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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

IMAGINE


Imagine - em inglês e português, a mesma palavra... não precisa nem de tradução, já É. 

Eu fiquei com os olhos cheios de água, mas, elas não caíram... a força que ele passa é muito forte - redundância danada, êta - e contagiante. 

Teve um momento em que ele falou "a gente foi encontrado dentro de uma caixa de sapato e fomos levados para o orfanato. Ouvíamos tiros e não entedíamos aquele som..." que eu nem sei descrever o que senti. A pureza da criança. É assim que eles se sentem em meio a essas guerras sem sentido, sem ter o que entender. 

Meu coração já ia ficar apertado, cheio de dó mas, fiquei firme e assisti até o final. Ele é forte, sabe o que quer e foi, sem medo de ser feliz. Ele estava feliz, por estar ali, ter chegado onde queria. Ele tem um dom e nem a falta dos braços e pernas o impediu, porque a alma dele cantou por sua boca. Meu Deus, para que viemos mesmo? Qual a nossa verdadeira missão? A desse rapaz é nos lembrar isso: nada deve nos impedir. A mensagem que me veio a mente foi: não são as pernas e braços que nos levam a lugar algum, é a nossa alma. Deixe-a falar, que sua voz é como um canto. Deixe-a cantar. Deixe-se ser quem você é. Ter um sonho como objetivo e seguí-lo, fazê-lo acontecer é merecê-lo. Como mérito, a vida retribui com aplausos. Celebrar passa a ser um ato de compartilhar a alegria de saber o que se quer, quem se é e se esforçar com o que tem para chegar lá. 

Fiquei comovida, emocionada e reflexiva. Me senti feliz por ter pernas e braços saudáveis. Mas, percebi que tenho muita vergonha de deixar minh´alma se soltar e cantar a melhor canção possível: a da vida! De viver como se deve, indo para onde devemos ir. Emmanuel Kelly cantou não só  a voz da alma dele, mas, encantou a minha! O amor! O amor da mulher que passou a ser a mãe. O amor dos rapazes pela vida e pela busca. O amor pelo ideal. O amor pelo hoje.

Como me disse a escritora Morgana  Gazel: "é esse tipo de amor que devemos propagar!"

Finalizo com a frase que  uma das juradas fala: "faz parecer que tudo o que fazemos é bobagem..."

Pat Lins.

sábado, 12 de novembro de 2011

CRESCER É UM ESFORÇO FEITO DE FERRO E SANGUE

Certa vez escutei uma frase que não entendi bem, até que hoje, a ficha caiu:

"UM REI NÃO NASCE, É FEITO DE FERRO E SANGUE. PARA SER REI, VOCÊ TERÁ QUE APRENDER A MAGOAR AS PESSOAS QUE AMA."
(Rei Philip II da Macedônia - trecho de "Alexandre - O Grande"

E isso me remeteu a um trecho do livro do Talal Husseini - Paz Guerreira - quando seu personagem principal é indicado para a sucessão do trono e seu amigo e mestre lhe diz: 

 
"(...) Serás justo e injusto. Muitas vezes, a justiça soará como injustiça para os ouvidos ignorantes. Amarás e odiarás. Só um Rei, ou um Príncipe, pode abarcar os extremos do sentimento dentro de uma só alma. Compreenderás e não serás compreendido. Tal como um bom médico que para salvar a vida do doente não deverá ouvir seus queixumes, deverás cruzar a linha da sensatez por um bem maior. A solidão será tua maior companheira e só será suportada se encontrares em ti fibra do silêncio. No pináculo da solidão e do silêncio se encontra o poder, ponto de comunhão de todos os reis de todos os tempos. (...) Abre mão de sua própria vida para encontrar a vida própria do conjunto..."

E, antes disso, o havia alertado:

"(...) a paz só surge na terra quando há sabedoria. Mas no mundo em que vivia não reinavam os sábios. Então, seria necessário lutar pela sabedoria, lutar para alcançar a paz. E a maior luta deveria ser travada dentro de cada um, para vencer a ignorância, permitindo o surgimento da sabedoria. Não havia como se inspirar pela paz sem antes passar por essa guerra interior."
 
