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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Pão e circo - sem pão e sem circo

Crédito: Henning Dalhoff / SPL

Não precisa ser muito inteligente, nem entender de muita coisa para perceber que os políticos - de TODOS os partidos - estão dando em nossa cara, né?! Basta olhar e ver, coisa que até cego enxerga, porque fede tanto que o órgão que mais sente é nosso bolso, além da nossa mente que fica perdida e confusa.

Pane na mente - fico abismada com as brigas em família, entre amigos... defendendo político A, político B... defendendo partido tal e tal. E eles, lá, fazendo o carnaval, sim a deturpação do carnaval como alegria de fachada, com verdadeira "folia" apenas para alguns, seletos.

E fico observando: antes os argumentos para indiciar grupos que interessavam, tudo valia. Hoje, que a gente quer acreditar nessa Lavagem, vem uma micareta daquelas beeemmm pesadas, que a gente tem medo de ir, mas já tá no meio. Agora, cadê o fôlego? Ai, ai. Piada de mau gosto. Eu não tenho provas, mas tenho pela convicção de que as cartas estão rolando e vão parar essa zorra. Jogam a culpa em uma legenda e as outras saem como puras e ilibadas... Oi?

Assim sendo, declaro, mais uma vez, como já avisei antes aqui, diante de percepções do óbvio, por ser uma pessoa neutra, sem esse fanatismo e miopia política como muitos se deixam levar e envolver, revelando uma pobreza de caráter e personalidade, brigando "publicamente" em redes sociais por politicagem, abrindo mão de amigos reais para defender essa falta de respeito ao povo, sem se lembrar que também é povo, tenha afinidade com o partido que tiver, pois bem, digo e repito: continuem a nadar, igual a Dolly de "Procurando Nemo", porque ela sofre de uma amnésia constante... então, observem o jogo. Propaganda é um perigo, uma arma, marketing político é expert em manipular mentes, inclusive e principalmente, as "mais" inteligentes, sim, sim... essa arrogância toda, essa agressividade toda torna refém aquele que pensa estar sendo "inteligente, entendido e politizado". Vão às ruas defender partido tal e partido tal, mas não vejo ninguém se unir para derrubar isso que tá aí e que envolve TODOS os partidos em prol do partido do povo brasileiro, que existe independente das legendas partidárias. Somos um povo que carrega uma herança maldita, uma carga desgraçada por conta de todos os erros e destruições sobre as quais nascemos. E, hoje, uma mega operação promete lavar tudo a jato e parece mais com aqueles lava a jato que deixam nosso carro com areia no porta malas, não limpam os tapetes, nem o que está debaixo deles.
 
Com fome e sem graça - Pois bem: lava a jato bom é aquele que faz o serviço completo, lava tudo, rápido e no grau, pae. Isso que tá aí vem se mostrando mais uma brincadeira de mau gosto que nos deixa aflitos por vermos que eles estão ali só para brincarem de democracia, dando apenas pão e circo ao povo e "nois"? Rindo de se acabar. Quando tem o pão e o circo, beleza, ao menos, estamos "passando bem" e quando nos tiram o pão, porque tá caro e não dá para comprar e o circo, porque a lona rasgou e estamos todos expostos? Com fome e sem graça.
 
