Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de agosto de 2014

RACISMO - A BOMBA EXPLODIU!


Fico vendo as pessoas "impressionadas" com o racismo no esporte, como se fosse algo inesperado. 

Ora, ora, ora! Tratava-se da última bomba a explodir!

Quantos artistas alegam racismo na moda, na TV, nas novelas, no cinema e etc? E a grande maioria das pessoas míopes repetem, como quem quer tanto se convencer, que esquecem de ver de verdade, o real: "Isso já é exagero!".

Não! Não é.

Exagero é a gente não ver essa realidade que está e sempre esteve aí, aqui e acolá.

O fato de explodir no esporte - um dos únicos lugares, além da música, onde negro tinha espaço para "crescer" ou ascender e prosperar, tendo acesso ao mundo do glamour que o dinheiro, o muito dinheiro pode "bancar": o mundo dos brancos, o mundo onde é possível "ser feliz, com conta bancária gorda" - apenas grita, mais um grito de "olha ele aí! Ele sempre esteve aqui!". Isso incomoda! 

Os brancos não querem ver negros crescendo. Para eles, lugar de negro é em subemprego - não desmerecendo as diversas profissões, até porque, esse tom pejorativo, é consequência do veneno que o poder exacerbado do capitalismo exerce na mente dos fracos. Podem observar: quem está destruindo o mundo? As grande indústrias são dos negros? Foram eles que começaram a destruição irreversível do NOSSO planeta? Sim, o planeta é nosso, apesar deles acharem que é só deles!

Ultimamente, como tem dado audiência, os grandes veículos de comunicação tentam "ajudar" na diminuição desses episódios, divulgando, mostrando o que vem acontecendo. Mas, no esporte, ganha uma proporção onde as pessoas param para falar, afinal, o esporte tem uma maneira diferente de tocar o coração e a mente dos torcedores, pois se trata de uma amenidade, de entretenimento, de neutralidade, onde não caberia - e nem cabe - qualquer tipo de segregação. No esporte, principalmente no futebol, não há inimigos. A rivalidade é em campo, é no ringue, é na quadra... é apenas entre os times.

Mas, o que me preocupa é o outro lado da dualidade... em se tratando de era digital ou informacional, da sociedade de massa em massa, do capitalismo como mestre dos mestres - coitado, apenas um efeito... a causa é humana! - é a ação ou as ações de marketing de oportunidade. Bom, por um lado, as campanhas que começam, como se fossem ações de responsabilidade social, aproveitam para se promover, abordando o assunto e dando o ar de maior naturalidade possível na criação de um "mundo" igualitário e justo. Que seja correto - apenas questiono o que vem a ser justo nessa vida... - "marketingmente" falando, fazer as duas coisas: promove o cliente, ao mesmo tempo que colabora com as ações sociais e na tentativa de minimizar os impactos altamente negativos e destrutivos que o preconceito é capaz de gerar. Entretanto, caso se torne de uma ação pontual, apenas agora, o tiro sai pela culatra... Se não houver interesse real em colaborar com a causa, pode acirrar. Se for apenas ação de oportunidade, a empresa ganha audiência, público e etc. E a causa? Volta a virar moeda de troca, novamente. Muito complicado expor como penso sobre esse assunto... assim, vou parar por aqui sobre minha teoria.

Voltando ao racismo no esporte, digo que é apenas uma ponta mínima de algo muito maior, só para não cair no chavão: é a ponta do iceberg. Mas, é exatamente isso! O medo de perder o controle do "negro legal que pode circular em altas rodas, porque é bonitinho dar chance a uns poucos, apenas para que eles alimentem a esperança de viver um mundo que não é deles" acabou explodindo. E apareceu a verdade que ninguém queria ver: O RACISMO EXISTE, FORTE E DESTRUIDOR COMO SEMPRE EXISTIU! Ele nunca se foi. O medo de processo que freava algumas ações. O medo de ser flagrado pelas câmeras, por testemunhas... isso segurava a onda de alguns racistas extremistas. Mas, à medida que a população e a sociedade está em crise, porque os valores aí presentes mostram e comprovam de que tudo é vulnerável e que pagando qualquer um sai da prisão, promove um levante de segurança e auto confiança onde o medo deixa e ser um fator paralisante e vai cedendo espaço ao outro lado: "eu vou mostrar quem manda nessa zorra!" e aí, meu amigo e minha amiga, que é desanda. Sem medo de ser punido - já que consciência e respeito essas pessoas não têm - eles se sentem donos da situação e anseiam em revelar isso aos demais. Aos poucos, vão sentindo o terreno e percebem que outros como eles estão dispostos a sair do condicionamento e colocar a cara para fora, afirmando de quem é o território! E por aí vai!

