sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

SOBRE O TEMPO...

Imagem: Blue Time por Carien van Hest

Há algum tempo, o tempo era algo tido como "terrível", pois nos lembrava a condição de mortais. Mesmo assim, dentro dele, se era possível viver. Havia tempo para viver e sentir, sentir e ser. Mesmo com pouco tempo, se aproveitava o tempo, a família, o amigo, o vizinho... os pequenos prazeres que eram tão grandes e importantes, magníficos instantes restauradores de força, fé e alegria.

E o tempo foi passando, seguindo sua própria lei de seguir e nos lembrar que ele não vai, nem volta, que esse tipo de tempo é apenas uma condição para nos lembrar da perecibilidade da matéria, de tudo que é duro, denso, material, carnal, físico. E isso causou medo para as frágeis mentes que somos... esse medo se tornou pânico. Esse pânico se tornou um surto psicótico. O desespero criou um tempo acelerado, acelerando o ritmo dos afazeres, o trabalho como fuga da realidade, o dinheiro ganhou ainda mais corpo como "propulsor" ou "facilitador" de poder, ou até como "Lei Maior", criando a tal proteção e segurança para quem o tem em extrema abundância.

Medo, pânico, terror, ambição, angústia, doenças, crises, desgraça, destruição...

As aranhas continuam a tecer seus fios, no tempo de sempre, natural e cadenciado, sem pressa... sem atraso... sem euforia... sem desânimo... apenas tecem. Apenas seguem o fluxo natural.Os animais das florestas correm, procurando sobrevivência, fora do fluxo natural e da lei da selva, vivem agora uma balbúrdia agressiva, descompensada, extremamente acelerada e sem sentido real e concreto. 

Pare um pouco e se pergunte: essa loucura que criamos e culpamos o senhor Tempo, faz algum sentido? Não assumimos nem a responsabilidade de que perdemos o controle sobre nossa criatura temporal fugaz e veloz, tão efêmera que evapora mais rápido que o éter e nos deixa cada dia mais cansados e necessitando de mais combustível que o normal. Alguns de nós, ao nos reconhecermos co-responsáveis, ainda que dando sequência a um arquétipo insano e insalubre, praticamente zumbis e sem liberdade ou vontade, buscamos em nós e na cooperação mútua entre amigos e familiares afins, esse reabastecimento sadio, com amor, compreensão, não falo de uma realidade fantasiosa, falo da concreta, que inclui alguns desentendimentos, brigas, discussões, raivinhas, mas, tempo para se reajustar através de algo que muitos não têm mais: tempo para entendimento...com isso, nos permitimos reconhecer a falha e imprecisão em nós e no outro, diminuindo o impacto nocivo do peso e dos genocídios que causamos diante de tanta intolerância onde, muitos que lutam para ter seu espaço respeitado, saindo do seu núcleo de interesse, revelam-se cruéis e intolerantes com outro núcleo e assim, fortalecem uma teia perigosa de sucessão de destruição, ou seja, não há tempo também para aquilo que não me interessa, percebe? 

E por aí vamos... mas, quando nos abrimos para dentro, nos permitimos estar nesse tempo louco, criado por nós mesmos, onde as 24h de um dia criado por nós, humanidade, diminui a cada dia, mesmo ainda contabilizados como 24h... com sensação temporal e rítmica de 12h... criamos um dia de 12h, no máximo, 16, 18h. Cortamos o tempo que criamos para termos menos tempo livre, mais tempo ocupado e mais tempo para não ter tempo de entender, apenas passar. Não seguimos mais fluxo, porque não dá tempo, exige muito de nós... melhor apenas passar...

Qual o melhor nome para isso tudo? Loucura? Que nada, os loucos são mais livres... negam essa realidade destrutiva e, nós, os certos, os chamamos de loucos. Certos são eles, isso sim.

Nosso tempo é de soberania: eu sei o que está em minha cabeça, não tenho tempo para te dizer, atropelo a tudo e todos, porque não tenho tempo a perder e se você não me segue, louco é você, além de incompetente e burro. Daí, do auge da minha tirania ensandecida quando associada a algum tipo de poder, me elejo poderoso/a símbolo da perfeição, portanto, você, outro, você é culpado por existir, poupe-me da sua presença... Minha nobreza me permite te julgar e condenar nesse meu tempo e pronto, não tenho tempo a perder!

