Mostrando postagens com marcador desapego. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desapego. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de julho de 2013

DESAPEGO É SABER RECEBER


Desapego não é abrir a porta de casa e entregar ao primeiro mendigo que encontrar. Muito menos, ficar apenas com a roupa do corpo...

Alguns podem, simplesmente, doar tudo o que têm, com apego e sofrer calado. Não é o ato de doar que enobrece. Para mim, é o ato de saber o que fazer e o porquê fazer. Deve haver um sentido. E nem todo mundo precisa se desfazer dos seus pertences para barganhar com Deus um lugar melhor no "paraíso". 

O que tenho refletido ultimamente é que desapego é desapegar-se da ilusão, do desejo infantil que carregamos a vida de toda de que nossa felicidade está "lá", no longe, num amanhã inatingível, no horizonte que se afasta de nós a cada passo que damos em sua direção. Dificilmente, entendemos que é o caminhar, o caminho, o movimento que é a vida.

O desapego é um movimento altruísta, sim. E altruísmo é doação consciente de si - seja com algo material ou não - por amor, com compreensão, solidariedade, compaixão. Não é dó, pena... É, para mim, uma disponibilidade, uma integração com o outro, de maneira que seja emanado algo de bom, puro, positivo, honesto e verdadeiro para o outro.

O desapego está em não depender do superficial, do material, do ter para ser feliz, mesmo que tenha que ter algo - uma casa, uma roupa... Não é a miséria que nos purifica. Não é a miséria que nos faz humildes. Não é renegar o capital e o que ele compra, é saber lidar com este de maneira saudável, sem ter que vender a alma para pagar as contas do supérfluo. Conforto não é pecado e todos deveríam ter e viver com. E todos, um dia, viverão com.

Para mim, o desapego, assim como o amor, ainda está embaraçado em nossas mentes, por conta de conceitos deturpados que seguimos, até o dia em que acordamos e dizemos: "Ops! Eu posso! Eu mereço! Eu consigo!" e conseguimos. É acordar e dar bom dia ao dia que começa, aberto para tudo o que virá e entendendo que frustração é não alcançar um expectativa. E expectativa não é algo errado, apenas a maneira como a criamos e como nos dispomos para realizar o que esperamos. É idealizar com base no real e se dedicar para a concretização. E não idealizar e esperar que alguém faça por mim...

Desapego é dizer "não" a um monte de coisa que nos prende, nos impede de seguir e de crescer. Não é só espiritual... é mental, é emocional, é físico, é um processo pessoal. 

Precisamos nos desapegar dos falsos princípios regentes; dos falsos valores impostos. É algo maior, para um bem maior e com um propósito muito maior!

Desapego é saber aceitar. É não emitir julgamento de valor. É não discriminar. É nem fazer ideia do que venha a ser preconceito. É estar aberto, capaz de receber e aprender, mesmo que já se saiba muito - ainda não é tudo. É se despir de crenças vazias, de hipocrisias.

Em muitos casos, DESAPEGO É SABER RECEBER! 

Precisamos crescer em virtude, isso sim!

Pat Lins - se desapegando do apego ao conceito de desapego como uma simples doação de algo material.

terça-feira, 12 de março de 2013

À ESPERA DE UM MILAGRE



De acordo com a medicina, o quadro de tia é irreversível... Além do fígado e cérebro, no pulmão e no baço... Infecção pulmonar. Ela está ligada a aparelhos de monitoração e é importante lembrar, em tempos de questionamentos sobre "SPP", no HSR isso não existe. Ela sempre teve todo atendimento por lá, pelo SUS, e deram muita atenção - tanto no caso dela, quantos dos outros pacientes. Existem profissionais em todas as áreas que "queimam" a imagem da categoria - principalmente categorias chave como saúde, segurança e educação e acabam comprometendo a imagem dessas classes de maneira bastante pejorativa e, de certa forma, motiva outros seres amorfos e desumanos a entrarem no jogo do mal. 

Graças a Deus - tirando o problema que tivemos e que, supostamente por esse motivo, hoje, minha tia entrou em metástase, foi a negligencia da SESAB Estado em fornecer o medicamento, que JÁ ESTAVA PAGO PELA UNIÃO, que ela precisava ter tomado para evitar essa proliferação dos tumores para outras regiões... e nos coloca agora em condição de à espera de um milagre ou despedida - o atendimento no Irmã Ludovica e Hospital 2 de julho/Hospital São Rafael sempre foram de uma presteza, dedicação e cuidado brilhantes, acolhedores e consoladores. 

Hoje, ela está internada, medicada, monitorada, tomando oxigênio e estamos à base da fé, mesmo. De orações, de pedidos a Deus que nos capacite com entendimento e consciência do que somos obrigados a viver e experienciar e que Ele mesmo nos dê o conforto que esse entendimento pode nos trazer. A dor é grande. O sofrimento de ver uma pessoa forte e alegre - com defeitos e qualidades como qualquer ser humano - definhar em nossa frente não é algo legal, bacana e/ou agradável... é algo que inquieta, entristece, incomoda e nos faz questionar o tempo que temos de vida, que pode ser longo ou curto mas que seja vivido, que a gente aprenda a encarar as coisas pequenas e resolvê-las enquanto pequenas, porque de repente, vem uma coisona grandona que independe de nós, do nosso conhecimento de como isso apareceu e está além das nossas forças ou capacidade de solução. 