Falta ao povo ser gente! Falta humanidade nos seres humanos. Falta humanismo! Faltam valores reais e firmes. Essa onda de ostentação ao superficial, essa ode ao poder faz com que as pessoas não se vejam mais como gente, apenas como máquinas comandadas por uma mão invisível chamada descontrole! Do mesmo jeito que as pessoas ignoram que são emoção, acreditam numa razão crua e fria como demonstração de equilíbrio e poder, elas acreditam que Papai Noel existe, bem como o coelhinho da páscoa e todos os símbolos capitalistas de consumo, porque ao pensarem que estão no comando, no controle, estão, na verdade, presos a padrões repetitivos, alegando mudança e transformação... De controladores, não passam de controlados pelos próprios desejos infantis.

Pois sim, racismo não é só crime, é falta de respeito e falta de humanidade!

Racismo é demonstração de fraqueza! Respeito ao próximo, sim, é para os fortes!

O mundo precisa de cores! A natureza é diversa! Nós somos apenas uma parte dela, não o todo, muto menos os melhores...

Pat Lins.




domingo, 16 de fevereiro de 2014

TINGA - A REPRESENTAÇÃO CLARA E ÀS CLARAS DE QUE O RACISMO EXISTE, SIM!

Para escutar seu desabafo: Globo Esporte
Lastimável não é o racismo no futebol... Lastimável é O RACISMO em si! 

Precisou explodir num esporte para que se torne um tema a ser debatido com mais seriedade. Não bastam punições... isso apenas vai mascarar e impor uma nova pseudo ordem. 

É necessário e de suma importância falar abertamente. Assumir, reconhecendo claramente que o racismo existe, sim! Velado, escondido... disfarçado com nomes e situações protegidos pela Lei. Não penso que punição a atitudes preconceituosas, de um modo geral, ou qualquer forma de discriminação devesse constar em Lei... deveria ser uma postura pessoal não ter esse comportamento. 

As pessoas deveriam ter uma conduta ética e moral mais respeitosa. Essa cultura antiga de um povo querer se sobrepor ao outro dá nisso: a manipulação do poder, do desejo entorpecente de querer ter o que não te pertence, do não construir o seu, no seu espaço... e dá nisso: a subjugação do outro em detrimento de um interesse próprio. Ou seja, vou queimar seu filme para todos te odiarem e te verem como algo asqueroso, para que, assim, eu consiga te desestabilizar em sua dignidade, cerceando a sua liberdade e, com isso, destruindo você! Tem coisa pior do que isso? Imagina numa dimensão descomunal como, nada mais ou nada menos do que o mundo inteiro contra você?

Ah, mas falar em racismo é perda de tempo, deixa a Justiça cuidar disso! Para mim, antes de se chegar à Justiça, justiça seja feita, cada um de nós precisa rever seus conceitos. Não é impedindo piadinhas ou deixar de chamar o outro de "negão" que vai fazer essa desconstrução do mal feito e implantado, enraizado até a alma. 

É muito cômodo, para nós que não temos a pele negra, "vermelha", "amarela", os olhos puxados, os cabelos crespos, que somos heterossexuais, classe média, "estudados" - como diz o povo - nos doermos com os alertas contra o racismo. Mas, para quem vive o peso da sensação de diferença como algo pejorativo, por conta desses características, esses sim, sabem o que é essa dor! Para a gente, apenas um discurso de algo distante e aparentemente inexistente, afinal, ali onde não estou, nada deve existir...

Eu não sou branca 100%. Venho de família mestiça em todos os aspectos, inclusive as várias tonalidades e colorações das peles, cabelos, olhos, dentes e etc. 