Essa é a diferença de lermos bons livros, nos auxilia no momento que as fichas querem cair, que queremos alcançar um grau de consciência. O que a gente não faz, normalmente, é ver que nós somos um misto de todos os personagens de um livro, porque como ser humano temos características comuns, mas, como indivíduo, fazemos escolhas e temos metas diferentes, porém, iguais na questão de sabermos qual é e como cumprí-las, afinal, todos temos limitações, os obstáculos - internos e externos. Não entendemos quando falam "Reis" e levamos ao pé da letra. Soa estranho, mas, nós, somos reis de nossas vidas. REIS. Não se trata de apologia ao machismo, mas, de se saber qual a característica para ser um Rei, que não é o sangue "nobre" e "real" por descendência, mas, de se fazer líder honrado e digno de si mesmo. Enquanto ficamos presos às deturparções e rumos sem rumos que as palavras e nossas ações tomaram, o jogo da vida segue e a gente vai levando xeque-mate. Acima de tudo, precsiamos entender e aceitar que, na vida prática, os reis e rainhas têm papéis estabelecidos de acordo com suas características naturais - homens e mulheres são diferentes - o que não quer dizer que a maneira como o machismo conduziu seja a maneira correta, ali, no momento em que o machismo se fez erguer e manipular, o poder foi corrompido. Assim como o feminismo também não é a solução, mas, o equlíbrio das forças naturais. Esse é o ponto que poucas pessoas se dão o trabalho de olhar e focar. Reis e rainhas são, antes de tudo, cavalheiros e damas e isso, só se sabendo o que quer dizer para se entender o que vem a ser ser. 

Pois bem, voltando ao que me fez escrever aqui, para que eu me entenda, ser rei de nossas vidas quer dizer que algumas pessoas vão se incomodar, outras vão se magoar, outras vão ajudar, outras vão torcer a favor e outras contra. Imagine, se em se tratando de uma vida esse círculo de injustiça, ambição, manipulação e falso poder já querem imperar e dominar territórios alheios, imagine isso com relação a Terra? Mas, o foco, hoje, é nosso Eu e nosso Eu-Rei ou superior. Nosso EU que é quem nós somos em essência. E, querer alcançá-lo é dominar nosso euzinho animal, sem consciência de si e de suas responsabilidades, autômato e denso. Quem vai querer travar essa batalha consigo? Isso vai envolver a "morte" da convivência e de aceitar que cobranças infundadas e alheias sejam mais fortes do que a consciência de quem se é - ou, quer ser - e do que tem que fazer para manter o próprio trono do império Indivíduo que Sou. Daí, noções mínimas do que vem a ser ser nobre, digno, honrado, corajoso, forte, justo, bom, belo... se faz imperativa. A batalha é árdua, mas, não é uma guerra sanguinária, sem causa, com desordeiros, trata-se de uma guerra pela paz; trata-se de se lutar pela paz guerreira, onde, dominar a si é o mais importante e isso fará com que fora, não desejemos dominar o que não nos cabe. Assim, só assim, poderemos reestabalecer o respeito pelo outro, há muito perdido, deturpado e esquecido. Assim, entenderemos que vários impérios e grandes civilizações podem existir, sem pobreza, dor ou martírio, porque ninguém estará cobiçando o que não lhe cabe. Cada um saberá até onde pode ir e aonde quer chegar, sem precisar matar ou morrer. Quando soubermos governar a nós mesmos e tivermos consciência do tamanho vasto do nosso território interior, veremos que administrá-lo vai requerer nobreza e isso vem da alma, porque nossa alma é nobre e é para esse mundo divino que devemos voltar. Dever é consciência do que precisa ser feito e fazer, não porque alguém obriga, mas, porque se sabe que precisa ser feito e como deve ser feito. Reforçando: completamente diferente da manipulação que vivemos hoje em dia nessa horda de antivalores. Viver os verdadeiros valores, as grande e verdadeiras virtudes.

Ser rei de nossas vidas é isso: se fazer com ferro, para se defender dos ataques daqueles que ainda não se voltaram para descobrir ser reino interior e, portanto, sendo assim, único reino que precisamos cuidar e conquistar. Os reinos alheios são para convivermos, trocarmos experiências, somarmos força no bem, no belo e no justo. Não devemos invadir o reino de ninguém, e, nem permitir que invadam o nosso. Daí, vem a mágoa. Os reinos barbarizados alheios não entendem, nem aceitam essa máxima e querem invadir o nosso porque o deles está todo destruído. O fato d´eu querer reconstruir meu reino interno desperta a cobiça dos que não querem reunir forças para reconstruir o próprio e ainda querem destruir o dos outros, ou seja: se todos os reinos estiverem destruídos, o dessas pessoas não será alvo de intriga, por estar detruído também... É essa normose apática que vivemos e nos permitimos viver. Engraçado que todo mundo tem a mesma capacidade de ser feliz, é só querer começar a lutar com metas e ideais estabelecidos e pautados no bem. A mágoa cai em quem não se dá esse trabalho de se recosntruir e recuperar a nobreza da alma. Todo mundo tem essa alma nobre, agora, deixá-la imperar é abrir mão da tirania diária que nos permitimos viver.

Nos façamos, pois, reis de nossas vidas. Infelizmente, nossas escolhas vão incomodar, mas, quem não tem que se incomodar somos nós. Travar a batalha vai nos exigir: saber e ter metas firmes; estar em alerta para ataques externos e saber que ele acontecem a todo instante e vêm de diversas direções; ter domínio sobre nossas condutas, sobre nossa personalidade; saber que a luta está só começando e que não queremos matar ninguém, nem invadir territóros alheios, só queremos reestabelecer nossa ordem interna e reinar em nosso mundo, em harmonia e respeito com os outros - COEXISTINDO. 

Pois é, cansa, dói, mas, é preciso. "Navegar é preciso" e assim como precisamos navegar em nós mesmos e conhecermos nossos mundos internos, há a precisão de que vamos nos encontrar. 

 Pois  é, hoje a ficha caiu e fiquei feliz. O ferro das lanças estão erguidos, pois, afinal, existe tentativa de invasão num terreno instável, em reconstrução; o sangue é o que nos lembra a condição humama e imperfeita, mas, que sente a necessidade de ser mais e voar mais alto e livre. Essa liberdade é assumir e seguir o caminho da nossa meta de vida. Essa é a liberdade, seguir um ideal, um rumo que tem como base três pilares: o bom, o belo e o justo. Assim como a Natureza. Ela é sábia, perfeita e tem ordens estabelecidas para se manter a harmonia e a continuidade. Basta olharmos  e vermos, com olhos abertos, puros e vivos. Coexistir com tudo em harmonia, em paz, em respeito ao espaço de cada um se sabendo que a beleza e a justiça se manifestam onde estão reunidos, unidos e em equilíbrio, ou seja, ninguém vive ou sobrevive sozinho. Mas, não há como viver em harmonia se em vez de sabermos qual o nosso espaço, queremos invadir o dos outros. PAZ, meus amigos! E sejamos Reis de nossas vidas, não tiranos cruéis e sem sentido como essas grandes tiranos que roubam as terras alheias e nem sabem qual a própria. Ambição desmedida, usura, cobiça, inveja, orgulho... isso é base para a tirania. Força, humildade, justiça, coragem, nobreza, honra são base para um império, um reino harmônico.

Pat Lins.


domingo, 16 de outubro de 2011

A BELA ADORMECIDA

Esses dias, me veio a mente esse pensamento:

"Minha alma é como A Bela Adormecida, deitada linda, serena e calmamente, a espera do momento de despertar."

Daí, pude perceber que nas histórias dos contos de fadas, tem muito mais do que simples estórias que foram pegas pela Disney e transformadas em desenhos animados; tem um chamado de resgate de nossa essência. Tem um levantamento de questões internas de nosso Eu, de nossa individualidade e de nossos entraves, desafios e da possibilidade do nosso crescimento.

Comecei a trabalhar alguns fatores meus, que vivo fugindo, para não crescer. Comecei a ver um porquê de em quase todas as histórias, os pais das princesas morrerem: dizem que a gente só cresce quando entende e aceita que nossos pais e mães são gente como a gente, pessoas com dificuldade e facilidades; forças e fraquezas; defeitos e qualidades... Pois é, a morte nas estórias, ao meu ver, tratam-se de uma metáfora para a morte dessa imagem perfeita que fazemos de tudo como se a perfeição fosse algo dado de graça e que só os nossos pais têm. E, eu vejo uma mensagem aliada a isso tudo, de que todos somos filhos do mesmo lugar, do Pai e que, sendo todos filhos do Pai Celeste e da Mãe Natureza - já que em nossas mentes, a referência da nossa realidade terrena, para ser filho tem que ter pai e mãe - somos, então, todos, pois, irmãos, numa condição mais elevada e aos olhos do Criador.

Comecei a viajar nessa idéia-pensamento. Vi que são todas jovens, belas e com um senso de justiça que só uma alma nobre pode ter - isso foi baseado na aula de uma grande professora, Hermínia. E me ocorreu que não se trata da beleza superficial, mas, sim, da beleza estética do equilíbrio, da harmonia. As princesas não morrem, elas dormem - como nós nessa vida, apenas passando um tempo, afinal, a alma, o espírito, é imortal, até serem despertas pelo beijo encantado do príncipe encantado. Esse príncipe somos nós, nossa força guerreira de lutar e ir em busca de algo que nem sabemos o que é, mas, precisamos ir: nosso chamado interno. Já reparou que o príncipe se sente no dever de ir a algum lugar e, nesse lugar, se depara com a beleza irresistível e a beija, consolidando o ato material do amor através do beijo, de encontro. Tudo o mais que acontece são as coisas que acontecem em nossas vidas. A maldade que precisamos superar na gente e que, se o outro não se esforçar para transformar em si, precisamos estar muito fortes e cheios de amor em nós para não permitirmos que essa maldade nos mate. Quantos de nós se matam em si? Quantos de nós acaba sucumbindo a gama de dor e tristeza que nos remetemos e de lá não saimos, até aceitarmos que só entendendo que só lutando conseguimos vencer? 


Ontem, uma pessoa que já é muito especial em minha vida, como professor, como exemplo de pessoa, de dirigente, falou, em meio a muitos conselhos riquíssimos, que "precisamos entender que nossa vida é esforço..." e é mesmo. A natureza vive esforços diários, regidos por uma Lei Natural que nos é desconhecida por ser divina e nós, pessoas que esquecemos que somos humanos e parte dessa mesma natureza, onde somos incapazes de aceitar que nossa razão tem uma boa razão para existir. 

É por essas e outras que nossa personalidade mais densa, mais apegada a vida material nos prende e nossa alma adormece, tal qual as princesas dos contos de fada, tal qual a Bela Adormecida. 

Em todas as religiões se fala de vida eterna, seja como reencarnação, seja como ressurreição, seja como renascimento no Reino dos Céus... Ou seja, nós não nascemos para vivermos aqui, nessa Terra, nessa matéria. Nossa liberdade está em aceitarmos que nossa luta maior é conosco, num entrave interno que só vencendo internamente estaremos livres de nós mesmos e mais próximos de nosso Eu verdadeiro e essencial. No momento do nosso encontro conosco, com nossa alma, no alinhamento entre quem somos de verdade - ou, melhor, quem somos em essência - com quem estamos, ali, sim, não haverá o mal, porque já o teremos transformado em bem. Por isso que vivo me dizendo que fazer o bem é muito mais do que não fazer o mal, é viver o bem e, agora, complemento: é aceitar o bem como parte de nós e o mal, como parte de nós que precisa ser conhecida e transformada. Não é brincadeira, nem metáfora, quando alguém nos diz que só nós somos responsáveis por nós mesmos. É bem direto. Só que, por assim ser, não gostamos de ouvir. Nosso dia a dia nos remete e nos enclausura a uma condição muito superficial, muito pautada num aqui e agora de mentira e que não nos levará a lugar algum, a não ser o que já estamos. Precisamos fazer do nosso aqui e agora algo produtivo, só assim amanhã será um hoje mais virtuoso. Afinal, fazendo de cada aqui e agora algo melhor e mais rico - no sentido de ações e pensamentos virtuosos - só se pode chegar a amanhãs mais virtuosos. Isso é matemática. Isso é exato, como a Natureza o é. A exatidão, a fórmula mágica que tanto desejamos, os milagres que tantp pedimos é resultado disso: desse alinhamento, dessa harmonia, desse equilíbrio, desse encontro com nosso Eu essencial, aquele que foi criado pelo Pai e nós desfazemos e passamos a vida inteira como se ele não existisse. Temos uma mania miserável de fingirmos que não nos conhecemos e fugimos a vida inteira da gente mesmo, por medo, sabe Deus do quê. 

Em meio a esses pensamentos, vi uma cena de novela - esses dias estou noveleira, que só... mas, engraçado é que, quando paro para ver, me deparo com cenas que levam a reflexão - onde algumas pessoas ao meu redor colocavam a cena tão bela, com uma mensagem tão rica de força e união, de transformação e de missão cumprida com integridade e nobreza, em uma cena de tristeza. Foi na novela "Morde e Assopra", que acabou semana passada, onde a personagem Dulce - brilhantemente interpretada pela Kássia Kiss e que de feia só tinha as marcas de uma vida sofrida, porque sua beleza vinha de dentro tão mais forte que o externo era apenas um reflexo de uma vida material desprovida de luxo, conforto ou facilidade - sim, voltando a cena: Dulce estava morrendo e ao seu redor, pessoas que ela ajudou a crescer com seu exemplo e caráter firme e ético. Era uma mulher digna. Todas as pessoas ao seu redor precisavam aprender algo e conseguiram. Naquele momento de dor, afinal, se tratava de uma pessoa que estava deixando essa vida, e, sim, pessoas queridas nos fazem falta, mas, dor é uma coisa, sofrimento eternizado é outra... Naquele momento, surgia uma união. Havia personagens que carregavam mágoas, que foram curadas ali, naquele instante. Daí, vi que Deus tem planos para todos nós e lição a todo instante, para que, quebrando os paradigmas impostos e engessantes dessa nossa realidade infeliz de busca pelo nada, possamos encontrar um novo caminho. Assim como Jesus precisou ser crucificado, vivendo e sentindo o ápice da dor física, moral e imoral, pudesse tocar os corações e mentes de toda humanidade para o bem, para a elevação, e, mesmo assim, só vimos o lado negativo, justamente o que ele queria que entendêssemos e crescêssemos ao transmutá-lo, só vimos e nos apegamos ao mal. Só lembramos da dor que Cristo sentiu e, hipocritamente, nos fazemos solidários ao ponto de não nos elevarmos, mas, nos apegamos, cada dia mais a dor, ao sofrimento, como algo purificador. E, quando chega uma "doida" - para os normóticos - como eu e outros e diz que entende tudo diferente, somos taxados disso e daquilo. Alguém que se dispõe estudar a Bíblia, vê, em alguma passagem, Jesus dizer: "vão e vivam a dor"? Ou, em meio a sua própria dor ele pede ao Pai que nos perdoe? E nós, nos perdoamos de nossos erros e nos voltamos para o caminho da redenção? E nós, perdoamos - melhor, nem deveríamos culpar - os outros? Que patamar é esse que nos colocamos, que não está nos lugares que tanto pregamos? Mas, voltando a cena da novela, vi que as pessoas se incomodaram e criticaram. Muita gente dizia: "nada a ver Dulce morrer". Todos nós morreremos um dia e viveremos, um dia, para sempre. E Dulce, por melhor que fosse, era uma pessoa, também acumulava dor, também acumulava amargura... por melhor que ela fosse, também tinha defeitos: orgulho, amargura... Não digo se ela estava certa ou errada, mas, que era ela. Assim como nós, por melhor que nos tornemos, sempre teremos algo mais a melhorar. NÃO SOMOS PERFEITOS! No caso da personagem fictícia, a pobreza material lhe era também de cuidado consigo. Ela mostra que por mais que amemos a um filho, só nos amando primeiro, saberemos a dose de amar os outros, sem cobrança. Ela deixou de se cuidar, de se alimentar, por "amor" ao filho. Na verdade, pode uma parte desse amor, porque, ao não se cuidar, ao não se alimentar, ela abriu portas para problemas físicos. Por mais que busquemos a nobreza do resgate de nosso Eu, nós temos a condição física que requer cuidado, sim. O certo seria tudo dividido. No dia em que ela disse para ele que bebeu o leite, porque estava fraca, ele tomou uma providência e foi comer em outro lugar. Um sinal de que na vida, tudo tem um jeito. Não o jeitinho brasileiro e malandro, mas, o jeito da lei do retorno, da lei de que toda ação tem uma reação. Você pode não se deparar com um banquete exagerado, como nós colocamos como imagem do banquete ideal, mas, o necessário. Só quando ela aprendeu que por amor ela precisava ser ela, antes de tudo, sem negligenciar ele, conseguiu tocar um coração endurecido, como o daquele filho ingrato e sem bom caráter. Veja, mesmo tendo sido criado por uma mãe de exceçente caráter, ele não desenvolveu o seu, pelo contrário, tirava proveito, não do bom caratismo da mãe, mas, da ingenuidade e do sentimento doentio daquela mulher que se culpava e atormentava com as amarguras da dureza da vida e cobria o filho com o que não tinha. Ou seja, não foi construída uma base sólida. Isso não é um crítica, mas, uma constatação, afinal, era o que o autor queria que refletíssemos. E, mesmo com idade avançada e pouca formação educacional, essa mulher mostrou que sempre temos algo a aprender e aprendeu com os próprios erros, mostrando que a maioria das coisas para a boa formação de caráter não está nos livros acadêmicos e sim, no livro da vida.

A gente esquece que o que precisamos é o necessário. Para quê? Para cumprirmos nossa missão. O justo. Se a gente não sabe o que quer, não sabe o que buscar e vive em busca dessas imagens ideais e surreais que nunca serão encontradas e que não estão nelas a plenitude do nosso ser, nunca iremos nos encontrar. Não é para vender tudo que tem, ou dar... é saber como usar o que se tem para não faltar, nem exceder. O equilíbrio. Daí, vi porque essas pessoas se doeram tanto com a cena da morte da Dulce e eu só via uma bela lição. Porque, ali, vi do que estou embebida: de busca, de querer abrir meus caminhos, de seguir esse caminho que me levará a esse reencontro comigo e com o ideal maior de fraternidade, para o qual o Pai nos enviou. Para que nos encontremos e nos unamos aos nossos irmãos, uns ajudando aos outros. Onde um desequilibrar, que o outro ajude e por aí vai. Não um melhor do que o outro, mas, todos iguais, com problemas e fraquezas diferentes, bem como forças e soluções.


 Pois é, que meu indivíduo seja mais forte, a cada dia que minha personalidade e que assuma o domínio desses meus pequenos eus para que meu Eu essencial seja dominante, afinal, todo Eu é bom, é belo e é justo. Para isso, esforço diário, ritmo, determinação, consciência, disciplina, dever, respeito as leis, a ordem. Nossa vida é um ensaio. Tudo para nos preparamos para o grande espetáculo eterno que está por vir. Sejamos pois, façamos, pois, o melhor, sempre e a cada instante. Sem dor, sem culpa, porque só começou agora, mas, feliz, por ter começado!

Pat Lins.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O AMARGO SABOR DA RAIVA

A raiva é poderosa, forte, dona de si...

Tem um amargo sabor de dor. Ela dói, destrói, corroe. Começa com um amargo na boca, trazendo secura. Parece espinhos afiados e gigantescos que isnistem em furar a pele e sair, para assumir um lugar que não é dela, mas, ela o quer. Tem dedos de espátula, tentando empurrar nossa órbita ocular para fora do seu lugar, numa força imperativa de dentro para fora da nossa face. Espreme nossa cabeça como garras em forma de forceps, apertando nossas têmporas e fazendo-nos enlouquecer com a quantidade de informação inútil, de onde ela tira seu alimento, e que a faz inchar, inchar e inchar tanto que se materializa em forma de um vazio cheio, repleto de nada que preste e que serve apenas para ocupar o espaço físico em detrimento do espaço mental. Confunde! Confusão! Esse é seu intento: nos confundir a ponto de ficarmos cegos, mesmo os olhos enxergando tudo, só que tudo errado. Depois, sobe aquele calor terrível, queimando a espinha, cada vértebra, cada músculo, cada célula, cada átomo... Reduz-nos a subátomos vazios e inoperantes. Uma partícula atômica, por menor que seja, e, teoricamente, indivísivel, contém mais informação do que uma infinidade terabytica, mas, a raiva, nos torna sub sub sub nada, pedaços de nada. Não, nós não a incorporamos, ela nos toma, é dona de si. Nos reveste como segunda pele e envolve nossa alma em tristeza, dor e angústia. Lança-nos ao mais fétido pântano,sem luz, sem água, sem vida. Cala-nos, pelo orgulho que desperta a vergonha em pedir ajuda ou pedir perdão, mediante arrependimento de alguma ação. Nos emudece a ponto de arrancar nossa língua e limita-nos no vocabulário oco da ignorância analfabética de um zero. Ela nos mata!


Mas, em meio ao calor da ira e do ódio catalizados no decorrer do tempo mal vivido, dominados pela raiva, a íris sensível reconhece a mínima luz! Abre-se toda para que ela entre! Eis o sol! Símbolo de vida e libertação. Sinal do fim da solidão e ressurreição. Entra um calor que refigera, que acalma as emoções aprisionadas e estancadas numa represa de lágrimas congeladas pelo mau uso delas. A raiva transpira o suor mais encorpado, com dor e odor insuportáveis para quem sente e quem expele. A vida, na forma das virtudes, salva e destila esse suor em líquido transparente, levando as impurezas que contaminaram nossa alma. Banha-nos na luz mais sublime e divina, espalhando uma fragrância suave e alegre das lembranças de quem somos: imagem e semelhança da perfeição, em matéria imperfeita e dispersa, mas, em essência, divinos e eternos como Quem nos criou. Somos partículas operantes de um Universo incessante e misterioso que insiste em nos dar novas oportunidades, mesmo que as tenhamos deixado passar. Assim como um problema não resolvido fica até ser solucionado, a oportunidade volta para que voltemo ao caminho certo. E por essa mesma íris, por cada fio de cabelo, por cada célula epidérmica, envolve-nos, entra e guia-nos Ele, o Astro-Rei: o Sol! Imperador sem tirania; verdadeiro dirigente de nossas almas. Rei dos Reis! Luz! Força! Energia Vital! Essa luz envia seus raios como espadas, como mãos, como dedos que arrancam as marcas da negatividade que nos dominou. Sim, sentiremos dor, como um músculo machucado que ao voltar para seu lugar, dói. Dói uma dor diferente: cura! Só a redenção pode-nos curar! Essa é a luz que queima e destróe a chama destrutiva do orgulho e do "não fazer".

É chegado o tempo de nos ajudarmos e enxergarmos o que nossa sábia menina dos olhos quer que vejamos. Só com os olhos puros de uma criança podemos saber nos perdoar e seguir em frente, com a determinação de quem quer apenas crescer e seguir, sempre em frente, com olhar destemido e muito a aprender.

Assim, a vida se torna doce, como deve ser e a raiva se transforma em outro tipo de energia, mais sutil e livre, libertadora. A raiva é dona de si, mas, não é dona de mim! Nem de ti! Nem de nós! Ninguém domina a raiva. Só quem entende e consegue praticar e viver as virtudes carrega a chave que fecha as portas dessa emoção mal compreendida e sub-utilizada, abrindo a porta certa, na direção correta para onde ela precisa ir. Só vivendo um dia após o outro se aprende e se vive. Só consciente e firme, guiado pela vontade conseguiremos romper com as partes mais baixas e subir os degraus que viemos para subir. Não desejo sorte, para cada um de nós, desejo discernimento, para que saibamos separar o que é do que "não é".



Pat Lins.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

TALVEZ SIM... TALVEZ NÃO...

Quantas pessoas buscam fora o que só dentro se encontra?

Quantos fogem sem saber do quê e vão, para qualquer lugar, sem saber para onde...? Depois, em meio a distância e à tristeza, se perguntam: "Por quê?" "Por que não me encontro, nem aqui?"

Quantas fingem felicidade internacional e choram lágrimas em outro idioma apenas por não saberem do que fogem e o que buscam?

Quantas não vão a lugar algum e sofrem, a dor de querer ir aonde não pode, porque pensa que é lá que está a tal felicidade?

Quantas pessoas, lá, cá, em qualquer lugar sente que falta algo e não sabe o que é? 

Quantos de nós se coloca a busca verdadeira, sem medo de abrir mão das aparências, dos bares da solidão e dos companheiros de farra que, sóbrios, também vivem esse vazio que nem um balde de cerveja gelada preenche..?

Quem está disposto a seguir um ideal maior? Um ideal que não é imposto por palavras ao vento ou frases de efeito? Um ideal que está dentro de nossa alma e seja da religião que for ou de nenhuma ele existe do mesmo jeito. E só com muita labuta podemos acessar um "nãoseioquêquevemnãoseideonde" e nos leva a busca do além, dos mistérios da vida, do eterno, do essencial. 

Quantos de nós não teme seguir aquilo para que veio e sem aceleração? E quantos afirmam terem chegado lá e vivem ansiosos para ver o que ainda não viram...? Talvez, porque não se tenha nada para ver e sim para ver com os olhos da alma, através do coração. Quantos não enxergam cada passo, o caminho e afirmam estar a caminho ou ter chegado lá?

Quantos se dizem tão bem preparados e inatingíveis e se perdem em pequenos detalhes? E quantos entendem que nada é tão controlável, assim? Mas, que, também, nada está tão fora do nosso controle? Quantos compreendem que existe algo acima de nós e mesmo que diga "não", esse "algo mais" sempre prevalece e fica a pergunta vaga no ar?

Até quando ainda perderemos tempo, em vez de nos aliarmos a ele? 

Quantas palavras precisam ser gastas para se sentir livre de algo que te enche e é preciso esvaziar?

Há tanta coisa para aprendermos! E tudo está tão ao nosso alcance... só olhar e ver. Não, não olhe com os olhos da face... olhe com os olhos de dentro, só assim poderemos ver o lado de fora. Mas, ainda há quem pergunte: "dentro de onde?" E começa tudo de novo! Não termina nunca! Temos demanda para uma vida inteira e ainda partimos com as sobras... Fazer o quê? Começar, começar e começar. Tem gente que tem muita pressa em se firmar financeiramente e nem percebe que isso não é tudo. E quem não se firmou, não é a hora. Quem disse que a missão da alma de alguém, aquilo para o que viemos, para que Deus nos enviou, tem relação com vida profissional? Eu preciso entender isso. Preciso entender que nem tudo que parece é. E, quem disse que preciso me sentir cheia de vazio e viver sozinha para provar que sou forte e muito mais? Quem disse que o que vêem em mim é o que quero para minha vida? Quem garante a quem me vê e vê parte dos meus talentos que estes precisam ser rentáveis? Estamos tão cegos pelo dinheiro que o que importa é tê-lo, mesmo sabendo que ele não é responsável pela nossa felicidade. 

Bom, e quem disse que eu estou acima de tudo isso? Quero encontrar meu verdadeiro EU, sim, mas isso não quer dizer que precise forçar uma barra e ser aquilo que me formei na faculdade... Com relação a isso, tenho certeza: pode até haver algum talento, mas, não é minha vocação...Sim, eu admito! Vivo cada dia. Aprendendo com o que me permito - é o que consigo. Aquele que me olha e me vê e jura que sabe para que eu vim, talvez esteja enganado. Talvez, não... Tudo em nossas vidas passa de algum "talvez"? Mas, sim, eu quero encontrar um caminho que me leve a estabilidade e o conforto financeiro, sim. Com certeza essa não é a missão de ninguém, mas, acaba sendo missão para sobrevivência nesse mundo perdido e desiludido. E quem vai resgatar o ser humano que há dentro de nós? Só cada um pode fazer isso! E a busca de tanta coisa, os encontros não são válidos? Quem disse que me acomodei? Estou seguindo como posso. Ninguém precisa sofrer por mim, porque eu mesma não o faço. Eu vou vivendo a cada dia, como dá e como consigo. Com certeza se eu pudesse ir além, agora, alguém estaria me cobrando além do além. Por isso, diga ao povo que fico! Fico comigo! Quando eu tiver condições de ir além, tiver essa capacidade, aí, sim, será o meu tempo. É isso que tento me fazer compreender. Até que, hoje, entendi, lendo um amigo que, como ele disse certa vez: "vive em busca sem saber de quê... um dia ele encontra, em algum lugar do mundo..." - e sei que encontrará, em algum lugar do mundo, o caminho para o mundo dele - que não importa quantos idomas a gente consiga falar - todo mundo tem essa capacidade -, o que importa, mesmo, e isso eu me digo, é quantas palavras eu me faço me entender? Com quantas frases descubro, desvelo ou concluo: quem sou eu? Quantos verbos preciso conjugar para conjugar e entender que EU SOU? 

Pois é... eu tenho facilidade para aprender diversos idiomas, mas, não falo quase nenhum. Minha língua mãe e um pouco de inglês - que compreendo mais do que falo. E aí? Quem fala mais vai mais longe? Quem mora em vários lugares tem mais experiência de vida? Uma diarista veio aqui em casa e me disse que não entende "essa coisa das letras..." e por isso deixou de ser contratada num determinado trabalho. Ela perdeu pai e mãe no mesmo ano; saiu de sua cidade do interior para trabalhar como doméstica aqui na capital; cuidou dos irmãos - maiores e menores; mulher, negra e semi-analfabeta... Ela me disse: "Dona Patricia, as pessoas me perguntam se eu tenho essa fé na vida, onde está meu carro do ano, minha mansão...? E sabe o que eu digo? Se um dia eu tiver que ter, terei, mas, hoje, eu vivo com dignidade. Qualquer R$50,00 para mim é resultado de minha vitória! Só eu sei o que precisei passar e abrir mão de estudo em escola para dar oportunidade para meus irmãos. E eles me botaram para fora de casa... Agora, vivo num quartinho que é menor que sua cozinha, que a senhora diz que é pequena. Lá eu tenho: tv, geladeira, uma cama, uma pia e meu cachorro. A senhora acha que quero parar aqui? Não. Eu vou fazendo meu trabalho..." Ela fala e se expressa muito bem. Já trabalhou para "pessoas de posse", como ela mesma fala, e nenhum deles lhe incentivou estudar... Uma condicionou para ela: "ou estuda ou trabalha para mim...". Quem é mais humano? Quem se aproxima ou distancia da realização pessoal? E, o que, de fato, vem a ser essa realização? A ex-patroa era médica e esposa de médico - neurologista, ambos - e sofria de uma enfermidade grave: medo de tudo. A água da pia era tão quente, que a diarista me disse que queimava suas mãos, porque a patroa tinha medo de germes... 

Se eu aceitar minha realidade atual por ainda não saber como mudá-la e não sofrer por isso, sem perder a esperança ou, sei lá, o objetivo de me encontrar em outras realidade até encontrar a minha realidade real, eu estou sendo acomodada ou dando tempo ao tempo? O que me propus e estou fazendo é dar um passo de cada vez. Aí, me pregunte: e se você morrer antes de encontrar sua missão? Sei lá! Talvez eu deva deixar que ela me encontre... Sei não. Cada dia que passa, menos sei das coisas... E, nem por isso, deixo de ir vivendo. Vou me completando com as coisinhas que consigo e para mim são muitas coisas. Não quero ser como ninguém, não. Sou como estou conseguindo ser e mudarei quando a mudança ocorrer. Falta tanto e falta tão pouco. Se tomei um rumo errado, talvez não fosse a hora do rumo certo, né não? E quem sabe exatamemte qual é o rumo certo? Sempre precisaremos abrir mão de algo, por algo. A dúvida sempre haverá. Mesmo dentro da certeza, muitas dúvidas. De tempos em tempos somos levados a novos rumos. Só reparar. Um dia, preenchidos de sabedoria, consciêcia e conhecimento verdadeiro poderemos nos desvelar e nos encontrarmos com nossa essência. Até lá, muitos ciclos; altos e baixos... muitos rumos a seguir. Tanta coisa para conhecermos que só a vida é capaz de nos conduzir. Então, aprecie o passeio e faça o seu melhor a cada dia, em cada lugar, a cada momento. Ah, não digo ficar parado e esperando a toa... Movimentando-se! Talvez eu não faça o movimento certo, mas, algum eu faço, achando que é o meu certo e dentro do que consigo fazer. Se eu pudesse fazer mais, já estaria feito! (risos).

Talvez sim... talvez não... a vida é cheia de surpresas - para a gente, porque, para a vida, tudo está muito bem organizado.

Pat Lins.

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