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domingo, 16 de fevereiro de 2014

TINGA - A REPRESENTAÇÃO CLARA E ÀS CLARAS DE QUE O RACISMO EXISTE, SIM!

Para escutar seu desabafo: Globo Esporte
Lastimável não é o racismo no futebol... Lastimável é O RACISMO em si! 

Precisou explodir num esporte para que se torne um tema a ser debatido com mais seriedade. Não bastam punições... isso apenas vai mascarar e impor uma nova pseudo ordem. 

É necessário e de suma importância falar abertamente. Assumir, reconhecendo claramente que o racismo existe, sim! Velado, escondido... disfarçado com nomes e situações protegidos pela Lei. Não penso que punição a atitudes preconceituosas, de um modo geral, ou qualquer forma de discriminação devesse constar em Lei... deveria ser uma postura pessoal não ter esse comportamento. 

As pessoas deveriam ter uma conduta ética e moral mais respeitosa. Essa cultura antiga de um povo querer se sobrepor ao outro dá nisso: a manipulação do poder, do desejo entorpecente de querer ter o que não te pertence, do não construir o seu, no seu espaço... e dá nisso: a subjugação do outro em detrimento de um interesse próprio. Ou seja, vou queimar seu filme para todos te odiarem e te verem como algo asqueroso, para que, assim, eu consiga te desestabilizar em sua dignidade, cerceando a sua liberdade e, com isso, destruindo você! Tem coisa pior do que isso? Imagina numa dimensão descomunal como, nada mais ou nada menos do que o mundo inteiro contra você?

Ah, mas falar em racismo é perda de tempo, deixa a Justiça cuidar disso! Para mim, antes de se chegar à Justiça, justiça seja feita, cada um de nós precisa rever seus conceitos. Não é impedindo piadinhas ou deixar de chamar o outro de "negão" que vai fazer essa desconstrução do mal feito e implantado, enraizado até a alma. 

É muito cômodo, para nós que não temos a pele negra, "vermelha", "amarela", os olhos puxados, os cabelos crespos, que somos heterossexuais, classe média, "estudados" - como diz o povo - nos doermos com os alertas contra o racismo. Mas, para quem vive o peso da sensação de diferença como algo pejorativo, por conta desses características, esses sim, sabem o que é essa dor! Para a gente, apenas um discurso de algo distante e aparentemente inexistente, afinal, ali onde não estou, nada deve existir...

Eu não sou branca 100%. Venho de família mestiça em todos os aspectos, inclusive as várias tonalidades e colorações das peles, cabelos, olhos, dentes e etc. 

Questiono muito como alguns religiosos fazem as colocações Bíblicas de maneira preconceituosa sobre as cores de pele, que já induzem - através, não do que está escrito, mas como vem sendo interpretada e usada até os dias atuais - de que quem já existia antes do povo "de Deus" não era de Deus... Como os negros, os índios e, sim, os orientais. Em alguns casos, afirmam que viviam na "ignorância" de Deus, mas, a partir do momento que lhes é apresentada a "palavra", deixem TODA  a sua vida e crenças para trás; rompa com a sua cultura, porque ela é do mal. Aqueles de "cor" que aceitarem a palavra de Deus, nos moldes como lhes fora colocado, serão aceitos como humanos... Antes, eram seres sem alma. De fato, não conhecem os psicopatas, esses, sim, são seres sem alma, coração ou boa emoção - e podem ter qualquer cor de pele e cargo, de preferência os mais elevados hierarquicamente.

Meu questionamento: se Deus é o Criador de todo o Universo, quem não é filho dele? Até o próprio Lúcifer foi criação divina. A sua revolta, essa sim, é própria e pessoal, ou "angelical" do portador da luz que perdeu a sua luz.

Pois é, como lidar com esse tabu GIGANTE, chamado de preconceito, discriminação e, neste caso específico: RACISMO, se ele vem de maneira arquetípica desde a gênese Bíblica? Aliás, na gênese não, porque no livro Gênesis eram apenas terra, água e escuridão, até se fazer a luz... depois, vieram as primeiras criaturas, depois Adão, Eva e o cão - ops! a serpente... Até chegar a Abraão, nosso primeiro patriarca reconhecido como tal. Considerando que quando a Bíblia fora escrita, muito e muito tempo já havia transcorrido desde a criação da Terra - porque, é bom situar e contextualizar, nem a todos era permitido acesso à leitura, muito menos conhecer outros dialetos... era tudo, numa visão própria da época, como maneira de se manter a "ordem" e o "equilíbrio", guardado e assegurado, apenas, entre os que se intitulavam competentes para tal... e, assim, mantinham o???? PODER! Olha a palavrinha mágica de novo! Sem contar a trajetória do desenvolvimento da escrita, onde e como se arquivavam os conhecimentos... - pois sim, voltando ao início da frase, ao se considerar esse ponto, quando e quem começou a escrever a Bíblia antes do período Mosaico? Quem era o organizador das ideias e do que seria, de acordo com relevância, constar ali? Bom, melhor parar, porque não é esse o ponto em si. O ponto é o arquétipo tendencioso de subjugação dos povos em detrimento do interesse em seu terreno.

Tá, e Tinga nisso? Hoje, 2014 anos após o nascimento de Cristo, que DEU sua vida, em Vida, como exemplo de vida e virtude, através da sua divina sabedoria e CONSCIÊNCIA, e nos deu a sua morte, como prova do seu amor por esse povo ingrato, que somos e nada aprendemos com isso... Pois é, ainda hoje, nada, nem um tiquinho apreendemos dos Seus REAIS ensinamentos, além de retóricas belíssimas e discursos inflamados e aclamados de que devemos seguir a vida que Cristo nos ensinou... Somos um bando de hipócritas! A Bíblia, por exemplo, não prega o racismo ou qualquer tipo de preconceito, apenas fala e retrata o povo de Abraão e sua descendência, afinal, ele existia em meio a outras pessoas, ou não?! Isso é que ninguém se dá conta! E é isso que me instiga e inquieta de uma maneira positiva - entender! Se retrata a partir da visão do povo de Abraão, naturalmente, a sua realidade é o recorte e o ângulo por onde tudo é visto. Beleza! Era natural que, através de um controle e o poder da época, os casamentos fossem entre pessoas da mesma nação. Ou seja, naturalmente, as características físicas se mantinham. Deu para entender, um pouquinho, que não se trata de discriminação, apenas de organização cultural de um povo? Daí, com isso, ao se permitir explorar terras mais afastadas, se dão conta da existência do "diferente". Depois, com o intuito de dominar e possuir mais terras, nada mais "nobre" do que impor a força e permitir escolhas: "ou nos dá ou guerra!". Com isso, nações tiveram que perder seus espaços e a mistura começou... porém, os escravizados, desde aquela época, eram considerados povo fraco. Essa marcada se instalava e era propagada, não com ferro quente, e sim através das características fenotípicas visíveis daquele povo. Isso, por acaso, não se torna um arquétipo, em seus tempos e nos seguintes e seguintes e seguintes? Hitler não desejou tanto manter sua raça pura e ariana, dizimando tantos judeus? Os desejos pelo poder são tão insanos que concordo com Alvo Dumbledore - em Harry Potter - onde prefere não assumir aquilo que ele não tem controle... e o poder, muitas vezes, sobe à cabeça e dispara um ego que infla e infla, sucumbindo à loucura, cedendo aos caprichos vaidosos da necessidade de subjugar o outro para se afirmar como melhor! Assim, quem tem o poder, é o maior. Então, vamos colocar Deus ao nosso lado e usar Seu santo nome para manipular o povo. Quem não estiver comigo, estará contra mim! E começa a mania de perseguição. Consequentemente, a discriminação, através da segregação. E assim, em diversos espaços e tempos, quem dominava impunha a sua característica como supremacia.

Ainda assim, não entendo a origem do preconceito puro e genuíno. Não entendo de onde veio? Com quem? Por quê? Para quê? Qual a sua função colaborativa na construção e edificação dos bons valores? Não vi em lugar algum escrito que a serpente disse a Eva: "Vai, come que vai ficar branquinha para sempre! Tu, Adão e teus filhos!". Nem escutamos Deus dizer a Moisés que apenas os brancos, ricos, bonitos, magros e que frequentem bons restaurante e hotéis de luxo seriam salvos... Ah, por acaso se salvaram do dilúvio?

E Tinga, minha gente? E Tinga? Tinga é apenas - não um "apenas" pejorativo, mas um alerta de que tem mais... - mais um grão de areia nesse mundo de loucura e profusão do "mal". Tinga é a atual representação de que esse mal está mais ativo do que nunca e que as medidas de contenção e disfarces do preconceito cederam! Ruíram as barreiras do fingimento e abriu-se a clareira - que não ilumina nada... - onde podemos VER e OUVIR que SIMMM, O PRECONCEITO EXISTE! E cada dia mais forte! Aquilo que cresce sem a gente ver não deixa de crescer e se fortalecer!

O vexame teve destaque porque foi um jogo importante e transmitido por onde? PELA TELEVISÃO! Alastrou-se como fogo em palha seca. Incendiou e nos fez ver o que se escondia em palavras bem colocadas e pensamentos bem mal intencionados.

Tinga é mais um que sofre esse mal, por nada! 

É mais um SER HUMANO que paga uma pena alta, apenas por seu fenótipo marcado como povo fraco e que merece o desprezo, por ser uma PESSOA COM A PELE ESCURA!

E não entro na seara: caráter! A falta de bom caráter está em todas as cores! Só que associam aos negros, simplesmente, por uma má formação histórica, onde destruíram as tribos africanas - independente da ajuda de tribos rivais... - e trouxeram-nos para cá, levaram-nos para lá, distribuiram por onde havia necessidade de mão de obra forte, robusta ao custo de maus tratos. Para onde? Para Brasil, Estados Unidos... Aqui, para uma região que já existia, onde índios viviam em LIBERDADE, que ainda não era nome de bairro, mas uma forma de vida. Exterminaram tudo em nome dos seus próprios interesses e os denominaram, também, seres sem alma. Os jogaram aqui e, depois de perceberem que perderiam o poder, como último golpe estratégico, alforriaram a todos! Que lindo! Quanta emoção! Carta de alforria! Um documento que provava que eles eram NEGROS LIVRES. Ironicamente - dentre tantas e tantas ironias... - essa liberdade nada mais era do que uma nova prisão! E esta resiste até os dias atuais! Como é difícil empregar um negro em função hierarquicamente elevada! Acontece, mas a cobrança é triplicada. Coitado de Obama! Mártir de uma fachada que já estava em crise mundial e que recebeu a "galinha pulando"... Criaram a imagem de um "salvador" que hoje é condenado por ser, apenas, um homem mortal!


Pois é! Tudo isso vale a pena ser falado. Debatido! Discutido! Cuidado! Assumido! Esgotado! Até deixar de ser um tabu. Até deixar de ser um entrave ao progresso humano! Até deixar de ser algo prejudicial! E não é apenas evitando piadinhas... Nem chamando de afrodescendente que o preconceito vai deixar de existir. Isso se dará no dia em que as pessoas se olharem como PESSOAS. Nesse dia, Tinga não será vaiado, nem escutará sons de macaco, por ser negro. Nesse dia, não será preciso ter um artigo em algum código penal que puna quem cometer atitude discriminatória, porque isso não será mais parte da conduta de ninguém. Nesse dia, as seleções para entrevista de emprego serão mais limpas e neutras, baseadas em competências. 

Mas, antes desse dia, muito deve ser feito! Educação deve chegar a TODOS, principalmente aos mais pobres - onde, por consequência de uma história que ninguém quer contar, estão a grande maioria dos herdeiros das "cartas de alforria". Educação não para ser funcionário de cargo elevado numa multinacional, mas educação como construção de base moral, ética e compreensiva, com conhecimento escolar e acadêmico. Até esse dia, muito ainda precisamos desconstruir. Muito ainda temos para construir!

Temos um longo caminho. Se começarmos AQUI E AGORA, ele poderá ser possível! Ele começa aqui e agora! No já! Não no depois ou amanhã... 

Racismo não é apenas um crime, é atentado ao pudor! É atentado à ética, à moral, às virtudes, aos bons costumes!

IGUALDADE SE FAZ COM AS DIFERENÇAS EM EQUILÍBRIO E HARMONIA!
COM RESPEITO!

Pat Lins - perplexa por Tinga e por tantos "Tingos e Tingas" mundo a fora e vida a dentro!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

TODA LIBERDADE TERMINA ONDE COMEÇA A DO OUTRO. ONDE É MESMO?

Imagem: Google - DUBIELLA

Um dos melhores ditados que conheço é “a minha liberdade termina onde começa o espaço do outro”. Entretanto, raramente nos perguntamos: onde é esse lugar? Onde está a delimitação?

Pode ser uma delimitação pelo melindre, pelo medo, pelas características individuais. Tá, até aí, tudo bem... mas, será que o outro sabe onde é o seu espaço? Será que o outro se vê como um eu, que também é outro para alguém?

Essa questão de espaço requer, antes de tudo, de uma boa base emocional. Pessoas que têm mania de perseguição, têm um problema individual e alegam que todos e qualquer um o estão perseguindo, o atacando. Pessoas que não Têm limite, invadem o espaço alheio se sentindo cumpridores do dever de se fazer o que quer, independente se existe o outro...

Hoje em dia, após tanto se lutar pela liberdade de expressão, duas coisas não foram muito bem amarradas, delineadas, definidas: 1 – o que é LIBERDADE; 2 – O que é EXPRESSÃO. Não se sabendo o que vem a ser cada uma isoladamente, como saber o que são ambas coletivamente?

Num ambiente sem educação básica, com intelectos poucos estimulados e desenvolvidos – em minha concepção, todos têm potencial a ser desenvolvido, cada um aos seu tempo, não fosse essa cobrança social castradora e abusiva de imposição e massificação... – e sem uma base de bons valores e moral, ganha aquele que persuadir e manipular melhor: o convencimento.

O perigo reside justamente nessa falta de opinião própria, por uma auto estima comprometida pela falta de vontade de acreditar que é possível ter mais acesso à informação, desde que se entenda que, para isso, há de se mexer numa coisa muito simples: a zona de conforto. Já escutei uma mulher me dizer: “ah, isso é para você que é inteligente. Para a gente que não teve acesso à escola de qualidade, fica difícil aprender qualquer coisa...”. Um comentário, pura e simplesmente, porque eu disse: “tome cuidado ao misturar produtos de limpeza.”, pois ela queria misturar soda cáustica com outros produtos para desentupir um vaso sanitário. Daí, expliquei que eu não sou tão inteligente que não possa aprender coisas novas e isso é uma coisa simples: basta ler os rótulos nas embalagens... é uma questão de alfabetização. Não de ter concluído a alfabetização, mas ter sido ALFABETIZADO, que inclui, além de juntar as letrinhas, a capacidade de entender o que elas dizem juntas. Está no desenvolvimento da competência  interpretação. Sendo assim, a maioria das pessoas pensa que não pode pensar, porque aprendem nas escolas a desaprender.

A capacidade de investigar, de ir em busca, de indagar, de questionar... de racionalizar é do ser humano. A capacidade de expor suas próprias ideias é um direito natural de um ser pensante. E, quando me refiro ao direito natural, vai além do direito como forma jurídica, está no simples direito enquanto parte natural da característica de quem tem a racionalidade como diferencial – ou como nos ensinam que é um diferencial – entre os outros animais, que são tidos como selvagens, por não pensarem – se repararmos, eles têm uma sabedoria aplicada mais desenvolvida na prática do que a nossa... eles comem, matam e morrem por sobrevivência; a gente, para se satisfazer...

Tudo vira polêmica. Mas, ninguém olha de frente para o fato. Proíbe-se todo e qualquer ato de discriminação, com punição prevista em Lei, mas não vejo esforço em desenvolver um verdadeiro respeito às diferenças... Não pode falar, nem expor, mas pode discriminar disfarçadamente... Hipocrisia! O fato de existir uma Lei, já discrimina. Eu falo em democracia no sentido de haver uma prática que funcione, que eduque, não uma teoria que finge funcionar. Mas, algo precisa ser feito, porque ninguém vai conseguir educar e despertar nos que se “acham” acima de todos, tão rápido... assim, como somos de uma cultura punitiva, vamos punir para ver se coíbe. Evita a discriminação pública. Prende quem comete o delito. Mas, não transforma. Muitos grupos gritam e clamam por respeito e reconhecimento, numa tentativa de se fazerem serem entendidos. Essa parte da discriminação, da intolerância – seja de ordem religiosa, étnica, social, econômica, estética... – representa bem a inconsistência da liberdade de expressão que é propagada, mas casa direitinho com o título/tema deste post: “minha liberdade termina onde começa a do outro.”. Ou seja, o ato discriminatório tem a intenção clara, objetiva e direta de destruir a condição emocional do outro, cerceando a sua liberdade de se expressar. Sentimos onde está o lugar? Fica aberto para indagações. Afinal, meu ponto de vista é claro: não admito qualquer tipo de discriminação, mas discrimino quem discrimina. Em minha defesa, argumento: quem discrimina tem a intenção clara, direta e objetiva de desrespeitar o espaço do outro. E eu respeito muito os espaços. Para mim, existe o meu espaço, onde permito interseções com outros espaços-pessoas e um meu apenas, onde ninguém tem o “direito” – essa palavra é outra que dá margem para brechas jurídicas... coisas que moral e eticamente falando, nem sempre combinam - de se aproximar! É o tipo de coisa que quanto mais tenta entender, menos se faz sentido, porque está na condição respeitosa, enquanto VIRTUDE – de adentrar. Quem tenta adentrar no espaço alheio é um invasor. E, sendo invasor, perde o direito a direitos. Isso é complexo e paradoxo porque a maioria de nós – condição da qual me excluo com consciência - não concebe a ideia de se viver com RESPEITO. Machuca nessas pessoas entender e aceitar que o outro também tem lá o seu espaço individual.