Questiono muito como alguns religiosos fazem as colocações Bíblicas de maneira preconceituosa sobre as cores de pele, que já induzem - através, não do que está escrito, mas como vem sendo interpretada e usada até os dias atuais - de que quem já existia antes do povo "de Deus" não era de Deus... Como os negros, os índios e, sim, os orientais. Em alguns casos, afirmam que viviam na "ignorância" de Deus, mas, a partir do momento que lhes é apresentada a "palavra", deixem TODA  a sua vida e crenças para trás; rompa com a sua cultura, porque ela é do mal. Aqueles de "cor" que aceitarem a palavra de Deus, nos moldes como lhes fora colocado, serão aceitos como humanos... Antes, eram seres sem alma. De fato, não conhecem os psicopatas, esses, sim, são seres sem alma, coração ou boa emoção - e podem ter qualquer cor de pele e cargo, de preferência os mais elevados hierarquicamente.

Meu questionamento: se Deus é o Criador de todo o Universo, quem não é filho dele? Até o próprio Lúcifer foi criação divina. A sua revolta, essa sim, é própria e pessoal, ou "angelical" do portador da luz que perdeu a sua luz.

Pois é, como lidar com esse tabu GIGANTE, chamado de preconceito, discriminação e, neste caso específico: RACISMO, se ele vem de maneira arquetípica desde a gênese Bíblica? Aliás, na gênese não, porque no livro Gênesis eram apenas terra, água e escuridão, até se fazer a luz... depois, vieram as primeiras criaturas, depois Adão, Eva e o cão - ops! a serpente... Até chegar a Abraão, nosso primeiro patriarca reconhecido como tal. Considerando que quando a Bíblia fora escrita, muito e muito tempo já havia transcorrido desde a criação da Terra - porque, é bom situar e contextualizar, nem a todos era permitido acesso à leitura, muito menos conhecer outros dialetos... era tudo, numa visão própria da época, como maneira de se manter a "ordem" e o "equilíbrio", guardado e assegurado, apenas, entre os que se intitulavam competentes para tal... e, assim, mantinham o???? PODER! Olha a palavrinha mágica de novo! Sem contar a trajetória do desenvolvimento da escrita, onde e como se arquivavam os conhecimentos... - pois sim, voltando ao início da frase, ao se considerar esse ponto, quando e quem começou a escrever a Bíblia antes do período Mosaico? Quem era o organizador das ideias e do que seria, de acordo com relevância, constar ali? Bom, melhor parar, porque não é esse o ponto em si. O ponto é o arquétipo tendencioso de subjugação dos povos em detrimento do interesse em seu terreno.

Tá, e Tinga nisso? Hoje, 2014 anos após o nascimento de Cristo, que DEU sua vida, em Vida, como exemplo de vida e virtude, através da sua divina sabedoria e CONSCIÊNCIA, e nos deu a sua morte, como prova do seu amor por esse povo ingrato, que somos e nada aprendemos com isso... Pois é, ainda hoje, nada, nem um tiquinho apreendemos dos Seus REAIS ensinamentos, além de retóricas belíssimas e discursos inflamados e aclamados de que devemos seguir a vida que Cristo nos ensinou... Somos um bando de hipócritas! A Bíblia, por exemplo, não prega o racismo ou qualquer tipo de preconceito, apenas fala e retrata o povo de Abraão e sua descendência, afinal, ele existia em meio a outras pessoas, ou não?! Isso é que ninguém se dá conta! E é isso que me instiga e inquieta de uma maneira positiva - entender! Se retrata a partir da visão do povo de Abraão, naturalmente, a sua realidade é o recorte e o ângulo por onde tudo é visto. Beleza! Era natural que, através de um controle e o poder da época, os casamentos fossem entre pessoas da mesma nação. Ou seja, naturalmente, as características físicas se mantinham. Deu para entender, um pouquinho, que não se trata de discriminação, apenas de organização cultural de um povo? Daí, com isso, ao se permitir explorar terras mais afastadas, se dão conta da existência do "diferente". Depois, com o intuito de dominar e possuir mais terras, nada mais "nobre" do que impor a força e permitir escolhas: "ou nos dá ou guerra!". Com isso, nações tiveram que perder seus espaços e a mistura começou... porém, os escravizados, desde aquela época, eram considerados povo fraco. Essa marcada se instalava e era propagada, não com ferro quente, e sim através das características fenotípicas visíveis daquele povo. Isso, por acaso, não se torna um arquétipo, em seus tempos e nos seguintes e seguintes e seguintes? Hitler não desejou tanto manter sua raça pura e ariana, dizimando tantos judeus? Os desejos pelo poder são tão insanos que concordo com Alvo Dumbledore - em Harry Potter - onde prefere não assumir aquilo que ele não tem controle... e o poder, muitas vezes, sobe à cabeça e dispara um ego que infla e infla, sucumbindo à loucura, cedendo aos caprichos vaidosos da necessidade de subjugar o outro para se afirmar como melhor! Assim, quem tem o poder, é o maior. Então, vamos colocar Deus ao nosso lado e usar Seu santo nome para manipular o povo. Quem não estiver comigo, estará contra mim! E começa a mania de perseguição. Consequentemente, a discriminação, através da segregação. E assim, em diversos espaços e tempos, quem dominava impunha a sua característica como supremacia.

