
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
DPP E FÉ

Como já falei em posts anteriores, desenvolver a Fé me ajudou muito! Em meu caso, fé em Deus, e sua força através do bem e do amor!
As orações me ajudaram muito. Fora o trabalho de humildade.
As orações me ajudaram muito. Fora o trabalho de humildade.
Foi em meio a orações e renovando diariamente a fé, esperança e gratidão que vi o quanto faz bem ser grato, principalmente pelas coisas mais simples.
Esse exercício (que faço até hoje e daqui para frente) foi que me deu ainda mais forças.
A gente deposita muita expectativa no tratamento e isso gera uma cobrança e ansiedade muito grande. O que gera ainda mais ansiedade...
Durante o passar dos anos, a gente vai aprendendo a viver a vida de maneira cada vez mais desgastante. Em vez de buscar ser feliz, a gente busca ter recursos materiais para poder ser feliz. Não sou contra o dinheiro, mas, não podemos depositar o conceito de felicidade numa conta bancária. É aquela história: viver bem, com conforto, acesso a “boa” educação, saúde e alimentação, nos tempos de hoje, requer certa quantidade de recursos financeiros, e, claro, que com certa comodidade, a gente terá mais tempo para se buscar e conhecer e, lógico, ser sempre feliz.
Esse exercício (que faço até hoje e daqui para frente) foi que me deu ainda mais forças.
A gente deposita muita expectativa no tratamento e isso gera uma cobrança e ansiedade muito grande. O que gera ainda mais ansiedade...
Durante o passar dos anos, a gente vai aprendendo a viver a vida de maneira cada vez mais desgastante. Em vez de buscar ser feliz, a gente busca ter recursos materiais para poder ser feliz. Não sou contra o dinheiro, mas, não podemos depositar o conceito de felicidade numa conta bancária. É aquela história: viver bem, com conforto, acesso a “boa” educação, saúde e alimentação, nos tempos de hoje, requer certa quantidade de recursos financeiros, e, claro, que com certa comodidade, a gente terá mais tempo para se buscar e conhecer e, lógico, ser sempre feliz.
Mas, como explicar quem é feliz com tão pouco, financeiramente falando e como tem gente com tanto patrimônio e não consegue ser feliz? A felicidade é uma fórmula? É mais feliz quem sabe ganhar dinheiro? As pessoas mais inteligentes são aquelas que enriquessem financeiramente? Qual o valor real da felicidade? Será que para ser feliz é necessário ser rico? Por que tem gente que vive na mais profunda miséria sócio-econômica e ainda consegue sorrir e ter esperança em algo bom? Por que quem tem quer ter mais?
Aí a gente descobre que não aprendeu a viver, com o passar dos anos, mas, desaprendeu... A gente desaprendeu o caminho para a felicidade. E esse caminho só tem sentido se guiado por um conjunto de mente, corpo e espírito. O que nos fortalece de verdade, é a verdade. Viver para morrer ou viver para viver?
Aí a gente descobre que não aprendeu a viver, com o passar dos anos, mas, desaprendeu... A gente desaprendeu o caminho para a felicidade. E esse caminho só tem sentido se guiado por um conjunto de mente, corpo e espírito. O que nos fortalece de verdade, é a verdade. Viver para morrer ou viver para viver?
Levantei alguns pontos, durante minhas crises:
Primeiro ponto: a fé! Por que temê-la? Por que colocá-la em segundo plano na vida, se ela deveria ser nosso Norte? Quanto mais a gente estuda, se gradua, pós-gradua, menos busca desenvolver e exercitar a fé. Isso não é uma regra, nem verdade universal. Tem quem exercite a fé e os estudos acadêmicos... Me refiro ao geral. Falar em Deus, amor, felicidade, alegria... torna-se piegas, e quase ninguém quer ser piegas assumido... então, a fé atrofia...
Segundo ponto: a gente aprende a viver na correria, que a vida passa e a gente nem se dá conta. Só quer ver quanto vai ficar de saldo na conta corrente, para ter aquele “alívio”... Lógico que tem quem se dê conta antes e lembra de ir vivendo em paralelo: curtindo os filhos; a família; uma tarde de domingo em casa; os amigos; bate-papo...
Terceiro ponto: lembrar de respirar! A afobação nos impede de ter tempo para respirar. O lema “time is Money” toma todo o tempo. Você já telefonou para alguém querido e ouviu um: “hoje não tive tempo nem para respirar...”? – eu já cansei de falar isso...
Quarto ponto: viramos escravos dos e-mails, Orkut e mensagens para o celular (não sou contra, tenho todos.Só precisamos saber dosar...)
É são vários pontos para analisarmos. Mas, parar para orar, para refletir, não deve ser uma obrigação diária, deve ser parte do dia-a-dia, como respirar, andar, falar... algo espontâneo e natural.
É são vários pontos para analisarmos. Mas, parar para orar, para refletir, não deve ser uma obrigação diária, deve ser parte do dia-a-dia, como respirar, andar, falar... algo espontâneo e natural.
Engraçado, é que eu me achava diferente de todo mundo, porque tinha o hábito de orar, sem ter religião; acreditava em Deus, sem ir a igreja alguma... e vivia a correria do dia-a-dia, que “não me dava tempo nem para respirar”... Estudei, me graduei, pós-graduei...trabalhei, me encontrei! Mas, nada de estabilidade financeira, então, ainda precisava “ralar” muito. Ué, mas, não havia me encontrado??? A gente vive buscando se encontrar e vive se desencontrando.
Pois é, durante as crises, pude ponderar isso tudo. Parece que a vida puxou o freio de mão e disse: “hora de corrigir. Volta para o caminho certo, Pat.”
Todo mundo sabe que a maioria das pessoas só procura Deus e pede ajuda na hora do sufoco. Alcançamos a “graça”, agradecemos e voltamos para a pista para “correr sem respirar”.
Pois é, durante as crises, pude ponderar isso tudo. Parece que a vida puxou o freio de mão e disse: “hora de corrigir. Volta para o caminho certo, Pat.”
Todo mundo sabe que a maioria das pessoas só procura Deus e pede ajuda na hora do sufoco. Alcançamos a “graça”, agradecemos e voltamos para a pista para “correr sem respirar”.
Em meio a minha queda, decidi não pedir ajuda a Deus. Achava que “meu filme estava queimado” com Ele. A filha que todos queriam ter; a menina alegre e inteligente, tão estudada... achava que Deus não a ouviria. Sempre fiz parte do time do bem, mas, falava mal daquela pessoa que não soube combinar a bolsa com a roupa...
Minha avozinha orava por mim; muita gente orava por mim e vi que Deus escutava. Ainda, assim, reclamava: “meu Deus, eu sempre fui uma pessoa boa. Respeitava os mais velhos; ajudava alguém a atravessar a rua; tirava notas boas; respeitava meus pais; não roubava; não era vingativa; não era ambiciosa... toda criança gostava de mim, porque o Senhor deixou que eu caísse?” Que graça, Ele me deixou cair ou eu caí? Não sei o que desencadeou minha DPP, mas, há suspeita de uma série de fatores: herança genética (minha tia); morte de um ente muuuiiittoo querido (meu avô paterno); medo de meu filho ser roubado na maternidade (a porta estava quebrada, e eu ficava na porta); medo da responsabilidade e mudança no estilo de vida; desemprego; instabilidade financeira; maus tratos na maternidade... tanta coisa! Mas, tinha muita coisa boa: meu filho lindo e saudável; família unida de fato; marido presente e companheiro; alegria geral por eu ter tido filho; lar.
Comecei a querer ser ajudada. Em princípio, queria que alguém me carregasse, abrisse minha mente e trocasse o chip... depois, gerava o conflito do orgulho que dizia que eu não precisava pedir ajuda a ninguém, que deveria dar a volta por cima sozinha e me “orgulhar” por ter subido sozinha... Nem a terapia, nem os remédios (estes, é bom esclarecer, apenas controlavam as oscilações bruscas de humor. Eles não curavam. Amenizavam o nervoso descontrolado e as alterações de humor.) conseguiam me fazer ver o que faltava. Tinha “tudo” que precisava, mas, o buraco continuava.
Sentei na cama e orei. Sozinha. Um momento meu. Deixei o coração chorar; deixei minha mente implorar; queria, realmente, mudar. “Deus, oh, Pai, me ajuda a sair dessa. Não sei nem o que pedir; nem como pedir...mas, me dá uma luz; conduz minha vida; invade minha alma, minha mente e meu coração. Tô sem forças para orar. Ouve minha prece. Me ajuda a saber como Te pedir ajuda.” Deitei e dormi.
Era uma fase em que queria viver deitada, mas me cansava; levantava, me cansava... virava, me cansava... cheguei a dormir mais de 12h seguidas e ainda estava cansada... dormia mal, tinha pesadelos horríveis...enfim, não tinha qualidade no sono.
Todos os dias repetia: “Deus, hoje, renovo meus votos de fé, confiança, esperança e gratidão. Guia-me, ó Pai!”
Ele me ouvia e me acalentava. Mas, precisava descobrir como ouvir. Tinha que me desarmar.
Fui orando e melhorando. Acreditava em algo que estava além da compreensão, acima de tudo e de todos. Comecei a acreditar no que não via,mas, sentia em cada célula.
A oração me ajudou a perdoar (a mim e a quem eu culpasse); me ajudou a desenvolver a fé esquecida. Começava a me encontrar.
Diminuía a culpa, o fardo; aumentava a esperança. Me permitia viver a esperança. Não de maneira alienada: “ah, vou esperar que vem. Tô aqui sentada, viu, meu Deus?!”. Não, fiz minha parte. Me cuidava, me descobria, me conhecia, me amava. Me enchi de Luz, que trouxe bálsamo, paz e energia para continuar a caminhada.
Minha avozinha orava por mim; muita gente orava por mim e vi que Deus escutava. Ainda, assim, reclamava: “meu Deus, eu sempre fui uma pessoa boa. Respeitava os mais velhos; ajudava alguém a atravessar a rua; tirava notas boas; respeitava meus pais; não roubava; não era vingativa; não era ambiciosa... toda criança gostava de mim, porque o Senhor deixou que eu caísse?” Que graça, Ele me deixou cair ou eu caí? Não sei o que desencadeou minha DPP, mas, há suspeita de uma série de fatores: herança genética (minha tia); morte de um ente muuuiiittoo querido (meu avô paterno); medo de meu filho ser roubado na maternidade (a porta estava quebrada, e eu ficava na porta); medo da responsabilidade e mudança no estilo de vida; desemprego; instabilidade financeira; maus tratos na maternidade... tanta coisa! Mas, tinha muita coisa boa: meu filho lindo e saudável; família unida de fato; marido presente e companheiro; alegria geral por eu ter tido filho; lar.
Comecei a querer ser ajudada. Em princípio, queria que alguém me carregasse, abrisse minha mente e trocasse o chip... depois, gerava o conflito do orgulho que dizia que eu não precisava pedir ajuda a ninguém, que deveria dar a volta por cima sozinha e me “orgulhar” por ter subido sozinha... Nem a terapia, nem os remédios (estes, é bom esclarecer, apenas controlavam as oscilações bruscas de humor. Eles não curavam. Amenizavam o nervoso descontrolado e as alterações de humor.) conseguiam me fazer ver o que faltava. Tinha “tudo” que precisava, mas, o buraco continuava.
Sentei na cama e orei. Sozinha. Um momento meu. Deixei o coração chorar; deixei minha mente implorar; queria, realmente, mudar. “Deus, oh, Pai, me ajuda a sair dessa. Não sei nem o que pedir; nem como pedir...mas, me dá uma luz; conduz minha vida; invade minha alma, minha mente e meu coração. Tô sem forças para orar. Ouve minha prece. Me ajuda a saber como Te pedir ajuda.” Deitei e dormi.
Era uma fase em que queria viver deitada, mas me cansava; levantava, me cansava... virava, me cansava... cheguei a dormir mais de 12h seguidas e ainda estava cansada... dormia mal, tinha pesadelos horríveis...enfim, não tinha qualidade no sono.
Todos os dias repetia: “Deus, hoje, renovo meus votos de fé, confiança, esperança e gratidão. Guia-me, ó Pai!”
Ele me ouvia e me acalentava. Mas, precisava descobrir como ouvir. Tinha que me desarmar.
Fui orando e melhorando. Acreditava em algo que estava além da compreensão, acima de tudo e de todos. Comecei a acreditar no que não via,mas, sentia em cada célula.
A oração me ajudou a perdoar (a mim e a quem eu culpasse); me ajudou a desenvolver a fé esquecida. Começava a me encontrar.
Diminuía a culpa, o fardo; aumentava a esperança. Me permitia viver a esperança. Não de maneira alienada: “ah, vou esperar que vem. Tô aqui sentada, viu, meu Deus?!”. Não, fiz minha parte. Me cuidava, me descobria, me conhecia, me amava. Me enchi de Luz, que trouxe bálsamo, paz e energia para continuar a caminhada.
Às vezes, ficamos surdos diante de Deus, porque queremos que Ele fal aquilo que queremos ouvir...
Eis um texto/esquema do site Outono´s (tem o link ali ao lado, nas MINHAS INDICAÇÕES SOBRE DPP E ASSUNTOS AFINS) que ma ajuda a ilustrar:
"A FÉ
Ela produz:
- A consciência de que existe uma inteligência Superior que a tudo comanda e que nos protege, atuando em qualquer circunstância imaginável e acima de nossa compreensão...
- A aceitação dinâmica da realidade.
- A esperança de um futuro melhor.
- A paciência, nos ensinando, a saber, esperar o desfecho dos fatos.
- A auto confiança.
- A motivação.
- O pensamento positivo.
A ORAÇÃO
- Ela é a geradora da energia que precisamos para manter acesa a chama da fé.
- Dá-nos a força interior para suportar as adversidades e seguir caminhando.
- Aguça nossa intuição, capacitando-nos à percepção das energias sutis do Universo.
- É o maná que vem do céu quando atravessamos o deserto da solidão, da angústia e do medo.
O PERDÃO
É o início da libertação.
O ato de perdoar está intimamente ligado à nossa liberdade.
Romper as amarras que nos detêm a fatos negativos e pessoas vinculadas a eles.
Livra-nos dos condicionamentos, de escrúpulos e sentimentos de culpa.
Dissipando o passado, começamos a viver o aqui e o agora. "

SACO VAZIO NÃO FICA EM PÉ! ENCHA-SE DE FÉ!!!
Patricia Lins
terça-feira, 5 de agosto de 2008
SUPER HERÓIS - SUPER EXPECTATIVAS - SUPER FRUSTRAÇÕES

Hoje, parei para pensar num assunto meio polêmico, porém, real.

Já percebeu que a gente cria "super expectativas" em relação às pessoas e depois, nos decepcionamos e as culpamos?
Pois é, existe uma consequência para essa "super idealização", que, considero pior do que uma Depressão: A OPRESSÃO!
A Opressão vem a ser a "super frustração" daquela idealização.
O nome já diz: idealização - faz parte de sua idéia!!! De uma concepção única e pessoal. Todo ideal é subjetivo demais. A subjetividade já diz, também: é coisa da cabeça de quem pensa!
Me senti mais adulta, quando vi que meus pais não eram os super heróis que "idealizava" (olha, pensamento meu; subjetivo; pessoal...). Quando os enxerguei tão humanos quanto eu; quando enxerguei que eles tinham muitos defeitos, passei a admirá-los ainda mais e ele se tornaram meus verdadeiros: SUPER HERÓIS!!!
Legal que eles não precisam se esconder atrás de um alter ego, nem de máscaras bizarras, nem capas esvoaçantes, nem usar cueca por cima da calça... eles são SUPER HUMANOS, SUPER NORMAIS. Em vez de sofrer por perceber isso, amei! Meus pais são pessoas incríveis. Amar quer dizer: amar os defeitos e as qualidades! Eu os amo na verdade.
O que me fez parar para escrever este post foi a relação do meu marido com o pai. Não a título de ofensa, ou superioridade... não, parei para ver o quanto essa SUPER EXPECTATIVA pode causar uma série de SUPER FRUSTRAÇÕES... Meu sogro é um profissional brilhante! Conseguiu "ralar" e fazer carreira profissional. Isso é uma grande qualidade! Mas, esqueceu de desenvolver seu lado "pessoa". A vida dele é o trabalho, e o trabalho, sua vida. Mas, não estou aqui para falar da vida dele, não teria essa ousadia, até, porque, não convivo com ele para, sequer, ter noção do que ele já passou e passa. O admiro muito e respeito também. Ele é, ao menos, uma pessoa honesta. Não se faz de "bonzinho" para agradar. Ele é o que é e pronto. É imperfeito como todo e qualquer Ser Humano. também criou e "idealizou" SUPER EXPECTATIVAS em relação aos filhos - todos os pais criam, mas, o "natural" é que os filhos descubram que os pais não são SUPER HERÓIS, né?! Nesse caso, houve uma via de mão dupla de SUPER FRUSTRAÇÕES e SUPER DECEPÇÕES e uma cadeia de SUPER OPRESSÕES... Ele almejava que seus filhos seguissem seus passos, sem perceber, que, ao "abrir mão" de ser pai, para ser exemplo profissional (espero não estar pesando...não tenho essa intenção. Mas, ao resumir, o que me descrevem seus filhos dessa relação, fica muito seco... mas, é um resumo. Tem muita coisa boa, também.) fez com que reação fosse inversa: os dois são o oposto! Não com relação a trabalhar, porque Iuri não mede esforços para fazer seu trabalho bem feito, é extremamente competente, domina o que faz e faz com prazer, porque gosta do que faz. Iuri é primoroso em seus trabalhos e sempre elogiado. É um profissional de confiança. Além de ser paciente, cuidadoso e ético. o que quer dizer que herdou o talento do pai (e da mãe também). Só não foi muito além nos estudos, trancou três faculdades... Mas, se atualiza em sua área, como Técnico em Informática. O cara é bom no que faz!!!
Pois sim, voltando a OPRESSÃO. Ela se caracteriza através da "punição sentimental" pelo fato do ser IDEALIZADO não corresponder ao que se idealizou... Mas, de quem é a culpa? O ser idealizado deve ser o que deseja seu idealizador? Ou o ser idealizado deve ser o que se é, sempre buscando ser o melhor? Nesse caso, poderia ter havido um consenso: ele diminuía sua exigência; seus filhos poderiam ter valorizado mais o esforço dele... Nenhum pai quer o pior para o filho; muitos erram tentando acertar. É a maneira dele dizer: "quero que você tenha o que não tive..." Mas, nenhum filho tem que se auto-negar para alcançar e se transformar em ídolo... ou, no ser idealizado... essa linha não seguiria tão certinha assim. Nunca alcançariam a exigência (porque esta não é palpável) e viveriam duas frustrações: a de não ser o ser idealizado; e a de não ser que se é!!!
Na verdade, não existe CULPA, nem CULPADO nessa situação. Existem vítimas das circunstâncias. Cada um do alto de seu orgulho, julga e é julgado. Cada um, carrega uma imagem IDEAL; cada um, carrega uma SUPER EXPECTATIVA; cada um se FRUSTRA dentro de seu mundo pessoal; gravitam em torno de si mesmos e de suas idealizações.
Daí, vem a OPRESSÃO: se a pessoa não é o que quero que seja, não a admiro. Não a admirando, não a valorizo. Não valorizando, a ignoro!
Há amor, mas há carapaça... Acessar corações encouraçados é complicado. É como se fosse uma pilastra de ponte coberta de ostras e limo. A gente sabe que ela está ali, vê, mas, quem vai se arriscar para tirar sem proteção? Fere. Quem quiser ir além, precisa se preparar, se amar muito e amar muito o outro também, porque ao tirar as ostras, com certeza, pode se machucar também... Acessar um coração embrutecido é trabalho de muito amor e carinho. Mas, todo trabalho de muito amor e carinho, deve partir de alguém que também se ame muito... acho que fui meio prolixa aqui... mas, dá para entender. Basta seguir a linha de raciocínio - risos.
Numa relação de SUPER EXIGÊNCIAS, ambas as partes se machucam, sofrem... ambos perdem.

Veja que para salvar o mundo, e manter o disfarce, Bruce Wayne vive sozinho. Rico, bem sucedido, porém, solitário (não fosse a companhia do seu mordomo e do "garoto prodígio").
