domingo, 17 de agosto de 2008

VIVER O FUTURO, COMEÇA HOJE!



Sempre tive um pensamento e o vivia: O hoje é o ontem de amanhã. E o ontem, foi o amanhã de antes de ontem. O amanhã, será hoje, já, já!!!



Isso me fazia viver cada dia. E ainda me faz.


A diferença é que, depois de uma DPP nada Mara, levei isso mais a sério.



Tenho umas recaídas, vez ou outra, ainda está tudo muito recente. Foi muita mudança e muito balanço. A gente não vive só o lado de dentro. Tive meus conflitos internos e externos. Brigar consigo mesma o tempo todo, dá um medo de enlouquecer e não ter mais noção do que é real ou imaginário. Mas, a verdade mesmo, é que a gente passa a ver tudo muito real mesmo! A gente vê tudo sem máscaras.


Todos os dias para mim, como já falei, e não canso de repetir, é o primeiro do resto de minha vida. Todo dia, para mim, merece ser vivido como único! Quero romper rotinas (nunca fui dada e feliz dentro de uma rotina "marasmo"), criar novidades, ainda que seja tomar um banho no banheiro social - risos. Ou, dormir de cabeça para baixo (não é plantando bananeira, não!!! risos). Ou, entrar no banho com meu pequenino e, controlar para não gastar água, em prol do nosso Planeta, mas, brincar como e com criança. Ele leva um "monte" de brinquedos para lá e mal cabe a gente - risos. Mas é legal. A energia recarrega.



Meu filhote está crescendo e com ele, cresce a esperança. Apesar de ainda me questionar e, algumas vezes, abater por muita besteirinha (mas, venho me trabalhando e administrando esse stress desnecessário. Na real, nenhum stress é necessário. Com calma e vontade, tudo se resolve. A questão e se vai resolver como você quer, ou como deve ser!!!) , ver um futuro, aqui, crescendo em minha frente, me faz querer ver o amanhã, o depois, o depois...o sempre! Me faz acreditar ainda mais, que o hoje é que importa. É brincar com ele e sorrir o seu sorriso. Sentir o seu abraço.



É lindo aprender com ele a dar valor ao simples. Viver a vida sorrindo a toa, apenas, por estar com pessoas que ama e se sentindo protegido! Cada palavra que fala, cada gesto que imita, nossa, não tem preço!



Ele pega detalhes, que nem percebo. Um exemplo que achei muito legal, e que não me dava conta do quanto ele observa o que fazemos, foi que eu tenho uma mania de, assim que termino de beber água, jogo as últimas gotinhas na pia e deixo o copo. Uma mania mesmo. Não tem um porquê e nem sei quando comecei isso. Ele, quando terminava de beber água, pegava o copo, jogava na pia e dizia: "a pia - hahahaha". Achava graça, mas, não sabia que me imitava. Nem me dava conta, até que, esses dias, bebi a água e deixei o copo, sem jogar a água... Ele veio rapidinho, rio e disse: "mamaninin, a pia - hahaha". Então fui perceber que "a pia" é: joga a água na pia. Ri até doer a barriga, por um gesto tão simples e verdadeiro. Para ele, fazer aquele "ritual" era engraçado. Ele repara em tudo o que faço, muiiiiittttooo mais do que imagino. Isso é riqueza! Poder ver e perceber seu crescimento e aprendizado é lindo!



Hoje foi muito cômico. Fomos almoçar fora. Ao terminar, o garçom veio limpar a mesa (que o pequeno príncipe fez a festa da sujeira...risos) e ele, prontamente pediu: "paito". O gentil garçom, sorriu e deu. Ele disse: um. E recebeu. Daí, falou: "doi". O garçom, rindo, deu outro. "Tês", o garçom, para agradar, deu. Ele disparou: "tati; cinc; seti" - risos. Então dissemos que ele já tinha o suficiente. Mas só o fato de ver que ele já tem uma bela noção dos números, e de quantidade foi demais para minha cabeça. E foi quando me enchi de uma alegria pura e forte, de ver que meu filho é lindo, esperto e encantador. Uma figurinha, mesmo! E vi, que a vida é isso, se divertir, nem que seja contando palitos - risos!



Nossos valores é que determinam nossas alegrias. Vamos optar por valores mais reais, menos exigente em demasia, menos materialista, mas rico em verdade!



As dificuldades existem. Estamos em fase de contenção geral. Mas, estamos juntos, unidos e administrando nossas dificuldades, afinal, no final, tudo sempre dá certo!!!




Então, para quê deixar para amanhã o que devemos começar hoje e a cada dia? Sejamos felizes desde hoje. Nosso futuro é construído dia-após-dia!!! Estou aprendendo essa lição, a cada dia. Busco a paz de fato. E para isso, preciso viver o que creio: coerência entre viver, pensar, sentir e agir!








VIVER O FUTURO, COMEÇA HOJE!
Patricia Lins

sábado, 16 de agosto de 2008

A DOR DÓI, MAS, DEPOIS PASSA


Estou esses dias sem escrever, porque a DOR ESTÁ DOENDO.

Estou em meio a umas quase recaídas. Mas, estou na luta.

Já levantei uma vez, levanto outra antes de cair!






"O milho de pipoca é pequeno, duro, indigerível e aparentemente sem nenhum valor. Mas coloque-o numa panela sobre o fogo e ele se transformará diante de seus olhos. Às vezes as pressões e problemas da vida fazem o mesmo por você."



Pois é, vou virar pipoca, com muito prazer!!! risos


Os problemas não podem ser maiores que a gente. Somos nossa essência. Os problemas, devem ser apenas problemas!


A DOR DÓI, MAS, DEPOIS PASSA. AFINAL, A DOR SÓ DÓI ENQUANTO ESTÁ DOENDO!!!

domingo, 10 de agosto de 2008

MEU PAI, MINHA MAIOR FONTE DE INSPIRAÇÃO

Foi através dos seus olhos, que comecei a enxergar o mundo.


Foi, através de suas palavras, que comecei falar.


Foi com aquele seu braço forte, que comecei a andar. Ouvi aquele seu assobio: "fufio" e corri, aos 9 meses de idade, para te abraçar.


Ali, foram só as primeiras passadas, onde comecei a andar. Logo depois veio a longa caminhada e você, tudo fez, para eu bem trilhar.


Seu esforço em minha vida, fez meu mundo aparecer.


Pai, te sou muito grata, mas, sem nem sempre te dizer!


Seus abraços me deram força, para uma vida percorrer. Hoje ando, corro e falo. Canto e danço por você.


Nunca senti você distante, sempre perto e pronto para acolher.


Pai, você é realmente brilhante, amo muito, muito mesmo você!


Com você aprendi que ser pai é acima de tudo, estar acima de si mesmo! É passar por cima das noites mal dormidas, do cansaço físico e mental para nos proporcionar, seus filhos, todo apoio fraterno-paternal. É dar seu tempo para a gente, mesmo sem tempo para dar...


Ser pai é ser tempo presente, passado e futuro, estar em todo tempo que iremos estar.


Ser pai é, ainda que com o braço engessado, conseguir nos carregar!


Ser pai é manter os olhos abertos ainda que o sono o tente a fechar, só para nos ver pegar no sono e ver nosso sorriso antes do nossos olhos fecharem.


Ser pai é semear, e colher grandes frutos, independente do futuro que seu filho vá a trilhar! Só espera que dê certo e seja correto.


É ser sempre nosso super-herói, mesmo sem saber voar.


Se pudesse, te enchia de flores, todos os dias, do jardim, para enfeitar seu mundo com cores, dos amores que temos por você,sem fim!


Amo amar meu pai. Isso dá uma força enorme, é para mim.


Sempre fui sua fã incondicional e você, sempre apostou em mim. Nunca me cobrou que fosse rica, sempre se preocupou que eu fosse feliz. De preferência, com um bom trabalho, que reconhecesse meu potencial.


Pai, tudo que sou, te sou grata. Como ainda não estou no final, estou no início, afinal, sempre é tempo de um novo começo. Isso eu hoje faço, para retribuir, a minha vida, àquele que sempre me incentivou. Me apoiou em seus ombros, em seu colo, em sua vida.


Pai, te amo!


Se já superei aquela doença, você em muito contribuiu. Você sabe, pai amado, o quanto seu coração partiu, ao me ver naquele estado, triste de se ver. Me deu seu apoio, do seu jeito, mas eu soube um dia perceber!


Obrigada, pai, te amo! Ainda tenho muito que lutar, mas sei que tenho uma equipe de apoio, sempre pronta a me ajudar!


Para frente agora tudo anda, como tem que andar. A vida é muito bacana, a gente é que sempre tenta complicar.


Sinta agora um beijo bem forte! Sou eu a te dar. Um abraço bem apertado. É meu amor a te apertar!


Que Deus, pai, sempre te ilumine! Tem muita gente para você ajudar!


Pai, meu querido, você é minha maior fonte de inspiração!!!

CUIDADO COM OS "DOIDOS" PODEROSOS


Cuidado com os "doidos" poderosos! Eles são "doidos" DEMAIS!!!

O problema não é ser doido, é ser doido DEMAIS!

De perto, todo mundo é louco, eu sei. Mas, tem gente que leva essa "loucura" a sério DEMAIS!!!

Nossa, me sinto sufocada. Tem loucos ao meu redor, que despertam a minha loucura DEMAIS!

E haja carência, e suas cobranças enlouquecidas. E haja frustrações pessoais. E haja mundo alienado. E isso, loucura DEMAIS!!!

As pessoas vivem suas mentiras, fingindo ser verdade; se acomodando e vivendo, esperando que passe a ser verdade. E assim, novos mundos são cridos. Mundos loucos, alienados. As pessoas vão passando, toda sua angústia e frustração. Até aí, tudo é "normal", o problemas, é quando vivem isso a fundo DEMAIS. Daí, o mundo vira fantasia, realidade individual. O resto tudo é fantasia, da fantasia real.

Se fecham nesse mundo. E se misturam com os demais. Pouco a pouco vão proliferando, e sufocando, os que os ama, com sua loucuras DEMAIS.

Sinto falta das verdades. Aquelas incondicionais. Sei que todo mundo é meio louco. Minha realidade tem sido louca DEMAIS.

São pessoas tristes, que fingem ser feliz DEMAIS. Vivem uma loucura de dor sem tamanho, e quem está ao redor, também, tem que sofrer. Cavam nosso calvário, e eu não sei o que fazer.

Despertam as minhas maiores loucuras, e ainda se fazem de vítima. Pior que realmente são: vítima de uma vida de mentiras e frustrações. Quanta carência excessiva. Quanta "falação".

Que de perto todo mundo é "doido", esses daí, desde longe já são!
Doido de hospício é que é certo, vivem uma realidade coerente. São loucos de fato, de corpo e mente.

Gente, por que tanta "doideira" sem razão?

Me sinto sufocada, minha cabeça a explodir! Um dia surto de vez. Mas, que diferença faz? Serei mais "doida" a sumir!

E assim vai sendo: mundo doido sem razão. Mundo doido, criado, por um mundo de ilusão.

Preciso cuidar de minha cabeça, e cuidar do meu coração. Essa loucura desmedida, desafiando minha razão.

Eu não sou mais inteligente. Sou apenas gente. Gente doida, gente traumatizada, quanta coisa desorganizada. Êta vida sem verdade. Êta vida minimizada. Êta roda sem direção...

Pai e mãe passam para os filhos, toda carga de suas mentes desestruturadas; toda dor de suas angústias não trabalhadas; todo peso de sua vida exorcizada; toda culpa sem perdão. E eu, em meio a essa turbulência. Vou vivendo. Entendendo. Por amor, a gente cuida. Mas, como cuidar do que não é nosso, e de quem não quer se ajudar. O "negócio" vem de longe... por onde começar? Começa cuidando do passado, ou do presente? O que desse futuro esperar? Tá na cara, minha gente: a solução é amar!

Amar com toda a verdade. Dessa que dói no coração. Mas, atinge, com toda força, nossa tão protegida razão.

Quem se ama, se trabalha, se conhece, mesmo sem gostar. Mas, decide, bem lá dentro: já é hora de mudar?

Toda loucura estimula, a viver um mundinho todo seu. Mas, esses "doidos" de mi vida, querem viver também o meu!!! Eles querem invadir, com toda força, e viverem o que não "viveu" (assim, mesmo, desconjugado. Para quê concordar com o verbo. Esse verbo também é meu...).

Eles querem, minha gente, fingir que não são eles. Que a "doida" aqui, sou eu.

Eles são poderosos. Voz de "louca" aqui, só eu. São todos perfeitos, totalmente insanos e sem razão. Me consomem, atingem meu peito, mas, meu filho, não vão atingir não. Minha cabeça deu uma volta. Deu outra e não parou. Tudo por causa dessas "cabeças ôcas", que não sabem o que estão fazendo não. São tão loucos, tão coitados, que já nem sabem o que "faz". Pouco a pouco ganham espaço, todos os aceitam com muita "paz". Ninguém sabe, minha gente, o poder que esses daí têm. Eles são loucos de verdade. Socorro, minha mente, só você para me salvar é capaz!!!

Toda família é louca. Toda existência também. Mas, essa galera, me desculpe, exagera na dose. Mas, a louca, aqui, sou eu. Fazer o quê, meu rapaz?

Esses loucos são bem escutados. Já se acostumaram com suas "loucuras" serenas. Minha loucura pela verdade, é que incomoda, porque lhes tira a paz!

Tanto louco. Tantos envolvidos. Tantas vítimas do acaso. Será que é tão difícil pedir socorro? E aí, mais gente enlouquece, com suas loucuras "astrais". São loucos de todos os tipos, tamanhos e contas bancárias. Mas, quem tem mais que cai na conta, acaba sendo elogiado. e sua loucura, aceitada, afinal, "ele chegou lá". Juntou dinheiro, tem patrimônio, por sua loucura pode "pagar". Pobre do pobre, que não tem voz, porque o dinheiro conta mais.

Pobre é do rico enlouquecido, Sua fortuna, nunca te trará paz! Seu caminho já foi andado, e trilhado sem razão, em mentiras, em decepções, quanta dor e frustração. Tudo isso por orgulho. De que, eu não sei. Mas, essa gente tem orgulho de dizer que vive bem. Tanta gente enlouquecida, por um tempo que não volta mais! Tanta loucura bem criada. De tão profunda, enraizada. De tanto tempo, ganha espaço, ganha terreno, se edifica, destruindo as construções. Que edifica, que nada. Só destrói, sem pereceber. Ama pouco, quase nada, porque nem se ama, pobre coitado. Coração encouraçado, aliado a quem vivia alienado, em seu mundo enraizado. Em falas mansas, vozes ferozes. Em jeitos calmos, grandes "algozes". Na aprência, tudo perfeito. Em seu essência, mundo louco. Tenha medo!

E assim outro mundo se faz! Tantos loucos foram criados. Eles tomam o mundo. Quando saem de sua louca esfera, se instalam na mais próxima. Tentam instalar suas loucuras. Coitado de quem diz não. Ainda sai como culpado, algoz, pessoa sem razão. Certos são eles, loucos de pai e mãe. Pior que estes, também são, loucos de loucuras de suas vidas, que outros loucos os criaram. E assim foram feitos: loucos em série. Na mentira, na loucura, para sempre sustentados. Ai, como dói ver refletida, ainda que de longe, a verdade!

Vivem enjaulados em seu mundo de "guerra e paz". Muita guerra, sem sossego. Imagine essas cabeças. Coitados desses corações. Tanta gente envolvida, em loucuras sem razão. Você acha redundante? Toda loucura é sem razão? Você não conhece a fundo esse povo. Que o diga o meu coração. Todo amor, seria louco, mas, esse é louco DEMAIS. Todo mundo é meio louco, mas esses, passaram do ponto...eles querem o mundo, e muito mais! Eles já conseguiram alguma coisa: tiraram meu sossego e paz! Agora, tô na luta. Pelo amor que me traz.

Tomemos cuidados. Sejamos melhores, para nós e para quem nos ama. Sejamos gente, loucos, com ou sem grana. Mas, vivamos a verdade. Sejamos honestos. Tenhamos gana, em não só criticar, mas, reconhecendo que muita loucura, poderia ter sido evitada, se houvesse amor. Se houvesse verdade, franqueza, sinceridade. Se houvesse vontade de mudar!!! Não há culpa, nem culpado. Mas, vítimas foram criadas. E como foram, bem criados, em seus mundinhos sem razão. Têm poder, voz ativa. e "loucos" não são eles não. Eles são "puros". Puros e sem amor. São é pessoas doidas. Doidos de dar dó. tenho pena de todos eles. Mas, agora já entrei.

Me conforto na esperança, de que não tenho participação, nessa loucura sem tamanho. Mas, entrei de coração. Agora, sou mais"doida", mas eles, sempre serão DOIDOS DEMAIS!!!
Eu sou "doida". Quem não é? Mas há quem me deixe mais "doida", dizendo que não é. A "doida" sou eu, porque admito ser. Cuidado com esses "doidos". Cuidado com esses "doidos", eles não sabem o que são, mas têm muito poder nas mãos!!!
Patricia Lins

HOMENAGEM AOS PAIS



sábado, 9 de agosto de 2008

"CUIDADO COM OS BURROS MOTIVADOS" - Roberto Shinyashiki



Entrevista de Roberto Shinyashiki , à ISTO É, dia 19 de outubro de 2005.

Achei as respostas dele, muito parecidas com minha maneira de pensar. Enxerguei alguns textos/pensamentos meus em muitas de suas passagens, inclusive algumas palavras e expressões muito parecidas. Isso me deu um orgulho danado, porque recebi esta mensagem hoje!!! Ou seja, alguém pensa como eu... e logo,o Roberto!!!


Em Heróis de verdade, o escritor combate a supervalorização da aparência e diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.



Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki está cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não compartilha da síndrome de super-heróis. “Nunca conheci quem tivesse levado porrada na vida (...) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe”, dizem os versos que o inspiraram a escrever Heróis de verdade (Editora Gente, 168 págs., R$ 25). Farto de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma mudança de atitude. “O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras.”



ISTOÉ – Quem são os heróis de verdade?


Roberto Shinyashiki – Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoade sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado,viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Issoé uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários quenão chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidãode fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de quenão valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida,e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.



ISTOÉ – O sr. citaria exemplos?


Shinyashiki – Dona Zilda Arns, que não vai a determinados programas de tevê nem aparece de Cartier, mas está salvando milhões de pessoas. Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito “100% Jardim Irene”. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.



ISTOÉ – Qual o resultado disso?


Shinyashiki – Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.


ISTOÉ – Por quê?


Shinyashiki – O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.



ISTOÉ – Há um script estabelecido?


Shinyashiki – Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidentede multinacional no programa O aprendiz? “Qual é seu defeito?” Todosrespondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: “Eu mergulho decabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar.” É exatamente o que o chefequer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizadoou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesmaforma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder.O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse: “Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir.” Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?


ISTOÉ – Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?


Shinyashiki – Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.


ISTOÉ – Está sobrando auto-estima?

Shinyashiki – Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parece que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.


ISTOÉ – Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?

Shinyashiki – Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: “Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham.” Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.


ISTOÉ – O conceito muda quando a expectativa não se comprova?

Shinyashiki – Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.


ISTOÉ – É comum colocar a culpa nos outros?

Shinyashiki – Sim. Há uma tendência a reclamar, dar desculpas e acusar alguém. Eu vejo as pessoas escondendo suas humanidades. Todas as empresas definem uma meta de crescimento no começo do ano. O presidente estabelece que a metaé crescer 15%, mas, se perguntar a ele em que está baseada essa expectativa, ele não vai saber responder. Ele estabelece um valor aleatoriamente, os diretores fingem que é factível e os vendedores já partem do princípio de que a meta não será cumprida e passam a buscar explicações para, no final do ano, justificar. A maioria das metas estabelecidas no Brasil não leva em conta a evolução do setor. É uma chutação total.


ISTOÉ – Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?

Shinyashiki – Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me perguntou: “Quem decidiu publicar esse livro?” Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

ISTOÉ – Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?

Shinyashiki – O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas. A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

"O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta.É contratado o sujeito com mais marketing pessoal"


ISTOÉ – Muitas pessoas têm buscadosonhos que não são seus?

Shinyashiki – A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: “Você tem de estar feliz todos os dias.” A terceira é: “Você tem que comprar tudo o que puder.” O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: “Você tem de fazer as coisas do jeito certo.” Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você precisa ser feliz tomando sorvete, levando os filhos para brincar.

ISTOÉ – O sr. visita mestres na Índia com freqüência. Há algumaparábola que o sr. aprendeu com eles que o ajude a agir?

Shinyashiki – Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em umhospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes.Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero ser feliz.” Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na horada morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis. Uma história que aprendi na Índia me ensinou muito. O sujeito fugia de um urso e caiu em um barranco. Conseguiu se pendurar em algumas raízes. O urso tentava pegá-lo. Embaixo, onças pulavam para agarrar seu pé. No maior sufoco, o sujeito olha parao lado e vê um arbusto com um morango. Ele pega o morango, admira sua belezae o saboreia. Cada vez mais nós temos ursos e onças à nossa volta. Mas é preciso comer os morangos.


Pois é! Quem leu, viu e conseguiu identificar expressões que utilizei. Gente, será que conseguirei chegar lá, também?

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

SEJAMOS CRIANÇAS, ADULTOS CONTENTES!!!

Alguém já se deu conta de que a infância é nossa fase de referência? É nela que descobrimos o mundo, aprendemos a andar, a falar, a sentir...

E alguém já se deu conta de que vivemos fugindo dela? Como se quanto mais distante daquela fase, mais "maduros",mais "adultos" seremos... muitos, querem é fugir da má fase que viveram, por terem sido mal tratados; por não terem tido a liberdade de ser criança; por ter tido que ser adulto antes do tempo; por ter sido obrigado pelos pais a ser adulto "intelectualizado" desde a infância, para obter destaque entre as outras crianças e "garantir" um futuro...

Freud tem/tinha (ele é tão contemporâneo, que nunca sei como conjugar o verbo no tempo certo...) toda razão quando diz que muitos de nossos problemas vêm de nossa infância. Claro, que a responsabilidade de nossas vidas é nossa, então, não adianta viver a vida toda brigando com aquele passado triste.

Eu tive uma infância maravilhosa,mas, as pessoas me "super valorizavam" muito. Não por maldade, mas por admiração, pela criança brilhante que eu era: bonita; inteligente (vulgo: CDF - risos); bem articulada; sabia dançar; sabia declamar poemas; resolver problemas de matemática (mas, isso só na infância, reneguei os cálculos durante o final do ginásio e segundo grau e apenas estudava para passar...risos); sabia subir num palco e apresentar um evento; sabia escrever belos textos;era amiga dos professores; era amiga dos alunos de quase todas as séries; era popular; era simples...; enfim, eu era uma criança sempre alegre, sorridente, feliz e inteligente. Falo sem receio de parecer "imodesta", mas é porque eu era assim mesmo. Eu achava aquilo normal. Não me sentia destaque, apenas era. Sabe, para mim, era assim e pronto. Não era um personagem, era eu. Eu era assim.

Valorizava uma amizade mais do que tudo, tanto que no "Jardim II" (nem sei como é hoje. Acho q hoje a exigência é tão grande para com as crianças, que elas, daqui a algum tempo, terão que fazer vestibular para entrar no maternalzinho...) fui adiantada para a Alfabetização,por já saber ler e escrever... não me senti à vontade, me senti pressionada. Me lembro, como hoje, que não me adaptei. Já conhecia a professora e alguns colegas, do dia-a-dia,mas, nem isso me satisfez. Lembro que meus pais tiveram o cuidado de me consultar se eu queria ir mesmo e que me apoiariam se quisesse voltar. Já tinha o apoio deles desde sempre! Isso sempre me fora fantástico! Mas, achava que era assim com todos os meus coleguinhas. Senti falta de minha turma. Senti falta de ser Jardim II. Não queria ser adiantada, queria ser normal. Claro que não racionalizei dessa maneira, só pedi para voltar para minha turma. Queria, na verdade, era viver um ritmo certo, sem pressa.

Adorava teatro. Toda apresentação de escola, fazia uma peça. Tinha um grupinho de teatro no prédio em que morava. Eu,meus irmãos e vizinhos éramos atores, diretores, produtores e divulgadores. Era muito legal.

Tomava banho de chuva; andava de bicicleta;ia para festas; namorei quando achei que devia; tinha hora para "descer" (como nos referíamos ao ato de sair de casa e encontrar os amigos na rua) e "subir" (voltar para casa...risos). Era uma "liberdade vigiada", como falava minha mãe. Podíamos fazer muito, mas, dentro de um limite. Era importante saber que éramos crianças, nossos pais era responsáveis por cada um de nós. Era tudo muito legal. Claro que deixei de viver coisas que queria ter vivido, com aquela frase (que toda criança o-de-i-a): "você ainda é criança para entender. Quando for adulto, vai me dar razão..." - risos. Tinham coisas que realmente era por insegurança, outras, por zelo, outras por senso de responsabilidade mesmo, enfim, vivi muita coisa boa. Veraneava à beira mar; férias de junho, viagem para o interior... já fui Rainha do Milho por duas vezes consecutivas; era uma criança normal. Meus pais não nos sufocavam com obrigações, nem nos deixavam soltos... havia um equilíbrio muito natural. Era tudo muito bom!

Achava que tudo era normal e lindo para todos. Até que uma colega, em plena 4ª série primária, veio me perguntar porque eu era tão feliz? Os pais delas estavam se separando, porque a mãe descobriu que o pai tinha outra... veio com tanta raiva para cima de mim, que vi que, dentre os meus colegas,poucos tinham pais casados... mas,isso não era estranho para mim, achava que eles eram felizes assim, né?! Meus pais não se separaram,porque vivem bem. Quem convive com eles vê que se amam. Não é coisa rara,mas, também não é coisa tão comum... só, não entendo até hoje,porque isso incomodou minha colega? Eu não me gabava por meus pais estarem juntos. Eu era/sou feliz por serem pessoas de verdade; que vivem uma relação que não é perfeita,mas que é linda! Não existe perfeição. Meus pais se amam e vivem bem e pronto. Por que isso teve que doer em alguém há pouco mais de 20 anos atrás? As pessoas se doem com a alegria dos outros porque têm tempo para isso. Em vez de construir sua própria alegria, perde tempo invejando aquilo que queria estar vivendo...

Algo meio ligado a SUPER EXPECTATIVA, SUPER HERÓIS, SUPER FRUSTRAÇÕES... Não acho ofensa meus pais viverem bem. Acho ofensa, ver tanta gente que não vive, fingindo viver para dar satisfação a uma sociedade tão hipócrita. Alguém já parou para se questionar quem vem a ser a tão mencionada: SOCIEDADE????? Acho que se um casal descobre, após constatar de verdade, que não dá certo (não é se desesperar na primeira dificuldade e partir para o divórcio. É ver que realmente há uma incompatibilidade que vem entristecendo em vez de alegrar; que vem destruindo cada um, em vez de edificar...) é melhor pedir a tal "separação" oficial,porque, separação de fato, já existe! Para quê viver sofrendo? Claro que existem casos e casos; cada um sabe o que é melhor para si!

Então, não vim ao mundo para ofender, nem ser ofendido. Respondi a minha colega, de maneira singela (naquela época, era sincera sem dar "patadas" - risos), que isso era entre meus pais, eu não tinha nada a ver com a relação deles. Que meu pai era sempre tão presente em casa,só saia com minha mãe...resumo, que ele não dava margem para desconfiança. Quando falei que a gente não tinha nem do que desconfiar, foi que ela alterou: "é assim mesmo! Depois,quando descobre...". Rapaz, me lembro como hoje, daquele dia. Encurralada num vértice da sala,onde não havia para onde correr. Na hora do intervalo, sem ninguém por perto. Foi coisa de gente doida e doída mesmo. Falei, meio que com raiva: "não tenho o que desconfiar de meu pai. Se algum dia isso acontecer, e que Deus me livre, minha mãe vê o que faz!". Empurrei ela e saí. Mas, fiquei com aquilo martelando em minha cabeça e comecei a observar meu pai. Em silêncio...Veja, como as situações podem ser criadas? Já viu? Ela quis (e por um instante conseguiu) enfiar "minhoca em minha cabeça". A convivência com meus pais sempre foi tão aberta, e tão verdadeira, que decidi não falar,para não criar algo que não existia. Não tinha o que observar em meu pai. Ele estava sempre conosco. Sempre saía com minha mãe. Sorriam sempre. Discutiam muito pouco, e poucas vezes discutiam. Era mais coisa de estar se arrumando para sair, minha mãe estar pronta e meu pai, sempre atrasado... Eles sempre souberam conversar. Achava o máximo isso. A gente (e e meus irmãos) aprendeu, desde cedo, a sempre falar a verdade. A gente apanhava, ficava de castigo, mas,não mentia. Somos assim até hoje. Isso nos fez crescer assim, pessoas honestas e francas. Temos muitos e muitos defeitos,lógico. Mas, qualidades enormes! Somos todos do time do bem! Falo com orgulho, porque, para mim, isso é natural e norma. Para mim, todo mundo é assim, basta se permitir.

Mas, esse jeito "super valorizado" que cresci, de certa forma, me tirou um pouco o foco da realidade. Não percebia que despertava muita inveja e ciúme. Comecei a perceber, aos poucos. E comecei a me sentir uma pessoa que não era desse mundo. Todo mundo fingia, todo mundo queria ser algo que não era e vivia à sombra do que nunca foram... Muitos, passavam a acreditar que eram o que queriam ter sido e viviam daquele jeito: personagem de si próprios...

Criei um personagem também: uma pessoa sem grandes problemas (havia limitação financeira. Meus pais nunca foram ricos,nem tiveram vida fácil. Mas, tivemos tudo o que eles puderam nos dar. Não cresci com roupas de marca, mas, cresci vestida. Sempre tinha uma peça da moda...eles fizeram e fazem muito pela gente. Crescemos em meio a uma troca. Meus pais davam o que podiam e éramos felizes! Tive muito: escola particular, faculdade, especialização, curso de inglês - que não concluí porque achava que aprendia rápido e poderia aprender sozinha...); sempre de bem com a vida; sincera; de confiança; disposta; dinâmica; "pau para toda obra"; amiga... gente, esse meu personagem sou EU!!! risos. Mas, também desenvolvi um orgulho velado (de viver num ambiente favorável a mim, passei a acreditar que sempre seria assim: bem tratada, bem recebida, bem vista) e isso me impedia de me permitir errar... desenvolvi uma auto-cobrança de sempre estar certa. Sabe meu personagem? Era eu mesma,mas bem exagerado... eu não sou perfeita, mas, queria achar que era!

Quando me sentia triste, não expressava logo. Quando me deparava com algo que não sabia resolver, me cobrava uma solução. Precisava acertar! Precisava fazer com que ninguém se decepcionasse comigo.

Não tinha riqueza como meta de vida. Queria sucesso profissional e estabilidade financeira, fruto do meu esforço. Minha ambição era ter o suficiente sempre para poder viver com conforto; ter um plano de saúde descente e que me ajudasse na velhice; ter um carro, um apartamento; condições de manter os dois; ter condições de socorrer um amigo ou parente,num momento de necessidade; ter tempo para viver a vida com meus amigos e família;ter condições de um dia ter um filho e propiciá-lo esse mesmo conforto... Para mim,uma tarde no Shopping,comendo pizza de R$ 10,00 com minha mãe (quando a grana tá curta) não tem preço. Poder ter os domingos em família, "queimando uma carne", também não tem preço. Só quem tem a oportunidade de viver coisas tão simples e ricas, sabem o valor que essas reuniões têm. Um telefonema para um amigo; uma mensagem de e-mail, só para dizer: OI!, também é maravilhoso! Por que tanta gente deixa isso morrer? O TEMPO? A VIDA? Por que tanta gente não sabe nem o que é isso?

Pois é, a vida não tem preço.

Nossos personagens é que "precificam" tudo e todos os momentos.

Quando tive a DPP, vi que esses momentos foram minha base. Vi que meu personagem pedia socorro. Não tive traumas de infância. Fui criança, quando deveria ser; adolescente, quando deveria ser; adulta, na hora certa. Quem disse que o adulto é que tem as respostas certas? A criança que tem! Foi na minha infância que descobri que tinha força. Foi reaprendendo a andar que cresci! Foi/é tratando meu personagem perfeito e exigente que me (re)descobri. É sabendo que a criança que fomos, ainda somos, ainda É! A infância que vivemos,boa ou não, é que nos impulsiona ou aprisiona. É lá que encontramos todas as respostas. É sendo franco e aberto ao mundo, sem medo, sem rodeios, como uma criança que seremos adultos seguros, vivos e viventes!

Todo castelo de areia deveria ser real. Real, não só na realeza,mas na beleza de poder existir para todos!!!

Toda criança, merece ser um adulto decente; todo adulto, merece ter tido uma infância decente; todo ser humano,merece uma vida decente!!!

Pode deixar a criança desenhar um traço torto, amanhã,ela pode acertar!!!

Por que é tão difícil viver o presente? Por que cobrar tanto as crianças por um futuro que elas viverão de qualquer maneira? Por que sufocar essas crianças,para ter um "bom" futuro financeiro e fadá-las a viver como adultos que queriam voltar a ser criança,para começar tudo de novo? Por que a gente esquece que ser Pessoa, vem antes de tudo, até de ser Profissional? Por que tanta frustração? Tanta maldade desmedida? Tanta revolta? Tanto fingimento? Por que tanta dor?

Na roda viva da vida, viver um hoje feliz,pode ser um belo dia de saudade amanhã, ou um amanhã com mais força!!!

Salvem (literalmente) as crianças! Sejamos adultos, crianças contentes! Sejamos, enfim, GENTE!!!

Patricia Lins

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