Ainda assim, não entendo a origem do preconceito puro e genuíno. Não entendo de onde veio? Com quem? Por quê? Para quê? Qual a sua função colaborativa na construção e edificação dos bons valores? Não vi em lugar algum escrito que a serpente disse a Eva: "Vai, come que vai ficar branquinha para sempre! Tu, Adão e teus filhos!". Nem escutamos Deus dizer a Moisés que apenas os brancos, ricos, bonitos, magros e que frequentem bons restaurante e hotéis de luxo seriam salvos... Ah, por acaso se salvaram do dilúvio?

E Tinga, minha gente? E Tinga? Tinga é apenas - não um "apenas" pejorativo, mas um alerta de que tem mais... - mais um grão de areia nesse mundo de loucura e profusão do "mal". Tinga é a atual representação de que esse mal está mais ativo do que nunca e que as medidas de contenção e disfarces do preconceito cederam! Ruíram as barreiras do fingimento e abriu-se a clareira - que não ilumina nada... - onde podemos VER e OUVIR que SIMMM, O PRECONCEITO EXISTE! E cada dia mais forte! Aquilo que cresce sem a gente ver não deixa de crescer e se fortalecer!

O vexame teve destaque porque foi um jogo importante e transmitido por onde? PELA TELEVISÃO! Alastrou-se como fogo em palha seca. Incendiou e nos fez ver o que se escondia em palavras bem colocadas e pensamentos bem mal intencionados.

Tinga é mais um que sofre esse mal, por nada! 

É mais um SER HUMANO que paga uma pena alta, apenas por seu fenótipo marcado como povo fraco e que merece o desprezo, por ser uma PESSOA COM A PELE ESCURA!

E não entro na seara: caráter! A falta de bom caráter está em todas as cores! Só que associam aos negros, simplesmente, por uma má formação histórica, onde destruíram as tribos africanas - independente da ajuda de tribos rivais... - e trouxeram-nos para cá, levaram-nos para lá, distribuiram por onde havia necessidade de mão de obra forte, robusta ao custo de maus tratos. Para onde? Para Brasil, Estados Unidos... Aqui, para uma região que já existia, onde índios viviam em LIBERDADE, que ainda não era nome de bairro, mas uma forma de vida. Exterminaram tudo em nome dos seus próprios interesses e os denominaram, também, seres sem alma. Os jogaram aqui e, depois de perceberem que perderiam o poder, como último golpe estratégico, alforriaram a todos! Que lindo! Quanta emoção! Carta de alforria! Um documento que provava que eles eram NEGROS LIVRES. Ironicamente - dentre tantas e tantas ironias... - essa liberdade nada mais era do que uma nova prisão! E esta resiste até os dias atuais! Como é difícil empregar um negro em função hierarquicamente elevada! Acontece, mas a cobrança é triplicada. Coitado de Obama! Mártir de uma fachada que já estava em crise mundial e que recebeu a "galinha pulando"... Criaram a imagem de um "salvador" que hoje é condenado por ser, apenas, um homem mortal!


Pois é! Tudo isso vale a pena ser falado. Debatido! Discutido! Cuidado! Assumido! Esgotado! Até deixar de ser um tabu. Até deixar de ser um entrave ao progresso humano! Até deixar de ser algo prejudicial! E não é apenas evitando piadinhas... Nem chamando de afrodescendente que o preconceito vai deixar de existir. Isso se dará no dia em que as pessoas se olharem como PESSOAS. Nesse dia, Tinga não será vaiado, nem escutará sons de macaco, por ser negro. Nesse dia, não será preciso ter um artigo em algum código penal que puna quem cometer atitude discriminatória, porque isso não será mais parte da conduta de ninguém. Nesse dia, as seleções para entrevista de emprego serão mais limpas e neutras, baseadas em competências. 

