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quarta-feira, 24 de abril de 2019

Laboratório da Vida - Ciclos e Silêncio

Imagem: A Sabedoria dos Ciclos

Minha vida é meu laboratório e, a partir de cada experiência, algo em mim muda. Ainda tenho imensa dificuldade com muitas e inúmeras questões, mas o aprender a silenciar foi algo de muito interessante. Ainda tenho meus ímpetos, só que, olha, muito menos, viu!?

Entendi que a ideia não é engolir a seco, muito menos, rebater de pronto, mas respirar. Impossível não se chatear com determinadas situações. Não é um processo indolor, mas a gente precisa seguir, fazendo o melhor que pode, com o melhor que tem.

Aprendi a não negar que me enfureço e começa a subir aquele calor, que queima tudo por dentro e, antes, virava uma explosão nuclear. Hoje, identifico essa presença, esse sentimento - em geral reativo, mas, a reação é autorreferenciada em mim e em meus valores e crenças (natural em todos e qualquer um de nós), a gente sempre vai achar que está sendo atacado e, mesmo que estejamos, o outro também acha que está e é por isso que existe tanta guerra, porque ninguém quer esclarecer, quer é "estar certo".

O não negar o sentir permite que eu possa respirar e me dizer rapidamente: "depois a gente conversa, só eu comigo mesma" e ouço o outro, respirando, não só para deixar o outro fazer sua catarse, mas para que eu consiga não entrar na frequência dele/a e saiba deixar passar - nem sempre é linear assim, muito menos "facinho" e com cara de santa, muitas vez vem em meio da fúria mesmo e tenho esse diálogo interno já na porta mental daquela linha tênue do sair da razão, diante de uma investida recebida que ativou o mecanismos de defesa com o "atacar!". O bom desse meu exercício tosco, que faço do meu jeito e nem sei explicar, é que a porta emperra, exatamente quando a linha parece estar por um fio e o pensamento me toma: "deixe passar". Linha, você é um gênio! Ela fica elástica, quem "guenta?!".

Quantas vezes dá aquela vontade de "enfiar o pé na porta" e ser a Patricia de antes... e todas essas vezes, algo em mim me impede de regredir. Discordo do engolir a seco, mas também não acredito mais no bate e rebate desgastante de um embate e penso assim: respirando, tenho tempo para pensar, sem prejudicar minha saúde. Não se trata de implodir... é expandir a um ponto que, ao respirar e olhar para algo bom, nem que seja uma lembrança alegre e boa, que te preencha de alegria ou algo bom, sabe? É por aí. Então, me questiono: "qual meu verdadeiro foco - entrar num embate, para provar que estou certa ou deixar a fúria encegueirante do outro passar para conversar num momento mais saudável?". Uma pausa interna. Algo com significância para mim.

Ah, se o outro tivesse essa mesma capacidade de se auto ajudar seria tão melhor... lidar com temperamentos e temperamentos não é fácil e nem tenho sucesso em todos os casos, mas, naqueles que me determinei em terapia, ah, esses eu foco mesmo e chamo por Deus: "olha, o Senhor se revele e se manifeste como amor, pelo Amor ao Senhor mesmo, porque, sei não...".

E assim vou superando os picos de crises. Um amiga super mega, do tipo hiper especial, que por acaso é psicóloga (pena que nunca pude ser paciente dela... nas, a amizade em si era terapêutica e curativa), Noemia Nocera, pessoa que amo muuiittoo, me ensinou isso há alguns anos e, na época, achava que só pessoas evoluídas seriam capazes desse feito... mas, eu, mesmo esse pequeno ser que sou, doida para crescer e me livrar desse fardo de ser medíocre, venho conseguindo exercitar, literalmente: "na crise, não tome nenhuma atitude. Deixe passar. O tempo ajusta tudo e, com essa pausa, não há arrependimento e todo foco passa a ser na solução, não no ego briguento". Achei tão lindo e poético na época. Hoje, tão necessário!

Qual o benefício? Durmo tranquila; acordo feliz; sempre tenho "um sorriso sincero e um abraço, para aliviar meu cansaço...". Desafios? Tenho muitos! Senso de "justiceira"? Diminuindo cada vez mais, porque, a verdadeira Justiça, o Tempo revela e, se em cada ação, uma lição, algo tenho a aprender e, se o outro não aprende e fica insistindo em querer aprender às custas do meu bom humor, eu, como ainda não sou evoluída, apenas sei deixar passar, tá, sem briga, mas ainda não sei aceitar, muito menos entender.

E vou seguindo. Caminhando pela vida, sem pressa, porque não existe um onde chegar, eu acredito no: onde você está, o que faz de melhor para que, qualquer coisa, fique mais leve, mais alegre? Qual a sua cota de contribuição com você mesmo? O que de bom você gera e a que custo? É possível fazer o que é preciso, necessário, de uma maneira mais saudável?

Só pensando mesmo... e seguindo, um passo de cada vez e só! Não tenho que agradar as expectativas dos outros, porque se a gente se encarar legal, a gente não satisfaz nem as nossas próprias, e a gente vive transferindo para o outro. Esse é outro grande exercício que tenho feito, mas não cabe nesse post.

Aqui, a ideia foi falar do silêncio como mecanismo de "sobrevivência" dentro dos ciclos tensos na vida. Afinal, silenciar é muito mais um estado de atenção, empatia e compreensão, para não pirar na tensão que aperta em alguns momentos, do que engolir a ira por preferir não revidar. Meu lema é vivência nessa selva louca, sobrevivendo no dia a dia, como qualquer um, só que, minha bandeira ergue três pilares: Amor, Tempo e Verdade e assim, meus ciclos vêm se fechando, após picos de dor, incômodo e desconforto, com uma dose muito grande de esperança, fé e certeza de que tudo passa e tende a melhorar - ao menos, dentro de mim, fora está além do que posso fazer!

Saudações,

Pat Lins.

Imagem: não foi identificada a autoria... em pesquisa no Google com tema "ciclos", ela representa tanto a esteira da vida que vivemos que optei usar.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

DEUS É PAI, NÃO CARRASCO!


Deus, para mim, está no BEM. Não só na palavra, mas nas ações, acima de tudo! Mas, não é só lá, é em tudo que tenha o bem, o belo e o justo como base. Está no equilíbrio e no desequilíbrio, porque a vida é viver-se equilibrando e desequilibrando. 

Deus é bondade, sem arrogância; é beleza, sem vaidade; é justiça sem julgamento condenatório. Ele quer que aprendamos. Não quer nos punir, quer nos conduzir. 

O que chamamos de punição é apenas a consequência dos nossos maus passos - e leia-se "mau passo" como parte de quem tenta. Se não é, que não seja, alteremos a rota.

A gente precisa começar a assumir mais a responsabilidade pelos nossos atos, em vez de jogar tudo nas costas de Deus e do diabo... Interessante que a inspiração para parte dessa postagem veio de uma missa que fui, em homenagem aos 70 anos do tio do meu marido. Já havia escutado isso em outros lugares e palestras, mas vindo da igreja Católica me surpreendeu. Bom saber que as religiões estão elevando suas consciências, também. Que não seja apenas retórica.

Deus está dentro de cada um de nós: D EU S! 

Façamos melhor a nossa parte! Assim, sim, poderemos deixar um mundo melhor para os nossos filhos e filhos melhores nesse mundo!

Pat Lins.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

AJOELHA PARA REZAR E LEVANTA PARA ATACAR

Meu "caminho das pedras"
Conversando com mais uma nova amiga, constatamos o quanto algumas pessoas pensam que estar debaixo de um teto "sagrado" é a salvação em si... Ou, estar sob um teto religioso é o próprio religare.

Tem gente que nem sabe o que quer dizer "religare", nem o ato de se reconectar com a espiritualidade - seja através da religião que for -, onde o que conta é a ação, alinhada com a crença. É o reconectar com os bons e verdadeiros valores, com as virtudes. É estar em ligação e conexão com Deus, num alinhamento puro.

De nada adianta ir à igreja rezar/orar, se ajoelha, levanta, canta, se abraça e, assim que passa o culto, a missa, a reunião... já entra em estado de julgamento: "Nossa, você viu a roupa de fulaninha? A mesma da semana passada... será que não tem um dinheirinho para comprar roupa nova? Que deixe de comer...". Isso é fé? Isso é exercício de fé? Isso é prática de fé e devoção?

Pois bem... as pessoas não estão mais dispostas - aliás, deixe-me consertar a tempo: algumas muitas pessoas - ao ato de ser SOLIDÁRIO. Ninguém quer mais conversar, trocar... tudo deve caber em, no máximo, uma página de A4, com tudo corrido e muito "objetivo", como sinônimo de raso, superficial mesmo. Se houver interesse, aí, sim, se chama para uma "entrevista" mais "aprofundada", ainda que na beirinha, para não aprofundar muito. 

Ou, tudo deve caber em 144 caracteres ou 5 minutos de fala.

Onde vamos parar mesmo? Aonde queremos chegar?

As pessoas usam a força da união sem ponderação. Ninguém tenta fazer alerta, apenas se reune para expulsar e pronto, missão cumprida. Assim, para esses é Deus no céu e a justiça na terra.

A verdadeira imagem e semelhança com Deus, volto a falar, é com DEUS, com algo divino, algo acima de nós e da nossa capacidade limitada de entendimento. As pessoas abusam e colocam o contrário, colocam Deus à imagem e semelhança dos homens, e, pior, dos homens heteronormativos, preconceituosos e cruéis. Do mal, isso!

Assim, seguem essa deturpação. Assim, foi construído o mundo "civilizado" em que vivemos. Assim, sempre seremos os "mesmos", quase mesmos, porque a cada nova geração, um abalo se faz... E, pelo que vejo aqui em casa, esse abalo de agora veio para ficar e não vai aceitar ser enquadrado nesses rigores, não... 

Oremos, irmãos e irmãs, para o bem da nossa Terra. Oremos, para que o bem volte a ser o ar que respiramos! Rezemos pela paz! Meditemos nas sábias palavras de edificação de grandes guias espirituais, que, ainda que não sejam cristãos, pregam muito do que Cristo pregou. E, por falar em Cristo, como filho do Céu, que veio à Terra nos conduzir para e por um caminho e luz, quem deixou de pagar a conta de energia ou detonou esse blackout?! Quem nunca colaborou com o apagão que atire a primeira pedra. Nãoooo! Ninguém precisa atirar a primeira pedra. É só uma colocação retórica, afinal, quando Jesus fez essa colocação, Ele sabia que, por mais raivosas as pessoas naquele momento, havia uma base ética e moral para fazer a contrapartida. Hoje, o povo é tão cara de pau que atira a pedra, ri, insufla e, depois, vai para o bar beber e comentar: "Ha! Joguei duas pedras nuns mané, ali... O cara grita: 'quem não colaborou para a escuridão no mundo, atire a primeira pedra.', não contei até dois, 'rumei' uma no grandão de branco que queria ser Jesus e outra no otário que esqueceu de pagar a conta. Onde já se viu isso? Todo mundo tem problema. Ah! Vai encher a cara que é melhor. Coisa de querer acender luz de mundo! O mundo nem taí pra mim. Né, não?".

Pois é... essa "filosofia de boteco" e essas pregações falsas e desonestas que fazem por aí, faz isso: viva a estupidez humana! Viva o falar uma coisa e fazer outra. Viva a obra sem fé e a fé sem obra!

Fica o alerta - e isso, quero deixar claro, não está relacionado à religião alguma... até porque, eu não tenho religião. Tenho uma base religiosa "cristã aplicada", como prefiro chamar - de que A OBRA SEM FÉ É MORTA E A FÉ SEM OBRA É MORTA (Tiago 2). E aí, fazer só por fazer, sem um propósito maior, apenas ligado ao legado material? E o alegar acreditar, não confiar e nada fazer... do tipo: AJOELHA PARA REZAR E LEVANTA PARA ATACAR!

"Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e só assim poderás tirar o cisco do olho do teu irmão!", já nos disse Mateus 7:1-5.

Pois é, é isso! Reflitamos mais sobre nossas ações! Talvez doa, mas é melhor sentir a dor do expurgo do que morrer infectado pelo próprio veneno!

Que em 2014 a gente seja mais humano e menos "imagem e semelhança" de um Deus criado pelos homens para conter a "ira" de quem quer se conectar de maneira mais leve e edificante.

EM 2014 VAMOS FAZER MAIS O BEM! 
RECUPEREMOS A PUREZA DA CRIANÇA, QUE ACESSAREMOS O CAMINHO,  A VERDADE E A VIDA!

Pat Lins.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

JUSTIÇA

O que entendi, até agora, em minha vida é que

JUSTIÇA É RECONHECER A MIM, AO OUTRO E A TODOS COMO DIFERENTES, MAS, IGUAIS NA CERTEZA DE QUE ESSAS DIFERENÇAS NOS IGUALA, SEM SERMOS IGUAIS.

A igualdade é do direito de todo ser humano poder ser quem é, desde que não interfira, invada ou tente destruir o espaço alheio.

Sem revolta. Sem desejo de vingança. Essas emoções exaltadas demais, quando aliadas ao racional frio em demasia é um perigo gigante e um passo largo para a injustiça.

Sejamos justos conosco, com nossas limitações e com nossas possibilidades. A Justiça requer uma base firme e real de respeito e compreensão!

A Justiça é neutra. A neutralidade é imparcial. A imparcialidade humano só com muita humildade de alma e mente e coração!

Pat Lins.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

TUDO DEPENDE DE COMO A GENTE SE VÊ

Faz tempo que venho refletindo: compreender pode custar muito caro. Será? Explico: alguém já se deparou com uma situação onde um outro alguém apronta uma e, quando confrontado(a) clama a bendita "compreensão" de sua parte? E essa compreensão que a pessoa requisita quer dizer: "entenda eu sou assim". Minha pergunta vai para o fato de, seu eu recusar entrar no jogo e disser: "eu compreendo, mas, não admito que faça isso comigo" estarei sendo cruel?

Por que todo ser aprontador apela para ser compreendido, quando, ele mesmo, além de não se compreender, é incapaz de compreender o outro? Será que acham que eu sou uma pessoa que está acima disso? Por que essas pessoas sempre entram por esse viés?

O interessante é que quando a gente compreende que a pessoa está fora de si, dá para diluir a raiva. A gente precisa começar a se ajudar e não entrar numa de justiceiro e orgulhoso, entrando no jogo. O fato de compreender não quer dizer acatar, muito menos concordar ou estimular. Compreender faz com que a gente não alimente um veneninho barato e acessível a todos nós, também conhecido por um nome genérico, através do seu princípio ativo que é a "raiva". Pois é! Nós "crescemos" - aliás, os anos passam e nós nele - justificando cada raiva como algo legítimo, afinal, toda raiva nos diz que NÓS ESTAMOS CERTOS E O OUTRO ERRADO: JUSTIÇA, SEJA FEITA. É ou não é? Difícil, quase impossível, se conter diante de uma injustiça, ainda mais se o injustiçado for EU. É difícil conter a cólera quando alguém invade nosso espaço... eu bem sei disso. Agora, agir como se eu fosse perfeita e condenar - como fiz minha vida inteira - o outro me faz ser melhor? Não se trata de deixar que a pessoa invada, detone ou algo parecido, com minha vida, entretanto, o COMO reajo mostra muito de COMO SOU, ou ESTOU... ou ainda QUEM SOU. Existe um QUEM SOU mais evoluído em cada um de nós, ávido por sair e assumir o lugar para que, enfim, sejamos quem somos em essência. 

