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quinta-feira, 1 de julho de 2010

MAIS UMA VEZ, DE CARA NOVA!

O blogger vai inovando e o "A dor só dói enquanto está doendo..." segue os passos!

Novos recursos, novos layouts! Blog de cara nova, de novo!! Afinal, o caminho da melhoria é constante, frequente e a qualquer instante!!!

O conteúdo continua o mesmo: relatos e reflexões em busca de um mundo melhor, dentro e fora de mim!

Um lembrete para mim e para você de que A DOR SÓ DÓI ENQUANTO ESTÁ DOENDO...
...DEPOIS, PASSA!

Beijos,

Pat Lins.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

"O TEMPO DE ESPERA" - BLOGAGEM COLETIVA


Olha, quando vi a proposta para blogagem coletiva no  "ENQUANTO ESPERAMOS", pensei em tanta coisa que não conseguia esperar, mas, não tive como parar para escrever... Minha mente desencadeou diversos pensamentos e maneiras de pensar. Fui para vários pontos em mim, tentando definir um foco. Foi quando tive mais certeza de que não sei esperar, já esperando...

Comecei pelo "MÃES NA PRÁTICA", falando da prática de toda mãe e nossa relação com o tempo de espera constante e eterno!

Mas, aqui, onde desabafo com frequência sobre minha busca no caminho do crescimento pessoal - em todos os âmbitos - , esperar tem sido minha máxima! Desde consolo bíblico onde "há tempo para todo o propósito debaixo dos céus..." (Eclesiastes), até o fato de, durante todo processo de espera a gente ficar mais focado no tempo de espera do que na espera em si, como oportunidade para planejar, aprimorar e, em alguns casos, curtir, enquanto não chega o desfecho da situação.


Então, decidi fazer o que estou fazendo: começar, começando... Sem esperar muito, porque, tenho pouco tempo e daqui a pouco, terei que parar... a rotina e os meus afazeres não param para me acompanhar e meu "esperar" fica num latejar na mente em forma de "vai acontecer, espere e verá/verei", em algum momento terei tempo com tempo.

Minha maior dificuldade em esperar - ou, saber organizar o tempo para espera -, falando de uma maneira abrangente, é lidar com a ansiedade crônica... Êta! Aí, o tempo de espera vira uma descarga de adrenalina e, quando se aproxima o momento de "concretizar", seja lá o que for, quando o tempo de espera está próximo ao fim, estou cansada e me arrastando, o que, muitas vezes, me faz "nadar, nadar e morrer na praia"... e o tempo de espera foi em vão... Então, me questino, qual a melhor hora para agir: durante o tempo de espera ou depois do tempo de espera? E como se calcula e/ou determina esse tempo?

Sempre estamos diante de acontecimentos, desde o nascer do sol, até o nascer do sol do dia seguinte... Portanto, sempre estamos no "start" de algum tempo de espera. Na verdade, a gente já nasce esperando: esperando completar nove meses, para sairmos da barriga da mãe; esperar a adaptação aqui fora; esperar cada fase de crescimento, mudança e transformação; esperar os dentes nascerem; esperar andar com firmeza, para "termos" alguma "independência - risos; esperar crescer e ficar adulto para fazer tudo "sozinho" - como se fôssemos capazes de realizarmos tudo sozinhos... até para virmos ao mundo dependemos que alguém nos gere e nos coloque aqui fora...; esperar concluir a faculdade; esperar receber o diploma; encontrar o primeiro emprego; esperar ansiosamente, pelo primeiro salário - quando é baixo, a gente já espera o segundo, o terceiro...; esperar encontrar "um (ou O, para alguns) grande amor"; esperar pela estabilidade finaceira/material para programar uma família - nesse quesito, nem sempre usamos o tempo de espera para programar... muitas vezes, esperamos juntos, mesmo e vamos esperando o ajuste durante a fase de reajuste desajustada...; depois, esperar as condições "apropriadas" - que nem sempre seguem a ordem que desejamos - para ter filho (s)... Estamos sempre no processo de tempo de esperar algo... inclusive a morte.

Vivemos o tempo de espera para nascer e para morrer e, nesse meio tempo, que chamamos de vida, vivemos vários tempos de espera para, depois que o tempo passa, percebermos que perdemos tanto tempo com tantas bobagens...

Determinar o tempo do "tempo de espera" nem sempre é tarefa fácil ou possível. Temos mania e apego ao relógio, para contabilizarmos e avaliarmos nosso sucesso em alguma ação. Na vida nem tudo é tão exato. Na verdade, no geral, a maioria dos acontecimentos nos pegam de surpresa, o que me leva a refletir que, após tanto esperar, quando concretizamos, muitas vezes, nem nos damos conta e somos pegos de surpresa. O tempo tem esses mistérios, aí, de nos pregar peças. Ele nos deixa acreditar que o estamos domindando, quando, na verdade, ele está seguindo seu rumo.

 Bom, esse tema me deu vontade de escrever mais e mais. Vivo, atualmente, mais um tempo de espera, onde espero retomar minha vida, conseguir me encontrar e descobrir uma maneira de superar meus desafios com mais leveza... meu tempo de espera se resume em viver a cada instante na expectativa do novo instante e preparando o terreno para a plantação. Já minha ansiedade está na preocupação com a época da colheita... Vários tempos de espera simultaneamente... Fora, deixar de me culpar pelo tempo de espera que já passou e nada fiz... Temos uma vida para aprender... O máximo que puder levar comigo, levarei... Sei lá o que vai acontecer depois que o meu coração parar de pulsar - ou, minha mente parar de funcionar... às vezes o coração bate, mas, a cabeça já foi (como a morte cerebral, por exemplo). Infelizemente, não será possível fazer com que as pessoas me vejam como sou, mas, aqui vai ficar um registro de meu processo de busca, para quem acha que me conhece, me conhecer um pouco...


Meu tempo de espera é diário. Algumas coisas que espero são concretas, outras subjetivas, outras tão abstratas que nem eu dou conta..., outras fantasiosas... Meu tempo de espera passa e gravita entre a realidade real e a realidade ideal. Eu estou, na verdade, à espera da harmonia entre todos os meus EU´s. Não. À espera, apenas, não, a caminho; trilhando... então, creio que essa fase sim, seja uma fase de tempo de espera e não de pura e vaga esperança.

Enfim, a cada dia alimento meu tempo de espera de DEIXARMOS UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO! Amém! - risos.

E você, como calcula seu tempo de espera? Tem consciência de que vive, pelo menos, um a cada instante? Tempo de espera e esperança podem andar juntos? Tantas perguntas. Cada resposta pode despertar um novo tempo de espera, uma novidade a começar.

Bom, cá estou! Algumas coisas me dando conta de que já aconteceram... outras, por acontecer... outras, desejo que aconteçam... tempo e tempo para tudo... Agora, em muitos casos, só me resta esperar.

Agora, tempo de esperar a comida ficar pronta para almoçar com meu filhote! Meu tempo de espera o inclui numa realidade paralela a minha; uma vida que, por enquanto depende de mim, mas, que não é minha... ENQUANTO ESPERAMOS, vamos vivendo, refletindo, preparando e, um dia, agir!

Beijos,

Pat Lins.



domingo, 13 de junho de 2010

RAIVA E FORTES EMOÇÕES!!!

Para variar, em nossos padrões de educação hipócrita - e vai saber quando e porquê isso começou... - a gente é "ensinado" a "não sentir" raiva, porque é feio e as pessoas podem não gostar, fora que podem "achar" que você é louco e/ou uma pessoa má...

Sinceramente, não sei o porquê de tanto medo em assumirmos nossas emoções mais básicas - ainda que as fortes e desagradáveis, se elas existem mesmo?! Falar que não sente já sentindo é que é loucura.

Raiva é algo que explode, nos pega no susto, diante de um estímulo que toca naquilo que nos incomoda... talvez nunca saibamos o motivo que leva a despertar, mas, dá para gerenciar isso. Raiva é algo que quando você vê, ela já está. Só deixar passar, aí está nosso esforço saudável. Deixar ela ir. Negá-la só a alimenta e a mantém dentro de nós, nos corroendo: primeiro por nem sempre podermos extravasá-la, pelo medo, por tabu... por limitação e a "engolimos"; segundo, porque, se a gente não a deixa ir, ela vai se alimentando da gente.

Não me refiro a agressividade, exaltação, exagero... e sim ao simples fato de negarmos a raiva e sua explosão, bem como outras fortes emoções. Não levanto a bandeira para a arrogância, a falta de educação, estupidez... apenas me refiro a raiva, por exemplo, se alguém pisa em seu calo. Pois é, vai negar que o susto, a dor inesperada... vai despertar uma raiva? Mas, passados esses segundos iniciais de quem foi "pego de surpresa" - uma surpresa bem desagradável, mas, acidental - deixa ir e recobra o bom senso, a vida segue.

A gente precisa conhecer um pouco mais sobre nós mesmos e nos aceitarmos como somos - sem nos acomodarmos a essa verdade, do tipo: "eu sou assim mesmo. Pau que nasce torto, morre torto"... Isso é desculpa esfarrapada, até porque nós não somos "pau". Dói "pra cacete", viu?! Mas, é muito melhor se livrar desse peso e dor eternizada das permissividades destrutivas, como se negar, do que não ter a oportunidade de ser algo melhor. A grande questão é respeitar. Respeitar a si, ao outro, a todos e a cada um. Pedir desculpa. Não se aproveitar de querer mudar para descarregar nos outros, enquanto não se "ajeita internamente". Compreender que nem todo mundo pensa como eu, como você... cada um tem seu tempo, seu ritmo, sua história, suas referênciasm, suas verdades, seus desejos, seus anseios... cada um tem seu próprio mundo e coexistir é o mesmo que administrar as diferenças; equilibrar; é respeitar! É olhar daqui para frente e seguir. Fui uma pessoa estúpida até ontem, hoje, estou disposto a ser mais compreensivo, mais cauteloso com as palavras e expressões, sincero e honesto - completamente diferente de invasivo, inconveniente... Isso, também não quer dizer que vamos mudar como um estalar de dedos, nem que não vamos continuar errando e/ou cometendo outros erros. Somos eternos aprendizes. O diferencial é a disposição que temos para continuar o "aqui e agora" como lema e propósito de mudança.

Cada um de nós precisa aprender a lidar consigo, antes de tudo. Precisamos aprender a lidar com nossas emoções, não estrangulá-las dentro de nós, nem perpetuá-las em forma de agressividade alheia, machucando o outro com o "dom" da estupidez e arrogância. Ninguém pode se valer de ter uma vida mais sofisticada para pisar no outro e muito menos se achar melhor por conta de sua condição financeira. O respeito é condição primordial para a boa convivência em qualquer instância.

Sentir e viver a raiva é sentir e viver uma emoção ruim, mas, que faz parte da gente e não há uma controle rigoroso, ela existe em cada um de nós. Saber como lidar com ela é que faz a diferença positiva ou negativa. Tolerância, paciência, compreensão, respeito, são virtudes que estão dentro de cada um de nós, expostas de maneira variável - cada um tem seu grau - porém, todos temos o verdadeiro potencial de permití-las emergir. Engraçado, a gente aprende a fingir e/ou omitir a raiva por uma necessidade de "aceitação" de fachada; alegamos que as virtudes podem ser expostas e na verdade, na prática, colocamos toda raiva para fora, canalizada em diversos disfarces diários e dizemos estar exercendo as boas virtudes da paciência, cautela, calma e afins. Urge ou não, a necessidade de se fazer conhecer o que é cada emoção que EXISTE, quer a gente queira ou não, dentro de cada um? Precisamos ou não aprender mais sobre nós? É gritante ou não a necessidade de nos enxergarmos como HUMANOS, pessoas, gente, com um potencial infinito para o bem?!

A gente precisa aprender a ser gente. Eu estou cansada desse mundo de fingimento e aceitação às máscaras, às fachadas, ao superficial! Para mim, chega. Isso não é apelo para grosseiria. Isso é um apelo ao bom senso - o de verdade -, ao equilíbrio, à busca, à entrega e à disposição de querer ser e fazer mais por si e por esse mundão de meu Deus. Isso é querer dizer que sim, nós PODEMOS DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO - incluindo, cada um de nós, afinal, a melhor educação é a real, aquela que passa pela referência da coerência entre atitude, pensamentos e palavras!

Mania de temer o que é inevitável e que existe dentro da gente. Mania de temermos a nós mesmos. Mania de querer ser o que não é para agradar e gerar uma sequência de infelicidade em nossas ações. Mania de não perecebermos que mesmo negando, continuamos agindo e fazendo, justamente, aquilo que negamos, como se apenas falando que não é, a situação por si só se transformasse. Ingenuidade ou idiotisse? Essa é uma grande dúvida que carrego: sou ingênua ou idiota, por também agir assim?

Tudo é um processo. Mas, o esforço diário e o fato de estarmos dispostos, hoje, a fazer diferente e mudar é que conta. Cada dia de vitória - principalmente, as pequenas. Essas são poderosas. Incrivelmente, poderosas. - é uma soma positiva em nosso grau de mudança. É um ponto de fortalecimento para mudarmos o mundo. E, se no final o que vale é a soma de tudo, cada pontinho se transformará numa plenitude. A salvação de nossa espécie é descobrir o poder da união. Nossas imperfeições existem, mas, cada movimento de melhorar, somado a outro movimento - o meu, somado ao seu, somado ao dela, somado ao dele... - alcança a perfeição da busca e do processo de transformação para o bem.

Não precisamos negar nossa essência, precisamos conviver com ela e dela tirar o melhor que há em nós, sem fingir que não existem sombras - o "mal" - dentro e fora de cada um e de todos nós! Precisamos falar mais abertamente sobre as coisas boas, incluindo assuntos pesados, na intenção de transformar, porque isso é bom: transformar o "mal". Só tendo consciência, conhecendo, é que podemos mudar. Só se transforma o que se sabe, o que se vê, o que incomoda.

Vamos aprender a tirar mais proveito de nós mesmos!

Pat Lins.

domingo, 30 de maio de 2010

MEDO DO MEDO - por mim mesma - desabafo!

Eis aqui meu atestado de burrice: medo de tudo!

Começo pelo medo de ser feliz. Daí, passo pelo medo de ser tudo que posso ser. Depois, pelo medo de continuar não sendo quem sou... até que me vejo nos olhos de meu filho e vejo tanto de mim que me dá medo dele ser igual a mim...

Eu era tudo! Poderia ser e ter tudo, porque assim estava escrito em meu coração e em cada olhar ao meu redor de quem me conhecia. Minha estrela brilhava muito forte, era o que sempre ouvia. Até começar a ter medo. Medo de fazer sucesso e ser bem sucedida. Medo de toda responsabilidade que uma pessoa assim precisa ter. Medo de deixar minha estrela brilhar. Já senti esse medo quando era criança e era tão bonitinha, inteligente e bem articulada que temia ser colocada de lado pelos colegas. Como sempre fui muito simpática, isso não acontecia. Mas, temia ser a melhor e acabava sendo. Sempre me colocava por inteiro, mesmo que fosse numa plantação de feijão no algodão. Sinto um prazer enorme em fazer parte, em estar entregue.