Mas, antes desse dia, muito deve ser feito! Educação deve chegar a TODOS, principalmente aos mais pobres - onde, por consequência de uma história que ninguém quer contar, estão a grande maioria dos herdeiros das "cartas de alforria". Educação não para ser funcionário de cargo elevado numa multinacional, mas educação como construção de base moral, ética e compreensiva, com conhecimento escolar e acadêmico. Até esse dia, muito ainda precisamos desconstruir. Muito ainda temos para construir!

Temos um longo caminho. Se começarmos AQUI E AGORA, ele poderá ser possível! Ele começa aqui e agora! No já! Não no depois ou amanhã... 

Racismo não é apenas um crime, é atentado ao pudor! É atentado à ética, à moral, às virtudes, aos bons costumes!

IGUALDADE SE FAZ COM AS DIFERENÇAS EM EQUILÍBRIO E HARMONIA!
COM RESPEITO!

Pat Lins - perplexa por Tinga e por tantos "Tingos e Tingas" mundo a fora e vida a dentro!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

EM VEZ DE AFOGAR, MANDA ÁGUA PARA O NORDESTE!

Impossível não ficar irritado com tamanha demonstração de "humanismo". Em pleno século XXI, ainda nos deparamos com pessoas tão pequenas... Detalhe: muitas pessoas.

Infelizmente, o PRECONCEITO, existe em todo lugar, dentro e fora do nordeste brasileiro. Está em qualquer lugar dentro do planeta Terra. Ele, sim, é quem precisa se calar!

Mania de julgar-se melhor do que os outros. Me diga o que essa menina, a estudante de direito - que ainda "queima" a imagem de uma classe que "luta" pela "igualdade"; classe essa que é responsável pelo "conhecimento" das Leis do nosso país; classe essa que precisa ter a mente mais aberta e livre de limitações e ela, essa menina, como tantas outras criaturinhas, insistem em fazer parte dela, colaborando para a falta de credibilidade em que estamos - sim, mas, me diga, o que essa criatura, meu Deus, pensa que é? Quem é esse serzinho que clama para o afogamento de um povo, de pessoas, de seres humanos, apenas pelo seu desejo? Oh, rainha do nada!

Isso me fez ver o quanto nossos jovens estão "perdidos" e desorientados. De onde vem esse tipo de pensamento? Para onde vai? Em plena era da informação, ou, informaticidade, pessoas tão "mentes vazias". Pois sim, isso tudo nos leva a refletir o mau uso, ou, uso indevido, da facilidade que o mundo virtual nos traz. As redes sociais não são um espaço para vandalismo. Infelizmente, ninguém sabe como lidar com essa nova realidade. Se já era difícil tentar estabelecer uma linha de pensamento sobre "como e por quê acontecem as mudanças", imagine hoje em dia, com essa falsa sensação de liberdade que o universo virtual dá. Nele, temos a sensação de infinito, onde passado, presente e futuro se encontram num clique. O ritmo acelerado, estressante e angustiante que vivemos, vem da não limitação de tempo que a internet nos causa. A gente dorme, ela não. Está lá, a todo instante e nós, sugados por ela. Existe uma maneira de se utilizar a rede mundial de computadores de forma saudável? Penso que sim. Precisamos lembrar que somos homens e mulheres, seres humanos, não máquinas.