Numa conversa interessante com uma amiga, mudei todo esse post. Estava condenando e julgando - fazendo "justiça" - uma pessoa que tentou invadir meu espaço com sua loucura. Pois, após conversar com Noemia, numa conversa sobre outro assunto, outra pessoa - inclusive eu nem participei a ela esse episódio intenso que vivi - ela me disse a frase que me fez não só refletir, como permitir-me mudar minha ótica: "eu compreendo e aceito o erro nas pessoas porque eu sei que eu erro, também. Não sei por que as pessoas têm tanto medo em assumir seus erros?". Isso é o que a compreensão quer de nós, que a usemos na prática. Me toquei de que a pessoa não invadiu o espaço, mas, nem havia me tocado. Eu quase permiti que ela entrasse, abrindo eu mesma as portas, quando quase entrei no jogo, exigindo "justiça" e com orgulho ferido diante de tanta calúnia e desequilíbrio. Estava "preocupada" com a imagem e a reputação das pessoas envolvidas - onde me incluía. Estava mais preocupada com o fato da destrambelhada da pessoa sair falando as atrocidades que inventou - só para resumir, a pessoa recebeu uma cobrança que já havia pago. Em vez de ir no órgão resolver e apresentar o comprovante de pagamento, queria que meu marido pagasse, juntamente com ela e outra pessoa. O detalhe: perdeu o comprovante. Se sentiu injustiçada e estava muito agressiva, querendo que alguém pagasse com ela, ao invés de resolver procurando o bendito comprovante... mas, deixa para lá - e eu preocupada com os nomes envolvidos. Em minha cabeça era loucura da parte dela, e ninguém conseguia acessar uma conversa, sequer para tentar orientá-la... Resultado, ia eu permitindo que a cólera começasse a me contaminar com isso. Depois dessa conversa - sobre outro assunto - com No, minha ficha caiu e entrei numa conversa comigo. Me disse: "primeiro, se alguém der credibilidade a ela e acreditar no que ela fala, sem averiguar, trata-se de alguém igual a ela e digno de pena. Um dia, a verdade aparece e tudo vai se resolver.". Segundo, estabeleci um perímetro ainda maior na minha DISTÂNCIA SAUDÁVEL.Terceiro: demorou, mas, entendi que é ela; ela é assim e eu não posso mudá-la! Isso reforçou a distância da distância saudável.

Quando a gente entende que também nós somos imperfeitos e capazes de cometer os nossos erros, podemos nos permitir aceitar - compreender - que os outros também cometem erros. A diferença está em como lidar com esses erros. Eu, antes, me punia, me culpava. Hoje, me empenho em reverter essa ordem estabelecida por mim mesma, em minha vida e entro numa de redimir-me. Assumo que errei e me prontifico a resolver. Vai adiantar eu me consumir em culpa, em neurose? Perder tempo justificando o porquê do erro? Isso não o transforma em acerto. Nem o conserto o faz. Mas, quando resolvemos algo, o ideal é fechar a porta ao passado. Só fica aberta se tiver pendência.