Isso vem nos tornando tão insensíveis que pensar cansa, apenas os meus pensamentos soltos e desconectados com um tempo necessário podem pulular e gravitar em minha brilhante mente. Quantos nobres soberanos, verdadeiras divindades vêm agindo assim... mas, porém, entretanto, contudo e todavia, a realidade que não é menina - e, por essas forças ou desastres da natureza, que renegam e "injeitam" o que é natural, pois para isso precisa-se de um tempo que não têm para esperar passar cada etapa... enfim - a realidade, no tempo certo, se revela mais poderosa e dá um choque: VEJA! Podemos até querer negar, mas é tão claro, tão direto que, mesmo negando e criando a realidade paralela e fantasiosa e migrando para lá, ela é assertiva e perdemos força, enquanto energia... nessa hora, para não cair e como não temos tempo hábil e natural para esperar a recarga energética, criamos uma condição além de zumbis... nos tornamos o que? Vampiros, pae! Sugando de quem ainda tem, deixando a pessoa seca e, seca, já não me serve mais, hora do  juízo final: morra, peste imprestável que não serve mais para me servir. A gente tá tão surtado que, quando não se acha Deus - para não parecer que não temos humildade.., se auto define como uma simples entidade... 

Ai, ai... quantos de nós está assim? Nos tornamos algo indescritível, irreconhecível, porém, assustador. Atiramos primeiro para depois perguntar, para não perder tempo. Tempo precioso, raro e... e... sem palavras. Esgotou meu léxico. Só sei que não temos mais tempo para ser, para parar e permitir sentir... parar toma muito tempo, exige parar, pensar, sentir e sentir dói, porque cansa, porque lembra que somos matéria bruta, dura e apodrecendo a cada dia. Melhor é passar por cima, fingir que esse tempo "implacável" não me atinge e acreditar que estou acima dele, intimidando a todos para que não tenham tempo de me perceberem tão pequenos quanto eles... Meddoo! Têm medo de se aceitar como falho e tão banal como os que banaliza. Aqui caberia aquele emoji com olhinhos para cima de "Ops! Falei!". Ahh, pode ser um #sqn 

Bom, eu? Eu prefiro me ajustar ao Tempo, no tempo que tenho. Tenho tido pouco tempo para dar conta dos blogs, mas, sentindo cada experiência, vivências surreais e seguindo, sem comprometer minha essência genuína... desenvolvendo comportamentos adaptando a essa realidade tosca e sonhando com a mega acumulada do final de ano para me libertar do tempo da pressão de quem tem que pagar as contas na data certa. 

Vamos vivendo como dá, como pode... mas, descobrindo a cada dia, a cada instante, que ser feliz depende de mim, não desse tempo louco, dessa guerra mundo a fora. Poderia escrever muito mais, mas ninguém teria tempo para ler e eu digo que não tenho para escrever... aqui já dá uma ideia do alerta que precisamos nos fazer e impor vez ou outra de que podemos ser "obrigados" a desenvolver comportamentos, tipo personas mesmo, para cada situação e isso mina nossas forças, mas que podemos ser ainda gente, pessoa, ser vivo e sentir, acolher e ser acolhido, compreender e entender que para tudo há uma explicação e com o tempo, o entendimento se faz e feito, a verdade se estabelece. Mesmo que os outros pirem e me matem em noma da falta de tempo, morro com dignidade e isso, ninguém me tira, para melhorar, isso fica! É o que fica num outro tempo que surge após os ataques ofensivos e destruidores de energia vital - sim, ninguém está imune... nem os próprios agressores - que é o tempo que se estabelece com a Verdade atemporal. Quando ela se revela, ou quando nós a desvelamos ou paramos de fingir que não a estamos vendo, aí sim, ela linda, altiva e sábia cura tudo e todo o tempo, de todos os tempos, se ajustam. Sonho com esse dia, muito mais do que com a mega acumulada do final de ano...

Pat Lins - atemporizando-me

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

SOBRE TUDO E SOBRE NADA - UM RAIO X DA MODERNA HISTÓRIA DE SEMPRE

Imagem: http://kdfrases.com/frase/109297

Nossa doença se chama ser humano. De tempo em tempo, uma febre é criada. E quanto maior o terror e pânico que causa, mais nos tornamos reféns. O marketing sobrevive desse medo e dessa euforia. Um alimenta o outro, cria cisões, proliferam um clima de catástrofe. Adorei um texto que li e diz que um determinado jogo veio como o raio x. Ou seja, veio revelar o que já existe. O mal da humanidade sempre foi a superficialidade.

À medida que o tempo passa, o desejo de fugir das consequências que criou aliena boa parte das pessoas. Preocupa-me ver o alarde/força que estão dando a algo, sem sequer perceber que o estão alimentando. Não jogo esse jogo, muito menos joguinhos do face, entre outros. Lembro constantemente que somos manipulados desde sempre, pois foi mais fácil crucificar o Cristo e libertar um bandido.

Temos uma tendência natural à estupidez. Quanto mais atacarmos esse jogo, mais força ele ganha. E menos perceberemos que já somos manipulados há muito tempo, transferindo para esse modismo que poderia ser passageiro e não causar tanto "mal" a "culpa" de tanta estupidez... Já o somos, com ou sem ele. Até o que vestimos, como vestimos, o que comemos, onde comemos, shoppings, tv, o estilo de entretenimento criado e firmado nos levam a viver essa vida vazia. Um jogo que faz esse sucesso e cresce cada dia mais pelo pânico que cria, mostra que sua força é fraca, porém, nós o fortalecemos e instigamos mais pessoas a jogar, criando um clima contraditório de medo e curiosidade... infelizmente, não adianta mais pedir que evitemos bater de frente... Já fizemos e ele se firma. Somos um povo mais do que ignorantes. Somos estúpidos, de natureza dura. E nosso cérebro é muito estranho. Quanto mais argumento para dizer "não jogue", mais gente jogará. Eu opto por ver o que de bom pode trazer, porque na dualidade que vivemos, tudo tem um porquê e um lado positivo.

Caminhemos em paz. Não precisamos desse jogo nem em palavras. Pronunciar seu nome é fortalecer um recall, e nem percebemos.

E, outra coisa, orientemos quem nos perguntar ou comentar : "Você já baixou para matar sua curiosidade?  Porque eu baixei, só para compreender, não compreendi, desisntalei e vi que eu não sou doente, nem ignorante. Falo do que fui verificar para hoje dizer que loucos somos todos, com ou sem esse jogo. Ele é apenas mais um alerta de quem e como somos ingenuamente burros."

Sabe aquele lance de uma mentira repetida várias vezes que se torna verdade? É verdade. Quanto mais repetimos, mais força damos. Ninguém se iluda ao achar que repetindo se está combatendo... nem se iluda como se fosse o mair guerreiro em batalha. Bobagem! Está sendo co-responsável. Está fortalecendo. O verdadeiro combate é fazer algo de útil, de verdade. É não julgar o que leva e a quem leva, nem tentar entender o que os leva. Eu,  caçador de mim! E assim, sim,  será muito mais real. Só se é sendo. Falar de um ponto e ser vítima de algo similar, soa como hipocrisia. Afinal, você pode não jogar esse jogo, mas é manipulado pela mídia, pela moda da roupa, pela moda da comida, pelos joguinhos em redes sociais... tudo em nosso cotidiano é manipulação. Só assumindo que somos encontraremos a libertação - ou a porta para essa tal liberdade. Muita coisa é viciante e nós somos altamente viciáveis.

Ocupe seu tempo com algo que realmente goste. Ficar aí caçando quem caça, te afasta de si.

Minha opinião e alerta.

Pat Lins

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ser Mulher e não poder ser...

Imagem : Olhares Sapo
Gente, se dói em cada uma de nós, a brutalidade de uma menina de 16 anos sofrer estupro coletivo por 33 homens, incluindo o namoradinho, imagina a família da menina?  Imagina, agora, a família dos idiotas? Imagina a mãe, a irmã, a esposa ou namorada de algum deles? Que perigo correm. Que decepção vivem? A mãe de um desgraçado desses deve estar sofrendo mais do que todo mundo, quero crer, por ver que aquele ser que ela, mulher, gerou dentro dela foi responsável e irresponsável por isso. Imagina a própria jovem! Como serásua vida, suas crenças, sua maneira de se relacionar... Estarrecedor é que os homens, são meninos, jovens de 18 anos, em média. Jovens do século XXI!