Essa menina, coitada, é tão vítma como as vítmas para quem ela clama o extermínio. Ela é vítma de um mundo onde as pessoas permitem a propagação do que é ruim e o aniquilamento, através de termos como "fora de moda", "ultrapassado"..., do que É, realmente, VALOR. Não falo repetição dos valores engessantes, mas, dos valores verdadeiros, que lembram a importância do respeito ao próximo e às diferenças, afinal, não existe cultura superior ou inferior, existem culturas diversas. Tanto sim, que os países tão desenvolvidos, de acordo com seus própriso critérios, porque, para mim, só desenvolveram a destruição do planeta..., eles não construíram muita coisa bacana, não. A cultura rudimentar da África, por exemplo, não encheu os bolsos dos africanos, mas, não tem culpa no cartório pela destruição do planeta. Eles pensam que viver em laboratório, comendo produtos artifialmente fabricados, é vida? Todo produto artificialmente febricado requer matéria-prima e toda matéria-prima, vem de onde mesmo? Da Natureza, rebanho de gente inteligente. Pois, essa menina, que teve a infeliz idéia de postar um comentário infeliz no Twitter, precisa crescer mais e romper com essa besteira infantil de menina burra que se acha esperta. Nossa, e como isso é comum. Oh, criatura ingênua. Só uma pessoa ingênua pode acreditar que é melhor do que os outros. Ninguém é capaz de crescer sozinho. Olha, você deveria ler um livrinho chamado "João Não Precisa de Ninguém", para ver que todo mundo precisa de apoio, nem que seja a ajuda da Mãe Natureza, tão esquecida. Esta só é lembrada quando acontece algum acidente grave, como os tsunamis, furacões e etc e nós, humanos racionais e inteligentes, nunca admitimos nossa parcela de responsabilidade. É isso mesmo... Essa menina está tendo repercurssão muito grande. Chega de dar "IBOPE" para ela. Convido a cada um de nós escrever sobre o que HÁ DE BOM NA HUMANIDADE, para ver se criamos o hábito saudável de falar de coisas boas e propagar coisas boas.

E nós, nordestinos, precisamos deixar de correr para o sul e sudeste, em busca de melhor condições de vida e desenvolver essas condições, aqui. Deve haver algum jeito de levantarmos nosso povo. Não como guerra, mas, parar de ser base ou degrau para enriquecer os outros. Enriqueçamos a nós mesmos. No dia em que a gente "cair na real" e surgir um político sagaz, que olhar para o Nordeste, poderemos ver quem vai ter que calar a boca. Nem vou me "gabar" do Brasil ter começado por aqui... a colonização foi uma vergonha! Mas, não fomos nós, os nordestinos que a fizemos... Os colonizadores, aquele povo da burguesia, "se picou" para o sudeste e veja no que deu... Um povo esnobe, bossal e hipócrita que fala mal, mas, adora pular atrás dos trios elétricos e cantar o axé que, muitas vezes, já nem faz mais sucesso aqui. Não vou falar mal dos vários estilos musicais, nem enfatizar as diferenças existentes entre os estilos de vida... Tem coisa ruim lá e cá. E veja a que ponto desci... Também estou separando "lá" e "cá". E o Brasil, fica onde?

Só um parêntese: certa vez, fui importunada por um casal de mineiros - porque fizeram questão de assim dizer - onde me questionaram se eu e meu filhos éramos baianos. Diante da afirmativa, eles exclamaram, surpresos: "inteligentes?!"... Bom, pensei, pelo lado bom: eles devem estar querendo me elogiar e não sabem como... deve ser a maneira rude de dizer que somos um pouco mais inteligentes do que as pessoas que eles conhecem e, quem sabe, do que eles são...

Chegou a hora de lembrarmos e exigirmos RESPEITO, porque é bom e eu gosto! 

Se a presidenta Dilma foi eleita, bom para ela e que seja para o Brasil, porque eu, particularmente, acredito, que não haja um político completo. Seja Dilma, Serra... Tiririca, Maluf... Seja analfabeto, "estudado" - estes ainda são piores... Estudam contas de cartilhas de quanto e como roubar... Só o fato de ser político o perfil é saber que mesmo que tenha vontade, não é tão fácil fazer... A gente elege um político aqui, outro ali... mas, a rede, a composição e os roubos, para a gente, só chega a conta para pagar. Então, sem essa de acreditar que UM/UMA político - seja do gênero que for; seja da cor que for; tenha a origem pobre ou nobre... - será responsável por salvar a pátria! Minha gente, caiam na real, nós estamos a espera de um milagre. A cama de gato lá dentro é triste. Quem tem que fazer a diferença, somos nós, povo - de norte a sul, de leste a oeste... ops! Passando pelo sudeste e nordeste... - que precisamos saber exigir. Mas, calma, não precisa correr para ler a Constituição, nossa Magna Carta. Primeiro, vamos tomando consciência, para, enfim, entrarmos em ação.

Então, meu caro povo - sim, paulistas e cariocas, somos todos POVO. POVO BRASILEIRO, não polvo Paul, que advinha tudo e, mesmo assim, teve seu destino certo, do qual nenhum de nós escapa: a morte!