Existe um espaço no qual é permitido apenas o contato social, onde assumimos o personagem eu social. A maioria de nós pensa – se é que pensa – que nesse espaço se é permitido todo o tipo de divagações... Nessa hora, voltamos a questionar: “onde está esse espaço?” e, o mais importante: “o que é invadir?”. Nesse momento é que as pessoas se perdem com intenções escabrosas e deturpadas pela falta de postura moral. MORAL! Agir com bons costumes!

O velho chavão “não é da sua conta” surge sempre quando se quer delimitar um espaço. O que acaba despertando outras dimensões de nós mesmos, orgulhosas e egóicas, que partem para o ataque ao espaço do outro, sem o menor sentido. É nessa roda que vivemos girando. No furdunço desgraçado de quem nem sabe porque está atacando e sendo atacado. Vivemos uma guerra de egos e conflitos de orgulho e vaidade. Ou seja, não temos a menor base para sustentar uma liberdade de expressão. Também, isso não dá o direito de nos tirarem.

Com o crescimento do poder da imprensa, muita coisa se perdeu e muita coisa se ganhou... Porém, como saber diferenciar o que é verdade do que é opinião pessoal, divulgada como verdade? Ou, do que é armação? Olha a necessidade de um ambiente saudável, como base moral e ética, e não cultural deturpada?! Discernimento é algo para sábios.

Com as redes sociais, essa questão ficou um tanto quanto mais delicada.  As pessoas não entendem o que vem a ser diálogo e as suas bases – como RESPEITO, COMPREENSÃO e CLAREZA – e que para haver um diálogo efetivo, é necessária uma COMUNICAÇÃO EFETIVA, ou seja, com transparência, objetividade e capacidade de se fazer entender, afinal de contas, o outro não está em minha mente – ai, como me dói saber que esse tipo de pensamento não passa nas mentes dos tapados, que só querem falar qualquer coisa, sem responsabilidade na ação e sem cuidado com a interpretação ou entendimento e eles sempre se acham claros... criando caos em vez de estabelecer conexão... isso me destrói – e, sendo assim, preciso me fazer ser entendida e representar com clareza o que tenho intenção de externalizar. Se as pessoas não têm a menor noção dessas e outras questões, o que pode acontecer? O caos imperante. Atos brutais e colocações do tipo: “não se meta!”, “não é da sua conta!”, “vê se cuida da sua vida!” e outras do tipo, como “falam do que não sabem”... E a falta de COMUNICAÇÃO continua e vira uma bola de neve que nunca derrete e só aumenta.

Ora, se temos as ferramentas nas mãos, como redes sociais – o que nos coloca com mais espaço para otimizar o tempo na ação de se comunicar – e a imprensa, como veículo de COMUNICAÇÃO SOCIAL – local onde se deve publicisar uma mensagem atingindo o mior número de pessoas possível ao mesmo tempo – onde está o erro?

Se avanço tecnológico promovesse o desenvolvimento de VIRTUDES, MORAL e ÉTICA, seria mais fácil. Entretanto, para tanto, exige-se um tanto de esforço pessoal. Os marombeiros, sarados, saradas... são capazes de malhar seus músculos e esculpi-los nas academias e quantos deles são capazes de esculpir o próprio caráter de maneira positiva? Não estou falando que quem malha é banal, apenas uma apropriação comparativa de esforço para se alcançar objetivos.

Nos deparamos com a orientação – plausível e necessária – de que devemos cuidar da saúde com boa alimentação e atividade física. E a mente? E o emocional? E a moral?

Pois é, somos capazes de aceitar que todos têm o dever de respeitar o espaço do outro, desde que o outro entenda que eu estou sempre com razão, por favor não me desacate. Concorda?

Se a gente não sabe dialogar pessoalmente, virtualmente, nos sentimos mais “fortes”, porque nos tornamos um personagem irreal, numa realidade virtual, mas com ataques reais.

ATAQUES são desnecessários. Se eu me expresso sobre uma figura pública, é uma forma de expressão diante do que ela comunicou. Eu tenho esse direito? Não poderia eu aceitar sem criticar? Mas, não, eu caio na tentação e critico. Daí, outro pensa diferente de mim e vem me atacar, me condenando com diversos termos e palavras que não estão no que escrevi, demonstrando algo represado que sai por ali... Ou seja, não estamos só: nossas emoções se revelam nesses embates. Nossa falta de saúde emocional se apresentam... E a guerra começa. O que seria uma troca de opiniões pautadas na liberdade de expressão, se tornam farpas desnecessárias, comprometendo as qualidades das relações.

Me pergunto: onde vamos parar? Quando vamos começar a usar a liberdade de expressão de maneira mais responsável? Nem, vou entrar no mérito das biografias e das piadas, porque vai render muito mais espaço. Só posso dizer que tudo parte da intenção. Para mim, a graça não pode ser ofensiva... Se eu sou uma pessoa virtuosa, não farei chacota com a miséria alheia, antes de qualquer coisa, dedicarei meu tempo a ajudar. Mas, vai de cada um. Porque até acontecer a evolução humana do estado animal que colocam como selvagem e como algo pejorativo, vamos vivendo como esses animais que tanto condenamos. Gostemos ou não, somos julgadores e condenadores. Somos frustrados e descarregamos essa “culpa” e raiva nos outros, alegando LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

Não há limite para essa questão... não sabemos o que vem a ser limite, apenas castração. Limite requer respeito como base...

Seria bacana, em vez de reclamar do tamanho do post, refletir diante das nossas ações, tão desconhecidas por nós mesmos. Daí, já poderíamos começar a engatinhar no entendimento real da LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Afinal, saberemos como nos expressar e como não nos doer com a expressão do outro, pois, nesse caso utópico que aqui exponho, ambas as partes estarão apenas interagindo no mesmo espaço de encontro.

Pat Lins – usando da minha LIBERDADE DE EXPRESSÃO em meu espaço virtual... quanta possessividade, tudo meu, minha...

sábado, 5 de novembro de 2011

PODER, RIQUEZA MATERIAL... ESSE É O NOSSO IDEAL?

Não é de hoje que tenho sede de entender o porquê de agirmos como escravos de nós mesmos... Pois é, aos poucos, minhas fichas vão caindo. Seja em meio a uma leitura, a um filme, a uma boa conversa... Tiro conlusões do que acredito, com o que sei, com o que aprendo, com o que sempre chega e o que sempre vai. Na vida, tudo é troca. Pena que transformamos boas trocas, trocas de aprendizado em mercadorias. Nós nos transformamos em mercadorias. Detalhe, bem baratas, porque temos um preço e, normalmente, é o que oferecerem e a gente se acha tão sem opção - e, diante da atual realidade, onde tudo chegou, parece mesmo que não temos... - que aceita e se submete.

Para variar, tive uma dessas súbitas quedas de ficha assistindo dois filmes que, apenas assistindo aos filmes, ninguém vai entender o que entendi e ver o que vi. Alguns outros não só entenderão como poderão me acrescentar informações relevantes. Os filmes foram "300" e "Alexandre - O Grande". É bom ter um mínimo conhecimento de história e da cultura daquele povo. Para a gente, eles eram bárbaros, mas, nós, seguindo o que os tiranos lobbystas que sempre existiram, preferimos nos curvar ao que o falso-poder prometia de escravidão em forma de liberdade: "entregue-me seus inimigos que pouparei sua vida, permitindo que seja meu escravo..." e a isso nos curvamos, como fez Efialtes, que, para não assumir que sua limitação física poderia comprometer a eficácia das falanges, e não aceitar que poderia ser útil ao seu povo de outra maneira - coisa que sempre fazemos... não damos importância ao que devemos fazer, mas, ao que queremos fazer, desde que a gente ache que é a única maneira de parecer ser algo que não é... - assim, Elfiates, que, não podia se levantar, preferiu, então, se curvar ao tiranos Rei Xerxes. Isso nós fazemos. Nós criticamos aqueles que têm um ideal e os taxamos de frios, insensíveis ou cruéis, por não fazerem o quê e como nós queremos. Nós agimos como eternas crianças que não aceitam ouvir "não" dos pais e só depois cai a ficha e entende que os pais podem ter errado em muitas coisas, mas, era o que acreditavam estar certos. Pois é, nós nem sabemos ao que servir e servimos aquilo que achamos que vá nos dar "poder", "dinheiro", "status". Para quê? 

A diferença dos gregos era que eles não viviam para lutar, mas, lutavam e morriam pela vida. Pela vida de todos, não de um. Eles viviam um ideal maior. Eles tinham um ideal. Eles não eram cegos, tolos ou inflexíveis. Eles seguiam uma única e simples razão: o uso da razão. a fraternidade os unia como um único corpo. Não uma massa vazia e oca como somos, mas, uma massa cinzenta de sabedoria e inteligência. Cada um dava o seu melhor e recebia o melhor do outro. Havia um companheirismo leal que a gente faz questão, nas tal da civilização - se é que já vivemos uma civilização nos tempos atuais - que vivemos de creditar às atitudes dos antigos gregos como violentas. Alguém já parou para ver que eles apenas defendiam seus territórios que eram inúmeras vezes alvo de invasão? Quando Alexandre ergueu suas tropas e foi para a Pérsia, ele foi em nome do seu pai, recuperar terras Macedônicas e, lógico, ele era humano e o poder também lhe subiu a cabeça. Para piorar, ele precisava fugir de sua mãe. Muitas detruições que ele fez foi por intolerância - pelo que pude perceber, resultado dos embates que ele travava em si por conta dos venenos que sua mãe lhe impunha, só vendo o mal nas pessoas - e, ele era tão grande em tudo que fazia que até o que destruía era grande. Mas, ele não invadia e criava impérios, ele libertava as terras que invadia e deixava que fossem regidas pelos próprios governantes daquele povo. Ele queria levar conhecimento a todos. No filme dão pouca atenção às Alexandrias. Alexandria era um centro cultural livre. Lá, pessoas de diversas partes do mundo, crenças, religiões, culturas eram iguais. Eram humanos em busca de investigar, conhecer. Lá a matemática, a física, a filosofia e etc se desenvolveram ainda mais. Lá, as ciências viviam junto com as atres, a política e as religiões, como pilares para se alcançar o que há de mais sublime em nossa missão aqui na Terra e pouco buscamos: SABEDORIA. A maioria de nós se acomoda a ser apenas esperto e tirar proveito de tudo em vez de cultivar a própria horta. A maioria das pessoas - e disso me excluo com propriedade - só quer o que pertence aos outros. Poucos de nós sente a honra e a nobreza de cuidar da própria vida como um verdadeiro tesouro.

Os gregos viviam e morriam não por um, mas, por todos. Cada um vivia e morria por si e pelos outros. Lógico que havia os invejosos e os urubus de plantão. Tanto é que aquela civilização foi extinta. Sempre existiu o mal. Ele está em cada um de nós, só que precisamos conhecer e admitir isso para que ele seja transformado, senão, ele nos escraviza e daí vem a inveja, os desejo de poder, a felicidade como algo que seja relacionado ao que tem um preço... Os gregos sim, eram uma nação. Apesar do rigor - nossa cultura nunca entenderia isso, porque nenhum de nós tem valor moral para entender - eles eram nobres, éticos - rigorosamente éticos e morais - e isso incomodava e incomoda as nossas fraquezas. Eles não alemjavam o poder, eles sabiam que o poder é para quem tem vida ética e moral, porque o poder é a força que leva um dirigente a dirigir seu povo de maneira ética e moral e guiar para um caminho de sabedoria. Isso que vivemos hoje em dia é tirania, não poder de um lider. Imagine um político deixando de roubar e cumprir com suas obrigações? Os gregos viviam isso. Ah! Mas, para nós, isso é loucura. Mas, já existiu. Já existiu civilização e justiça e foi esse fato de justiça - e justiça não é nivelar todos como iguais, mas, dar aquilo que cada um precisa para se desenvolver - que incomodou e incomoda. Por isso, melhor dizer que os gregos eram severos como algo pejorativo do que mostrar que eles eram íntegros. Isso sempe me incomodou. Eu tenho um fascínio pelo povo da Grécia antiga que nem eu sei explicar. Eu admiro a capacidade de construção, sabedoria e ideologia que eles tinham. Eu admiro como eles sabiam lidar com medo e coragem, não essa banalização de hoje em dia, que a gente acja que coragem é partir para a briga. Eles eram diplomáticos e só depois de não conseguir via negociação, se defendiam ou atacavam. Eles eram pessoas livres. Isso é um guerreiro: um ser livre que assume o dever e cumpre-o, como parte de um todo, parte de uma nação e disposto a tudo para proteger esse lar, essa cidadania. Essa liberdade fazia toda a diferença. Isso é coragem, força. Eles usavam a razão. Para mim, eles só precisavam equilibrar os sentimentos. Mas, também, não existe nada perfeito. O que a gente chama de amor é algo muito raso para termos a mínima compreensão do porquê eles agiam com rigor. A disciplina era tudo. Vá falar em disciplina hoje em dia... toma logo um teor de ditadura, de imposição. Completamente diferente do que era a disciplina para os gregos. Para a gente, honra é igual a orgulho; nobre é quem descende da monarquia... Nós somos tão ambiciosos que nem conseguimos sequer aceitar que o que digo aqui faz sentido. Nós aprisionamos em "nome do amor". os gregos sempre ensinaram que o verdadeiro amor liberta e só livres podemos saber o que devemos fazer. Quando a gente tem filho, a gente começa a abrir uma porta para aprender a amar, mas, acabamos caindo no mesmo viés: prisão. Não conseguimos nos libertar de nossos entraves, então, tapamos nossos buracos com nossos filhos. Isso a gente vê muito em novela, mães que queriam ser Miss e jogam as filhas para serem aquilo que não foram; pais que saem da miséria financeira e montam algum negócio e não admitem que os filhos queiram seguir outro caminho a não ser o de  dar continuidade ao "império" que conseguiu montar... Estamos preparados para nos libertar de nós mesmos? Estamos preparados para nos enfrentar?

Acabamos crescendo aprendendo a temermos tudo e paralisarmos pelo medo; vivemos sofrimento e dor como punição, em vez de superarmos e nos curarmos para viver a felicidade. No filme, eles se dizem vitoriosos por estarem em guerra e isso me remete ao Bhagavad Gita, da tradição milenar, se não me engano, do hindus, onde o Arjuna vive um conflito entre entrar em guerra pela cidade da sabedoria. Quando ele decide partir para a guerra, ele se torna vencedor. Isso nos remete ao fato de que nossa vida é luta e esforço diário. Não existe um dia de vitória e sim, situações que vencemos e precisamos manter. Cristo, por sua vez, nos ensinou a buscar a felicidade com outros termos, mas, com esforço e dedicação, para vivermos as virtudes na prática, pois, só assim, podemos entrar no reino dos céus. Qual de nós segue o que Ele ensinou? Assim que morreu por nós, nos ensinando algo de nobre - o ideal maior - nós nos viramos e fomos procurar culpados para continuar a matança. Cristo lutou, sem guerra de armas, mas, com batalhas de palavras e ações coerentes e práticas, enquanto nós só queremos teorias e acreditar naquilo que nos falam e pronto. Respeitamos mais a dor, o medo e o sofrimento do que a libertação deles.

Nós temos medo de ver, de nos vermos. Vivemos sem sentido, sem rumo e o rumo que nos dão é o da aparência. A isso nos contetamos e nos curvamos. Enquanto a vida só quer que fiquemos de pé e sigamos o sol. A vida só quer que a gente cresça e se liberte dessas banalidades que fazemos trivialmente. A vida quer que vivamos muito mais! Mas, como já mergulhamos nessa lama, só com guerra poderemos encontrar a paz. A guerra interna onde vencendo dentro se vence fora! Por isso que a morte do Cristo foi em vão... Não o que Ele fez, mas, como nós agimos depois do que Ele fez: nós continuamos a matá-lo, a cada dia, em cada ação fraca nossa. Nós só queremos a carniça da escravidão e não o banquete da liberdade. Por isso sofremos e alimentamos esse sofrimento. Por isso um espartano nos soa como louco e exagerado. Porque a nossa loucura nós não vemos, fingimos que não somos e fingimos que não estamos sofrendo. 

Nós somos seres capazes de desenvolver a razão. Mas, para isso, precisamos dominar uma coisinha muito simples, porém, muto complexa: nossa personalidade e nossos euzinhos. Mas, isso fica para outro post. Preciso estudar o mito de Pisquê. Como os mitos, nos toca de maneira que não entendemos nessa mínima consciência que temos, mas, como todos temos o caminho para a perfeição dentro de nós, eles falam com esse lugar na gente e, aos poucos, um dia, em meio a algo como um filme, uma conversa inteligente, uma boa obra literária... essa ficha caia em forma de consciência, como de fato tem que ser: vertical e desenvolvida, mesmo que, para isso, tenha que escutar que as pessoas inteligentes são doidas... Bom, toda coragem requer um pouco de loucura, uma dose para romper com essa normose instalada e que creditamos a algo benéfico. Depois de um tempo, vem o agradecimento aos "loucos", por nunca desistirem de acreditar em algo maior e melhor.

Nós somos o mundo melhor. Só entendendo que mudando a gente é que podemos mudar o mundo, mudaremos! Bom fortalecermos nossos pilares morais, éticos com disciplina e determinação.

Pat Lins.

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