Aprendamos que a vida é a cada dia e a cada dia que identificamos algo a ser corrigido, nos empenhemos em corrigir com muito amor - e isso inclui, em muitos casos, entender que não invadir o espaço e o tempo se faz necessário. 

Hoje, vendo tia Nice lá, deitada e com medicamentos fortes penso: o que somos nós? Quão frágeis e pequenos somos nós diante de nós mesmos e nossa limitação física. E, por mais raiva e sentimento de impotência e indignação diante da SESAB, penso que meu limite era esse... saber deixar passar o ódio de algo que poderia ter tido uma chance maior nessa luta se não tivesse havido tanta indiferença e descaso de um órgão público adepto indireto do "SPP"- da dra monstro Virgínia, lá de Curitiba que era "chefe" da UTI de um hospital de respeito - onde aqui, pelo que vimos na SESAB era mais para SMM - se morrer, morreu -, tamanho o descaso com quem precisa "pedir", como pedinte, em vez de cidadão que tem o direito de receber, haja vista que nós pagamos impostos mil. Mesmo assim, me coloco comigo num processo de diluir esse sentimento ruim porque aqueles seres amorfos e estúpidos ainda estão lá, continuarão fazendo isso com diversas outras pessoas pobres e sem condições de brigar de igual para igual e que morrem e a morte resolve os problemas deles... e deixam as famílias no desamparo. No caso da minha tia, ainda tem um filho especial que ficará e nós cuidaremos com todo amor, lógico, mas a que custo? Ao custo de seguir sem a própria mãe. Havia uma chance mínima e eis o motivo da minha indignação humana, pois com o medicamento essa chance mínima era uma mínima chanca, uma chance não ter chegado a esse ponto... mas chegou, porque o descaso desse órgão não lhe deu essa chance e nem tem muito como processar... Nessas horas a Lei é cruel para o cidadão de bem que dela precisa. Nós não temos a quem recorrer, porque o caso dela estava sendo acompanhado e orientado pela DPU e nem assim conseguiram o cumprimento dos prazos e, com isso, de uma chance de vida! 

Agora, nos resta a evolução pessoal de acolher a dor e a raiva concomitante e expandir ao nível de consciência do "aqui e agora". Aproveitar o tempo que nos resta entre os momentos de lucidez dela e as nossas lembranças de um presente que existiu como tal até novembro de 2011, quando ela descobriu essa doença e toda saga começou. Hoje, esse presente tem como o futuro um passado muito provável, pois desse presente, sem o milagre, ela não sai... O que a ciência tem de informação é que trata-se de uma quadro irreversível e ligou o contador de tempo de até onde ela aguenta ir...

É o fim? Ninguém tem como saber, mas vendo aquela mulher jovem, recém completados 53 anos - dia 5 de março - acamada e afirmando que precisa ver o filho e receber as visitas porque sabe que vai morrer nos dá um negócio aqui dentro indescritível e negativo... Manter o pensamento positivo é estar aberto para tudo, inclusive para a mínima chance de um milagre!

No final e início das contas, tudo é aprendizado prático do que vem a ser "aqui e agora".

Pat Lins.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A PRÁTICA DO DESAPEGO

Falar em desapego é mais fácil do que praticar...

Praticar o desapego é simples; difícil no começo, mas quando realmente entramos no grau de consciência e entendimento, fica mais fácil.

Difícil é ficar no embate ou teorizando...

É o desapego que favorece a boa mudança. Desapego não me soa como ficar indiferente à realidade, mas, entender que é hora de seguir adiante e deixar aquilo que te prende, te soltar. Melhor, é hora de nos soltarmos do que nós nos deixamos prender. 

Às vezes eu me pego observando a beleza da Natureza e vejo árvores com raízes enormes, fortes, firmes e elas são felizes assim, porque já cumpriram e cumprem a bela missão de nascer de um pequeno fruto e produzir outros tantos que vão seguir e seguir, até encontrar o solo e deixarem-se nascer. Todo mundo tem um ponto a chegar e só lá fincaremos nossa raiz física, mas, nossa vida quer mais e estará em cada pólen que voa por aí, se multiplicando em cada nova fase. Seguir não quer dizer deixar de saber de onde veio, mas, saber para onde quer ir e ir!

Se desapegar é entender o que é mais importante: ir ou permanecer. Em muitos casos, a pessoa se encontra e o permanecer é a missão de vida. O desapego, nesses casos, é das ilusões de que deveria estar vagando por aí. Vagar não é desapegar, é ir sem saber para onde, nem de onde veio.

Nem toda oportunidade é de ir a outro lugar, mas, se for para ir, só indo para saber. Se for para voltar, só voltando para saber. Vai e volta, se for o caso. Enquanto há vida, há como se redimir, há o que aprender, há para onde ir de novo... Isso, para mim, também é desapego: desapego de idéias fixas e de pensamentos engessantes.

Desapego é estar aberto, com consciência de si!

Pat Lins.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails