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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

TUDO DEPENDE DE COMO A GENTE SE VÊ

Faz tempo que venho refletindo: compreender pode custar muito caro. Será? Explico: alguém já se deparou com uma situação onde um outro alguém apronta uma e, quando confrontado(a) clama a bendita "compreensão" de sua parte? E essa compreensão que a pessoa requisita quer dizer: "entenda eu sou assim". Minha pergunta vai para o fato de, seu eu recusar entrar no jogo e disser: "eu compreendo, mas, não admito que faça isso comigo" estarei sendo cruel?

Por que todo ser aprontador apela para ser compreendido, quando, ele mesmo, além de não se compreender, é incapaz de compreender o outro? Será que acham que eu sou uma pessoa que está acima disso? Por que essas pessoas sempre entram por esse viés?

O interessante é que quando a gente compreende que a pessoa está fora de si, dá para diluir a raiva. A gente precisa começar a se ajudar e não entrar numa de justiceiro e orgulhoso, entrando no jogo. O fato de compreender não quer dizer acatar, muito menos concordar ou estimular. Compreender faz com que a gente não alimente um veneninho barato e acessível a todos nós, também conhecido por um nome genérico, através do seu princípio ativo que é a "raiva". Pois é! Nós "crescemos" - aliás, os anos passam e nós nele - justificando cada raiva como algo legítimo, afinal, toda raiva nos diz que NÓS ESTAMOS CERTOS E O OUTRO ERRADO: JUSTIÇA, SEJA FEITA. É ou não é? Difícil, quase impossível, se conter diante de uma injustiça, ainda mais se o injustiçado for EU. É difícil conter a cólera quando alguém invade nosso espaço... eu bem sei disso. Agora, agir como se eu fosse perfeita e condenar - como fiz minha vida inteira - o outro me faz ser melhor? Não se trata de deixar que a pessoa invada, detone ou algo parecido, com minha vida, entretanto, o COMO reajo mostra muito de COMO SOU, ou ESTOU... ou ainda QUEM SOU. Existe um QUEM SOU mais evoluído em cada um de nós, ávido por sair e assumir o lugar para que, enfim, sejamos quem somos em essência. 

Numa conversa interessante com uma amiga, mudei todo esse post. Estava condenando e julgando - fazendo "justiça" - uma pessoa que tentou invadir meu espaço com sua loucura. Pois, após conversar com Noemia, numa conversa sobre outro assunto, outra pessoa - inclusive eu nem participei a ela esse episódio intenso que vivi - ela me disse a frase que me fez não só refletir, como permitir-me mudar minha ótica: "eu compreendo e aceito o erro nas pessoas porque eu sei que eu erro, também. Não sei por que as pessoas têm tanto medo em assumir seus erros?". Isso é o que a compreensão quer de nós, que a usemos na prática. Me toquei de que a pessoa não invadiu o espaço, mas, nem havia me tocado. Eu quase permiti que ela entrasse, abrindo eu mesma as portas, quando quase entrei no jogo, exigindo "justiça" e com orgulho ferido diante de tanta calúnia e desequilíbrio. Estava "preocupada" com a imagem e a reputação das pessoas envolvidas - onde me incluía. Estava mais preocupada com o fato da destrambelhada da pessoa sair falando as atrocidades que inventou - só para resumir, a pessoa recebeu uma cobrança que já havia pago. Em vez de ir no órgão resolver e apresentar o comprovante de pagamento, queria que meu marido pagasse, juntamente com ela e outra pessoa. O detalhe: perdeu o comprovante. Se sentiu injustiçada e estava muito agressiva, querendo que alguém pagasse com ela, ao invés de resolver procurando o bendito comprovante... mas, deixa para lá - e eu preocupada com os nomes envolvidos. Em minha cabeça era loucura da parte dela, e ninguém conseguia acessar uma conversa, sequer para tentar orientá-la... Resultado, ia eu permitindo que a cólera começasse a me contaminar com isso. Depois dessa conversa - sobre outro assunto - com No, minha ficha caiu e entrei numa conversa comigo. Me disse: "primeiro, se alguém der credibilidade a ela e acreditar no que ela fala, sem averiguar, trata-se de alguém igual a ela e digno de pena. Um dia, a verdade aparece e tudo vai se resolver.". Segundo, estabeleci um perímetro ainda maior na minha DISTÂNCIA SAUDÁVEL.Terceiro: demorou, mas, entendi que é ela; ela é assim e eu não posso mudá-la! Isso reforçou a distância da distância saudável.

Quando a gente entende que também nós somos imperfeitos e capazes de cometer os nossos erros, podemos nos permitir aceitar - compreender - que os outros também cometem erros. A diferença está em como lidar com esses erros. Eu, antes, me punia, me culpava. Hoje, me empenho em reverter essa ordem estabelecida por mim mesma, em minha vida e entro numa de redimir-me. Assumo que errei e me prontifico a resolver. Vai adiantar eu me consumir em culpa, em neurose? Perder tempo justificando o porquê do erro? Isso não o transforma em acerto. Nem o conserto o faz. Mas, quando resolvemos algo, o ideal é fechar a porta ao passado. Só fica aberta se tiver pendência.

Uma coisa que começo a ver e começa a me fazer sentido internamente - porque na teoria eu já sei... - é que precisamos nos resolver conosco, em primeiro lugar. Tentar compreender o outro requer que entendamos e aceitemos a nós mesmos. Essa de querer consertar o mundo - principalmente, o mundo do outro - é fuga. Fujo muito de mim. Quando vejo, olha lá, eu disparada correndo. Dou-me um grito, agora, e digo a mim mesma: "Vem cá! Oh, mulher! Chega aqui!". Sento comigo. Me vejo. Quero me destruir de raiva, quando me vejo igual a todo mundo. Daí, olho e  me digo: "Tenho que me resolver nisso.". Pronto, dou entrada num processo interno e vou trabalhando. Quando tá pesado demais, relaxo um pouco. O exagero já me provou que a gente cria outra fuga: o faz de conta. Faz de conta que resolvi, sou madura e outra pessoa. E começo a evitar vivenciar algo que me desestabilize. Como sou capaz de usar essa consciência para ficar alerta e viver num clima de tensão e proteção, em vez de usar para elevar a minha condição? Outro papo interno e vou seguindo. A gente vai se ajustando é vivendo, mesmo. Ninguém queira fugir de dor, de erros... Faz parte da nossa humanidade. O que não devemos fazer é alargar, alimentar, arrastar essa dor por uma vida. Melhor resolver logo aqui e agora. Ela não vai passar de cara, nem deve mas, aos poucos, com o DEVIDO cuidado e no tempo certo, cicatriza. 

A gente tem mania de se achar melhor do que o outro. A grama do vizinho é sempre mais verde, né verdade? Só quem tem problema sério somos nós, afinal, todo mundo tem isso ou aquilo que vai ajudar, mas, o nosso problema é problemão. Eu tenho a maior dificuldade de sair do papel de vítima. Fora quando quero sair e alguém quer me colocar. Bom, fazer o quê? Redobrar as forças, tirar de outro lugar que não precisa agora e conseguir sair dessa zona. Muito sério isso. Nós não suportamos ver que alguém está querendo ser melhor. Incomoda tanto, quando pratico, sem falar, apenas em minhas ações - que, confesso, muitas vezes, nem eu acredito que consegui internalizar... só descubro na hora H, porque, uma coisa sou eu bater um papo comigo, outra, na hora de passar por tudo de novo, ver que mudou algo em mim - que percebo no ar uma crítica velada, num olhar, numa esquivada, numa saída de perto de mim, tipo: "lá vem ela com essas loucuras de quere ser 'cabeça'". Precisa ser "cabeça" não. Basta querer sair do buraco. Não é para ser melhor do que ninguém, apenas, o melhor que posso ser. Aí, numa outra situação, eu perco o controle, vem outra cobrança velada: "Não é tão cabeça? Escreve tanta coisa naquele blog, como se fosse alguém evoluída e, aí, agora, fazendo besteira...". Pois é, todo mundo se acha mais normal do que o outro. Ninguém aceita ver erros e, na maioria das vezes, somos incapazes de olharmos que erramos deveras, também. Haja juízes da vida alheia...

Como me disse Morgana Gazel, "eu aceito o erro no outro porque sei que eu também erro!". Pronto, é isso que quero dizer a mim e quem mais estiver no mesmo dilema.

Isso é uma pequena parte do que pode ser a compreensão: aceitar que as pessoas são falhas - inclsuive EU. E nós, o que fazemos com a nossas falhas? Como lidamos com os nossos erros? 

Gente, "o melhor lugar do  mundo é aqui e agora" (Gilberto Gil)

Com um poquinho de compreensão, a gente pode CONSTRUIR E PLANTAR um mundo muito melhor, começando pelo nosso mundo individual. A gente se preocupa demais com o que o outro vai pensar. Paremos um pouco de julgar que nos sentiremos menos julgados. Essa sensação é que nos faz reféns de nós mesmos e das nossas loucuras. Se engane não, todo mundo tem seu lado doidinho e sombrio. Só se for muito eovluído para ser evoluído. Senão, é falho e humano como qualquer outro ser. O que faço com isso é que fará a diferença. Sabe o que me ocorreu agorinha? "TUDO DEPENDE DE COMO A GENTE SE VÊ". - Vou até mudar o título. Era: "compreensão pode custar muito caro... (?)"

Pat Lins.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

PARA VIVER O BEM, SÓ VIVENDO O BEM

Se nós bem soubéssemos o  bem que faz o bem, deixaríamos de acreditar unicamente no mal. Este é visto, portanto, crível. É denso, pesado, feio e cansativo. Abate, desencoraja, destrói. Ele seduz nossos sentidos, ilude, engana. Só exige da gente uma vida com "poucas" renúncias: renunciar crescer, renunciar ser melhor, renunciar ver o lado bom e a solução. Não sei se é esse o plano do "mal', mas, é isso que fazemos com ele.

O bem é sutil sábio, sabe aguardar. Só age se assim quisermos, ele nos respeita. Ele fica ali, em nossa frente. Raramente o vemos. Não, ele não é invisível, nós é que não sabemos ver. Só olhamos e vemos o que queremos e como queremos. Só ele é capaz de aplacar o mal, transmutando toda a negatividade.

Para fazer o bem, precisamos encarar o mal que há em nós mesmos. Nossas sombras. Nossas angústias, fundamentadas pela falsa necessidade que carregamos de "ter", como se isso fosse a coisa mais importante.

Recentemente, percebi que a maioria das pessoas ainda enxerga como bem sucedida a pessoa que acumula - e muito - bens materiais. Não sou hipócrita de dizer que não batalho para alcançar conforto, segurança financeira... lógico, vivemos num mundo capitalista e só uma pessoa ou muito iluminada consegue viver sem as exigências que essa vida impõe. Também tenho meus  kuravas gigantescos, meus dilemas. Nunca me coloquei como melhor do que ninguém.

Essa postura que adotamos diante da vida só pode alimentar aquilo que vemos, porque é nisso que nos fincamos. Para ver o bem é preciso ter olhos abertos, simplicidade e vontade. Isso requer muito de nós: nosso bem. Eu acho que vale a pena lembrar que existe muita coisa boa no mundo - sem negar a existência do mal. À medida que nos abrimos para o bem, vemos que o mal é necessário, de alguma maneira. Eu não entendo nem um pouco os desígnios do Pai, mas, quem sou eu, uma poerinha cósmica, a questionar Sua infinita sabedoria, seja Ele como for - tem uma hora que confunde, porque querem nos vender uma imagem de Deus, sendo que ninguém nunca o viu e afirmam tanto ser Ele um senhor grisalho de barba branca e com palavriado humano... muito pouco para mim. Para mim, Deus é mais! Para mim ele é a união de todas as forças. Está acima disso que chamamos BEM ou MAL. Existem coisas na natureza que chamamos de mal, como chuvas e etc. Acreditamos que os alagamentos, as inundações são castigo do céu... na verdade, vejamos onde estamos construindo e como anda nossa convivência com o que é natural, com a Natureza. Queremos pensar Deus nos falando como nosso pai fala. Por maior que seja o amor de um pai pelo filho, ainda assim, é humano e esse pai está na mesma condição do filho: filho do Pai.

Como você viveria se eu dissesse que o "diabo" não existe? - não estou afirmando nada, se ele existe ou não, apenas questionando se isso fosse verdade, em quem jogaríamos a culpa de todas as merdas que fazemos? Você sabe que o mal existe na gente também? Parece que as pessoas insistem em dar mais força ao mal, acreditando apenas nele, do que se permitir abrir para o bem. É preciso abrir espaço. Saber receber. Não adianta, podemos reclamar o que for, só receberemos da vida o justo, o necessário. Acredite eu ou não. Goste eu ou não. Quanto mais nos afastamos do bem, mais distante ele fica. Não porque ele se afasta, apenas porque nós nos afastamos dele. Será que é óbvio isso? Creio que não, se fosse tão óbvio, pararíamos de dar tanto murro em ponta de faca; pararíamos de alimentar tanto as dores, as angústias, os dissabores, o que deu "errado".

Temos uma mania de colocar tudo em dois campos extremos: CERTO ou ERRADO; BEM ou MAL; PRETO ou BRANCO; É ou NÃO É. E existem tantos, inúmeros e incontáveis "certos", "errados", "bons", "maus"... Já ouviu: "de boa intenção o inferno tá cheio?". Pois é, o mal também tem suas "boas" intenções, para com ele mesmo. Precisamos ser justos. Ser justo não é querer estar sempre com a razão, nem achar que sabe tudo. Não sei explicar tão bem o que é ser justo... seria apenas uma definição elaborada pelo meu intelecto na intenção de dar uma definição bonitinha... Na verdade, eu imagino o que seja justo, porque dói sê-lo. Dói ser julgado porque entendeu o lado do outro. Incomoda não reagir. Só se é justo se revidar e fizer "justiça". Para mim isso é orgulho, algo danoso. "Mas, você vai deixar assim? Se fosse comigo..." Não falo fazer papel de trouxa. Todo mundo acha que ser bonzinho é ser babaca, ou apenas uma pessoa que ajuda uma velhinha a atravessa a rua. Nos ensinam muito pouco sobre bondade. Queremos aprender muito pouco sobre bondade.

Ser bom requer algumas características que poucos de nós está disposto a desenvolver. Exige que tenhamos uma coerência entre nossos pensamentos e nossas ações, senão, não há meio. Exige que tenhamos firmeza de caráter, moral, ética... senão, não há espaço. Ser bom é muito mais do que alguns atos de bondade. Ser bom é fazer o bem, sem olhar a quem e a todo instante. Ao menos, é o que eu penso. 

Sejamos cada dia um pouquinho melhor do que ontem. Podemos abrir a porta ao bem aos pouquinhos. A afobação derruba tudo e vem com uma densidade danada, daí, traz a ilusão de que estamos fazendo o que deve ser feito, como deve ser feito. De repente, vem a chuva e derruba nosso castelo de areia e culpamos a vida por termos erguido uma construção sem base firme. Para erguermos uma vida de verdade é preciso trabalho e esforço... requer dedicação, disciplina e ação todos os dias. Não como fardo, com peso, com lamúrias... isso é o que a gente já faz: desconstrói um dia após o outro e carregamos a ilusão de que construimos a torre que nos levará ao céu. Sempre caímos no mesmo lugar. Nós damos nossa cara a tapa para a vida. Ela não quer nos bater, nós é que nos batemos. A Vida ensina, mas, não sabemos escutar. Muitas vezes, nem queremos.

Sei não, mas, eu quero aprender cada dia mais. Eu adimito que não sou boa. Mas, que eu quero ser e me esforço - ainda que minimamente - eu tento... Vou no ritmo que consigo, senão é afobação. Para tudo, nosso tempo. O equilíbrio. O sentir. No momento em que a ficha cai, aí, sim, a gente sente na alma, em nosso âmago: "então é isso!" ou "então, é assim!". Chega-nos uma convicção. Uma convicção diferente, não aquela reação instintiva aos nossos desejos - que chamamos erroneamente de intuição - mas, uma intuição genuína - desculpem-me a redundância... se é intuição, deveria ser genuína... é que usamos tanto e por tanto tempo para diversas definições que a intuição passa a ser um termo coringa: entra naquilo que eu acho que deve ser. O bem deve ser assim, em forma de paz. Afinal, o contrário dele nos causa angústia, dor, sofrimento... Então, se esse é o papel do mal, não seria ele uma faceta do bem? Eu, hein... Tô pirando meu cabeção. É que minha ficha está caindo por aí... em ver que o bem está em todos os lugares, só olhar direito, ou certo. Êpa! Sem alienação. Sem devaneio. Minha ficha me diz que devo manter os pés no chão e não deixar de ver e adimitir a realidade.

Será que tudo faz parte? Tem algum a parte? Será que existe o caminho do meio, mesmo? O equilíbrio? A harmonia? Eu acredito. Acredito que se bem nos fizermos, bem chegaremos lá. Lá onde? Em nós mesmos. É... tô pirando meu cabeção, mesmo...

Pat Lins.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

AFINANDO A JUSTIÇA SÓ PRATICANDO A JUSTIÇA

 
“(…) os homens tornam-se arquitetos construindo e tocadores de lira tangendo seus instrumentos. Da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos"

 Aristóteles

domingo, 16 de outubro de 2011

A BELA ADORMECIDA

Esses dias, me veio a mente esse pensamento:

"Minha alma é como A Bela Adormecida, deitada linda, serena e calmamente, a espera do momento de despertar."

Daí, pude perceber que nas histórias dos contos de fadas, tem muito mais do que simples estórias que foram pegas pela Disney e transformadas em desenhos animados; tem um chamado de resgate de nossa essência. Tem um levantamento de questões internas de nosso Eu, de nossa individualidade e de nossos entraves, desafios e da possibilidade do nosso crescimento.

Comecei a trabalhar alguns fatores meus, que vivo fugindo, para não crescer. Comecei a ver um porquê de em quase todas as histórias, os pais das princesas morrerem: dizem que a gente só cresce quando entende e aceita que nossos pais e mães são gente como a gente, pessoas com dificuldade e facilidades; forças e fraquezas; defeitos e qualidades... Pois é, a morte nas estórias, ao meu ver, tratam-se de uma metáfora para a morte dessa imagem perfeita que fazemos de tudo como se a perfeição fosse algo dado de graça e que só os nossos pais têm. E, eu vejo uma mensagem aliada a isso tudo, de que todos somos filhos do mesmo lugar, do Pai e que, sendo todos filhos do Pai Celeste e da Mãe Natureza - já que em nossas mentes, a referência da nossa realidade terrena, para ser filho tem que ter pai e mãe - somos, então, todos, pois, irmãos, numa condição mais elevada e aos olhos do Criador.

Comecei a viajar nessa idéia-pensamento. Vi que são todas jovens, belas e com um senso de justiça que só uma alma nobre pode ter - isso foi baseado na aula de uma grande professora, Hermínia. E me ocorreu que não se trata da beleza superficial, mas, sim, da beleza estética do equilíbrio, da harmonia. As princesas não morrem, elas dormem - como nós nessa vida, apenas passando um tempo, afinal, a alma, o espírito, é imortal, até serem despertas pelo beijo encantado do príncipe encantado. Esse príncipe somos nós, nossa força guerreira de lutar e ir em busca de algo que nem sabemos o que é, mas, precisamos ir: nosso chamado interno. Já reparou que o príncipe se sente no dever de ir a algum lugar e, nesse lugar, se depara com a beleza irresistível e a beija, consolidando o ato material do amor através do beijo, de encontro. Tudo o mais que acontece são as coisas que acontecem em nossas vidas. A maldade que precisamos superar na gente e que, se o outro não se esforçar para transformar em si, precisamos estar muito fortes e cheios de amor em nós para não permitirmos que essa maldade nos mate. Quantos de nós se matam em si? Quantos de nós acaba sucumbindo a gama de dor e tristeza que nos remetemos e de lá não saimos, até aceitarmos que só entendendo que só lutando conseguimos vencer? 


Ontem, uma pessoa que já é muito especial em minha vida, como professor, como exemplo de pessoa, de dirigente, falou, em meio a muitos conselhos riquíssimos, que "precisamos entender que nossa vida é esforço..." e é mesmo. A natureza vive esforços diários, regidos por uma Lei Natural que nos é desconhecida por ser divina e nós, pessoas que esquecemos que somos humanos e parte dessa mesma natureza, onde somos incapazes de aceitar que nossa razão tem uma boa razão para existir. 

É por essas e outras que nossa personalidade mais densa, mais apegada a vida material nos prende e nossa alma adormece, tal qual as princesas dos contos de fada, tal qual a Bela Adormecida. 

Em todas as religiões se fala de vida eterna, seja como reencarnação, seja como ressurreição, seja como renascimento no Reino dos Céus... Ou seja, nós não nascemos para vivermos aqui, nessa Terra, nessa matéria. Nossa liberdade está em aceitarmos que nossa luta maior é conosco, num entrave interno que só vencendo internamente estaremos livres de nós mesmos e mais próximos de nosso Eu verdadeiro e essencial. No momento do nosso encontro conosco, com nossa alma, no alinhamento entre quem somos de verdade - ou, melhor, quem somos em essência - com quem estamos, ali, sim, não haverá o mal, porque já o teremos transformado em bem. Por isso que vivo me dizendo que fazer o bem é muito mais do que não fazer o mal, é viver o bem e, agora, complemento: é aceitar o bem como parte de nós e o mal, como parte de nós que precisa ser conhecida e transformada. Não é brincadeira, nem metáfora, quando alguém nos diz que só nós somos responsáveis por nós mesmos. É bem direto. Só que, por assim ser, não gostamos de ouvir. Nosso dia a dia nos remete e nos enclausura a uma condição muito superficial, muito pautada num aqui e agora de mentira e que não nos levará a lugar algum, a não ser o que já estamos. Precisamos fazer do nosso aqui e agora algo produtivo, só assim amanhã será um hoje mais virtuoso. Afinal, fazendo de cada aqui e agora algo melhor e mais rico - no sentido de ações e pensamentos virtuosos - só se pode chegar a amanhãs mais virtuosos. Isso é matemática. Isso é exato, como a Natureza o é. A exatidão, a fórmula mágica que tanto desejamos, os milagres que tantp pedimos é resultado disso: desse alinhamento, dessa harmonia, desse equilíbrio, desse encontro com nosso Eu essencial, aquele que foi criado pelo Pai e nós desfazemos e passamos a vida inteira como se ele não existisse. Temos uma mania miserável de fingirmos que não nos conhecemos e fugimos a vida inteira da gente mesmo, por medo, sabe Deus do quê. 

Em meio a esses pensamentos, vi uma cena de novela - esses dias estou noveleira, que só... mas, engraçado é que, quando paro para ver, me deparo com cenas que levam a reflexão - onde algumas pessoas ao meu redor colocavam a cena tão bela, com uma mensagem tão rica de força e união, de transformação e de missão cumprida com integridade e nobreza, em uma cena de tristeza. Foi na novela "Morde e Assopra", que acabou semana passada, onde a personagem Dulce - brilhantemente interpretada pela Kássia Kiss e que de feia só tinha as marcas de uma vida sofrida, porque sua beleza vinha de dentro tão mais forte que o externo era apenas um reflexo de uma vida material desprovida de luxo, conforto ou facilidade - sim, voltando a cena: Dulce estava morrendo e ao seu redor, pessoas que ela ajudou a crescer com seu exemplo e caráter firme e ético. Era uma mulher digna. Todas as pessoas ao seu redor precisavam aprender algo e conseguiram. Naquele momento de dor, afinal, se tratava de uma pessoa que estava deixando essa vida, e, sim, pessoas queridas nos fazem falta, mas, dor é uma coisa, sofrimento eternizado é outra... Naquele momento, surgia uma união. Havia personagens que carregavam mágoas, que foram curadas ali, naquele instante. Daí, vi que Deus tem planos para todos nós e lição a todo instante, para que, quebrando os paradigmas impostos e engessantes dessa nossa realidade infeliz de busca pelo nada, possamos encontrar um novo caminho. Assim como Jesus precisou ser crucificado, vivendo e sentindo o ápice da dor física, moral e imoral, pudesse tocar os corações e mentes de toda humanidade para o bem, para a elevação, e, mesmo assim, só vimos o lado negativo, justamente o que ele queria que entendêssemos e crescêssemos ao transmutá-lo, só vimos e nos apegamos ao mal. Só lembramos da dor que Cristo sentiu e, hipocritamente, nos fazemos solidários ao ponto de não nos elevarmos, mas, nos apegamos, cada dia mais a dor, ao sofrimento, como algo purificador. E, quando chega uma "doida" - para os normóticos - como eu e outros e diz que entende tudo diferente, somos taxados disso e daquilo. Alguém que se dispõe estudar a Bíblia, vê, em alguma passagem, Jesus dizer: "vão e vivam a dor"? Ou, em meio a sua própria dor ele pede ao Pai que nos perdoe? E nós, nos perdoamos de nossos erros e nos voltamos para o caminho da redenção? E nós, perdoamos - melhor, nem deveríamos culpar - os outros? Que patamar é esse que nos colocamos, que não está nos lugares que tanto pregamos? Mas, voltando a cena da novela, vi que as pessoas se incomodaram e criticaram. Muita gente dizia: "nada a ver Dulce morrer". Todos nós morreremos um dia e viveremos, um dia, para sempre. E Dulce, por melhor que fosse, era uma pessoa, também acumulava dor, também acumulava amargura... por melhor que ela fosse, também tinha defeitos: orgulho, amargura... Não digo se ela estava certa ou errada, mas, que era ela. Assim como nós, por melhor que nos tornemos, sempre teremos algo mais a melhorar. NÃO SOMOS PERFEITOS! No caso da personagem fictícia, a pobreza material lhe era também de cuidado consigo. Ela mostra que por mais que amemos a um filho, só nos amando primeiro, saberemos a dose de amar os outros, sem cobrança. Ela deixou de se cuidar, de se alimentar, por "amor" ao filho. Na verdade, pode uma parte desse amor, porque, ao não se cuidar, ao não se alimentar, ela abriu portas para problemas físicos. Por mais que busquemos a nobreza do resgate de nosso Eu, nós temos a condição física que requer cuidado, sim. O certo seria tudo dividido. No dia em que ela disse para ele que bebeu o leite, porque estava fraca, ele tomou uma providência e foi comer em outro lugar. Um sinal de que na vida, tudo tem um jeito. Não o jeitinho brasileiro e malandro, mas, o jeito da lei do retorno, da lei de que toda ação tem uma reação. Você pode não se deparar com um banquete exagerado, como nós colocamos como imagem do banquete ideal, mas, o necessário. Só quando ela aprendeu que por amor ela precisava ser ela, antes de tudo, sem negligenciar ele, conseguiu tocar um coração endurecido, como o daquele filho ingrato e sem bom caráter. Veja, mesmo tendo sido criado por uma mãe de exceçente caráter, ele não desenvolveu o seu, pelo contrário, tirava proveito, não do bom caratismo da mãe, mas, da ingenuidade e do sentimento doentio daquela mulher que se culpava e atormentava com as amarguras da dureza da vida e cobria o filho com o que não tinha. Ou seja, não foi construída uma base sólida. Isso não é um crítica, mas, uma constatação, afinal, era o que o autor queria que refletíssemos. E, mesmo com idade avançada e pouca formação educacional, essa mulher mostrou que sempre temos algo a aprender e aprendeu com os próprios erros, mostrando que a maioria das coisas para a boa formação de caráter não está nos livros acadêmicos e sim, no livro da vida.

A gente esquece que o que precisamos é o necessário. Para quê? Para cumprirmos nossa missão. O justo. Se a gente não sabe o que quer, não sabe o que buscar e vive em busca dessas imagens ideais e surreais que nunca serão encontradas e que não estão nelas a plenitude do nosso ser, nunca iremos nos encontrar. Não é para vender tudo que tem, ou dar... é saber como usar o que se tem para não faltar, nem exceder. O equilíbrio. Daí, vi porque essas pessoas se doeram tanto com a cena da morte da Dulce e eu só via uma bela lição. Porque, ali, vi do que estou embebida: de busca, de querer abrir meus caminhos, de seguir esse caminho que me levará a esse reencontro comigo e com o ideal maior de fraternidade, para o qual o Pai nos enviou. Para que nos encontremos e nos unamos aos nossos irmãos, uns ajudando aos outros. Onde um desequilibrar, que o outro ajude e por aí vai. Não um melhor do que o outro, mas, todos iguais, com problemas e fraquezas diferentes, bem como forças e soluções.


 Pois é, que meu indivíduo seja mais forte, a cada dia que minha personalidade e que assuma o domínio desses meus pequenos eus para que meu Eu essencial seja dominante, afinal, todo Eu é bom, é belo e é justo. Para isso, esforço diário, ritmo, determinação, consciência, disciplina, dever, respeito as leis, a ordem. Nossa vida é um ensaio. Tudo para nos preparamos para o grande espetáculo eterno que está por vir. Sejamos pois, façamos, pois, o melhor, sempre e a cada instante. Sem dor, sem culpa, porque só começou agora, mas, feliz, por ter começado!

Pat Lins.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

BOM, BELO E JUSTO

Pena que as pessoas confundam BOM com o que vende mais; BELO com beleza da moda...; e JUSTO com interesses pessoais.

É preciso desenvolver e fortalecer muito o bom caráter - perdoem-me a redundância, mas, usam a palavra caráter para designar tanta coisa... - e fazer um resgate urgente das virtudes e dos valores - não dessas virtudes deturpadas e crítcas. muito menos desses anti-valores em voga!

Sejamos, pois, BONS, BELOS e JUSTOS!

Pat Lins.

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