MEDO. Meu maior medo, hoje, é ficar no "potencial". Na iminência de ir além. Cada dia que passa e eu não arranjo um trabalho, fico com mais medo de ficar mais distante de voltar ao mercado de trabalho. Fico com medo que saibam que ainda estou desempregada, para não passar atestado de fracassada e incompetente... sendo que incompetente não sou mesmo! Um dos grandes medos que tinha era do tamanho de minha competência e a inveja que já despertou e poderia continuar despertando... me travei... Sou do tipo "pau para toda obra". Posso trabalhar com tanta coisa. Mas, tenho medo de não mais me encontrar.


 Por quê tanto medo? Como me desligar dele? Onde encontro a energia suficiente para abrir a porta certa, bater e entrar? Quem, além de tanta gente que me apóia, poderia me dizer qual a porta e a quem procurar, porque a vaga é minha? Fui procurar emprego como assistente administrativo, mas, estava graduada demais e um filho de Deus me explicou que eu estaria motivada no primeiro mês, mas, depois, na rotina, voltaria a procurar algo mais condizente com minha qualificação e ele teria que começar tudo de novo... é verdade! Ponderei. Tive medo de ser verdade... Pior, criei um medo de "me queimar" trabalhando abaixo de minha qualificação... talvez esteja andando de salto alto, com taxa zero de humildade... temi marcar em minha CTPS uma função aquém e depois estar dando um tiro no pé... Incoerência e medo alimentando medo.

Escrevo, me exponho... mas, acalmo meu coração e minha mente que não se cala um instante. Fervem palavras e saltam... aqui estão. Um registro de mim para comigo. Um medo de não sair... me tornei refém de mim. Medo de ser quem poderia ter sido, sem nunca ser. Medo, medo, medo!

Medo de não saber aonde ir. Medo de querer qualquer coisa. Medo de não saber acertar... Medo de continuar sem ter como pagar as contas e ficar como agora, que nem dinheiro para shampoo e condicionador tenho... Medo de viver de moedas, como estou fazendo. Medo de continuar assim. Medo de querer lutar e ter que passar por algo mais duro. Tenho medo da dureza da vida. Tenho medo de viver o que meu pai viveu e o quanto ele ralou, sem pensar em temer... ele ia. Queria ter coragem. Coragem de romper, de ir, de fazer como Noemia, de superar e transformar a realidade, de saber o que quer. Tenho medo de ficar nesse embate e me acomodar em dispersar minha inteligência escrevendo aqui, para me consolar e encontrar forças para o daqui a pouco... Tenho medo de morrer e não fazer diferença. Tenho medo de morrer e não deixar nada de bom. Não, não me refiro a dinheiro, imóveis, bens materiais... falo de valores maiores, valores humanos. Vivo, hoje, uma realidade de ver algumas pessoas se vangloriando por deixarem um patrimônio para os filhos, e os filhos sentiram tanto a falta dos pais, como pai e mãe... não tem dinheiro que pague essa ausência na vida deles... mas, claro, se ele quer pagar em espécie pelo que deixou de ser e tanto guardou, foi bem sucedido... afinal, sua meta era guardar para o futuro... o futuro chegou e eles se desentendem, porque querem mais... Vi que o amor pago em dinheiro dói. Tive medo de me tornar algo assim. Mas, com o medo que tenho de tanta coisa e diante da minha realidade, medo de ser rica é loucura, porque vivo uma realidade muito distante disso. Era um medo de ser rica, porque sabia que não seria, então, temia ser como álibi de mim mesma - risos. Eu tenho o álibi de ter nascido ávida e permanecido "inválida"...