Para piorar, vem a proposta de reforma previdenciária... desde que me entendo por gente, a previdência social é a mamadeira farta e grossinha para muita gente graúda hoje, aí. Quem já entrou numa agência da Previdência Social ou no INSS, como muitos ainda chamam, podem ver que só tem pobre mendigando para receber o que juntou anos para ter "sossego", implorando para ter direito ao que tem direito adquirido - ironia danada - e ainda sendo chamado de preguiçoso, porque o país não anda porque o povo só quer deitar na rede e dormir. Esse discurso de intimidação para provocar o pobre orgulhoso e ele trabalhar excessivamente e provar que não é preguiçoso, deixando o chefe mais rico a cada dia é coisa de doido. Só uma pessoa muito idiota para cair e propagar isso. Mas, ainda existe quem queira tirar proveito e grite: "vocês são preguiçosos. Quem quer ganhar dinheiro tem que..." eu completo: tem que fazer um otário acordar cedo, pegar ônibus cheio, ser pisoteado o dia todo, oprimido para não ter tempo de pensar, intimidado com a ameaça de perder o salário final do mês, pois não é o único e tem uma fila de desempregado lá fora..., sair mais tarde, porque comprometimento é tudo. Chega em casa um caco, sem lazer, sem gás, no "bagaço" para dormir, sem descansar e acordar cedo para viver tudo de novo. É isso. É esse ciclo inteligente que os grande ganham e ainda são ingratos. Vamos que vamos, porque é isso mesmo que vai para fila do SUS quando adoece e para a fila do INSS para ter uma sobrevida na velhice que se aproxime de uma realização de sonho de ficar em casa, em seu cantinho, com seu salário mínimo ao final do mês... pois, até isso querem tirar. Então, isso nos lembra o que? Escravidão. Pau no lombo, minha gente, como fizeram com índios e negros em 1500. Olha, quando a operação faxinaço acontecer, aí sim, a lava a jato vai ser fichinha. Aliás, ficha limpa é mais do que não ter ficha corrida, é ser digno do voto popular e honrar o compromisso de fazer algo para o bem maior - referindo-se ao bem maior enquanto todo um povo, tá, não uma conta bancária bem maior. O rombo na previdência sempre foi algo que era citado timidamente nos telejornais... desde sempre. Já vi médico tendo que botar gente para voltar ao mercado de trabalho sem ter a menor condição. Importante que morra, porque é um a menos para usufruir do dinheiro "deles". Esse bando de miserável que assume o poder se apropria do benefício do povo e quer mais que quanto menos gente, melhor.

Pois é. E ainda ficam aí, amigos, familiares, brigando pelo que foi "noticiado" no telejornal como verdade. Quer ver a verdade? Venha para a vida real. Saia da frente da TV. Ande por aqueles lugares que você não vai porque tem gente suja, pobre e faminta, com os "dente" tudo "pôdi", barriga de verme, joelho grande e perna seca. E, minha gente, isso não é por conta de apenas um maldito partido. Isso é por conta de TODOS os malditos partidos, desse bando de politiqueiro que temos e que vivem de uma aparência bem montada, trabalhados na voz que fala "bunito" o que se quer ouvir, na roupa que a gente quer ver, com o cabelo beeemmm arrumadinho, tudo engomado, te engomando.

Tenho medo e estou desesperançosa. O Brasil caiu, ninguém sabe, ninguém viu, porque é barril. Onde estão seus amores e amados, pátria amada? O gigante que se ergue é o monstro da roubalheira. O gigante adormecido tá deitado depressivo, porque tudo perdeu o sentido, está faminto, sem pão e sem circo. Sem alegria, sem motivo para levantar. Nesse desânimo, o gigante vai hibernar por muito tempo. Não há como lutar com pés e mãos atados. Fim da cultura, do lazer, do entretenimento, da saúde, da vontade de se fazer acontecer, porque parece que é impossível uma solução. Só a fé nos diz: mantenha a chama da esperança acesa, porque ela é a última que morre. A minha esperança está padecendo... com fome de arte, com sede de investimento em cultura, com falta de saúde e condições para ela, sem segurança, porque os bandidos hoje são as estrelas do crime que "compensam" - e não me refiro ao MC Beijinho, esse, graça a Deus, teve uma "chance" através da "arte", questionável ou não, mas, vamos crer que ele vai poder ser alguém melhor - me refiro aos grandes bandidos dos colarinhos alvíssimos. Eu quero ser feliz agora! E quero que a Justiça seja feita a jato, como prometido, mas com efetividade, lavando e limpando tudo! Até aqueles cantinhos citados e que ninguém quer tocar, porque vai mostrar que muita sujeira vem dele...

Pat Lins - consternada e desabafando para esvaziar.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

REALIDADE NO MUNDO DE FANTASIA X REALIDADE REAL


Pelo que venho vendo, a maioria de nós acaba se acomodando em alimentar e desenvolver o setting do mundo fantasioso e sofrer a angústia de ter o trabalho de sempre "criar" e enrolar, do que viver e ver a realidade.

