quarta-feira, 16 de julho de 2008

HOJE ESTOU BEM!!!


Hoje já estou bem.

Algumas pessoas têm se assustado, outras se emocionam com o que aqui tenho escrito, mas queria dizer que já passou, graças a Deus!!!

Já estou de pé! O mundo para mim, é diferente agora. Tudo tem mais sentido. É mais real.

Uma conhecida, que leu, me disse uma coisa certa: "agora tu és ainda mais forte, né?! Conseguiu ultrapassar a barreira de suas limitações e conhecer a si mesma, sabendo que sempre é possível ir além!!!". E é verdade!

Os problemas do dia-a-dia não deixam de existir, mas saber que eles passam ajuda a encontrar a solução com mais certeza.

No final, tudo sempre dá certo, né?!

Deus tem planos para cada um de nós! Provavelmente, eu estava precisando passar por isso, ou para ajudar alguém... Ver que houve muita coisas boa é melhor do que ver apenas que sofri!

Pedro é uma criança super alegre, inteligentíssimo, exibido e agitado! Tem o pique que sua idade exige. Ele é extremamente saudável. Nunca perdi noite com ele doente. Ele é um verdadeiro presente! Além de tudo, ainda é lindo! E sorridente. Genioso, também, assim como eu. Ele sabe o que quer e não é de bater no outros, nem morder...acho ele incrível! Super brincalhão.

Ficar triste, vez ou outra, é natural, a gente precisa se auto-avaliar sempre!

O fato d´eu ter tido essa doença, não me faz ser menor do que ninguém; nem pior; nem melhor. Foi uma situação que eu (e os meus) passei, fez parte de minha jornada de vida!

As pessoas que me julgaram (e ainda julgam), problema! Eu dou valor àqueles que estiveram comigo, sentiram a minha dor e minhas angústias e acreditaram em minha cura.

E o certo é isso mesmo, valorizar o que for "valorizável"!

A luz no final do túnel existe. Se ainda tá escuro, continue andando! Quando avistar, não corra, continue no seu ritmo que você vai chegar lá!

A DOR SÓ DÓI, ENQUANTO ESTÁ DOENDO, DEPOIS, PASSA!!!

terça-feira, 15 de julho de 2008

ACERTOS E ERROS


Texto tirado de uma das fases críticas. Como não coloquei a data, não sei precisar quando escrevi...mas encontrei e quis dividir:

QUERIA TER A OPORTUNIDADE DE VOLTAR NO TEMPO E ACERTAR. MAS, ACERTAR O QUE, SE NÃO ACHO QUE ERREI, AINDA SABENDO NÃO ESTAR SEMPRE CERTA?

QUERIA SER AQUILO QUE NUNCA FUI...MAS COMO SER O QUE NUNCA FUI, SENDO O QUE SOU, FAZENDO O QUE FAÇO? DEVERIA SER O QUE SEMPRE QUIS SER, E TENTAR SER, AINDA QUE NÃO SENDO, MAS BUSCANDO SER.

QUERIA TANTO, QUE JÁ NEM QUERO NADA. APRENDO, ACERTO E ERRO. QUEM NUNCA ERROU? PRINCIPALMENTE EM NÃO FAZER NADA PARA ACERTAR, NEM ERRAR. ERRANDO SÓ POR ACEITAR E ACOMODAR!!!

MEUS PROBLEMAS NÃO SÃO MAIORES, NEM PIORES QUE OS SEUS, MAS SÃO OS MEUS E ME INCOMODO COM TODOS. POR ISSO, OS CONSIDERO MEUS, SEUS, NOSSOS E TODOS!

DEUS SABE O QUE É MELHOR PARA A GENTE, NÉ?! POR QUE A GENTE NÃO CONSEGUE ACEITAR E FACILITAR AS COISAS?

ME SINTO AFUNDANDO. MESMO COM TANTA GENTE A QUERER ME VER SUBIR.

HOJE, PEDRINHO ME VIU JOGADA NO CHÃO E CHORANDO MUITO, MUITO TRISTE EU ESTAVA/ESTOU...E ELE E IURI VIERAM ME DAR APOIO. NOSSA, PEDRINHO SE JOGAVA POR CIMA DE MIM, ME BEIJAVA TANTO. DEPOIS ELE SAIA CORRENDO E PEGAVA QUALQUER BRINQUEDO E ME DAVA. ME ABRAÇAVA E ME ACARINHAVA, COMO SE ENTENDESSE TUDO E DISSESSE: "MAMÃE, DEIXA DISSO!". ELE É LINDO! ACHO QUE PEDRO É O MEU MAIOR ACERTO, DAÍ, ME SINTO COMPLETA...MAS DEPOIS, ME COBRO TANTO.AI, AI!

ACERTOS, ERROS, COBRANÇAS. QUERIA ABRIR MINHA CABEÇA E DEIXAR TUDO ABERTO; LIVRE. POR ISSO QUERIA SER QUEM NÃO SOU: CALMA, ESPERANÇOSA, RESIGNADA E FELIZ SEMPRE!

AI, ACERTOS E ERROS...

MUITO AJUDA QUEM NÃO ATRAPALHA

“...E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão". (Mateus, 7:3-5)

Com certeza, “muito ajuda quem não atrapalha”.


Estar disposto a ajudar, não é só dizer: “conte comigo!” é estar disposto mesmo! É fazer o que for preciso para o outro sair daquele buraco...


Existe muita gente, nessas horas, que se preocupa mesmo, que tem, até, a boa intenção de ajudar, mas está tão envolta com seus problemas (e não admite) que pode provocar uma situação muito pior para quem está precisando de ajuda e para si próprio.


Não há problema algum em respeitar as próprias limitações e dar um apoio à distância, vez ou outra. Ou, vai, dá um abraço sincero. Procura se informar, de fato, sobre a doença... Não vá de peito aberto, não porque é “chumbo grosso”.


Como já falei anteriormente, a mente humana não tem barreiras físicas, não tem gavetas, nem divisórias...é importante viver cada emoção e saber administrá-las. Fingir que não as vive; empurrar com a barriga; não tocar no assunto, afim de acreditar que não falando, a sensação deixa de existir...isso não dá certo. Se você quer ajudar mesmo, se cuide primeiro, para depois não “enfiar os pés pelas mãos”.

Vou contar como uma pessoa que amo muito, e me ama também, quis ajudar, mas causou as minhas piores crises e atrapalhou meu tratamento por duas vezes (vou falar por alto, porque foi muita coisa...):
Minha sogra é uma pessoa super legal. Tanto que a conheci primeiro e foi ela quem me apresentou ao seu filho... me escolheu como nora. A gente se dá super bem, mas não soube respeitar que eu estava doente e...

Ela mora no exterior e vem para o Brasil a cada 6 meses, ficando por 2 meses aqui. Ela sabe que é uma opção dela e que é muito desgastante essa realidade, mas me confessou, certa vez, que quando vai para lá, guarda a lembrança de cada um de nós em uma caixinha (força de expressão, claro). Ela sempre insiste, quando passamos por um problema, para repetir: ”isso é passado”, mas eu acredito que isso aliene mais do que ajude. A técnica das “Afirmações” é uma maneira de você repetir palavras e frases positivas para dar forças na caminhada da vida. É uma técnica importantíssima, mas usada de maneira correta. Repetir que uma situação é passada, antes de ter terminado, cria uma confusão de tempo e espaço e não resolve nada. Acredito que repetir “isso vai passar!” é mais correto. A gente precisa ter forças para viver as emoções, fingir que elas não existem; “guardar numa caixinha”...isso pode ser bonito quando se quer manter a aparência de que tudo está bem...mas, na realidade não dá certo. Ela é uma pessoa que se exercita em busca da paz, mas vive um turbilhão de vai-vem-vai de novo-vem de novo...avião, horas de vôo; mudança de fuso horário; mudança de clima; mudança... isso gera, naturalmente, uma instabilidade psicoemocional. Por mais legal que a pessoa seja, ela é humana, e isso quer dizer virtudes e defeitos...

Voltando, morávamos no apartamento de minha sogra (mas o lar é nosso), que ela nos cedeu com muito carinho. Com a DPP, apesar de minha família viver lá, pedi para ir para casa de minha mãe. Era um porto seguro para mim. A corda estava puxada para todos: eu com DPP, meu avô internado, Iuri trabalhando muito e ainda me ajudava com Pedro... concentrar tudo em lugar era mais prático. Além do quê, eu precisava culpar algo ou alguém pela minha doença, então, a culpa era do apartamento...

Quando minha sogra veio para o Brasil, Pedrinho já havia nascido e tinha quase 1 mês. Ela estava muito ansiosa para conhecer o neto. Mas, eu só não sabia que tudo seria tão ruim... Não sei se fora ciúme de Pedro com meus pais... não sei, só sei que ela ignorou minha doença, dizia que aquilo era “muita raiva acumulada”... e que ela poderia me ajudar... Hoje, entendo que era boa intenção dela, mas poderia respeitar minha situação e isso me ajudaria mais... Ligou e pediu a Iuri que passássemos um final de semana com ela, para que pudesse curtir Pedro. Eu pedi que reconsiderassem e ela fosse para lá, porque para mim era muito difícil sair de casa. Mas ela insistia, e Iuri, até, me chamou de egoísta, afinal a mãe dele fica tão pouco no Brasil... não queria ser injusta, mas o fato é de que essa opção é dela. Eu não proibi, em momento algum, o contato dela com Pedro. A situação tomou uma proporção diferente. Parecia, como tudo foi colocado, que eu estava “embarrerando” esse vínculo... ficou um ar de “coitadinha, ela vem e nem pode curtir o neto”... e eu, o algoz. Eu, havia começado o tratamento, ainda estava me ajustando aos remédios... egoísta. Totalmente fora de órbita, e ainda tinha que racionalizar pelos “normais”... Fomos, para o maldito final-de-semana... Em resumo: minha sogra pediu que nos mudássemos para lá, que conversaria com minha cunhada (já que era ela quem estava morando na casa, e fazendo esta de ponto de apoio para ela, que morava no interior e a casa também é de Iuri). Iuri amou a idéia...e eu, pedia que não, que eu precisava ficar na casa de minha mãe, por enquanto, porque me sentia mais segura e à vontade... daí, ela decidiu, então que alugaria o apartamento, para nos gerar renda...sem opção, teríamos que ficar nessa casa... Iuri feliz, eu agoniada, mas sem reação... Minha cunhada passou uns dias lá e ficou certo de que voltaria para fazer a mudança. Mas senti que ela não estava satisfeita... Nem eu. Ficamos lá, e o apartamento fora alugado. Nossos móveis, foram, uma parte para casa de minha tia (já que essa casa era muito menor e ainda estavam os móveis de minha cunha). Minha sogra voltou para o seu lar e nós ficamos. Minha família precisav me socorrer o tempo todo. Estava sozinha e me trancava dentro de casa. Me recusava a fazer o tratamento...piorei muito!!! Parei de acreditar na cura; interrompi o tratamento e passei a viver um pesadelo ainda maior. Antes dela viajar, minha cunhada voltou com uma surpresa: estava grávida de 1 mês! Para quem nem namorado tinha...foi uma surpresa mesmo. Minha sogra viajou tensa. Os olhos pareciam que iam saltar do rosto, mas afirmava que estava tudo bem. Sempre com um discurso “otimista”. Se fosse sentido, o que se falava, seria real... mas, o que sentia era muita angústia e uma provável sensação de culpa (afinal, pai e mãe, quando o filho faz algo impensado, se culpa logo... impressionante, mas é.), fora a saudade de Peu, do filho e de todos nós aqui. Para ela é difícil esse vai-e-vem, mas, ela um dia se acostuma de verdade e se encontra.

