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terça-feira, 24 de setembro de 2013

A VIDA NÃO É UM JOGO, MUTO MENOS UM CAMPO DE GUERRA!


Prezo pela minha liberdade, bem como pela dos outros. Isso quer dizer, inclusive, que eu respeito as escolhas de cada um, de verdade. Quando esbarra em alguma expectativa minha, me repito: 

"É a escolha de cada um e isso não diminui minha importância na vida da pessoa!".

Eu penso e ajo assim, e é assim que espero ser entendida... pena que isso raramente acontece. 

A cada dia, julgo menos o outro, justamente por conta desse lema: compreensão acima de tudo. Isso não me impede de escolher, muitas vezes, manter distância de algumas pessoas e lugares. E isso não diminui a importância dessas pessoas em minha vida, apenas mantém o espaço e tempo necessários para que dê tempo das emoções se ajustarem... afinal, existem pessoas muito intensas e que agem como se fossem de uma leveza zen e harmoniosa, atacando e tentando manipular a muitos com voz mansa e fugas de diálogos, preferindo uma bela saída nos deixando a falar com o vento. Assim, se não há espaço para troca, não há espaço para convivência. Daí, escolho estar em meio a pessoas que, mesmo diferentes, tenham a sincera abertura e movimento de busca real, na prática diária, pois somamos mais do que dividimos.

Uma coisa é certa: a vida não é um jogo, onde podemos recomeçar num clique e ganhamos vidas e vidas em cada nova fase... com o tempo, vamos ficando naturalmente mais seletivos, quando entendemos a importância de respeitar-se e respeitar ao outro. Isso inclui ver como as pessoas são e ver/saber quem eu sou e se essa união é saudável. Não sendo, compreendamos, sem julgar, mas encaremos o fato de ser como é e DS - DISTÂNCIA SAUDÁVEL.

Eu respeito as escolhas dos outros, sem cobrança, por isso, já precisei tomar algumas decisões radicais, no que diz respeito à minha auto preservação, bem como escolhas mais amenas, relacionadas a simples afastamentos por escolhas profissionais, filosóficas e afins. Tudo na vida nos leva a algum lugar e, para quem anda e não joga, esses lugares seguem e seguem e seguem. E a gente vai e vai e vai. Nessas idas e idas e idas, a gente pensa que volta, mas, na verdade, o que acreditamos ser uma retomada é, em verdade, uma continuada para onde precisamos ir com a certeza pela experiência de como devemos ir. O resgatar é seguir mais para frente, entendendo que ainda não fez o que deveria. E nesse ínterim, os caminhos se cruzam com quem devemos cruzar e se afastam, de quem devemos nos afastar - não por raiva, rancor ou algo semelhante, apenas por uma questão simples que é tão deturpada: incompatibilidade. Se não tem liga que segure e dê base, não tem porque insistir. E isso não quer dizer que a pessoa - nem EU, nem o outro - seja ruim ou boa, ou que não nos gostemos, apenas estamos em tempos e espaços tão diferentes que não encaixa. O que não admito é ser cobrada por minhas escolhas, como se eu tivesse que agradar a todos... Também, não aceito cobrança de quem levanta a bandeira para o mesmo lema - mas age de maneira incoerente -, exige ser aceito e não aceita as escolhas alheias, assumindo uma postura de vítima. Não existe vítima ou algoz, existem escolhas e consequências. Não precisa ser radical, nem dolorida, sofrida ou coisa e tal, apenas precisamos tirar o melindre do julgamento e pronto: abrem-se as portas para a liberdade!

Não entendo como uma coisa tão simples causa tanta dor e tantos danos. Não é ser inflexível, é ser tão flexível que podemos gostar mas entendermos, por respeito às diferenças que não se complementam, que é melhor cada um seguir seu rumo, senão, ambos saem do caminho.

Sigamos em paz, minha gente! A vida não é um jogo, muito menos uma guerra! Não existem inimigos - até existem, devido ao fato de gente pequena insistir em criar esses personagens e atacarem com artilharia pesada, e, francamente, como não sou santa, nem evoluída, em minha condição humana e imperfeita, eu não considero essas pessoas inimigas, apenas pessoas que precisam de amor e ajuda que eu não posso dar, daí DS. O que quero dizer é que se a gente alimenta essas coisas, elas vão existir. E, mesmo que a gente opte, escolha viver de outra maneira, não vai deixar de receber essas investidas, mas o que eu não vou fazer é me tornar igual, me nivelar a esse ponto. Devo compreender que a pessoa tem um nível de consciência não desenvolvido e, sendo eu uma pessoa que se busca, o melhor é entender e aceitar que estamos em caminhos diferentes, em tempo e espaço diferentes... portanto, não somos do mesmo grupo - e isso não tem relação com ser melhor ou pior, apenas, cada um na sua onda!

É isso... o que mais tem nesse mundo é espaço para as diferenças...

Pat Lins.



terça-feira, 21 de maio de 2013

VAZIO - ESPAÇO PARA RENOVAR


"Vazio pode ser estar cheio de espaço para o novo. 
Cheio pode ser vazio de espaço para a renovação..." 
Pat Lins.




sábado, 28 de julho de 2012

CARÊNCIAS DANOSAS


A maioria de - para não afirmar categoricamente que TODOS - nós tem algum tipo de carência. Alguns de nós consegue identificar e administrar... outros, nunca sequer se deram conta e, possivelmente nunca se darão... outros sabem, preferem esquivar... outros, fingem tratar e fingem que sabem lidar... enfim, ser carente é algo natural e inerente ao ser humano. Temos carências a serem supridas, temos sempre algo em nós a trabalhar, a melhorar, a desvendar.

Para mim, o grande problema não está na carência em si, mas, nos danos que a falta de consciência do carente pode causar. As necessidades de auto afirmação parecem pragas. A pessoa não se contenta em querer "mudar" a sua realidade - que, para mim, se ela quer se auto afirmar é porque ainda não se encontrou ou está num caminho que não deveria estar e está perdida... - e necessita que os outros também mudem na mesma direção. Vou dar um exemplo bem chulo: conheço uma pessoa que tem prisão de ventre. Ela quer que todo mundo tenha... Assim, ela chega e diz "você tem que comer ameixa, porque solta mesmo..." ou "descobri que se eu não comer mamão todo dia, minhas fezes saem duras e ressecadas... quando como, saem macias, macias...". Veja, que papo... E isso ocorre em qualquer lugar. Eu não me incomodo em falar "merda", "cocô", e etc. Mas, eu sei que tem gente que se remexe todo só em escutar essas palavras como se não as fizesse... Mas, enfim, em respeito aos outros, devemos saber onde e quando podemos abordar esse assunto. A não ser que parta de uma pessoa carente e que queira te convencer a ter prisão de ventre, também. Essa pessoa falará em qualquer lugar. O mais interessante é que o papo não começa com: "você tem prisão de ventre?", pelo menos, para justificar as receitas. Não adianta dizer: "Ah, tá! Mas, eu não tenho prisão de ventre, não...". A pessoa passa por cima e continua: "Mas, olhe, coma...". Como tenho me esforçado para desenvolver a bendita e dificílima paciência e uma boa base para ela é a compreensão, compreendi que a pessoa precisa se aceitar. Entretanto, para isso, eu não preciso ter prisão de ventre... concorda? Assim, a deixo falar e vou me esquivando. Não adianta falar que eu não sofro do mesmo mal, ela quer receitar para si e me usa - bem como a outras vítimas - para ver se entra na própria cabecinha.

Compreender não quer dizer se submeter. São coisas distintas. Com respeito a pessoa que é mais velha do que eu, estabeleço minha DS - distância saudável. E não me criem uma imagem de boazinha, não... isso é um esforço enorme, que faço. O oposto da prisão de ventre - a diarréia, mesmo - me vem em forma de pensamentos para serem colocados para fora e ver se a pessoa se toca. Uma vez, dei vazão a abri o verbo... Adiantou? Nada... Ela ainda achou que eu estava saber lidar com a minha prisão de ventre e não estava admitindo... Ou seja, entender que a DS se faz necessária é porque bater de frente - ou de lado, ou de fundo... - não surte efeito. Tem gente que a mente é mais fechada do que fechado hermeticamente. Não entra nada. Infelizmente, só é fechado de fora para dentro, porque de dentro para fora jorra...

Isso me fez ver - não a prisão de ventre, mas, a pessoa e outras pessoas - que existem carências altamente danosas. Esses seres dotados dessa enfermidade de carência que depende de infernizar a vida do outro para se sentir alimentado - vulgo "vampiro", manipulador... dissimulado... - podem nos causar grandes danos. Tipo "água mole em pedra dura...". Por isso que caio fora. A DS - Distância Saudável - salva as duas partes, porque se essa pessoa ficar batendo numa represa, nossa, vai morrer afogada.

Como minha carência de entender as coisas não é saciada, afinal, essas pessoas carentes danosas em específico, nada dão de informação coerente - elas, sinceramente, não fazem muito sentido... - e, assim, impossível entender o que as norteia, porque nem Norte elas têm... vivem reagindo e por instinto, como animais selvagens. Mas, elas não também não me compreendem, o que me tranquiliza: estamos quites!

Como eu não sei o remédio para esse tipo de carência altamente perigosa - e, pior, a medida que o tempo passa, a doença mais se instala e mais crônica e aguda e profunda e pior, muito pior, fica... a loucura se estabelece e, aí, minha flor, sai debaixo, porque só vem bomba... e merda... - eu estabeleço uma distância saudável para ambas as partes. O detalhe é a gente saber se a gente faz parte das vítimas ou dos causadores... É! Isso é sério: o diagnóstico. Para lidar de uma maneira menos tensa para mim, durante os encontros inevitáveis - sim, eles acontecem - eu desenvolvi duas técnicas, que são determinadas pelo meu estado de espírito e minhas carências, no momento, que são a TÉCNICA DO FICAR CALADA E NADA SEI, NADA FALO, NADA ESCUTO (quem dera minha audição me obedecesse... minha carência de tentar entender me força a escutar tudinho...) e emitir apenas pareceres do tipo "não tem idéia formada sobre o assunto... talvez seja..." ou, simplesmente, uso a TÉCNICA DO ESPELHO  e repito o que fazem: "você já viu que..." e enfio informações até cansarem - o que é rápido... essas pessoas não gostam de escutar, aliás, nem sabem; não desenvolveram essa competência, não - ou, nasceram sem, o que é minha forte suspeita e me ajuda a ter um mínimo de compaixão. Quando ajo como agem, meu Deus, caem fora de mim. Mas, para isso eu tenho que estar iluminada e com muito bom humor, para não ser irônica. Sinceramente, essa não é minha intenção. Nesse aspecto eu assumo meu lado boazinha. Sim, ele existe em mim, também. 

Enfim, hoje eu tive mais uma prova de que essas pessoas são cegas, surda... só não são mudas... E têm a pior das cegueiras que é a de NÃO QUERER se ver.

Esse é o preço que pagamos e fazemos os outros pagarem, quando não nos conhecemos. Nós perdemos a noção do limite de acesso e saímos invadindo os espaços alheios... Ou, tentamos invadir insistentemente esses espaços, principalmente, quando há resistência. Parece que melhora o sabor...

Vamos nos fazer melhores de verdade. Não é só falar bonitinho que faz e acontece, que frequenta isso, pratica aquilo... tem que ser, mesmo. Só se é sendo, não tem jeito. Por mais que doa, vamos usar o "remove-dor" - como no livro "O Colecionador de Segredos" - e permitir que suas pequenas doses nos fortaleçam. O "remove-dor" remove nossos medos e nossas preocupações e nos permite beber boas doses de VIDA. Os carentes danosos esquecem de viver de verdade e vivem de fantasia... Vivem no mundo da própria fantasia e têm imensa dificuldade de aceitar a realidade, por isso não ouvem nem a própria voz. Eu penso que se se escutassem, no mínimo, se questionariam...


Olha, gente, a gente tem jeito, sim. Vamos nos permitir! Para encontrar a harmonia, cada um de nós precisa se harmonizar consigo e com o que há de melhor em si.

Pat Lins.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

INTENSOS OU SUPERFICIAIS?


Recentemente, tenho escutado muito: "eu sou intenso(a)!" ou "eu sou muito racional!". E isso me despertou uma curiosidade: será que as pessoas - que sabem que são assim -, se acham melhores porque são extremistas e usam apenas uma parte do que trazem em si?

As pessoas "intensas" demais são, em demasia, emoção pura e unicamente. Os "racionais" demais, são em demasia, a frieza e objetividade nua e crua. Sendo que na vida é necessária uma dose de emoção e outra, na mesma proporção, de razão. 

O equilíbrio, eu vejo - porque ainda estou muito longe dele... - não é manter-se parado em um pólo, é estar em movimento usando o que é necessário, quando necessário. Imagine um equilibrista parado a vida toda? Não progride, não evolui, permanece inerte, sem rumo, sem movimento, sem beleza, sem vida. A graça do equilibrista, seu caminho, é de equilibrar-se - desequilibra, equilibra; desequilibra, equilibra e assim vai, mantendo-se e evoluindo. Assim são as pessoas que conheço e identifico - ou as defino - como equilibradas. Mesmo elas, têm seus pontos de desequilíbrio. O lance é que essas pessoas usam a força necessária, identificam suas necessidades e suas falhas e seguem se ajustando com consciência, sem frieza, mas, com desprendimento; sem melindre, ou emoção demais, mas, com serenidade. E seguem, se equilibrando em suas vidas.

O que eu penso é o seguinte: a emoção é a força vital, a energia propulsora, que dá a força motora. É daí que vem o fogo do foguete, a explosão. A razão, como vejo, é o guia, o condutor, ele é que segue as coordenadas para que o foguete alcance o objetivo, é ele que tem a capacidade de entender que existe um sentido e nos guia para alcançá-lo. A emoção nos diz que sente que esse sentido tem sentido e nos dá a força vibrante que vamos chegar lá. Devem agir juntos em harmonia. É aí que os extremistas "pecam": só usam um lado e, por isso, ou não têm força vital para chegar lá, com a capacidade de superar os obstáculos com mais vontade ou, não têm senso de direção e, portanto, nem sabem onde chegar.

Ambos são desgastantes, cansativos, porque exercem a intensidade da superficialidade, e, sendo superficiais, gravitam numa órbita rasinha, sem alcançar a verdadeira dimensão de quem são e, com isso, tendem a estarem se auto-afirmando o tempo inteiro. Só que, para se auto-afirmarem, infelizmente, precisam descarregar em outrem, pois, não têm espaço em si - apesar de julgarem-se intensos, são, ambos, rasos, superficiais - para se caberem. Para que caibamos em nós, precisamos abrir os espaços, em nós! Assim, essas pessoas - tanto as demasiadamente emocionais, quanto as demasiadamente racionais - sugam ou a racionalidade do outro ou a vitalidade do outro. Sugam aquilo que não desenvolvem, para tentar se colocar em busca daquele tal do sentido da vida, que apenas o equilíbrio das polaridades pode conduzir. Os "emoção demais" são otimistas ao extremos, o que os deixam vulneráveis às catástrofes naturais da vida; os "razão demais" são pessimistas ao extremo o que os deixam vulneráveis diante das oportunidades simples e evidentes, acabam desconfiando tanto que deixam passar. Até para ligarmos nossas lâmpadas, as forças positivas e negativas devem estar em equilíbrio. Tudo tem um ponto neutro. A paz está aí, na harmonia das nossas polaridades.

Nem o ceticismo, muito menos a credulidade cega, é capaz de levar-nos a nós mesmos, à nossa essência, que é o caminho que tanto buscamos. Ou, alguém acredita que vamos seguindo a vida em busca de encontrar o outro, a tal "cara metade"? Nossa vida só faz sentido se encontrarmos a nossa metade de nós mesmos e, inteiros, podemos nos unir ao outro, que juntos, seguiremos a Vida, ajustando aquilo que só fará sentido juntos. 

É assim que penso. Eu, como me vejo, sou tanto emocional, quanto racional, entretanto, o desequilíbrio consiste em não saber acessá-las nas horas certas e inverto... E, por isso, convivo e interajo com todo tipo de pessoas, entendendo o que dizem e fazendo-me ser entendida. Têm os que me descrevem como sensata, os que me descrevem como emotiva, os que me descrevem como fria... tem de tudo! Essas pessoas se deparam com partes de mim e julgam o meu todo. Natural. Esse é o meu desequilíbrio: usar a explosão no comando e a orientação fica solta, dentro de mim, parada no canal da explosão. Ao menos, não sou extremista, polarizada. Preciso ajustar o desajuste que me coloquei e me reencontrar comigo, retomando meu caminho a mim. Aos poucos, entendendo essa questão e, um dia, assimilo, internalizo, me alcanço e dou a virada que tanto almejo. Não sem base. Não sem esforço. Não sem cair. Não sem levantar. Não me privando de sentir minhas emoções. Não me privando de racionalizá-las e administrá-las. Não sem me conhecer, me permitir, me conceber. A Vida requer esse jogo de cintura, mas, também, das pernas, dos braços e da cabeça.Preciso sair da inversão das forças.

Esse assunto não se esgota aqui, no que penso, no que me determino a viver... ele faz parte do meu dia a dia, da continuidade, da sequência, das paradas, das "mudadas", das "seguidas", da minha vida!

Só plantando e construindo nossa felicidade ela terá espaço para Ser. Sejamos, pois, mais abertos, para que caibamos em nós mesmos, não sugando dos outros o que é dos outros. Já é tão puxado e cansativo lidar com nosso próprio caminho, com nossa própria construção, imagine gastar nossas reservas com os desajustados de plantão? Troca é uma coisa, sugar é outra... Para piorar, os sugadores não dão tempo e espaço para que reponhamos as forças. Por isso, tomo muito cuidado com os extremistas. Deles, como não encontrei meu ponto de equilíbrio, mantenho a DS - "distância saudável". Eles sugam sem dó e nunca estão saciados. Sentem-se ofendidos quando recusamos alimentá-los e se magoam. Seja de qual extremos for: os melindrosos, fazem uma chantagem emocional pesada - "o que é que custa, só estou te sugando um pouquinho..."; os racionais ao extremo, usam de palavras pesadas, secas e frias para atingir - "isso é bem característico de pessoas fracas...". Ambos tentam atacar o lado emocional do ser sugado, porque sabem que a força vital brota dali, da emoção - tanto que os animais são apenas emocionais (como acreditamos e/ou nos ensinaram). A força da razão é uma força fria, tanto que os robôs são apenas pragmáticos e, sem a energia vital nada são. O ser humano tem a capacidade de encontrar-se com o equilíbrio, porque traz as duas características.

Vamos nos auto avaliarmos, com honestidade, sem medo de nós mesmos e sem dizer: "eu já faço isso". Não é toda hora, tem o momento certo. Me falta essa disciplina de parar, sentar e meditar o equilíbrio das minhas forças. Nem zen, nem cético... apenas, concentrar num ponto, sem deixar de ver as extremidades - concentração e atenção. Viver é ajustar-se e, para isso, precisamos ter as forças certas nos lugares certos, nas horas certas. Chega do discurso vago do "complexo de Gabriela", até ela teve que mudar com o tempo. Nem idiota, nem esperto, apenas, humano, honesto e sincero. Com educação e cordialidade. Com respeito. Já percebeu que RESPEITO e COMPREENSÃO acaba sendo a base para tudo, até para o amor ser plantado e germinar? Compreendendo que equilíbrio é harmonia das forças, temos a capacidade de fazer esse ajuste, porque já o teremos identificado. Respeitando que cada força tem sua característica própria e importância, compreendemos que juntas movem o mundo e dão sentido à Vida, deixa Tempo guiar e sigamos, nos alimentando de amor verdadeiro, não de posse, ciúme, apego ou vaidade, como fazemos.

Ufa! Cansei. Esse assunto me sugou muito. Escrevi com um pouco de raiva, por conta de uma criatura sugadora de vitalidade alheia que se coloca como vítima, dizendo que os outros a sugam... Essa coitada, é tão rasa e vazia que vai dar trabalho a própria Vida para se encontrar... nem base de identidade tem... Olha, isso não é perseguição pessoal, não, mas, tem gente que só nascendo de novo! Essas pessoas podem se olhar no espelho e nunca se verão, porque nem sabem quem são... mas, nunca deixam de agir e suas ações dependem de atacar. Ouvir um "não" para essas pessoas é um start de loucura. Viram bichos - sem ofender os bichinhos - famintos que precisam sugar logo tudo.

Eu estou sem reservas ultimamente, porque precisei de mim mesma para acreditar e me permitir uma certa mudança em minha vida. Agora, preciso me recarregar. Nessa fase, fecho o cerco, mesmo, usando as reservas para esses casos, para me proteger. É mole, ter que ter um fundo de reserva para proteger o próprio espaço? Um invasor nunca respeita a delimitação de espaço alheio. O detalhe: eu não cedo, mantenho o "proibido ultrapassar" e os ataques continuam. Como estou desgastada, algumas bombas me atingem. Ou seja, tenho que me fortalecer em mim. Não adianta empunhar armas, a única arma que precisamos é sabermos qual o nosso espaço, porque, depois disso, ela pode jogar uma bomba atômica que sobreviverei. Será esse o segredo das baratas? ...

Beijos,

Pat Lins.

terça-feira, 20 de março de 2012

AGORA, NÃO DÁ...

Sinceramente, eu não entendo uma coisa - dentre várias... - o porquê das pessoas - principalmente, as mais próximas, até, algumas mais amigas - reagirem tão mal, quando não temos o "tempo" que elas precisam/querem. Compreendo que num momento de dor, a gente quer ser acolhido, ouvido... mas, isso não pode nos tirar o bom senso e a capacidade de compreender que nem todos estão com disponibilidade - seja pela razão que for - e isso não é falta de carinho.