Então, em vez de calarmos a boca, falemos, para nós mesmos: EU SOU POVO! Mas, eu prefiro dizer que EU SOU GENTE. Assim, faço meu movimento individual de

DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO - cheio de povo, cheio de rosa dos ventos que determinam a localização geográfica de onde estamos, mas, não determina quem somos!

Menina Mayara, você que é a "bola murcha" da vez, não se sinta só, assim como você, outros milhares de seres pensam da mesma maneira limitada e triste. Imagino que seja triste, porque uma pessoa que discrimina é muito pequena e ser pequeno, no pior sentido que essa palavra possa ter, é muito triste! E para você eu pergunto: o que te leva a pensar que é melhor do que o outro? Infelizmente, falo com imensa raiva, entretanto, com imensa pena, porque você, como tantos outros, são, como já falei anteriormente, reflexo da repetição de padrões dos nobres que colonizaram nosso país e disso, talvez, você tenha imenso orgulho. Outra pergunta: se você clama que matem um nordestino afogado, o que teria feito com uma chibata na mão, na era escravocrata; o que teria feito aos índios - aquela etnia, que vivia em paz, aqui, em sua terra e os espertos e inteligentes colonizadores os dizimaram, do alto de sua mais sublime capacidade "intelectiva", para se apropriar das terras... Isso é roubo, deixe-me ser mais clara, viu?! - se aqui chegasse, hein? Sim, você os teria afogado, né verdade? É, talvez, se assim tivesse agido, você não estivesse aqui, hoje, para utilizar-se de uma rede social e disseminar tanta besteira, só para ficar "famosa". Imagino que a quantidade de acessos em seu micro-blog tenha te popularizado, né?! Cada um escolhe o "nível" de popularidade que quer ter. me deixe aqui, com minhas visitas... Meu movimento é pelo bem - DE TODOS.

Sim, em vez de afogar, faz algo de bom, manda água para o Nordeste. Descobrir uma maneira de acabar com a seca seria muita mais humano, não acha?

Bom, reflitamos todos, no rumo que se tem tomado nossa realidade - a não-virtual - para que saibamos tirar mais proveito do mundo virtual!

Pat Lins.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"CALEM A BOCA, NORDESTINOS!" - Por José Barbosa Junior

Lógico que não poderia ficar fora dessa! Depois coloco um texto meu, mas, por enquanto, vai o que está bombando, do José Barbosa Junior:

"A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra... outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: 'Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!'.

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros 'brasileiros' também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos 'amigos' Houaiss e Aurélio) do nosso país.

E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!

Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo 'carioca' Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner...

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...

Ah! Nordestinos...

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para 'um dia de princesa' (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário... coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: 'O sertanejo é, antes de tudo, um forte!'

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!"

terça-feira, 6 de julho de 2010

"O insustentável preconceito do Ser"


O insustentável preconceito do Ser
                                                          Rosana Jatobá

Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.



Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:


- Recomendo um passeio pelo nosso "Central Park", disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!


-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.


-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.


-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?


-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem "farofa" no parque.


-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.


-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar....


De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.


Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os "Paraíba", que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a "Cabeça chata", outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.

Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.

Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:

-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:


"O teu cabelo não nega, mulata


Porque és mulata na cor


Mas como a cor não pega, mulata


Mulata, quero o teu amor".

"É ofensivo", diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.

A expressão "pé na cozinha", para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.


O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:

"Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra 'niger' para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:


'Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe'...que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).


Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan 'black is beautiful'. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém".

Será que na era Obama vão inventar "Pé na Presidência", para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?

A origem social é outro fator que gera comentários tidos como "inofensivos", mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:

- A minha "criadagem" não entra pelo elevador social !

E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, "viado", maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?

Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:

- Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!


Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:


-Só podia ser loira!

Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:


- Só podia ser judeu!

A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia ...


Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: "O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem".


Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.

A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável.


O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.

Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:

-Só podia ser mendigo!

No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:

-Só podia ser bandido!

Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.


 PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos...

 
(Rosana Jatobá é jornalista, graduada em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da Universidade de São Paulo. Também apresenta a Previsão do Tempo no Jornal Nacional, da Rede Globo.)
Esse texto é parte da série de crônicas sobre Sustentabilidade publicada na CBN




...Difícil combater um inimigo disfarçado, né verdade?! É por isso que parecemos loucos, ao lutarmos, nem que seja através do mínimo esforço, por uma sociedade, por um mundo, por uma realidade JUSTA, baseada em respeito e igualdade. Mas, como sermos iguais, sendo tão diferentes? Só o respeito pode conseguir isso.