E voltemos na história. Quantas escravas passaram por isso, sem ter a quem recorrer,  sem ter quem defendesse. Aconteceu algo parecido no Piauí e só soubemos em rede Nacional porque a ONU emitiu uma nota de repúdio... o que vivemos é um arquétipo mais do que cruel. Não se trata de machismo apenas, se trata de algo muito maior. Se trata de poder e empoderamento. O preconceito social, regional... Se trata de permissividade por algo que ninguém sabe quando começou. Se trata de antes da Bíblia ser escrita... é algo da era das cavernas, onde os homens arrastavam as mulheres pelos cabelos para possuir. Assim como viam uma carne e seguiam os instintos para devorar, assim o faziam quando viam uma mulher. Sempre fomos objeto de satisfação e posse. Por mais sutil que seja, os homens sentem que mandam na gente. Os muçulmanos praticam esse crime ediondo em suas mulheres. Jesus salvou uma mulher de ser apedrejada. Jesus foi questionado porque permitia que uma mulher o seguisse e porque ele dava atenção a ela como aos seus apóstolos. Maria Madalena foi essa mulher que representa a liberdade de ser mulher, por ser humana tanto quanto os homens, mas o negócio era tão feio que ela nunca pode entrar num livro bíblico, tendo ela escrito e passado a verdadeira mensagem do Cristo. Hoje, se reconhece que existe esse livro apócrifo. É algo que não faz o menor sentido. Algo reforçado pelas religiões. Algo reforçado pelo interesse que assim permaneça.

Até quando? Já avançamos muito, mas falta o essencial : respeito real e natural pela igualdade de direitos. Que fisicamente somos diferentes sabemos. Porém, essas diferenças não justificam uma supremacia "macho alpha" sobre a sociedade.

Nossa sociedade está bem refletida no padrão insano de "linda, recatada e do lar" que para muitos apenas uma piada, para outros apenas um ponto de vista e cultural... para nós, um perigo e alerta.

A culpa é sempre do algoz, não da vítima. Que fique bem claro, minha gente. Nada justifica a brutalidade, um atentado desse nível. NADA! Que a menina estivesse nua. Não estamos falando de relação sexual. Estamos falando de ESTUPRO,  de agressividade, de uma quase morte, porque o que aconteceu não foi o prazer sexual mas um gozo desgraçado pelo poder que aquela posição lhes deu: o poder de destruir. Foi uma ode à crueldade, insanidade. Um deleite sádico de ver o sofrimento do outro, a vida de uma menina nas mãos deles. Poupem-me de justificativas vazias. Se fosse um cara sendo seduzido por ela, seria relação sexual consentida. Se fosse um joguinho barato de sedução uma das partes teria direito de escolha. Não foi isso. Não foi algo que tenha justificativa. Não há razões. E uma mulher muçulmana, que anda de burca, quando um desgraçado e desalmado desses estupra? Para piorar, ela ainda sofre mais estupro, o estupro corretivo, coletivo,permitido pelo pai e lela lei porque se um homem chegou a esse ponto foi porque ela pediu. Ou seja, a culpa é dela? Covardia!

Para meu filho, sustento a importância de se respeitar qualquer pessoa, não entro pelo gênero porque não buscamos segregação, buscamos o respeito natural do Ser com outro Ser. E não é tarefa fácil nadar contra essa correnteza e loucura estabelecida.

Sejamos as semeadoras de tâmaras em forma de filhos e filhas com valores e virtudes.

#LugarDeMulher #HomensEMulheresRespeitoMutuoENatutal #BelaDestacadaEDaVida #ViverMelhor #UmMundoMelhor #MulherÉSerHumano #MulherDeveSerRespeitada #Mulher

Patricia Lins

quinta-feira, 19 de maio de 2016

EM CIMA DO MURO COMO POSICIONAMENTO PACÍFICO

Imagem: Mundo Ubuntu
Percebo que esse ritmo de vida que desenvolvemos só tem causado problema... será que é só "achismo" meu? Vejo as pessoas acreditando em tudo que se é divulgado ao bel prazer do entendimento. Me assusto, inclusive, com algumas atitudes de pessoas que se intitulam e colocam como "pensantes". Não julgo, porém, não deixo de constatar. Apenas afirmo e reafirmo que se trata de uma maneira de pensar. Por isso, comigo, não há guerras, intrigas ou afins. O cenário político e econômico atual do Brasil revela algo muito mais grave: o social em crise. Uma crise moral, de valores, de respeito... melhor: falta de moral, de bons valores, de respeito. Uma intransigência que "Deusmelivre!".
Outro dia, subindo o elevador de um determinado local, eu com jornal na mão, vejo matéria sobre o impedimento da presidente e a ode à "Lava-jato" e digo: "que bom que a democracia permite isso. Mas, que não pare por aí. Que sejam investigados, sob a mesma linha desenvolvida e alegações que conduziram a esse levante de dados, todos os demais citados. Se serviu para um partido, os outros citados também devem ser olhados de perto. Aí, sim, acreditarei que o movimento é imparcial. Fora isso... para mim é só o começo de algo mais sombrio do que aparenta". Isso, falávamos suavemente, segurando a porta do elevador - coisa feia... - e uma grita: "para mim já tá bom! Eu quero é que continue investigando esse PT que só tem ladrão...". Susto! Uma pessoa "estudada", inteligente... veio para cima de mim e da outra pessoa como se fosse bater na gente. Eu sorri e disse: "creio que estamos falando quase a mesma coisa. Porém, apenas porém, eu quero que vá até o fim. Tire todo mundo!". E ela: "eu também! Que todo mundo do PT saia!". Por essas e outras que vejo uma coisa, só acho: o brasileiro é um povo "ruimzinho", viu? Aceita tudo que vem pelas grandes mídias... Aí, vejo que somos o quintal dos EUA. Na Europa se tem Educação como parte da Cultura. E todos são culturalmente bem educados, porque são pessoas orientadas a questionar, a não baixar a cabeça e se conformar com unilateralismo ou disfarces, ou manipulações, máscaras...
Um povo com Cultura definida tem Identidade, sabe ser mais tolerante. A intolerância faz parte da anti-cultura, da burrice, da estupidez. Como os ataques da senhora que me referi e tantos outros. Estou brigando com ela? Estou "de mal"? De jeito algum, para mim é o jeito dela e de muita, mas muita gente pensar. E assim se faz a história: cada um conta a sua versão dos fatos, amplifica seu ângulo para o todo e agride aqueles que não compactuam, ainda que pacificamente, da sua ótica. Minha ótica não é em cima do muro por não querer me posicionar, minha ótica fica em cima do muro do discordar dos dois lados, pois não creio em "um, nem no outro" e sim num todo maior, além do que se estão fazendo. Digo NÃO à manipulação, e ao retrocesso. Digo NÃO ao desrespeito. Como conversava com uma pessoa e concordamos num ponto muito interessante: "problema dos grupos mais radicais como os Bolsonaros e outros é que nós compreendemos o ponto de vista deles, ainda que pensemos diferente, temos um nível de compreensão e respeito, a gente inclui enquanto eles excluem qualquer um que pense diferente... isso é intolerância". Pois é!
Se um tem direito de manifestar, o outro também tem. Isso é estar em cima do muro? Respeitar é estar em cima de que muro?
Infelizmente, na atual conjuntura, enquanto o muro estiver ali, dividindo opiniões, amigos, familiares... pessoas, em cima dele estarei, porque muito se lutou e luta para que as divisões sejam transformadas em multiplicações. O Respeito traz essa base. Enquanto houver muro de segregação, há cisão. E se há cisão, graças a Deus temos a parte de cima do muro - que para cada lado se torna das lamentações, pois encontram uma zona neutra - pois, se não houvesse a parte d cima do muro, o futuro estaria comprometido e uma guerra acirrada se estabeleceria muito pior do que se apresenta.
O "muro" de hoje é a possível solução racional e ponderada de amanhã. O muro que me refiro são os da zona neutra, que assumem não tomar partido de um ou de outro lado, mas observam, constatam e enxergam os dois lados e mais outro: o que deveria ser realmente visto - o Brasil e os brasileiros.
Ademais, tudo circo. Sem ofender o circo, claro!
Em cima do muro é possível ter um pouco de paz e não cobrança, para se manter consciente e acordado nessa clara manipulação de ideais e interesses partidários. E nós, povo, onde ficamos? No paredão! Melhor me manter em cima do muro, enquanto ele ainda existe. Se ele cair sem respeito ou conciliação, adeus o que resta do engodo que ainda chamamos democracia. A quem interessar possa, assumir-se de um dos lados não é erro, é escolha consciente. Escolher um dos lados e culpar quem não é, isso sim é erro. Escolher um dos lados e se tornar agressivo com quem não é, isso sim é erro, loucura e insalubridade. Nos observemos dentro dessa crise... Além da crise coletiva, desencadeada em nome da democracia, ainda que não sendo muito bemmm esse o objetivo real - olha o veneno... - a crise individual vem mostrando um ódio entre pessoas próximas que não se justifica ou restringe à escolha do lado de cada um... olhe bem se o problema não é em mim mesmo? Muitas explosões, atritos, brigas... enfim, isso é algo a se observar. Mas, só quem está na zona neutra - ou no muro das observações, para refletir, ponderar imparcialmente - pode alertar. Eu não causei esse furacão... apesar de fazer parte dele. O centro do furacão é o lugar onde ele não gira... isso não é apologia aos partidos de centro, Ok?! Estes também têm suas coligações e posições. Me refiro ao centro neutro, sem vínculo ou ideal de partido algum. Não confundam o muro que falo com indecisão, é não se sentir representado pela cisão... é lembrar a cada lado que ele pode respeitar o outro lado. Quem está em cima do muro que me refiro, apenas pondera, para que um dia, esse muro possa deixar de existir e todos os lados sejam penas UM!
Pensar bem! UBUNTU! Do continente mais discriminado, vem a maior mensagem de salvação - EU SOU PORQUE NÓS SOMOS!
Pat Lins

