidade da aparência de quem busca e se isola para não interagir e anda, anda, anda para não ter o trabalho de parar para pensar. Sua agonia e ansiedade são tão dominantes em sua vida que afirma ser uma pessoa calma e equilibrada e que prega tanto o bem que nem percebe que não o faz... nem a si. Aí ela se torna um perigo. Acredita ser quem não é e não vê que invade o espaço alheio. Diante de uma negativa através de freio-limite ou como posso ilustrar, uma barreira delimitadora de espaço com placa "não passe daqui", se desespera e perde o rumo. Começa a acelerar e quer anadar e fala, fala, fala, sem deixar ninguém falar e empurra para onde nem sabe que quer ir, nem sabe onde chegar, mas, mexe e quer levar consigo a todos, argumentando ser o melhor caminho. Como não vou e digo que escolho ficar, sou taxada de difícil e inflexível. Daí, volta e meia me vem com a parábola do bambu, sendo que nem ela sabe na prática seguir o que fala. Foi assim que comecei a ver que ela é perdidinha da silva, e que não devo entrar na zona de aceleração, para isso, mantenho minha querida "distância saudável", mas, com uma diferença: já não fujo mais. Me afasto com consciência de que é impossível ter uma boa convivência com alguém que não sabe conviver nem consgigo e que se vê sozinha e sofre por isso, mesmo assim, prefere procurar fora e alimentar o externo em vez de parar um pouco. Tem gente que é assim: anda, anda, anda e não chega a lugar algum. Gosta da natureza e se fecha numa selva de pedra. 

Pois bem, aos poucos, vou vendo que também eu faço isso: fujo de mim, vendo apenas os outros. Vejo nessa pessoa, ao menos, o que não quero fazer: ser infeliz fingindo ser feliz. Agora, de todas as fichas que estão no processo para cair, uma caiu: eu tenho que entender o meu caminho. Já vivemos muita complexidade para enfiar mais outras. Olha, vou falar uma coisa, no caminho para a simplicidade, facilidade não há, mas, é possível, sim! Desde que comecemos a aparar as arestas. Se a idéia é diminuir nossos próprios pesos, para quê carregar mais? Ainda carrego um monte que não deveria, mas, isso se dá aos poucos e sempre, com esforço e consciência.

Por isso que não posso mais dar trela para o que pensam de mim ou das minhas escolhas. Quem tem que saber sou eu. Se não sou mais a amiga solteira e sem filho que estava sempre a disposição, posso ser a amiga casada, com problemas como todo mundo tem, com filho e com seu próprio caminho a refazer - já que escolhi seguir minha vida rompendo com a normose, mas, fazendo parte dela... portanto, o processo deve ser gradativo e aos poucos, mantendo um ritmo e este, só quem sabe se está cadenciado ou não, sou eu... - mas, ainda sou legal, de outra maneira, num caminho novo que pode cruzar por essas estradas da vida e que a magia da vida permite que sejam possíveis e normais os encontros. Como ia falando antes, outras mulheres são mães e todo mundo conhece várias mães que agem de diversas maneiras. Cada uma com a sua. Eu tenho a minha. Muitas vezes berro que preciso de tempo para mim e, depois de tanto berrar, silenciei e me escutei: faça seu tempo. Aos poucos, vou fazendo. Só que não dá tempo para tudo, então, reprogramo. Qual minha escala de prioridade? Meus esforços estão tendo retorno? Isso é que conta para mim: minha auto-avaliação. Quando me dizem que observam que não estou tendo tempo para mim, antes, precisam saber o que é tempo para mim, concorda? Já me vi ser julgada por uma pessoa muito querida porque acreditava que estava deixando meu potencial morrer... Detalhe, eu havia deixado bem claro que não queria mais desenvolver aquele potencial, que o que precisava dele já usei e passar dali me era incomodo. Só porque eu tenho talento para uma coisa não quer dizer que precise ser só aquela coisa. Quero ser outras coisas, também e no meu ritmo, dentro das minhas complexidades, vou desembaraçando o que está antes para continuar. Precisei resgatar muito de mim e me permitir ser muito do que sou para chegar onde quero chegar e isso, só eu posso avaliar. Sei quando erro, mas, nem me puno mais, me pergunto: "por onde começar?" e vou. 

Aos poucos, vou entendendo que nem todo mundo consegue ser bambu... e tem gente que é cana, tem gente que só é oco... tem gente que é pedra - sem ofender as pedras -, tem gente que é mato e nasce e cresce em qualquer lugar... vacile para você ver se um matinho não cresce em seu pé? Tem gente que deixa a erva daninha dominar... Tem de tudo, como na Natureza. Tem o que é belo e o que é aparentemente belo... A natureza humana é rude. De nada adianta correr para ver a lua se apenas admirar não é suficiente, tem que impor alguém a ver, também. Tem gente que não tá afim e nem por isso deixa de gostar... só não quer naquela hora, nem daquele jeito... Tem gente que nem sabe o que quer, só apurrinhar. Tem gente que nem sabe respeitar. Tem gente que é gente e se assume assim. Eu? Sou gente que quer aprender com o bambu como ele faz para seguir o vento sem quebrar.

Pois é, se cada um tentar entender as próprias ações, seria melhor. Assim, entenderíam a grande diferença entre falar e fazer. Ah, ser feliz é ser. Nem adianta fingir... Um dia a ficha cai e a gente vê o que é e o que não é. Não tem jeito, a vida faz isso. E tem gente que insiste em não ver e a vida persiste em ensinar... Fazer o quê? Eu só posso falar de mim. E daí, para mim, eu já sou coisa demais!Uma ficha já caiu para mim - mesmo que eu não goste, mas, é assim: NÃO HÁ BÔNUS, SEM ÔNUS!

Pat Lins.

domingo, 16 de outubro de 2011

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