É como se doesse menos sustentar um mentira - ou fantasia - do que encarar a própria verdade!

Para mim, a verdade dói. O choque de realidade dói. Mas, passa. Depois, fica a Vida.

Dói mais e desenvolve sofrimento acreditar em ilusão, não se ver e, um dia, se deparar com a verdade do que se permitir ver a verdade, sentir a dor e deixá-la passar, usufruindo do benefício da libertação!

Ser feliz é de graça, mas, não custa pouco... o custo é abrir mão de certos valores deturpados e cultura de vida improdutiva. Em compensação, na relação custo-benefício, vale muito!

A vida é uma arte! Uma arte viva. 

Pat Lins.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

DECEPÇÕES



O problema das grandes decepções que temos, na vida, são o simples fato de que são coisas tão pequenas diante da grandeza do infinito que, quando a gente deixa "ficha cair" e entende isso - lá dentro de nós, como o sangue que corre nas veias - a gente vê que tudo não passou de um golpe de estado do estado desequilibrado do orgulho, da vaidade e do melindre.

Todo mundo tem algo de bom a nos mostrar... pena que alguns não conseguem mostrar isso nem a si. Mesmo assim, são capazes de mexer tanto com essas nossas emoções baixas que a gente até entende: todo mundo tem algo de bom, nem que seja o lado ruim da pessoa nos fazendo ver o nosso lado ruim, também!

Decepção é apenas isso: a gente ver que a pessoa não é o que a gente "achou" que ela fosse. Agora, quem mandou  a gente "achar", nada? Agora, temos que devolver. Devolva para o mundo de ilusão a verdade e diga: essa é a pessoa. Se tiver forças em si para lidar com essa diferença, lide. Senão, caia fora e mantenha um DS - distância saudável - até se trabalhar o suficiente e ser capaz de entender que nós também somos as decepções de outros que também nos idealizam e se desapontam quando se deparam com a realidade.

Vamos fazer uma campanha em prol da "auto franqueza". Reconhecendo na gente primeiro, que somos falhos e passíveis de erros "sem querer". Dói quando o erro é consciente e intencional. No geral, erramos por pura imaturidade humana. Ninguém se iluda e se "ache" muito maduro, perfeito e superior... tem sempre algo em nós que requer muito de nossa atenção para transformação verdadeira... se a gente não enxerga, um dia teremos que devolver ao mundo da fantasia a imagem do real e, aos poucos, o mundo da fantasia vai sendo apenas um espaço livre para idéias, criatividade e fantasia, com consciência da existência dos dois mundos: o da fantasia e o real. 

Para evitar as decepções? Simples: quebrarmos os paradigmas dia a dia. Questionar as emoções desencadeadas. Olha, isso não quer dizer que sejamos obrigados a conviver com todo tipo de gente para se testar ou resignar... Para mim o processo é outro. A gente vai se abrindo e se construindo a cada vez que conseguimos quebrar um pensamento engessante. Não é de vez. Não é para ontem. Até para essa quebra, antes de tudo, entender que será um esforço constante. Paciência será desenvolvida. Compreensão assume o comando. Vida, Tempo e Natureza vêm para guiar. Fazendo tudo certinho, ainda assim, sempre teremos algo novo para errar, imagina nunca tentar? Ninguém alimente a ambição audaciosas e presunçosa de se "achar" capaz de se tornar um ser elevado em três dias. O trabalho quando começa, não termina e sempre vem algo maior e maior. Assumir a responsabilidade pela vida é se abrir e se tornar cada dia menos denso para, um dia, alcançar ser um ser mais leve. E sem essa de ser chato e viver dando sermão em nome da "verdade deve ser dita". Verdade não ofende. O que ofende é a conotação que damos ao que dizemos, ou seja, "o que queremos dizer?". E se a pessoa não sabe receber a gente ainda se ofende: "eu só falei para ela ver as próprias falhas...". Todo mundo vai se doer. Nem todo mundo está aberto para refletir após uma observação "verdadeira". Fora que, para mim, estou entendendo que a verdade nem precisa ser dita, porque ela, por si só, revelar-se-á. Tá na cara de todo mundo. Olha que eu só aprendi isso há mais ou menos um mês, quando disse um monte de "verdades bem intencionadas" a uma pessoa e ela me disse: "têm coisas que você me disse que não saem mais... magoou fundo". Vou me chatear com ela? Eu caí em mim ali. Me toquei de que fui leviana, ainda que falando a verdade. Quer outro exemplo? Estou gorda. É fato. Eu conheço umas pessoas que se limitam a ver apenas a fachada dos outros. Toda vez que me encontram, me falam: "Nossa, como você está gorda! Tem que fazer uma dieta". No início eu ficava P da vida. Um dia, me questionei: "é mentira?". Não. É verdade. Me questionei mais: "o que elas têm com isso?". É mentira? Não. É verdade. Daí, me questionei mais: "Então é assim...? Certas verdades são tão óbvias que, mesmo estando na cara - ou no corpo - a gente se esquiva e finge não ver. Como a gente não se aceita, a gente rejeita o que vem de fora com agressividade... Mas, se eu estou gorda, e não faço nada para emagrecer, então, preciso me aceitar e me enxergar assim, sem demérito. Depois, assumindo, aí sim, terei algo a mudar...". É verdade, ou não é? Não me dói mais escutar a mesma coisa da mesma pessoa. De quebra, entendi que para essa pessoa, mais importante que "ser" é "parecer ser". Iria me voltar e dizer para ela: "É, ao menos não sou superficial..."? Que mal há nisso? Ela é assim. Aos poucos, no cotidiano, vou aprendendo. Nessas simples e corriqueiras ações etá muito dos nossos pensamentos mais profundos - ou rasos. É daí que vem o desenrolar. Eu não me decepcionei com a pessoa, nem comigo. Vi nós duas, ali e tive opção de escolher o que pensar e como agir. Como EU não estou bem resolvida com meu excesso de peso - mesmo sabendo que tenho uma saúde de menina: pressão baixa, glicemia, triglicérides, colestrol... tudo OK, a gordura é apenas uma questão estética, mesmo - eu vou me "doer". Então, se mesmo eu, do jeito que me questiono e sei que é bobagem minha, mesmo assim, sinto - e continuo a me questionar como resolver essa questão - por que eu vou "achar" que os outros devem "re"agir bem à exposição da verdade? 


Cada um cria a sua maneira de ver a verdade, mesmo ela sendo uma, mas, trata-se de como lidar com a realidade, muito mais do que ver a verdade. A realidade de cada um, sim, envolve um conjunto de outras tantas coisas que pode misturar fantasia e real, sem deixar de ser realidade. Isso varia de ângulo para ângulo, penso eu. Mesmo assim, a verdadeira realidade sempre estará ali, no lugar dela. Um dia a gente vê e se espanta: "você está aí?" e ela vai responder com serenidade - porque a verdade é clara, serena... é como é, portanto, não há mais nada além de ser o que é e pronto -: "Sempre estive, meu bem! Que bom que me viu!". Isso que é paciência. Esperar a vida inteira para ser vista, sem pressionar, ofender, gritar, brigar, se magoar ou se decepcionar. A verdade não decepciona porque ela não se impõe, ela É. 

Sejamos VERDADEIROS. Isso só é possível quando começamos a sermos verdadeiros conosco. Não tem como ser diferente. Quando não nos escondemos mais de nós. Nem que seja admitindo: "não tenho forças para me ver, agora!". Nada de sincericídio. Isso não ajuda, não une, não estimula, não é verdade. 

PS - agora, se eu pergunto a um amigo a opinião dele, eu escuto a opinião dele - o que chamamos de "verdade subjetiva"... - não uma verdade universal. E a opinião de um amigo trás um pouco da sua própria relação com a vida, com o outro e com seus pensamentos. Revela um pouco do mundo desse amigo, ou seja, envolve a emissão de um "juízo de valor" e isso é muito mais do que pessoal, é pessoalíssimo. Passa por lugares, pensamentos e sentimentos que só aquela pessoa sabe e/ou nem sabe...-. Uma opinião deve ser considerada como algo a refletir, porque, apesar de sair de outro mundo e do ângulo que esse mundo vê o seu, o "como" a gente se mostra chega no lugar com determinada informação. Quem emite essa informação somos nós. Agora, claro, não descarto a hipótese de que há pessoas que criam muito e em demasia e se perdem nesse mundo de ilusão, fantasia e solidão - não estou falando de quem se encontra vivendo só, mas,d e solidão por ser o único naquele mundo próprio e pessoal e não concatenar mais com a realidade externa, do real - e, diante de uma realidade comum, ou social, emite juízos alienados e sem sentido... Bom, o que quero me dizer é que "tudo pode ser refletido" e isso evita uma decepção. 

A decepção é uma emissão de juízo de valor... É muito mais subjetiva do que real!

Pat Lins.

sábado, 28 de julho de 2012

CARÊNCIAS DANOSAS


A maioria de - para não afirmar categoricamente que TODOS - nós tem algum tipo de carência. Alguns de nós consegue identificar e administrar... outros, nunca sequer se deram conta e, possivelmente nunca se darão... outros sabem, preferem esquivar... outros, fingem tratar e fingem que sabem lidar... enfim, ser carente é algo natural e inerente ao ser humano. Temos carências a serem supridas, temos sempre algo em nós a trabalhar, a melhorar, a desvendar.

Para mim, o grande problema não está na carência em si, mas, nos danos que a falta de consciência do carente pode causar. As necessidades de auto afirmação parecem pragas. A pessoa não se contenta em querer "mudar" a sua realidade - que, para mim, se ela quer se auto afirmar é porque ainda não se encontrou ou está num caminho que não deveria estar e está perdida... - e necessita que os outros também mudem na mesma direção. Vou dar um exemplo bem chulo: conheço uma pessoa que tem prisão de ventre. Ela quer que todo mundo tenha... Assim, ela chega e diz "você tem que comer ameixa, porque solta mesmo..." ou "descobri que se eu não comer mamão todo dia, minhas fezes saem duras e ressecadas... quando como, saem macias, macias...". Veja, que papo... E isso ocorre em qualquer lugar. Eu não me incomodo em falar "merda", "cocô", e etc. Mas, eu sei que tem gente que se remexe todo só em escutar essas palavras como se não as fizesse... Mas, enfim, em respeito aos outros, devemos saber onde e quando podemos abordar esse assunto. A não ser que parta de uma pessoa carente e que queira te convencer a ter prisão de ventre, também. Essa pessoa falará em qualquer lugar. O mais interessante é que o papo não começa com: "você tem prisão de ventre?", pelo menos, para justificar as receitas. Não adianta dizer: "Ah, tá! Mas, eu não tenho prisão de ventre, não...". A pessoa passa por cima e continua: "Mas, olhe, coma...". Como tenho me esforçado para desenvolver a bendita e dificílima paciência e uma boa base para ela é a compreensão, compreendi que a pessoa precisa se aceitar. Entretanto, para isso, eu não preciso ter prisão de ventre... concorda? Assim, a deixo falar e vou me esquivando. Não adianta falar que eu não sofro do mesmo mal, ela quer receitar para si e me usa - bem como a outras vítimas - para ver se entra na própria cabecinha.

Compreender não quer dizer se submeter. São coisas distintas. Com respeito a pessoa que é mais velha do que eu, estabeleço minha DS - distância saudável. E não me criem uma imagem de boazinha, não... isso é um esforço enorme, que faço. O oposto da prisão de ventre - a diarréia, mesmo - me vem em forma de pensamentos para serem colocados para fora e ver se a pessoa se toca. Uma vez, dei vazão a abri o verbo... Adiantou? Nada... Ela ainda achou que eu estava saber lidar com a minha prisão de ventre e não estava admitindo... Ou seja, entender que a DS se faz necessária é porque bater de frente - ou de lado, ou de fundo... - não surte efeito. Tem gente que a mente é mais fechada do que fechado hermeticamente. Não entra nada. Infelizmente, só é fechado de fora para dentro, porque de dentro para fora jorra...

Isso me fez ver - não a prisão de ventre, mas, a pessoa e outras pessoas - que existem carências altamente danosas. Esses seres dotados dessa enfermidade de carência que depende de infernizar a vida do outro para se sentir alimentado - vulgo "vampiro", manipulador... dissimulado... - podem nos causar grandes danos. Tipo "água mole em pedra dura...". Por isso que caio fora. A DS - Distância Saudável - salva as duas partes, porque se essa pessoa ficar batendo numa represa, nossa, vai morrer afogada.

Como minha carência de entender as coisas não é saciada, afinal, essas pessoas carentes danosas em específico, nada dão de informação coerente - elas, sinceramente, não fazem muito sentido... - e, assim, impossível entender o que as norteia, porque nem Norte elas têm... vivem reagindo e por instinto, como animais selvagens. Mas, elas não também não me compreendem, o que me tranquiliza: estamos quites!

Como eu não sei o remédio para esse tipo de carência altamente perigosa - e, pior, a medida que o tempo passa, a doença mais se instala e mais crônica e aguda e profunda e pior, muito pior, fica... a loucura se estabelece e, aí, minha flor, sai debaixo, porque só vem bomba... e merda... - eu estabeleço uma distância saudável para ambas as partes. O detalhe é a gente saber se a gente faz parte das vítimas ou dos causadores... É! Isso é sério: o diagnóstico. Para lidar de uma maneira menos tensa para mim, durante os encontros inevitáveis - sim, eles acontecem - eu desenvolvi duas técnicas, que são determinadas pelo meu estado de espírito e minhas carências, no momento, que são a TÉCNICA DO FICAR CALADA E NADA SEI, NADA FALO, NADA ESCUTO (quem dera minha audição me obedecesse... minha carência de tentar entender me força a escutar tudinho...) e emitir apenas pareceres do tipo "não tem idéia formada sobre o assunto... talvez seja..." ou, simplesmente, uso a TÉCNICA DO ESPELHO  e repito o que fazem: "você já viu que..." e enfio informações até cansarem - o que é rápido... essas pessoas não gostam de escutar, aliás, nem sabem; não desenvolveram essa competência, não - ou, nasceram sem, o que é minha forte suspeita e me ajuda a ter um mínimo de compaixão. Quando ajo como agem, meu Deus, caem fora de mim. Mas, para isso eu tenho que estar iluminada e com muito bom humor, para não ser irônica. Sinceramente, essa não é minha intenção. Nesse aspecto eu assumo meu lado boazinha. Sim, ele existe em mim, também. 

Enfim, hoje eu tive mais uma prova de que essas pessoas são cegas, surda... só não são mudas... E têm a pior das cegueiras que é a de NÃO QUERER se ver.

Esse é o preço que pagamos e fazemos os outros pagarem, quando não nos conhecemos. Nós perdemos a noção do limite de acesso e saímos invadindo os espaços alheios... Ou, tentamos invadir insistentemente esses espaços, principalmente, quando há resistência. Parece que melhora o sabor...

Vamos nos fazer melhores de verdade. Não é só falar bonitinho que faz e acontece, que frequenta isso, pratica aquilo... tem que ser, mesmo. Só se é sendo, não tem jeito. Por mais que doa, vamos usar o "remove-dor" - como no livro "O Colecionador de Segredos" - e permitir que suas pequenas doses nos fortaleçam. O "remove-dor" remove nossos medos e nossas preocupações e nos permite beber boas doses de VIDA. Os carentes danosos esquecem de viver de verdade e vivem de fantasia... Vivem no mundo da própria fantasia e têm imensa dificuldade de aceitar a realidade, por isso não ouvem nem a própria voz. Eu penso que se se escutassem, no mínimo, se questionariam...


Olha, gente, a gente tem jeito, sim. Vamos nos permitir! Para encontrar a harmonia, cada um de nós precisa se harmonizar consigo e com o que há de melhor em si.

Pat Lins.

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