Ninguém é completo; ninguém é perfeito; ninguém é a idealização do outro!
Ainda creio que o amor tudo possa. Para Deus, nada é impossível. Então, saberemos, cada um, dentro de sua órbita indivudual, aprender a amar e respeitar o outro.
Não digo que não se possa incentivar um melhora, um amadurecimento... o que me refiro é à SUPER IDEALIZAÇÃO, SUPER EXPECTATIVA isso sim, é prejudicial. Isso é que afasta.
Mas, não há nada que o tempo não se encarregue de consertar. Há feridas abertas que precisam de cuidado para poder fechar e cicatrizar. Lembra do que já falei: "cicatrizes são lembranças e nada mais!!!".
Poderíamos ser mil coisas, mas, essas mil coisas, poderíam não ser quem somos... É fácil demais exigir... difícil é aceitar as diferenças e tentar ser feliz com a realidade. Ou, até, ver o que poderia ser feito para se chegar a um senso comum...
Patricia Lins
EQUILIBRANDO AS EMOÇÕES
Sempre me achei "humilde", por ter tido uma criação humanista. Não faço diferença entre um Presidente da República e um gari. Para mim, todos são GENTE, seres humanos e mortais como eu e você. As funções (e salário, claro - rs) que recebem que são mmmuuuiiittooo diferentes! Suas responsabilidades profissionais também. Mas, enquanto gente, ambo estão no mesmo patamar. O respeito é o mesmo.Não é esse o tipo de humildade que a DPP me fez ver que eu não tinha. Era a minha auto-humildade. Era controlar a minha vaidade. Não aquela de querer se vestir bem, se perfumar, passar batom, calçar sapatos altos, cabelos escovados... não, a vaidade de ter um orgulho enorme!!! De querer ter sempre razão. De saber pedir perdão, se arrepender, mas, lá no fundo, se culpar e cobrar porque fez algo "errado". Admitir que errei não me constrange. Cobrar-me por que não acertei é que pega...
Me deparar frente-a-frente comigo mesma, doeu. Dói a gente ter que se olhar e se ver de verdade. Dói o ego inflamado. Dói porque eu deixei doer. Isso, foi um dos pontos positivos que a DPP me fez ver. Me cuidar de emoções que nem sabia que tinha, mas, que estavam lá, o tempo todo!
Falando assim parece que sou má, né?! Que sou chata, pedante... Sou uma pessoa super do bem e até simples. Porém, também sou humana e tenho meus defeitos. Sei sorrir, e também sei xingar... Todos nós somos defeitos e qualidades, mas nossa mente é tão perfeita, que tem nossos aliados em prol de nós mesmos. Mecanismos mentais que no ajudam muito. Equilibrar sempre nosso Id, Ego e Superego é tarefa para uma vida!
O jogo de equilíbrio da emoções durante a instabilidade emocional é coisa de louco! Daí a necessidade real de se fazer terapia. Não é vergonha alguma se entregar aos cuidados profissionais de um psicólogo, psicoterapeuta... Romper com essa berreira é o caminho para o crescimento. A gente não precisa se tratar só quando está doente, a gente precisa se tratar sempre! Isso é se amar! É se conhecer! É crescer!
Procurar o tratamento adequado; como já citei algumas vezes, ver a linha que está de acordo; respeitar o tempo e a situação.
Durante o tratamento com remédios, tive que trocá-los, até encontrar um que me ajudou. Você não precisa se frustrar. Não existe uma fórmula certa de sucesso. É um conjunto de fatores, principalmente, o respeito e a confiança no profissional.
Nem todo tratamento vai ser necessária a intervenção medicamentosa. Em algums casos, a terapia resolve. O importante é buscar ajuda profissional. Nessas horas, muitos amigos, na intenção de ajudar, pode querer dar conselhos; levar para uma farrinha; levar para uma praia... e você, se inflamando de ódio... seja franco com você e com quem quer te ajudar e diga que você precisa de ajuda profissional. Isso não irá diminuir seu mérito enquanto pessoa. Isso vai te ajudar a encontrar força onde não está encontrando!!!
Equilibrar as emoções é se libertar. Ser livre é saber que você tem o poder de ser o que você quiser! A responsabilidade de nossa felicidade é inteiramente nossa e parcialmente ajuda externa - ninguém precisa viver só! Deus nos criou livres para sermos felizes!!!
Todos os dias, temos que amanhecer e dizer: HOJE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DE MINHA VIDA!!!
Patricia Lins
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
SINTOMAS, CAUSAS, TRATAMENTO

De acordo com o site MentalHelp:
- Uma mulher que teve Depressão Pós Parto ou Depressão Puerperal tem mais chance de ter outra depressão na próxima gravidez, mas como existe tratamento preventivo, a mulher pode engravidar novamente sem essa preocupação.
- Depressões e Ataques de Pânico durante a gravidez podem ser prevenidos, evitados e tratados. - Depressão e Pânico não impedem nenhuma mulher de ficar grávida.
- Dá para tratar Depressão e Pânico no período pós parto sem precisar suspender a amamentação.
- Mas é um assunto que exige análise detalhada de cada caso e não posso sugerir tratamentos por Internet
Depressão Puerperal ou Depressão pós Parto começa até 12 meses após o parto. É mais freqüente por volta do terceiro e quarto mês.
1) Sintomas:
São os mesmos de outros tipos de depressão:
Tristeza, desânimo, insônia, apatia (às vezes agitação), falta de alegria, diminuição (às vezes aumento) de apetite, insônia (às vezes aumento de sono), falta de desejo sexual, falta de energia até para coisas simples tipo banho, televisão ou ler um jornal. Uma diminuição geral do nível de energia da pessoa...
Tristeza, desânimo, insônia, apatia (às vezes agitação), falta de alegria, diminuição (às vezes aumento) de apetite, insônia (às vezes aumento de sono), falta de desejo sexual, falta de energia até para coisas simples tipo banho, televisão ou ler um jornal. Uma diminuição geral do nível de energia da pessoa...
Como ela aparece numa época especialmente trabalhosa, com a chegada do bebê, essa sensação de insuficiência e incapacidade provoca pensamentos fixos de que a mãe não é capaz de cuidar do nenê. A mãe se culpa por estar dando trabalho a outras pessoas da família e por não conseguir gostar do bebê como deveria. As pessoas esperam que a jovem mãe esteja muito feliz nessa fase de sua vida, o que não é o caso durante a Depressão pós Parto.
2) Causas, fatores e situações desencadeantes da Depressão (quase sempre uma combinação de mais de uma causa):
- Falta de suporte emocional, familiar e social.
- Eventos de vida negativos durante a gravidez ou próximos ao parto.
- Problemas pessoais, emocionais da mãe com relação à maternidade.
- Gravidez não planejada ou não desejada.
- Dificuldades conjugais.
- Depressões anteriores.
- Outras doenças psiquiátricas durante a gravidez.
- Existência de Depressão em pessoas da família.
- Problemas da Tireóide.
- Ataques de Pânico na gravidez.
- Bulimia ou de Anorexia.
- Eventos de vida negativos durante a gravidez ou próximos ao parto.
- Problemas pessoais, emocionais da mãe com relação à maternidade.
- Gravidez não planejada ou não desejada.
- Dificuldades conjugais.
- Depressões anteriores.
- Outras doenças psiquiátricas durante a gravidez.
- Existência de Depressão em pessoas da família.
- Problemas da Tireóide.
- Ataques de Pânico na gravidez.
- Bulimia ou de Anorexia.
3) Uma Depressão Puerperal pode acontecer mesmo em gravidez ou pós parto sem problemas e nem complicações ?
Sim. Embora dificuldades pessoais, emocionais, financeiras, médicas da mulher ou do casal aumentem a probabilidade de ocorrer uma Depressão Puerperal, esta também pode ocorrer sem nenhum fator externo, principalmente no caso da mulher ter tido alguma fase depressiva anterior, ou no caso de existirem casos de Depressão em sua família.
4) Tratamento:
A) Antidepressivos. Muitos deles podem ser dados durante a gravidez e a amamentação.
B) Psicoterapia. A Depressão afeta a pessoa como um todo. Fatores da vida da mulher que podem provocar, piorar ou perpetuar a Depressão. A culpa por estar deprimida, por se achar incapaz de cuidar do bebê, por não conseguir se sentir feliz podem ser tratadas numa Psicoterapia, enquanto a medicação fará o metabolismo cerebral voltar ao normal.
C) Tempo para começar a melhorar: quase todos os Antidepressivos precisam de 2 a 6 semanas agir. Não desista do tratamento por melhorar nos primeiros dias.
A) Antidepressivos. Muitos deles podem ser dados durante a gravidez e a amamentação.
B) Psicoterapia. A Depressão afeta a pessoa como um todo. Fatores da vida da mulher que podem provocar, piorar ou perpetuar a Depressão. A culpa por estar deprimida, por se achar incapaz de cuidar do bebê, por não conseguir se sentir feliz podem ser tratadas numa Psicoterapia, enquanto a medicação fará o metabolismo cerebral voltar ao normal.
C) Tempo para começar a melhorar: quase todos os Antidepressivos precisam de 2 a 6 semanas agir. Não desista do tratamento por melhorar nos primeiros dias.
5) Para a família:
A família sofre porque não consegue ajudar e sobrecarrega porque vê a pessoa passar por diferentes especialistas, fazer exames de laboratório, tomar calmantes, estimulantes e vitaminas sem melhorar. Então começa a dizer que é fita, "frescura", falta de força de vontade, e dar palpites para a pessoa "se ajudar" "se animar" "reagir" e etc., como se ela não soubesse de tudo isso ...
A Depressão não é sinal de fraqueza de caráter e nem passa só com "pensamento positivo".
A pessoa com Depressão geralmente está indecisa. Alguém tem que tomar decisões inclusive para começar o tratamento, para contratar uma babá, ajudante, etc.
6) Observações:
A) Algumas vezes o primeiro remédio não funciona. Isso não quer dizer que seja um caso grave. Quase sempre basta trocar de medicação.
B) Mesmo que você já esteja bem, não interrompa a medicação. Seu médico decide quando diminuir, interromper ou trocar de medicação. Mesmo que sua depressão seja curta, o tratamento é longo (meses). Quanto mais tempo você tomar o Antidepressivo, menor é o risco de uma outra depressão no futuro.
C) Decisões importantes devem esperar para depois da Depressão melhorar. No momento todos os seus pontos de vista estão pessimistas e você pode tomar decisões que não tomaria se não estivesse deprimido.
D) A Depressão pode voltar ? Pode. Existem várias possibilidades de se fazer um tratamento preventivo para evitar recaídas.
E) Se tiver recaída quando parar o Antidepressivo, não quer dizer dependência, só quer dizer que ainda não era hora dessa parada. Antidepressivos não criam dependência. A Depressão é que pode exigir tratamento mais longo.
F) Condicionamento físico é importante, pois libera Endorfinas, o intestino funciona melhor, a pressão arterial fica mais estável, etc.
G) Yoga, meditação, massagem de relaxamento ajudam.
H) Diminuir álcool e cafeína (café, chá preto, chá mate, refrigerantes) ajuda.
C) Decisões importantes devem esperar para depois da Depressão melhorar. No momento todos os seus pontos de vista estão pessimistas e você pode tomar decisões que não tomaria se não estivesse deprimido.
D) A Depressão pode voltar ? Pode. Existem várias possibilidades de se fazer um tratamento preventivo para evitar recaídas.
E) Se tiver recaída quando parar o Antidepressivo, não quer dizer dependência, só quer dizer que ainda não era hora dessa parada. Antidepressivos não criam dependência. A Depressão é que pode exigir tratamento mais longo.
F) Condicionamento físico é importante, pois libera Endorfinas, o intestino funciona melhor, a pressão arterial fica mais estável, etc.
G) Yoga, meditação, massagem de relaxamento ajudam.
H) Diminuir álcool e cafeína (café, chá preto, chá mate, refrigerantes) ajuda.
7) Concluindo: a Depressão é uma doença que incomoda muito a vida do paciente e de sua família. Mas costuma ser fácil de tratar. Em pouco tempo você volta a curtir sua gravidez ou seu bebê.
domingo, 3 de agosto de 2008
Tristeza Materna e Depressão Pós Parto

Estava lendo este artigo e achei muito interessante divulgar.
Sei e entendo que todo estudo científico se baseia em um média de amostragem, mas, os sintomas são quase todos muito comuns. De muitos artigos que venho lendo, este é bastante abrangente, delicado, direto e cuidadoso:
"A Depressão Pós-Parto (DPP) é um quadro clínico severo e agudo que requer acompanhamento psicológico e psiquiátrico, pois devido à gravidade dos sintomas, há que se considerar o uso de medicação. Todo ciclo gravídico-puerperal é considerado período de risco para o psiquismo devido à intensidade da experiência vivida pela mulher. Esta experiência pode incidir sobre psiquismos mais ou menos estruturados. Mesmo mulheres com boa organização psíquica podem se ver frente a situações em que a rede social falha. A DPP acomete entre 10% e 20% das mulheres, podendo começar na primeira semana após o parto e perdurar até dois anos.
Há fatores de risco que vêm sendo estudados e demonstram uma alta correlação com a DPP. Entre eles temos: mulheres com sintomas depressivos durante ou antes da gestação, com histórico de transtornos afetivos, mulheres que sofrem de TPM, que passaram por problemas de infertilidade, que sofreram dificuldades na gestação, submetidas à cesariana, primigestas, vítimas de carência social, mães solteiras, mulheres que perderam pessoas importantes, que perderam um filho anterior, cujo bebê apresenta anomalias, que vivem em desarmonia conjugal, que se casaram em decorrência da gravidez.
A puérpera se beneficia de grupos terapêuticos onde possa compartilhar o seu sofrimento junto a outras mulheres em igual situação e sob orientação de um profissional. Também pode ser recomendado atendimento psicológico individual em casos cuja gravidade perturbaria o grupo ou que manifestem preferência por esta modalidade de atendimento. O acompanhamento psiquiátrico é indispensável.
Aparecem sintomas como: irritabilidade, mudanças bruscas de humor, indisposição, doenças psicossomáticas, tristeza profunda, desinteresse pelas atividades do dia-a-dia, sensação de incapacidade de cuidar do bebê e desinteresse por ele, chegando ao extremo de pensamento suicidas e homicidas em relação ao bebê. O diagnóstico precoce é fundamental e para isso é necessário um acompanhamento em todo ciclo gravídico-puerperal, sendo a melhor forma de evitar, atenuar ou reduzir a duração da DPP. Grupos de gestante têm caráter psicoprofilático e, portanto, ajudam no diagnóstico e tratamento precoces. I., 32 anos, segunda gestação, procura-nos, pois está deprimida desde há última gravidez, ocorrida há 3 anos.
Desde que viu confirmada a gravidez, encontra-se mais prostrada e ansiosa. Não tratou o quadro depressivo há 3 anos, pois se sentia envergonhada. A sogra assumiu as tarefas perante o primeiro neto. O marido se afastou por achá-la “preguiçosa” e “egoísta”. I. foi encaminhou pelo atual ginecologista. Desde então, I. vem sendo medicada e acompanhada em psicanálise. Participou de atividades junto a outras gestantes e sentiu-se muito compreendida ao ouvir depoimentos parecidos com os seus, mesmo que menos graves. O trabalho junto à família mostrou-se proveitoso. Atualmente, I. busca reaver seu lugar junto à prole, consciente de que precisará de ajuda para poder cuidar dos filhos, mas que isso não é motivo de vergonha.
No caso da Psicose Puerperal encontramos perda do senso de realidade, delírios, alucinações (por volta 0,2 % de casos). Não é recomendável aleitamento. Nos transtornos psíquicos mais graves há que se acionar a rede social da gestante antes do nascimento, para que alguém se incumba de responder às necessidades emocionais do bebê. Para a mulher em surto o bebê não existe enquanto tal. Ele passa a ser espaço vazio preenchido por elementos do psiquismo da mãe, cindidos do real. Por vezes, as fantasias são ocultadas pela paciente, pois ela se encontra em delírio paranóide que inclui todo staff que dela se ocupa.
Os parentes precisam ser alertados, pois há risco de vida para mãe e filho. Muitas gestantes normais trazem fantasias persecutórias em relação ao roubo do bebê ou medos infundados. Isto é esperado e não corresponde ao quadro psicótico, mas apenas a uma projeção de suas próprias fantasias ambivalentes nos outros. No caso da psicose a angústia é da ordem do insuportável, podendo aparecer rituais obsessivos e pensamento desconexo. Um histórico psiquiátrico com surtos anteriores traz fortes indícios de risco nestes casos. S. nos procurou encaminhada pelo ginecologista para entrar no grupo de gestantes. Primigesta, 30 anos, 6 meses de gestação. S., cuja gravidez transcorre sem dificuldades físicas, apresenta um delírio de contaminação, tem medos relativos à saída do bebê. Tudo que lê em revistas serve para alimentar seu delírio obsessivo e paranóico. Não recomendamos atendimento grupal neste caso, nem qualquer tipo de orientação de parto, pois todo o uso que S. faz da informação recebida é pernicioso. Por exemplo, se S. lê sobre a contaminação da carne bovina em outro país, imediatamente para de comer carne. S. recebe atendimento psicanalítico e psiquiátrico. Recomendou-se um acompanhamento de orientação aos familiares e uma acompanhante treinada na hora do parto.
O que distingue a DPP da Tristeza Materna (baby blues, post-partum blues) é a gravidade do quadro e o que ele tem de incapacitante, afetando a funcionalidade da mãe e pondo em perigo seu bem-estar e o do bebê. Além da evidente necessidade de cuidados da mulher, acima citados, a DPP é fator de risco para a saúde mental do bebê e, portanto, requer toda a nossa atenção. Culturalmente, a maternidade é vista de forma idealizada e qualquer afeto negativo da mãe para com bebê é julgado como algo da ordem do impensável. Na psicanálise o tema do ódio materno foi suplantado pela interpretação de que somente os filhos seriam capazes de odiar os pais por rivalidade do pai do mesmo sexo (o famoso complexo de Édipo).
Mesmo para Freud, lidar com este assunto mostrou-se tarefa espinhosa e só em seus escritos finais ele pode confrontar-se com este mito : da mãe capaz de odiar o próprio filho. Existe um tabu cultural em relação ao tema gestação e depressão, como se a mulher devesse estar radiante pelo nascimento de seu filho e ela fosse culpada de uma espécie de “ingratidão”, pois “ela tem tudo e mesmo assim sofre”. Nesta visão, o sofrimento de uma mãe de bebê recém nascido seria decorrente de uma incapacidade de dar valor ao “milagre da maternidade”. O senso comum tende a esconder a real natureza da tarefa de vir a ser mãe.
O processo de transformação psíquica que uma mulher precisa passar no ciclo gravídico-puerperal envolve três grandes momentos que englobam pequenas etapas vividas de forma diferentes para cada sujeito. A transformação da filha em mãe, a transformação da auto-imagem corporal e a relação entre a sexualidade e a maternidade. Cada um destes temas requer uma reordenação psíquica que incide sobre as vicissitudes de cada mulher. A mentalidade, de que a chegada de um filho é isenta de ambigüidade, tende a dificultar o auxílio que estas mães precisam receber. Algumas mulheres não conseguem admitir para si mesmas que merecem ajuda, escondendo dos cônjuges e da família seu estado.
O processo de transformação psíquica que uma mulher precisa passar no ciclo gravídico-puerperal envolve três grandes momentos que englobam pequenas etapas vividas de forma diferentes para cada sujeito. A transformação da filha em mãe, a transformação da auto-imagem corporal e a relação entre a sexualidade e a maternidade. Cada um destes temas requer uma reordenação psíquica que incide sobre as vicissitudes de cada mulher. A mentalidade, de que a chegada de um filho é isenta de ambigüidade, tende a dificultar o auxílio que estas mães precisam receber. Algumas mulheres não conseguem admitir para si mesmas que merecem ajuda, escondendo dos cônjuges e da família seu estado.
A Tristeza Materna (baby blues), por sua vez, acomete até 80% das mulheres, mas devido ao tabu mencionado pode se imaginar um índice até maior. É um estado de humor depressivo que costuma acontecer a partir da primeira semana depois do parto. Este humor é coerente com a enorme tarefa de elaboração psíquica citada anteriormente (transformação da filha em mãe, a transformação da auto-imagem corporal, a administração da relação entre a sexualidade e a maternidade). De forma geral, a mulher sente que perdeu o lugar de filha sem que tenha ainda segurança no papel de mãe; que o corpo está irreconhecível, pois se já não é mais de uma grávida tampouco retomou sua forma original; que entre ela e o marido encontra-se um terceiro elemento. O bebê emerge como um outro ser humano aos olhos desta mãe e precisa encontrar um espaço dentro desta configuração anterior (casal) de forma a deixar preservada a sexualidade dos pais. Forma-se o triângulo que remete o casal a suas próprias questões com seus pais. O quadro é benigno, há medida em estas questões possam ser elaboradas, e regride por si só por volta do primeiro mês.
Aparecem sintomas como irritabilidade, mudanças bruscas de humor, indisposição, tristeza, insegurança, baixa auto-estima, sensação de incapacidade de cuidar do bebê e outros. Apesar de ser comum e normal envolve uma quantidade razoável de sofrimento que pode ser atenuado no compartilhar com outras pessoas que entendam esta condição como natural e até benéfica. Benéfica como? Existe um estado denominado de Preocupação Materna Primária que se refere a um período que vai do fim da gestação até por volta do primeiro mês do bebê, em que a mulher teria uma hipersensibilidade às necessidades do bebê. Este estado tão necessário, caso fosse vivido fora da maternidade, seria considerado esquizóide e, no entanto, é fundamental para a vinculação com a criança. Faz parte deste estado uma certa dose de humor depressivo. A tarefa de uma mãe de bebê é monótona, desgastante e sem recompensas ou reconhecimento do bebê, a curto prazo.
O bebê é impiedoso em suas necessidades e é difícil que a mãe possa atender-lhe se estiver num estado de agitação maníaca, por exemplo. Recebemos na clínica, mães cujo estado de agitação interfere sobre o manuseio do bebê, que tendem a acordá-lo desnecessariamente, pois interpretam o ritmo da criança como lento demais (entenda-se mórbido), mas na realidade, sua aceleração as impede de interpretarem a demanda do filho como normal. Uma mãe em mania tende a manter seu bebê em constante sobressalto. Para ser capaz de se adaptar à rotina de um bebê, de se adaptar à linguagem do recém-nascido, a mãe tem que baixar muito suas expectativas com relação à sua própria privacidade e à agitação do mundo externo. Essa tarefa não encontra similar ao longo da vida de uma mulher e se inicia subitamente.
A perda do status de gestante é muito rápida e dolorosa. Reconhecer o bebê como uma pessoa e não como a imagem idealizada (que precisa ser construída na gestação como formas de desejar o bebê) é como lidar com um casamento arranjado. Mesmo que tenhamos as melhores indicações do noivo ainda assim não o conhecemos e, no entanto, ficaremos a seu inteiro dispor. Precisamos estar atentos às mães que vêem no parto uma coisa em si, com o “pequeno inconveniente” de ter que criar o filho depois. Atualmente temos visto um “culto ao parto”, uma verdadeira idealização deste momento, que afinal é apenas uma das etapas de uma tarefa infinitamente maior: criar um ser humano. Tarefa esta sem paralelos, pois nos obriga a planejar uma existência para além da nossa própria. O parto tem revelado uma faceta de bem de consumo, sujeito a modismos. Encontramos na clínica de acompanhamento do ciclo gravídico-puerperal uma ênfase muito grande nos tipos de parto sem, por exemplo, qualquer consideração sobre o alojamento conjunto.
Ficando a filmagem do parto, a decoração da maternidade, como prioridades, em alguns momentos, no lugar do bebê. Às vezes, é só a partir da primeira semana que essas mães começam a ser dar conta de que um “outro” chegou em suas vidas. M. 17 anos, internada no Amparo Maternal, primigesta de 7 meses, sente a gravidez como uma forma de adquirir um status de mulher perante uma mãe muito dominadora. Encontra-se surpreendentemente despreocupada com a tarefa de cuidar de um bebê, ainda que em condições sócio-econômicas muito precárias. O prognóstico de formação de vínculo é pouco favorável, pois no imaginário de M. ainda não há um bebê. A partir do trabalho de acompanhamento, M. vai saindo se sua alienação e entrando num humor depressivo. Dentro deste estado passa a poder refletir sobre a real tarefa que a espera e as necessidades deste bebê. O trabalho ajudou-a a criar um espaço psíquico para chegada de um filho, aonde antes só havia uma tentativa de rebeldia em relação à própria mãe.
Na clínica psicológica, encontramos muitas adolescentes que apesar de terem acesso aos métodos de contracepção, acabam engravidando numa tentativa inconsciente de adquirir o status de adultas para escaparem do dilema criança-adulto, próprio desta fase da vida. Também observamos, ainda de forma surpreendente nos dias de hoje, o binômio casamento-gravidez, como símbolo de realização social o que nem sempre vem acompanhado de um desejo real de lidar com a abnegação necessária para se cuidar de um outro ser humano. O que as pessoas próximas podem fazer diante do humor depressivo que comumente se apresenta no pós-parto? Primeiro, a família pode ajudar sendo compreensiva e apoiando a mãe neste momento único, sem cobrar atitudes idealizadas pela mídia. A mídia tende a glorificar o papel da mãe e tratar o humor depressivo da mulher como da ordem da patologia. Basta vermos as propagandas e matérias veiculadas nos meios de comunicação que encontraremos a mãe que amamenta sem dificuldades ou desconforto, a mãe sentindo-se realizada e completa, sentindo-se linda. No entanto, o que a mãe de um recém-nascido menos sente é completude. Uma gestante pode sentir-se assim e é o que se espera em algumas fases da gestação. Já a mãe de bebê vive exatamente o oposto, ela vive a incompletude, o vazio da barriga, a separação. Ela precisará de um tempo até que possa preencher este espaço. São necessários todo apoio e compreensão para que a mãe recém nascida saiba que não há nada de errado com ela. Ser aceita em sua natureza de mãe ajuda muito a diminuir o mal estar, encurtando o baby blues drasticamente.
O nascimento de um bebê tende a ser recebido pela comunidade que o cerca com grande alegria e isso é o melhor que se pode esperar. No entanto, nem sempre esta alegria repercuti de forma positiva para a mãe. Que triste paradoxo! Muitas vezes, um único telefonema do profissional de saúde que se ocupa desta mulher pode ajudá-la a compartilhar sua decepção ou seus medos sem sentir-se culpada. Vemos como isto tem um efeito benéfico sobre as mães. Por vezes, damos-lhe uma carta “para ser aberta no pós-parto” com o relato de uma mãe com a qual possam se identificar. Em casos benignos estes simples procedimentos podem ter um grande efeito psicoprofilático. Para isso é importante que as pessoas que lidam com a mãe recebam esclarecimento sobre a natureza deste estado.
Afinal, onde se perdeu a sabedoria há que se buscar informação. Como profissionais, devemos estar cientes das diferenças entre DPP e Tristeza Materna e conhecer os fatores de risco que aumentam a probabilidade de uma DPP (facilitando a observação da evolução de humor da gestante) para podermos intervir precocemente, o que melhora muito o prognóstico. Algumas mães que não deprimem podem não ter percebido o “outro” e continuar estabelecendo uma relação totalmente narcísica com seus bebês. Esses bebês tendem a se fazerem ouvir por meio de sintomas psicossomáticos iniciando um ciclo de adoecimentos. As somatizações do recém nascido não devem ser subestimadas no que dizem respeito à relação mãe-bebê. Se por um lado, a somatização é o meio fundamental pela qual o bebê sinaliza o desconforto psíquico, por outro lado, não podemos esquecer que este desconforto se estabelece na relação com as pessoas que cuidam dele e reflete o desconforto psíquico da mãe, na grande maioria das vezes. L., 23 anos, primigesta, cujo bebê estava com 30 dias quando nos procurou, relata a reação de desespero de seu bebê ao ser colocado para deitar no carrinho ou “longe do corpo”, mesmo para um passeio diurno, o que a obrigava a mantê-lo permanentemente sustentado por um adulto. L. encontrava-se visivelmente extenuada, pois dormia com o bebê sobre o ventre desde seu nascimento.
O nascimento de um bebê tende a ser recebido pela comunidade que o cerca com grande alegria e isso é o melhor que se pode esperar. No entanto, nem sempre esta alegria repercuti de forma positiva para a mãe. Que triste paradoxo! Muitas vezes, um único telefonema do profissional de saúde que se ocupa desta mulher pode ajudá-la a compartilhar sua decepção ou seus medos sem sentir-se culpada. Vemos como isto tem um efeito benéfico sobre as mães. Por vezes, damos-lhe uma carta “para ser aberta no pós-parto” com o relato de uma mãe com a qual possam se identificar. Em casos benignos estes simples procedimentos podem ter um grande efeito psicoprofilático. Para isso é importante que as pessoas que lidam com a mãe recebam esclarecimento sobre a natureza deste estado.
Afinal, onde se perdeu a sabedoria há que se buscar informação. Como profissionais, devemos estar cientes das diferenças entre DPP e Tristeza Materna e conhecer os fatores de risco que aumentam a probabilidade de uma DPP (facilitando a observação da evolução de humor da gestante) para podermos intervir precocemente, o que melhora muito o prognóstico. Algumas mães que não deprimem podem não ter percebido o “outro” e continuar estabelecendo uma relação totalmente narcísica com seus bebês. Esses bebês tendem a se fazerem ouvir por meio de sintomas psicossomáticos iniciando um ciclo de adoecimentos. As somatizações do recém nascido não devem ser subestimadas no que dizem respeito à relação mãe-bebê. Se por um lado, a somatização é o meio fundamental pela qual o bebê sinaliza o desconforto psíquico, por outro lado, não podemos esquecer que este desconforto se estabelece na relação com as pessoas que cuidam dele e reflete o desconforto psíquico da mãe, na grande maioria das vezes. L., 23 anos, primigesta, cujo bebê estava com 30 dias quando nos procurou, relata a reação de desespero de seu bebê ao ser colocado para deitar no carrinho ou “longe do corpo”, mesmo para um passeio diurno, o que a obrigava a mantê-lo permanentemente sustentado por um adulto. L. encontrava-se visivelmente extenuada, pois dormia com o bebê sobre o ventre desde seu nascimento.
Ela encarava esta situação de forma ambivalente, pois se sentia culpada em deixá-lo deitar no carrinho, mas, ao mesmo tempo, não conseguiria permanecer nesta tarefa. Lembrava-se que durante o parto sentiu-se triste na hora de fazer força no período expulsivo. A partir desta reflexão, L. pode ir percebendo sua dificuldade para fazer a separação entre seu corpo e de seu bebê e a culpa por ter “expulso” o filho de si mesma. O bebê respondeu à elaboração psíquica da mãe, que claramente mudou de postura, “aprendendo” a dormir no carrinho sem sofrimento e posteriormente no berço.
Algumas mulheres podem encontrar uma medida excelente entre todas as transformações exigidas pela maternidade e acabam por ter um quadro muito suave no pós-parto, quase imperceptível. Ser multípara ou ter ao seu lado outras mulheres que já passaram pelo baby blues pode ter um efeito atenuador. Com tempo o psiquismo se encarrega de fazer seleção das memórias mais gratificantes deixando os momentos difíceis caírem no esquecimento. "
Artigo publicado na Revista Pediatria Moderna, Julho-Agosto, v. 41, nº 4, 2005.
Referências bibliográficas:
R. Debray, Bebês/ Mães em revolta: tratamentos psicanalíticos conjuntos dos desequilíbrios psicossomáticos precoces, Porto Alegre, Artes Médicas, 1988.
M. H. Klaus & J. H. Kennel, Pais/ Bebê: a formação do apego, Porto Alegre, Artes Médicas, 1992.
R. Sofier, Psicologia da gravidez, do parto e do puerpério, Porto Alegre, Artes Médicas, 1980.
Vera Iaconelli
CRP 35751-1, Mestre em Psicologia pela USP, Psicanalista pelo Instituto Sedes Sapientiae, Professora do Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica, Coordenadora da Gerar_Escola de Pais
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
COMO DIMINUIR CULPAS, COBRANÇAS E MEDOS

Colocar as idéias em ordem não é trabalho de um dia, nem um mês... acho que nem um ano. É trabalho de uma vida!!!
Cobrança, culpa, frustração, outra culpa... outra frustração... e não sai disso. Eu sei.
Infelizmente, esse é um conselho que não poderei dar, ainda tenho muitos erros para errar e caminhos para acertar!
Tento minimizar minha culpa, tentando não me culpar, mas me culpo a todo instante... sempre a me cobrar.
Me frustro, me cobro de novo, e me ponho a me culpar...daí, começa a bola de neve, e como faço para parar? Vira ciclo vicioso. Vira uma roda a rodar...
Ainda estou me trabalhando, todo dia tenho que exercitar. É difícil, mas, não posso parar.
Repito e me questiono: "essa cobrança toda, por quê?"; "essa culpa toda, para quê?" O que tenho mesmo medo? O que temo na verdade, é errar. Mas, errando também, é uma maneira de acertar. Essa cobrança precisa parar!
Quando perguntamos,esse medo, essa cobrança, essa culpa perde a força, e a razão tenta se estabelecer. Esse é o momento certo de se concentrar em você!
E assim vai passando, dia-a-dia; ano a ano... a todo tempo, perguntando "por quê?" quem sabe a resposta vem, e a gente passa a saber o que fazer.
É aí que a terapia tem força, nos ajuda a saber como perguntar e como administrar cada sentimento, cada emoção, cada sensação. Ela entra e desfaz o ciclo que nossa mente cria e se enfia!
Patricia Lins
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