Mostrando postagens com marcador diálogo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador diálogo. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de março de 2014

MULHERES: ENCONTROS DE GERAÇÃO E MUITA "TRICOTAÇÃO"

 

Olha, realmente, eu vim despida de todo e qualquer tipo de preconceito - aliás, como tudo na vida é dual e somos naturalmente hipócritas, eu discrimino quem discrimina... Não deveria, mas cabe em meu pacotinho: "sou humana e imperfeita, sim, mas me coloco em movimento de melhora a cada dia, aqui e agora!".

Venho de uma família mestiça em TODOS os sentidos! TODOS! Inclusive de cor, credo, instrução, educação e situação financeira. Vivo e convivo com TODOS os tipo de pessoas. E, sinceramente, eu AMO MUITO TUDO ISSO! Tenho o privilégio de saber que tenho acesso aos mundos que gravitam em paralelo ao meu. Tenho consciência de que todos somos peculiares e respeito os espaços de cada um. Lógico que me pego cobrando e criticando um ou outro, mas, como já falei antes: tudo na vida é dual e somos naturalmente hipócritas, eu discrimino quem discrimina... Não deveria, mas cabe em meu pacotinho: "sou humana e imperfeita, sim, mas me coloco em movimento de melhora a cada dia, aqui e agora!".

Bom, me deixa entrar logo no assunto que vim postar...

Estava numa cidade próxima, visitando alguns parentes paternos - que são minha FAMÍLIA - e, em meio a tanta coisa, sentamos eu e irmã para conversarmos com "tatia Joana" - tia avó nossa. "Tatia", como chamamos desde criança, porque era como papai a chamava quando criança, tem 91 anos. Um dia ainda escrevo sobre a vida dela - mulheres "comuns", com vidas "comuns" não têm nada de comum... Pois bem, conversa vai e conversa vem, como de costume, ela puxava o assunto comigo e com irmã, sobre "quando vão ter outro?" - "outro", leia-se "outro filho"... Pois eu tenho um e irmã tem uma. Daí, irmã disse:
- Tatia, não é barato ter e manter filho, não. 

E "tatia" concorda, dizendo que "é verdade, minha filha!". Eu, seguindo a linha de raciocínio que escuto com frequência e pude comprovar em minha infância, digo:

- É, tatia, eu sei que na antigamente era mais fácil. As pessoas se ajudavam mais. Hoje em dia é tanta cobrança, tudo tem que ser pago que ter filho acaba envolvendo condições de manter...

Depois de muitos anos, escutando esse discurso, eu "jurava de pé junto" que ela também pensava assim. Mas, como disse, mulheres comuns, com vidas comuns não têm nada de comum. Ela tem uma vida cheia de emoções - entenda "emoções" como de tudo: boas e ruins. Rompendo esse ciclo vicioso de "as gerações anteriores eram mais felizes" ela revela:

- Eu queria ser é dessa geração agora! Essas meninas têm filho por aí é porque querem! Em minha época, não tinha nada. Ninguém tocava no assunto e a gente era "obrigada" a ter um filho por ano. Era cansativo demais! Marido exigia isso! Me lembro que fui ao médico, naquela época e já nem me lembro quantos filhos eu já tinha - pausa para contar...

- Quantos a senhora teve, tatia? - pergunta irmã

- Vivos nasceram 9 e 2 que nasceram mortos.

- Poxa! - exclamamos juntas, eu e irmã!

- É, minha filha, mas cê pensa que era fácil? Não era não. Quando pedi ao médico: "Dr., dá para o senhor me ver um remédio para eu parar de engravidar?", ele me expulsou da sala, gritando que eu era louca... Hoje, os médicos estão chamando e essas meninas parindo por aí e deixando para a vida cuidar, dizendo que é descuido. Descuido era em minha época, que ninguém sabia de nada. Hoje, com tanta informação, descuido é desculpa!

Veja, quando a gente vai a fundo, a gente descobre que nem tudo era tão bonitinho! Ela, no auge dos seus 91 anos revelou isso, como um desabafo de ANOS! E não foram 20 ou 30 anos... desabafo de 70, 80 anos! Ou dos 91!

A cobrança; o estabelecimento de "metas culturais" enquanto tradição; o sexismo, em forma de "poder machista e heteronormativo", onde o homem,  enquanto ser do gênero masculino "pode tudo!"; o cotidiano com a responsabilidade de já ter que cuidar de filho e casa, ser "esposa" e, com isso, ter todo o tempo ocupado, para não se ter tempo de pensar e refletir, daí, questionar e lutar pela liberdade, emudeceu muitas mulheres, pela falta de "tempo", mesmo. Para se romper com isso - e continua essa luta por tanta ruptura - foi preciso muito "peito" e sutiã queimado. Ainda escuto muitas mulheres de gerações anteriores me dizerem: "era melhor como antes!". Hoje, entendo o que elas querem dizer, só que não sabem expressar bem... O que elas dizem não é querer ser uma mulher tapada pela opressão machista, mas hoje, nós somos, ainda, "cobradas" para atingir um padrão de excelência desumano e sobre humano, onde trabalhamos "fora" e dividimos as contas, mas a casa ainda é nossa responsabilidade. Graças a Deus, algo já começa a mudar com relação aos filhos, justiça seja feita, muitos homens se esforçam para romper com essa ditadura silenciosa e mascarada de séculos, e já assumem-se corresponsáveis pela educação ATIVA e com AMOR dos filhos! 

Ou seja, quando algumas mulheres me dizem isso, vem um adendo: "Pô, meu marido já se aposentou e fica em casa, de pernas para o ar. Eu me aposentei e continuo dona de casa...". Claro que me refiro ao geral, porque as exceções existem, ainda como exceções... 

Eu curto muito conversar com as pessoas. E, se todo mundo der atenção ao idoso ao seu lado, verá um mundo muito maior se abrir. Hoje, minha querida e amada "tatia", pode falar comigo, com irmã sobre isso. HOJE. Mas, por quantos anos e tudo o que ela já viveu - e falo de dor, muita dor e vida sofrida, mas ela sempre forte e com um humor contagiante - ela precisou calar, por sabedoria e por medo?

Hoje, ainda lutamos por igualdade! Só que as pessoas lutam pelo fim da desigualdade, acirrando a desigualdade. Essa contradição e falta - ausência, mesmo - de base, de valores, faz com que essa juventude de hoje tenha ausência de referencial e luta, grita e brada sem mensurar resultados. As gerações anteriores, tinham a base, os valores, mas não tinham a garra, a combustão necessária e em quantidade suficiente para reagir mais, porém, conseguiram, com poucos e com muita vontade dar um ponta pé inicial, um start... adormecido pela nossa atual falta de tempo por ter o tempo integral ocupado!

O importante é estar em movimento. Um dia, as coisas apaziguam e tomam UM rumo, não vários caminhos aleatórios! Hoje, temos abertura para diálogos, para trocas, para se diluir qualquer assunto, esgotar, para não remoer... mas, raramente fazemos... Os encontros de gerações podem ser saudáveis, se assim fizermos!

Hoje, podemos falar, aparentemente protegidos pela Lei, para tanto, precisamos nos salvaguardar para não atingir alguém que se doa por se sentir atingindo, sem ser... A fragilidade da atualidade está na APARÊNCIA DE SER, em vez de ser. Antigamente, as mulheres sofriam caladas, mas tinham uma força maior, uma força que passava para as filhas e filhos, aos poucos, como quem planta sementinhas. Era um movimento muito pequeno, mas para longo prazo. Para, hoje, esbarrar no estágio de mulheres objetos, que querem tudo tão fácil, se vendem como troféu barato e pouco fortalecem o intelecto, a razão e as boas emoções... Aí, enfraquece o movimento... Né, não?

Vamos para frente! Porque a luta é pela igualdade e respeito às DIFERENÇAS. Ou seja, devemos considerar que existem diferentes, mas todos têm o direito de serem quem são - desde que não matem, roubem ou destruam, passando por cima para atingir o que quer... toda liberdade tem limites!

O princípio da liberdade está em aceitar o limite de acesso. 

Que fique claro para cada um de nós: cada geração traz a sua beleza, traz o seu ensinamento... traz lições que nem os contemporâneos se dão conta... de que a dualidade existe por algum motivo. Tudo vem com a "dor e a delícia de ser o que é", como diz Caetano Veloso. O "é" é o que deve ser visto! 

Vivendo e aprendendo com os mais velhos e os mais velhos com os mais novos!

Pat Lins - costurando a minha colcha de retalhos, sem retaliação!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

NEM TUDO É TÃO RUIM QUANTO PARECE


Pois é... estava eu preocupada com os rumos de uma certa reunião que participaria - já teve, inclusive - e, em vez de ficar sofrendo, como de costume do meu temperamentozinho ruim da "gota" e elucubrando - afinal de contas, eu também elucubro, tu elucubras, ele elucubra o problema é quando todos nós elucubramos, eles elucubram de nós... ops, faltou  vós: vós elucubrais, também! Todo mundo elucubra o tempo inteiro! Êta lelê! - fui conversar comigo e me questionar: "o que quero eu de fato?" - sem elucubrar, num esforço tremendo, mas, vale a pena se esforçar... é isso que nos ajuda a transformar algo ruim em bom; negativo em positivo; vazio em cheio de sentido... - enfim, - parece que este parágrafo quer elucubrar comigo... - entendi que NEM TUDO É TÃO RUIM QUANTO PARECE, ainda que seja uma situação delicada e, de fato, muito ruim.

Pois bem, a reunião foi exatamente como previ - vidente, eu? "Magina...", apenas era óbvio. Já conheço os perfis e, como bem conheço o meu, vi uma oportunidade de me empenhar mais em mim e manter o foco da questão, tentando não elucubrar muito... Pois, foi boa a reunião. Toda reunião bem preparada é boa, só que eu era uma incógnita, inclusive para mim... tanto poderia sucumbir a mim mesma, como manter o foco na questão e me lembrar: "liberta-se do orgulho ferido, do ego inflamado... isso nunca resolveu nada." e foi o que fiz. Ah, se manter focado não impede de dizer o que precisa ser dito e escutar o que preciso escutar. Essa troca muito me enriquece e eu AMO me permitir ouvir e refletir. Como achei super legal me conter e falar pouco, porém o necessário e essa foi a surpresa boa de minha parte e deles, foi ter tido a diretora e a professora nessa troca e isso enriqueceu muito a reunião! O que previ estava lá, também, bem previsíveis, como de costume... - deixa de maldade, Patricia Lins! Vou deixar. É que têm coisas que mexem em algumas emoções mais baixas e fazem isso comigo... Bom saber, para transformar.

Lógico que cada um defende seu lado, cada um expõe suas idéias... eu expus minha vontade de entender e tive a companhia da diretoria em esclarecer. Mulher retada de equilibrada e ponderada essa Tais Costa, viu? Jovem, competente, capaz e com uma clareza na oralidade proveniente do seu - elucubro eu - estado de espírito equilibrado. Deve ser reflexo da alma. Tem gente que tem esse perfil nato. Uma pessoa linda, mesmo. Infelizmente, ela é apenas uma... Mais dela faria um bem enorme a muitas pessoas. Eu viajo nessas coisas, assim... se você me perguntar: "você se clonaria?" eu responderia: "eu não! Deus me livre e livre a humanidade..." - brincadeira. Mas, fico vendo algumas pessoas por aí e penso: em meio a tantos incompetentes, tem um que compensa tudo. Mas, sem ela, muita coisa para... ou seja, carrega muita coisa nas costas - faz jus ao nome. Conheço outras pessoas assim, mas, essas, já têm um ambiente mais bem construído, ela pode não estar que tudo anda do mesmo jeito, por ter uma equipe parceira e mais "chegada" mesmo. Uma equipe com senso de dever e de que fazer mais é poder!

Pois bem, após a reunião, saí um pouco diferente de como entrei, por ter esclarecido meu lado e compreendido o lado deles - isso era importantíssimo para mim, afinal, não queria "barraco", nem apontar dedos... queria entender o que estava acontecendo. Não muda a realidade que passou, mas, muda daqui para frente. Isso é importante, né, resolver e continuar no aqui e agora. Recebi um toque legal, de coisas que nem fazia idéia de como aconteciam... Isso fico grata, pelo ponto a refletir e que me caiu como "nossa, finalmente, entendi como reverbera mal ser controladora e dominadora inconsciente". Hoje, de posse desse conhecimento - até porque eu já vinha observando essa minha característica e me cansando dela, também... não me agrada ser assim - tenho mais um norte a me guiar rumo a mim mesma. Escutar ser dito com tamanha classe e cuidado com cada palavra me ajudou a cair uma ficha que estava na fila de demandas do meu processo de (re)construção. Algumas coisas na reunião foram decepcionantes... frustrantes, na verdade, mas, para mim, nesse ponto, foi produtiva. Realmente, eu não tenho que abraçar o mundo e querer resolver tudo por todos. 

Nem perdi mais o meu tempo mental elucubrando sobre as outras presentes que eu tanto queria que se vissem e, assim como eu, se permitissem ir além para melhorar e levar essa melhora para o ambiente em questão - que é a escola do meu filho. Ah, tudo isso foi numa reunião escolar, que desabafei à véspera, no "MÃES NA PRÁTICA" - e favorecer o ser em questão que é meu filho amado, lindo e que dá uma trabalheira da gota! Ele nos leva a pensar: "o que fazer mais?" e haja firmeza! Muito se foi esclarecido e isso é que importa, quando se resolve - espero eu que tenha sido produtivo para elas como foi para mim... que, desta vez, seja colocado em prática, como não foi no primeiro semestre. Mas, está tudo bem, caminhando. Nem tudo é tão ruim quanto parece. Existe um trabalho bacana sendo feito, o desafio é VER onde está o entrave - ou, onde estão... ops! Lá vou eu elucubrando e, pior, tendenciando pelo caminho que essa elucubração me leva e que me parece ser algo bem provável... - e por que trava bem aí? Hein? Olha, pior do que esperar as respostas certas é não poder expor as perguntas certas do tipo: "seria hora de mexer no time de estrelas?". Uma equipe só dá certo com tudo às claras, sem máscaras. Não sei, tem algo ali que não está bem... Não sei. Não sei. Não sei... Eu suponho. Pronto, só isso: suponho. Mas, não vou dizer minha suposição, porque eu apenas suponho... 

Mas, no final das contas, NEM TUDO É TÃO RUIM QUANTO PARECE. Pedro está crescendo e minha avaliação é puramente na vida cotidiana... a vida escolar eu sou co-participativa e tenho que acatar mais - não dizendo "sim" para tudo, mas, usando o caminho de ouvir e ver para entender, recebendo explicações e sugestões que ponho em prática. Passou. Vamos para frente! Só a continuação é capaz de nos mostrar o amanhã e o depois. E só uma reavaliação em conjunto é capaz de somar, mesmo. Mas, EM CONJUNTO,  COM CLAREZA E TRANSPARÊNCIA.

Pois sim, no fim dessa canção, eu não pulo fora. caio para dentro. Faz parte de mim. Como faz parte de mim crescer e romper com certas barreirinhas e barreirões - internas ou externas - que são prejudiciais - a mim e ao outro. 

Discurso pronto, na ponta da língua e na hora da prática, língua não sai andando nem agindo... Agora, me parece que será diferente. A idéia era somar. Que some e multiplique e que venham os frutos positivos. Não quero ouvir só coisinhas boas e bonitinhas não, quero uma escuta e uma postura diferenciada, aberta e "prafrentex". Pois é para isso que me disponho. Ainda que tenha que domar uma parte da leoa dentro de mim que precisa ceder mais à coruja e a águia voadora pelo céu da liberdade! Libertemos-nos, então, de nós mesmos, para o nosso próprio bem e façamos do bem a nossa morada, porque aí é onde a paz habita e onde o divino se manifesta!

Uma semana ímpar para você! Uma semana de resoluções para nós! Obrigada a Tais por essa oportunidade e a Lene pelas dicas preciosas que acolhi com imenso carinho e parto para a reflexão. Ademais, só posso dizer que essa parte da equipe muito me agrada e por isso a reunião foi tão produtiva... Gostei! Todos nós temos defeitos e não me incomodo quando me alertam sobre alguns dos meus defeitos que podem ser transformados em algo bom, positivo e produtivo! Escola é lugar de sempre termos algo a aprender, né verdade?! Aprendi eu, também. Ensinei eu, também. Tudo é troca quando há terreno fértil para isso.

Tenho ou não motivos para ver o lado bom das coisas? Com essa abertura eu pude falar e ouvir. Isso é troca. Isso é estar preparado. O previsível se fez previsível no mesmo jeito silencioso e comedido de se manter. O não falar é terreno para elucubrações pejorativas e deturpadas... 

Pois bem, deixe-me ir! Feliz. Não com tudo, mas com o que já começou!

E LEMBREMOS-NOS:

NEM TUDO É TÃO RUIM QUANTO PARECE. Isso não impede o ruim de aparecer, estar, existir... Por isso que sempre me repito: negar a realidade de nada ajuda. Encarar e ponderar, sim, cria condições para melhorias. Estabelecer estratégias e critérios de melhoria, sim, são molas propulsoras - nossa, como usava isso em minhas dissertações - para a verdadeira transformação!

Vamos que vamos! Ainda vem muito mais (r)evolução! "Para o alto e avante!". "Para o infinito e além!".

Pat Lins - de controladora para delegadora: eu chego lá!


LinkWithin

Related Posts with Thumbnails