 Medo do nada. De ficar onde estou. Medo de tudo. De sair de onde estou. Medo de ser tudo que explode dentro de mim. Porque serei muito feliz, quando for o que vim para ser. E tenho medo de ser feliz. Ser feliz é triste, porque poucas pessoas sabem ser feliz, em liberdade, libertando os outros. Ser feliz aprisionando é sadismo, egoísmo... Tenho medo de tapar meus buracos de tristeza aprisionando meu filho a mim. Limitando seus passos, quando for maior. Vejo isso próximo a mim e não quero repetir o padrão. Mães, mulheres sofridas, que temem a vida, se recolheram à tristeza e se acomodaram a tristre realidade de não ser quem são e desejarem que seus filhos sejam o que não foram... e, também, não permitem que eles sejam por medo de perderem a única coisa que as fazem felizes: a alegria de saber que tem algo que "lhes" "pertence"... Não posso me realizar impondo a meu filho que seja o que não fui... Essa loucura é mais comum do que se pensa. Tantas mães fazem isso e não "se tocam", apontando o dedo para as outras... Sempre o outro. Nunca nós mesmos. Francamente! Morro de medo de ficar assim. Como toda mãe, já tapo uns buraquinhos com meu filho, lógico, a dor de encarar a realidade é tão grande que, em alguns momentos, melhor brincar de casinha. Não quero isso para mim.

Tenho medo de ser infeliz por muito tempo! Tenho medo do medo que tenho.

Tenho medo de magoar, por querer ser livre e feliz. Tenho que ser muito forte para me libertar e ser quem sou. Dar voz aos meus pensamentos e agir, como aqui escrevo em cada post. Textos bonitinhos não, são partes de mim. Partes de mim que assustam e só aqui pude colocar. Na leitura, são textos "fortes" e sinceros. Na verdade, são eu. Sou eu. Não é tão fácil ser diferente... e eu tenho medo, porque eu sou diferente. Eu penso diferente. Não vou além para não ficar aquém de quem amo... Dá para entender?  Que nada! Não me entendo! Tenho medo de me entender! Medo de acertar e ir além.

Fuga. Medo. Culpa. Sabotagem... Mais medo... do medo de ser eu! Por quê? Talvez, nunca saiba responder. Mas, isso já não me causa medo... já entendi que existem perguntas para as quais as respostas não existem... porque nem a pergunta/dúvida deveria existir... Me diga qual a respota para o medo de ser feliz? Nenhuma! Isso, não precisa existir!

Pat Lins.


TEXTO DESABAFO TOTAL - bom explicar, porque tenho medo de não ser compreendida... porque sei que ninguém vai entender... risos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

CHEGOU A HORA DESSA GENTE BRONZEADA MOSTRAR SEU VALOR!


O texto "Em torno do espaço público do Brasil", do antropólogo brasileiro, Roberto da Matta, descreve, de maneira brilhante, um pouco do nosso "jeito de ser brasileiro" ao qual nos acomodamos e propagamos com tanto "louvor" e "patriotismo", onde romper com isso soa como impossível, mas, para mim, com boa vontade e bom senso se mudam pequenas coisas e faz grande diferença...

Aquilo que justificamos como "bobagens", já que existem problemas tão maiores para serem resolvidos, sim, é a base desses grandes problemas... A gente esquece que tudo tem um ponto de partida... Está na hora de darmos um ponto de partida para a melhoria, concorda?!

Amei o texto e coloco aqui, para uma leitura agradável, do ponto de vista de estar bem escrito e bem argumentado, entretanto, chocante, por ser uma descrição muito próxima da nossa realidade, ainda...

EM TORNO DO ESPAÇO PÚBLICO NO BRASIL
                                                                   - Roberto da Matta 

"Estou no aeroporto de Salvador, na velha Bahia. São 8h25 de uma ensolarada manhã de sábado e eu aguardo o avião que vai me levar ao Rio de Janeiro e, de lá, para minha casa em Niterói. Viajo relativamente leve: uma pasta com um livro e um computador no qual escrevo estas notas, mais um arquivo com o texto da conferência que proferi para um grupo de empresários americanos que excursionam aprendendo - como eles sempre fazem e nós, na nossa solene arrogância, abominamos - sobre o Brasil. Passei rapidamente pela segurança feita por funcionários locais que riam e trocavam piadas entre si, e logo cheguei a um amplo saguão com aquelas poltronas de metal que acomodam o cidadão transformado em passageiro.

Busco um lugar, porque o relativamente leve começa a pesar nos meus ombros e logo observo algo notável: todos os assentos estão ocupados por pessoas e por suas malas ou pacotes. Eu me explico: o sujeito senta num lugar e usa as outras cadeiras para colocar suas malas, pacotes, sacolas e embrulhos. Assim, cada indivíduo ocupa três cadeiras, em vez de uma, simultaneamente. Eu olho em volta e vejo que não há onde sentar! Meus companheiros de jornada e de saguão simplesmente não me veem e, acomodados como velhos nobres ou bispos baianos da boa era escravocrata, exprimem no rosto uma atitude indiferente bem apropriada com a posse abusiva daquilo que é definido como uma poltrona individual. Não vejo em ninguém o menor mal-estar ou conflito entre estar só, mas ocupar três lugares; ou perceber que o espaço onde estamos, sendo de todos, teria de ser usado com maior consciência em relação aos outros como iguais e não como inferiores que ficam sem onde sentar porque "eu cheguei primeiro e tenho direito a mais cadeiras!".

Trata-se, penso imediatamente, de uma ocupação "pessoal" e hierárquica do espaço; e não um estilo individual e cidadão de usá-lo. De tal sorte que alguns se apropriam do saguão - desenhado para todos - como se fosse a sala de visitas de suas próprias casas, tudo acontecendo sem a menor consciência de que, numa democracia, até o espaço e o tempo devem ser usados democraticamente.

Bem à minha frente, num conjunto de assentos para três pessoas, duas moças dormem serenamente, ocupando o assento central com suas pernas e malas. Ao seu lado, e sem dúvida imitando-as, uma jovem senhora com ares de dona Carlota Joaquina está sentada na cadeira central e ocupa a cadeira do seu lado direito com uma sacola de grife na qual guarda suas compras. Num outro conjunto de assentos mais distantes, nos outros portões de embarque, observo o mesmo padrão. Ninguém se lembra de ocupar apenas um lugar. Todos estão sentados em dois ou três assentos de uma só vez! Pouco se lixam para uma senhora que chega com um bebê no colo, acompanhado de sua velha mãe.

Digo para mim mesmo: eis um fato do cotidiano brasileiro que pipoca de formas diferentes em vários domínios de nossa vida social. Pois não é assim que entramos nos restaurantes quando estamos em grupo e logo passamos a ser "donos" de tudo? E não é do mesmo modo que ocupamos praças, praias e passagens? Não estamos vendo isso na cena federal quando o presidente faz uma campanha aberta para sua candidata, abandonando a impessoalidade como um valor e princípio, e do conflito e interesse que ele deveria ser o primeiro a zelar? Não é assim que agem todos os agentes públicos do chamado "alto escalão" quando se arrogam a propriedade dos recursos que gerenciam? Não é o que acontece nas filas e nos estádios, cinemas e teatros? Isso para não mencionar o trânsito, onde os condutores de automóveis se sentem no direito de atropelar os pedestres.

Temos uma verdadeira alergia à impessoalidade que obriga a enxergar o outro. Pois levar a sério o impessoal significa suspender nossos interesses pessoais, dando atenção aos outros como iguais, como deveria ocorrer neste amplo salão no qual metade dos assentos não estão ocupados por pessoas, mas por pertences de passageiros sentados ao seu lado.

Finalmente observo que quem não tem onde sentar sente-se constrangido em solicitar a vaga ocupada pela mala ou embrulho de quem chegou primeiro. Trata-se de um modo hierarquizado de construir o espaço público e, pelo visto, não vamos nos livrar dele tão cedo. Afinal, os incomodados que se mudem! " (Roberto da Matta)

Isso aqui, dentro de cada um de nós, que bate e pulsa, chamado coração, é um pouquinho muito de Brasil, de Terra, de Ser Humano e ele grita e bate, nos dizendo que urge a necessidade de nos olharmos, nos enxergarmos e nos entregarmos a consciência da transformação em algo melhor. Chega de aceitar e se acomodar à falta de educação como "cultural". Ridiculíssimo! Se podemos "exigir" que a cultura "evolua" para o que nos é conveniente, alegando que o tempo não para, então, hora de enxergarmos conveniência em fazer esse discurso ser real. Evolução Cultural é algo tão grande e significativo que assusta, principalmente, por nem sabermos o que quer dizer e ainda assim, exigir... Chega da "cultura" da ignorância legitimada; da estupidez conscentida; da arrogância assistida - principalmente com a assistência da "cúpula" que lidera e governa nosso Estado maior e se dizem os líderes de opinião... hora de termos a nossa para debater... -; da comodidade desmedida; da aceitação passiva - ops! não estou incitando guerra, nem movimento armado ou intelectual acéfalo aceitado... questiono a nossa aceitação como receptores incapazes de pensar e articular boas, grandes e enriquecedoras idéias. Enfim, chega de ocuparmos o espaço comum como sendo nosso e deixar o nosso como comum ao alheio...

Um saguão de aeroporto é a representação de movimento incessante de pessoas de todo, vários e muitos lugares de qualquer lugar do planeta. Não existe lugar melhor para se observar "como" e "quem" somos... fora que é fácil identificar brasileiro em qualquer lugar do mundo, com a falta de educação e respeito peculiar... eu levanto a bandeira da minha nação, com amor a pátria, mas, envergonho-me, comigo mesma, pelo meu povo... a galhorfada, amenamente apresentada e descrita pelo mundo afora como "alegria de um povo", nada mais é do que falta de limite e de "educação pessoal"!

Detesto quando escuto alguém chamar brasileiro de mal educado, baiano de preguiçoso - e mal educado, também... além de nada higiênico... - e outros tantos... para mim é incitado pelo "preconceito cultural" tão bem tolerado, mantido e perpetuado por muitos de nós, através de ações reais no sentido que conduz a manutenção dessa característica. Porém, não discordo que seja verdade. Pelo menos é assim que "nos" apresentamos a nós mesmos e ao mundo. Quem é que não joga uma garrafa de água na rua e diz: "é para gerar emprego para os garis..."?! Ou, é porque não tem o hábito saudável e higiênico de se deslocar até uma lixeira e/ou, carregar um saquinho consigo para eventuais lixos?! É tão vergonhoso ser diferente, no sentido de ser melhor????? Pois é! Muito mais cômodo alimentar essa cadeia cíclica de mal educado do que sustentar a postura de ser melhor, para não ser "diferente" dos iguais irmãos e irmãs sem "educação pessoal" e doméstica... justificar com "falta de investimento em educação escolar do Governo" não é desculpa... concordo e muito que existe esse desrespeito e falta de comprometimento de TODOS os governantes com as questões de importância primaz, mas, trata-se de educação escolar e acadêmica, eu me refiro a "educação pessoal" como aquela que nós somos responsáveis por nós mesmos em sermos melhores; de educação doméstica como resultado de uma boa "educação pessoal" e propagação desta nos hábitos do dia a dia, em nossa rotina, dentro de casa - leia-se: ambientes sociais, onde dividimos espaços físicos com outros e todos precisam co-existir em harmonia.


"Chegou a hora dessa gente bronzeada mostar seu valor..." porque "isso aqui, oh,oh,é um pouquinho de Brasil, iá,iá. Desse Brasil que canta e é feliz! Feliz, feliz!" para que continuemos a ser "a terra da alegria"!!!Cada um de nós é um pouquinho desse Brasil, será que nos damos conta?!
  
VAMOS DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO!!!

PS - Leia-se "FILHOS MELHORES NESTE MUNDO" como "PESSOAS MELHORES AQUI E EM QUALQUER LUGAR".

Pat Lins - gritando um desabafo!- risos.


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