Uma coisa que começo a ver e começa a me fazer sentido internamente - porque na teoria eu já sei... - é que precisamos nos resolver conosco, em primeiro lugar. Tentar compreender o outro requer que entendamos e aceitemos a nós mesmos. Essa de querer consertar o mundo - principalmente, o mundo do outro - é fuga. Fujo muito de mim. Quando vejo, olha lá, eu disparada correndo. Dou-me um grito, agora, e digo a mim mesma: "Vem cá! Oh, mulher! Chega aqui!". Sento comigo. Me vejo. Quero me destruir de raiva, quando me vejo igual a todo mundo. Daí, olho e  me digo: "Tenho que me resolver nisso.". Pronto, dou entrada num processo interno e vou trabalhando. Quando tá pesado demais, relaxo um pouco. O exagero já me provou que a gente cria outra fuga: o faz de conta. Faz de conta que resolvi, sou madura e outra pessoa. E começo a evitar vivenciar algo que me desestabilize. Como sou capaz de usar essa consciência para ficar alerta e viver num clima de tensão e proteção, em vez de usar para elevar a minha condição? Outro papo interno e vou seguindo. A gente vai se ajustando é vivendo, mesmo. Ninguém queira fugir de dor, de erros... Faz parte da nossa humanidade. O que não devemos fazer é alargar, alimentar, arrastar essa dor por uma vida. Melhor resolver logo aqui e agora. Ela não vai passar de cara, nem deve mas, aos poucos, com o DEVIDO cuidado e no tempo certo, cicatriza. 

A gente tem mania de se achar melhor do que o outro. A grama do vizinho é sempre mais verde, né verdade? Só quem tem problema sério somos nós, afinal, todo mundo tem isso ou aquilo que vai ajudar, mas, o nosso problema é problemão. Eu tenho a maior dificuldade de sair do papel de vítima. Fora quando quero sair e alguém quer me colocar. Bom, fazer o quê? Redobrar as forças, tirar de outro lugar que não precisa agora e conseguir sair dessa zona. Muito sério isso. Nós não suportamos ver que alguém está querendo ser melhor. Incomoda tanto, quando pratico, sem falar, apenas em minhas ações - que, confesso, muitas vezes, nem eu acredito que consegui internalizar... só descubro na hora H, porque, uma coisa sou eu bater um papo comigo, outra, na hora de passar por tudo de novo, ver que mudou algo em mim - que percebo no ar uma crítica velada, num olhar, numa esquivada, numa saída de perto de mim, tipo: "lá vem ela com essas loucuras de quere ser 'cabeça'". Precisa ser "cabeça" não. Basta querer sair do buraco. Não é para ser melhor do que ninguém, apenas, o melhor que posso ser. Aí, numa outra situação, eu perco o controle, vem outra cobrança velada: "Não é tão cabeça? Escreve tanta coisa naquele blog, como se fosse alguém evoluída e, aí, agora, fazendo besteira...". Pois é, todo mundo se acha mais normal do que o outro. Ninguém aceita ver erros e, na maioria das vezes, somos incapazes de olharmos que erramos deveras, também. Haja juízes da vida alheia...

Como me disse Morgana Gazel, "eu aceito o erro no outro porque sei que eu também erro!". Pronto, é isso que quero dizer a mim e quem mais estiver no mesmo dilema.

Isso é uma pequena parte do que pode ser a compreensão: aceitar que as pessoas são falhas - inclsuive EU. E nós, o que fazemos com a nossas falhas? Como lidamos com os nossos erros? 

Gente, "o melhor lugar do  mundo é aqui e agora" (Gilberto Gil)

Com um poquinho de compreensão, a gente pode CONSTRUIR E PLANTAR um mundo muito melhor, começando pelo nosso mundo individual. A gente se preocupa demais com o que o outro vai pensar. Paremos um pouco de julgar que nos sentiremos menos julgados. Essa sensação é que nos faz reféns de nós mesmos e das nossas loucuras. Se engane não, todo mundo tem seu lado doidinho e sombrio. Só se for muito eovluído para ser evoluído. Senão, é falho e humano como qualquer outro ser. O que faço com isso é que fará a diferença. Sabe o que me ocorreu agorinha? "TUDO DEPENDE DE COMO A GENTE SE VÊ". - Vou até mudar o título. Era: "compreensão pode custar muito caro... (?)"

Pat Lins.

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