Eu costumo ouvir muito os outros e com certa frequência, meus amigos me procuram, porque sabem que sou sincera até demais... Estou me esforçando para saber lidar mais com isso, afinal, todo excesso é sobra. Têm momentos que a pessoa só precisa desabafar e quer alguém apenas para escutá-la. Outras vezes, pedem "conselho", opinião, etc. Eu parto do princípio que amizade é troca e toda troca requer abertura de ambas as partes. Abertura de coração, com entrega d´alma, com vontade de estar e resolver. Eu tenho muita sorte com os amigos mais próximos, principalmente por pensarmos muito parecidos nesse aspecto e não haver uma cobrança deliberada de "me dê atenção". Nos momentos de carência - coisa muito natural - nos abrimos e procuramos nos acolher. Entretanto, quando algum deles não tem o "tempo" que preciso, não tem estresse. Do mesmo jeito, quando eu não tenho esse tempo, eles compreendem, numa boa. Mas, têm coisas que acontecem e que esse "tempo" muda na escala de prioridade de cada um. Isso varia da abertura dessa relação.

O que eu fico chateada é quando acontece com algumas pessoas, d´eu estar envolta com "como" resolver meus problemas do momento e, de fato, estar desgastada com o processo e não tenho reserva suficiente de forças para dar o apoio que essa pessoa precisa. Me utilizo da clareza e falo, com jeito e carinho, que, naquele momento, infelizmente, não posso dar a atenção necessária e eu não sei apenas fingir estar, eu gosto de estar. Eu penso o seguinte, se fui procurada - como todo amigo procura um amigo que confia - eu gosto de estar, de fazer parte. Se eu fingir, esse círculo de entrega não acontece. Esse laço na amizade fica frouxo. Não haverá o calor humano para acolher esse amigo, muito menos a força que ele precisa. Porque, o que eu entendo é que essa troca é uma troca de forças, de energia, mesmo. Não falo que seja um mais forte do que o outro e sim de que, quando estamos nos sentindo esgotados, um apoio amigo é, além de reconfortante, revigorante. Sim, o que me incomoda quando acontece d´eu não ter esse tempo não é não ter o tempo, é não ser compreendida. Algumas pessoas que conheço são assim: quando estão bem, estão longe, vivendo e seguindo sem dar sinal de vida; quando estão com problema, surgem e querem que você se desdobre, porque ela precisa. Isso, para mim, é egocentrismo. Seja uma pessoa amiga ou, apenas uma pessoa próxima - sem necessariamente estar na categoria AMIGO - sabe que eu me doou com prazer e carinho sinceros. Mesmo assim, alguns, nesses momentos, se doem e jogam suas dores para cima de mim. Não creio que isso seja justo com nenhuma das partes. 

Uma amiga sempre me disse que "uma amizade deve suportar as verdades" e eu concordo plenamente. E isso não quer dizer que haja uma "verdade" que sobreponha a outra. Apenas que cada um tem sua concepção e suas próprias "verdades". E não tem como dizer que a há 100% de neutralidade em escutar um amigo, porque, eu duvido muito. Por mais que tentemos, sempre estamos em posição de julgar. O legal é quando detectamos que somos assim, como todo ser humano, e aprendemos a lidar, administrar essa emoção em nós. Mesmo assim, nunca ouvimos sem ter uma opinião formada ou em formação. Não tem jeito, é meio que resultado da interação. Eu penso assim: "se não quiser ouvir, melhor não falar". Ou, deixar claro: "só preciso botar para fora". E ter isso claro em si.

Eu não sou do tipo grude e não gosto de grude comigo. Mas grude é uma coisa, é um sentimento doentio. E as pessoas "grude" são craques em grudar na hora inapropriada e, como é uma característica do "grude", só andar com o "se tocômetro" desligado, nunca vê, ouve, sabe ou tem a menor noção de que invadiu o sinal vermelho. Putz! Eu tenho uma teoria prática que observei em minha vida e exercito a aplicação que é a "teoria da interseção", onde existe um perímetro ao meu redor que é o meu espaço individual; o perímetro do outro que é o espaço individual dele; e um perímetro que se trata do encontro desses, vamos chamar, mundos. Eu chamo de "zona de encontro social", que faz parte da nossa característica de sobrevivência, que são as relações sociais. Somos individuais, convivendo com outros seres individuais. Isso gera a convivência. Se viver é uma arte, conviver, nem se fala. Nesse espaço de interseção, lógico, há uma estremecida, afinal, dois ou mais mundo se encontram. Naquele espaço há troca, mas, há limite. O problema - bem como a solução - da convivência está aí: respeitar os limites. Muitas dores e sofrimentos são desencadeados por essa falta de respeito que, em minhas observações empíricas e muito pessoais, são oriundas da falta de respeito e conhecimento do próprio espaço individual. Ou seja, "como respeitar aquilo que não reconheço em mim?". E, aliado ao melindre da porcaria do orgulho e do egocentrismo "buuuummm" em vez de encontros, as interseções tornam-se colisões graves.

Para mim, a coisa é simples, porém, não é fácil: autoconhecimento; voltar-se a si; conhecer-se; amar-se; respeitar-se; respeitar. Isso diminuiria a zona de ação do gérmen da separatividade que o orgulho,  o egocentrismo e os sentimentos da estupidez alimentam. Não cobraríamos mais  de ninguém, nem criaríamos expectativas. Enxergaríamos o real e descolaríamos o nariz do umbigo. Viu, simples assim?! Somos capazes dessa proeza?

A arte da convivência requer muita cautela, muito carinho, muito zelo, muito cuidado, não melindre e mentes ignorantes que semeiam a estupidez de não saber compreender. Mais uma vez, eis a COMPREENSÃO. Volto a reafirmar um pensamento meu: compreender não envolve ver apenas o meu lado e alegar "me compreendam". Compreensão requer uma visão holística, requer que se vejam o todo e as partes - concentração e atenção. Isso é exercitado se admitirmos que existem outros EU´s andando por aí, além do nosso EU. Existem vários indivíduos.

Isso tudo só para eu desabafar que, do mesmo jeito que eu entendo sem dor, que meu amigo não teve tempo para mim, porque, naquele momento ele precisa do tempo dele para ele; eu preciso que algumas pessoas entendam que eu, também, tenho essa necessidade do meu tempo para mim. Têm dias que não tenho "tempo mental", mediante esgotamento natural de minhas forças vitais e preciso "recarregar". Isso me impede de agir, inclusive, resolver assuntos sérios. Eu, hoje, acredito que tem hora para tudo. Posso até "perder" ou "deixar passar" uma aparente oportunidade... Melhor do que virar um estorvo em minha vida. Eu? Eu mesma! Estou em busca é de abrir frentes. De me tornar cada dia menos densa. Até conseguir ser leve. E, sinceramente, não sei o porquê de algumas pessoas não entenderem meu lado... Não penso de pensarem como eu penso, mas, respeitarem a MINHA maneira de pensar. Por que eu posso compreender e o ser que exige compreensão, não se esforça para fazer o mesmo?

Olha, isso me faz exercitar a tal da paciência, também. Mas, até ela tem limite. Eu não sou a "dona da razão", mas, se tem uma coisa que voltei a fazer e cada dia com menos culpa é deixar bem claro até onde a pessoa pode chegar. E, minha ficha já caiu para uma coisa certa: se a pessoa se doer, é ela com ela mesma. Pode parecer frieza e indiferença, mas, se gente não entender que não pode mudar o outro, apenas a nós mesmos, sempre seremos vítimas de nós mesmos. E, se a gente não entender que estabelecer nosso espaço é algo saudável e não egoísmo, das duas, uma: ou nos tornaremos egoístas e nos fecharemos em ostras; ou, não teremos nossa individualidade preservada com equilíbrio e serenidade. E, reforço, se o outro não entende isso, ele precisa se encontrar, porque querer invadir o espaço alheio e não querer ser freado pelo limite da zona de encontrp social já é abusar da boa vontade. Como tem gente que é incapaz de entender isso, por diversas razões e todas provenientes do próprio egoísmo - afinal, adoram invadir, mas, detestam a sensação, fruto da própria fantasia doentia, de estarem sendo invadidos... - não nos resta outra alternativa a não ser estabelecer com firmeza e sem culpa o espaço limite.

Gente, têm horas que estamos cansados; repensando; mudando... planejando... vivenciando.. e precisamos de todas as nossas forças nesse processo. Quem não se permite viver a própria vida, se deliciando em conhecer-se, aventurando-se em desbravar-se e entendendo que ainda assim é humano e vai cansar, terá que repor as próprias forças, sentirá raiva, dor, desgaste e afins... essa pessoa nunca compreenderá que há quem se permita e viva assim: conhecendo-se. Fora que essa pessoa não entende que não dá para "comprar" o seu problema, que por mais que um amigo dê ombro, apoio, ouvidos e, até, palavras, só ela mesma pode resolver o próprio problema, tomando uma decisão e seguindo, agindo. Olha, esse é um grande problema para os que não entendem isso. Além de não assumirem a responsabilidade da própria vida e não quererem sair dos ciclos viciosos que se encontram, ainda querem que um amigo o faça. Essa falta de consciência é um entrave enorme em qualquer relação, principalmente, da pessoa com ela mesma. Tem uma dessas pessoas que, quando a pessoa eleita para ajudá-la, por qualquer razão não pode, ela fica enfurecida e brada: "não sei o que é que custa... é tão fácil...". Uma vez, num desses momentos, eu disse diretamente: "se é fácil e o problema é seu, resolva você!". Daí, vi um bicho acoado pela própria estupidez, falta de compromisso e responsabilidade com a própria vida e infantilidade, pular irracionalmente e bradar ainda mais: "Calma! Não tem porque ficar nervosa! Eu só te pedi um favor, não pode, fale...". Nesse dia, "paciência" me fez uma visita e chegou na hora do embate - porque acaba virando um embate do qual você não fazia parte e nem precisava viver... - e me segurou, onde respirei fundo - agradeci mentalmente a "paciência" pela ilustre e necessária presença - e disse: "Bom, não sei o quê sua cabecinha de menina mimada e infantil entendeu, mas, foi isso que disse, desde o início: eu não posso te ajudar...". Retrucou e, como fechei a zona de acesso a acesso da nossa interseção, só lhe restou cair fora. Bradou, falou, resmungou, pintou horrores com meu nome para os outros, mas, não invadiu o espaço, entendeu que ali era o meu espaço. Meu nome, "limpei" com o tempo - não fui tão madura, eu me irritei e muito, mas, deixei passar e me dizia: deixa o tempo resolver - e as pessoas que escutaram a criatura me disseram - algumas dessas pessoas - que não se aproximavam de mim para não ter proximidade com ela... depois que ela falou que eu não a ouvia, "que isso e que aquilo", viram que eu não era como ela... Ou seja, foi até bom para mim. Esse é apenas um exemplo. No caso dessa pessoa, a recorrência dessa maneira de agir é constante, frequente e intermitente... ela pula de pessoa em pessoa, nunca muda e só planta sementes de pessoas que se afastam dela. Mas, essa pessoa é o exemplo perfeito, porque nunca aceita um "agora não dá" de bom grado e sempre quer que resolvam tudo por ela, sem entender que as pessoas têm a própria vida e têm todo o direito de vivê-la como bem quer e fazer o que entende. E se chatear, difamar e pintar o diabo com o nome de alguém que não pôde nos ajudar é algo muito pequeno, é mesquinho demais. Precisamos aprender a respeitar o tempo de cada um e pronto. Tem mistério não.

Graças a Deus, com a maioria dos meus amigos isso não acontece. Quando acontece, me lembro: "é com essa pessoa, não comigo". Às vezes, os outros querem que a gente entre na aceleração mental deles e não querem papo. Nos lembrar que não temos que resolver o problema de todo mundo nos lembra que cada um precisa assumir a responsabilidade por seus atos e suas escolhas e, sendo assim, se "agora não dá para te ajudar" é porque, dentro do que eu escolho, agora, preciso estar inteira e seguir minha escolha. Quando coincide, ótimo, conte comigo. Mas, o povo gosta mesmo de abusar e, a isso, eu deixo um sonoro NÃO. Uma coisa é dar apoio, ajudar, estender a mão, o ombro amigo de maneira verdadeira, outra coisa é ver claramente que estão querendo abusar da boa vontade e explorar. A isso, também digo NÃO. Enquanto a pessoa continuar perdendo seu tempo tentando provar que eu fui "má" porque não pude - ou não quis, conforme meus NÃOs especificados acima - ela estará perdendo a grande oportunidade de SE ajudar.

Têm horas que não dá e isso não é falta de carinho, é vida que segue e cada uma tem a sua. Não é falta de vontade de ajudar, é impossibilidade. E tem tempo para tudo, nessa vida! Nem sempre dá tempo para resolver tudo, muito menos, ao mesmo tempo. Ter discernimento e colocar isso em prática requer uma dose de cuidado, porque não é fácil ser aceito ao agir assim. Talvez, não agrade a quem não sabe escutar um "não, agora não dá".

Infelizmente - para a pessoa -, "agora não dá"... Porque, felizmente, para mim, tenho que resolver umas coisinhas pessoais e preciso de mim, senão, nem ajudo e ainda me atrapalho. Daí, em alguns casos, nada mais adequado do que minha velha e boa DS - Distância Saudável. Quando dois mundos individuais não conseguem coorbitar na mesma faixa, melhor estabelecer a DS, para que nada seja destruído a ponto de abalar com estruturas frágeis e abaláveis...

Pat Lins.

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