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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Pão e circo - sem pão e sem circo

Crédito: Henning Dalhoff / SPL

Não precisa ser muito inteligente, nem entender de muita coisa para perceber que os políticos - de TODOS os partidos - estão dando em nossa cara, né?! Basta olhar e ver, coisa que até cego enxerga, porque fede tanto que o órgão que mais sente é nosso bolso, além da nossa mente que fica perdida e confusa.

Pane na mente - fico abismada com as brigas em família, entre amigos... defendendo político A, político B... defendendo partido tal e tal. E eles, lá, fazendo o carnaval, sim a deturpação do carnaval como alegria de fachada, com verdadeira "folia" apenas para alguns, seletos.

E fico observando: antes os argumentos para indiciar grupos que interessavam, tudo valia. Hoje, que a gente quer acreditar nessa Lavagem, vem uma micareta daquelas beeemmm pesadas, que a gente tem medo de ir, mas já tá no meio. Agora, cadê o fôlego? Ai, ai. Piada de mau gosto. Eu não tenho provas, mas tenho pela convicção de que as cartas estão rolando e vão parar essa zorra. Jogam a culpa em uma legenda e as outras saem como puras e ilibadas... Oi?

Assim sendo, declaro, mais uma vez, como já avisei antes aqui, diante de percepções do óbvio, por ser uma pessoa neutra, sem esse fanatismo e miopia política como muitos se deixam levar e envolver, revelando uma pobreza de caráter e personalidade, brigando "publicamente" em redes sociais por politicagem, abrindo mão de amigos reais para defender essa falta de respeito ao povo, sem se lembrar que também é povo, tenha afinidade com o partido que tiver, pois bem, digo e repito: continuem a nadar, igual a Dolly de "Procurando Nemo", porque ela sofre de uma amnésia constante... então, observem o jogo. Propaganda é um perigo, uma arma, marketing político é expert em manipular mentes, inclusive e principalmente, as "mais" inteligentes, sim, sim... essa arrogância toda, essa agressividade toda torna refém aquele que pensa estar sendo "inteligente, entendido e politizado". Vão às ruas defender partido tal e partido tal, mas não vejo ninguém se unir para derrubar isso que tá aí e que envolve TODOS os partidos em prol do partido do povo brasileiro, que existe independente das legendas partidárias. Somos um povo que carrega uma herança maldita, uma carga desgraçada por conta de todos os erros e destruições sobre as quais nascemos. E, hoje, uma mega operação promete lavar tudo a jato e parece mais com aqueles lava a jato que deixam nosso carro com areia no porta malas, não limpam os tapetes, nem o que está debaixo deles.
 
Com fome e sem graça - Pois bem: lava a jato bom é aquele que faz o serviço completo, lava tudo, rápido e no grau, pae. Isso que tá aí vem se mostrando mais uma brincadeira de mau gosto que nos deixa aflitos por vermos que eles estão ali só para brincarem de democracia, dando apenas pão e circo ao povo e "nois"? Rindo de se acabar. Quando tem o pão e o circo, beleza, ao menos, estamos "passando bem" e quando nos tiram o pão, porque tá caro e não dá para comprar e o circo, porque a lona rasgou e estamos todos expostos? Com fome e sem graça.
 
Para piorar, vem a proposta de reforma previdenciária... desde que me entendo por gente, a previdência social é a mamadeira farta e grossinha para muita gente graúda hoje, aí. Quem já entrou numa agência da Previdência Social ou no INSS, como muitos ainda chamam, podem ver que só tem pobre mendigando para receber o que juntou anos para ter "sossego", implorando para ter direito ao que tem direito adquirido - ironia danada - e ainda sendo chamado de preguiçoso, porque o país não anda porque o povo só quer deitar na rede e dormir. Esse discurso de intimidação para provocar o pobre orgulhoso e ele trabalhar excessivamente e provar que não é preguiçoso, deixando o chefe mais rico a cada dia é coisa de doido. Só uma pessoa muito idiota para cair e propagar isso. Mas, ainda existe quem queira tirar proveito e grite: "vocês são preguiçosos. Quem quer ganhar dinheiro tem que..." eu completo: tem que fazer um otário acordar cedo, pegar ônibus cheio, ser pisoteado o dia todo, oprimido para não ter tempo de pensar, intimidado com a ameaça de perder o salário final do mês, pois não é o único e tem uma fila de desempregado lá fora..., sair mais tarde, porque comprometimento é tudo. Chega em casa um caco, sem lazer, sem gás, no "bagaço" para dormir, sem descansar e acordar cedo para viver tudo de novo. É isso. É esse ciclo inteligente que os grande ganham e ainda são ingratos. Vamos que vamos, porque é isso mesmo que vai para fila do SUS quando adoece e para a fila do INSS para ter uma sobrevida na velhice que se aproxime de uma realização de sonho de ficar em casa, em seu cantinho, com seu salário mínimo ao final do mês... pois, até isso querem tirar. Então, isso nos lembra o que? Escravidão. Pau no lombo, minha gente, como fizeram com índios e negros em 1500. Olha, quando a operação faxinaço acontecer, aí sim, a lava a jato vai ser fichinha. Aliás, ficha limpa é mais do que não ter ficha corrida, é ser digno do voto popular e honrar o compromisso de fazer algo para o bem maior - referindo-se ao bem maior enquanto todo um povo, tá, não uma conta bancária bem maior. O rombo na previdência sempre foi algo que era citado timidamente nos telejornais... desde sempre. Já vi médico tendo que botar gente para voltar ao mercado de trabalho sem ter a menor condição. Importante que morra, porque é um a menos para usufruir do dinheiro "deles". Esse bando de miserável que assume o poder se apropria do benefício do povo e quer mais que quanto menos gente, melhor.

Pois é. E ainda ficam aí, amigos, familiares, brigando pelo que foi "noticiado" no telejornal como verdade. Quer ver a verdade? Venha para a vida real. Saia da frente da TV. Ande por aqueles lugares que você não vai porque tem gente suja, pobre e faminta, com os "dente" tudo "pôdi", barriga de verme, joelho grande e perna seca. E, minha gente, isso não é por conta de apenas um maldito partido. Isso é por conta de TODOS os malditos partidos, desse bando de politiqueiro que temos e que vivem de uma aparência bem montada, trabalhados na voz que fala "bunito" o que se quer ouvir, na roupa que a gente quer ver, com o cabelo beeemmm arrumadinho, tudo engomado, te engomando.

Tenho medo e estou desesperançosa. O Brasil caiu, ninguém sabe, ninguém viu, porque é barril. Onde estão seus amores e amados, pátria amada? O gigante que se ergue é o monstro da roubalheira. O gigante adormecido tá deitado depressivo, porque tudo perdeu o sentido, está faminto, sem pão e sem circo. Sem alegria, sem motivo para levantar. Nesse desânimo, o gigante vai hibernar por muito tempo. Não há como lutar com pés e mãos atados. Fim da cultura, do lazer, do entretenimento, da saúde, da vontade de se fazer acontecer, porque parece que é impossível uma solução. Só a fé nos diz: mantenha a chama da esperança acesa, porque ela é a última que morre. A minha esperança está padecendo... com fome de arte, com sede de investimento em cultura, com falta de saúde e condições para ela, sem segurança, porque os bandidos hoje são as estrelas do crime que "compensam" - e não me refiro ao MC Beijinho, esse, graça a Deus, teve uma "chance" através da "arte", questionável ou não, mas, vamos crer que ele vai poder ser alguém melhor - me refiro aos grandes bandidos dos colarinhos alvíssimos. Eu quero ser feliz agora! E quero que a Justiça seja feita a jato, como prometido, mas com efetividade, lavando e limpando tudo! Até aqueles cantinhos citados e que ninguém quer tocar, porque vai mostrar que muita sujeira vem dele...

Pat Lins - consternada e desabafando para esvaziar.

segunda-feira, 17 de março de 2014

"JÁ MORREU" - ALERTA PARA QUE SEJAMOS LOUCOS "SAUDÁVEIS"

"Já morreu" - maluco beleza e lendário do Conj Nossa Senhora do Resgate
Na semana passada, dia 13 de março, perdemos Paulo Goulart, uma referência de grande ator, pessoa íntegra, gentil e pai de família exemplar. Todo o Brasil sofreu a sua perda; mesmo não sendo ele um parente, amigo ou próximo.

Nessa mesma semana, no mesmo dia, celebrei, com tristeza e consolo, o aniversário de 1 ano do falecimento da minha tia amada e que descansou em paz, ao redor da família, depois de tanta luta contra um câncer de mama agressivo e da luta com e contra a justiça, por conta do medicamento que a União liberou e a SESAB Estado embarreirou, sabe Deus porquê - não vou reprisar esses eventos.

Nesse mesmo dia, da mesma semana, soube que "Já morreu" havia de fato, morrido. Senti muito a perda de um senhor - que já era senhor, quando fui morar, ainda criança, com meus 7 anos, no Resgate, um condomínio/bairro popular; onde vivi por cerca de 20 anos. Esse senhor era chamado por cada um de nós de "já morreu". "Nada mais" era do que um mendigo. Um mendigo que só ficava para lá e para cá. Para cima e para baixo. Na verdade, acredito que eles fugiam do hospício Juliano Moreira e tentavam se resgatar no Resgate, haja vista, a quantidade de "malucos" pelo local. Ele era uma figura pitoresca. Todo mundo tinha contato com ele, bem como com Barão, Bega e outros.

Sei lá, nessas horas vejo como somos frágeis e, ao mesmo tempo, fortes diante do tempo. Um simples pedinte, alheio à nossa realidade - aparentemente, ao menos - com uma significância tão grande para nós. Vejo pais por aí que morrem e os filhos nem se abalam... E quantos de nós sentiu a morte de "já morreu". Como disse bem minha querida "tia Marleide", complementando muito bem esse post: "Muito estranho, sentir a falta de alguém que você conviveu sem dar muita importância.". Porque, nessas horas, a gente se dá conta de tanta coisa... - ou não... Quantos de nós acaba não dando a devida importância para as pessoas ao nosso redor?

Me veio essa inquietação saudável, essa vontade de fazer esse alerta - sobre as nossas relações: CUIDEMOS MAIS, COM AMOR SINCERO E PURO DE QUEM AMAMOS!

Isso não é para ninguém virar santo/a, não. Apenas para ficarmos atentos para com a simplicidade das relações humanas.

"Já morreu", que agora, de fato morreu e que Deus o tenha, era "amigão" da galera. Tinham os dias em que ele se enfurecia, mas, no geral, estava lá, solitário, perambulando. Interessante que os "malucos" não se sentavam juntos para bater papo... Raramente os via juntos - se alguém viu, me relate... - e nunca CRIAVAM confusão. "Já, já", como também o chamávamos, veio fazer um alerta: ninguém precisa estar colado e grudado para provar do amor. Bom, não vou dizer aqui que o amava, porque não era assim. Mas, o amor enquanto respeito a outro ser humano, sim, esse eu tinha por ele. Quantas vezes ele foi minha companhia - mesmo sem me acompanhar... - nas ruas vazias, nas noites que voltava de trabalho ou afins, descendo do buzu que ficava na rua principal do Cabula e até percorrer meus 1 km até minha casa, ele estava por lá, perambulando e aquilo me era um "alívio", por não estar só. É meio louco isso, mas, como eu e marido conversávamos, quem não é louco de perto? E muitos são de perto e de longe...

Enfim, a loucura saudável é essa que nos faz sentir falta; relembrar coisas boas; reviver bons tempos! A loucura saudável é um alerta a todos nós!

Sejamos mais nobremente loucos! Há loucura que cura! Há loucura que enlouquece. Há loucura que mata e destrói coisas simples. A vida é simples. O amor é simples. Amar tem sido tão complexo... Por quê?

Pois é, fica a pergunta que nunca cala, leve o tempo que levar e para tudo e qualquer coisa: POR QUÊ?

Porque sim! Oras! Porque não! Oras. Porque... talvez, dependa muito. Mesmo assim: POR QUÊ? Por que temos tanta dificuldade em sermos OFICIALMENTE felizes?

Por que tanta guerra e confusão? Por que individualismo foi confundido com egoismo? Por que bandido quer se vingar de polícia? Por que políticos são corruptos? Por que o céu é azul? Por que o sol não brilha a noite? Pois é... tantos porquês e "já, já", nem aí, porque ele, simplesmente estava por aí, se eternizando em nossas lembranças.

"Já morreu", vai em paz! Que Deus o tenha!

Esse alerta é para a gente que fica e continua. Para a gente que segue. Para a gente que já seguia. Para a gente!

Pat Lins.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

ATÉ ONDE VAI A MALDADE HUMANA? - caso Eliza Samudio / Bruno

Imagino quem não esteja sentindo-se incomodado e sofrendo por tanta maldade que parece ter "dominado" o nosso mundo!

Sei que a imprensa precisa de audiência para "sobreviver", mas, a massificação e a repetição intermitente da mesma informação provoca uma propagação do medo, do terror, do pânico e alimenta a maldade, incentiva a revolta e não dá espaço para lembrarmos de que outras coisas acontecem em outros lugares e, nem todas, são só miséria. O papel da imprensa é publicisar. É levar informação e, com isso, estimular a cobrança em toda população. Conhecendo, a gente pode exigir justiça e direitos - quando vem ao caso. Mas, em casos de assassinatos frios e mórbidos, importante levar ao conhecimento público, sim, para que quem vivenciar algo semelhante crie coragem e procure os órgãos competentes. Mas, repetir incessantemente é sensacionalismo e a gente não precisa mais disso!

De lição fica o alerta geral de que o dinheiro mata, quando é mal utilizado. A falta de dinheiro mata, pela miséria, e o excesso de dinheiro paga para matar, por miséria. Fica a pergunta no ar: ERA NECESSÁRIO? Levar uma pessoa a morte é necessário? Uma pessoa morreu, aliás, foi assassinada, de maneira cruel e desumana... sou incapaz de imaginar o sofrimento da criatura e o deleite de quem comenteu. Sim, porque a provável "sensação" de "dever cumprido" e/ou "problema resolvido" deve gerar um mórbido prazer nos praticantes do crime. Se os "mandantes", a começar pelo ex-promissor-goleiro Bruno, já são cruéis pelo motivo banal - ou, por pior que fosse a causa, imagine quem não tinha relação alguma com a situação e aceita ser "contratado" com a finalidade de terminar o crime de maneira que nem em filmes de terror a gente vê... só Hannibal seria capaz de tal atrocidade... A psicopatia é um distúrbio de caráter sério. Dizem que os psicopatas são tão inteligentes e frios que cometem os crimes na esperança de que alguém tão inteligente e "não-psicopata" - ou seja, um ser humano - possa descobrí-lo e para-lo. Será? A compulsão os levam a fazer tudo por sadismo e sem culpa. E, sem ofender os loucos, isso é loucura!


Quando Bruno foi "para a cama" com a Eliza, sem prevenção, sabia que havia o "risco" da gravidez... ou, na santa incocência que o fogo do tesão desperta, a ignorância se estabelece? Essa reflexão vale para todos! Em pleno século XXI, descuidar não é desculpa. Ambos se descuidaram e uma criança foi gerada. Sim, dever dos dois assumirem a cria e estabelecer uma maneira de educar a criança da melhor maneira: se não eram um casal, cada um assume seu papel. Se ele não queria ser pai presente, que assim estivesse através da manutenção financeiro-material. Mas, premeditar um homicídio é frieza demais!

Existe um fio finíssimo, tênue e que é a divisa entre o desastre a a retomada do juízo que se trata de milésimos de sgundos onde todos somos capazes de pensar em algo terrível mas, essa linha nos dá a oportunidade de recorrermos à consciência e em vez de rompermos essa linha, a gente continua do caminho onde seguíamos, como sonhos, expectativas e ajustes no caminho. Essa linha é a voz da razão que diz: seguir por aí é um caminho sem volta. Isso vale para quem já tentou suicídio; quem é pego de surpresa e no susto pensa em reagir; quem está possesso pelo ódio e pensa em matar... Isso está em todo ser humano, cada um em uma escala. Vale, inclusive, para discussões que perdem a medida e tomam proporções infundadas, onde se estabelece a barreira do não esclarecimento e portas são fechadas por meras banalidades. Mas, essa linha, apesar de fina e tênue é forte, romper com ela é resultado de muita maldade e falta de amor no coração. Total desapego negativo, com consequências gravíssimas! Ao romper essa linha limítrofe, tudo desaba e o que se pensava ser a solução do problema, torna-se um problema infinitamente maior e indissolúvel! No caso Eliza Samudio, não foi ela apenas a vítma... ela foi a vítma fatal e cruelmente assassinada, mas, o filho dos dois, será marcado para sempre. Não existe coisa pior para uma pessoa do que viver aprisionada numa marca! Suas referências primárias distorcidas e conturbadas. A educação dessa criança - não me refiro a educação formal, mas, educação de valores, de amor, cuidado, zelo... - precisará ser redobrada em amor, carinhos e repetições sinceras de atitudes que fortaleçam-no e lembrem-no de que ele não é responsável por nada do que aconteceu. Oh, Deus, abraça esse pequeno filho e o protege da maldade humana que destruiu sua vida em pleno começo! Fora a própria vida dos envolvidos: acabou! Depois de rompido o fio, passado e presente se tornam o mesmo terror diário, como se o mesmo dia fosse repetido e o futuro, infelizmente, se torna futuro do pretérito, onde tudo poderia ter sido diferente.

Até onde vai a maldade humana? E, nessas horas, podemos ver que a maldade está tão legitimada - aceita - que nós nem percebemos a nossa maldade em desejar o mal para os envolvidos no crime. Por mais que minha razão me diga que desejar o "mal" é propagar o "mal", minhas emoções me traem e desejo que eles paguem na mesma moeda... Isso reflete que há muito mais maldade em cada um de nós do que sequer temos consciência. Dentro de mim algo se contorce e me impede de desejar que eles paguem da mesma maneira. Algo em mim ficou tão triste e desencantado que, para resgatar a esperança no ser humano, precisei elaborar, em mim, pensamentos melhores em um bom combate ao mal, desejar que eles sejam punidos, sim, e, se prisão é o que a justiça determina - mas, que não recupera o humanismo, talvez, diante das situações precárias de nossos presídios, ainda se agrave a maldade, a revolta e a raiva, que eles sejam presos. Mas, eu, desejo, do fundo do meu coração que eles se arrependam. Pode parecer pueril e ingênuo de minha parte, mas, o arrependimento será a pior prisão que eles terão. Conviver com a eterna culpa. E, desejo, que o mundo se liberte de tanto terror! Chega! Chega de tanta maldade! Chega de tanto jogo de interesse. Chegaaaa! Será que somos tão incapazes de superar a maldade em todas as suas derivações? Desde as "pequenas", onde desejamos os piores castigos como forma de "correção" até as megas, que culminam nos crimes e destruições.


Infelizmente, não consigo pensar em coisas boas. Sinal de que minha maldade em umas de suas facetas está ativada, na forma de revolta e angústia e desejo de "vingança", em vez de desejar que a paz seja encontrada. Desejo paz e muito amor para o bebê. Quero desejar que os envolvidos encontrem algo de humano dentro deles, mas, ainda me deixo influenciar pela massificação das reportagens e isso alimenta minha tristeza e dor em  ver que seres humanos são tão monstruosos. Só Deus para estabelecer a ordem nesse caos e cuidar de cada um dos envolvidos, porque, olhando com bons olhos, todos são vítmas. Os algozes têm alguma razão para serem como são. Tanta maldade, tanta frieza é reflexo de uma reação a falta de amor próprio. Muita infelicidade acumulada. E toda essa infelicidade deve ser insuportável, para fazer tanto mal a alguém.

Só Deus, mesmo! Que muita Paz e Amor envolvam toda a Terra e que os valores humanos sejam recobrados. Que cada um de nós pare de julgar os outros e cada um se julgue e se abra para um grau de consciência libertadora e edificante, pelo amor a si e ao próximo! Hora de resgatar a esperança. De recobrarmos a lembrança de que somos GENTE. De ultrapassarmos a barreira do materialismo e nos permitirmos ser melhores. Nos falta mais amor nos corações. Nos falta aceitarmo nossa condição humana e nos falta respeito! Nossas sombras - todos temos - precisam de luz! Hora de nos iluminarmos sincera e honestamente! Se tem algo que precisa ser libertado, é o AMOR! Hora de sermos mais gente e dar um fim em tanta atrocidade!

Hora de nos movimentarmos a cada instante com pequenas mudanças em nós e levarmos adiante o movimento e a atitude de DEIXARMOS UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO!!!

Até onde vai a maldade humana dentro e fora de cada um de nós? Hora de alimentarmos o amor em cada um de nós. Vamos nos permitir dar a volta e salvarmos nossa espécie - que está sendo dizimada pela dor e pelo terror da desumanidade desmedida e descabida.





Pat Lins.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

PAZ NA VIDA

Para alcançar a verdadeira paz em nossos lares, precisamos encarar o desafio, sofrer - quando precisar sofrer -, superar e continuar.

Me exponho, grito e continuo. Meu dia-a-dia desafia minha inteligência e minha razão. As emoções tentam se apaziguar, mas, me falta qualidade de tempo. Me falta respeito ao meu espaço. Mantenho distância, mas, há quem invada e saia como vítma... difícil encarar o direto, quando se fala franca e abertamente: "não passe... daqui para frente é meu espaço, se invadir, suporte as consequências, porque eu vou me defender". Será que é errado estar certo?

Estou no desgaste... total falta de paz externa provocando minha busca pela paz interna... Por quê? Sabe Deus! Só Ele mesmo, porque eu, humana, imperfeita e cheia com os MEUS problemas - lembrando: meus problemas não são maiores do que os de ninguém, são os MEUS... essa de medir tamanho e força de problema é para aqueles que não respeitam ou compreendem que cada um tem seu ritmo, sua trajetória e suas expectativas... muitos que comparam fogem dos seus cutucando a dor do outro, numa tentativa mórbida de sentir prazer em destruir.... - estou no limite de minhas forças, mais uma vez. Mas, lutando como quem sobrevive a uma catástrofe.

Eu sei o que passo e, verdade, não é tão ruim assim, só preciso encontrar o ponto, o caminho certo e seguir em paz. Até lá, vou tentando aqui, tentando ali... errando, acertando... sempre buscando, até quando penso em desistir... O que é "deixar a vida me levar"? Quando tudo parece ter virado de cabeça para baixo de novo, a gente deixa o tormento guiar ou se dá um "tempo de espera" e aguarda, alimentando-se da mais pura esperança, para que um milagre aconteça e aquela "luz" se faça ou, no mínimo, que consiga encontrar condições para respirar lenta e profundamente e deixar o oxigênio agir na mente... como espeirecer num mundo capitalista, onde até o lazer requer investimento financeiro? Como espairecer quando o furacão se instala em sua vida, justo quando se voltava a andar...? Normalmente, a compaixão vem para quem perde tudo após uma catástrofe da natureza - o que me dói, muito, e procuro fazer minha parte com doações e orações... nem quero imaginar a dor e o transtorno que se instala na vida dessas pessoas... - e, não tiro a razão, é inquestionável e necessário, mas, para quem perde "seu" "tudo" dentro de si, só vem preconceito, questionamentos, comparações - todo mundo acha que sua vida é tão pior que o outro não tem direito de se queixar, mesmo não se quixando... se reservando o direito de tentar seguir, no limite de suas forças... -, menosprezo... você passa a ser visto como um incapaz sem força de vontade. E se for? Por que falta tanto respeito ao outro? Por que essa crueldade? Nessas horas solidariedade é só da boca para fora... Os corações se endurecem, porque estão tão amargos com suas realidades e suas fugas delas, que transferem para o outro em forma de "eu não passo meus problemas para você", já passando, através de atitudes expressivamente desequilibradas, mas, desequilibrado é você, que não conseguiu sair debaixo em tempo hábil...

No limite das forças, a gente só reage... raciocínio vem depois. No limite das forças, me atenho a uma estratégia que desenvolvi na época da DPP, que chamei de "distância saudável". Refere-se a manter distância de tudo que te faz mal, ao menos, temporariamente, até você poder recobrar um pouco cas forças. Me diga como recuperar as forças com bombardeios constantes e, em muitos caso, inconscientes... de uma cegueira tão profunda que os alertas - nem são sinais, são placas de advertências claras e diretas - são desrespeitados e tudo cai?

No limite das forças a gente precisa se poupar, um pouco, para evitar maiores destruições... mas, essa capacidade só tem quem alcança um grau mínimo, que seja, de consciência. Eu estou no limite de minhas forças e, depois de tanto ter sido bombardeada - isso quem sabe sou eu, porque quem sabe o limite de minhas forças, SOU EU - eu cansei... nada mais natural e humano do que cansar. Não. Não caí. Sequer pretendo. Dei um pause para ME recuperar. Mas, o dia-a-dia é guiado pelo tempo e este a gente não segura a nosso favor... a gente TENTA fazer o melhor com ele e nem sempre tem êxito...

Não. Não devemos descontar nossos problemas em ninguém, mas, se alguém provoca e insiste, você avisa e a pessoas continua... de quem é a culpa? De quem provoca ou de quem cede? Para piorar, essa não tem sido minha única preocupação, mas, a dureza que já estava e continua e a sensação de incapacidade e impotência diante dos acontecimentos.

É deixar passar! Deixar TUDO passar. É sentar e assistir ao jogo da copa - que merda... O Brasil perdeu!!! - e fingir que tudo na vida é futebol... Olha, se o preidente da FIFA fosse o da ONU, nossa, o mundo seria mais alegre - kkkkkkkkkkkkkkk - cheio de vuvuzelas, gritos de gols e comemoração, até na hora do jogo perdido. Interessante como na copa os torcedores superam as perdas com tanto fervor e alegria... bem como deveríamos fazer na vida!

No limite das forças, o menor dos problemas se torna over e tudo que se quer é deixar passar, porque não existe a consciência da força. Seria tão bom ser uma guerreira jedi... e sentir a força dentro da mim... Qualquer gota d´água transbordará meu cálice... melhor, ficar na minha - à distância, porque é difícil ficar na sua com cutucadas desvairadas. Isso é sabadoria ou desgaste? Será que essa é a base dos sábios: ter se cansado e desiludido tanto que aprende que tudo passa, bem ou mal? É sabedoria deixar passar ou seguir de outra maneira? Essa outra maneira pode ser parar e depois seguir? Não existe fórmula certa... Porque não é fácil estabalecer, em cada um de nós, o equilíbrio e a harmonia entre o individual e o coletivo... a gente nunca sabe se é característica pessoal, arquétipo, estereótipo, tabu, cultura, medo social... a gente só é gente e, talvez, nunca encontremos respostas para todas as perguntas. Um dia, a gente aprende a fazer a pergunta certa, para encontrar a resposta necessária!

Tudo que mais desejo é PAZ NA VIDA para mim, para você e para todo o mundo... mas, como já se foi propagado, muitas vezes, para se alcançar a paz a gente precisa viver tempos de guerra... discordo, mas, infelizemente, isso existe independente de mim... E eu? Acabo fazendo guerra, também... No limiar das forças, o que nos resta é a natureza animal... nos aproximamos da zona primitiva de nossos ser que, por mais que neguemos, estamos sempre na divisa do se manter e seguir...


Mesmo ainda não tendo encontrado um caminho calmo e que me ajude a seguir - depende de algumas tomadas de decisões... as velhas escolhas que nos guiam e precisamos ponderar e reponderar tudo a todo instante... ver o que dói mais: seguir ou ficar... e se vale a pena se esquivar da dor necessária... muitas vezes se manter na "comodidade" e descobrir uma zona temporária de conforto, como dar um passo atrás, se faz necessário... nem todos temos força e coragem para seguir e ultrapassar a maior barreira, aquela que te fará mudar TUDO em sua vida... mas, o apego ao passado e sua perpetuação são um obstáculo ainda maior... nós somos nossos maiores entraves - ainda estou no caminho. Fale quem quiser falar... no limite de minhas forças, o máximo que posso dizer é "fale, porque é o que te resta e tudo que você tem" e nem forças para reagir eu tenho... tudo por uma boa causa: pela minha paz, hora de parar - tempo de espera - para a hora de mudar!

Minha busca é que alimenta meu esforço e entrega em DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO!!!

PAZ NA VIDA!!!







Pat Lins.

terça-feira, 4 de maio de 2010

"(...) Mas, não é a tristeza que mata." - Fernanda Young


"É preciso ter tristeza. Tristeza não é ruim. Quase todo mundo só quer escutar musiquinhas alegres, ir dançar em lugares barulhentos, ficar falando o tempo inteiro. Porque eles tem medo da tristeza. Mas não é a tristeza que mata."

(Fernanda Young)

Quando se fala em "preciso ter tristeza" as pessoas confundem tristeza - um sentimento real e necessário, que faz parte da gente - com culto à tristeza, à dor e ao sofrimento... isso é que mata... além da miséria entristecedora que pouco conseguimos ou estamos dispostos a desfazer!

Para mim, a falta de alegria ou consciência do que é felicidade é muito pior que tristeza. Tristeza é um sentimento, como todo sentimento, que surge em reação a algum estímulo. Não é para ser temido. É para ser compreendido, acolhido e deixar passar.

Toda tristeza já chega querendo ir embora. É um alerta. Uma reação. Um sentimento. Uma emoção passageira.

Perpetuar a tristeza, ainda que em forma de "pseudo alegria" é que dispara e mantém o sofrimento e des(re)caracteriza tristeza.

Não precisamos temer nossas tristezas. Precisamos temer o que nos faz desejar ocultá-las de nós mesmos, em vez de cuidá-la - ou, cuidar o que ocasionou - para deixá-la partir em paz e nos aproximarmos de nossa verdadeira paz interior.

Vamos conhecer mais nossas emoções e nos temer menos!

Abaixo a "cultura" ou culto a tristeza sem fim! Abaixo o tabu em falar de assuntos que doem, como se doesse mais ao falar. Abaixo a vergonha em sermos que somos.

Que se erga o novo tempo de busca e encontro do real significado de FELICIDADE, onde não se exclui nada e se inclui saber viver e lidar com TUDO.

Ser feliz é saber deixar ficar o que for para ficar e deixar passar o que tiver que ir e, ainda, se encontrar pleno e capaz de superar, em busca da manutenção de uma vida leve, saudável e sem rancores, raivas, dores intermináveis e incalculáveis. Ser feliz é um estado de espírito vivo. Ser feliz é uma questão de buscar e encontrar em toda e qualquer situação - conflituosa ou não.

Para mim, o tédio de não saber quem se é de como posso melhorar é muito mais "triste". O tédio de não acreditar em algo melhor... isso mata... mata qualquer identidade. E o que somos,afinal, além de nossa identidade real? De nossa essência?

"Se é para tentar ser alguém bem melhor, deixa eu tentar ser quem eu sou..." (Banda Hori)

Mas, quem eu sou? A gente sofre demais por não se assumir sendo quem é. A gente sofre demais, porque é mais aceito quem sofre - ainda que taxado por inúmeros adjetivos - do que quem supera. Quem supera - ou deseja superar - é tido como louco e/ou como pessoa fria e sem sentimento. Isso porque o sentimento aceito é a tristeza mascarada de dor necessária, mas, não falada, acomodada, engessada e alegremente sentida. Não se admite a tristeza em sua real profundidade e origem. Se admite a "tristeza por..." e esse por é que legitima ou não - de acordo com os critérios do julgo alheio - se se pode ou não assumir a tristeza ou mascará-la com outra tristeza e, na sequência, fingir alegria, para ninguém continuar a te julgar... Triste! Triste ser como somos e tão pouco fazermos ou nos dispor a fazer. Triste não poder "curtir" sua tristeza, para que ela passe e tenha que se entregar a curas superficiais, parciais e insuficientes, como "encher a cara", "tomar um bom porre" ou "fazer compras" - ai, esta eu adoro... pois é, sou humana, sou real e, quando dá, também afogo as mágoas em compras... risos. Triste! - risos.

Sejamos felizes sendo, a cada dia, cada vez mais, nós mesmos, no melhor significado que venha a ter!

VAMOS DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO!!!

Sem morrer de tristeza, nem matar de falsa-alegria... para fazer parar de sangrar, é preciso limpar e cuidar.

Pat Lins - mais um grito desabafo!


domingo, 3 de agosto de 2008

Tristeza Materna e Depressão Pós Parto


Estava lendo este artigo e achei muito interessante divulgar.



Sei e entendo que todo estudo científico se baseia em um média de amostragem, mas, os sintomas são quase todos muito comuns. De muitos artigos que venho lendo, este é bastante abrangente, delicado, direto e cuidadoso:



"A Depressão Pós-Parto (DPP) é um quadro clínico severo e agudo que requer acompanhamento psicológico e psiquiátrico, pois devido à gravidade dos sintomas, há que se considerar o uso de medicação. Todo ciclo gravídico-puerperal é considerado período de risco para o psiquismo devido à intensidade da experiência vivida pela mulher. Esta experiência pode incidir sobre psiquismos mais ou menos estruturados. Mesmo mulheres com boa organização psíquica podem se ver frente a situações em que a rede social falha. A DPP acomete entre 10% e 20% das mulheres, podendo começar na primeira semana após o parto e perdurar até dois anos.


Há fatores de risco que vêm sendo estudados e demonstram uma alta correlação com a DPP. Entre eles temos: mulheres com sintomas depressivos durante ou antes da gestação, com histórico de transtornos afetivos, mulheres que sofrem de TPM, que passaram por problemas de infertilidade, que sofreram dificuldades na gestação, submetidas à cesariana, primigestas, vítimas de carência social, mães solteiras, mulheres que perderam pessoas importantes, que perderam um filho anterior, cujo bebê apresenta anomalias, que vivem em desarmonia conjugal, que se casaram em decorrência da gravidez.



A puérpera se beneficia de grupos terapêuticos onde possa compartilhar o seu sofrimento junto a outras mulheres em igual situação e sob orientação de um profissional. Também pode ser recomendado atendimento psicológico individual em casos cuja gravidade perturbaria o grupo ou que manifestem preferência por esta modalidade de atendimento. O acompanhamento psiquiátrico é indispensável.



Aparecem sintomas como: irritabilidade, mudanças bruscas de humor, indisposição, doenças psicossomáticas, tristeza profunda, desinteresse pelas atividades do dia-a-dia, sensação de incapacidade de cuidar do bebê e desinteresse por ele, chegando ao extremo de pensamento suicidas e homicidas em relação ao bebê. O diagnóstico precoce é fundamental e para isso é necessário um acompanhamento em todo ciclo gravídico-puerperal, sendo a melhor forma de evitar, atenuar ou reduzir a duração da DPP. Grupos de gestante têm caráter psicoprofilático e, portanto, ajudam no diagnóstico e tratamento precoces. I., 32 anos, segunda gestação, procura-nos, pois está deprimida desde há última gravidez, ocorrida há 3 anos.



Desde que viu confirmada a gravidez, encontra-se mais prostrada e ansiosa. Não tratou o quadro depressivo há 3 anos, pois se sentia envergonhada. A sogra assumiu as tarefas perante o primeiro neto. O marido se afastou por achá-la “preguiçosa” e “egoísta”. I. foi encaminhou pelo atual ginecologista. Desde então, I. vem sendo medicada e acompanhada em psicanálise. Participou de atividades junto a outras gestantes e sentiu-se muito compreendida ao ouvir depoimentos parecidos com os seus, mesmo que menos graves. O trabalho junto à família mostrou-se proveitoso. Atualmente, I. busca reaver seu lugar junto à prole, consciente de que precisará de ajuda para poder cuidar dos filhos, mas que isso não é motivo de vergonha.



No caso da Psicose Puerperal encontramos perda do senso de realidade, delírios, alucinações (por volta 0,2 % de casos). Não é recomendável aleitamento. Nos transtornos psíquicos mais graves há que se acionar a rede social da gestante antes do nascimento, para que alguém se incumba de responder às necessidades emocionais do bebê. Para a mulher em surto o bebê não existe enquanto tal. Ele passa a ser espaço vazio preenchido por elementos do psiquismo da mãe, cindidos do real. Por vezes, as fantasias são ocultadas pela paciente, pois ela se encontra em delírio paranóide que inclui todo staff que dela se ocupa.



Os parentes precisam ser alertados, pois há risco de vida para mãe e filho. Muitas gestantes normais trazem fantasias persecutórias em relação ao roubo do bebê ou medos infundados. Isto é esperado e não corresponde ao quadro psicótico, mas apenas a uma projeção de suas próprias fantasias ambivalentes nos outros. No caso da psicose a angústia é da ordem do insuportável, podendo aparecer rituais obsessivos e pensamento desconexo. Um histórico psiquiátrico com surtos anteriores traz fortes indícios de risco nestes casos. S. nos procurou encaminhada pelo ginecologista para entrar no grupo de gestantes. Primigesta, 30 anos, 6 meses de gestação. S., cuja gravidez transcorre sem dificuldades físicas, apresenta um delírio de contaminação, tem medos relativos à saída do bebê. Tudo que lê em revistas serve para alimentar seu delírio obsessivo e paranóico. Não recomendamos atendimento grupal neste caso, nem qualquer tipo de orientação de parto, pois todo o uso que S. faz da informação recebida é pernicioso. Por exemplo, se S. lê sobre a contaminação da carne bovina em outro país, imediatamente para de comer carne. S. recebe atendimento psicanalítico e psiquiátrico. Recomendou-se um acompanhamento de orientação aos familiares e uma acompanhante treinada na hora do parto.