terça-feira, 29 de março de 2016

SALVADOR 467 – CIDADE MÃE

Foto: Thais Santana 


SALVADOR 467 – CIDADE MÃE
                                                               Patricia Lins

E eis que surge um povo novo
Uns povos novos
Uns novos, uns outros,
Uns mesmos que viraram outros
Eis que vieram das águas, dos mares,
Das terras,
Do nada
E aqui se fez uma mistura pura,
Não pura,
Impura,
Tortura
E todos clamavam magia,
Para se fazer alegria entre tantas dores
Por cores desiguais.
E eis que pedimos:
Salva dor, Salvador!
Ontem, o novo doía...
Doía tanto que ser diferente dos que só queriam os seus iguais
Era sentença de morte, de monstro, de animais!
Tantas cores, tantas crenças,
Tantas diferenças
Doíam cada dia mais!
Doía tanto, até para os que aqui já viviam
E nada entendiam:
A terra que a gente vivia, onde tudo compartilhávamos, já não existe mais!
Quem manda agora quer tudo,
das nossas almas, aos nossos prantos,
Da nossa comida, à nossa força, à nossa vida!
Insatisfeitos, nos destruíram,
Nossa casa não existe mais.
Nosso povo não é bem-vindo,
Fomos banidos, dos nossos próprios locais!
Saímos correndo, apenas alguns poucos, para ter paz.”.
A terra que é mãe, acolheu a todos.
Ela não escolhia para quem brotar, brotava para quem nela plantava
E esse mundo novo que aqui vivia, brotava cada dia mais.
As cores se multiplicaram
E eram bem importantes nuns dias de carnavais
Depois desses dias, os portais se fechavam
E as alegrias coloridas
Já não cabiam mais
Ninguém entende, ainda hoje, por que as cores ainda doem?
Cidade miscigenada,
Cidade de todos os cantos, encantos e axé,
Sagrado e profano...
Onde está a verdadeira paz?
Salva dor, Salvador!
Salva e cura a dor dos desiguais!
Salva nossas dores,

Para que elas não doam mais!

domingo, 27 de março de 2016

TEMPO


Sabe o que o Tempo tem me dito esses dias?

Que Ele segue o fluxo próprio. Como o seguiremos é como nos melhor satisfaz. Para ele, diferença não faz.

Se parar, ele chega, ele segue, ele vai, ele volta e no Tempo certo tudo que é para ser, é e pronto. Nada mais.

Se correr, ele chega, ele segue, ele vai, ele volta e no Tempo certo tudo que é para ser, é e pronto. Nada mais.

Se andar, ele chega, ele segue, ele vai, ele volta e no Tempo certo tudo que é para ser, é e pronto. Nada mais.

Não importa ao Tempo como seguimos. Isso só importa para a gente, que ainda não sabe se importar com o que realmente importa. Fechamos as portas e ainda dizemos que sabemos o que fazemos e sabemos mais do que o outro. Nos afastamos do Tempo, para seguir o tempo corrido dos mortais. Morremos sem viver e vivemos sem paz.

E o Tempo, quando chega, coloca tudo no lugar. Daí, a gente agradece e volta a fazer tudo de novo, esperando Ele voltar.

Pat Lins

terça-feira, 15 de março de 2016

TEMPO DE DESCANSAR

Imagem: SerEsPaPeFiCo
Chega uma hora, onde tudo cansa, 
ninguém fala, ninguém dança, 
apenas a música ainda a tocar.

Nessa hora, nada adianta, 
a não ser o tempo que passa 
a gente nunca alcança, 
porque ele sempre segue
e a gente continua a esperar ele voltar.

Pat Lins

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails