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domingo, 4 de maio de 2014

COINCIDÊNCIA OU INCONSCIENTE SE COMUNICANDO?


Gente, venho refletindo sobre como nos deixamos levar pelo que vemos, como vemos e do ângulo que vemos, como verdade absoluta... Costumo dizer: melhor esclarecer do que julgar. 

A grande maioria de nós tem dificuldade de entender que o que está dentro da cabeça só sai expressando. E só assim, quem está de fora da nossa cabeça pode saber o que se passa por dentro.

Aconteceram alguns episódios bem interessantes comigo, esses dias. Me fizeram refletir sobre a expressão "quem anda com porcos, farelos come" - não no tom pejorativo, mas pela ótica de que julgamos o tempo inteiro, inclusive através de com quem a pessoa anda.. E quantas pessoas andam com outras por anos, depois descobrem quem realmente são?

Muitas vezes, nem sei do assunto individual que a pessoa traz em si e comento INOCENTEMENTE - uso o art. 1 da Lei Cumpadre Washington: "aquele que não sabe nada é INOCENTE!"... - sobre um tema. Daí, me dizem: "Que fora! Você tinha que falar isso para ela?...". E pergunto: "Falar o quê?". "Você é lerda! Não sabe que...". E eu digo: "Não, não sabia. Ninguém me contou e não sou adivinha.". Vejo uma resistência nossa, uma dureza, em aceitar que o outro não tem como saber se eu não falar. E vice versa. Falta humildade e capacidade de aceitação.

Semana passada, estávamos, eu e alguns colegas, almoçando e inocentemente, comentava sobre uma coisa. Uma das pessoas do grupo - que gosto de graça e ela de mim, mas não somos íntimas - estava pensando e havia comentado com outra sobre algo similar e pensou: "Pô, fulana falou para todo mundo...". Sorte que essas pessoas gostam de esclarecer. Num momento mais intimista, me disseram - na frente da pessoa, mesmo: "Pô, você tem uma boca... Mesmo sem saber você tocou no assunto que fulana e eu estávamos brincando...". E eu brinquei: "Os inconscientes se comunicam... Tomem mais cuidado com o que emanam". E rimos, porque foi um COINCIDÊNCIA, levando-se em conta o saber consciente da informação. Ou seja, eu não tinha como "dar fora"... eu nem sabia. Muitas pessoas já me julgaram por isso...

Eu, volta e meia, acabo em meio a essas coincidências... 

Participei de uma palestra há umas 3 semanas, mais ou menos. Lá, cheguei. Sentei num canto. Fiquei. Ao meu redor, outras pessoas que nem conhecia. Enfim. Semana passada, estava no mesmo lugar, em outra palestra. Cheguei. Logo após, um rapaz - que não conheço, mas que estava na primeira palestra - chegou. Nunca trocamos um "oi". Subi. Sentei. O rapaz subiu. Sentou ao meu lado - único lugar vago. Saí. Um amigo pediu para eu dar carona a duas mulheres - um senhora e outra mais ou menos da minha idade: jovem... No caminho, disse para a que estava atrás - a mais jovem: "Já te vi em algum lugar. Esqueço nomes, mas rostos eu memorizo". Ela me disse: "Já, sim. Eu estava na palestra de Isabel, que vocês estavam.". Eu estranhei: "Nós? D. Lucia não estava na palestra...". Ela: "Não. Você e seu amigo, aquele careca.". Interessante - olhando de fora: Primeira palestra eu estava sentada ao lado dele e acabei ficando num espaço vago entre ele e os amigos dele... Na segunda palestra, chegamos na sequência - subi, logo em seguida, ele. Sentamos juntos. Não trocamos uma palavra nos dois eventos. Saimos juntos. Na saída, perguntei se ele queria carona - nessse ambiente só entram pessoas conhecidas; ele é conhecido de um amigo. Ele disse que não e pegou o carro dele, atrás do meu. Rapidamente, processei essa informação e disse para ela: "Minha filha, se eu te disser que eu não sei nem o nome dele, você acredita? Segunda vez que o vejo... Mas, para quem está de fora, dois encontros e nós dois um ao lado do outro, chegando e saindo na mesma hora... Interessante como somos vulneráveis à visão, né?" e viajamos nesse assunto.

Ou seja, muitas vezes estamos de fora e aquilo que "achamos que seja" passa a ser. Do mesmo jeito que expressamos pensamentos, comentários e os outros se doem, em vez de esclarecer, porque se fecha na determinação; "é assim! E nada mais!".

As coisas estão aí. Nem sempre sabemos que precisamos esclarecer, porque têm coisas que PARECEM tão claras. Me mantenho em estado aberto. Brinco, me estresso, me chateio, compreendo... Sou capaz de, após esclarecido, mudar o canal. Me esforço para não julgar, já julgando. Gosto e me assumo imperfeita total. Eu posso. Eu sou! Mas, ao menos, não me prendo aos MEUS julgamentos. Não me coloco acima de ninguém. Nem abaixo. Mas, me coloco em meu caminho. Troco. Vivo. Escuto. Leio. Quantos de nós já não magoou sem saber, sem intenção? Sabe amigo oculto, quando a gente tenta adivinhar quem a pessoa tirou, pelas descrições que ela fornece? Acabo acertando... E saio como "quem entregou". Todo mundo dá palpite... só porque o meu é certeiro devo ser condenada? É isso que me intriga e sobre isso venho refletindo; ângulos e verdades.

Daí, entra o facebook. As pessoas leem o que os outros escrevem. Eu sei de algumas pessoas mais próximas, que leem, por conta da manifestação de comentários e "curtições". Quantas vezes preciso informar ou lembrar que os posts não são indiretas para alguém, que se tratava de um pensamento que me veio à mente, sem pretensão alguma? Quantas pessoas se "doem" por algo assim? Quantos se dispõem a ESCLARECER? A entender que houve um mal entendido - ou apenas uma coincidência, mesmo? Existem expressões que tocam determinadas pessoas e elas se doem. Cabe a cada uma se preguntar: POR QUE ME INCOMODOU? O QUE ISSO QUER ME DIZER? E traz para si. Em vez de ficar desconfiado de tudo e de todos e "achando" que foi para si. A gente precisa se desligar um pouco da mania de perseguição. Quer discordar, fique à vontade. Isso é liberdade de expressão. Mas, não tome para si.

Já passou da hora de sairmos da posição de vítima, gente. Tem gente que cria dor por falta de humildade de aceitar que existe falha na comunicação e que, em vez de julgar e condenar, vamos COMPREENDER. Isso não vai impedir a "chateação" de chegar; nem da raiva subir... Apenas vai nos ensinar que tem algo mais, além do que "achamos" que seja. Existe o É. O que É é o que É! E isso só se revela na clareza. 

Quantas pessoas fazem planos, não revelam o que pensam e cobram do outro o cumprimento? Esses planos têm início, meio e fim no âmbito mental e essas pessoas criam a expectativa infundada de que o outro já está sabendo o que deve ser feito sem, sequer, expressar, externar.

Estamos nos permitindo viver numa superficialidade e afundamos nela, jurando aprofundar em nós mesmos!

Isso cansa, porque suga energia que deveria ser empreendida no caminho da produtividade. Assim, gasta até a reserva e não faz o que precisa fazer.

Aquilo que está oculto, precisa ser identificado como tal, senão, morre sendo ignorado; mas, age, mesmo sem ser conhecido.

Somente a clareza liberta!

Para finalizar, reflito:

EXISTEM COINCIDÊNCIAS?

Pat Lins - vítima do acaso? Não. Apenas constatando que talvez o acaso não exista, mas a falta de esclarecimento, sim!


domingo, 23 de outubro de 2011

CARREGANDO APENAS O PESO NECESSÁRIO

Recentemente, tive uma ótima oportunidade de ver e ouvir uma frase que me tocou profundamente:

"MINHAS ESCOLHAS SÃO MINHAS, NÃO SUAS OU DE QUEM QUER QUE SEJA. QUANDO EU CARREGO AS CONSEQUÊNCIAS DAS MINHAS ESCOLHAS, ELAS NÃO PESAM PARA MIM MAIS DO QUE O NECESSÁRIO. QUANDO EU CARREGO MEU PESO, ELE NÃO É TÃO PESADO PARA MIM. SE VOCÊ CARREGA MEU PESO, ELE FICA MUITO PESADO PARA VOCÊ."

Existem, coisas em nossas vidas que fazemos sem nem sabermos porquê estamos fazendo ou agindo. Somos seres complexos, não porque somos difíceis, mas, porque dificultamos o que já vem com muita informação e não nos é permitido, desde sempre, saber de tanta coisa... Confuso, né? Imagemos-nos numa barriga. Quem nos carrega é outra pessoa, que, traz a mesma condição humana do ser que gera: imperfeição; carasterísticas únicas e essenciais; características herdadas geneticamente, de antepassados que existem de maneira que nunca saberemos o que virá... de quem vem...; nasce em um ambiente que já existe e perdura, com tradições que nem fazemos conta que existem... enfim, somos uma gama de informação desconectada pela ignorância de nós mesmos. Isso se agarava no processo de educação, porque, como quem nos educa é uma pessoa com seus defeitos, qualidades e com suas questões a serem trabalhadas, nós, também, aprenderemos a repetir o que já vem sendo repetido inconscientemente. Lógico, por ser inconsciente, haja labuta para sabermos o que ele nos quer dizer - sim, ele nos diz algo a todo instante, mas, não temos essa capacidade de compreender, proque ele fala numa linguagem muito profunda e nós, somos muito rasos - complexos e rasos. Não tenho dompinio de psicologia, nem de nenhum dado científico para comprovar o que falo como algo certo, mas, é o que vejo e o que as experiências que me disponho viver, num esforço diário e contínuo - na minha velocidade, no meu tempo e como consigo e/ou suporto fazer, ou seja, como dou conta, dentro das minhas imperfeições e limitações - reafirmam isso em mim e me abrem horizontes antes inatingíveis. 

Aos poucos, vamos nos fortalecendo e nos calando. À medida que nos libertamos de algum mínimo entrave, não podemos falar, causa estranhamento e gera pressão dos que temem buscar a si e não querer ver que é possível crescer e que esforço é algo que incomoda e dói, sim, dói muito, mas, é uma dor de cura, uma dor sem sofrimento, sem angústia, apenas dói porque já estava doendo, justamente, por estar no lugar errado, tratam-se de feridas abertas que mantemos por toda a vida e nos acomodamos tanto a essa dor que não temos força para encarar curá-la, porque sentiremos uma nova dor - como se fosse preciso curar uma fratura... tem que engessar e ficar um tempo sem mexer, porque para se encaixar aquilo que estava fora, o tempo é lembrado como mestre, apesar de ser imposto a essa condição, já que não tem outro jeito... rs Ou espera o tempo certo, ou, o encaixe errado causará outro problema. Assim é nossa vida, muita coisa encaixada de maneira errada e que vai querer um esforço ainda maior, já que não fizemos o que era para ser feito quando era para ter sido feito. Por sorte, algumas cosias ainda têm tempo para mudarmos, mas, o preço justo é cobrado: esforço!.Eu penso assim: ao menos, trata-se da dor de cura, depois, menos uma dor, mais uma cura, mais um ponto de libertação pessoal. Imagine! O esforço continua, sim. Precisamos sustentar o que mudamos, perante nossos outros euzinhos e perante as pessoas de fora - quem não entende, vai querer te cobrar e te derrubar, não de propósito, mas, por não aceitar que o que você fez não é privilégio seu, mas, resultado de seu esforço e que, se essa outra pessoa também quiser, a ela também - assim como a todo mundo - é dado esse direito, sempre com a cobrança de um preço justo: esforço! A gente cresce sem entender que não existe bônus sem ônus. Aquela história: "é preciso quebrar os ovos se quer fazer uma omelete". É fato. Não vai mudar se eu aceito ou não, vai continuar sendo. A gente não entende que a vida tem Leis próprias e que seguí-las é liberdade. 

Bom, vou parar por aqui, porque esse pensmento era só para nos lembrarmos que precisamos ver ao que somos leais. Aprendi um termo muito bacana, chamado de "lealdade invisível", onde somos leais e damos continuidade a coisas que nem sabiamos e que, provavelmente, seja uma característica da família e ninguém sabe onde começou, nem quem deu início, e nem culpar essa tradição, afinal, nossa família também são pessoas com problemas e pesos próprios, que, por não serem assumidos, alguém na família assume e passa de geração em geração, até alguém parar e ver: "esse excesso de peso... isso não me pertence.". Quantas vezes, para fugirmos dos nossos próprios problemas, assumimos uma responsabilidade que não é nossa e ficamos nos sentindo, porque estamos cheios de "abacaxis" para descascar? Pois é, queremos resolver os problemas dos outros em vez dos nossos e, de repente, estamos exaustos, exauridos, sem gás nem para levantar da cama. Com a guarda baixa, o que tende a entrar? Aquilo que é mais denso, que por, justamente ser pesado, cai com toda força em nossas costas, em nossos ombros e cedemos à tristeza, à angústia, a dores que não deveriam existir e, já não bastava tanto para ajustarmos nessa vida, ainda criamos e permitimos mais. Por isso que é tão difícil sabermos amar como o amor é: livre  e libertador. Quanta mãe, em nome do amor, poda o filho e isso não deixa de ser amor, mas, uma deturpação do amor. O sentimento nobre existe, está lá, mas, a consciência do que ele é, de fato, está tão longe, tão longe, tão longe... E acabamos dizendo que "erramos por amor". O ideal é formularmos a frase certa: "erramos por não sabermos que é amor, apesar de sentí-lo, não sabemos vivê-lo!" Erramos por não saber acertar, porque estamos condicionados a viver errando e julgando e condenando e culpando e fazendo tudo que não era para ser feito em vez de fazermos o que deve ser feito. Daí, o que precisa ser feito vai exigir, lógico e justamente, muito mais esforço: um apra desfazer e tirar o que foi feito e colocado erroneamente; outro, para darmos continuidade; outro para o que não vai deixar de aparecer; outro para vivermos...

Bom, resumindo, vamos devolver as pedrinhas - ou pedrões - do passado com amor e carinho para quem cabe, para o passado e segurarmos apenas a nossa, até ela se transformar numa pomba e voar, simbolizando a nossa conquista, a nossa vitória! A nossa liberdade! Em vez de pedras para carregar, uma vida plena para viver! Tudo aos poucos, passo após passo.

Pat Lins.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

SELEÇÃO NATURAL

Toda mulher sabe que o primeiro trimestre da gravidez é um dos mais delicados e, também conhecido como período de SELEÇÃO NATURAL.

Na primeira gravidez, enjoava muito - menos do que esta... porque, nesta, tive refluxo - e fui parar no hospital, porque, na hora que agachei, para vomitar, saiu um pouco de sangue. Nossa, um susto. Foi só uma gotinha, mas, corri. Ao chegar na emergência, estava quase na hora da troca de plantão - da tarde para a noite - e a médica - minha xará-, me recebeu e informou que o aparelho de US - Ultrassonografia - estava quebrado. Conversou comigo e me "garantiu" que era um aborto e que era comum, visto que estava dentro do primeiro trimestre e que eu me acalmasse, porque tratava-se de uma seleção natural, etc. Sorte que ela não me deu nenhum medicamento, além do para enjôo. Pois, quando trocou o plantão, o médico que assumiu veio me ver e perguntou baseado em que eu acreditava ter abortado. Expliquei o parecer da colega dele e ele fez um exame de toque, me dizendo em seguida: "Só posso garantir com a US, mas, pelo que senti aqui, seu útero está fechado..." A suposição dele era que, como fica sangue de menstruação grudado no colo do útero, pode ter saído esse sangue, que fica na região externa, no momento do esforço para vomitar. Pois bem, me pediu para ficar lá, em observação, para evitar qualquer coisa. Dia seguinte, consertado o bendito aparelho, fizeram minha ultra. A primeira coisa que ouvi foi um batimento acelerado e uma bolinha linda, lá dentro e bem fixada em meu útero. Era Peu, vivinho da Silva e sem nada que demandasse risco. A hipótese do médico era a que mais se aproximava do que pode ter acontecido. Um susto, apenas. A gravidez foi normalíssima. Assim, eu fui apresentada a SELEÇÃO NATURAL e a uma coisa contrária a ela, que são médicos que não respeitam a seleção natural de cada um, em seguir sua verdadeira vocação e fazem medicina apenas porque estudaram bastante e passaram no vestibular, se formaram e se tornaram profissional de medicina, o que, para mim, é algo muito diferente de ser médico. SER médico, para mim, é um DOM. Nem todo mundo que se forma em medicina É médico. E, a depender da área que opte por trabalhar, além do dom, tem que ter JEITO... A imprudência da primeira médica poderia ter custado a vida de um embrião saudável e do meu filho.

Daí, voltei a condição de espera: espera do parto; de ver e pegar meu pequeno; de vê-lo crescer...

Hoje, vivo outra espera, a espera do sangue descer. Quando eu era menina - em minha época, 11, 12 anos era menina, ainda - eu era louca para menstruar. Vivia a espera do sangue descer. Aquele sangue mudaria minha vida, dentro de minha crença. Eu me tornaria: mocinha. Um passo para ser mulher. Romperia uma barreira e ascenderia: estava crescendo. Engraçado é que, depois que a gente menstrua, mês após mês, acha um incômodo, né? Mas, quando não vem, a gente se preocupa... risos. Ou, quando estamos querendo ter um filho, a espera dele não descer é que se instala. Pois é, os sinais em nossas vidas são tudo, já percebeu? Marcos em cada fase de nossa história. O movimento natural do nosso corpo, por mais que se tenha avanços tecnológicos, é ele quem determina as verdadeiras mudanças e transformações. Esse movimento natural que determina em que fase estamos e para a qual vamos... Por isso que, hoje, vivo um misto de cada fase dessas fases, com um agravante: a espera da perda. Nas fases anteriores, vivi a espera da mudanças alegres. As boas expectativas, dos sonhos e planos. Na fase atual, estava bem e tranquila: o embrião estava bem encaixado e crescendo. Cresceu até a 8a semana e seu coração parou de bater. 

Sábado passado, eu não tive sangramento, muito menos algo que me levasse a estar preocupada. Fui fazer uma ultra, já que, a primeira, fiz com menos de 5 semanas e não dava para escutar o coração. Minha médica pediu para que eu repetisse, para a época certa, já que, após a 7a semana é que se é possível escutar. Pois, fui fazer. Mas, o coração não batia. Ele estava bem desenvolvido. Parecia um bonequinho com cabeça, tronco e o que começavam a ser os membros. Vi tudinho e estava fácil de ver, porque estava bastante nítido. Mas, sem batimento. A hipótese é que o coração havia parado há uma semana. Fui, novamente apresentada a teoria da seleção natural, onde a natureza se incumbe de interromper uma gestação de uma criança com algum problema. Mas, o que me deixa intrigada é que:

1 - o embrião cresceu bastante e normal, da 5a para a 7/8a semana - apesar dele(a) estar com tamanho de 9 semanas;
2 - ele(a) estava bem encaixado, líquido normal...;
3 - uma semana antes, eu havia parado na emergência... por conta do refluxo. A médica da emergência, uma senhora com ar de deboche, me fez ficar de pouco mais de12:00h até quase 17h, tomando apenas remédio para enjôo e soro, sem escutar minha queixa real, que era do sufocamento pela acidez que subia do meu estômago, queimando tudo e com a sensação de que estava voltando tudo. Era como se nada descesse, apenas subisse... Só que eu já havia vomitado desde o dia anterior e o que saía era algo muito ruim, com um sabor amargo e ácido. Era abrir a boca e saía. Muito nojento. Ela veio me ver - isso num hospital bom e de nome forte, viu? - e perguntou como eu estava. Eu disse: "péssima! O negócio ácido e que queima ainda está forte e estou com a sensação de que vou sufocar." Ela, com riso debochado, me disse: "Patricia, Patricia, tenha paciência mulher. Gravidez é assim mesmo." Eu, sarcástica e desesperada, apenas disse: "Eu sei, já estive grávida antes e sei que passa. Acontece que estou me sentindo muito mal e esse líquido nojento não pára de subir me queimando e isso está me sugando as forças." Ela sorriu e saiu. Prescreveu alguma coisa e saiu. Ela prescreveu "ANTAK". Veja. eu cheguei lá por volta de 12:10h, fui atendida logo depois e só após as 17h ela foi me ver... Foi quando me passou esse remédio para o estômago, que me aliviou em menos de 15minutos. Acalmou tanto que senti fome. Me foi liberada uma refeição - pense, eu estava sentada o dia inteiro numa cadeira, na emergência - leve: sopa, inhame e suco. Nossa, comi como se fosse um banquete, naquela cadeira desconfortável e sem ter onde apoiar. Detalhe: não sou fã de sopa... Mas, tomei como se fosse a coisa mais gostosa da vida. Uma semana depois, fiz a ultra e disse que o coração do bebê parou... O que pensar?

Fui ler a bula do antak e a maioria fala que não é indicado na gravidez, principalmente, dentro do primeiro trimestre. Ele interefer nos batimentos cardíacos de quem o toma - um dos efeitos colaterais - e é capaz de passar pela placenta e, inclusive, passa na amamentação. Portanto, não recomendado a gestantes e mães amamentando... O pior: a acidez só passou naquele dia, na segunda, estava de novo... Só bebi água e voltava do mesmo jeito. Foi complicado. Eu sofria e estava desgastada, mas, repetia: vai passar! E me apegava a expectativa de que passaria e depois seria tudo melhor. Pensava no bebê. Alisava a barriga e dizia: "fica aí, viu? Mamãe tá reclamando do enjôo e dessa acidez insuportável, mas, tenho que aguentar!". 

Fiquei confusa e com uma pulga atrás da orelha: SELEÇÃO NATURAL ou FALHA MÉDICA?

Não sei se tem como comprovar... o fato é que, hoje, estou a espera do sangue descer. Não para entrar numa fase de boa mudança, mas, para uma fase de encerramento. Enquanto ele está aqui, ainda em meu ventre, tenho a sensação de que o coração vai bater... Como não sinto cólica, nem tenho perda de sangue ou sangramento, fico presa a uma falsa esperança. A realidade é que estou vivendo a espera da perda concreta. 

Estamos sempre a espera de algo... Por isso, que, apesar dessa espera, estou vivendo o aqui e agora, dando continuidade aos afazeres diários, com algumas restrições e sei que as coisas só acontecem quando têm e como têm que acontecer. Estou tendo que viver na prática o que me proponho: ter fé. Uma coisa é acreditar que Deus existe e que existe um propósito para cada coisa. Mas, a fé de que Ele sabe o que faz e ser grato é mais complicado. Então, falo: "Deus, apesar de não entender seus desígnios, sei que eles são reais. Não posso lutar contra os fatos. Mas, também, não poso agradecer de coração... Te peço perdão pela minha ignorância e peço que me capacite a entender. Um dia entendo e, nesse dia, posso te agradecer com consciência..." Sei lá, Deus é Deus e Ele deve entender meu lado humano, afinal, eu sou humana.

Bom, queria só compartilhar essa fase ruim e chata, pela qual passo. Mais uma fase ruim e delicada. Mais uma que vai passar, com certeza, porque eu quero deixar passar e estou deixando. Mas, mesmo dentro dessa fase ruim, muita coisa boa: Pedro tem me dado todo o apoio. Não falei claramente para ele, vou pedir ajuda a psicóloga. Mas, ele estava na sala da ultra, quando a médica falou que não havia batimento cardíaco e saiu. Depois, quando chegou em casa, ele se jogou na cama dele e ficou triste, abraçado ao travesseiro de anjinho dele. Perguntei se ele queria conversar com a mamãe e ele disse que não. Pedi meu beijo, que ele não havia me dado. Ele se recusou e me disse: "meu irmãozinho não está mais em sua barriga...". No dia seguinte, me abraçou e beijou muito, mas, no rosto, no braço, na perna... menos na barriga, como vinha fazendo nos últimos meses. Na segunda-feira passada - dia 09/05 - repeti a ultra e nada. Mas, antes de sair, ele estava pronto para ir a escola, me abraçou e disse: "minha princesa, eu te amo muito! Você vai para sua médica agora, é? Leve seu pijama, viu?" 

Fora Peu, meus pais, irmãos, minha sobrinha, meus tios e tias, meus primos, meus amigos - os que já estão sabendo... estou avisando aos poucos - e até meus alunos, todos estão me dando tanto apoio e carinho que não dá para se manter triste. Fora que eu sinto assim: dói, mas, opto por não sofrer, muito menos, eternizar a dor, deixo-a passar. Vejo como as pessoas estavam felizes com essa gravidez e como estão tristes, como se fosse com cada um. É bom saber que se é querida e amada. É bom saber que existem muito mais pessos que torcem por mim, do que as que me invejam e me enchem o saco. Muito bom saber que não estou sozinha! Não fujo do meu momento, mas, ele fica muito menos pesado por ser partilhado com a torcida das pessoas. Encaro de frente a realidade e não dá para sofrer pela verdade. Outra coisa, não me culpo... Sem essa de achar que falhei em alguma coisa. Com certeza, trata-se de uma cosia que não depende de mim. Se alguma amiga-mãe está passando por isso - a não ser que tome algo consciente - trate de jogar a culpa para as cucuias. Existe uma pressão de que "a mulher não soube segurar a criança...". Cai fora! Fora as besteiras que ouvi: lógico, os chatos de plantão não mudam, nem nessas horas. Uma jovem, no consultório de minha médica, veio logo falando: "tava fazendo estripulia, não foi não? Agora, vai emagrecer, dar umas caminhadas..." Ou seja, querendo me culpar ou, me fazer sentir culpada. Eu sei o que me fez engordar e o motivo da dificuldade de perder peso. Sei que minha saúde é muito boa, mesmo estando acima do peso, está tudo em ordem. Minha pressão é 9x6, por vida. E, mesmo que não fosse, não seria questão de culpa.  Então, tapem mesmo os ouvidos e deixem esse povinho falar. Porque, por mais que me suba uma raiva enorme, esse povinho nunca vai mudar... e me poupe, povinho é gentinha medíocre, com mente tacanha e pequena... isso merece crédito? Alguém que é incapaz de pensar, refeletir e ter bom senso? Se eu vou saber a causa ou não, é uma coisa. O fato é o que tenho: um embrião já sem vida que será expelido, naturalmente, a qualquer momento. Se é algo prazeroso? Lógico que não. Mas, é o que é e não preciso enfeitar nada, apenas precisei aceitar. Aceitar ajuda a curar a dor.

Aí, sim, agradeço a Deus por esse presente diário de ser amada e amar!

Boa sorte para todas as mães! Muita paz para todas nós! Eu continuo seguindo, respeitando o tempo das coisas. Respeitando meu momento e deixando que ela passe, naturalmente.

Saudações maternais,

Pat Lins.

domingo, 20 de março de 2011

CORRIGINDO ERROS, NO TEMPO CERTO

Não sei se é possível corrigir erros do passado através de situações bem resolvidas do presente... Capaz de serem criados dois erros desnecessários.

Uma mãe não pode tentar consertar aquilo que supõe ser erro seu na educação do filho através do neto... Tem que consertar - se detectado o "erro" e onde "errou" diretamente com o filho. Isso é a minha opinião. Por conta disso, pode-se desencadear uma outra situação e criar um ambiente meio tenso, sem a menor necessidade.

Sejamos felizes, livres e vivamos em paz! Cada um precisa saber e viver aquilo que te faz feliz, desde que não envolva a vida de outro, ou, passe do espaço-limite. Em minha teoria, existem três espaços: o meu, o seu e a interseção. Neste, há um encontro entre mundos e, normalmente, como o encontro das placas tectônicas, alguns abalos são inevitavelmente gerados - bons ou ruins. Por isso, baseada nessa mesma teoria - escrevia muito sobre isso em posts mais antigos - estabeleci a distância saudável. Nada mais saudável do que manter distância para permitir que o tempo aja em favor da relação entre as pessoas. Existem coisas - sejam situações ou pessoas - que não têm consciência dos próprios atos e, essa distância protege uma possível indisposição. Não vou negar que é doloroso, porém, muito necessário. Dói menos lutar pelo meu espaço, do que permitir que seja invadido por manipuladores e controladores de plantão. Infelizmente, se a pessoa já está dolorida pelo que fez ou deixou de fazer, proliferando sua dor em forma de "preciso aproveitar essa nova oportunidade" machuca a outras pessoas. Faz um tempo que estou afastada dessa pessoa e, olha, está fazendo um bem para todos os lados. A paz se estabelece quando fazemos aquilo que gostamos. Eu penso que essa é a melhor maneira de corrigirmos os possíveis erros: acertando quando aceitamos nosso caminho e escutamos a voz dos  nossos corações.

Ufa! Só um desabafo constatação e agradecimento a Deus por essa oportunidade de ver e saber que a paz está naquilo que fazemos pela nossa felicidade, desde que não invada o espaço do outro, muito menos a interseção. Não devemos cobrar do outro que viva o nosso desejo, mas, que também nos permita viver nossa vida em nosso ritmo. De nada adianta pregar que respeita a maneira do outro agir se guardamos mágoa pelo fato do outro não fazer aquilo que "achamos" que ele deveria fazer, porque "de acordo com minha experiência, fazer assim ou assado é mais fácil". Muita gente vive da aparência de viver em busca da felicidade e isso custa caro: custa a própria felicidade e a felicidade e paz da vida do outro.

Sempre teremos a chance de corrigir nossos erros. Isso não quer dizer que o resultado seja como queremos. Envolve muito mais do que se pensa. Tudo nos deixa marcas. Mesmo que a dor passe, a marca fica. Isso não quer dizer, sequer, que sabemos como corrigir e se tem conserto. Mas, sei lá, se for um movimento sincero, o tempo favorece. Tempo não é algo que possamos segurar com nossas próprias mãos, temos que dar as mãos a ele e seguir, pela paz e em paz. Não é o tempo que precisa ser nosso aliado. Nós é que precisamos nos aliar ao tempo, isso sim.

Bom, paro por aqui.

Beijos,

Pat Lins.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

SEMPRE EXISTE CULPA OU CULPADO?

Existe uma coisa em nossa natureza humana que precisamos repensar: mania de ter que culpar algo ou alguém por coisas que, que... acontecem.

Quando soube que tinha DPP - quando Peu nasceu - eu queria saber a razão daquilo. Para mim, tinha que ter uma boa razão... Escutei de tudo, mas, em especial, duas pessoas grudaram que meu problema era muita raiva acumulada. Eu sou como qualquer pessoa, que sente raiva e que depois passa. Ficam umas pontinhas de mágoas, em outros casos, algo mais forte, como um ressentimento "brabo", mas, quem, dentro a raça humana, não sente? O grande lance é que uma dessas pessoas insiste em fingir que não sente nada disso e vai explodindo sem admitir... Mas, isso é outra história. Bom, se já me culpava pela miséria no mundo, quando estava em meio ás crises, me sentia pior, quando essas pessoas queriam me ajudar dessa maneira... Daí, costumava dizer: muito ajuda quem não atrapalha. Boa intenção é pouco. Respeito é mais importante.

Eu acredito que existam doenças psicossomáticas. Mas, como se conhecer a tal ponto de evitar que ocorra algo? Esse é o grande lance de se saber que nossas emoções é que controlam nosso corpo, mas, quem de nós tem controle sobre as emoções, a ponto de não sentir nada? Lidar com raiva, acessos de fúria e diversas outras emoções destrutivas é que faz a diferença, mas, normalmente, elas explodem antes para depois a gente se cuidar e refletir. Se tem uma coisa que acredito é que nós temos a capacidade de nos curarmos, sim, mas, como somos seres complexos, não podemos determinar com 100% de certeza que a cura depende de nós mesmos. Sim, se não quisermos nos ajudar, nada ajudará. Mas, como disse a Marcia Cabrita, quer dizer que se uma pessoa não consegue se curar e morre, a culpa é dela...? Somos ou não cruéis e severos, até passarmos para o lado de um problema grave... Eu também, como todo mundo, julgava minha avó quando ela teve Depressão profunda... Dizia que ela precisava de força de vontade, precisava reagir, que dependia dela a cura... Até passar para o outro lado e ter Depressão Pós parto... Penso que podemos repensar nossas atitudes. Eu queria muito, durante o tratamento, descobrir a razão da DPP, até compreender que não deve existir uma única resposta... especulei o que pude e me aproximei do que poderia ter originado. Mas, só consegui me ajudar de verdade, quando me foquei na cura, antes de tudo. Concordo que procurar a origem é de suma importância, claro, para se curar algo, tem que saber o que curar... Mas, não podemos perder o foco no aqui e agora. Foi o que fiz: encarei a realidade e tratei das feridas abertas, enquanto procurava de onde ela veio.

Hoje, numa sala de espera, estava lendo as velhas e básicas revistas velhas e li uma "Isto É", de outubro de 2010 - olha, do ano passado - rs - e li a entrevista com Marcia Cabrita - atriz -, muita coisa interessante e a cara do A DOR SÓ DÓI ENQUANTO ESTÁ DOENDO. Pois é, segue, a seguir, um texto que vale a pena ser lido e nós podemos repensar algumas de nossas atitudes:

 
"As pessoas cobram muito de quem tem câncer"
(Marcia Cabrita)

Em tratamento contra um tumor de ovário, a atriz diz que, sem querer, muita gente culpa o paciente pela doença e atribui a ele a responsabilidade pela cura.

Eliane Lobato
 
A atriz e comediante Márcia Cabrita, 47 anos, recebeu o diagnóstico de tumor de ovário em março. Agora, ela acredita ter aprendido muita coisa nestes últimos sete meses a respeito de como se sente, de verdade, um paciente com câncer. Descobriu, entre outras coisas, que, mesmo sem querer, muita gente acaba jogando sobre os ombros do doente culpa e cobrança ao dizer, por exemplo, que a origem da doença está em uma mágoa não superada ou que é preciso manter o pensamento positivo sempre. “Atribuir ao esforço e à motivação interna do doente a capacidade de cura também é uma crueldade”, disse nesta entrevista à ISTOÉ. Sem falar do “olhar pé na cova”, como ela se refere às pessoas que falam “que bom te ver!”, mas cujo olhar não disfarça a surpresa por ela “ainda” estar viva, e bem.

Márcia retirou os ovários e o útero, a quimioterapia está dando certo e seu prognóstico é de cura. De sua casa, no Rio de Janeiro, ela compartilha a experiência no blog Força na Peruca e se anima com as mensagens dos internautas. Quando a quimioterapia não a deixa debilitada demais, sobe ao palco para encenar a comédia “Tango, Bolero e Cha Cha Cha”, em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Rio. Separada, é mãe de Manuela, 9 anos.

Istoé - O que você sentiu quando soube que estava com câncer?

Márcia Cabrita - Quando eu acordei da cirurgia em que retiraram o útero e o ovário, nem sei o que senti. O médico me disse que tinha encontrado uma coisa que não esperava. Eu perguntei: “É câncer?” Ele respondeu que tínhamos de aguardar o resultado da biópsia. Depois, tive medo de morrer. Muito. Só pensava em minha filha. Em deixar órfã a pessoa que mais amo.

Istoé - Conseguiu manter a calma?

Márcia Cabrita - Não, e penso que ninguém precisa manter a calma numa hora dessas. Mas fiz tudo o que tinha de fazer, tomei todas as providências: exames, consultas, cirurgias.

Istoé - No seu blog, você fala da cobrança que sentiu das pessoas a sua volta. Que tipo de cobrança foi essa?

Márcia Cabrita - Todos os amigos e familiares acabam cobrando muito: que você tenha pensamento positivo, seja otimista e forte. Mas, naquele momento, eu não conseguia isso. Eu só tinha pensamento negativo, era o inverso. Comecei a achar que não poderia ficar boa porque não era capaz de ter pensamentos bons. Só os otimistas conseguiriam e eu, então, estava fora dessa possibilidade.

Istoé - O que mais a aborrecia?

Márcia Cabrita - Uma crueldade é a busca de todos por um culpado para o fato de o câncer ter aparecido. No caso, era eu. É muito cruel insinuar que a pessoa é que “faz” o câncer porque ela era triste, porque se divorciou, porque comeu agrotóxico. Ninguém “faz” um câncer. Eu não tinha feito aquilo em mim, como poderiam me culpar?

Istoé - Você deve ter ouvido também que o doente é responsável por sua cura.

Márcia Cabrita - Isso. E esta é a segunda parte da crueldade. Você seria totalmente responsável pela sua recuperação. Se tiver uma cabeça boa, fica curada. Se não, não. Isso equivale a colocar a responsabilidade da doença em quem está doente. Discordo. Não tenho responsabilidade nenhuma. O que aconteceu comigo pode acontecer com qualquer pessoa. Seja ela feliz, triste, criança, velha, ator, otimista ou não.

Istoé - Antes de ficar doente, você já tinha falado essas mesmas coisas para outras pessoas?

Márcia Cabrita - Sim. Quando passei para “o outro lado”, vi pessoas fazendo coisas comigo que eu já fiz. Por isso, não duvido das boas intenções. É que ninguém sabe bem como lidar com a situação. Então, mesmo que eu fique magoada, eu compreendo.

Istoé - Que conselhos daria a quem está em tratamento contra o câncer?

Márcia Cabrita - Um conselho que posso dar é: não “consulte” a internet. Não há nada pior para um leigo. Informe-se sempre com os médicos. Segundo: um dia de cada vez, faça o que precisa ser feito agora. Terceiro: dê a si espaço para desabafar o que está sentindo – chorar, chutar, quebrar. Por fim, tente ignorar os “olhares pé na cova”.

Istoé - Como é esse olhar?

Márcia Cabrita - É terrível. Tem gente que fala: “Que bom que estou te vendo!” Mas, pelo tal olhar, eu ouço: “Nossa, você não morreu!” Há outros que te olham com cara de surpresa mesmo, como se olha para alguém indiscutivelmente com o pé na cova. A expressão diz: “Você está viva?!” E tem uma irônica parte boa do câncer: todo mundo passa a te amar, a gostar de você.

Istoé - Você consegue fazer humor com o assunto, não é?

Márcia Cabrita - É da minha personalidade. Mas não estou subvalorizando a doença. Porque o inverso do “olhar pé na cova” é a pessoa que tenta passar que não acha nada demais ter câncer. Não é legal. Você está se sentindo podre e a pessoa acha que ajuda dizendo que você está maravilhosa.

Istoé - Como você contou para a sua filha que estava doente?

Márcia Cabrita - Achei que devia explicar por que eu ia ficar careca. Não falei que era câncer, falei só que estava doente. Mas, depois, passei a noite pensando por que não tinha falado a palavra. Vi que estava estigmatizando. No dia seguinte, disse toda a verdade. Mas suavizei: “Câncer, igual ao signo de seu pai.” Ela respondeu: “Então, tá.”

Istoé - E como ela lida com isso?

Márcia Cabrita - Ela não fala muito. Mas encontrou uma maneira de me dar força que me emocionou demais. Depois que raspei a cabeça, comecei a usar lenços. Um dia ela disse: “Mamãe, eu queria usar um lenço igual ao seu.” Perguntei por quê. Ela disse: “Porque é muito legal.” E, nesse dia, foi de lenço para a escola. Chorei muito.

Istoé - Em que fase do tratamento você está?

Márcia Cabrita - Faço dois tipos de quimioterapia. Uma, toda semana, não provoca reações, me sinto bem. A outra me deixa péssima, faço de 21 em 21 dias. Essa me leva a nocaute. Fico quase uma semana de cama. O câncer traz sofrimento. Emocional e físico por causa da químio. Tenho dois cateteres (colocados sob a pele para injetar os medicamentos quimioterápicos). Farei mais dois meses de tratamento. Mas estou em remissão. Para quem não sabe, é quando você não tem mais o câncer, mas não pode, ainda, sair correndo e dizer que está curada.

Istoé - Está mais tranquila, então?

Márcia Cabrita - Desde que a quimioterapia começou a dar certo, o pessimismo passou. Os médicos são muito importantes nesse momento. Tanto o cirurgião, Celso Portella, quanto o oncologista, Eduardo Bandeira de Melo, me ajudaram a acreditar na cura. Hoje me sinto bem mais fortalecida, apesar de passar muito mal na quimioterapia. Somente agora sou capaz de sentir o que me cobraram no início.

Istoé - Por que quis fazer o blog?

Márcia Cabrita - No começo, para colocar para fora o que eu estava sentindo. E isso me fez um bem enorme. Depois, percebi que estava também ajudando os outros. Escrevem para mim pessoas doentes e as que não têm câncer. São pessoas que, como eu, não gostam, por exemplo, de ler que “fulano perdeu a batalha contra o câncer”.

Istoé - O que a incomoda nessa frase?

Márcia Cabrita - Isso dá a entender que a pessoa não lutou o suficiente. E não acredito que quem sobrevive é especial, que a pessoa “venceu” porque tinha alegria de viver, tinha amor pelos filhos. Quem morreu não tinha isso? Me incomoda demais responsabilizar o doente desse jeito.

Istoé - Você assumiu a doença desde o início?

Márcia Cabrita - Pensei em esconder, não tornar público para me proteger. É um momento muito sofrido e particular. Muita gente opta por não contar, e eu entendo. Mas eu estava para estrear a peça “Tango, Bolero e Cha Cha Cha”. A princípio, combinamos não dizer o verdadeiro motivo pelo qual eu não estaria na estreia. Mas aquilo me fez muito mal: além de tudo, ainda tinha que me esconder como se tivesse feito alguma coisa errada? Não menti, mas não dei nenhuma entrevista sobre isso. Pensei muito antes de marcar essa entrevista que estou dando agora porque, para virar uma coitadinha, não custa nada. E não quero este papel. Gostaria de continuar sendo o que eu sou. Não a atriz que teve câncer.

Istoé - E como está trabalhando?

Márcia Cabrita - Faço o espetáculo quando estou me sentindo bem. Quando me sinto mal, há uma atriz (Carolina Loback) que me substitui. É curioso estar no palco fazendo uma comédia. Eu penso comigo mesma: não acredito que estou com câncer e fazendo essa macacada toda no palco.

Istoé - O fato de ter tido câncer num órgão feminino afetou você de alguma maneira?

Márcia Cabrita - Achei que não ter mais ovário e útero poderia mexer comigo mas, sinceramente, me sinto igual a antes. Não tinha mais projeto de ter filho, então, não afetou.

Istoé - E perder os cabelos? Isso mexeu com você?

Márcia Cabrita - Não foi nada fácil. E nesta questão há outra cobrança cruel: todos ficam falando que o importante é viver, que o cabelo é o de menos. Não é bem assim. Claro que, ao se descobrir com câncer, o que importa é viver. Mas a gente sofre sim por perder os cabelos. Não é legal ficar careca, caramba. Depois, você se acostuma, supera mesmo. Eu superei isso. Mas na hora é difícil. Ver aquele cabeção careca é horrível. E ainda tinha isso: sentir culpa porque estava sofrendo por uma coisa que não tinha valor, já que o que importa é a vida.

Istoé - Agora você cuida da aparência sem culpas?

Márcia Cabrita - Eu tenho câncer, mas continuo sendo eu. Não quero sair na rua com cara de bruxa. Meus cílios caíram e a sobrancelha também caiu um pouco. Eu pinto, completo com lápis marrom. Atualmente, uso uma prótese de cabelo, parece peruca. Uma noite, no teatro, aconteceu uma coisa incrível. O cabeleireiro do teatro a alisou e, quando olhei no espelho, voltei a me ver, entende? A cura se materializou, eu fiquei igual a mim, como eu era. Recuperei minha imagem. Como fiquei feliz!

Istoé - Após o tratamento, acha que dará mais valor às coisas simples, será mais generosa, vai mudar?

Márcia Cabrita - Acho que não. A única coisa que vai mudar é que lidarei melhor com isso se alguém, um dia, precisar de mim. Mas não serei diferente. Pretendo voltar a ficar chateada com meu cabelo se ele não estiver legal, com a unha quebrada, com a calça apertada. Quero que os motivos fúteis voltem. Quero ter, de novo, o direito de me irritar por futilidade.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

ESTRANHO É VOCÊ!

Engraçado! Como temos a mania de só ver os defeitos dos outros. Nós, em nossa individualidade perfeita, somos: PERFEITOS!

A cada dia que passa, menos me vejo no outro e, quanto mais olho com calma, mais me vejo em cada um... 

QUANDO A GENTE "ACHA" QUE SÓ O OUTRO É ESTRANHO É PORQUE, NO MÍNIMO, A GENTE "ACHA" QUE A GENTE NÃO É.

Bom, até quando vamos manter essa chama da falta de respeito acesa? Me peguei, ontem a noite, exaurida, por estar em companhia de uma pessoa extremamente densa e de difícil convivência, mas, sabe essas pessoas "necessárias", porque fazem parte daquela parte de nossas vidas que vem no pacote? Pois é, é isso. Foi aí que vi, claramente, que ele me angustiava, com seu ar sempre crítico e austero. Como se nada o tocasse... Quando olhei bem de frente, enxerguei a armadura que ele usa, para se proteger de si mesmo e, provavelmente, de alguém... que, provavelmente, é criação da cabeça dele, como cada um de nós, elege alguém que nos persegue, mesmo essa pessoa nem sabendo que a gente existe, né verdade?! Fiquei feliz comigo em uma coisa: eu não sou rica, mas, posso ser feliz apenas sendo eu, mesmo em meio a todos os problemas que venho vivendo nos últimos anos. Pois é, o "estranho" era ele, para mim e, para ele, a estranha... - risos - era eu. Tive uma leve crise de riso interna, mas, diante do meus desgaste - a presença dele é incômoda, ainda... não muda de uma hora para outra... ainda preciso descobrir em mim o porquê de toda essa permissividade, se é que esta é a palavra adequada, para me "curar" e me "libertar" desse "mal" - nem pude curtir a sensação de "alívio" por conseguir ver e enxergar isso: o quanto ele "vazio" e inseguro; o quanto eu ainda critico e julgo muito; e que há algo nele que me incomoda, porque, algo em mim não está no lugar... e, naquele momento, diante de um catalisador de emoções, preciso perceber que eu não tenho que me incomodar com a presença dele, afinal, ele é assim e não vai mudar por causa da minha pessoa... EU é que preciso me desarmar, descobrir o que em mim se deixa incomodar e transformar essa realidade EM MIM.

Ui! Como é cansativo e doloroso querer ser uma pessoa melhor, nesse mundo onde todo mundo faz questão de querer ser o pior, alegando que a tal "sociedade" - quando não, dizem que é a "Vida" - é tão injusta. Mas, eu consigo! Eu chego lá. Já passei por coisas piores, quando não me permitia ver e não me abria para o "perdão" - que, nada mais é do que nem culpar e/ou condenar. Cansa ver e perceber, com clareza e nitidez, que estamos sempre julgando; estamos sempre criticando; estamos sempre condenando... onde isso começou e onde vai parar? Como posso fazer para recomeçar? Como posso fazer para seguir outro caminho, sem me sentir "estranha"? Como fazer com que você veja que estranho, é você... e eu... somos nós?! Como fazer para cada um desejar melhorar um pouco a si e respeitar mais o outro? Como faço para respeitar mais o outro? Como faço para respeitar mais a mim?... São nossas sombras que nos impedem de enxergar e andar para a frente. Somos nós mesmos que dificultamos o processo... Maaaassss, somos nós mesmos a luz que pode elucidar tudinho!

É! Isso é o movimento que faço, por enquanto, sozinha, mas, que, um dia, espero ter, ao menos, meu filho fazendo parte, de

DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO, partindo de cada um de nós!

E, para você que não se acha estranho, melhor se olhar através do espelho do outro, porque, sim, você é estranho para alguém. Mas, sim, e daí?! Espelho, espelho meu, quem sou eu?

Melhor para por aqui... para não ficar tão "estranha"... Ainda temos muito que aprender sobre nós mesmos, para desperdiçar o tempo tentando corrigir o outro... isso, é fuga de si... THE OTHER, EVER AND EVER... THE OTHER... Do que é, afinal que tanto temos medo????

Por isso que gosto tanto de repetir a frase do querido Zeca - o pagodinho - "Cada um com seu cada um. Deixa o cada um dos 'outro'". E vamos que vamos!

Beijos,

Pat Lins.











 





quinta-feira, 8 de julho de 2010

ATÉ ONDE VAI A MALDADE HUMANA? - caso Eliza Samudio / Bruno

Imagino quem não esteja sentindo-se incomodado e sofrendo por tanta maldade que parece ter "dominado" o nosso mundo!

Sei que a imprensa precisa de audiência para "sobreviver", mas, a massificação e a repetição intermitente da mesma informação provoca uma propagação do medo, do terror, do pânico e alimenta a maldade, incentiva a revolta e não dá espaço para lembrarmos de que outras coisas acontecem em outros lugares e, nem todas, são só miséria. O papel da imprensa é publicisar. É levar informação e, com isso, estimular a cobrança em toda população. Conhecendo, a gente pode exigir justiça e direitos - quando vem ao caso. Mas, em casos de assassinatos frios e mórbidos, importante levar ao conhecimento público, sim, para que quem vivenciar algo semelhante crie coragem e procure os órgãos competentes. Mas, repetir incessantemente é sensacionalismo e a gente não precisa mais disso!

De lição fica o alerta geral de que o dinheiro mata, quando é mal utilizado. A falta de dinheiro mata, pela miséria, e o excesso de dinheiro paga para matar, por miséria. Fica a pergunta no ar: ERA NECESSÁRIO? Levar uma pessoa a morte é necessário? Uma pessoa morreu, aliás, foi assassinada, de maneira cruel e desumana... sou incapaz de imaginar o sofrimento da criatura e o deleite de quem comenteu. Sim, porque a provável "sensação" de "dever cumprido" e/ou "problema resolvido" deve gerar um mórbido prazer nos praticantes do crime. Se os "mandantes", a começar pelo ex-promissor-goleiro Bruno, já são cruéis pelo motivo banal - ou, por pior que fosse a causa, imagine quem não tinha relação alguma com a situação e aceita ser "contratado" com a finalidade de terminar o crime de maneira que nem em filmes de terror a gente vê... só Hannibal seria capaz de tal atrocidade... A psicopatia é um distúrbio de caráter sério. Dizem que os psicopatas são tão inteligentes e frios que cometem os crimes na esperança de que alguém tão inteligente e "não-psicopata" - ou seja, um ser humano - possa descobrí-lo e para-lo. Será? A compulsão os levam a fazer tudo por sadismo e sem culpa. E, sem ofender os loucos, isso é loucura!


Quando Bruno foi "para a cama" com a Eliza, sem prevenção, sabia que havia o "risco" da gravidez... ou, na santa incocência que o fogo do tesão desperta, a ignorância se estabelece? Essa reflexão vale para todos! Em pleno século XXI, descuidar não é desculpa. Ambos se descuidaram e uma criança foi gerada. Sim, dever dos dois assumirem a cria e estabelecer uma maneira de educar a criança da melhor maneira: se não eram um casal, cada um assume seu papel. Se ele não queria ser pai presente, que assim estivesse através da manutenção financeiro-material. Mas, premeditar um homicídio é frieza demais!

Existe um fio finíssimo, tênue e que é a divisa entre o desastre a a retomada do juízo que se trata de milésimos de sgundos onde todos somos capazes de pensar em algo terrível mas, essa linha nos dá a oportunidade de recorrermos à consciência e em vez de rompermos essa linha, a gente continua do caminho onde seguíamos, como sonhos, expectativas e ajustes no caminho. Essa linha é a voz da razão que diz: seguir por aí é um caminho sem volta. Isso vale para quem já tentou suicídio; quem é pego de surpresa e no susto pensa em reagir; quem está possesso pelo ódio e pensa em matar... Isso está em todo ser humano, cada um em uma escala. Vale, inclusive, para discussões que perdem a medida e tomam proporções infundadas, onde se estabelece a barreira do não esclarecimento e portas são fechadas por meras banalidades. Mas, essa linha, apesar de fina e tênue é forte, romper com ela é resultado de muita maldade e falta de amor no coração. Total desapego negativo, com consequências gravíssimas! Ao romper essa linha limítrofe, tudo desaba e o que se pensava ser a solução do problema, torna-se um problema infinitamente maior e indissolúvel! No caso Eliza Samudio, não foi ela apenas a vítma... ela foi a vítma fatal e cruelmente assassinada, mas, o filho dos dois, será marcado para sempre. Não existe coisa pior para uma pessoa do que viver aprisionada numa marca! Suas referências primárias distorcidas e conturbadas. A educação dessa criança - não me refiro a educação formal, mas, educação de valores, de amor, cuidado, zelo... - precisará ser redobrada em amor, carinhos e repetições sinceras de atitudes que fortaleçam-no e lembrem-no de que ele não é responsável por nada do que aconteceu. Oh, Deus, abraça esse pequeno filho e o protege da maldade humana que destruiu sua vida em pleno começo! Fora a própria vida dos envolvidos: acabou! Depois de rompido o fio, passado e presente se tornam o mesmo terror diário, como se o mesmo dia fosse repetido e o futuro, infelizmente, se torna futuro do pretérito, onde tudo poderia ter sido diferente.

Até onde vai a maldade humana? E, nessas horas, podemos ver que a maldade está tão legitimada - aceita - que nós nem percebemos a nossa maldade em desejar o mal para os envolvidos no crime. Por mais que minha razão me diga que desejar o "mal" é propagar o "mal", minhas emoções me traem e desejo que eles paguem na mesma moeda... Isso reflete que há muito mais maldade em cada um de nós do que sequer temos consciência. Dentro de mim algo se contorce e me impede de desejar que eles paguem da mesma maneira. Algo em mim ficou tão triste e desencantado que, para resgatar a esperança no ser humano, precisei elaborar, em mim, pensamentos melhores em um bom combate ao mal, desejar que eles sejam punidos, sim, e, se prisão é o que a justiça determina - mas, que não recupera o humanismo, talvez, diante das situações precárias de nossos presídios, ainda se agrave a maldade, a revolta e a raiva, que eles sejam presos. Mas, eu, desejo, do fundo do meu coração que eles se arrependam. Pode parecer pueril e ingênuo de minha parte, mas, o arrependimento será a pior prisão que eles terão. Conviver com a eterna culpa. E, desejo, que o mundo se liberte de tanto terror! Chega! Chega de tanta maldade! Chega de tanto jogo de interesse. Chegaaaa! Será que somos tão incapazes de superar a maldade em todas as suas derivações? Desde as "pequenas", onde desejamos os piores castigos como forma de "correção" até as megas, que culminam nos crimes e destruições.


Infelizmente, não consigo pensar em coisas boas. Sinal de que minha maldade em umas de suas facetas está ativada, na forma de revolta e angústia e desejo de "vingança", em vez de desejar que a paz seja encontrada. Desejo paz e muito amor para o bebê. Quero desejar que os envolvidos encontrem algo de humano dentro deles, mas, ainda me deixo influenciar pela massificação das reportagens e isso alimenta minha tristeza e dor em  ver que seres humanos são tão monstruosos. Só Deus para estabelecer a ordem nesse caos e cuidar de cada um dos envolvidos, porque, olhando com bons olhos, todos são vítmas. Os algozes têm alguma razão para serem como são. Tanta maldade, tanta frieza é reflexo de uma reação a falta de amor próprio. Muita infelicidade acumulada. E toda essa infelicidade deve ser insuportável, para fazer tanto mal a alguém.

Só Deus, mesmo! Que muita Paz e Amor envolvam toda a Terra e que os valores humanos sejam recobrados. Que cada um de nós pare de julgar os outros e cada um se julgue e se abra para um grau de consciência libertadora e edificante, pelo amor a si e ao próximo! Hora de resgatar a esperança. De recobrarmos a lembrança de que somos GENTE. De ultrapassarmos a barreira do materialismo e nos permitirmos ser melhores. Nos falta mais amor nos corações. Nos falta aceitarmo nossa condição humana e nos falta respeito! Nossas sombras - todos temos - precisam de luz! Hora de nos iluminarmos sincera e honestamente! Se tem algo que precisa ser libertado, é o AMOR! Hora de sermos mais gente e dar um fim em tanta atrocidade!

Hora de nos movimentarmos a cada instante com pequenas mudanças em nós e levarmos adiante o movimento e a atitude de DEIXARMOS UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO!!!

Até onde vai a maldade humana dentro e fora de cada um de nós? Hora de alimentarmos o amor em cada um de nós. Vamos nos permitir dar a volta e salvarmos nossa espécie - que está sendo dizimada pela dor e pelo terror da desumanidade desmedida e descabida.





Pat Lins.

terça-feira, 29 de junho de 2010

SÃO AS BESTEIRAS QUE DESTROEM O MUNDO

Pois é, são as menores besteiras que destroem o mundo, abalam relações - não digo destruir, porque em se tratando de relações humanas, tudo é possível... -, desencadeiam grandes problemas e causam uma polêmica sem sentido.

Infelizmente, uma coisa é certa, se te provocarem, não reajam. Ser superior é receber a cutucada, dizer "ai" e depois, "sorrir", nem que seja um sorriso amargo de quem engoliu um sapo gigante. Que pena, eu não sou superior, nem perfeita. Sou humana, gente e tão errada e certa quanto qualquer outra pessoa, inclusive, as pessoas que me provocam por bobagem.

Mas, quem é mais errado: quem provoca ou quem reage à provocação? Será que é errado estar certo e apresentar argumentos coerentes? Odeio falsidade e gente intrometida, que acha que sabe mais do que os outros... pior, eu sei, eu também sou assim. Portanto, todos somos os dois lados - ou mais.

Engraçado e curioso é que a maioria das pessoas que não assumem quem são ou se assumem como o umbigo do mundo são as mais vazias e rasas, mas, conseguem tocar no calo dos outros... Ah, já entendi: essas pessoas são tão pequenas que é mais fácil tocar no nosso calo, por estarem abaixo dos nossos pés. Êpa, me coloquei como incapaz de pisar no calo alheio... Ah, pisar é do alto para baixo... Continuo a me colocar acima... Sinal de que não assumo minha parte do erro, também...

Outro fato certo é que, mesmo sendo de uma baixeza, radicalismo irracional e seres beirando a "acefalia", são gente e também têm seu lado bom, suas utilidades e, como todo ser humano, tem sua missão aqui na Terra. Ninguém é tão inutil que não tem sua utilidade, não é verdade?! É, estou muito ácida... Não era o ph que pensei em escrever, mas, por enquanto, é necessário, trata-se de um desabafo.

Se uma besteira é capaz de desencadear uma guerra nuclear e destruir cidades, imagine uma explosão familiar? Um abalo de egos abalados... Ai, coisa chata, uma dos lados da história nem sabe que tem ego, ou, o que vem a ser ego... Uma besteira em família é uma catástrofe. Toca nos lugares errados, sempre, porque as verdades não são suportadas. Um "não" nunca é bem aceito se não houver uma desculpa, em vez de justificativa franca. Um "tchau, já tô indo" pode ser um incômodo para quem recebe. Mas, veja só, por que é tão difícil alguém aceitar a posição do outro, respeitar um pedido de: "me deixa quieta, porque eu não tô legal"?! Por que as pessoas querem sempre ter razão, mesmo se contradizendo?

Tantos "por quês" que, creio eu, não exista um único "porque" como resposta. Se tem uma coisa que não suporto é mente pequena e que se acha o máximo... Odeio quem fala por trás e muito mais quem se mete onde não deve de maneira tão pequena. Por exemplo, como alguém pode sugerir algo se nunca viveu? Um pouco mais clara: como alguém pode sugerir como educar um filho se não educa o seu? No mínimo é HIPOCRISIA, associada a uma superdosagem de ARROGÂNCIA e falta de "setocômetro"...

O que causa um engarrafamento? Vários fatores. O que aumenta o desgaste num engarrafamento? A estupidez dos que acham que sua necessidade é maior do que a do outro. Desrespeito. Essa é a questão. Não, não o engarrafamento, foi só uma metáfora boba. O problema das relações humana é a mania de querer que seu carro passa a frente dos outros, porque se acha um motorista melhor: desrespeito... Detalhe, isso não vai mudar: sempre haverá quem se ache "O(A)" bom/boa, por chegar lá na frente, cortando e comentendo inúmeras imprudências e sem acidentes por conta da prudência do outro - viu, os superiores evitam as besteriras, sempre, por conta de sabedoria... - e ainda rir e dizer: "Cadê? Cadê a causa do engarrafamento? É mania de um ficar atrás do outro que para o trânsito..." - o fato dos imprudentes atrapalharem não conta, né?! Não, lógico que não, eles estão sempre com razão... E com a estupidez e cegueira, também... Sempre haverá aquele que fica estressado por ver a injustiça sendo feita e ter que se proteger, porque se protegendo ainda corre risco... Mas, respeita a ordem, porque sim, se todos respeitassem a organização, tudo fluiria melhor... E existem aqueles que optam por não se estressar, mantém a defesa erguida e focam em algo mais produtivo... estes são os superiores, sábio e sensatos. Eu? Sou a estressada que xinga e brada, mas, depois cai na real de que os imprudentes não vão "se tocar" só porque eu estou me defendendo... Esses tipos sempre existirão. Os superiores, continuarão superiores. Os inferiores/infratores, podem, quem sabe um dia, crescerem e evoluírem, mas, enquanto não se permitem ter consciência, têm a enorme capacidade de regredir e regredir sempre e cada vez mais... E os intermediários precisam escolher se evoluem ou "involuem"... É para isso meu desabafo, para que eu aprenda, apreenda e internalize que ninguém vai mudar por minha causa... que eu não posso mudar a maneira do outro pensar. Eu só posso mudar a mim e a meus pensamentos e atitudes. Preciso aprender com os sábios a ter mais resistência. Aliás, não é questão de resistência, isso, os cínicos e pirracentos têm... E essa característica que os capacitam a dissimulação e capacidade de inverterem o jogo a seu favor, se fazendo de vítma... Mas, engraçado é que a inteligência desses seres se limita a abrir a boca, bradar e cair fora, por não sustentarem o feed back. Apenas os sábios têm a capacidade de "matar" uma atitude cínica e pequena... não por intenção, mas, por "não reação", por "não recepção" do afronte, por estarem além da provocação, por não se envolverem... aí, os pirracentos cortam os próprios pulsos, numa atitude desesperada de não conseguirem o alimento para suas mentes doentes e vazias.


Não, não estou com raiva... estou com ódio! Pior, sei que isso faz mal a mim mesma... Ainda sou intermediária e, por assim ser, ainda tenho o pé no plano inferior das pessoas que sofrem por besteiras. Ops! São as besteiras que destroem o mundo. Coisas pequenas passam a ser coisas sérias, quando explodem em locais e ocasiões inadequados para os intermediários - porque explodem - e terreno fértil para os inferiores, porque detonam a bomba e saem debaixo com expressões de vitória e frases incendiárias do tipo: "deixa, deixa falar... ele (a) está certo... Ele(a) não diz que está certo?! Então, deixa lá. Deixa!" ou, quando não suportam e nem admitem que provocaram, repetem a frase celébre e infantil: "Eu não quero ouvir mais nada. Você não diz que está certo(a)?! Eu não estou ouvindo nada. Pode falar sozinho(a)..." .

Não, não é nada bom ser pavio curto. Não é fácil segurar a onda, mesmo se esforçando. E estar diante de pessoas dessa estirpe no momento em que você não precisa faz toda diferença para a gente ver que precisa se cuidar ainda mais. Loucos? São as duas partes: uma por provocar, demonstrando toda sua infelicidade e necessidade de tentar expor o outro e a outra parte por explodir, consciente de que o outro está provocando. Mas, peraí, não é fácil segurar a onda, principalmente, quando você tem o hálibi de ter advertido que não estava bem e, na sequência, de não estar fazendo nada além de ficar sem seu canto e seguindo seu caminho, sem cruzar com o de ninguém. Mas, para essas pessoas isso não é suficiente. Você apenas seguir seu caminho, por si só, é provocação, por não haver atrito... então, eles causam o atrito e você cai na armadilha. Diante da pressão, ainda se culpa por ter cedido à tentação e baixado o nível. Sinal de que algum complexo foi ativado.


Para subir de nível, se elevar um pouquinho, necessário se superar e descobrir o que há por trás da provocação que tanto te perturba. Esse agora é meu foco: descobrir por que derrapei na pista com óleo se tinha o ângulo privilegiado do bom senso e poderia ter me poupado? Parece que tudo dependia de mim... Mas, sim, dependia. Se eu tinha consciência do desnível entre as partes, poderia ter me mantido no meu e não ter descido e sucumbido à provocação, ou provocações... Não, não estou me punindo, mas, me alertando para mim mesma - ficou feia a redundância, hein?! Sim, terei a capacidade de superar, pelo mesmo bom senso que recusei escutar. Não, não posso mudar as outras cabeças, nem as outras que nem estavam lá e tomaram partido... Para isso, paciência... Paciência que não tenho, mas, paciência... terei que ter! Não vou dizer: "Eles se danem"... Infelizmente, esse mal estar me incomoda... Não gosto da sensação de pisar em ovos e ter cuidado com o campo minado, mas, os holofotes dos melindres e mentes limitadas criaram esse ambiente. Chato é que outras pessoas presenciaram as ceninhas ridículas e bestas. Outro complexo ativado, a preocupação com "o que os outros vão pensar"... Bullshit! Algumas pessoas em minha defesa; outras em defesa da outra parte; outros imparciais - certíssimos; outro aumentando o que já está ruim... esse é o perigo: mentes vazias e bocas cheias e nervosas para propagar a fofoca a falar mal das duas partes... Tem de tudo nessa feira chamada família! Sei o jeito de cada um e, por isso, sei o que deve estar rolando nos bastidores, porque quem não tem ocupação e nem se dá a oportunidade de construir algo útil, exercita a língua solta e a fofoquinha banalizada. Espero estar errada, mas, pouco provável...

Ao menos, minha ocupação é em superar, não alimentar todo erro com indiretas e joguinhos, muito menos com pensamento vingativos de aguardar o mundo dar voltas e esperar que a outra parte precise de ajuda...

Ai, hora de elaborar e me libertar desses pensamento amargos, ácidos e destrutivos. Consciência eu tenho de que não partiu de mim. Consciência eu tenho de que aceitei a provocação. Consciência eu tenho de que poderia ter evitado aquele furdunço dos infernos. Mas, já foi. Preciso deixar passar e andar para frente. Tocar o barco e ver no que vai dar... Que pena, não sou perfeita! Engana-se quem acha que ser adulto é ser maduro... maturidade é algo a ser construído através de bom caráter e bom senso... justiça - não interesse próprio, ou mania de se achar o(a) dono(a) da razão... -, equilíbrio - não cinismo -, sabedoria - não "esperteza" -, respeito - a todos, mas, respeita ao outro, apenas, quem se respeita como pessoa... Maturidade é algo que não evolue com a idade, mas, com aprendizado e pondo em prática esse aprendizado, através de coerência entre o que fala, o que pensa, o que sente e o que faz. Maturidade é algo que a maioria esmagadora dos seres humanos alegam ter sem, sequer, saberem a verdadeira definição de MATURIDADE. A maioria de nós, no máximo, envelhece, engrossa a voz, os cabelos ficam brancos, trabalhamos, dirigimos, colocamos filhos no mundo...e tudo isso sem a menor ocupação e compromisso com a responsabilidades em DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO! Perpetuamos a arrogância, a estupidez e pensamentos chinfrins. Passamos valores questionáveis com ar de superioridade e estabelecemos como padrão hábitos nada saudáveis e relações interpessoais baseadas em farsas, invenções, mentiras, enganos... nóias que criamos, desencadeamos e empurramos para frente. Eu penso que a gente pode ser melhor. Eu quero ser melhor. Hoje, o meu melhor é admitir que errei e ficar alerta. Não com receio do próximo ataque, isso é bobagem, besteira e pode destruir meu mundo... Ficar alerta para mim mesma e minhas limitações e dificuldades e para as intempéries naturais ou criadas... Afinal, somos resultado de tantos fatores... micros e macros ambientes... características pessoais, interferências externas e internas... tanta coisa para avaliar... Não apenas por essa catástrofe... A outra parte também tem lá suas interferências, características, dificuldades, desgostos, vontades, problemas, medos... e isso tudo é que os fez agirem como agiram, sem escutar os alertas claros, do mesmo jeito que meu misto de tudo em mim me fez agir como agi, em vez de não entrar no descarregar de energia acumulada e mal canalizada dos outros, mesmo que tenham direcionado em mim, através de provocações e falações pelas costas, como se fossem os donos da verdade e as vítmas das circunstâncias. Pobre de nós, oh, seres humanos!


Bullshit, shit! - kkkkkkkkkkkkkkkkk

Ah, moral da história: os seres evoluídos não perdem tempo com besteiras... investem cada segundo de sua vida para construir algo melhor, afinal, são as besteiras que destroem o mundo!!! Eh, um dia, chego lá e evoluo. Ao menos, sei que estou em busca...







Pat Lins

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