O que distingue a DPP da Tristeza Materna (baby blues, post-partum blues) é a gravidade do quadro e o que ele tem de incapacitante, afetando a funcionalidade da mãe e pondo em perigo seu bem-estar e o do bebê. Além da evidente necessidade de cuidados da mulher, acima citados, a DPP é fator de risco para a saúde mental do bebê e, portanto, requer toda a nossa atenção. Culturalmente, a maternidade é vista de forma idealizada e qualquer afeto negativo da mãe para com bebê é julgado como algo da ordem do impensável. Na psicanálise o tema do ódio materno foi suplantado pela interpretação de que somente os filhos seriam capazes de odiar os pais por rivalidade do pai do mesmo sexo (o famoso complexo de Édipo).



Mesmo para Freud, lidar com este assunto mostrou-se tarefa espinhosa e só em seus escritos finais ele pode confrontar-se com este mito : da mãe capaz de odiar o próprio filho. Existe um tabu cultural em relação ao tema gestação e depressão, como se a mulher devesse estar radiante pelo nascimento de seu filho e ela fosse culpada de uma espécie de “ingratidão”, pois “ela tem tudo e mesmo assim sofre”. Nesta visão, o sofrimento de uma mãe de bebê recém nascido seria decorrente de uma incapacidade de dar valor ao “milagre da maternidade”. O senso comum tende a esconder a real natureza da tarefa de vir a ser mãe.



O processo de transformação psíquica que uma mulher precisa passar no ciclo gravídico-puerperal envolve três grandes momentos que englobam pequenas etapas vividas de forma diferentes para cada sujeito. A transformação da filha em mãe, a transformação da auto-imagem corporal e a relação entre a sexualidade e a maternidade. Cada um destes temas requer uma reordenação psíquica que incide sobre as vicissitudes de cada mulher. A mentalidade, de que a chegada de um filho é isenta de ambigüidade, tende a dificultar o auxílio que estas mães precisam receber. Algumas mulheres não conseguem admitir para si mesmas que merecem ajuda, escondendo dos cônjuges e da família seu estado.



A Tristeza Materna (baby blues), por sua vez, acomete até 80% das mulheres, mas devido ao tabu mencionado pode se imaginar um índice até maior. É um estado de humor depressivo que costuma acontecer a partir da primeira semana depois do parto. Este humor é coerente com a enorme tarefa de elaboração psíquica citada anteriormente (transformação da filha em mãe, a transformação da auto-imagem corporal, a administração da relação entre a sexualidade e a maternidade). De forma geral, a mulher sente que perdeu o lugar de filha sem que tenha ainda segurança no papel de mãe; que o corpo está irreconhecível, pois se já não é mais de uma grávida tampouco retomou sua forma original; que entre ela e o marido encontra-se um terceiro elemento. O bebê emerge como um outro ser humano aos olhos desta mãe e precisa encontrar um espaço dentro desta configuração anterior (casal) de forma a deixar preservada a sexualidade dos pais. Forma-se o triângulo que remete o casal a suas próprias questões com seus pais. O quadro é benigno, há medida em estas questões possam ser elaboradas, e regride por si só por volta do primeiro mês.



Aparecem sintomas como irritabilidade, mudanças bruscas de humor, indisposição, tristeza, insegurança, baixa auto-estima, sensação de incapacidade de cuidar do bebê e outros. Apesar de ser comum e normal envolve uma quantidade razoável de sofrimento que pode ser atenuado no compartilhar com outras pessoas que entendam esta condição como natural e até benéfica. Benéfica como? Existe um estado denominado de Preocupação Materna Primária que se refere a um período que vai do fim da gestação até por volta do primeiro mês do bebê, em que a mulher teria uma hipersensibilidade às necessidades do bebê. Este estado tão necessário, caso fosse vivido fora da maternidade, seria considerado esquizóide e, no entanto, é fundamental para a vinculação com a criança. Faz parte deste estado uma certa dose de humor depressivo. A tarefa de uma mãe de bebê é monótona, desgastante e sem recompensas ou reconhecimento do bebê, a curto prazo.



O bebê é impiedoso em suas necessidades e é difícil que a mãe possa atender-lhe se estiver num estado de agitação maníaca, por exemplo. Recebemos na clínica, mães cujo estado de agitação interfere sobre o manuseio do bebê, que tendem a acordá-lo desnecessariamente, pois interpretam o ritmo da criança como lento demais (entenda-se mórbido), mas na realidade, sua aceleração as impede de interpretarem a demanda do filho como normal. Uma mãe em mania tende a manter seu bebê em constante sobressalto. Para ser capaz de se adaptar à rotina de um bebê, de se adaptar à linguagem do recém-nascido, a mãe tem que baixar muito suas expectativas com relação à sua própria privacidade e à agitação do mundo externo. Essa tarefa não encontra similar ao longo da vida de uma mulher e se inicia subitamente.



A perda do status de gestante é muito rápida e dolorosa. Reconhecer o bebê como uma pessoa e não como a imagem idealizada (que precisa ser construída na gestação como formas de desejar o bebê) é como lidar com um casamento arranjado. Mesmo que tenhamos as melhores indicações do noivo ainda assim não o conhecemos e, no entanto, ficaremos a seu inteiro dispor. Precisamos estar atentos às mães que vêem no parto uma coisa em si, com o “pequeno inconveniente” de ter que criar o filho depois. Atualmente temos visto um “culto ao parto”, uma verdadeira idealização deste momento, que afinal é apenas uma das etapas de uma tarefa infinitamente maior: criar um ser humano. Tarefa esta sem paralelos, pois nos obriga a planejar uma existência para além da nossa própria. O parto tem revelado uma faceta de bem de consumo, sujeito a modismos. Encontramos na clínica de acompanhamento do ciclo gravídico-puerperal uma ênfase muito grande nos tipos de parto sem, por exemplo, qualquer consideração sobre o alojamento conjunto.



