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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O AMARGO SABOR DA RAIVA

A raiva é poderosa, forte, dona de si...

Tem um amargo sabor de dor. Ela dói, destrói, corroe. Começa com um amargo na boca, trazendo secura. Parece espinhos afiados e gigantescos que isnistem em furar a pele e sair, para assumir um lugar que não é dela, mas, ela o quer. Tem dedos de espátula, tentando empurrar nossa órbita ocular para fora do seu lugar, numa força imperativa de dentro para fora da nossa face. Espreme nossa cabeça como garras em forma de forceps, apertando nossas têmporas e fazendo-nos enlouquecer com a quantidade de informação inútil, de onde ela tira seu alimento, e que a faz inchar, inchar e inchar tanto que se materializa em forma de um vazio cheio, repleto de nada que preste e que serve apenas para ocupar o espaço físico em detrimento do espaço mental. Confunde! Confusão! Esse é seu intento: nos confundir a ponto de ficarmos cegos, mesmo os olhos enxergando tudo, só que tudo errado. Depois, sobe aquele calor terrível, queimando a espinha, cada vértebra, cada músculo, cada célula, cada átomo... Reduz-nos a subátomos vazios e inoperantes. Uma partícula atômica, por menor que seja, e, teoricamente, indivísivel, contém mais informação do que uma infinidade terabytica, mas, a raiva, nos torna sub sub sub nada, pedaços de nada. Não, nós não a incorporamos, ela nos toma, é dona de si. Nos reveste como segunda pele e envolve nossa alma em tristeza, dor e angústia. Lança-nos ao mais fétido pântano,sem luz, sem água, sem vida. Cala-nos, pelo orgulho que desperta a vergonha em pedir ajuda ou pedir perdão, mediante arrependimento de alguma ação. Nos emudece a ponto de arrancar nossa língua e limita-nos no vocabulário oco da ignorância analfabética de um zero. Ela nos mata!


Mas, em meio ao calor da ira e do ódio catalizados no decorrer do tempo mal vivido, dominados pela raiva, a íris sensível reconhece a mínima luz! Abre-se toda para que ela entre! Eis o sol! Símbolo de vida e libertação. Sinal do fim da solidão e ressurreição. Entra um calor que refigera, que acalma as emoções aprisionadas e estancadas numa represa de lágrimas congeladas pelo mau uso delas. A raiva transpira o suor mais encorpado, com dor e odor insuportáveis para quem sente e quem expele. A vida, na forma das virtudes, salva e destila esse suor em líquido transparente, levando as impurezas que contaminaram nossa alma. Banha-nos na luz mais sublime e divina, espalhando uma fragrância suave e alegre das lembranças de quem somos: imagem e semelhança da perfeição, em matéria imperfeita e dispersa, mas, em essência, divinos e eternos como Quem nos criou. Somos partículas operantes de um Universo incessante e misterioso que insiste em nos dar novas oportunidades, mesmo que as tenhamos deixado passar. Assim como um problema não resolvido fica até ser solucionado, a oportunidade volta para que voltemo ao caminho certo. E por essa mesma íris, por cada fio de cabelo, por cada célula epidérmica, envolve-nos, entra e guia-nos Ele, o Astro-Rei: o Sol! Imperador sem tirania; verdadeiro dirigente de nossas almas. Rei dos Reis! Luz! Força! Energia Vital! Essa luz envia seus raios como espadas, como mãos, como dedos que arrancam as marcas da negatividade que nos dominou. Sim, sentiremos dor, como um músculo machucado que ao voltar para seu lugar, dói. Dói uma dor diferente: cura! Só a redenção pode-nos curar! Essa é a luz que queima e destróe a chama destrutiva do orgulho e do "não fazer".

É chegado o tempo de nos ajudarmos e enxergarmos o que nossa sábia menina dos olhos quer que vejamos. Só com os olhos puros de uma criança podemos saber nos perdoar e seguir em frente, com a determinação de quem quer apenas crescer e seguir, sempre em frente, com olhar destemido e muito a aprender.

Assim, a vida se torna doce, como deve ser e a raiva se transforma em outro tipo de energia, mais sutil e livre, libertadora. A raiva é dona de si, mas, não é dona de mim! Nem de ti! Nem de nós! Ninguém domina a raiva. Só quem entende e consegue praticar e viver as virtudes carrega a chave que fecha as portas dessa emoção mal compreendida e sub-utilizada, abrindo a porta certa, na direção correta para onde ela precisa ir. Só vivendo um dia após o outro se aprende e se vive. Só consciente e firme, guiado pela vontade conseguiremos romper com as partes mais baixas e subir os degraus que viemos para subir. Não desejo sorte, para cada um de nós, desejo discernimento, para que saibamos separar o que é do que "não é".



Pat Lins.

quinta-feira, 10 de março de 2011

FILME DE MINHA VIDA - APENAS ALGUMAS CENAS: DESABAFO! AFO! (COM ECOOOO)

Pois é, a saga do filme continua, mas, melhorou.  (OPS! NO EPISÓDIO ANTERIOR REFLETIA SOBRE A INFLUENCIA DE UM FILME SOBRE MEU FILHO. VIDE http://maesnapratica.blogspot.com/2011/03/filmes-influenciam-mas-nao-sao.html) A estratégia da negociação foi surpreendente: ele não só concordou, como entendeu e, o melhor: aceitou. Melhor que isso, só dois disso! E, sendo assim, ele voltou a pedir os filmes que antes gostava tanto, como "A Era do Gelo", "Toy Story 1, 2 e 3", "Shrek", 'Lucas, um invasor no formigueiro" e etc - se eu for listar a dvdoteca dele, não termino hoje. 

Com relação ao comportamento, normalizou. Ou seja, diminuiu o excesso do que já é excessivo. Graças a Deus, porque eu já estava esgotada e, confesso, sabe Deus de onde tirei forças, porque, minha gente, careca era só o começo dos meus problemas. 

Visitando, como de costume, os blogs amigos - tenho uma lista aqui ao lado - li um texto emocionante da Sueli, - BLOG DO DESABAFO DE MÃE - e me vi ali. Só quem tem um filho de personalidade forte e dono de si pode imaginar o que passo. Por mais que eu escute e saiba que ele não é um menino ruim, afinal, não é malvado, "só" agitado, isso não diminui em nada meu desgaste. Todo dia eu vivo tensa e pressionada. Estou sempre alerta e tenho que ser flexível e legal; e ainda rigorosa e firme; carinhosa e amorosa; mãelimite no limite. Só por um tempo, queria refresco - risos. Sabe o que é pior - ou melhor ? Eu não resisto aquele safadinho lindo. Ele é elétrico, me mata de cansaço, mas, se não fossem as críticas que dou ouvido e reverberam em minha mente, talvez, quem sabe, eu me cansasse menos. Também, quem manda ser humana e dar ouvidos ao que não deveria ser escutado, já que se sabe que quem fala apenas extravasa sua própria dor, infelicidade, fraqueza e pequenez através da tentativa de diminuir o outro para se sentir maior?! E isso me incomoda muito: mania de me ocupar com a língua dos outros. Acho que sou assim por conta de minha mama querida. Ela é do tipo de pessoa que prefere se machucar a ter que dizer a verdade a alguém. Eu vivo uma contradição: quero falar - e, quando não dá para segurar, eu falo - e me sinto péssima por magoar alguém, ainda que esse alguém tenha me magoado. Aquela história da pessoa sacana que sacaneia, provoca e ainda sai como vítma, porque soube fazer seu lobby. Meu lobby é queimado, porque eu explodo mais do que me contenho e quem provoca fala baixo, com voz mansa e incubado. Odeio falsidade. Pois sim, o que isso tem a ver com Peu? Essas pessoas e lidar com isso me desgasta tanto, nesse embate que minha resistência diminui. E eu? Preciso estar sempre em alta, para conseguir lidar com Peuzinho. 

É muito cansativo ter um filho ultra elétrico, que parece saber o que quer e só descansa quando consegue - leve o tempo que levar, ele consegue alguém que ceda... principalmente quando não está em minha frente - e tentar lidar com algo que já é desgastante por si só e ainda ter que lidar com gente desocupada e sem "setocômetro". Gente que, se estivesse em meu lugar, o que faria? Sim, porque essas pessoas são cheias de dicas, receitas, fórmulas de sucesso, "jeito", "ciência", técnica - diga-se de passagem, teoria da técnica -, de experiência - nos casos que me refiro, malsucedidas experiências, mas, como os filhos cresceram e não matam, nem roubam, acham que fizeram um bom trabalho... ainda que sejam pessoas problemáticas e difíceis, imaturas, infantis, egoístas... isso me incomoda mesmo e de verdade. Cuidar de Peu não é facil, mas, se ele é assim, eu tenho que encarar os fatos e lidar com isso. Quando consigo manter uma distância saudável - como me refiro a me afastar daquilo que me compadece, para o meu próprio bem e que não é tão bem visto pelos outros, mas, paciência para eles - eu mantenho minha taxa de resistência equilibrada e minha rotina cansativa é puxada, mas, "vivível" - risos. Infelizmente, algumas vezes essa distância saudável é quebrada e levo dias para me recuperar, até estabilizar. Bom é que cada vez que faço o esforço, assim que passa a fase crítica do estresse instalado, me sinto infinitamente melhor e mais forte e, detalhe, mais convicta de que estou certa em manter minha distancinha, viu? Sorte a minha que ainda posso e consigo fazer isso com, pelo menos, 90% dessas pessoas inconvenientes, mas, que fazem parte do ciclo social e familiar. 

Essa questão do filme, mesmo, nem todo mundo acredita e acha que é proque ele é assim mesmo. Será? Não sei, acho que sou observadora demais, minha veia crítica e exploradora da alma humana me faz ser assim, de natureza. Isso faz com que eu me abra para as possibilidades, em vez de fechá-las e visualizar tudo de um panorama mais holístico - não como as pessoas dizem que fazem, sem fazer... eu sinto a dor de quem se esforça para colocar em prática o movimento de mudança, de observação, de planejamento e de desenvolvimento de estratégias e ações. Sou, praticamente, um plano de marketing - risos. Ou, uma monografia - risos. Nem por isso, obtenho sempre êxito... O empirismo me guia e entre tentativas e erros, vou chegando lá. Como sempre me falo: quem vai saber o que é certo ou errado no que tange a educação de um filho? O que deu certo para A - quando deu certo mesmo, ou seja, a criança cresceu e se tornou um adulto equilibrado, sensato, sereno... o que não quer dizer que seja apenas mérito dos pais, mas, do ambiente, da característica pessoal, do empenho individual, das oportunidades bem aproveitadas... Complexos é o que somos - não quer dizer que vá dar certo para B, C... Z. Cada um é um. Tem uma pessoa que vive pregando essa premissa e, na hora do "vamo ver" é a primeira a já estar comparando e, cá entre nós, sem critério algum... Comparar é necessário, para que tenhamos parâmetro, mas, o que é - ou quem é - o parâmetro para comparação, mesmo? Só Jesus, mesmo. Ou Gandhy, Madre Tereza... Pessoas que abriram mão de si, por já serem tão evoluídos que não tinham mais o que crescer, apenas orientar e facilitar crescimentos.

Ai, quero vomitar minha irritação, para que essas reverberações me deixem em paz. Eu já vivo uma vida desgastante - não, eu graças a Deus não passo fome, nem sede... mas, a educação de Peu requer um ritmo em mim que não é o meu e exige um estado mental sempre alerta que, de vez em quando, pede descanso e não encontra. Tudo seria menos pesado se as pessoas se tocassem e, se querem ajudar, ajudem. Porque, muito ajuda quem não atrapalha, já dizia minha avó. Ajudar colocando mais pedra para a pessoa carregar a sadismo, né ajuda não, viu?

Meu filho é agitado, sim, mas a "culpa" não é minha. Ele é como é. Não é por falta de diálogo, nem de limite - ou tentativa de dar alguns. A educação de Peu é a longo prazo. Já percebi isso. Essa natureza geniosa dele insiste e testa meus limites, mas, eu quase sempre estou lá, segura e firme. Caio, por diversos motivos, porque, apesar de ser mãe - e todo mundo exige perfeição  sem o ser - eu sou gente e vivo outras coisas além da maternidade. Caio, por diversos fatores pessoais e íntimos. Caio como qualquer pessoa. Mas, o que mais me derruba, com relação a lidar com Peu são essas intromissões descabidas, desorientadas e sem sentido, que invadem como uma chuva ácida - não comparao com acidentes naturais, porque acidentes naturais são reações da natureza gritando socorro. A mãe natureza pede socorro para que nós, filhos, vivamos melhor e nós, filhos, somos extremamente desobedientes e impetuosos, como Peu é comigo... - e terminam por alterarem o rumo de meus afazeres, do meu ritmo... Tanta cobrança. Todo mundo devia fazer terapia. Tantas ações infantis, de adultos que não se desenvolveram e cresceram em idade, mas, não em identificar sua identidade... Tanta gente que briga por tão pouco. Tanta gente que se diminui em vez de crescer. Tanta gente que cria situações sem necessidades. Tanto malentendidos, por falta de uma coisa simples, chamada "comunicação" - falar, ouvir e entender. As pessoas têm má vontade em compreender. Em aceitar. Em respeitar. 

Difícil! Mas, vou indo, porque, como disse a própria Sueli, mãe nunca desiste. E, acabo sendo mãe de mim, porque não desisto de mim, nunca! Nem quando penso que assim o fiz.

Vou terminar aqui, senão, uma coisa puxa a outra e este post era só para dizer que educar um filho é zelar por tudo que o envolve, sabendo que não temos controle total do que eles captam, mas, temos co controle total de fazê-los entender que por mais legal que uma mãe seja, ela precisa ser respeitada e reconhecida como tal. Só para dizer que eu luto todos os dias para que meu filho cresça um homem virtuoso, de bem, mesmo que hoje ele brade com os limites, que teste os meus limites, amanhã, seja ele o que for, eu fiz o que pude, com a melhor intenção. Só para dizer a mim mesma que eu preciso recarregar e triplicar minhas forças. Só para me dizer que educar um filho é identificar os sinais - quando problemas - e se abrir para as soluções, porque não existe um única solução, mas, sim, uma que dê jeito.

Depois, talvez, volte a extravasar de novo. Afinal, na prática, somos isso: gente querendo ser melhor, mesmo sem se dar conta e sem se dar conta dos caminhos que seguimos para tal. E, no filme de nossas vidas, tudo deve ser dirigido por nós mesmos e com ajuda, sim, porque ninguém vive sozinho, mas, ajuda é uma coisa, manipulação, controle e intromissão é outra...

Saudações maternais,

Pat Lins - uma mãe na prática diária de se construir e desconstruir; num desabafo de mãe e que só coisa de mãe pode entender. E, fica a pargunta: "what mommy´s need?" Afinal, somos mãe e  muito mais, não é não?! E sempre em mãetamorfose. E haja inventando com a mamãe para alegrar a filharada. Principalmente os kids indoors da vida moderna, de crianças que não dormem e vivem acesas, como se não tivessem tempo a perder. Que um dia vão virar adolescentes - e, alguns saíram dessa fase... Afinal, todas vivemos um sonho de ser mãe e, no final, toda mãe é igual! A cada mãe, mãeblogeira, bipolar ou não, aqui, meus parabéns! Fui tecendo o fio de ariadne para agradecer com este último parágrafo, a maioria dos blogs que sigo, por conta desse meu pequeno, nessa pequenópolis - crianças a solta na soteróplois. Para quem não entendeu, vide a lista de blogs que sigo no MÃES NA PRÁTICA, porque este blog é para mães de ninas e ninos do meu coração. Minha homenagem a cada blog que me ajuda nesse processo de maternidadeconsciente.


domingo, 22 de agosto de 2010

TUDO É UMA QUESTÃO DE TEMPO E ORGANIZAÇÃO

Bom, é isso aí... até aceitar que a vida é feita de dualidades, ainda carregrei um pouco na dor, mas, depois passa...

Agora é estabelecer prioridades e estratégias/soluções para alguns pequenos desajustes e organização para colocar em prática com eficiência, para, enfim, alcançar a eficácia e encerrar o problema.

Mais uma etapa de conturbação séria, porém, resolvível. A diferença é essa: hoje, conheço um pouco mais meus limites e escolho o "quê" e "como" fazer. Pronto, definidas as prioridades, só cumprir cronograma - risos. Adia alguns planos; limita outros; dá um stop em algumas coisas... e, assim, vou me organizando. Legal é ser feliz e lutar pela felicidade, mesmo quando parece que estão querendo roubá-la de você... é só impressão. Ninguém pode roubar nossa felicidade. Algumas pessoas e/ou situações, podem atrapalhar, dificultar, adiar, conturbar... mas, roubar, nunca. Felicidade é algo que não se rouba, porque ela é para ser partilhada. A gente é que se furta a oportunidade de ser feliz, pior ainda quando tudo parece estar em ruínas. Ah, mais, um obstáculo; mais desafios, que acreditava estar acima das minhas forças... e eu na luta. A vida toda é assim: a gente vive trabalhando nossas fragilidades. Transformada em força, cuida de outra e segue.

Tô subindo, no meu ritmo e dentro do que eu acredito ser minhas possibilidades. Só a gente pode fazer pela gente, mesmo recebendo ajuda e apoio. O resultado positivo depende de cada um.

Obrigada a quem sempre está ao meu lado - do jeito que consegue estar. Vamos todos pensar e cultivar coisas boas. Sei lá, já tem muito sensacionalismo e propagação do que é desastre. A realidade é dura, mas, piorar é aind pior, né não?! - kkkkk, redundância linda!

Pois bem, vamos todos enveredar no movimento de

DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO, a partir de cada um de nós!

Beijos,

Pat Lins.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

VIVENDO O DIA SEGUINTE




Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus, 6:34)


Quando o dia acabava, eu olhava para o céu, olhava aquela escuridão e dizia: “ufa! Menos um dia de vida...” E assim, repeti essa frase inúmeros dias consecutivos. Temia como seria o dia seguinte; o que faria?; como suportar mais um dia? Como agüentar mais um nascer do sol? Fazia uma espécie de contagem regressiva, na expectativa do dia que não mais acordaria...


Meus dias duravam, literalmente, 24h. As outras 24 eram imprevisíveis. Era uma vida com início, meio e fim em 24h. Doía muito o medo do amanhã.


Sentia dores que não sabia precisar onde eram... doía algo por trás do coração. Dores que me abatiam, que me faziam ficar sem respirar direito. Meu coração batia num compasso diferente. Eu era outra pessoa.


Lembrava dessa passagem em Mateus (apesar de sempre dizer que não acreditava 100% na Bíblia, porque teve o dedo do homem por trás, mas, ela me trazia um conforto real e Divino. Elas atingiam as dores no lugar certo e estas passavam), e tentava diminuir a angústia de viver o sofrimento de imaginar como seria o dia seguinte. Como falei, não tenho religião, creio em Deus. Mas, descobri, nessas horas, dentro de casa, muitas vezes deitada na cama e olhando para o teto, que temos um espírito e ele também sofre, também sente dores. Percebi então, que as dores que sentia por trás do coração eram dores na alma.


Implorava perdão a Deus, por estar sendo tão fraca, tendo Ele nos feito para a felicidade, mas, não tinha forças de encarar o “dia seguinte”. Sofria muito com esses temores.


Comecei a perceber, que esses medos, tinham a ver com o medo do futuro; um medo de viver daquele jeito para sempre... daí, o desejo de encurtar o que não tinha mais jeito... Tinha medo, porque não tinha mais sonhos; nem planos; nem ideais... nem passado, nem futuro. Pior, que nem presente...


Essa foi difícil de superar. Pensava como poderia me ajudar nesse assunto, mas nada me vinha, até que me veio: “basta um mal para cada dia”. Corri e fui perguntar a minha avó, qual a passagem bíblica que continha esse trecho. “Mateus, 6:34”, me respondeu minha linda e amada vovó Maria e já veio com sua Bíblia aberta e leu para mim. Me tocou fundo! Tocou naquele fundo, que estava doendo por trás do coração... era tudo o que precisava ouvir.


Quando vinha aquela sensação de medo, ao findar do dia, zerava meus pensamentos: PENSAVA EM NADA, para liberar a mente dos pensamentos ruins sem forçar. Comecei a deixar passar, porque já havia “pré-programado” minha mente no que pensar quando estivesse livre... O exercício de PENSAR EM NADA (criado por mim) me ajudava bastante. Não é simples, mas é neutralizar um pensamento ruim com uma respiração bem funda (vai doer, porque é um esforço respirar em meio àquela fadiga físico-mental... até respirar cansa...); sacudir a cabeça como quem diz “não” (literalmente.), mexer o corpo todo (sacudindo, andando em círculos, soltando os braços... mexendo o corpo) – ah, só fazia isso sozinha, para não me constranger (não é hora de constrangimento e nem se tem forças para assumir sua atitude...) – sentava na cama, deixava o olhar solto, vagando pelas paredes, pelo teto, pela janela... olhava sem ver, e isso fazia com que os pensamentos ruins fossem perdendo a força.

Quando eles perdiam a força, relaxava a mente (sabe quando estamos malhando e no final vem o relaxamento?... era mais ou menos assim). Deixava livre, sem pensar. Dava voz ativa a NADA. Me permitia ser uma “louca”, livre, leve e louca – risos. E funcionava. Era cansativo, mas tinha resultado.

Fui perceber que, o que fazia, era simplesmente, uma atividade física, um movimento do corpo, e isso, me OCUPAVA e eu não tinha tempo para me “PRÉ – OCUPAR” com o desnecessário. Se eu dissesse: preciso me mexer, não me mexeria, mas quando permitia meu corpo fazer algo para se proteger, ele mesmo se defendia. Nós somos um conjunto de corpo, mente e espírito, e isso quer dizer que um ajuda o outro e todos se ajudam. Todo médico fala que a atividade física ajuda nossa saúde, e é verdade! Ainda estou sedentária, mas, vou dar um jeito de me organizar. Isso vai fazer bem a mim mesma!

Após esse processo (que com o tempo vai fluindo naturalmente em seu dia-a-dia), lembrava do texto bíblico e permitia que ele me enchesse como uma luz me invadindo: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mt 6:34) e eu sorria. O ato de sorrir que me gerava tanto incômodo, voltava a sair espontaneamente.


Esse é um exercício que você deve fazer quando seu corpo pedir e sua mente colaborar. Não vai obter resultado de uma hora para outra, mas, vai sentir um alívio emergindo do âmago do seu Ser. Eu chamo isso de Deus falando claramente comigo, desde que eu me permita escutar!


É um exercício mesmo. Exige disciplina. Uma das grandes consequencias de qualquer Depressão. é que você volta a agir como uma criança aprendendo a andar: cair e levantar. Tudo passa a ser um passo após o outro. Enxergando tudo com pureza nos olhos. A mente esvazia tanto, de tão cheia de pensamentos pesados, que depois só se quer viver coisas boas. Chega uma hora que o grito de liberdade chega e diz: CHEGA, QUERO SAIR DAQUI!!! E sai. Nessa hora, você vê que venceu!


E assim, foi dia após dia. “Recuperando o futuro perdido”. VIVENDO O DIA SEGUINTE.

Patricia Lins

sábado, 26 de julho de 2008

AS FERIDAS DA MENTE: ANSIEDADE. DEPRESSÃO. E AFINS. SAIBA COMO DIFERENCIAR




Só para começar, a ansiedade e a depressão não são a mesma coisa!



Ansiedade, Ansia ou Nervosismo, é uma característica BIOLÓGICA do ser humano, que, normalmente, antecede momentos de medo, perigo, tensão... , muitas vezes caracterizada por sensações corporais desagradáveis, como um vazio, um aperto no estômago, coração batendo rápido, nervosismo, aperto no tórax, transpiração...



Todos nós podemos sentir ansiedade, principalmente com a vida atribulada atual. Ela acaba se tornando constante na vida de muita gente. Dependendo do grau ou freqūência pode se tornar patológica e acarretar em muitos problemas posteriores, como o
transtorno da ansiedade. Essa é a descrição mais encontrada em Dicionários e afins para a palavra: ansiedade.



Mas, para quem não sabe, ansiedade, pode vir a ser uma doença. É bem verdade que temos uma real dificuldade em aceitar “feridas” que não sejam do corpo. “Feridas” na mente e/ou no espírito também existem. Normalmente, estas são tidas como “alienação”, “devaneio”, “fraqueza”, “loucura”, “delírio”, “insanidade”...



De acordo com o Psicosite: ”O transtorno de ansiedade generalizada é basicamente uma preocupação ou ansiedade excessivas, ou com motivos injustificáveis ou desproporcionais ao nível de ansiedade observado. Para que se faça o diagnóstico de ansiedade generalizada é preciso que outros transtornos de ansiedade como o pânico e a fobia social- por exemplo tenham sido descartadas. É preciso que essa ansiedade excessiva dure por mais de seis meses continuamente e precisa ser diferenciada da ansiedade normal.”



Claro, e nem precisa falar muito, que as mulheres são mais propensas para esse problema do que os homens. E me refiro à questão dos Grupos de Risco, onde, hoje em dia, qualquer um faz parte.



Há quem confunda seus sintomas com a Depressão, mas, nada impede de levar a essa outra doença por conseqüência.



No início elas são diferentes: a ansiedade acelera seu ritmo e suas atividades; enquanto a depressão diminui bruscamente. Mas, se vacilar, a primeira puxa o freio de mão e a depressão assume o volante.



Depressão é uma palavra freqüentemente usada para descrever nossos sentimentos. Todos se sentem "para baixo" de vez em quando, ou de alto astral às vezes e tais sentimentos são normais. A depressão, enquanto evento psiquiátrico é algo bastante diferente: é uma doença como outra qualquer que exige tratamento. Muitas pessoas pensam estar ajudando um amigo deprimido ao incentivarem ou mesmo cobrarem tentativas de reagir, distrair-se, de se divertir para superar os sentimentos negativos. Os amigos que agem dessa forma fazem mais mal do que bem, são incompreensivos e talvez até egoístas. O amigo que realmente quer ajudar procura ouvir quem se sente deprimido e no máximo aconselhar ou procurar um profissional quando percebe que o amigo deprimido não está só triste.



No caso da DPP, existem duas formas, uma mais leve e mais comum chamada pelos americanos de "Blues Postpartum", ainda sem tradução para o português e a outra chamada de depressão pós-parto. O "blues" é uma condição benigna que se inicia nos primeiros dias após o parto (dois a cinco dias), dura de alguns dias a poucas semanas, é de intensidade leve não requerendo em geral uso de medicações, pois é auto-limitada e cede espontaneamente. Caracteriza-se basicamente pelo sentimento de tristeza e o choro fácil que não impedem a realização das tarefas de mãe. Aproximadamente metade das mulheres são acometidas pelo "blues" no pós-parto. Provavelmente devido a seu caráter benigno não tem sido uma condição estudada.A depressão pós-parto é uma
depressão propriamente dita; recebe essa classificação sempre que iniciada nos primeiros seis meses após parto. Sua manifestação clínica é igual a das depressões, ou seja, é prolongada e incapacitante requerendo o uso de antidepressivos. O principal problema desta depressão está no uso das medicações. Enquanto os psiquiatras julgam que os antidepressivos tricíclicos apesar de passarem para o leite materno não causam maiores problemas para a criança, os pediatras recomendam a suspensão da amamentação caso seja introduzida alguma medicação antidepressiva. Não há relatos de problemas causados nas crianças em aleitamento materno cujas mães tomavam antidepressivos tricíclicos.



Hoje em dia, as feridas da mente podem destruir até a pessoa mais importante do mundo. Vale ressaltar, que essas não são as únicas “feridas mentais” que existem. Há ainda: fobia, síndrome do pânico; estafa; stress; e outros “piripaques” que não são simples faniquitos. E mais, quem já tem histórico na família, vale a pena buscar tratamentos preventivos (o melhor é procurar um profissional). Mas, também, não se desesperar a toa... existem maneiras muito simples de se evitar essas “tensões” que podem vir a ser “ enormes lesões emocionais”, ou até, doenças no corpo.



Muitas vezes, tenho a impressão que as "feridas do corpo" cicatrizam com mais rapidez do que as da mente.



Fazer uma avaliação da vida, constantemente; desenvolver a fé espiritual; tentar adquirir hábitos saudáveis, como: não criticar; não julgar, nem condenar a vida alheia... ; sorrir constantemente; desabafar; escutar sempre o seu coração e sua razão... Viver a verdade é muito melhor do que viver fingindo.



Nos casos mais crônicos, o melhor é procurar ajuda médica. As pessoas temem ir a um psiquiatra, por julgá-lo, apenas, “médico de maluco”... , como se alguém nesse mundo fosse totalmente normal... Eu sempre tenho um dúvida com relação a terminologia: NORMAL. O que realmente as pessoas querem dizer quando se referem aos outros, ou a si próprios, como NORMAIS? Será que é porque está dentro do padrão de normalidade aceito e imposto pelos padrões sociais? Se referem a quem tem casa, comida, roupa, escola, lazer...Então, a culpa de quem é “anormal”, muitas vezes não é do ser “fora dos padrões”, é quase algo imposto a esse ser, né verdade? Julgamos a partir da “norma” de ser “normal”. E você, é normal, também? Você não chora, não grita, não xinga? Ah, isso é normal para você? E você aí, se cala e guarda? E você que reclama da vida? E você que só sabe falar mal dos outros? E você que está carente? E quem está “se achando” por acreditar que está acima dos outros, só porque tem um carro melhor e paga as contas com folga no final do mês? Todos somos normais! Todos somos normais, até, em nossas loucuras! Todos somos fortes e fracos; covardes e corajosos; alegres e tristes. Carregamos essa dicotomia humana, contraditória, porém, totalmente humama!



Avaliar a vida, muitas vezes exige encarar a verdade de frente (ainda que seja descobrir que tem Depressão...). No início, pode ser doloroso, mas, com o passar do tempo e seus resultados positivos, você vai ver que antes uma verdade dura, do que uma doce mentira!



A verdade é divina, então, se entregar a essa realidade só vai doer, se você assim preferir... Deus é amor e o amor dá força para curar todos os males. A gente não precisa ofender para ser sincero.



A verdade deve ser dita e vista com leveza. Porque “tudo que é leve, tende a subir, e o que é pesado, tende a descer”, como disse meu grande amigo e mestre, professor, humano, compositor, cantor...um artista completo: Juraci Tavares.



PS - hoje é meu aniversário!!! Hoje em dia cada dia para mim é precioso, imagine o MEU dia?! Quero dividir esse momento de alegria e de fechamento de ciclo e início de outro. Todo dia é dia de viver, né?! Então, parabéns para todos nós!!! Que Deus nos dê muita saúde e paz!!!
Patricia Lins

sexta-feira, 25 de julho de 2008

ESPERANÇA: UM NOVO MUNDO SE ABRE!!!



A maioria das vezes, durante as crises, sentia uma vontade de retomar a minha vida ecoando, bem longe.



Cansava até de estar em crise. A vontade de viver (apesar de pedir para morrer a todo instante) era tão forte, que, mesmo sem perceber, eu desejava estar VIVA!



Comecei a ler o que conseguisse, sobre Depressão Pós Parto; Depressão; Ansiedade... Precisava saber, em termos técnicos e comprovados, que eu não era a única. Tinha uma necessidade de me sentir “normal” de alguma maneira.



Comecei a buscar explicações para cada sintoma que apresentava e, isso, me ajudava a correr atrás da esperança perdida.



Você já percebeu que, todo mundo, inclusive quem nem percebe, vive de esperança? Esperança de que amanhã o dia vai amanhecer; de que vai fazer sol; de que vai chover no Sertão; de que vai ver todos que ama no dia seguinte... a gente vive com tanta esperança, que nem sente. Ter esperança é tão natural quanto respirar. É vital!



O dia-a-dia pode cansar, mas, sempre há a esperança do dia de folga. Muitas vezes, a chamamos de expectativa, de planos... mas a vida é feita de sonhos e esperanças. Afinal, quem é que trabalha por trabalhar? Vai ao médico só por ir...? Para tudo tem que ter um bom motivo: a esperança de viver melhor; ter mais condições de investir no futuro; trabalhar para poder se aposentar e “curtir a vida”... cada um tem seus planos e ideais na vida, e todos, baseados na esperança de viver melhor.



Imagine um dia você acordar e não sentir mais essa esperança?



Tudo perde o sentido; o rumo; o brilho!



Viver para quê?



É assim que o “depressivo” vive (ou se arrasta). Sem esperança. Uma completa e total ausência de perspectiva.



Nesse momento, lembrava de quem eu era; de como vivia... do que gostava... mas, com muita calma, para não viver de passado e/ou despertar mais um complexo de culpa. Lembrava de como sempre fui bem tratada pelas pessoas que conviviam comigo; de como sempre havia alguém querendo me ter como “filha”... Percebi que sempre e em todos os ambientes que vivia, era querida. Eu não me via como era, mas, sabia que era. E, quem estava de fora, me via como eu sempre fui. Meu ângulo de visão era outro, era, literalmente, coisa da minha cabeça.





Nossa cabeça tem um poder incrível sobre nossas vidas. Costumo dizer que tudo “parte do pessoal”. Tudo parte de quem somos; como somos. Até um profissional é, antes de tudo, uma pessoa.



Me resgatar mentalmente me ajudou bastante. Mas, me trazia um certa carga de culpa: “Por que não sou mais assim? Vivo uma realidade tão distante daquela.” A real sensação, era de que eu não tinha passado. Era como se eu tivesse sido criada naquele instante e meu passado era uma história que me haviam contado e parecia familiar... Sabe esses filmes que apagam a memória das pessoas e reprogramam? Elas acabam lembrando de quem eram; do que gostavam de comer; de como andavam... Ou, como aqueles filmes que alguém vem do futuro para salvar um passado que nunca viveu, mas que estudou sobre a época e sentia como se tivesse vivido... Mais ou menos assim.



Mas, acordar e ver que a esperança voltou é muito melhor! Apesar de toda dor, há algo positivo: um novo mundo se abre! Uma nova vida te espera. Novinha e zerada. Hora de ser quem realmente se é. Hora de viver as coisas boas, de sorrir para o sol.







Meu dilema era (e ainda tem sido, às vezes) me organizar com o tempo. Apesar de quase 12 meses ser considerado pouco tempo cronológico, a intensidade que se vive te faz ter a impressão de que viveu a vida toda daquele jeito “cinza”. Mas, permitir o amarelo te inundar é melhor que qualquer coisa!



É sentir que está vivo. VIVA!!! Dá vontade de viver fazendo festa e comemorando cada dia.





Como já falei, nos outros textos, os problemas continuam; muitas vezes “pipoco” de nervoso, grito, xingo... isso é natural. Eu não virei um monge budista ou zen (bem que eu queria, mas minha natureza é mais explosiva... teria que nascer de novo... risos). Mas, na hora da raiva, das dívidas chegando, das contas do dia-a-dia e do desemprego temporário, quem vai sorrir de cara e dizer “obrigada”? Talvez, alguém diga, porque de tanto se trabalhar e vigiar, podemos, e devemos, nos burilar e melhorar, mas ainda não cheguei a esse estado de espírito. Me entristeço, mas penso: “é só mais uma fase.”. Comecei a acreditar na esperança de que “dias melhores retornarão”. Respiro fundo e deixo os sentimentos de angústia passarem. Quando vem muito forte, converso, escrevo, mas deixo passar. Essa atitude não é só para quem já teve Depressão, é para todo e qualquer Ser Humano. Buscar a paz e harmonia e afastar amargura, angústia e dor é exercício diário! A simplicidade e a beleza pura da vida precisam ganhar mais destaque em nosso cotidiano. Dar valor à simplicidade é um grande exercício de humildade e sabedoria. O mundo sempre existiu com essa natureza exuberante e nós estamos destruindo aquilo que é para nos dar sobrevivência. Em nome de quê, mesmo? Devemos encontra um equilíbrio entre viver o desenvolvimento e preservar a Natureza. A vida foi feita para a gente costruir, edificar! Deus nos criou para viver, não para nos destruirmo.



Viver é cada dia. Li num livro de bolso de auto-ajuda, a seguinte introdução (ao final, citarei a fonte) e, dessa introdução, faço o encerramento da minha dica de hoje: A VIDA É FEITA ESPERANÇA. É ELA QUE NOS DÁ AS CORES VIBRANTES E OS SONS ESTIMULANTES PARA VIVER!!! É um texto rico em sua simplicidade e por falar aquele “óbvio” que a gente insiste em passar por cima, por achar que é “lição aprendida”, só que não é exercitada!



Eis o texto:



“Desde a manhã até a noite, nós nos deparamos com dificuldades, contratempos, sofrimentos, agitação e situações de inveja, ciúme, revolta, que podem provocar em nós depressão, ansiedade, medo, implicâncias de toda ordem. Passamos o dia resolvendo esses problemas, sem saber como dar uma guinada em nossa vida. Nós somos os sujeitos de nossa felicidade. A vida é linda! É preciso despertar a nossa sensibilidade, desenvolvendo hábitos positivos, otimistas, transparentes. Se olharmos a vida com menos dureza, menos exigência, ela poderá não ser tão perfeita, mas será mais leve, mais agradável, mais poderosa.” (Carmem Seib – Como lidar com a Depressão).
Patricia Lins

quinta-feira, 24 de julho de 2008

NOSSA CABEÇA, NOSSO MUNDO!!!



Durante o período da DPP - Depressão Pós Parto, a minha auto-estima estava debaixo da sola do pé.

Nunca fui extremanente vaidosa, mas sempre gostei de comprar roupas, sapatos, bolsas e assessórios como qualquer mulher! Gostava de usar batom tom de terra; perfumes que me inspirassem atitude e força, como alguns masculinos; gostava de ler, cantar e dançar. Uma pista de dança não ficava sozinha se eu estivesse por perto.

Sempre fui muito conversadeira. Tímida? Nem um pouco. Sempre fui alto-astral, mas, também chorava, xingava e gritava quando estava estressada ou de TPM...

O que estou tentando descrever, é que eu já fui uma pessoa para frente. Sofria, temia, fingia... tudo muito normal, como a maioria das pessoas. Nada demais. Sempre fui muito emotiva, sensível até a alma; em contrapartida, também sabia empurrar quem pisasse em meu calo (isso poderia ser uma missão muito fácil, ou muito difícil - não sou de meio termo...).

Sempre gostei muito de falar e escrever e sempre escrevi com meu coração, aliada a língua portuguesa, claro!

Pintava os cabelos e os cortava com frequência, sempre mudando o visual. Unha feita. Sobrancelha "limpa", como falo. Sempre bem apresentável. Meu mundo era O MUNDO!!! Não precisava ser rica e famosa, me bastavam a família,os grandes amigos, os estudos, as farras... o prazer de viver! Ir à praia, tomar um banho de sol! Levantar o rosto e deixar a chuva molhar... Meu Mundo, minha Vida!!!

Com a DPP, não falava, não sorria, só chorava e sofria!

Minha auto-estima sumiu... me achava feia e gorda (havia engordado 23 Kg com a gravidez). Não penteava os cabelos; não escovava os dentes (e sempre fui dona de um sorriso aberto e dentes muito brancos). Não usava perfume, nem passava batom.

Roupa? Vestia camisolão. Calçado? Dos saltos que sempre me aumentavam uns 10cm, caí para o chão: pés descalços.

Quando alguém me dizia: “sorria, você tem um filho lindo. Um marido que te ama. Uma família que te apóia...” só faltava pular no pescoço. Eu sabia de tudo isso, e quanto mais me falavam, mais me sentia vazia, por não estar valorizando tanta coisa boa. Esse tipo de “apoio moral” tinha um efeito totalmente contrário. Me culpava por tanto ter...

"Recuperar a vaidade não era prioridade para mim", repeti por várias vezes. Minha prioridade era recuperar o brilho nos olhos. Recuperar a esperança (bem que dizem que a "esperança é a última que morre", porque quando ela morre, a gente vai junto...) era minha prioridade!

Sentia-me tão oca, tão vazia, que é verdade quando dizem que “a beleza é um estado de espírito”. Quando o espírito está vazio, você fica vazia! Eu estava vazia. Ou melhor, eu me sentia vazia! Meu mundo, o nada!



Mal sabia eu que estava cheia: de Deus; de amor; de Luz!!!



Eu estava cheia de tudo que precisava para me reencontrar: o espelho da verdade.



Esse espelho me refletia uma vida inteira pela frente, para viver problemas e soluções.



E esse é o conselho que dou agora: se permita, porque a beleza da vida está em viver cada dia; com sofrimento, com alegria, com tudo que ela traz.



Se permita ser salva pelo amor de quem te ama mesmo!!! Creia, só está do lado de quem ESTÁ (porque é uma fase péssima, mas uma fase!!!) em DPP quem ama de fato!

Ainda estou recuperando a vaidade. Foi muita bagunça mental. Agora, estou arrumando a casa. A reforma já foi feita, agora, é arrumar as "gavetas" - risos! Mas, estou muito bem. Novos valores, novas virtudes, novidades. Novos sorrisos...



NOSSA CABEÇA, NOSSO MUNDO!!!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

CONFIE EM SEU TRATAMENTO

VONTADE + DEDICAÇÃO + CARINHO + ATENÇÃO + COMPREENSÃO + TRATAMENTO CERTO = CURA DE TODOS OS MALES!!!

Ainda pretendo falar sobre dados técnicos/científicos. Por enquanto, ainda falo da minha experiência. São toques que dou de quem viveu e sabe do que está falando.


Quando decidi iniciar o tratamento, procurei aliar a indicações de amigos e meu plano de saúde... até, que consegui!

Minha primeira psiquiatra era bem legal. Comecei o tratamento com ela, muito bem. Mas, foi detectada a necessidade de começar de começar um tratamento psicológico, também (era necessário trabalhar o emocional). Me indicou uma psicóloga da clínica, mas eu não estava em condições de pagar.

Até que soube que a Uneb (Universidade do Estado da Bahia) oferecia serviço psicológico para alunos (eu fiz pós-graduação lá). Tive a indicação de uma fantástica.

Quando informei à minha psiquiatra, me pareceu que ela não havia gostado, mas não me falou nada, nem me orientou a não fazer... simplesmente, mal entrava na sala em minhas consultas, aumentava as doses do remédio e tchau! Achei aquilo muito chato e parei.

Com a psicóloga, não conseguia ter uma seqüência, ela era muito procurada e era por ordem de chegada; acontecia dela não ir...; vieram alguns feriados... Fora que a linha era junguiana, para mim, naquela fase, não era bom. Muita abstração para quem não conseguia nem racionalizar para fazer xixi...

Achei que eu não era merecedora, daí, tudo dando errado. Fiquei triste. Alguns fatores externos me incentivavam a piorar... (como o início das mudanças...)

Foi, então, que, um dia, fui para a casa dos meus pais e uma grande amiga, que ainda não tinha tido coragem de ir me ver, foi lá e constatou com seus olhos o meu estado... era um ser sem descrição: olheiras enormes e fundas; nariz enorme de tanto chorar; cabelo sem pentear...; houve um dia que saí de casa de camisola, e fui para a casa dos meus pais, a pulso! Daí, ela resolveu me indicar uma psicóloga (Lilian Rezende), que me cobrou um precinho camarada. Voltei a procurar um psiquiatra. E tudo melhorou.

A linha Cognitiva estava mais adequada com minha realidade e necessidade.

Atrapalhava um pouco o fato d´eu “tirar onda” de entendida de Psicologia. Já havia pensado em ser, mas a veia de Comunicação falou mais alto. Na faculdade, tive 1 ano de aula de psicologia (Introdução a Psicologia e Psicologia Social), daí, sempre querer avaliar a técnica por trás das palavras... até que vi, que estava atrapalhando a mim mesma. Oras, estava sendo tratada ou o quê? Decidi descer do meu pedestalzinho e me entreguei! Decidi me cuidar, não era momento d´eu estar querendo julgar um trabalho que nem conheço a fundo... mal superficialmente...

Meu psiquiatra, também trabalhava com hipnose, mas o plano não cobria e era um tratamento bom, porém, salgado para meu bolso...

O que mais gostei nessa mudança, foi que Lilian soube fazer o que era necessário: ela conversou com meu marido e com minha mãe, sobre o problema e deu algumas orientações básicas. Tempos depois, isso me fez ver (já que só depois fui saber) o quanto é importante essa interação. O tratamento não é só com o depressivo (vamos chamar assim), mas com quem está de fora também. Lilian pegou o contato do psiquiatra; falou com quem estava mais envolvido comigo; e se tivesse alguém querendo tirar dúvida, ela ouviria. Foi um tratamento profissional mesmo. O fato dela ter me cobrado um valor mais baixo, não interferiu na qualidade do trabalho, nem em sua dedicação no caso. O profissional também precisa se envolver e, de certa forma, adotar o paciente. Ela me fez voltar a sorrir em muito pouco tempo e me falando as verdades. Ela não era dura e seca; ela era direta. Foi ótimo o tratamento. Se, hoje, eu tivesse condições, continuaria a fazer terapia, porque é bom demais! A gente se conhece melhor; tem prazer em crescer como pessoa; fortalece a auto-estima; descobre que somos mais fortes a cada dia... enfim, eu me identifiquei.

Dr. Fernando também era bem legal. Mas as consultas com o psiquiatra foram diminuindo, à medida que se vai melhorando e os remédios vão sendo retirados aos poucos. Ele também me ouvia muito, antes de passar a receita. Não era só chegar e “tome, pode ir!”. Havia um cuidado em ser profissional e honrar com seu estudo e sua carreira. Ele trabalhava bem. O que se espera de um Profissional, né?!

Sei que a confiança no tratamento me ajudou ainda mais. E dr. Fernando repetia sempre que: “confiar no tratamento já é meio caminho para a cura”. E é verdade.

Ele me dizia que uma depressão mal curada é pior do que uma recaída... E olhe, é mesmo! Como interrompi o primeiro tratamento, a “coisa” veio com uma força, parecia um vendaval; um tufão; um furacão... Sorte que eu tinha uma base sólida e muita gente a me ajudar de verdade. Esse era o apoio fundamental!

O tratamento consiste em:

1 - VOCÊ QUERER;
2 - VOCÊ SE IDENTIFICAR COM O PROFISSIONAL E SUA LINHA DE TRABALHO;
3 - TER QUEM TE AME E TE APÓIE AO SEU LADO, SEMPRE!!!
4 - (e não por último) VOCÊ CONFIAR NO TRATAMENTO!

Fora o item 1, os outros não precisam seguir uma ordem; todos são relevantes e têm seus pesos e seu papéis. É um trabalho de equipe, mesmo!!!

CONFIE EM SEU TRATAMENTO E SE DEDIQUE, O RESULTADO É BOM PARA VOCÊ!

“Confiar no tratamento, já é meio caminho andado para a cura”
(Dr. Fernando Vasconcelos, psicoterapeuta)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

ALEITAMENTO MATERNO


Uma das decisões mais difíceis que tive que tomar, foi: fazer o tratamento da DPP ou amamentar. Com o início do tratamento, não poderia amamentar, já que tomaria anti-depressivos e passaria pelo leite e para ele...

O ato de amamentar é lindo. Tive o prazer de sentir a magia de dar meu peito para meu filho por 11 dias. E me cobrava e culpava por não ter condições de continuar sem o tratamento. As crises começavam a piorar...

O aleitamento, não é só dar o peito! É você se cuidar para passar o que há de melhor dentro de si! Em meu caso, todo aquele leite, teve que secar; mas a vontade de dar o meu melhor, estava acima de tudo! Dar o meu melhor, naquela ocasião, era cuidar daquela doença e recuperar a serenidade. Ter um filho traz responsabilidade. Traz a necessidade de trabalharmos nossas frustrações pessoais, nossas falhas e nos melhorarmos, para passar um exemplo verdadeiro para nossos filhos; não querendo fazê-los viver aquilo que não vivemos. Sabendo permitir que eles cresçam, estando ao lado deles, mas sabendo que eles são criados para a vida, não para a gente! Serão, eternamente, parte da gente, independente de onde estejam. Isso é alimentar um filho também: construindo um cidadão; construindo uma pessoa. Dar o peito, dar a vida, criar, educar! Isso é ser mãe. Mas, antes de tudo, mãe é mulher, é uma pessoa com suas falhas... conhecê-las e administrá-las também é uma demonstração de amor a você e, conseqüentemente, aos seus filhos, maridos, pais, amigos, parentes... Querer ser melhor e crescer como pessoa é para todo mundo em todos os momentos da vida! A gente está aqui para aprender a valorizar aquilo que Deus nos deu: a vida!

Havia a preocupação de como meu filho cresceria saudável, sem meu leite. Cresceu em mim uma sensação de fracasso; será que meu filho me amaria? nosso vínculo, como seria?... mas, pensei, tanta mãe que amamenta e o filho tem problemas de saúde... tanta mãe que amamenta e não dá carinho... Meu marido não fora amamentado, e raríssimamente fica gripado. Eu mamei muito, e tenho rinite alérgica... Mas, sei da importância do leite materno, em todos os sentidos. Mas, precisei ponderar essas questões (e levou muito tempo) para que eu não me cobrasse tanto, nem me sentisse tão pequena.

Lutava para ficar bem e dar bastante amor para Pedro. Precisava me trabalhar, também, para não exagerar nas doses de amor e transformar em excesso de proteção ou fanatismo... não poderia privar Pedro da sua liberdade e das suas descobertas. Tinha que ter cuidado para não ser aquela mãe obsecada em "repor o tempo perdido"... precisava ter muito tato. Mas, só pensava nisso, nos momentos de "lucidez" (como me refiro as fases sem crise), para programar minha mente. Como já citei em outro texto, nesses momentoS, "pré-programava" minha mente. Racionalizava para não cair de vez! Pensar na questão do leite me doía (e doeu por muito tempo). Me rasgava por dentro. Não sentia inveja de nenhuma mãe que amamentava. Esse tipo de comparação nunca passou pela minha cabeça. Na verdade, não sou de viver fazendo comparações, só quando de extrema necessidade, como fiz para lembrar que existem crianças que tomam leite materno e ainda assim, têm problemas de saúde, precisava me consolar. Porque não é só amamentar, é cuidar da alimentação da mãe, também...

Minha alegria veio com o tempo, quando via Pedro crescendo sem problemas de saúde. Nunca perdi noite com Pedro doente. Ficou febril (como muitas crianças, na época em que os dentinhos começaram a sair...mas só nos primeiros. E nunca virava a noite com febre...). Rinite, talvez ele tenha, porque eu tenho...então, é "herança" genética, não por problema com aleitamento. Pedro sempre foi muito esperto para sua idade, muito alegre. Alguns médicos afirmara que ele apresentava características de quem vai ter QI alto...isso para mim foi um presente! Ouvir que ele é 100% normal. O que fez a diferença, não foi o leite, foi o amor e o cuidado que tive, apesar de viver a contradição da tristeza...

Pedro é tão sadio, que a pediatra fala: "é Pedrinho, não tenho nada para passar para você." Isso é ótimo. Mas, apesar de estranho, agimos com naturalidade na criação dele. Hoje, está com 1 ano e 9 meses e desde o mês passado, dorme em cama (queria fugir do berço...e cheguei a pegá-lo no ar, caindo de ponta cabeça...); dorme sozinho; quando quer, vai par a cama e deita (já fazia isso no berço...agora, ele mesmo sobe e desce); pede desde 1 ano e meio para fazer cocô (mas, lógico, ainda não tem controle e isso é natural. Não o forço, o deixo à vontade) e corre para a porta do sanitário.Pedro é criado com muito amor, com muito cuidado, mas, sem frescura, sem excesso de zelo... Erro em algumas coisas, como deixar ele me vencer pelo cansaço quando quer o “bubu” para dormir... , não existe mãe perfeita, mas existem fatores que interferem: cansaço do dia-a-dia; nossa mente não tem barreiras, divisórias (para dizer: agora estou cansada. Agora não estou...), mas me esforço muito para cuidar bem dele. Claro, que não existe ninguém perfeito. Erro agora, acerto depois... Acertando mais do que errando já é ponto para mim, né, uma proporção mais favorável do que destruidora... Muita gente vem cheia de teoria... “deve fazer isso”; “deve fazer aquilo”... todas erram com seus filhos também... mas apontar o dedo para o outro, é mais fácil. Quando me identifico com o que me é apontado, “me toco”; quando não, deixo passar. Afinal, quem tem boca, quer falar, né?! Quem conhece Peu, se encanta. Ele é muito carismático, e sociável, mas muito enérgico também. Não gosta muito que o fiquem segurando para beijar e apertar, quer correr (mas, quando as pessoas que ele gosta o seguram, ele fica todo derretido...). Ele é muito safadinho!!!

Viver as realidades paralelas não interferiu no desenvolvimento de meu filho. Quando falo que o amor está acima de tudo, não é uma frase piegas, é um fato constatado! O amor que me rondava, e que também existia dentro de mim, apesar das crises, era muito grande e muito forte. Houve um momento em que queria ficar bem, pelas pessoas que acreditavam em mim. Porque, se elas viam algo em mim que valesse a pena lutar, eu deveria valer, né verdade?! Me apeguei a isso! A lista de pessoas a me ajudar aumentava. Minha tia Telma, minha prima Rafa... pessoas que não conhecia, de diversas religiões e crenças, que pediam coisas boas para mim! O poder do bem é muito mais forte! O poder de viver a verdade também!

Pois é, minha vida mudou de foco. O que antes era, apenas querer trabalhar para ganhar dinheiro, se tornou viver cada dia e saber que existe algo mais importante que o materialismo pelo materialismo (acho que todo mundo merece conforto, viver bem, em lugar limpo, boa alimentação, educação, saúde...).

Ainda questiono muita coisa, mas repito que não importa o "por que?" mas o "para quê?" e peço forças a Deus para saber passar por aquela situação. Não virei nenhuma santa. Sou normal (voltei a ser), como qualquer um. Reclamo da vida, da rotina atual; depois agradeço; grito; choro; xingo; rio muito; converso bastante, tudo normal (apesar de existir gente que “normalmente” é chato, mesquinho, resmungão, “sabe tudo”)...enfim, deixo a DOR PASSAR.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

HOJE ESTOU BEM!!!


Hoje já estou bem.

Algumas pessoas têm se assustado, outras se emocionam com o que aqui tenho escrito, mas queria dizer que já passou, graças a Deus!!!

Já estou de pé! O mundo para mim, é diferente agora. Tudo tem mais sentido. É mais real.

Uma conhecida, que leu, me disse uma coisa certa: "agora tu és ainda mais forte, né?! Conseguiu ultrapassar a barreira de suas limitações e conhecer a si mesma, sabendo que sempre é possível ir além!!!". E é verdade!

Os problemas do dia-a-dia não deixam de existir, mas saber que eles passam ajuda a encontrar a solução com mais certeza.

No final, tudo sempre dá certo, né?!

Deus tem planos para cada um de nós! Provavelmente, eu estava precisando passar por isso, ou para ajudar alguém... Ver que houve muita coisas boa é melhor do que ver apenas que sofri!

Pedro é uma criança super alegre, inteligentíssimo, exibido e agitado! Tem o pique que sua idade exige. Ele é extremamente saudável. Nunca perdi noite com ele doente. Ele é um verdadeiro presente! Além de tudo, ainda é lindo! E sorridente. Genioso, também, assim como eu. Ele sabe o que quer e não é de bater no outros, nem morder...acho ele incrível! Super brincalhão.

Ficar triste, vez ou outra, é natural, a gente precisa se auto-avaliar sempre!

O fato d´eu ter tido essa doença, não me faz ser menor do que ninguém; nem pior; nem melhor. Foi uma situação que eu (e os meus) passei, fez parte de minha jornada de vida!

As pessoas que me julgaram (e ainda julgam), problema! Eu dou valor àqueles que estiveram comigo, sentiram a minha dor e minhas angústias e acreditaram em minha cura.

E o certo é isso mesmo, valorizar o que for "valorizável"!

A luz no final do túnel existe. Se ainda tá escuro, continue andando! Quando avistar, não corra, continue no seu ritmo que você vai chegar lá!

A DOR SÓ DÓI, ENQUANTO ESTÁ DOENDO, DEPOIS, PASSA!!!

terça-feira, 15 de julho de 2008

ACERTOS E ERROS


Texto tirado de uma das fases críticas. Como não coloquei a data, não sei precisar quando escrevi...mas encontrei e quis dividir:

QUERIA TER A OPORTUNIDADE DE VOLTAR NO TEMPO E ACERTAR. MAS, ACERTAR O QUE, SE NÃO ACHO QUE ERREI, AINDA SABENDO NÃO ESTAR SEMPRE CERTA?

QUERIA SER AQUILO QUE NUNCA FUI...MAS COMO SER O QUE NUNCA FUI, SENDO O QUE SOU, FAZENDO O QUE FAÇO? DEVERIA SER O QUE SEMPRE QUIS SER, E TENTAR SER, AINDA QUE NÃO SENDO, MAS BUSCANDO SER.

QUERIA TANTO, QUE JÁ NEM QUERO NADA. APRENDO, ACERTO E ERRO. QUEM NUNCA ERROU? PRINCIPALMENTE EM NÃO FAZER NADA PARA ACERTAR, NEM ERRAR. ERRANDO SÓ POR ACEITAR E ACOMODAR!!!

MEUS PROBLEMAS NÃO SÃO MAIORES, NEM PIORES QUE OS SEUS, MAS SÃO OS MEUS E ME INCOMODO COM TODOS. POR ISSO, OS CONSIDERO MEUS, SEUS, NOSSOS E TODOS!

DEUS SABE O QUE É MELHOR PARA A GENTE, NÉ?! POR QUE A GENTE NÃO CONSEGUE ACEITAR E FACILITAR AS COISAS?

ME SINTO AFUNDANDO. MESMO COM TANTA GENTE A QUERER ME VER SUBIR.

HOJE, PEDRINHO ME VIU JOGADA NO CHÃO E CHORANDO MUITO, MUITO TRISTE EU ESTAVA/ESTOU...E ELE E IURI VIERAM ME DAR APOIO. NOSSA, PEDRINHO SE JOGAVA POR CIMA DE MIM, ME BEIJAVA TANTO. DEPOIS ELE SAIA CORRENDO E PEGAVA QUALQUER BRINQUEDO E ME DAVA. ME ABRAÇAVA E ME ACARINHAVA, COMO SE ENTENDESSE TUDO E DISSESSE: "MAMÃE, DEIXA DISSO!". ELE É LINDO! ACHO QUE PEDRO É O MEU MAIOR ACERTO, DAÍ, ME SINTO COMPLETA...MAS DEPOIS, ME COBRO TANTO.AI, AI!

ACERTOS, ERROS, COBRANÇAS. QUERIA ABRIR MINHA CABEÇA E DEIXAR TUDO ABERTO; LIVRE. POR ISSO QUERIA SER QUEM NÃO SOU: CALMA, ESPERANÇOSA, RESIGNADA E FELIZ SEMPRE!

AI, ACERTOS E ERROS...

MUITO AJUDA QUEM NÃO ATRAPALHA

“...E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão". (Mateus, 7:3-5)

Com certeza, “muito ajuda quem não atrapalha”.


Estar disposto a ajudar, não é só dizer: “conte comigo!” é estar disposto mesmo! É fazer o que for preciso para o outro sair daquele buraco...


Existe muita gente, nessas horas, que se preocupa mesmo, que tem, até, a boa intenção de ajudar, mas está tão envolta com seus problemas (e não admite) que pode provocar uma situação muito pior para quem está precisando de ajuda e para si próprio.


Não há problema algum em respeitar as próprias limitações e dar um apoio à distância, vez ou outra. Ou, vai, dá um abraço sincero. Procura se informar, de fato, sobre a doença... Não vá de peito aberto, não porque é “chumbo grosso”.


Como já falei anteriormente, a mente humana não tem barreiras físicas, não tem gavetas, nem divisórias...é importante viver cada emoção e saber administrá-las. Fingir que não as vive; empurrar com a barriga; não tocar no assunto, afim de acreditar que não falando, a sensação deixa de existir...isso não dá certo. Se você quer ajudar mesmo, se cuide primeiro, para depois não “enfiar os pés pelas mãos”.

Vou contar como uma pessoa que amo muito, e me ama também, quis ajudar, mas causou as minhas piores crises e atrapalhou meu tratamento por duas vezes (vou falar por alto, porque foi muita coisa...):
Minha sogra é uma pessoa super legal. Tanto que a conheci primeiro e foi ela quem me apresentou ao seu filho... me escolheu como nora. A gente se dá super bem, mas não soube respeitar que eu estava doente e...

Ela mora no exterior e vem para o Brasil a cada 6 meses, ficando por 2 meses aqui. Ela sabe que é uma opção dela e que é muito desgastante essa realidade, mas me confessou, certa vez, que quando vai para lá, guarda a lembrança de cada um de nós em uma caixinha (força de expressão, claro). Ela sempre insiste, quando passamos por um problema, para repetir: ”isso é passado”, mas eu acredito que isso aliene mais do que ajude. A técnica das “Afirmações” é uma maneira de você repetir palavras e frases positivas para dar forças na caminhada da vida. É uma técnica importantíssima, mas usada de maneira correta. Repetir que uma situação é passada, antes de ter terminado, cria uma confusão de tempo e espaço e não resolve nada. Acredito que repetir “isso vai passar!” é mais correto. A gente precisa ter forças para viver as emoções, fingir que elas não existem; “guardar numa caixinha”...isso pode ser bonito quando se quer manter a aparência de que tudo está bem...mas, na realidade não dá certo. Ela é uma pessoa que se exercita em busca da paz, mas vive um turbilhão de vai-vem-vai de novo-vem de novo...avião, horas de vôo; mudança de fuso horário; mudança de clima; mudança... isso gera, naturalmente, uma instabilidade psicoemocional. Por mais legal que a pessoa seja, ela é humana, e isso quer dizer virtudes e defeitos...

Voltando, morávamos no apartamento de minha sogra (mas o lar é nosso), que ela nos cedeu com muito carinho. Com a DPP, apesar de minha família viver lá, pedi para ir para casa de minha mãe. Era um porto seguro para mim. A corda estava puxada para todos: eu com DPP, meu avô internado, Iuri trabalhando muito e ainda me ajudava com Pedro... concentrar tudo em lugar era mais prático. Além do quê, eu precisava culpar algo ou alguém pela minha doença, então, a culpa era do apartamento...

Quando minha sogra veio para o Brasil, Pedrinho já havia nascido e tinha quase 1 mês. Ela estava muito ansiosa para conhecer o neto. Mas, eu só não sabia que tudo seria tão ruim... Não sei se fora ciúme de Pedro com meus pais... não sei, só sei que ela ignorou minha doença, dizia que aquilo era “muita raiva acumulada”... e que ela poderia me ajudar... Hoje, entendo que era boa intenção dela, mas poderia respeitar minha situação e isso me ajudaria mais... Ligou e pediu a Iuri que passássemos um final de semana com ela, para que pudesse curtir Pedro. Eu pedi que reconsiderassem e ela fosse para lá, porque para mim era muito difícil sair de casa. Mas ela insistia, e Iuri, até, me chamou de egoísta, afinal a mãe dele fica tão pouco no Brasil... não queria ser injusta, mas o fato é de que essa opção é dela. Eu não proibi, em momento algum, o contato dela com Pedro. A situação tomou uma proporção diferente. Parecia, como tudo foi colocado, que eu estava “embarrerando” esse vínculo... ficou um ar de “coitadinha, ela vem e nem pode curtir o neto”... e eu, o algoz. Eu, havia começado o tratamento, ainda estava me ajustando aos remédios... egoísta. Totalmente fora de órbita, e ainda tinha que racionalizar pelos “normais”... Fomos, para o maldito final-de-semana... Em resumo: minha sogra pediu que nos mudássemos para lá, que conversaria com minha cunhada (já que era ela quem estava morando na casa, e fazendo esta de ponto de apoio para ela, que morava no interior e a casa também é de Iuri). Iuri amou a idéia...e eu, pedia que não, que eu precisava ficar na casa de minha mãe, por enquanto, porque me sentia mais segura e à vontade... daí, ela decidiu, então que alugaria o apartamento, para nos gerar renda...sem opção, teríamos que ficar nessa casa... Iuri feliz, eu agoniada, mas sem reação... Minha cunhada passou uns dias lá e ficou certo de que voltaria para fazer a mudança. Mas senti que ela não estava satisfeita... Nem eu. Ficamos lá, e o apartamento fora alugado. Nossos móveis, foram, uma parte para casa de minha tia (já que essa casa era muito menor e ainda estavam os móveis de minha cunha). Minha sogra voltou para o seu lar e nós ficamos. Minha família precisav me socorrer o tempo todo. Estava sozinha e me trancava dentro de casa. Me recusava a fazer o tratamento...piorei muito!!! Parei de acreditar na cura; interrompi o tratamento e passei a viver um pesadelo ainda maior. Antes dela viajar, minha cunhada voltou com uma surpresa: estava grávida de 1 mês! Para quem nem namorado tinha...foi uma surpresa mesmo. Minha sogra viajou tensa. Os olhos pareciam que iam saltar do rosto, mas afirmava que estava tudo bem. Sempre com um discurso “otimista”. Se fosse sentido, o que se falava, seria real... mas, o que sentia era muita angústia e uma provável sensação de culpa (afinal, pai e mãe, quando o filho faz algo impensado, se culpa logo... impressionante, mas é.), fora a saudade de Peu, do filho e de todos nós aqui. Para ela é difícil esse vai-e-vem, mas, ela um dia se acostuma de verdade e se encontra.

Minha cunhada decidiu que teria o filho aqui na Capital e alugaria um canto.Daí, levaria, finalmente os móveis... a casa ficou uma bagunça por muito tempo e eu, me afundava em minha bagunça mental e a casa daquele jeito me deixava louca! Decidi voltar para a casa de meus pais, até Ju concluir sua mudança... estava tudo programado. Havia mergulhado no “inferno” durante aquele período. Perdi a fé que recuperava aos poucos. Fora as inúmeras vezes que tia Meire, tia Lita, Jildélia, mami, Sani, Marquinhos e Andrea “mendoim” tinham que me socorrer... Demorou até realmente, voltar para a casa de meus pais. Mas fui. Retomei até o tratamento. Estava amparada e Iuri não precisava mais se atrasar para o trabalho. Tudo havia recomeçado a andar.

Coincidiu com retorno de minha sogra e minha cunhada já com 7 meses. A casa, uma bagunça. E a mudança nunca que acontecia. Minha sogra, muito nervosa, se queixava da bagunça (mas, na verdade, ela estava preocupada com a filha grávida e como seria...), de que Ju não tinha paciência com ela, tudo que falava a filha rebatia...Do outro lado, Julie se queixava que a mãe em vez de tranqüilizá-la, a deixava mais nervosa... e eu, que estava em estava me erguendo e progredindo no tratamento em meio a essa confusão. Como sou do lema: MUITO AJUDA QUEM NÃO ATRAPALHA, e tinha o “argueiro em meu olho”, tratei de me reservar o direito de cuidar de mim e me afastei. Ligava, procurava saber como estava a gravidez...não era hora de ficar preso ao julgamento de ela ter engravidado por ciúme, sei lá...o fato é de era o sonho dela e ela aproveitou a ponga.

Novamente, outro final-de-semana fora solicitado, e recusei de novo. Outra insistência e fui vencida pelo cansaço... mas, fui determinada a não sucumbir. Voltei para a casa dos meus pais, na certeza de que a mudança seria concluída e eu voltaria para casa. Minha sogra pediu que fossemos lá, que ela precisava ter uma conversa conosco. Perguntou se a gente não poderia deixar Julie morar lá, já que não estávamos lá mesmo... ficamos sem ação! Iuri se chateou e “fechou a cara”. Eu fiquei sem saber como reagir. Ela falou que era hora de ajudar Ju, que ela não tinha emprego (mas tem um negócio próprio...), que precisaria de um lugar para ficar até ter o nenê. Disso eu já sabia, e falei que como Ju voltaria para o interior, e estava alugando um canto para ficar só 4 meses, seria mexer muito com a gente por tão pouco tempo. Mas, não fui ouvida. As audições estavam condicionadas a escutar um “tudo bem”. Falei que pensaria numa solução, porque fomos pegos de surpresa e pensaria em Julie, já que o fato é que uma criança estava para nascer, e uma mãe precisa de tranqüilidade. Ela falou que Iuri estava sendo materialista, apegado àquela casa (ora, quem foi que nos pediu para morar lá?). Afirmei que não, que ele estava muito cansado, e que estávamos esperando a mudança de Ju para voltarmos ao lar.Enfim, ela me perguntou se eu sabia quando terminaria o tratamento... foi aí que vi que ela não levava a sério a DPP como doença. Sim como raiva acumulada. Mas não vou entrar nesses detalhes... Sem saber o que fazer, decidimos ir para a casa de minha tia (onde já estavam parte dos móveis). A casa precisava de reforma, mas não tínhamos condições de fazer, nem minha tia, mas as teria por perto e poderia continuar meu tratamento. Aquele baque me desestruturou e comecei a achar que era um fardo a ser carregado... Levei outro tempo para me recuperar e permitir que o sentimento que sempre nutri por minha sogra voltasse. Porque, naquele período, por mais, que tentasse racionalizar, não aceitava o que minha sogra havia feito e o fato dela nem perceber o que fez... Pior foi Iuri, que ficou muito triste com a mãe e se arrependeu de ter sucumbido aos seus pedidos, para, no final, ainda ser taxado de “materialista”... logo ele. Percebi que minha sogra era tão humana quanto eu. Vi que ela vivia uma grande incoerência entre VIVER, PENSAR, SENTIR E AGIR. Mas, o fato é de que me atrapalhou muito, pensando que ajudava.

Na casa de minha tia, pagávamos o aluguel com muito carinho, já que ainda tinha a companhia e o apoio delas. E foi importante encontrar um pouco de paz. Mas, ainda não era definitivo. Lá, tínhamos a intenção de só ficar até eu melhorar, e depois, procuraríamos um canto para a gente, mas a realidade é que não tínhamos dinheiro. A inquilina do apartamento sempre deu trabalho e atrasava muito o aluguel. O apartamento fora pedido de volta e Susana permitiu que voltássemos para lá. E disse que oraria pela gente, para que equilibrássemos essa energia de “casa”, porque a gente estava se mudando demais... Como o diálogo com ela é meio complicado, usei a ferramenta da carta, porque ela internaliza o que lê, mas não o que ouvia... Falei o que escrevi aqui, e que como poderíamos ter problema de energia com “casa”, nós tivemos um período em que ela não respeitou nosso momento e manipulou nossas vidas de acordo com suas crenças. Que a culpei por muito tempo pela minha piora e pelas minhas recaídas, num período em que estava melhorando consideravelmente. Ela não me respondeu, mas abri meu coração. Era a única maneira de recuperar a verdade em nossa relação, com a verdade!

Estamos bem de novo. A relação estava meio ferida, mas o processo de cicatrização está em andamento. Já a vejo com o respeito que sempre tive e percebi o que quer dizer: "é nitroglicerina pura!!!" - rs. Acontece, quando há uma mistura de emoções exaltadas; ritmos desritmados... mas, o importante, é que passa! E uma relação verdadeira e amorosa, fica para sempre!!!
Mas, vi que MUITO AJUDA QUEM NÃO ATRAPALHA!

É importante, quem está de fora, respeitar esse tempo que não é mensurado em horas, nem dias...mas o tempo das coisas. E como diz na Bíblia (até usei a passagem em eu convite de casamento): “Tudo tem o seu tempo determinado,e há tempo para todo o propósito debaixo dos céus".(Eclesiastes 3)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

POEMA DO MORTO-VIVO (11/11/2006)


Esse é meu poema do "morto-vivo". O fato d´eu gostar de escrever e ter facilidade para falar o que sentia, me ajudou bastante! Mas, ainda assim, não era sufuciente...o buraco era imenso, que não havia palavra para descrever. Mas o amor era/é tão grande, que me ajudou a reescrever essa história e a sobreviver.

Eu sabia que não tinha razão para sofrer, mas aquele sofrimento era inexplicável, mas existia, mesmo. Vinha do nada, com uma força. Rompia tudo dentro de mim e me dominava!


11 de novembro de 2006:

POEMA DO MORTO-VIVO

Eis que é a vida

Dizem que é para ser vivida

Mas como não viver

Se se já está vivo?

Tem vida vivida por máquinas e aparelhos

Tem morte vivida por dores e dissabores

E quem vive sem vida?

E quem tem todos os motivos para se estar vivo

E bem vivo

Mas se sente morto e falido?

Totalmente destruído!

Viver ou morrer?

Que diferença faz?

Tem vivo que já tá morto...
E quem tá morto...tanto faz!

06 DE OUTUBRO DE 2006

Vou transcrever alguns trechos do meu diário. Este é do dia 06/10/2006, 10 dias depois do parto. Não usava títulos, porque as datas os substituía. O título, seria sempre o mesmo: "HOJE"...
06/10/2006
"Minhas lágrimas não secam. E ainda encharcam meu coração!

Quanta angústia, quanta tristeza, tudo sem razão. Me questiono todo o tempo: 'Por que eu?'; 'Por que dói?'; 'De onde vem essa dor?'; ' Como faço para ela para?'; ' Isso quer dizer que não sou forte?'
Ai, será que vou passar atestado de fracassada por aceitar começar fazer o tratamento? Falta-me força de vontade?
Oh, meu Deus, socorro! Estou tão confusa. Me sinto perdida. Meu coração está perturbado; minha mente desligada; estou vivendo sem razão. O que estou sentindo? O que é essa sensação?
Me afundo, mas estou crendo que tudo isso vai passar! É só questão de tempo, ainda que com remédio, mas esa fase vai passar!
Daqui para frente, sé alegria. Muito para comemorar! Tenho um filho lindo e um maravilhoso lar!
Terei que passar por cima do meu orgulho (ele já não me serve mais) e me curar.
Tanto leite derramado; tanto leite a jorrar. E depois que coemçar o tratamento, tanto leite a secar!
Não aceito, nem admito estar doente! Sem me controlar. Só me culpo, me agrido, nõ mereço tudo o que tenho. Sou ingrata, só sei reclamar! Será que sou mimada? Só sei chorar!
Ai, ai, ai! Quero levantar a cabeça e enfrentar! Quero poder pegar meu filho no colo sem medo do que sinto. Eu o amo! O problema sou eu! Espero que me desculpe um dia, ou, quem sabe, nem me culpe... Ainda ei de demosntrar o quanto te amo e o quanto muito mais vou te amar!
Me sinto cortada! Com dores que não sei de onde vêm. Essa dor machuca muito. Quero gritar!
Quero correr! Quero siumir! Quero ficar! Não consigo me mexer; não saio do lugar!
SOCORRO!SOCORRO! Me ponho a gritar! Mas o grito não sai. Alguém consegue me escutar?
Estou doente, mas quero me curar!!!
Do meu peito sai angústia! Mas sai amor também!
Ao secar meu leite, será que seca o meu amor, também? Não, só o líquido vai secar. Meu amor, só tende a aumentar! Essa, eu vou superar!
Quem quiser me julgar, me julgue! Mas não me culpe! Não estou suportando tanta dor.
Meu bebê eu te amo! Nunca duvide! Mas, não sei se vou aguentar!!!"
Me sentia tão fraca, e temia começar o tratamento, porque teria que interromper a amamentação...aquilo beliscava meu ego. O quê? Como poderia ser tão fraca que não poderia dar tanto leite? Pois é, até decidir começar o tratamento, me debatia por dentro. Até que decidi começar!

domingo, 13 de julho de 2008

VIVER, SENTIR, PENSAR E AGIR




Só para registrar, eu acredito e estou tentando chegar lá, que nós só seremos nós mesmos e mais felizes conosco e com os outros, quando desejarmos e nos dedicarmos à busca do equilíbrio entre VIVER,SENTIR, PENSAR E AGIR.


Buscar a coerência entre esses 4 pilares é o caminho!



A gente cansa de falar sem sentir; viver sem agir; falar sem pensar; pensar e calar; agir sem pensar... Tanta incoerência.



Um passo importante para quem está em Depressão ( e quem não está também) é buscar essa coerência e se dedicar a ela! Mergulhe fundo!



Então, vamos dar sentido à nossa essência: VIVER, SENTIR, PENSAR E AGIR coerentemente.

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