Minha cunhada decidiu que teria o filho aqui na Capital e alugaria um canto.Daí, levaria, finalmente os móveis... a casa ficou uma bagunça por muito tempo e eu, me afundava em minha bagunça mental e a casa daquele jeito me deixava louca! Decidi voltar para a casa de meus pais, até Ju concluir sua mudança... estava tudo programado. Havia mergulhado no “inferno” durante aquele período. Perdi a fé que recuperava aos poucos. Fora as inúmeras vezes que tia Meire, tia Lita, Jildélia, mami, Sani, Marquinhos e Andrea “mendoim” tinham que me socorrer... Demorou até realmente, voltar para a casa de meus pais. Mas fui. Retomei até o tratamento. Estava amparada e Iuri não precisava mais se atrasar para o trabalho. Tudo havia recomeçado a andar.

Coincidiu com retorno de minha sogra e minha cunhada já com 7 meses. A casa, uma bagunça. E a mudança nunca que acontecia. Minha sogra, muito nervosa, se queixava da bagunça (mas, na verdade, ela estava preocupada com a filha grávida e como seria...), de que Ju não tinha paciência com ela, tudo que falava a filha rebatia...Do outro lado, Julie se queixava que a mãe em vez de tranqüilizá-la, a deixava mais nervosa... e eu, que estava em estava me erguendo e progredindo no tratamento em meio a essa confusão. Como sou do lema: MUITO AJUDA QUEM NÃO ATRAPALHA, e tinha o “argueiro em meu olho”, tratei de me reservar o direito de cuidar de mim e me afastei. Ligava, procurava saber como estava a gravidez...não era hora de ficar preso ao julgamento de ela ter engravidado por ciúme, sei lá...o fato é de era o sonho dela e ela aproveitou a ponga.

Novamente, outro final-de-semana fora solicitado, e recusei de novo. Outra insistência e fui vencida pelo cansaço... mas, fui determinada a não sucumbir. Voltei para a casa dos meus pais, na certeza de que a mudança seria concluída e eu voltaria para casa. Minha sogra pediu que fossemos lá, que ela precisava ter uma conversa conosco. Perguntou se a gente não poderia deixar Julie morar lá, já que não estávamos lá mesmo... ficamos sem ação! Iuri se chateou e “fechou a cara”. Eu fiquei sem saber como reagir. Ela falou que era hora de ajudar Ju, que ela não tinha emprego (mas tem um negócio próprio...), que precisaria de um lugar para ficar até ter o nenê. Disso eu já sabia, e falei que como Ju voltaria para o interior, e estava alugando um canto para ficar só 4 meses, seria mexer muito com a gente por tão pouco tempo. Mas, não fui ouvida. As audições estavam condicionadas a escutar um “tudo bem”. Falei que pensaria numa solução, porque fomos pegos de surpresa e pensaria em Julie, já que o fato é que uma criança estava para nascer, e uma mãe precisa de tranqüilidade. Ela falou que Iuri estava sendo materialista, apegado àquela casa (ora, quem foi que nos pediu para morar lá?). Afirmei que não, que ele estava muito cansado, e que estávamos esperando a mudança de Ju para voltarmos ao lar.Enfim, ela me perguntou se eu sabia quando terminaria o tratamento... foi aí que vi que ela não levava a sério a DPP como doença. Sim como raiva acumulada. Mas não vou entrar nesses detalhes... Sem saber o que fazer, decidimos ir para a casa de minha tia (onde já estavam parte dos móveis). A casa precisava de reforma, mas não tínhamos condições de fazer, nem minha tia, mas as teria por perto e poderia continuar meu tratamento. Aquele baque me desestruturou e comecei a achar que era um fardo a ser carregado... Levei outro tempo para me recuperar e permitir que o sentimento que sempre nutri por minha sogra voltasse. Porque, naquele período, por mais, que tentasse racionalizar, não aceitava o que minha sogra havia feito e o fato dela nem perceber o que fez... Pior foi Iuri, que ficou muito triste com a mãe e se arrependeu de ter sucumbido aos seus pedidos, para, no final, ainda ser taxado de “materialista”... logo ele. Percebi que minha sogra era tão humana quanto eu. Vi que ela vivia uma grande incoerência entre VIVER, PENSAR, SENTIR E AGIR. Mas, o fato é de que me atrapalhou muito, pensando que ajudava.

Na casa de minha tia, pagávamos o aluguel com muito carinho, já que ainda tinha a companhia e o apoio delas. E foi importante encontrar um pouco de paz. Mas, ainda não era definitivo. Lá, tínhamos a intenção de só ficar até eu melhorar, e depois, procuraríamos um canto para a gente, mas a realidade é que não tínhamos dinheiro. A inquilina do apartamento sempre deu trabalho e atrasava muito o aluguel. O apartamento fora pedido de volta e Susana permitiu que voltássemos para lá. E disse que oraria pela gente, para que equilibrássemos essa energia de “casa”, porque a gente estava se mudando demais... Como o diálogo com ela é meio complicado, usei a ferramenta da carta, porque ela internaliza o que lê, mas não o que ouvia... Falei o que escrevi aqui, e que como poderíamos ter problema de energia com “casa”, nós tivemos um período em que ela não respeitou nosso momento e manipulou nossas vidas de acordo com suas crenças. Que a culpei por muito tempo pela minha piora e pelas minhas recaídas, num período em que estava melhorando consideravelmente. Ela não me respondeu, mas abri meu coração. Era a única maneira de recuperar a verdade em nossa relação, com a verdade!

Estamos bem de novo. A relação estava meio ferida, mas o processo de cicatrização está em andamento. Já a vejo com o respeito que sempre tive e percebi o que quer dizer: "é nitroglicerina pura!!!" - rs. Acontece, quando há uma mistura de emoções exaltadas; ritmos desritmados... mas, o importante, é que passa! E uma relação verdadeira e amorosa, fica para sempre!!!
Mas, vi que MUITO AJUDA QUEM NÃO ATRAPALHA!

É importante, quem está de fora, respeitar esse tempo que não é mensurado em horas, nem dias...mas o tempo das coisas. E como diz na Bíblia (até usei a passagem em eu convite de casamento): “Tudo tem o seu tempo determinado,e há tempo para todo o propósito debaixo dos céus".(Eclesiastes 3)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

POEMA DO MORTO-VIVO (11/11/2006)


Esse é meu poema do "morto-vivo". O fato d´eu gostar de escrever e ter facilidade para falar o que sentia, me ajudou bastante! Mas, ainda assim, não era sufuciente...o buraco era imenso, que não havia palavra para descrever. Mas o amor era/é tão grande, que me ajudou a reescrever essa história e a sobreviver.

Eu sabia que não tinha razão para sofrer, mas aquele sofrimento era inexplicável, mas existia, mesmo. Vinha do nada, com uma força. Rompia tudo dentro de mim e me dominava!


11 de novembro de 2006:

POEMA DO MORTO-VIVO

Eis que é a vida

Dizem que é para ser vivida

Mas como não viver

Se se já está vivo?

Tem vida vivida por máquinas e aparelhos

Tem morte vivida por dores e dissabores

E quem vive sem vida?

E quem tem todos os motivos para se estar vivo

E bem vivo

Mas se sente morto e falido?

Totalmente destruído!

Viver ou morrer?

Que diferença faz?

Tem vivo que já tá morto...
E quem tá morto...tanto faz!

06 DE OUTUBRO DE 2006

Vou transcrever alguns trechos do meu diário. Este é do dia 06/10/2006, 10 dias depois do parto. Não usava títulos, porque as datas os substituía. O título, seria sempre o mesmo: "HOJE"...
06/10/2006
"Minhas lágrimas não secam. E ainda encharcam meu coração!

Quanta angústia, quanta tristeza, tudo sem razão. Me questiono todo o tempo: 'Por que eu?'; 'Por que dói?'; 'De onde vem essa dor?'; ' Como faço para ela para?'; ' Isso quer dizer que não sou forte?'
Ai, será que vou passar atestado de fracassada por aceitar começar fazer o tratamento? Falta-me força de vontade?
Oh, meu Deus, socorro! Estou tão confusa. Me sinto perdida. Meu coração está perturbado; minha mente desligada; estou vivendo sem razão. O que estou sentindo? O que é essa sensação?
Me afundo, mas estou crendo que tudo isso vai passar! É só questão de tempo, ainda que com remédio, mas esa fase vai passar!
Daqui para frente, sé alegria. Muito para comemorar! Tenho um filho lindo e um maravilhoso lar!
Terei que passar por cima do meu orgulho (ele já não me serve mais) e me curar.
Tanto leite derramado; tanto leite a jorrar. E depois que coemçar o tratamento, tanto leite a secar!
Não aceito, nem admito estar doente! Sem me controlar. Só me culpo, me agrido, nõ mereço tudo o que tenho. Sou ingrata, só sei reclamar! Será que sou mimada? Só sei chorar!
Ai, ai, ai! Quero levantar a cabeça e enfrentar! Quero poder pegar meu filho no colo sem medo do que sinto. Eu o amo! O problema sou eu! Espero que me desculpe um dia, ou, quem sabe, nem me culpe... Ainda ei de demosntrar o quanto te amo e o quanto muito mais vou te amar!
Me sinto cortada! Com dores que não sei de onde vêm. Essa dor machuca muito. Quero gritar!
Quero correr! Quero siumir! Quero ficar! Não consigo me mexer; não saio do lugar!
SOCORRO!SOCORRO! Me ponho a gritar! Mas o grito não sai. Alguém consegue me escutar?
Estou doente, mas quero me curar!!!
Do meu peito sai angústia! Mas sai amor também!
Ao secar meu leite, será que seca o meu amor, também? Não, só o líquido vai secar. Meu amor, só tende a aumentar! Essa, eu vou superar!
Quem quiser me julgar, me julgue! Mas não me culpe! Não estou suportando tanta dor.
Meu bebê eu te amo! Nunca duvide! Mas, não sei se vou aguentar!!!"
Me sentia tão fraca, e temia começar o tratamento, porque teria que interromper a amamentação...aquilo beliscava meu ego. O quê? Como poderia ser tão fraca que não poderia dar tanto leite? Pois é, até decidir começar o tratamento, me debatia por dentro. Até que decidi começar!

domingo, 13 de julho de 2008

VIVER, SENTIR, PENSAR E AGIR




Só para registrar, eu acredito e estou tentando chegar lá, que nós só seremos nós mesmos e mais felizes conosco e com os outros, quando desejarmos e nos dedicarmos à busca do equilíbrio entre VIVER,SENTIR, PENSAR E AGIR.


Buscar a coerência entre esses 4 pilares é o caminho!



A gente cansa de falar sem sentir; viver sem agir; falar sem pensar; pensar e calar; agir sem pensar... Tanta incoerência.



Um passo importante para quem está em Depressão ( e quem não está também) é buscar essa coerência e se dedicar a ela! Mergulhe fundo!



Então, vamos dar sentido à nossa essência: VIVER, SENTIR, PENSAR E AGIR coerentemente.

PENSAR EM NADA

Todo mundo gosta de um chavão, né?! Repetir frases de efeito até ajuda, mas, se a pessoa estiver em crise de Depressão, reserve-se ao direito de falar NADA!

Se for dar um conselho, um toque, e quiser usar alguma frase de efeito, faça, mas escolha a frase certa e o momento certo. Uma pessoa em crise é uma bomba prestes a estourar. É nitroglicerina pura! Tudo é um motivo para a pessoa se fechar e distorcer tudo o que você falou em algo destrutivo. Capaz de pensar e sentir que você falou aquilo para prejudicar. É, a capacidade de distorcer de uma pessoa em Depressão é extremamente criativa, ainda mais se for alguém inteligente, estudado...as possibilidades de distorções aumentam! Sim, mas continuando, se quiser realmente ajudar, não fale, pelo amor de Deus: "pense positivo". Isso mata! A pessoa está se achando o O, menos do que nada. Não tem forças nem para ir ao sanitário, você imagine pensar positivo? Dê um conselho que me dei e me ajudou: "PROCURE PENSAR EM NADA!!!"

A minha técnica de PENSAR EM NADA me ajudou a neutralizar os pensamentos ruins. Daí, os pensamentos positivos terão espaço para fluir livremente no âmbito mental.

Ah, também não diga para procurar relaxar, nada disso. Nenhuma técnica de relaxamento, num momento de crise, vai ajudar. É igual a cão raivoso, você isola um tempo... Deixe a pessoa saber que você está sempre ali, mas que vai respeitar seu momento. É, é um trabalho árduo, até porque quem está envolvido de "fora para dentro" (considerando o ângulo do doente ou Depressivo) também tem seus problemas. Afinal, todo mundo tem problema, certo?! E a nossa mente não tem barreiras físicas, nem gavetas, nem divisórias...para separar cada problema por pasta. Tudo se mistura e nós somos, muito, como conseguimos administrar isso. Ah, inclusive, ADMINISTRAR AS EMOÇÕES eu aprendi na terapia. Nada genial, um termo, mas que pode virar uma ferramenta mesmo. Em vez de controlar, administre o que você pensa. Olha, fingir que não está vivendo, ou sentindo, não ajuda em nada! Cada um sempre vai achar que seu problema é maior do que o do outro. E é! Cada um tem o seu problema, e ele sempre será grande. Não existe "o meu é maior do que o seu", nem vice-versa, existe: cada um com o seu. E cabe a cada um dar a dimensão que ele merece. Voltando: é difícil para quem quer ajudar estar sempre bem e à disposição do Depressivo. Isso é natural. Mas, há um esforço mais concentrado em se ficar bem, para poder ajudar. Um Depressivo precisa ser "vigiado" constantemente. Como já falei, a pessoa com Depressão é um perigo a si próprio. Em casos muito graves, aos outros também. Muita mãe mata o filho após o parto e a gente as julga como "desumanas"(algumas até são, afinal, existe a condição animal em nossa mente... veja quanta guerra por nada; quanta gente que adora tirar proveito de tudo, nem que seja invadir um sinal vermelho, só por uma questão de se achar melhor do que os outros...). Essa doença é capaz de fazer com que uma mãe ODEIE o seu filho. Sem um motivo racional (ou até por conta de fome, miséria... ah, sou partidária do Controle de Natalidade. Ter um filho não é simplesmente colocar no mundo e sobreviver...é muito mais! É amor, sim, mas é também um indivíduo que vai ter problema de saúde, vai precisar ir a um médico; vai estudar; vai comer...enfim, é um Ser Humano e requer certos cuidados. Trazer uma criança ao mundo é lindo, mas o ato de "procriar" constantemente pode ser controlado.). O fato é que gera um desequilíbrio mesmo. E a gente vê e condena aquela pessoa, que não teve condições de detectar a doença e nem de tratá-la. A cura é a entrega e a confiança no tratamento. O respeito ao tempo. O desapego do ego e seus artifícios... Em meu caso, eu rejeitei a mim mesma, e me ajeolhava ao lado de Peu pedindo perdão pela mãe tão "pequena" que ele tem. Me julgava não merecedora daquele menino lindo e tão perfeito. A inocência da criança é magistral. Tanta gente briga por tanta coisa sem sentido, quando viver a vida em sua essência, amar, ser amado é o caminho mais certo!
Costumava dizer para Peu que ele veio para me ensinar a criá-lo! A criança vem completa! A gente só precisa se ajustar para orientá-lo. Conheça seu filho e veja como orientá-lo melhor...regras ajudam, mas na prática...viva seu filho, sinta seu filho, curta seu filho e aprenda com ele.

PENSAR EM NADA abre a cabeça. Permite que as agonias entrem e saiam, sem dar força.Não brigue; não force; permita que as emoções entrem e saiam. Daí, o espaço fica livre. Agora, se você é uma pessoa, naturalmente, difícil, fechada, egoísta, orgulhosa...se abra para a melhora mesmo. Confiar de olhos fechados no tratamento (desde que seja um profissional qualificado e preparado). Veja qual a linha de terapia você se adapta. Acredite: passa! E isso eu falo "da boca para dentro" ou "de dentro para fora". Eu passei por tudo que estou escrevendo e muito mais e superei!

Estou reaprendendo a viver, a me conhecer. É estranho mesmo. Você volta a ser criança por um momento, mas vira adulto rapidinho. Cuidado com quem se acha maduro demais, porque pode cair de maduro!!! Cuidado com quem quer ser Zen, sem sentir e viver Zen...seja você mesmo em busca de paz, pela paz e com paz!!!

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