Ficando a filmagem do parto, a decoração da maternidade, como prioridades, em alguns momentos, no lugar do bebê. Às vezes, é só a partir da primeira semana que essas mães começam a ser dar conta de que um “outro” chegou em suas vidas. M. 17 anos, internada no Amparo Maternal, primigesta de 7 meses, sente a gravidez como uma forma de adquirir um status de mulher perante uma mãe muito dominadora. Encontra-se surpreendentemente despreocupada com a tarefa de cuidar de um bebê, ainda que em condições sócio-econômicas muito precárias. O prognóstico de formação de vínculo é pouco favorável, pois no imaginário de M. ainda não há um bebê. A partir do trabalho de acompanhamento, M. vai saindo se sua alienação e entrando num humor depressivo. Dentro deste estado passa a poder refletir sobre a real tarefa que a espera e as necessidades deste bebê. O trabalho ajudou-a a criar um espaço psíquico para chegada de um filho, aonde antes só havia uma tentativa de rebeldia em relação à própria mãe.



Na clínica psicológica, encontramos muitas adolescentes que apesar de terem acesso aos métodos de contracepção, acabam engravidando numa tentativa inconsciente de adquirir o status de adultas para escaparem do dilema criança-adulto, próprio desta fase da vida. Também observamos, ainda de forma surpreendente nos dias de hoje, o binômio casamento-gravidez, como símbolo de realização social o que nem sempre vem acompanhado de um desejo real de lidar com a abnegação necessária para se cuidar de um outro ser humano. O que as pessoas próximas podem fazer diante do humor depressivo que comumente se apresenta no pós-parto? Primeiro, a família pode ajudar sendo compreensiva e apoiando a mãe neste momento único, sem cobrar atitudes idealizadas pela mídia. A mídia tende a glorificar o papel da mãe e tratar o humor depressivo da mulher como da ordem da patologia. Basta vermos as propagandas e matérias veiculadas nos meios de comunicação que encontraremos a mãe que amamenta sem dificuldades ou desconforto, a mãe sentindo-se realizada e completa, sentindo-se linda. No entanto, o que a mãe de um recém-nascido menos sente é completude. Uma gestante pode sentir-se assim e é o que se espera em algumas fases da gestação. Já a mãe de bebê vive exatamente o oposto, ela vive a incompletude, o vazio da barriga, a separação. Ela precisará de um tempo até que possa preencher este espaço. São necessários todo apoio e compreensão para que a mãe recém nascida saiba que não há nada de errado com ela. Ser aceita em sua natureza de mãe ajuda muito a diminuir o mal estar, encurtando o baby blues drasticamente.



O nascimento de um bebê tende a ser recebido pela comunidade que o cerca com grande alegria e isso é o melhor que se pode esperar. No entanto, nem sempre esta alegria repercuti de forma positiva para a mãe. Que triste paradoxo! Muitas vezes, um único telefonema do profissional de saúde que se ocupa desta mulher pode ajudá-la a compartilhar sua decepção ou seus medos sem sentir-se culpada. Vemos como isto tem um efeito benéfico sobre as mães. Por vezes, damos-lhe uma carta “para ser aberta no pós-parto” com o relato de uma mãe com a qual possam se identificar. Em casos benignos estes simples procedimentos podem ter um grande efeito psicoprofilático. Para isso é importante que as pessoas que lidam com a mãe recebam esclarecimento sobre a natureza deste estado.



Afinal, onde se perdeu a sabedoria há que se buscar informação. Como profissionais, devemos estar cientes das diferenças entre DPP e Tristeza Materna e conhecer os fatores de risco que aumentam a probabilidade de uma DPP (facilitando a observação da evolução de humor da gestante) para podermos intervir precocemente, o que melhora muito o prognóstico. Algumas mães que não deprimem podem não ter percebido o “outro” e continuar estabelecendo uma relação totalmente narcísica com seus bebês. Esses bebês tendem a se fazerem ouvir por meio de sintomas psicossomáticos iniciando um ciclo de adoecimentos. As somatizações do recém nascido não devem ser subestimadas no que dizem respeito à relação mãe-bebê. Se por um lado, a somatização é o meio fundamental pela qual o bebê sinaliza o desconforto psíquico, por outro lado, não podemos esquecer que este desconforto se estabelece na relação com as pessoas que cuidam dele e reflete o desconforto psíquico da mãe, na grande maioria das vezes. L., 23 anos, primigesta, cujo bebê estava com 30 dias quando nos procurou, relata a reação de desespero de seu bebê ao ser colocado para deitar no carrinho ou “longe do corpo”, mesmo para um passeio diurno, o que a obrigava a mantê-lo permanentemente sustentado por um adulto. L. encontrava-se visivelmente extenuada, pois dormia com o bebê sobre o ventre desde seu nascimento.



Ela encarava esta situação de forma ambivalente, pois se sentia culpada em deixá-lo deitar no carrinho, mas, ao mesmo tempo, não conseguiria permanecer nesta tarefa. Lembrava-se que durante o parto sentiu-se triste na hora de fazer força no período expulsivo. A partir desta reflexão, L. pode ir percebendo sua dificuldade para fazer a separação entre seu corpo e de seu bebê e a culpa por ter “expulso” o filho de si mesma. O bebê respondeu à elaboração psíquica da mãe, que claramente mudou de postura, “aprendendo” a dormir no carrinho sem sofrimento e posteriormente no berço.



Algumas mulheres podem encontrar uma medida excelente entre todas as transformações exigidas pela maternidade e acabam por ter um quadro muito suave no pós-parto, quase imperceptível. Ser multípara ou ter ao seu lado outras mulheres que já passaram pelo baby blues pode ter um efeito atenuador. Com tempo o psiquismo se encarrega de fazer seleção das memórias mais gratificantes deixando os momentos difíceis caírem no esquecimento. "


Artigo publicado na Revista Pediatria Moderna, Julho-Agosto, v. 41, nº 4, 2005.

Referências bibliográficas:

R. Debray, Bebês/ Mães em revolta: tratamentos psicanalíticos conjuntos dos desequilíbrios psicossomáticos precoces, Porto Alegre, Artes Médicas, 1988.

M. H. Klaus & J. H. Kennel, Pais/ Bebê: a formação do apego, Porto Alegre, Artes Médicas, 1992.

R. Sofier, Psicologia da gravidez, do parto e do puerpério, Porto Alegre, Artes Médicas, 1980.


Vera Iaconelli
CRP 35751-1, Mestre em Psicologia pela USP, Psicanalista pelo Instituto Sedes Sapientiae, Professora do Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica, Coordenadora da Gerar_Escola de Pais





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