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domingo, 20 de janeiro de 2019

A Vida é um dia após o outro, todo dia!



Arcano XI: Força*

A Vida tem me ensinado muitas coisas, inclusive, como administrar bem meu orgulho para fazer o que preciso de maneira mais consciente e saudável - bem verdade que às vezes nem tão saudável assim, né...

Retomadas são importantes; recomeços, necessários; valorizar quem está ao nosso lado, botando pra cima, sem desmerecer ou desqualificar a turma do jogo oposto...

Ter que ser, ou me esforçar mmuuiitttooo, para ser compreensível, compassiva, algumas vezes, até contrariando minha natureza e ser passiva, para evitar um estrago maior - simmm, é importante ser estrategista e fria, e esse tem sido meu maior e melhor desafio.

Ao menos, tem dado certo, vou me organizando e priorizando o que deve ser prioridade. O dia a dia se incumbe de apresentar problema e revelar soluções, nem que seja um "fazer nada" e dar tempo ao Tempo.

Tenho aprendido a ser inteligente, com o cuidado de me manter focada em meus valores e isso é bom, prova que eu os tenho.

E sigo, lembrando a cada um, a cada "eu" além de mim, que vale a pena ser limpo. Nem todos vão te valorizar, mas, e daí, essas pessoas não são minhas referências, então, o problema delas está com elas.

A mim cabe me fortalecer em mim e aceitar que, tudo o que passamos, passa! Passei por muita coisa e, eu que me achava pronta, me vi ter que recomeçar de novo!

Sabe o que é o mais legal? Ssiimmm, eu topo recomeçar e tenho certeza que isso é importante para mim! E, sim, um passo de cada vez, um dia após o outro. Um orgulho ferido aqui, não vou matar ninguém, mas reúno forças para mudar o que me incomoda.

E, sim, consigo fazer e materializar essa mudança, de cabeça erguida, com marcas e cicatrizes que fazem de mim alguém melhor do que eu mesma.

Como já falei e repito: se cada um for o melhor de si, o Mundo todo melhora. Quer fazer desse mundo um lugar melhor? Seja, primeiro, esse melhor.

Paciência não é apenas uma virtude, é uma necessidade e prova prática de inteligência emocional. Como não a tenho, pratico o esforço...

#ficaadica

Pat Lins

*Palavras que definem a Força: coragem, domínio emocional, força visceral, superação, ímpeto, ação, domínio, segurança e realização.

No Tarot, a Força é representada por uma mulher que usa as mãos para abrir a boca de um leão. A ideia da força física está associada a carta quando olhamos para ela mas, na verdade a este Arcano expressa os aspectos de superação e da utilização outros tipos de potências, inclusive aquelas conectadas ao amor-próprio que supera o amor por outros.

Aparentemente, antes de abrir a boca do leão com as mãos, percebe-se que essa mulher está imobilizando e dominando o impulso do animal.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

SONHOS E ESPERANÇA

 
Os sonhos, eles são, são sim, o alimento da alma! Eles nos abastecem com esperança.

A esperança nos levanta, mesmo diante daquilo que sentimos e chamamos de frustração ou do fracasso. Ela nos leva a querer levantar e ir em busca do sucesso, colhendo tudo o que passamos e deixamos caídos pelo caminho, plantando como sementes de aprendizado. Deles, novos frutos saem. E seguimos o caminho do aprendizado: aprendendo.

A vida é o caminhar. 

Viver é sonhar, planejar, chegar lá e continuar!

Aprendendo a começar a aceitar mais... sonhando, resgatando os sonhos de infância!

Pat Lins - sempre em nova fase.



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

AS VIDAS "CHEIAS DE CHARME"


Assistindo à novela das 19h - Cheias de Charme - a gente vê é coisa que acontece na vida real.

Olha Chayenne: famosa, conquistou seu espaço profissional e está destruindo tudo porque a pessoa é desequilibrada. O pior é que ela, em vez de enxergar que ela se detona, mantém o foco em destruir a carreira das "Empreguetes". Ela atrela seu fracasso ao sucesso do outro. Ou seja, nem vê que o fracasso é fruto do seu temperamento e da falta de respeito que dissemina pelos outros. Fazer o que quer é exercer o livre arbítrio, sim, mas termina onde começa o espaço do outro.

Sandro: todo folgado e interesseiro... sempre quer o caminho mais fácil e errado é quem não compactua com os erros dele. Só quer tirar vantagem. Sempre se dá mal e, como Chayenne, não reconhece que colhe o que planta, melhor, nem colhe porque nada planta.

Os Sarmento: família arrogante e com valores altamente superficiais. O dinheiro era o único elo de ligação e era o "amor" da família. Motivado pela ambição desmedida, o advogado passa a aplicar golpes, valendo-se da impunidade famosa do nosso país. Descobertas e comprovadas as fraudes, culpa o estagiário que o delatou, como sendo o "responsável" pela sua falência. Novamente, o fracasso como consequência do caminho errado...

O que mais achei legal é que tem muita gente de bom caráter. E, como diz a frase de Einstein "o mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.". Não basta ter bom caráter, não devemos deixar o erro permanecer. Assim, Penha alimentou o "erro" de Sandro, nunca o punia devidamente e sempre acabava passando a mão pela cabeça dele, por conta do sentimento nobre que nutre pelo cafajeste. Ela estava "errada"? Creio que não. Fazia o que o coração mandava. Até que um dia percebeu a diferença entre ser "boa" e ser feita de idiota. Cansada e encarando a realidade, tomou uma inciativa e uma postura firme. Mesmo com toda dor, ela entendeu que não dependia dela mudar o ex-marido. Dependia dela mudar a realidade dela. Situação delicada, por envolver uma criança. Mas, Penha é o exemplo de que ceder a chantagem emocional não resolve. Se nem pelo filho o pai foi capaz de mudar, ele precisava de uma atitude mais dura da vida para entender que tudo tem limite. É a questão de escolher o caminho da dor. Mais cedo ou mais tarde... aliás, na hora certa, todos nós devermos prestar contas sobre nossas ações e suas consequências. E Penha ainda encarna mais um fardo: a missão de nos fazer ver que quando deixamos a bola de neve aumentar, um dia ela derruba. e ela acaba vivendo um dilema que se arrasta há muitos anos e nunca fora resolvido. Bate com uma coisa que penso: aquilo que a gente não resolve, um dia, tem que ser resolvido. E esse conflito acaba abalando toda a sua vida profissional, de onde ela tem que tirar o sustento da família...

Rosário ensinou o quanto vale a pena colocar um sonho como meta. A fé. Entretanto, vislumbra-se com a fama e, mesmo ainda sendo uma pessoa bacana e de nom caráter, nunca entende o lado sentimental das amigas. Claro que compromisso deve ser respeitado e cumprido, mas, num ambiente de amigas, onde o sucesso é fruto do trabalho em equipe dessa amizade, ela demonstra o quanto o sonho é mais importante do que o equilíbrio. Não creio que ela esteja "errada" em querer usufruir do sucesso que alcançou, mas, sempre que tem um conflito, ela não tem se mostrado muito solidária. 

A novela gira em torno do levantar de um monte de questões que a gente não se dá conta no dia a dia e é abordado de uma maneira tão leve que nem nos damos conta do quanto essa simples novela nos faz tantos alertas importantes. Uma questão que engloba tudo é essa relação com o dinheiro, mesmo. Uns rebeldes que pensam que ter dinheiro é mercenarismos ou ser soldado do capitalismo... Outros, ambicionando tanto que não importa de onde venha, desde que chegue.

Seu Messias falou uma coisa bacana: "Não há nada errado em ter grana, se souber como usar...", durante uma conversa com Rodinei -que ao ver o chefe, uma pessoa boa e batalhadora, ter que cogitar fechar o negócio por já não ter mais pique e tocar o empreendimento e não tem dado conta das contas a pagar - ele fala: "Pela primeira vez na vida eu queria ter dinheiro. Muito dinheiro, para poder ajudar ao senhor...". 

A maneira como lidamos com nossas relações também são abordadas. Ligia, nunca falou sobre o pai para o filho, por medo... um medo de ser julgada... logo ela que é uma mulher segura e profissional e financeiramente independente - imagem que criamos de que não teria problemas... - também vive com seus conflitos. Por conta dessa omissão, alimentava a rebeldia do filho - que, de acordo com os nossos julgamentos, não teria porquê ter problemas, já que "tem tudo"... tudo exceto saber quem é o pai biológico... - que aprontava muito. Não penso que isso seja uma justificativa ou motivo legítimo para o menino agir como age... há uma dose de mau caratismo, aí, mas, há a possibilidade de regenerção. Como sempre agiu de um jeito torto, em vez de se abrir para a mãe, lá vai ele em busca do pai desconhecido sem avisar a ninguém. 

Outra que nos leva a refletir sobre relação, perdão e etc é Cida. O que a motivou? Nobreza de sentimento ou sentimento de vingança, como Nina perdida e destruída para destruir, na novela das 21horas - Avenida Brasil? Família, amigos, colegas, vizinhos... tudo isso faz parte do nosso dia a dia, sejamos sociáveis ou antissociais, somos seres sociais, também. Deveríamos fortalecer mais a base indivudal com bons valores para conseguirmos viver no social sem grandes abalos... Nossos pensamentos e atitudes devem ser mais bem conhecidas de nós mesmos.

O que nos leva a agir? O que nos motiva? O que nos alimenta? Vejo tanta polêmica sobre alimentação saudável que ninguém percebe que muita gente vive do mesmo jeito, ainda que mal alimentado, e não vejo ninguém se atentar para o alimento da mente. Como alimentamos nossos pensamentos? Do que adianta comer uma fruta e arrotar manipulação e falta de respeito? Cuida da "saúde" do próprio corpo e derrama tensão e desnidade nas pessoas ao redor... Aqui eu não vou aprofundar, para não perder o enfoque incial.

Bom, atualmente é a única novela que assisto. Nossa, os atores estão dando um show especial. Todos trabalham muito bem. A mensagem é muito bacana, apesar de bastante caricata. Creio que seja a maneira lúdica de nos tocar, sem ter que pesar. E é isso que precisamos começar a fazer em nossas vidas: mudar, sem ter que pesar. Somente o peso necessário que, em geral, é o peso da consequência de alguma ação. Fazer nosso caminho é o melhor caminho!

Fico por aqui, a refletir.

Pat Lins.

domingo, 29 de julho de 2012

O ÔNUS DO BÔNUS


 Têm coisas na vida que a escala de prioridade parece injusta... existem decisões e rumos que tomamos, por uma boa causa que nos leva a entender que não há, mesmo, bônus sem ônus. Toda escolha requer, pelo menos, uma renúncia. Por mais que não aceitemos, é assim.

A grande questão que me leva a refletir, aqui, é o "ônus do bônus". Para se conseguir uma coisa, sabemos que teremos que abrir mão, mas, esse "abrir mão" pode ser mais pesado e difícil de lidar do que imaginamos. Coisas acontecem o tempo inteiro. Coisas começam e terminam a todo instante. O importante é entender que o ônus não é, necessariamente, uma perda... pode ser um recomeço ou um novo começo, um novo rumo.

Não devemos dar um peso tão negativo ao ônus, ele apenas é um resultado, uma consequência natural. O apego que damos às coisas - e tudo para a gente é "coisa" - é que dá esse peso e esse tom pejorativo. Se temos um ideal, é importante seguí-lo. O tabu e o medo é que alimentam a negatividade de ônus como uma perda ou um fracasso. Às vezes, para alcançarmos um objetivo, devemos fazer como os atletas: manter o foco e manter a determinação e a disciplina e isso requer tempo para treinamentos e abdicação de outras coisas. Mas, o que é mais importante?  O que queremos legitima nossa ação? Precisamos nos questionar, tanto para não usarmos o "ir" como fuga, quando deveríamos ficar. Precisamos nos questionar, sempre, principalmente, nas maiores "certezas".

Precisamos deixar de colocar tudo como: se conseguir = sucesso; se não conseguir = fracasso. Nem tudo é ganhar ou perder. Nessa dualidade, a gente sempre estará ganhando e perdendo. Mas, o que aprendemos? A Vida vai agir em nossa fraqueza, mesmo, para nos fazer emergir a força!

Pat Lins - refletindo...


segunda-feira, 5 de julho de 2010

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

SEJAMOS CRIANÇAS, ADULTOS CONTENTES!!!

Alguém já se deu conta de que a infância é nossa fase de referência? É nela que descobrimos o mundo, aprendemos a andar, a falar, a sentir...

E alguém já se deu conta de que vivemos fugindo dela? Como se quanto mais distante daquela fase, mais "maduros",mais "adultos" seremos... muitos, querem é fugir da má fase que viveram, por terem sido mal tratados; por não terem tido a liberdade de ser criança; por ter tido que ser adulto antes do tempo; por ter sido obrigado pelos pais a ser adulto "intelectualizado" desde a infância, para obter destaque entre as outras crianças e "garantir" um futuro...

Freud tem/tinha (ele é tão contemporâneo, que nunca sei como conjugar o verbo no tempo certo...) toda razão quando diz que muitos de nossos problemas vêm de nossa infância. Claro, que a responsabilidade de nossas vidas é nossa, então, não adianta viver a vida toda brigando com aquele passado triste.

Eu tive uma infância maravilhosa,mas, as pessoas me "super valorizavam" muito. Não por maldade, mas por admiração, pela criança brilhante que eu era: bonita; inteligente (vulgo: CDF - risos); bem articulada; sabia dançar; sabia declamar poemas; resolver problemas de matemática (mas, isso só na infância, reneguei os cálculos durante o final do ginásio e segundo grau e apenas estudava para passar...risos); sabia subir num palco e apresentar um evento; sabia escrever belos textos;era amiga dos professores; era amiga dos alunos de quase todas as séries; era popular; era simples...; enfim, eu era uma criança sempre alegre, sorridente, feliz e inteligente. Falo sem receio de parecer "imodesta", mas é porque eu era assim mesmo. Eu achava aquilo normal. Não me sentia destaque, apenas era. Sabe, para mim, era assim e pronto. Não era um personagem, era eu. Eu era assim.

Valorizava uma amizade mais do que tudo, tanto que no "Jardim II" (nem sei como é hoje. Acho q hoje a exigência é tão grande para com as crianças, que elas, daqui a algum tempo, terão que fazer vestibular para entrar no maternalzinho...) fui adiantada para a Alfabetização,por já saber ler e escrever... não me senti à vontade, me senti pressionada. Me lembro, como hoje, que não me adaptei. Já conhecia a professora e alguns colegas, do dia-a-dia,mas, nem isso me satisfez. Lembro que meus pais tiveram o cuidado de me consultar se eu queria ir mesmo e que me apoiariam se quisesse voltar. Já tinha o apoio deles desde sempre! Isso sempre me fora fantástico! Mas, achava que era assim com todos os meus coleguinhas. Senti falta de minha turma. Senti falta de ser Jardim II. Não queria ser adiantada, queria ser normal. Claro que não racionalizei dessa maneira, só pedi para voltar para minha turma. Queria, na verdade, era viver um ritmo certo, sem pressa.

Adorava teatro. Toda apresentação de escola, fazia uma peça. Tinha um grupinho de teatro no prédio em que morava. Eu,meus irmãos e vizinhos éramos atores, diretores, produtores e divulgadores. Era muito legal.

Tomava banho de chuva; andava de bicicleta;ia para festas; namorei quando achei que devia; tinha hora para "descer" (como nos referíamos ao ato de sair de casa e encontrar os amigos na rua) e "subir" (voltar para casa...risos). Era uma "liberdade vigiada", como falava minha mãe. Podíamos fazer muito, mas, dentro de um limite. Era importante saber que éramos crianças, nossos pais era responsáveis por cada um de nós. Era tudo muito legal. Claro que deixei de viver coisas que queria ter vivido, com aquela frase (que toda criança o-de-i-a): "você ainda é criança para entender. Quando for adulto, vai me dar razão..." - risos. Tinham coisas que realmente era por insegurança, outras, por zelo, outras por senso de responsabilidade mesmo, enfim, vivi muita coisa boa. Veraneava à beira mar; férias de junho, viagem para o interior... já fui Rainha do Milho por duas vezes consecutivas; era uma criança normal. Meus pais não nos sufocavam com obrigações, nem nos deixavam soltos... havia um equilíbrio muito natural. Era tudo muito bom!

Achava que tudo era normal e lindo para todos. Até que uma colega, em plena 4ª série primária, veio me perguntar porque eu era tão feliz? Os pais delas estavam se separando, porque a mãe descobriu que o pai tinha outra... veio com tanta raiva para cima de mim, que vi que, dentre os meus colegas,poucos tinham pais casados... mas,isso não era estranho para mim, achava que eles eram felizes assim, né?! Meus pais não se separaram,porque vivem bem. Quem convive com eles vê que se amam. Não é coisa rara,mas, também não é coisa tão comum... só, não entendo até hoje,porque isso incomodou minha colega? Eu não me gabava por meus pais estarem juntos. Eu era/sou feliz por serem pessoas de verdade; que vivem uma relação que não é perfeita,mas que é linda! Não existe perfeição. Meus pais se amam e vivem bem e pronto. Por que isso teve que doer em alguém há pouco mais de 20 anos atrás? As pessoas se doem com a alegria dos outros porque têm tempo para isso. Em vez de construir sua própria alegria, perde tempo invejando aquilo que queria estar vivendo...

Algo meio ligado a SUPER EXPECTATIVA, SUPER HERÓIS, SUPER FRUSTRAÇÕES... Não acho ofensa meus pais viverem bem. Acho ofensa, ver tanta gente que não vive, fingindo viver para dar satisfação a uma sociedade tão hipócrita. Alguém já parou para se questionar quem vem a ser a tão mencionada: SOCIEDADE????? Acho que se um casal descobre, após constatar de verdade, que não dá certo (não é se desesperar na primeira dificuldade e partir para o divórcio. É ver que realmente há uma incompatibilidade que vem entristecendo em vez de alegrar; que vem destruindo cada um, em vez de edificar...) é melhor pedir a tal "separação" oficial,porque, separação de fato, já existe! Para quê viver sofrendo? Claro que existem casos e casos; cada um sabe o que é melhor para si!

Então, não vim ao mundo para ofender, nem ser ofendido. Respondi a minha colega, de maneira singela (naquela época, era sincera sem dar "patadas" - risos), que isso era entre meus pais, eu não tinha nada a ver com a relação deles. Que meu pai era sempre tão presente em casa,só saia com minha mãe...resumo, que ele não dava margem para desconfiança. Quando falei que a gente não tinha nem do que desconfiar, foi que ela alterou: "é assim mesmo! Depois,quando descobre...". Rapaz, me lembro como hoje, daquele dia. Encurralada num vértice da sala,onde não havia para onde correr. Na hora do intervalo, sem ninguém por perto. Foi coisa de gente doida e doída mesmo. Falei, meio que com raiva: "não tenho o que desconfiar de meu pai. Se algum dia isso acontecer, e que Deus me livre, minha mãe vê o que faz!". Empurrei ela e saí. Mas, fiquei com aquilo martelando em minha cabeça e comecei a observar meu pai. Em silêncio...Veja, como as situações podem ser criadas? Já viu? Ela quis (e por um instante conseguiu) enfiar "minhoca em minha cabeça". A convivência com meus pais sempre foi tão aberta, e tão verdadeira, que decidi não falar,para não criar algo que não existia. Não tinha o que observar em meu pai. Ele estava sempre conosco. Sempre saía com minha mãe. Sorriam sempre. Discutiam muito pouco, e poucas vezes discutiam. Era mais coisa de estar se arrumando para sair, minha mãe estar pronta e meu pai, sempre atrasado... Eles sempre souberam conversar. Achava o máximo isso. A gente (e e meus irmãos) aprendeu, desde cedo, a sempre falar a verdade. A gente apanhava, ficava de castigo, mas,não mentia. Somos assim até hoje. Isso nos fez crescer assim, pessoas honestas e francas. Temos muitos e muitos defeitos,lógico. Mas, qualidades enormes! Somos todos do time do bem! Falo com orgulho, porque, para mim, isso é natural e norma. Para mim, todo mundo é assim, basta se permitir.

Mas, esse jeito "super valorizado" que cresci, de certa forma, me tirou um pouco o foco da realidade. Não percebia que despertava muita inveja e ciúme. Comecei a perceber, aos poucos. E comecei a me sentir uma pessoa que não era desse mundo. Todo mundo fingia, todo mundo queria ser algo que não era e vivia à sombra do que nunca foram... Muitos, passavam a acreditar que eram o que queriam ter sido e viviam daquele jeito: personagem de si próprios...

Criei um personagem também: uma pessoa sem grandes problemas (havia limitação financeira. Meus pais nunca foram ricos,nem tiveram vida fácil. Mas, tivemos tudo o que eles puderam nos dar. Não cresci com roupas de marca, mas, cresci vestida. Sempre tinha uma peça da moda...eles fizeram e fazem muito pela gente. Crescemos em meio a uma troca. Meus pais davam o que podiam e éramos felizes! Tive muito: escola particular, faculdade, especialização, curso de inglês - que não concluí porque achava que aprendia rápido e poderia aprender sozinha...); sempre de bem com a vida; sincera; de confiança; disposta; dinâmica; "pau para toda obra"; amiga... gente, esse meu personagem sou EU!!! risos. Mas, também desenvolvi um orgulho velado (de viver num ambiente favorável a mim, passei a acreditar que sempre seria assim: bem tratada, bem recebida, bem vista) e isso me impedia de me permitir errar... desenvolvi uma auto-cobrança de sempre estar certa. Sabe meu personagem? Era eu mesma,mas bem exagerado... eu não sou perfeita, mas, queria achar que era!

Quando me sentia triste, não expressava logo. Quando me deparava com algo que não sabia resolver, me cobrava uma solução. Precisava acertar! Precisava fazer com que ninguém se decepcionasse comigo.

Não tinha riqueza como meta de vida. Queria sucesso profissional e estabilidade financeira, fruto do meu esforço. Minha ambição era ter o suficiente sempre para poder viver com conforto; ter um plano de saúde descente e que me ajudasse na velhice; ter um carro, um apartamento; condições de manter os dois; ter condições de socorrer um amigo ou parente,num momento de necessidade; ter tempo para viver a vida com meus amigos e família;ter condições de um dia ter um filho e propiciá-lo esse mesmo conforto... Para mim,uma tarde no Shopping,comendo pizza de R$ 10,00 com minha mãe (quando a grana tá curta) não tem preço. Poder ter os domingos em família, "queimando uma carne", também não tem preço. Só quem tem a oportunidade de viver coisas tão simples e ricas, sabem o valor que essas reuniões têm. Um telefonema para um amigo; uma mensagem de e-mail, só para dizer: OI!, também é maravilhoso! Por que tanta gente deixa isso morrer? O TEMPO? A VIDA? Por que tanta gente não sabe nem o que é isso?

Pois é, a vida não tem preço.

Nossos personagens é que "precificam" tudo e todos os momentos.

Quando tive a DPP, vi que esses momentos foram minha base. Vi que meu personagem pedia socorro. Não tive traumas de infância. Fui criança, quando deveria ser; adolescente, quando deveria ser; adulta, na hora certa. Quem disse que o adulto é que tem as respostas certas? A criança que tem! Foi na minha infância que descobri que tinha força. Foi reaprendendo a andar que cresci! Foi/é tratando meu personagem perfeito e exigente que me (re)descobri. É sabendo que a criança que fomos, ainda somos, ainda É! A infância que vivemos,boa ou não, é que nos impulsiona ou aprisiona. É lá que encontramos todas as respostas. É sendo franco e aberto ao mundo, sem medo, sem rodeios, como uma criança que seremos adultos seguros, vivos e viventes!

Todo castelo de areia deveria ser real. Real, não só na realeza,mas na beleza de poder existir para todos!!!

Toda criança, merece ser um adulto decente; todo adulto, merece ter tido uma infância decente; todo ser humano,merece uma vida decente!!!

Pode deixar a criança desenhar um traço torto, amanhã,ela pode acertar!!!

Por que é tão difícil viver o presente? Por que cobrar tanto as crianças por um futuro que elas viverão de qualquer maneira? Por que sufocar essas crianças,para ter um "bom" futuro financeiro e fadá-las a viver como adultos que queriam voltar a ser criança,para começar tudo de novo? Por que a gente esquece que ser Pessoa, vem antes de tudo, até de ser Profissional? Por que tanta frustração? Tanta maldade desmedida? Tanta revolta? Tanto fingimento? Por que tanta dor?

Na roda viva da vida, viver um hoje feliz,pode ser um belo dia de saudade amanhã, ou um amanhã com mais força!!!

Salvem (literalmente) as crianças! Sejamos adultos, crianças contentes! Sejamos, enfim, GENTE!!!

Patricia Lins

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