Engraçado que minha sogra me enviou o e-mail com o texto acima bem quando eu pensava em escrever algo sobre preconceito. Obrigada, Susana, por mais uma colaboração aqui! O que me despertou o desejo de falar sobre o preconceito tão aceito - sim, porque é fácil aceitar o preconceito e suas derivações, difícil é querer ser justo... aí, nós passamos a ser "chatos", "sem senso de humor" e/ou "intolerantes"... Só sendo um negro de pele negra para saber o que é o "repúdio" sem sentido a sua cor. Eu sou afro-descendente e, por mais revoltante que seja me deparar com o preconceito racial, eu não sinto na "minha" pele, porque ela, por uma questão de combinação genética, saiu mais clara... bom, mas, isso não vem ao caso. O preconceito e o ar de superioridade das "potências" econômicas, sim, é o poder econômico que dita as regras e "pinta" as cores a serem aceitas, de preferência, verdes como dólares... Em falando de Brasil, nós aqui do Nordeste somos constantemente discriminados, onde aceitar que existe "inteligência" além eixo sul-sudeste é questão de espanto... Ninguém para para ver a "origem" do "Brasil", este país que moramos e que foi "descoberto" através de práticas desumanas e aceitas, dizimando o povo que aqui existia como se fossem nada.

A cultura do preconceito é tão socialmente aceita que mês passado - junho - aqui no Nordeste tem um dia de feriado no dia 24, para comemorar o São João. Regados a festa, todo o Nordeste entra no clima de festejos, celebrações, reuniões, encontros e muita comida e bebida. É uma espécie de "Natal" ao som de forró, muito bolo de aipim, milho, "quentão", roupas descontraídas, fogueiras e fogos de artifício. O clima é mais alegrinho, mesmo ninguém sabendo muito a história da data e o que estão comemorando... Bom, questões bíblicas a parte, é muita festa por todo o Nordeste. O fato é que o dia 24 é feriado. A empresa que meu marido presta serviço é sediada em São Paulo e lá não é feriado. Logo no dia 02 de julho, comemora-se a "independência" da Bahia, portanto, feriado para os baianos. É sabido que feriados locais e regionais existem em cada Estado, município e cada um tem seu grande motivo: comemorar algum marco histórico ou data bíblica. Não entendo o porquê da piada que ele precisou escutar do colega da sede:

"- Eu queria morar aí na Bahia. É feriado todo dia!"

Quem dera. As pessoas acham que aqui é só carnaval. Mas, para conhecimento, a cidade para, sim, para receber toda essa galera que fala mal e depois vem se encher de "cachaça" e pular atrás dos trios, e, depois, durante o ano, seguem as micaretas e carnavais fora de época, Brasil a fora. Sim, no carnaval, muita gente aqui trabalha. Só é liberado quem está na região do circuito da folia, para a alegria de toda essa galera do mundo ser "bem recebida" e, depois, sair falando mal dos baianos... Quem está fora do circuito - que abrange todo o centro da cidade e adjacências, sendo a cidade enorme - só folga na terça-feira e metade da quarta-feira de cinzas. Fora os que trabalham na festa e durante a festa, fazendo a segurança e muito mais. Mas, baiano bom é aquele que só fala em "axé music", para propagar que a gente só vive de festa. e se fosse verdade? Que mal haveria? Eu já fui foliã, mas, faz mais de 10 anos que não vou a circuito da folia e, nem por isso, vou falar mal. Falo da falta de educação cultural de boa parte - e muito significativa - do meu povo, mas, tem muito mais de estereótipo. Pois sim, em outros Estados não há feriados em seus aniversários, ou datas históricas de lutas e vitórias? Isso precisa ir diminuindo. Cada vez que nos pegarmos propagando um preconceito, por mais banal que nos pareça, ele pode tomar proporções históricas e virar "padrão", bem como fogo em palha... só precisa de uma faísca para espalhar.

Vamos manter acesa a chama e vamos fazer nossa parte no movimento de DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO, inlcuindo a nós mesmos!!!

Vamos refletir e agir, nem que seja aos poucos. Tomando consciência gradativa e dispostos a exercer o papel de "cada um fazendo sua parte".

Beijos,

Pat Lins.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails