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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

AMARELA DA SECA NA FLICA 2015

Foto: Camila Souza/GOVBA Camila Souza/GOVBA Camila Souza/GOVBA
Quando eu era pequena, sonhava em escrever e escrevia em qualquer pedaço de papel. 

Os papéis iam... as histórias, também. A mim, não preocupava onde estavam, ou a posse... As palavras saiam de mim, vivas aqui dentro, e nasciam, para viverem aqui fora. 

Sempre vi as palavras como "vivas" e como "vida". É vital, para mim, comunicar. E comunicar, para mim, é troca, via de mão dupla - ouvir, entender, falar, ser entendido e continuar girando esse ciclo.


Quando senti que poderia resgatar o sonho de infância e voltar a escrever, comecei a escrever em caderninhos. Depois, numa parta no computador. Depois, nos blogs. Depois, nas redes sociais. E escrevia. Escrevo.

E minha mãe dizia: "Guarda tudo para lançar seus livros ". Mãe,  nasceu o primeiro!

Pequena, dizia que seria, quando grande, professora e escritora. Me graduei em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda e fui enveredando por essa área. Fiz especializações dentro da área de Comunicação - Teleradiodifusão e Relações Públicas com Metodologia do Ensino Superior. Um dia, uma amiga me convida para dar aula, numa faculdade no interior. No dia, me lembro como hoje, me questionei: "eu, em sala de aula? Nem tenho jeito para ensinar...". Peguei, de cara, quatro turmas... de sexto e sétimo semestres. Tremia. Sabia o assunto na teoria e na prática..., mesmo assim, como ordenar isso tudo? Como saber a hora de dizer o que, quando, como, onde e por quê? Foi um desafio que começou em 2005 e vibro, até hoje, por ter encarado! 

Eu era o tipo "tia legal". Toda criança gostava de brincar comigo e me ouvir contar historinhas. Uma prima me pedia para inventar. Ela não queria que eu repetisse o que já conhecia. E criei várias para ela - uma está saindo do forno, em homenagem ao nome da personagem que ela me deu há uns 20 anos... é... o tempo contado em números parece tão distante... para mim, foi agorinha. Interessante que meu filho, desde muito novinho, me pedia: "conta história de boca, mamãe", que vem a ser o que, hoje, ele chama de "histórias inventadas"... Afinal, todas as histórias nascem da invenção de alguém, né?! Mas, ele queria ouvir as da mamãe dele. Qual criança não pede isso?!

Criava peças, na infância e apresentava na frente de casa, com meus irmãos e vizinhos - éramos todos uma família só. Muito, muito divertido, mesmo!

Já adulta, continuava a escrever em papéis. Me dizia: "preciso direcionar minha atenção para o trabalho" ou para estudo, ou para preparar as aulas - que não via como trabalho e sim como prazer. Até que meu filho nasceu e minha vida mudou. Mudou mesmo! TUDO. Coisas muito ruins aconteceram e coisas muito boas, também! Era tudo "over". Até que, ele, que com dois anos soletrava, com 5 bloqueou e não queria ler, nem escrever nada. Entrei em pânico. Foi isso, mesmo: pânico! Fui em busca de orientação profissional e eram questões emocionais - inclusive, com a escola na época que era maravilhosa, mas, todo mundo erra, né verdade? Enfim, comecei a escrever... aqui no blog. Na verdade, comecei a escrever aqui, um pouco antes, mas o segundo nasceu desse dilema. E abri o "Mães na Prática". Chamei de escritoterapia. Falava sobre as questões, sem abrir minha vida. Meu objetivo era me ler, racionalizar.

Aí, um dia, uma grande amiga e escritora, Morgana Gazel, me disse: "você tem muito jeito de escritora". Interessante é que, muitas pessoas me diziam isso, mas eu só dizia: eu gosto de escrever, para mim é um prazer! Só que, nesse dia, mesmo ela já tendo me dito a mesma coisa milhões de vezes..., eu escutei e deixei entrar.

Um dia, outro amigo me enviou o link da Secretaria de Educação do Estado, só que o prazo estava encerrando em uma semana. Corri! Um sufoco! Meu amigão Isac Kosminsky e Juliana Santos - preciso citar esses nomes, em especial - viraram noites para me ajudar na ilustração... Foi um sonho sonhado há seis mãos! Fiz a inscrição. Só de me inscrever, me senti  Escritora. Me inscrevi como Escritora. Assumi, aceitando que, sim, eu escrevo! 

Foto: GOVBA em 02/06/2014
Quando fui selecionada... tá, assumo: chorei, muuiittttoooo!!!! Eu, além de sentir, era "oficialmente" Escritora com livro publicado! E, que maravilha, para crianças do ciclo de alfabetização de toda a rede pública do Estado. Publiquei poesias, em antologias poéticas e isso tudo, em dois anos. Não. Não sou famosa, não saio em capa de revista... Mas, pude ver minha filhinha, recém nascida, "Amarela da Seca", ir para a FLICA - Feira Literária Internacional de Cachoeira/Ba. Pois é... ver os filhos crescerem. 

Foto: GOVBA em 02/06/2014
Outra coisa que muito me emocionou foi, quando recebi o prêmio, ano passado, meu filho estava nessa fase de desbloquear a leitura e escrita e ele ficou tão emocionado com a mãe escritora que, sabe o menino com dificuldade de ler e escrever? Escreveu - do jeito dele... - um livrinho com a psicóloga dele e levou no dia da premiação. TODOS os autores presentes tiveram o privilégio de ler seu manuscrito. Sim: MANUSCRITO. E com ilustração. Isso foi um estímulo tão positivo que me fez ver, ainda mais, a importância da leitura na vida das pessoas. Gente, ler é viajar por muitos lugares! É conhecer mundos novos e acreditar que isso não tem fim. 

Como ocorreram alguns probleminhas burocráticos, a publicação e o lançamento dessa coleção só saiu agora, em 2015. Mas, não foi por falta de vontade da equipe do projeto. Eles suaram e sofreram duplamente: por não conseguirem concretizar como idealizaram e por serem cobrados e condenados por nós, autores. Nada que com esclarecimento e boa vontade não se resolva. Disse para eles que foi um parto de fórcipes. Nós, autores, pudemos sair da maternidade com o filho no colo, pela primeira vez, tocá-los! Eles nasceram! A equipe que trabalhou para fazer o parto, a Secretaria de Educação do Estado da Bahia, puderam ter a sensação de dever cumprido! E todas as crianças do ciclo de alfabetização do Estado poderão viajar, dentro das próprias origens! Se identificam com os personagens, que podem ser qualquer um deles. E essa foi minha maior lição: entender, aqui e agora, que o que importa é o aqui e agora, sempre! E o propósito maior, de ver as histórias vivas, vivendo e sendo vividas, vívidas sob o sol e sob o luar, à beira de um rio, ás margens da fronteira do ir e vir, do partir e chegar, do, simplesmente, as palavras poderem chegar a qualquer lugar/gente, que possa ali passar e ler, em cada criança, professor, funcionário de escola pública que, ao receber, abrir e ler e ir, para onde cada história os conduzir. Ver meu filho querer concluir seu livro, junto comigo, gente, não tem preço! Aceitar que, mesmo com tantos obstáculos, esses livros nasceram é o que deve ficar; é o que fica; é o que é!

 
Fotos: arquivo pessoal

Fiquei muito feliz com o resultado! Muito feliz em ver cada criança, no stand, em meio à praça pública, poderem tocar e, sim, abraçar, como algumas crianças fizeram, os livrinhos da coleção PACTOS DE LEITURAS . Na Flica, foi apenas exposição. Os livros são destinados para as crianças das escolas públicas do Estado. Muita gente interessada em comprar a coleção, mas, por enquanto, nenhuma editora nos conhece - quem sabe, a partir de agora, os livros possam ir além? Olha, aí, Companhia das Letrinhas e outras... As histórias são lindas, bem escritas e falam com a criançada, numa linguagem limpa, clara e lúdica, sobre aceitação, respeito, cooperação, infância, história de alguns lugares... 

Estou feliz, por poder viver o aqui e agora e digo, bem como repito a todo instante: que bom que existe o agora!

Ah, a FLICA, acontece de 14 a 18 de outubro, na cidade de Cachoeira, Bahia. Os livros estão lá, todos pendurados para quem quiser ler, debaixo de lindas árvores, numa praça pública que simboliza a independência da Bahia - praça Dois de Julho. E leiam, leiam, leiam! Como cantam os personagens do "Circo de Só Ler" - espetáculo teatral de Salvador, muito bom e que meu filho ammaaaa e escuta as músicas diariamente: "leia, leia, leia, leia, porque quem lê clareia, clareia a visão...".

Pat Lins.


Foto: Arquivo Pessoal Noelia Barreto

Foto: Arquivo Pessoal -
Escritoras Noelia Barreto, Adelice Sousa, eu, o escritor homenageado - Antonio Torres -, Secretário de Educação do Estado da Bahia, Osvaldo Barreto e a escritora Vanina Cruz, em  Praça Dois de Julho - Cachoeira/Ba
15/10/2015

Veja também: http://patlins.blogspot.com.br/2014_06_01_archive.html?m=0

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A VIDA É VERBO - TEMPO DE SER E ESTAR AQUI E AGORA!


Pessoas especiais, quando, por conta desses motivos da vida, de cada um ir para um canto, não deixam de ser especiais em nossas vidas. Um dia, a gente entende que a necessidade da presença física é coisa da nossa mente limitada. Consequentemente, nos apegamos, nos sentimos presos e aprisionamos. 

Daí, a vida chega e diz: "êpa, né assim não, meu bem! Né assim que a banda toca não" e dá a nota e dá o tom e a gente, que "sabe de nada", resiste em apenas escutar a música e deixar o corpo embalar no ritmo, no fluxo, no caminho! Pessoas especiais, sempre são especiais em nossas vidas, estejam onde estiverem!

Aos poucos, esvaziando, vamos nos tornar - não como passe de mágica e extremamente - diferentes, no sentido de melhores, à medida que aceitamos o tempo presente, o AQUI E AGORA! 

Perdeu a paciência ontem - bom, lembrando que ninguém perde aquilo que não tem... né? -, vai ficar preso à crítica e ao medo de seguir em frente, se aprisionando e se punindo pelo que fez? LIBERTE-SE, JÁ! Reconheço que fiz. Reconheço que me incomodou. Reconheço que não me contive, porque não é para se conter, é para fluir e fluir é verdade; verdade é consciência! Seguir a consciência é fluir, é dançar a dança da Vida, na cadência do Tempo de ser e estar, conforme a Natureza do Ser! Ninguém tem o direito, nem o dever, de condenar ou ser condenado sem ter a liberdade de, hoje, agora, escolher fazer o novo, fazer melhor ou melhorando.

A vida é gerúndio, vai acontecendo, enquanto estamos aprendendo e vivendo. O Tempo é gerúndio, vai guiando e passando, permanecendo e renovando. A Natureza é gerúndio, está sempre plantando, germinando, nascendo, transformando!

A Vida é Tempo infinito! No infinito contínuo que é o AGORA!

EU SOU VIDA! EU SOU LIBERDADE! EU SOU LIVRE DOS PENSAMENTOS, CRENÇAS E VALORES RESTRITIVOS E PARALISANTES! EU SOU!

Eu Sou Pat Lins!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

2014: TÁ PUXADO!



Então, vamos puxar ou soltar?

As provas da vida nos fazem sempre alguns alertas... se está puxado, quem puxa? Quem resiste?

Acabou de me vir isso à mente, justamente porque, nos últimos, sei lá, 10 anos, estão puxadíssimos. Pois, né que agora me veio a mensagem: "e a gente não aprendeu nada... Vai esperar partir?"

O que podemos fazer, agora, que dependa única e exclusivamente de nós, que não venha como resistência ao que "TEM QUE SER"? 

Escovar os dentes com a mão esquerda e rir de mim já é alguma coisa...

Do nada, fui pegar meu computador e me deparei com uma mensagem que minha amada amiga Ana Rita Reis me deu - há alguns meses e guardo na bolsa - da Clarice Lispector: "Mudar". Lindo texto! Hoje, ao entrar no facebook, me deparo com outra linda mensagem da mesma Clarice, a mesma que sou fã do estilo e não critico sua personalidade, "Sou como você me vê", através da Inês Lessa. Ou seja, tá puxado, porque eu resisto em aceitar que estamos MUNDIALMENTE em mudança, em processo de transformação. Se a gente ainda não aceitou, problema para a gente... Porque está aí, basta olhar e ver. 

O desapego é urgente! Nada nos pertence! Quem somos, o que fazemos e o que podemos fazer agora é que conta. O que foi, já era! Olhemos para o agora, JÁ!

Já passou da hora de lembrarmos que somos humanos e isso quer dizer: falhos e imperfeitos! Já passou da hora de pararmos de julgar, condenar, criticar cruel e irresponsavelmente os outros. Já passou da hora de entendermos tanta coisa simples... que destruição não edifica! E o que mais fazemos? Destruimos em nome de um apego e chamamos a isso de "amor". O amor à posse é doença. Assim estamos todos doentes!

Para salvar o planeta, salvemos, primeiro, a gente! Cada um que se salva de si, é uma doença a menos, uma ferida aberta a menos em nosso Planeta!

Nossas dores, nossos sofrimentos, não mudam se ainda nos sentimos vítimas e não nos vemos como atores - aquele que age. SIM, SOMOS CAPAZES! 

Não precisamos de força, isso a gente já usou demasiadamente errado! Precisamos de amor, precisamos sentir! Precisamos nos sentir! 

Não se trata de um jogo, muito menos competição! Se trata de ver e enxergar que a vida é feita do agora! AGORA é JÁ, não depois!

Vamos descobrir e acessar o amor que sentimos por nós mesmos, em primeiro lugar. Depois, o depois se instala como um agora renovado! Daí, sentiremos o repuxo diminuir. Ou, deixa partir!

Desejo, do meu coração, que todas as perguntas certas sejam feitas, para que as respostas possam chegar! Desejo que as soluções cheguem e que a gente pare de criar problemas!

Desejo que HOJE, AGORA, você que estiver com a bola na mão, depressa, pule fora! Solte a corda! Largue o peso. Rasgue a seda! E voe! Voe para lá, onde o sol brilha, custe o que custar!

Muito amor para todos e cada um de nós!

Pat Lins.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

TODA MUDANÇA BAGUNÇA: DA ORDEM AO CAOS E DO CAOS A ORDEM!

É preciso se quebrar os ovos para se fazer omeletes, né verdade?

Pois é... quem pensa que querer crescer e "chegar lá" é como final feliz de "Sessão da Tarde" ou final de novela, onde tudo acende por milgare, muito se engana. Esse tipo de espera nos limita a um romantismo excessivo de que tudo tem que ter um final e pronto, congela!

Sorte que a vida é mais do que isso: tanto para as coisas ruins, como para as coisas boas. Temos a oportunidade de estar em movimento e VIVER é movimento - rigidez é morte.

Mudar, gritar, estourar, romper, extravasar, inovar, transformar... tudo isso faz parte do processo de crescimento de cada um de nós - independente do que acredite religiosa e filosoficamente falando - e, não existe um "Cheguei! Ufa, acabou!" é mais para "Consegui! Venci ESTE obstáculo! Superei ESTE desafio!". Sim. Depois, outros virão. E não é castigo ou punição - isso, ainda aprendo, um dia... Não sei explicar o motivo de ser assim - nem concordo... porém... -, mas se a gente parar e observar bem, É assim. Sempre teremos algo novo a aprender. Afinal, somos humanos e, como tal, falhos e imperfeitos. Isso quer dizer que sempre estaremos em mudança. Cansar é humano. Recarregar, também. É preciso coragem para se assumir para si; reconhecer os próprio limites e dizer: "hora de parar" ou "hora de seguir" ou "hora de continuar".

De Tempos em tempo, vem uma calmaria e a gente agradece - oh, como estou desejando esse período. Mas, no geral, é superação diária. Afinal, somos ou não seres biopsicosocioeconomicojuridicocultural? Existem tantas coisas ao nosso redor que não somos apenas QUEM e/ou DE QUEM nascemos, somos, inclusive, ONDE nascemos, por onde andamos, com quem nos envolvemos, o que gostamos, as Leis que nos regem e "limitam", o dinheiro que dita as regras do jogo... Pois é! Somos saúde e doença. Somos uma dualidade constante. Até entendermos de VERDADE que de nada adianta fugir, um bom chão de idade gastamos. Não tem porquê fugirmos de nós mesmos. Mas, podemos escolher como seguir, onde quer que estejamos.

E mudar é imprescindível. Crescer dói, em toda e qualquer época, mas toda dor passa - a dor só dói enquanto está doendo, depois, passa! - e precisa passar. É preciso respeitar cada fase, cada "como estou" em cada fase.

E temos que ter em mente: toda mudança bagunça primeiro para depois, reorganizar! Não tem como não ser. Se está tudo guardado em gavetas, armários e afins, para mudar, temos que tirar, mexer, limpar, encaixotar para levar... zerar o contador, para se desapegar de fato do que passou. Nesse momento, fazemos novas escolhas: o que fica, o que segue? Lixo, limpeza, abertura para novos espaços. Insegurança, medo do que virá, do novo, do "desconhecido" que é conhecido, afinal, a gente escolheu ir para lá - inclusive, passar a ser, de verdade, quem deve ser. 

Da "ordem" entramos no caos necessário - olha a dualidade de novo e sempre - e, em seguida, uma nova ordem. Depois, uma nova rotina, com novas desordens... A vida é sempre se REORGANIZAR dia a dia. Mesmo que canse...

Para quem ainda não se deu conta - como eu -, a vida é AQUI E AGORA, cotidiano! Não foi só ontem e ainda não é amanhã!

Um grande amigo me disse recentemente - depois de minha panela de pressão explodir: "o que você precisa para hoje, você já tem. Mas, para amanhã, ah, minha miga, para amanhã falta tanto, ainda...". 

Feliz AQUI E AGORA para todos nós! Tudo está como tem que está, para ser como é!

Pat Lins - da ordem ao caos e rumo à nova ordem... 

PS - este post foi escrito em 01/09/2013 e atualizado agorinha, porque ainda é muito atual!

domingo, 30 de março de 2014

RECARREGAR: A GENTE LIBERTA O QUE PASSOU.

Imagem: Google

De tempo em tempo, temos que recarregar. Praia, campo, boas risadas com amigos... enfim, precisamos de lazer e prazer para viver.

Mas, sempre ficam aqueles resíduos que sugam mais do que imaginamos e quando percebemos, estamos caídos na lona! 

É natural. Vivemos movimentos cíclicos e nos acostumamos com esse sobe e desce. Acontece que subir e descer - o pulsar do coração - deve ser e ter um ritmo. O subir de vez e cair de vez é onde mora o perigo.

O desgaste é resultado natural de quem vive e está exposto aos embates diários, ao processo de crescimento - independente de religião, cor, credo, educação ou conta bancária. 

Para repor, recarregar: frequência, rotina - bem como carro, celular, notebook e etc. Não somos máquinas. Por isso, o recarregar não basta ligar na tomada... Tem que desligar do que trazemos arrastando até aqui. CRIAR O BOM HÁBITO DE RENOVAR!

Beleza! Consciente de quem somos e de que estamos arrastando um monte de peso desnecessário, somos capazes de libertar o passado pesado. Tá, e depois? Pulamos para o futuro inexistente. E o presente?

O presente se encontra na responsabilidade que assumimos e o comprometimento com o viver. Ao recarregar, a gente liberta e se liberta do que passou. Temos força e energia para o aqui e agora. Novos passos. Vigor. Determinação. CONSCIÊNCIA. Daí, se não desenvolvemos a consciência do aqui e agora, o passado vai e o vácuo fica. Larga o peso e cai num buraco...

Pois é! Pois é! Pois é! É viver mesmo. Inovando, renovando, recriando. O tempo é eterno. Nós somos eternos. Mas, tudo tem um tempo de ser e estar. O depois, vem sempre depois. O agora é aqui e agora, sempre!

Pat Lins - aqui e agora!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

SABER LIDAR - LIBERTE-SE DE MIM!



Fico intrigada com uma coisa: a gente só vê o nosso lado, como sempre falo e esquece que a gente é "o outro" para outro "eu" próximo.

Assim, pensei:

Se a gente levanta a bandeira para ter o espaço respeitado e o direito de se afastar de quem a gente não tem afinidade e/ou não sabe como lidar com a pessoa, o outro também pode se afastar da gente, com a mesma justificativa em si. Ou seja, todos têm o direito de ter ao seu redor quem some com o seu crescimento. E isso não nos torna vilões, apenas pessoas e pessoas são diferentes, pensam diferentes, agem de maneira diferente e sentem de maneiras diferentes.

O se afastar, em si, não quer dizer: "você é mau". Apenas: "não sei lidar com você." e pronto. Mas, precisamos aceitar, também, quando nós somos o outro para alguém...

Todo mundo tem o seu tempo, espaço e ritmo. Alegar que "Ah, mas eu tenho mais consciência" já denota que não tem tanta assim... o aceitar não julga, apenas aceita - o aceitar vem no respeito e no entendimento.

Bom, se dói ou faz sofrer, aí, é com a gente, quando a gente é o ser a ser afastado e com o outro, quando o outro é o ser a ser afastado.

Ninguém se iluda... enquanto não soubermos lidar conosco, o outro sempre será o alvo mais fácil! Sempre estamos apontando para alguém e sempre estamos sendo apontados. Tudo depende da referência... sou legal para uns, e uma chata para outros. A DS é isso, também... eu vivo dizendo para os que não sabem lidar comigo: "Nem eu sei direito... liberte-se de mim! Siga seu caminho na paz!". O que não vale é viver de embate. É isso que faz da vida um combate. É isso que pesa: o não se aceitar.

Né simples?!

Pat Lins.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O SEGREDO DO AMOR

Imagem: Facebook: Melhore com a saúde
Que o amor não tem segredo, muitos de nós até já sabe. 

Que o mistério que envolve o que vem a ser o amor está em nossa dificuldade de amar, a gente também já sabe. 

Mas, quem aprisionou o amor na deturpação do que é o amor?

Quem começou eu não sei... mas que o egoísmo, a carência, a dificuldade em se aceitar, a falta de respeito pelo outro, as cobranças, o julgamento, os rótulos, o orgulho, a vaidade, a arrogância e outras emoções negativas e destrutivas o mantêm preso e esquecido, ah, sim, isso eu sei!

Num trabalho muito bacana com minha querida Graça Soares, falávamos e vivenciávamos exercícios sobre o equilíbrio entre o dar e o receber, algumas pessoas colocavam o amor como exemplo teórico, onde quanto mais damos, mais temos. Isso despertou uma conversa mais profunda, onde entendemos que não sabemos amar, pois, quanto mais damos, mais enviamos a fatura, cobrando, junto... Resumindo, Graça, brilhantemente nos disse:

"Amar não é gostar; o amor é energia de atração, 

é energia que une e mantém."

E foi o suficiente para nos fazer calar as vozes mentais e orais, com calma e tranquilidade e nos abrimos para a reflexão... Ainda estou no processo racional, muito mental... é minha mente lógica que adora fazer isso. Mas, estou me deixando envolver por esse pensamento que me tocou. Me inquietou. Em algum momento alcançarei o êxtase da epifania. Não estou com pressa... o processo de mudarmos a maneira de pensar requer tempo.

Tudo na vida requer o tempo de agir, de descansar, de plantar, de pensar... é o rodízio, como na agricultura, em respeito à terra e as limitações nutritivas. É o tempo de ser de cada coisa. E toda mudança - principalmente, em casos de quebra de paradigmas; de desconstruções desses arquétipos vulgares que nos condicionamos com tanto prazer e dedicação; de elevação de padrão de pensamento e ação - requer seu tempo, também. Aqui e agora a gente pode começar a ver, depois, se coloca em estado de vigilância - "orai e vigiai", já dizia Jesus - e vai andando, caminhando e seguindo o rumo de volta à vida, a cada dia, um passo.

Então, não poupemos amor! Amemos-nos! Assim, com certeza, saberemos doar o amor. Nesse caso, se dando, se recebe e é capaz de dar, sem esperar receber!

Leiamos a frase muitas e muitas vezes! Para vermos que é simples, sem mistério e sem segredo. O amor é livre e libertador... se a gente tem a "necessidade" de ter o ser amado grudado em nós, é carência e cobrança... Vigiemos mais! Cuidemos mais da saúde das nossas emoções. Sem medo de ser feliz!

Pat Lins.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

ALÉM DO HORIZONTE EXISTE O AQUI E AGORA


2013 vai, 2014 vem e eu vou agradecendo e deixando todo o peso para trás. Tanto peso acumulado... Uiiiii! Xô!

Hora de faxina. Já comecei a limpar os ambientes mentais, emocionais, espirituais e físico. Nada de carregar tanto peso.

Passou! 

Caminhando. Após tantas provas de fogo, tantas dores, tantas perdas e tanta raiva e sensação de injustiça, a real é uma só: é. Tudo é como é. Está como está. E pronto.

Chorar é limpar a alma e deixar espaço livre para o sorriso limpo se apresentar. 

Obrigada, meu Deus, por cuidar dos nossos corações, porque não foi moleza até aqui... os últimos anos foram pesado e sem tréguas. Uma bomba após a outra. Mas, hoje, elas estão lá atrás, no tempo e espaço onde aconteceram. Daqui para frente, é aprendizado colocado em prática. 

Gratidão à Vida, ao Tempo e à Natureza. Porque tudo que ainda podemos fazer é que deve ser o foco, na Vida, no Tempo de ser e de maneira Natural, como o nascer do sol todos os dias... considerando que o sol não se põe, é a Terra que gira e a sombra que vemos, chamamos de noite e, por necessidade de dar um "fim" em tudo, dizemos que o dia terminou... Estamos limitados a um tempo ilusório o que nos proporciona e condiciona a uma vida ilusória... nosso tempo é uma ilusão criada por nós mesmos.

Pois é, 2013, você veio com tudo e já vai, assim, rapidinho, né?

Pois é... o passado se assentou. O presente, vigora! O futuro, se transforma. Tudo isso porque o horizonte utópico que buscamos limitados pelo que os olhos vêm, esse, sempre se afastará à medida que andamos em sua direção, nos forçando a movimentar. Ir além dele é se ver AQUI E AGORA, construindo o caminho, caminhando e olhando em frente, para a frente. É a Vida!

Enquanto não nos desapegarmos da necessidade de ter que chegar lá e lá ficar, cruzando a linha de um horizonte que nada mais é do que limitação ocular, vamos sempre viver à espera de uma amanhã que já virou ontem e nem nos demos conta.

Hora de acordar e valorizar cada passo, cada paisagem, cada vez que a Terra gira e podemos estar diante do rei Sol! Cada vez que continua girando e nos deparamos com a suavidade da Lua e o brilho das estrelas. Com cada sorriso puro de uma criança que repetem palavras que os adultos falam com tanta inocência que nos diz: "besta é tu!". 

Que em 2014, a gente não espere chegar 2015 para fazer algo novo. AQUI E AGORA é o lugar certo e o tempo certo de pensar e agir!

Pat Lins.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

BRASIL, QUAL É A SUA CARA? QUEM SOU EU?



Já começaram... as campanhas, lógico, já começam a mostrar o que não existe, criar um clima "copa feliz! Brasil, país do futebol recebendo o mundo do futebol do mundo!". Praticamente, um país de primeiro mundo. Até eu já estou me vendo saindo nas ruas com tranquilidade, num país paraíso, com ruas asfaltadas e com asfalto de qualidade sempre, segura, sem medo de ser feliz, afinal, estou no Brasil - país sede da Copa do Mundo de 2014! Isso é inteligência pura! Não sei porque só usam para criar ilusão... essas inteligências seriam fortes aliadas se fossem sábias. Oh, que pena!

Essa Copa aqui no Brasil vai nos fazer colocar em prática a máxima deste blog: viver o aqui e agora. No caso específico do grande evento, é mais como disse Vinícius: "... que seja infinito enquanto dure...". 

Do mesmo jeito que a Coca Cola trabalha as mensagem de relacionar a bebida com um estado de felicidade... ou seja, ela faz a diferença e a gente acredita nisso. "Abra a felicidade!". Somos felizes por bebermos Coca Cola, uau! Nossa, quão profundo somos. Me emociona... 

Pois é... as coisas começam aos poucos e vão entrando em nossa mente que a gente nem sente. Sem violência. Sem brutalidade. Se é possível fazer isso, a gente pode fazer o contrário, começar a desconstruir. E dizer: tá, já que a copa vem, tudo bem. Mas, eu não estou satisfeita com os gastos desnecessários e tudo mais. Ou: tenho consciência de que isso tudo não é real, bem que poderia ser, mas é não. 

E fica uma reflexão: o Brasil "nasceu" de maneira desestruturada, praticamente, vítima de um estupro. Mataram os índios que aqui viviam e tomaram o lugar a força - pouca força, diga-se de passagem, porque os índios "selvagens" não representavam a violência como nos fazem achar... eles não são os bandidos - e passaram a mensagem de que "civilizaram" esse país selvagem, para o qual Deus nunca olharia, porque não eram catequizados pela igreja Católica de Portugal. Só não entendo como Deus é brasileiro... O brasil cresceu de qualquer jeito, tal qual menino de rua, sem educação, saúde, ambiente saudável e estruturado e etc. Mas, hoje, é o Brasil e não temos como mudar o passado, nem como foi feito. Como diz Elisa Lucinda: "Não dá para mudar o começo, mas pode dar para mudar o final", ou o atual, né?! 

E o que é o Brasil, hoje? Com uma Copa que nos fora empurrada goela abaixo, que nos fará curtir o presente, assim que ela se fizer presente, e gritaremos juntos o nosso patriotismo forte e racional através do futebol. Acho massa torcer pelo time. É muito saudável praticar e incentivar o esporte. O que abro aqui é o questionar do que está além e se fará presente já, já...: nós não temos estrutura alguma para sediar um evento desse porte. Nem me refiro ao que vai acontecer com os estádios elefantes brancos no período pós Copa. Me refiro ao todo: saúde, segurança, profissionalismo, etc e a nossa integridade. 

Não me preocupo com a imagem que será vendida lá fora... essa é inventada - e já foi discutida há muito tempo, para se elaborar um belo e eficiente plano de ação estratégico e tático - e manipulada com belas propagandas onde pessoas de todas as cores, classes - que, nas campanhas nem se faz necessários o plural, é apenas uma classe: a da felicidade e união, sem discriminação... coisa mais linda de se ver - e credos estão lindas e sorridentes, juntas, parecendo que o racismo não existe aqui, num país tão tropical e negro, além da África; a pobreza é só uma coisa falada, mas não se sabe o que é por conta do apoio solidário de diversas empresas que aparecem "ajudando" e criando alternativas para "mudar essa pequena realidade", nos fazem acreditar que o que vemos nas ruas, diariamente, isso, sim, é ilusão. A vida é ilusão, gente! O que vemos não é real. O real é aquilo que assistimos produzidos em estúdios - uma pequena parte - e em computadores de alta performance que criam uma realidade virtual tão fantástica que dá vontade de viver aquilo, de viver lá! Me lembrei do "Show de Truman", o filme e nem sei porquê... Ah, se cada designer conseguisse criar um mundo real tal qual o virtual e digital. 

Me preocupo com a imagem que no deparamos diariamente... a real, mesmo que a neguemos. Me preocupo com o tratamento que receberemos. Estão agindo tal qual a etiqueta manda: receba bem as visitas. Sabe, quando tiramos o aparelho de porcelana do armário e fazemos aquele jantar especial, com talheres especiais? - em meu caso, já uso no dia a dia... aprendi a celebrar a cada dia e com as pessoas que amo no presente, porque nós somos especiais, em qualquer dia. Pois é... aparência não celebra a vida! Aparência celebra uma superficialidade fingida por interesses escusos...

Isso é que me preocupa... quem cuidará de nós? O apartheid se fará aqui, conosco. A segregação vai ser nítida: todo brasileiro é suspeito e perigoso.

Ninguém se iluda... os países de primeiro mundo já enviaram gente para observar o Brasil nos últimos anos. Ou todo mundo acha que eles são estrategicamente limitados como nós, que deixamos tudo para resolver na hora - e isso não é uma questão de otimismo, de deixar as coisas acontecerem... somos relapsos, sim, e não sabemos nos programar. Com certeza, sabem que terão que trazer suas próprias forças armadas, para reforçar a nossa que ganha pouco e que é subvalorizada... portanto, descredibilizada. Isso é o que temo, e não é angústia ou sofrimento por antecipação, é sofrimento consciente de quem vive o dia a dia vendo e sabendo que não é ilusão: é real. Uma realidade preocupante desde já e que uma bela maquiagem não mudará a verdade. Esse é o meu temor: temo por nós no hoje. E quando esse hoje for em junho de 2014, não haverá tempo de fazer mais nada. Desde que o Brasil foi "sorteado", quanto tempo houve para se fazer algo real? Mudar de verdade o Brasil e, consequentemente, ter base para sediar um evento desse porte? Nós seremos apresentados ao mundo em fragmentos e recortes mínimos, apenas a Copa aparecerá. Alguém viu algo de ruim na África? Pessoas com fome, miséria ou algo assim durante a copa lá? E isso fez com que o estado de miséria deixasse de existir? Foi um pause, dando play logo após o encerramento lindo, com shows belíssimos para quem é de fora?

É esse tipo de controle remoto que temo... uma realidade surgirá em meio à nossa realidade e a gente nem vai saber em qual das suas está a realidade real... essa confusão vai nos deixar tontos e ainda mais vulneráveis para o que virá em seguida.

Alerta, meu povo! As eleições etão chegando... Onde está a ordem, para se existir o tal progresso?

Brasil, mostra a tua cara! Mas a cara de ordem e progresso, não a dos black blocs, por favor! Ah, esqueci: como vamos mostrar a nossa cara se nem sabemos quem somos nós? QUEM SOU EU?

Pat Lins.

sábado, 23 de novembro de 2013

CERTAS COISAS...


Ah, entendi... coisas acontecem para que outras coisas possam acontecer. 

Não foi à toa que fiquei sem voz por uma semana - e ainda estou meio rouca. 

Calada, vivo com ainda mais intensidade... escrevo com muito mais alma. Só me resta ouvir a voz que vem de dentro, fantástica, sensível, reflexiva, ponderada... e escrever simbolicamente, figurativamente, ludicamente... para tocar meu coração e minha razão e, assim, me transformar. Adoro viver inspirada. 

Estou aprendendo... Estou aprendendo. Estou aprendendo!

Uhu! Até dormindo, os sonhos me dizem o que devo fazer. Coisa linda é viver!

Tenho escrito pouco nos blogs, mas não é descaso... estou me disciplinando - escrever requer determinação, dedicação, além do talento, e disciplina, ainda mais em meio a tanto afazeres diários, à rotina - e adentrando ao mundo literário. Assumi esse compromisso no dia em que comecei a escrever aqui: me escrever, me ler, me ajudar, me resgatar... me transformar! Tanto que o blog já mudou de nome 3 vezes e, por fim, encontrei a real identidade, vivendo aqui e agora, plantando e colhendo aprendizado na prática, no dia a dia, no "a cada segundo". Construindo pontes entre as paredes e muros que construí.

Pois é, já, já, novidades...

Pat Lins.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

REINVENTAR É AQUI E AGORA.


Interessante... lendo um poema belíssimo e perfeito do amigo Marcos F. Auerbach, e a luta de Louise, a jabuti do meu filho, pela liberdade, me inspirou a reflexão:

De tanto que julgamos nos conhecer como a palma da mão, mal sabemos quem somos de verdade, além do que nos deparamos dia a dia... e que somos mais do que algo previsível. 

De tanto que acreditamos e julgarmos que sabemos quem é o outro, ainda nos surpreendemos diante das suas inovações. 

Temos a mania de nos colocar como tão seguros e auto controlados que, mesmo perdendo o controle, carregamos a arrogância em dizer: "Tudo sob controle, eu me conheço!".

Vendo uma jabuti escalar "parede" da caixa de papelão para tentar viver em liberdade, dando tudo de si - incluindo usar o vasinho da água como degrau, usando de uma inteligência desconhecida, por ser subestimada - me questiono: até quando?

Até quando seremos os mesmos e viveremos como os nossos pais? - Sem ofensas... apenas trocadilho com a música e o que ela levanta como necessidade de romper com o que passou, sem desmerecer e sem desrespeitar a importância.

Fazemos sempre as mesmas coisas e almejamos mudanças e transformações. Andamos em círculos e juramos seguir uma reta!

Inteligência é se recriar, é criar o novo - ainda que a partir do velho. É isso que quer dizer: deixar o passado para trás. Não é ignorá-lo, mas fazer um novo tempo que existe, ainda que não façamos, mas que pede: me reinvente. Veja o que já fez, o que já existe, veja, veja, veja! Até hoje, tudo igual, afirmando ser diferente.

Reinventar-se é voltar atrás para andar para frente. É ter um referencial - ou não - do que não mais fazer ou do que continuar fazendo, porém inovando.

A gente não precisa correr o mundo, procurar novos lugares para viver velhos padrões que levamos conosco. A gente precisa é ser novo, aqui, no mesmo lugar, onde quer que vá: EU. A mudança está em nós, não no lugar para onde iremos.

Certa vez escutei alguém me dizer: "Minha igreja é onde vou, porque Deus está em mim...". A pessoa, uma mulher, quando me disse, não estava desdenhando ou subjugando as religiões, apenas ressaltava a importância do não apego exagerado ao externo, mas ao EU, ao quem somos onde quer que a gente vá, independente de religião. A fé é algo que está, não que nos colocam. 

Enxergar a abertura, o espaço inexistente - ou, melhor, o espaço aberto à espera do que virá -, requer essa capacidade de se saber onde está e onde faz ideia de onde quer chegar - no caminho, posso chegar em outro lugar. Como disse Xuxa, na semana da criança no programa "Encontros", com Fátima Bernardes: "Quando me perguntam se eu sonhava em chegar onde cheguei, eu digo: nem sabia que existia esse lugar. Eu sonhava com um monte de coisa, mas esse lugar é novo, surgiu comigo... nem eu sei que lugar é esse de tão bom que ele é...". É ir, sabendo que pode voltar, quando quiser, porque o que já existe é terra original. Nossa origem é imutável. Nosso futuro que é "transformável", "criável", "realizável". Nosso presente que é "criável". 

Pedro, meu filho de 7 anos, diante de uma folha morte e da sugestão de um amigo nosso de colocá-la na grama para renascer diz: "Só se nasce da semente... Esta folha já está morta!" . Sim, só se nasce da semente. Mas, o que se foi serve como adubo. Assim, todos aprendemos, naquele instante a importância de todos os tempos: passado, presente e futuro. 

Na Natureza, nada se perde, tudo se APROVEITA. Ou seja, tudo se REINVENTA!

Do sossego, do silêncio mental, mesmo em meio à turbulência, mesmo após ter cometido algum erro, algum deslize..., a consciência da ação passada pode nos levar à segurança do saber o que não mais fazer. Daí, vem o adubo, aquilo que já foi, que já morreu, ainda vive dando base ao por vir! Nada surge do nada original. Não mais.  

Só com serenidade se faz o novo. 

Estou refletindo tanto enquanto escrevo que ainda nem sei como concluir... fico sem conclusão, apenas parando a escrita, não a reflexão.

Pensando aqui, me reinventando aqui e agora. Tomando, cada dia mais, consciência de mim e ainda longe de me conhecer por completo... Por isso: "PENSO, LOGO EXISTO!", já nos disse Descartes. E, só abrindo mais o leque... a distância entre dois pontos pode ser uma curva... 

"Ser ou não Ser? Eis a questão"... (Shakespeare)

E, para não dizer que não falei das flores: "Caminhando e cantando e seguindo a canção... somos todos iguais, braços dados ou não... vem vamos embora que esperar não é saber. QUEM SABE FAZ A HORA, NÃO ESPERA ACONTECER!" (Geraldo Vandré).

Nada é tão verdadeiro que não caiba uma nova verdade, né verdade?! Nenhum tempo humano é tão exato, que não caiba um novo tempo, de um novo momento, para recomeçar! (Pat Lins)

"No novo tempo, apesar dos perigos... estamos na luta pra sobreviver!" (Ivan Lins)

A gente é assim, não linear. Começa com um pensamento, que puxa outro, que nos leva a outro que cria outro... e assim, vamos indo, vivendo e seguindo um novo amanhecer - igual, mas diferente!

Reinventar-se é nascer de novo (?).

Pat Lins - se reinventar é ter consciência do aqui e agora e que agora já é outro aqui e agora a começar.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O PRINCÍPIO DA VOCAÇÃO DO MEU/NOSSO "EU"

Imagem: Internet - http://www.rosangelaterapeuta.com.br/tag/luz/

Gente, Pe Fabio de Melo é um fofo! Gosto muito de escutá-lo em entrevistas. Ele fala português e não latim. Ele é sereno e fala com inteligência; fala com clareza e não com arrogância. Ele assume que é humano: um homem que optou ser padre, sabendo as condições inerentes. Isso é consciência. Isso é entender que todo bônus tem ônus e que toda escolha acarreta numa consequência. Eu, minha opinião particular e com base nos conhecimentos obscuros da história, penso que o celibato na Igreja Católica poderia ser revisto. Por outro lado, compreendo que é a tradição da religião e, se alguém adentra, sabendo que é assim, sabe-se onde está entrando. Enfim... Acabei de assisti-lo no "Mais Você", com Ana Maria Braga, e me veio essa reflexão:

Penso que para se seguir qualquer rumo na vida, deve-se seguir o que está mais próximo da nossa vocação e nem todo mundo pensa assim... Desta maneira, a gente percebe quando a pessoa tem real sentido do dever de se seguir o caminho que escolhe e/ou adentra. O fanatismo só pega quem vai apenas no afã da emoção, no desejo/ilusão de que religião, excesso de trabalho, excesso de atividades para "ocupar" o tempo... vai resolver - ou afugentar - todos os problemas e imediatamente. É assim, não, gente. Se fosse assim, os padres, pastores, rabinos, mestres, gurus... os workaholics, etc não teriam problemas, nem dilemas, nem desavenças, nem nada de mal. 

O problema, o desgaste, o cansaço, a raiva... tudo isso é humano. O que vai nos ajudar a lidar e transformar isso é o padrão de pensamento que temos e as ações conscientes que praticamos. E isso é de uma hora para outra? "Ah, pronto, mudei o padrão de pensamento!". De jeito algum, o Tempo é outro forte aliado ou vilão nesse trajeto, depende de como o conduzimos ou o deixamos nos conduzir. O tempo não está preso ao bem e ao mal, como nossa condição humana e dual. Ele, assim como O Criador, apenas É. Um verbo. Um constante Ser: É. É o tempo todo o É e pronto. Todo tempo É AGORA. 

A gente adora complicar tudo e depois culpa Deus, o tempo, o espaço, a religião - principalmente, a religião do outro... - a vida... o outro. A gente só não entende uma coisa que, por mais óbvia que seja, não deixa de fazer parte de uma processo, que é o fato da vida ser causa e consequência. E, mesmo a gente fazendo o bem, isso não nos impede de fazer ou desejar o mal e, quando volta, a gente diz: "mas eu só faço coisas boas, porque isso?"... Bom, minha opinião sobre essa parte é meio complexa... depois me explico por aqui. A questão é que não atinamos para quem somos de verdade e, nos perdendo, dificilmente sentimos vontade de nos reencontrar. E isso nos afasta de nós mesmos e da nossa real vocação.

Para sabermos o por onde ir, precisamos saber quem somos e o que temos para fazer. Senão, por aí ficamos, vagando, passeando, fingindo viver e, em geral, importunando os outros na esperança de que o outro fique pior do que a gente. E nesse instinto competitivo de destruir o outro para me enaltecer, esquecemos o quanto todos estamos ligados e nivelados numa realidade: somos todos imperfeitos e com mmuuuiiiittttooo a aprender.

Quando entenderemos que perfeição, só no céu? 

Pat Lins.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

FÊNIX - SÓ RENASCE QUEM VIVE AQUI E AGORA, NO TEMPO PRESENTE!


Um dos nossos maiores males é subestimar o outro e nos "acharmos" os únicos detentores da verdadeira razão, mesmo que nem se tenha a real consciência do que quer dizer RAZÃO. 

É jurar de pé junto que o meu caminho é O caminho que todos devem seguir porque eu só acredito nisso e nisso você também deve acreditar, afinal fico aqui, parado em meu cantinho, faço o bem na medida das minhas limitações, só não faço bem a mim, porque me ensinaram que isso é egoísmo e ser altruísta é ceder tanto a ponto de me faltar e eu não ter mais nada o que dar, porque já não me sustento mais.

Na verdadeira fé, que requer ação - teoria e prática; razão e emoção, em equilíbrio e harmonia -, a verdadeira compreensão existe e a revigoração vem, logo após aceitar e entender-se ser humano e dotado de fraquezas como outro qualquer. 

Apenas nos vendo, nos enxergando, nos acolhendo - e isso não nos impede de cair, de sentir dor, de sofrer, de penar... - é que somos capazes de nos ajudar, nos abrir para a cura verdadeira e, assim, teremos forças para nos sustentar e poder, assim, altruisticamente, exercer a ajuda ao próximo - que nada tem a ver com ser o próximo e resolver o problema do próximo... Isso, que a nós nos fora ensinado como algo a temer, liberta e permite que o respeito se instale e que o AMOR reine, soberano, porque, para amar há de se ter respeito e compreensão.

Expectativa é outra venda que nos impede de ver o dentro e o fora e a ponte que interliga cada parte. Frustração é a consequência da esperança por conveniência e fechamento mental de aceitar a diversidade e as diversas possibilidades, que não a que ilusoriamente queremos.

Precisamos ter mais cuidado com o que queremos, para saber o que buscamos, como e onde buscar.

Em todo caminho há testes - que visam nos fortalecer, mesmo que eu não goste deles... mas, já encaro a realidade e goste eu ou não, eles me ajudam a crescer, desde que os veja de frente e os supere... - e a gente só chega na próxima fase, se pararmos para cumprir a tarefa; senão, ou paramos e ali ficamos, ou retrocedemos, regressamos e lá atrás, no ponto de partida nos mantemos e nos acomodamos.

É verdade... pouco sabemos o que vem a ser amor e que amar ao outro, começa no exercício do amor a mim mesmo, senão, não poderei dar aquilo que eu não tenho!

Crescer requer pensar e assumir responsabilidades... E isso assusta. Mas, depois do susto, recupere o fôlego e não gaste de vez. Ir com muita sede ao pote pode derrubar a água toda... 

Pois é, pois é, pois é... viver é movimento, ir e vir. Não condenar, mas reposicionar-se e permitir que cada um siga o que tem para seguir.

Aprendi a ir com calma. Ninguém se cura como a VERDADEIRA Fênix, de pronto e imediato... Isso é pura ilusão. Até ela precisa de um tempo para se recompor, mas se recompõe completa, não em pedaços e presa ao passado. A Fênix representa o recomeçar mesmo e isso quer dizer: deixar para trás o que já não é tempo presente! Se ainda arrastamos as correntes, somos pássaros presos na gaiola do tempo do aprisionamento mental, onde a porta sempre está aberta e a gente nunca consegue sair. A liberdade está em, apenas, retirar a venda, acreditar que pode e ir. Daí, sim, renascer!

Reflitamos se renascemos ou somos os mesmos e vivemos do mesmo jeito, reclamando das mesmas coisas, dando peso aos mesmos problemas... Isso é ciclo vicioso e não recomeço... O recomeço é o início de um novo ciclo. Para isso, libertação mental. Romper barreiras do condicionamento, senão, "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...", como disse Belchior.

E só fechando o passado - resolvendo as pendências e andando o próximo passo - nos libertamos e construimos, hoje, o futuro melhor e renovado! Assim, a Fênix se transforma! Senão, o tempo passará, os outros passarão e nós, passarinhos aprisionados com a gaiola aberta...

Como renascer se nem se deixou morrer o que não é mais para ser? 

'EU AGRADEÇO, REVERENCIO E SOLTO TUDO O QUE PASSOU!" Sônia Café.

Pat Lins.

quarta-feira, 13 de março de 2013

TEMPO POSTO. TEMPO QUE SE ERGUE.


E eis que chega o dia do tempo se por. Um tempo que se deita e se vai. Outro tempo que começa e que vem.

E eis que encerra uma batalha. Eis que tantas outras continuam.

Eis que a dor do que se "perde" - ainda que nada estejamos a perder, porque em se tratando de vida e de pessoas, não temos posses, temos conquistas - está em seu momento e passa, e fica e vai e segue, porque as lembranças hão de oscilar. Só que surge um novo dia, uma nova rotina apenas a começar. Dois lados de um mesmo tempo.

E eis que mais uma filha do Pai encontra o seu descanso. E eis que os outros filhos que ficam seguem e têm que seguir. Não com peso ou amargura... isso estou tentando tirar de mim. Entender que só acontece o que tem que acontecer é encarar a realidade. 

Agora é o daqui para frente. Agora é o vamos seguir. Agora é tudo mais um pouquinho diferente, como sempre é quando esses tempos se encontram.

Agora é fortalecer, ainda mais, para dar força, para ser força. Com lágrimas em dias de faxina interna e lavagem de alma. Após os momentos de lavagem, abre-se o espaço para o brilho do sorriso. Aquilo que as lágrimas lavam abre espaço para as boas lembranças e, a cada novo dia, são elas que ficam; são elas que importam. 

Tia Nice, segue em paz! Família e amigos: sigamos em paz!

Aqui e agora é daqui para frente!

Pat Lins.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

SEGREDO DA BOA RELAÇÃO: COMUNICAÇÃO EFETIVA E BOA VONTADE


Muitas vezes, as pessoas esperam da gente aquilo que a gente não tem para dar e nem sabe que é isso que a pessoa esperava... Nesse mesmo movimento, nós esperamos do outro aquilo que ele não tem para dar e nem sabe que é isso que esperamos dele. 

Todo problema de relacionamento - ou mal relacionamento - está direta ou indiretamente ligado a dois pontinhos básicos: falta de comunicação EFETIVA e falta de boa vontade VERDADEIRA - para quem ainda não entendeu o ditado "o inferno está cheio de boa vontade", vai uma dica: é que a gente alega boa vontade para justificar e comover o que fazemos, principalmente em se tratando de manipulação, que é uma tática que age na surdina, com voz mansa e mundo de ilusão. Melindre, orgulho, vaidade... isso independe do tom de voz que usemos ou do quanto deixamos sair tudo o que e como pensamos. Muitas vezes, seguramos algo ruim que está na ponta da língua para ferir o outro, mas mesmo tendo segurado o sentimento ainda nos corrói... questionar esse sentimento é o caminho; diluí-lo, logo em seguida é o próximo e consequente passo. Ou seja, não é o não falar, é o entender o que sente e lidar com ele. Negar um sentimento é o mesmo que alimentá-lo. Um dia ele explode e a pessoa nem percebe, diz que "não". 

Fugimos muito de nós mesmos e nos escondemos atrás das falhas do outro, assim, ficamos protegidos de nós mesmos e criando um clima insuportável e chato na relação, seja ela do tipo que for... Assim, a falha de comunicação e a má vontade se expandem sem dó. Somente um ambiente honesto, claro e aberto de VERDADE é capaz de acolher as diferenças. No mais, vira campo de batalha, uma arena de egos gladiadores... vence aquele que destruir mais o outro. 

Falar em AMOR é muito mais do que falar, é fazer e fazer bem feito, é entender que AMOR está longe de ser uma manobra manipulatória e nada tem a ver com capricho, orgulho, frustrações... AMOR é amor, um sentimento nobre e apenas para quem conseguiu evoluir, porque para nós, seres inferiores, acredite, só conseguimos viver pequenas e minúsculas facetas de desdobramentos desse sentimento tão gigantesco e libertador. Nós vivemos o amor ao orgulho, à vaidade, ao ego inflamado e doente. Vivemos uma sombra do amor. Vivemos a prisão do desejo, que é fruto das paixões.

Estamos aquém do aquém do aquém de quem podemos ser e nem fazemos idéia! 

Pat Lins.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

CHEGAR LÁ - onde?


Eu não sei o que as pessoas acham que seja "chegar lá"... eu chego lá todo dia: chego ao final do dia; chego ao início do outro; chegou ao próximo instante... Essa de "chegar lá" quando lá é á longe e tão, tão distante ´coisa para quem não quer chegar a lugar algum além de onde está.

Eu quero um pouco mais... quero ir cada dia mais um passo além o que já dei e chego lá, o próximo passo.

Saúde, minha gente, é algo que a gente só tem com paz de espírito. E não adianta alimentação saudável se os pensamentos e ações não os são... Assim, vai chegar lá, sim... mas lá onde?

Eu quero chegar lá, em cada sonho que tenho. Eu quero chegar lá, no caminho para esses sonhos. Eu quero chegar lá andando, para poder curtir e usufruir de cada instante e do momento da chegada em cada novo lá. Eu quero é ir vivendo e sendo feliz, sendo alegre, sendo triste - sim, existem momentos de tristeza e isso não é fraqueza... também, nada de arrastar esse momento eternidade a dentro, deixa ele passar e pergunta por que ele esteve.

Eu quero é chegar lá, partindo bem daqui, com calma e com as pessoas que amo. Essas já estão ao meu lado e eu o lado deles/delas. E ainda tem espaço de sobra para mais no caminho. A gente colhe o que planta. Se tem uma coisa boa que sei plantar é bons amigos! E eles me regam. E a gente floresce juntinhos.

Eu quero chegar lá, aqui e agora! Começando já!

Pat Lins.

domingo, 13 de janeiro de 2013

TEMPO


O tempo não é vilão. Nós é que somos limitados em capacidade de entendimento de nós mesmos e da nossa condição humana.

Pat Lins.

sábado, 5 de janeiro de 2013

"A INVENÇÃO DE HUGO CABRET" - filme LINDO!



Finalmente, assisti "A invenção de Hugo Cabret". Coisa mais linda! Casou com uma bela conversa que tive durante a tarde sobre sonhos, tempo de ser e acontecer e razões de existir. Adoro perceber que estou em sintonia com a vida... rsrsrs Foi assim que esse filme caiu em meu colo, na hora certa.

Consertos; dor em tentar esquecer o passado e ficar preso a um tempo inexistente... metáfora do menino que mora dentro de um relógio e, se os relógios estiverem sempre na hora certa, ninguém perceberá que ele está ali...; estação de trem - idas e vindas / partidas e chegadas / encontros, reencontros, desencontros; a vida por trás da vida; o que se foi e não se é mais, mesmo sem ter deixado de ter sido; será que conhecemos as pessoas com quem (con)vivemos - suas dores mais profundas, suas angústias, seus medos, suas inquietações, seus sonhos?

Adorei a cena do Méliès jovem, vivendo seu sonho, arriscando por um futuro melhor e vivendo esse futuro que se torna um passado mal assombrado e doloroso, como todos nós que fazemos questão de ignorar que somos capazes de viver as mudanças e criar o novo no atual. A cena é quando ele fala para o pequeno Tabard: "Venha garoto! Venha sonhar comigo!"e, anos depois, o menino já adulto ergue um  museu em homenagem ao ídolo despertador de sonhos ignorando o fato desse ídolos ter esquecido de quem era e ter esquecido do quanto viveu seus sonhos... atualmente, vive um pesadelo na vida real da tristeza e, ironicamente, um homem que alegrava as pessoas tem uma banca que conserta "sonhos"em forma de brinquedos e nunca ri. A arte só é viva se tiver alguém para adimirá-la, senão será obra morta. Mas, basta um olhar de emoção sincera que ela renasce e se ergue como uma planta que esquecemos de regar. A vida é muito mais do que fazemos sozinhos. É muito mais do que construímos do lado de fora. É muito mais do que o máximo que podemos imaginar imaginar. Os encontros sempre têm algo a nos revelar. As mensagens da e na vida não são exatamente o "quê" e "como"desejamos que sejam, elas são o que elas são: mensagens. E só fazem sentido quando nos colocamos em movimento para enxergar o que está escrito como está escrito. O passar do tempo, a velhice não é para ser o fim, mas uma fase de preparo para o descanso natural. Não é querendo ser jovem para sempre ou o não querer encarar que o passado é real mas é passado que faz um presente melhor e um futuro brilhante. É o saber viver cada instante e cada nova fase que dará o ritmo de todas as coisas, como o ponteiro do segundo, ele sim que dá o ritmo e marca o tempo do tempo. A cada sessenta, um. Vixe! Vamos calcular quantos anos de vida temos nessa proporção? Somos jovens demais diante do mundo e ele continua a girar e se renovar. Humanos, entendamos, enfim, a mensagem: renovemos sem nos modificarmos tanto! Mudemos e nos mantenhamos. Simples assim.

A mensagem de que o coração é que faz tudo funcionar devidamente é linda, através da chave em forma de coração que faz a máquina funcionar. O coração é humano e só um ser humano pode dar "vida"a uma máquina, sem o movimento do homem a máquina para e assim fica até alguém dar corda. As máquinas nunca substituirão o ser humano. A automação pode desempregar muita gente e talvez esse seja o paradoxo que criamos e não sabemos usar: elas existem para facilitar a vida humana e nos permitir ter mais horas de lazer e prazer. Infelizmente, o capitalismo selvagem não nos permite viver esse tipo de realidade e por pura má vontade da gente mesmo... Confuso? Real!

Ah! Quantas vezes o menino nos mostra que somos como um relógio e eu entendi essa mensagem de algumas maneiras: "tudo tem seu tempo e como o tempo é algo exato, no momento exato nosso tempo se revelará"; "somos como um relógio: vivemos sob o comando do tempo; só funcionamos bem com cada peça em seu devido lugar; manutenção é o que nos leva a continuar... ou continuar é a nossa manutenção?"; "viver é entender que nunca estamos sozinhos e que o isolamento e o medo de Ser é que nos separa do mundo real e da vida lá fora, além das nossas paredes que, enquanto nada mudar, acomodados viveremos"; "criar e ser um precursor não é o mesmo que continuar sendo... assim, podemos dar início a algo e nos esquecermos de nós mesmos por conta de uma tragédia"; "a magia está nos sonhos que podemos viver e para vivermos esses sonhos, precisamos acreditar!". 

Outro ponto interessante - o filme todo é um ponto interessante - foi entender quem era o menino solitário por trás do inspetor malvado e infeliz, que não sabe sequer o que vem a ser dar um sorriso: órfão e ex-morador do orfanato para o qual ele manda as crianças que perderam os pais. Uma vítima da própria amargura e de um ambiente que contribuiu para o aumento dessa amargura, dor e tristeza, além de ter sido vítima da guerra. E, mesmo assim, tudo que ele queria na vida, por mais que negasse, era ter alguém, era amar e ser amado. E achei linda a cena onde ele salva o pequeno Hugo dos trilhos, demonstra preocupação com o menino e depois retoma seu posto de homem mau que tem um cachorro como único amigo. Mesmo assim, os apelos de Hugo o tocam a ponto dele querer sair daquela situação. O amor que a florista plantou nele - olha a metáfora com as flores, coisa mais romântica e envolvente pela pureza - começou a transformá-lo em um ser melhor. Hugo, com seu dom de consertar, sem perceber, deu àquele homem infeliz a corda do tempo, onde ele para para escutar o menino, ele é recebido pela florista que o envolve em carinho ao segurar o seu braço. Uma cena simples, rápida mas que me chamou a atenção pela leveza despretensiosa.

O legal: tudo isso em plena "Cidade Luz", Paris. Cidade de suma importância para o desenvolvimento da arte. Berço do Iluminismo, da capacidade do homem de pensar e de agir. Talvez por isso, a mensagem da importância da leitura de bons livros e de uma biblioteca com acervo riquissimo naquela estação. E nos livros estão os registros do passado. Muitas respostas podem ser encontradas lá, principalmente respostas para as perguntas que nem sabemos como formular. Num bom e honesto livro muito é possível se encontrar.

Assim, onde arte e vida se misturam o que é filme e o que é realidade se confundem - uma bela expressão de arte traz vida e vida é a arte de viver. Muito interessante a imagem que dá para ver "de dentro" do quão grande é "o fora" e como  vista de cima aquela região lembra o encaixe perfeito das engrenagens de um relógio. Nesse mesmo lugar de refúgio, o menino (re)vive, como "fuga" do problema, ao ser perseguido, a cena que viu no cinema e fica pendurado no "tempo" - o relógio da estação - até o tempo de seguir de volta e cumprir sua "missão". Ou seja, no tempo certo, obstáculos podem nos atrapalhar, podem dificultar, mas nunca impedirão. Não precisamos ficar pendurado e parado no tempo, mas uma pausa de vez em quando para se recuperar e criar condições para agir melhor se faz necessária.   



Gosto de imaginar que o mundo é uma grande máquina. Você sabe, máquinas nunca tem partes extras. Elas têm o número e tipo exato das partes que precisam. Então imagino que se o mundo é uma grande máquina, eu também estou nele por algum motivo. E isso significa que você também está aqui por alguma razão.
A Invenção de Hugo Cabret

O filme é lindo, completo, tocante. Fala da condição humana em se dar conta de que é humano. A importância da arte como expressão de beleza estética e ética como parte da condição humana. Nós precisamos de arte, como precisamos da ciência, como precisamos da educação, como precisamos da religiosidade. Tudo isso pode nos levar rumo ao caminho da sabedoria. Onde há beleza pura, natural há Vida.

O amor é a chave para tudo! E é através do amor de uma menina pelo seu amigo, um amor puro, que a mensagem começa a ser revelada. Que os ajustes começam a se fazer. Ela, em busca de uma aventura: a própria vida além dos livros que lia. Ele, em busca de consertar um autômato para ser seu amigo e não se sentir só. Eles, juntos, se ajudam, consertam em si aquilo que estava fora do lugar para, enfim, poderem ajudar todos ao seu redor. Nenhuma ação do bem se restringe a quem emana. Ela segue e vai seguindo onde encontrar porta aberta e segue, sem parar! E a chave estava em forma de coração pendurada em seu pescoço, na altura do peito, bem ao centro, bem no coração dela. Todo mundo tem uma razão de existir. Todos nós somos peças da máquina perfeita da Vida, do Tempo e da Natureza divina. Todos nós somos criaturas de Deus na Terra e um dia entenderemos a nossa razão de aqui estarmos, o que viemos fazer e seremos capazes de entendermos a mensagem da nossa Vida, em vida, desde que nunca deixemos morrer em nós a criança que fomos e que deu origem a tudo que somos - Ops! Na verdade, que deveríamos ser... - e que retrata o nosso início de vida, o começo da nossa caminhada e de que viveremos sempre fases e fases, até a suposta última fase: a morte. Vida e Morte andam juntas. Começo e fim. Mesmo assim, onde termina nunca é um final e pronto... algo começa para quem fica, inclusive a condição em se adaptar a ausência de quem partiu.

A criança é o símbolo do amanhã, do começo, do crescer e todo ajuste em nossas vidas deve ser feito. Comecemos perdoando nosso passado. Comecemos nos redimindo. Comecemos de volta ao começo, sem deixar de dar continuidade ao hoje e na construção de um amanhã cada dia melhor! 

Poderia levar horas escrevendo aqui e me deliciando com a decupagem dessa obra-prima, dessa obra de arte - isso sim é Cinema como Arte, como expressão da beleza que a arte tem que ter com conteúdo, magia e vida! - porém, nada substitui a sensação ao assistir e assistir e assistir.

E fica a pergunta: o que é REAL realmente? É a vida que vivemos, essa que fingimos ser vida real realmente ou a vida que temos para viver e que juramos ser um ideal utópico, impossível, portanto, irreal e inexistente? Ou tudo isso e muito mais? 

Pat Lins - pensando com arte.

PS - encontrei um texto bem legal sobre o filme: PENSAMENTOS FILMADOS - A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

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